Konoha's Next Class
1 Capítulo 1 - Começos
Konohagakure, um ano após a invasão da Vila do Som e da Vila da Areia, ainda se recupera do ataque traiçoeiro de Oroshimaru. Mesmo com a vitória sobre os invasores, lares foram destruídos e vidas foram perdidas. O trabalho de reconstrução ainda continua, e ainda é possível ver os sinais de destruição provocados pelo ataque em larga escala.
Porém a Vila da Folha ainda persiste, através dos ideais de cada um dos moradores desta comunidade, que perpetuam em seus esforços a visão de Hashirama de um mundo onde os shinobis poderiam viver em paz. Muitos habilidosos ninjas pereceram na invasão, mas o ciclo continua, onde os mais velhos ensinam os mais novos, onde a experiência dos veteranos combina-se com o vigor e determinação dos mais jovens. Onde surgem os novos heróis, protagonistas de histórias que serão contadas de geração a geração.
Na Academia de Ninjas de Konoha, um desanimado jovem chamado Shiba Uzuki, de cabelos negros curtos e desarrumados, observava através da janela o monumento aos Hokages, as enormes faces esculpidas em pedra que representavam os mais poderosos ninjas da Vila da Folha. Olhar para eles fazia com que sentisse pequeno, ciente de sua insignificância diante daquelas verdadeiras lendas. Nunca seria uma delas, pois era medíocre em suas habilidades: sofrível no controle de chakra, lento nos selos e fraco no combate. Tirava notas passáveis nos exames, mas sentia que seria um eterno genin, destinado a trabalhos burocráticos ou de vigilância.
Triste mesmo era viver a sombra de sua irmã, Yuugao. Ela sim era um verdadeiro prodígio, capaz de rivalizar Hayate em suas habilidades. Todos eram só elogios para ela, e ao compararem ele com sua irmã, sentia seus pensamentos dizendo, que pena que ele não saiu como a irmã. O tempo de se irritar com isto já havia passado há muito tempo, tendo agora se acostumado com esta opinião que os outros tinham sobre ele.
Suspirou, e por estar sentado na última fileira numa sala do tipo stadium, olhou para baixo, onde Kinosuke Yamanaka realizava com perfeição sua técnica de transformação. Ele era loiro e de olhos azuis, usando uma longa cabeleira presa em forma de rabo de cavalo, e provocava arrepios das colegas de classe. Mesmo seu amor platônico de vários anos, Akane Tagaki, sentada na primeira carteira, observava-o com atenção, com os cotovelos na carteira e as mãos apoiando a face. Por que alguns tem tanto, e outros tem tão pouco?
Shiba, que estava com a cabeça apoiada em sua mão, sentiu uma sensação estranha no corpo, como se o mesmo ficasse dormente. A sua mão que segurava a cabeça deslizou para o lado, e sua cabeça desceu até a bancada, batendo com tal força que o barulho ecoou pela sala, chamando a atenção de Iruka-sensei. Sem graça Shiba fez um sinal para o professor, que retomou sua aula.
Massageando a testa vermelha, virou-se para o lado direito, onde estava Haruhi Nara, vestida toda de negro, sorrindo sapeca. Shiba vociferou:
– Hashirama se remexeria na cova se soubesse o uso que os ninjas de hoje fazem dos jutsus!
– Iruka-sensei nos diz para treinarmos sempre que pudermos... Não tenho culpa se você estava paralisado babando para a Akane – respondeu maliciosamente a ninja das sombras.
Shiba engoliu em seco.
– Não estava babando.
– Se você gosta tanto dela, porque não a pede em namoro? – perguntou a garota ao lado de Haruhi. Shiba sentiu um frio na espinha, já que toda vez que Ayame Aburame falava, era algo direto e sem rodeios. O fato dela usar aquele capuz e óculos negros característicos da família não ajudavam nada também.
– As coisas não são tão simples assim... E quem disse que eu gosto dela? – respondeu todo cheio de si.
– Shiba Uzuki e Akane takagi! Venham a frente para apresentar seu Jutsu de Transformação! – chamou Iruka-sensei.
Neste momento Shiba Uzuki tremeu nas bases.
***
Em Konoha existem vários restaurantes, mas nenhum deles serve ramen melhor do que o do Ramen Ichiraku. Seu dono é o famoso Teuchi, que fabrica seu próprio macarrão seguindo uma receita de família que existe faz gerações. Ele conta com a ajuda de sua filha Ayame, uma bela e bondosa garota.
Sentado em uma das cadeiras próximas do balcão, Shiba Uzuki estava comendo o rámen mais caro do cardápio, algo que fazia toda vez que se sentia frustrado. Durante os testes finais havia se desempenhado de maneira sofrível, ainda mais pelo fato de que como parceira tinha a garota que era sua paixão de infância, Akane Takagi. A emoção de estar ao seu lado fez com que esquecesse da ordem dos selos, além de ficar com um frio na barriga que impedia uma canalização eficiente de chakra para os jutsus. Resultado foi que tinha se saído péssimo nos exames e que provavelmente estaria de recuperação. Isto, somado com a vergonha de ter fracassado perante toda a classe, fez com que fugisse da Academia logo que o sinal de ir embora soou.
Sim, era um fracassado. E nem a ajuda de sua irmã tinha resultado em algo. Ela bem que tentou ensinar a técnica mais basica do Katon, mas se ele não conseguia fazer uma simples transformação, como aprender o Katon, ter o domínio elemental do fogo? Shiba comeu um pouco mais de macarrão, e sentiu os olhos marejarem. Apesar de ser comparado constantemente com sua irmã, sentia falta dela, pois ela sempre o estimulava a continuar se esforçando. Yuugao raramente voltava agora para casa, constantemente atuando nas missões para Konoha.
Perdido nos pensamentos, não percebeu que alguém havia sentado ao seu lado. Shiba virou-se para ver quem era, e teve a surpresa de ver que era Iruka-sensei. Limpou os olhos rapidamente com um guardanapo, dizendo que estava com lagrimas porque o ramen estava muito ardido.
Iruka-sensei sorriu.
–Que bom que te encontrei, Shiba. Estava te procurando desde que saiu apressado da Academia. Suas amigas ficaram preocupadas com você.
Preocupadas? Haruhi Nara sempre ficava zombando dele, enquanto Ayame Aburame era simplesmente estranha. De qualquer maneira Iruka-sensei tinha um sorriso tão sincero que fez com que Shiba se sentisse confortável para confessar o que lhe estava incomodando.
–Iruka-sensei, eu sou um péssimo shinobi, e nunca estarei aos pés de minha irmã, nem de ninguém. Estou pensando em desistir de ser um ninja.
A face que Iruka-sensei fez foi amedrontadora, com os olhos arregalados como o de um fantasma. Shiba sentiu o suor escorrendo pela nuca e teve vontade de chorar.
–Jamais diga isso. Nunca mais diga isso.
– Gyahhh! Perdão, perdão, Iruka-sensei! – respondeu o jovem, quase se ajoelhando.
– Mais um ramen! – Iruka-sensei pediu para Teuchi, o dono do restaurante.
–Não me ignore! – gritou com raiva Shiba.
Sorrindo, Iruka-sensei passou a mão na cabelereira desarrumada de seu pequeno aluno.
–Sabe, você me lembra muito o meu ex-aluno Naruto.
Shiba Uzuki ficou com a boca aberta, admirado. Lembrou-se que Iruka-sensei havia ensinado Naruto, o garoto que somente causava problemas na Academia, e que surpreendeu a todos indo para os estágios finais do exame Chuunin, tendo inclusive vencido Gaara do deserto na batalha contra a Vila da Areia! Talvez Shiba ainda tivesse alguma chance de ser bem-sucedido.
– Mesmo Iruka-sensei? Você acha que posso me dar bem, assim como Naruto? Você vai me ensinar a ser como ele?
Iruka-sensei balançou a cabeça, e Shiba viu seu animo esvaziando pelo ralo. Então o professor segurou em seus ombros e olhou em seus olhos.
–Sou seu sensei, e vi que seu problema, Shiba, é querer ser como os outros, quando na realidade você tem que ser você mesmo. Pare de se importar com o que os outros vão achar de você, não preste atenção para o julgamento dos outros, apenas faça o melhor de si para a sua própria superação. Nós mesmos podemos ser nossos piores inimigos ou melhores aliados.
Aquelas palavras tocaram o coração de Shiba, que sentiu a verdade contida nelas. Desde o começo havia se importado muito com os outros, com o que os outros pensavam, e se seria algum dia possível chegar aos pés de sua irmã Yuugao. E acabou se esquecendo de que a única pessoa que ele tinha que buscar superar era a si mesmo.
–Obrigado, Iruka-sensei. Sabe, você é o melhor professor que já tive... Disse a mesma coisa para Naruto?
Ao ouvir a pergunta de Shiba o olhar de Iruka-sensei pareceu recuar ao passado. Ele sacudiu a cabeça negativamente.
–Não, não foi a mesma coisa. Sabe Shiba, o fato de ser professor não implica em saber de tudo que existe no mundo, ou de que temos a resposta para tudo. Professores também aprendem com seus alunos, e uma coisa que aprendi com ele é justamente o que estou fazendo com você agora: ver meus alunos como eles são, pessoas que tem sentimentos e frustrações. Talvez Naruto não tivesse sofrido tanto quanto sofreu se eu tivesse me importado um pouco mais com ele... – disse Iruka-sensei, subitamente melancólico.
A cada momento em que passava, a admiração do jovem shinobi se tornava maior.
–Ele pode ter sofrido antes, Iruka-sensei... Mas ele não seria nada do que é hoje se não fosse o senhor...
Iruka-sensei sorriu de canto de boca, e bateu nas costas de Shiba.
–Vamos comer este ramen, que já está esfriando...
O jovem ninja concordou com a cabeça, e sentiu-se bem melhor. Com as mãos em forma de punho, ele inspirou e tomou uma resolução: iria agora se esforçar para se tornar melhor, sem se importar com a opinião dos outros! Ficou muito animado, sentindo-se finalmente um verdadeiro shinobi.
Foi quando sentiu o corpo dormente. Uh-oh...
Movido como uma marionete, sua cabeça foi direto para o recipiente de ramen, que graças aos céus já estava morno. Quando recobrou os movimentos do corpo Shiba levantou a cabeça, que estava toda molhada, e no cabelo havia macarrão escorrendo pelos lados e uma rodela de massa de peixe no topo.
Na porta estava Haruhi Nara, que acabara de cancelar seu controle das sombras, e Ayame Aburame logo atrás, com as mãos nos bolsos da manta.
Shiba Uzuki ficou revoltado, com a cara enorme e as veias saltando da testa, apontando para Haruhi, enquanto olhava para Iruka-sensei.
–Iruka-sensei! Voce viu! Estou sofrendo bullying desta delinquente ai!
Iruka-sensei se virou em direção da garota, com as mãos para rezar uma oração e um sorriso sem-graça no rosto.
–Haruhi-tchan, me desculpe, não avisei que tinha encontrado Shiba, me perdoe! – disse, e dando um tapa nas costas de seu aluno, piscou um olho – Apareça cedo, temos que treinar suas habilidades para a recuperação.
Shiba estava boquiaberto, nunca vira Iruka-sensei tratar ninguém daquela maneira tão... servil. O respeito que tinha por ele caiu do céu para a terra. Seu professor saiu pela porta pedindo licença a Haruhi, que deu um sorrisinho de volta. O que estava acontecendo?
–O que você fez com Iruka-sensei, Nara?
Recostada na porta Haruhi ergueu uma sobrancelha, dando uma de desentendida.
–Do que está falando?
–Por que ele não te deu uma bronca? Iruka-sensei sempre manda os delinquentes ficarem a tarde toda fazendo a faxina na Academia.
–Ah, isso. Shiba, toda garota tem seus segredos, você não pode ficar perguntando este tipo de coisa... – disse Haruhi, com a face ruborizada.
O jovem shinobi suspirou. Estas garotas eram todas misteriosas.
–Ela viu Iruka-sensei namorando com a professora da classe primaria, e ameaçou contar para todo mundo. – disse Aburame.
Agora foi a vez de Haruhi ficar nervosa. Com a veia saltando da testa, vociferou:
–Você não sabe fazer mistério, Ayame!!!
Shiba balançou a cabeça, desaprovando.
–Mas que feio, Haruhi... Chantageando nosso pobre professor... Só poderia ser atitude da maior delinquente magricela da Academia de Konoha...
Os olhos de morte de sua colega fizeram com que Shiba se arrependesse profundamente do que havia acabado de falar.
CONTINUA...
Notas finais
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