Konoha Wakai
1 Capítulo 01 – A Órfã e os Herdeiros
Notas iniciais
Todos estavam inquietos naquela manhã com a demora do Sensei Aburame. Nunca havia acontecido de se atrasar tanto, era sempre pontual. O primeiro aluno que abrisse a porta veria o professor escrevendo as primeiras lições do dia. Naquele dia estava atrasado. E logo quando se aproximavam os testes que definiria quem iria se tornar Genin e quem passaria o próximo ano estudando novamente.
Enquanto todos bagunçavam liderados por Uzumaki Boruto, em um canto mais afastado Uchiha Sarada lia um livro. Nunca gostou de toda aquela bagunça desnecessária. Irritava-a balburdia que faziam quando ninguém estava por perto. Nem parecia que teriam exames importantes. Ela tinha ainda tanto para estudar.
O contrário dela era Uzumaki Boruto. O garoto tinha muita energia, hiperativo não gostava de ficar sentado. Em todas as aulas teóricas lutava para não dormir em sua cadeira. Gostava de pregar pegadinhas. Certa vez tentou acertar um apagador na cabeça do Sensei Aburame. Evidentemente Shino não cairia em um golpe que viu tantas vezes Naruto tentar pregar. Cada vez que olhava não sabia se estava tendo um dejavu com os antigos tempos de colegial, Boruto parecia muito com o pai. Aquilo não poderia ser bom.
Inojin que ficou na porta vislumbrou o Sensei e ouviu os passos. O alarme soou e todos trataram de sentar e fingir que estavam estudando durante todo esse tempo. Shino Aburame entrou na sala. Mas dessa vez todos aguçaram o olhar com curiosidade. Ele não estava sozinho, acompanhando-o havia uma menina.
— Bom dia Turma, a partir de hoje vocês terão uma nova colega de classe. Quero que todos conheçam e a recebam bem, esta é Akemi Yurushi. Diga “Oi” para todos Akemi!
— Er... Ohayou Gozaimasu (Bom dia)!
— Vamos, pode sentar ali do lado da Sarada. Agora já passou da hora de começar a aula, todos em silêncio que a lição de hoje será sobre os fundamentos do Henge no Jutsu...
O Sensei começou a escrever e explicar ao mesmo tempo, porém ninguém conseguia prestar a atenção usual que comumente lhe dirigiam ministrava sua aula. Todos só tinham olhos para a novata que mais depressa que um trovão sentou-se na cadeira indicada. Pediu licença a Sarada que a olhou rapidamente esboçando um sorriso e cumprimento.
Akemi era uma garota bastante bonita para sua idade. Sua pele era branca, seus cabelos estavam pouco abaixo dos ombros, usava uma sandália de metal com meias pretas que iam até abaixo de seus joelhos presos por anéis prateados, seus olhos eram de uma coloração estranhamente rosa, vendo-os de relance jurar-se-ia que brilhavam, sua expressão era vaga, seu sorriso, quando sorria, era esplendoroso. Na maioria do tempo passou olhando para seu material estudantil, o quadro negro ou para os próprios pés. Não tentou em nenhum momento conversar com Sarada que estava ao seu lado.
Até Boruto de vez em quando virava o rosto para trás na direção dela. Sarada que tentava prestar atenção passou a se incomodar com aquilo. Será que não viam o quanto estavam sendo indelicados constrangendo a nova garota. Reparou que ela sentia-se envergonhada. Um leve rubor das suas bochechas a denunciou. Resolveu então que seria amiga dela. Mostraria todo o lugar, conheceria a novata e acabaria com aquele clima chato na primeira oportunidade.
Quando o sinal tocou e era o intervalo agiu.
— Muito Prazer! Sou Uchiha Sarada. Akemi é seu nome não?
— Sim – respondeu meio sem jeito – muito prazer Uchiha Sarada!
Fez uma leve reverência com a cabeça.
— Mas pode me chamar só de Sarada, Akemi-chan. Vamos eu sei onde vende um chocolate quente que é delicioso. Você tem dinheiro? Ah não tem problema, eu pago tudo! Conte de onde você veio...
Sarada realmente fez um esforço tamanho para conversar com Akemi. Até conseguiu fazê-la sorrir mas notou que esta matinha uma distância segura de seus pensamentos. Respeitou isso e no final do dia tinham conquistado a amizade uma da outra.
Shino bateu na porta do escritório de Naruto conforme as instruções que recebera. Queria descansar no final de um dia puxado com seus queridos alunos porém as responsabilidades vinham em primeiro lugar. Se ele estava cansado podia imaginar como o Hokage estaria se sentindo.
— Konbanwa (Boa Noite) Nanadaime Hokage!
— Deixe disso Shino, você me conhece desde pequeno. Chame-me pelo meu nome.
— Como quiser, Naruto-kun.
— Como foi o primeiro dia dela? – Naruto digitava algumas coisas no seu recém-adquirido computador, ainda estava se acostumando a usar aquilo. Particularmente confiava mais nas aves para levar as mensagens, mas em se tratando de determinados assuntos era melhor mandar o mais rápido possível a resposta. Comia Ramen enquanto tratava de tudo. Sabia que ia chegar tarde, preferia a comida de Hinata mas tinha de comer alguma coisa enquanto trabalhava.
— Bom, correu tudo bem. Ela é tímida, introvertida todavia fez amizade rapidamente com Sarada. Todos a olhavam de maneira esquisita.
— Sempre acontece da primeira vez. Leia aqui o relatório que o Darui me mandou.
Naruto virou o monitor para que Shino pudesse ler o que o Raikage havia enviado.
“Caro Naruto
Como estão as coisas em Konoha? Espero que esteja tudo bem. Na última reunião mencionei a você sobre um problema na Vila da Nuvem. Espero que esteja lembrado. Pois bem. A situação está insustentável e eu peço esse favor diplomático. Aceite o ingresso na academia ninja de Konoha da jovem Akemi Yurushi. Ela é uma boa garota. Meiga, tímida, não gosta de arrumar confusão. Com muito gosto ela poderia ficar aqui mas infelizmente ela não tem família. É órfã. Com poucos que gostem dela aqui temo que possam lhe fazer algum mal.
Só algumas recomendações para que todos fiquem cientes:
Não estranhem se ela atrair a atenção de todos. Akemi possuiu um Doujutsu muito peculiar, é chamado de Kugyōgan. Sua habilidade consiste em um Gentjutsu automático e permanente que envolve todo seu corpo. Qualquer ninja um pode sofrer de seus efeitos. A menina não tem nenhum controle sobre esse poder. Nós tentamos lidar com isso mas ela acabou despertando a raiva e desprezo de muitas pessoas. Deixo as seus cuidados, como Jinchuuriki você sofreu a mesma coisa que ela deve sentir e é o mais indicado a lidar com essa situação. Também tem o Sasuke que pode ajudá-la quanto a sua habilidade.
Qualquer novidade quanto a sua evolução ou eventuais problemas reporte o mais breve possível. Muito grato pela sua ajuda e cooperação.
Ass.: Darui, Raikage de Kumogakure.”
Shino analisou bem essas palavras. Muitas coisas não estavam bem explicadas, parecia que Darui estava dando o mínimo de informações possíveis quanto aquele caso. Todavia não era de sua responsabilidade se preocupar com aquilo, além do mais, desde o final da 4ª Guerra Mundial Ninja as Cinco principais vilas ninjas estavam em boa cooperação.
— Isso explica muita coisa. Já mostrou isso ao Shikamaru-kun?
— Já – Naruto apoiava os cotovelos na mesa – ele achou estranho, dá pra notar pelo tom das palavras. Que tipo de poder é esse que faz com que a odeiem na sua terra natal, no entanto ela não tem ninguém e se precisa de uma família encontrará em Konoha. Já estabeleci uma pessoa para cuidar dela e que lhe passará os melhores valores possíveis.
— Posso saber quem cuidará dela?
— Kurenai-sama. Ela saberá entender o poder de Akemi e lhe ajudar a controlar.
— Você vai permitir que ela se aproxime de Sasuke?
— Sasuke é meu braço direito, não posso dispor dele pra cuidar do treinamento de uma garotinha. Ele já anda aborrecido pelo pouco tempo que passa com a própria filha. Kurenai bastará. Quero somente que preste atenção nela e não deixe que ela sofra a mesma coisa que sofreu no passado. Vamos fazê-la aprender a amar Konoha antes de dá-la uma bandana. Sei que é pouco tempo para avaliá-la mas confio totalmente em você pra achar o melhor caminho para o futuro dela.
— Muito Obrigado! Naruto-sama!
— San! Já disse que é meu amigo e entre nós dispenso essa formalidade. Agora conte como Boruto vai indo...
Shino ainda passou mais meia hora conversando sobre os progressos e travessuras de Boruto. No final Naruto soltou uma imensa gargalhada e prometeu conversar com seu filho. No mais estava satisfeito com ele. Prepararia uma festa na ocasião de sua formação como Genin.
Akemi estava tomando uma sopa quente. Kurenai estava na sua frente. As duas apenas comiam e se observavam. Era sua primeira noite naquela casa estranha. Em sua terra costumava ficar no Orfanato da Obaasan, uma velha senhora durona porém com um coração do tamanho do próprio mundo. Cuidava de várias crianças que não tinham para onde ir, que haviam perdido toda a família na Guerra, educava da melhor forma possível. Akemi gostava de Onebai. Era a única que não olhava-a com desdém. Explicara-lhe que não era sua culpa as pessoas serem assim e com o tempo ela ia compreender o significado de todas aquelas coisas. Adorava quando ela cantava uma canção de ninar que falava sobre estrelas que desciam do céu pra acalantar as crianças que tinham frio durante noite.
Chorou muito quando teve de deixar o orfanato e partir em viagem àquela longínqua terra. Obaasan esfregando seus cabelos lisos e brancos dissera que era o melhor, que iria encontrar bons amigos e tudo seria diferente. Apesar de longa a viagem desejou que o tempo se prolongasse infinitamente para nunca chegar e ter de encarar novamente o desprezo das pessoas. Tinha medo do que ia encontrar. Sua primeira impressão de Konoha foi boa, gostou das cores, das muitas flores que se encontravam nas janelas dos prédios, até do barulho dos vendedores de guloseimas. Experimentara uma bala azul e ficara com a língua manchada.
Samui renomada Jounin cuidava de sua escolta até Konoha. Não eram muito de conversar mas não se conteve quando viu a menina tímida com a língua azul. Akemi foi recebida com um sorriso contagiante do Hokage. Do pouco que conhecia, sabia que ele era um grande herói reconhecido em histórias até em sua terra. Foi ele quem a conduziu até a casa onde ia morar e depois a deixou com seu professor.
Perscrutava todos os cantos, os móveis, as paredes, o teto. Notou a foto de um Shinobi com um cigarro na boca e sua tutora evidentemente mais nova. Havia ainda a foto de outra pessoa a qual procurou e não viu na casa.
— Como foi seu primeiro dia na academia? – Kurenai lançava um olhar sorridente enquanto falava, sem parar de comer sua sopa.
— Foi bom...
— Já sabe meu nome, é Kurenai, mas pode me chamar de Ojisan, se sentir-se confortável com isso.
— Sim, Ojisan.
— Saiba que não tem porque ficar tímida aqui. Agora esta casa é a sua casa também. Se minha filha estivesse aqui ela faria a honra de lhe apresentar a tudo e todos mas ela está em viagem.
— Você tem uma filha, Ojisan?
— Sim – respondeu apontando o retrato que ficava bem próximo ao de Asuma – aquela é ela. Mirai Sarutobi e bem perto é do meu falecido marido e pai dela, Asuma Sarutobi.
— Eu sinto muito. Nunca cheguei a conhecer meus pais de verdade. Eles me abandonaram.
— Tenho certeza que tiveram os seus motivos. Veja você agora está crescendo e espero que aceite minha companhia para estar ao seu lado em todos os momentos que precisar.
— Obrigada! Você está sendo muito gentil comigo.
— Você é um doce de menina. Percebo isso pelos seus olhos. Agora conte: ouvi dizer que você é muito popular entre os meninos, como foi, gostou de algum...
— Isso é meio chato – as bochechas de Akemi estavam em brasas – eles ficavam me encarando, alguns ofereciam lápis e papel como seu eu não tivesse material, alguns lanches. Eu evito porque senão as outras meninas me olham com cara feia e não querem ser minhas amigas.
— Deve ser chato isso.
— A única que falou comigo direito foi a Sarada-chan, acho que ela quer ser minha amiga.
— Isso é bom, pelo menos você não está mais sozinha.
— É, ela é tímida também e me protegeu de certa forma. Gostei dela.
— Com o passar do tempo vai fazer mais amigos. Aqui na vila da folha todos somos bastante receptivos. Você será feliz aqui. Agora escove os dentes e tente dormir. Amanhã será outro dia cheio. Se precisar de alguma coisa a geladeira está logo ali, se tiver medo meu quarto é naquela porta, pode bater a qualquer hora.
Kurenai deixou com que ela se instalasse sozinha. Julgou ser a melhor decisão. Quando Naruto lhe falou adorou a ideia de ter uma nova companhia, uma segunda filha por assim dizer já que Mirai vivia viajando com Kakashi e Gai. Quando a viu encantou-se por aquela beleza inocente. A voz, os olhos, os cabelos, com certeza seria uma das mais belas kunoichis quando crescesse. Beijou-a na testa e foi deitar-se.
Akemi deitou apagando a luz. Olhava o teto que tinha desenhos de estrelas, seu quarto era bem espaçoso e com uma janela ampla que deixava entrar bastante luz do luar. Uma paz reconfortante tomara conta de seu coração. Pouco a pouco sabia que seu medo inicial estava indo embora, sua “Ojisan” era fabulosa, tinha certeza de que gostava realmente dela. Havia feito uma amiga e o dia seguinte parecia ser menos penoso. Sua mochila abarrotada de livros já estava. Apesar da ansiedade e de mil pensamentos pegou rápido no sono.
Longe dali Boruto não conseguia dormir direito. Além dos testes se aproximando algo na nova garota havia lhe deixado com uma sensação estranha. Tanto que nem tinha conseguido falar direito com ela ou com Sarada que grudara nela desde a saída para o intervalo. Não sabia dizer se era vergonha, timidez ou antipatia, nem se era por causa da novata ou simplesmente porque Sarada junto da novata mudara algo no seu ponto de vista, algo que deixava um sabor amargo na boca e um embrulho no estômago. Juntas as duas pareciam o sol e a lua e não sabia qual resplandecia mais. É claro que sua mente de criança nada entendia daquelas coisas e cansado de se incomodar com aquilo jogou um pouco de videogame antes de seu pai chegar e mandar-lhe dormir.
Já Sarada estava nervosa. Sakura notou logo que ela chegou. Não era costume seu ficar tão absorta em pensamentos que se esquecesse do beijo da mãe. Desculpou-se contando a novidade. Sakura ficou intrigada e não disse nada. Preparou o jantar e juntas dividiram uma com a outra todos os acontecimentos importantes do resto do dia. Sarada ficou muito feliz quando leu a carta que havia chegado de seu pai. Logo estaria em casa e prometia ficar mais tempo. Com esperança guardou na sua caixa de cartas o papel cheio de beijos e com o perfume dos lugares por onde Sasuke viajava. Se tudo desse certo talvez ele nem viajasse mais. Talvez estivesse quando ela se tornasse Genin. Seu coração parecia explodir.
Subitamente seu pensamento foi do seu pai a Boruto. Explicar a transição não saberia. Hoje não veio visitá-la. Na verdade ele vinha com sua família. O Hokage e sua mãe eram próximos, haviam sido do mesmo Time quando eram mais jovens, o mítico Time 7 que juntamente de seu pai fez a formação mais poderosa vista no mundo shinobi. Vinham para conversar, comer pizza, as vezes só pra distrair mesmo da rotina corrida que tinham. Este não havia sido um destes dias. Sarada notou que Boruto ficou estranho o dia todo. A nova garota parecia exercer a mesma influência nele quanto em qualquer um na sala. Ficavam todos quase como nos filmes de Zumbis que sua mãe detestava mas que ela amava e assistia abraçada ao seu pai quando ele estava em casa. Não poderia, com precisão, mensurar o porquê daquilo a incomodar. Se era Boruto, Akemi ou ela mesma. Conhecendo a garota achou-a legal. Só era tímida, mais que ela até e não tinha ninguém. Boruto que ficasse estranho do jeito que quisesse. Ela seria amiga de Akemi não importasse os fatos. Sentiu-se bem perto da garota que era muito esperta, diga-se de passagem. Durante a aula viu as anotações que fizera. Todas perfeitas e pontuais. Juntas podiam aprender muito.
— Sarada, hora de dormir! Desligue essa luz!
Esqueceu-se do livro sobre os joelhos e da luz ligada. Ajeitando-se no cobertor quente sorriu aconchegada e contente. Sonharia com o pai, tinha certeza, e no sonho continuaria a ler o livro, ao lado dele.
Fale com o autor