Kon Quer Namorar
1 Dia dos namorados
Notas iniciais
O dia em Karakura não poderia estar mais lindo! Céu azul, sol cintilante e uma brisa refrescante.
As pessoas aproveitavam aquele estupendo dia para passear, fazer pique nique nos parques, visitar também cemitérios e homenagear entes queridos – que mesmo tendo ido dessa para a melhor –, eram sempre ofertados com lembranças e sorrisos, nada de choro.
Aliás, aquele dia especial, não tinha motivos para chorar, somente para sorrir.
Mas em uma casa, no meio de Karakura, mãozinhas peludas, apoiando o queixo redondo, numa janela onde se podia ver outras casas e o nada acontecendo, havia um habitante triste.
Porque? Se todos estavam felizes. Se todos pareciam animados e contentes? Sim, esse pobre animalzinho, ou bichinho de pelúcia, estava triste, desanimado e extremamente solitário.
Ichigo havia levado Rukia para passear no parque, Isshin levara as filhas para presentear a okaasan com rosas. Ainda bem, porque não estava afim de ser... espera! Por um minuto pensou que seria até divertido brincar com as pequenas.
Kon pulou da janela para a cama de Ichigo, subiu na escrivaninha do quarto e viu o desenho que Rukia o presenteara. Os coelhinhos com coraçõezinhos. Respirou fundo, suspirando depois. A sua querida nee-chan nem havia lembrado de também lhe presentear com um desenho tosco e mal feito, mas mesmo assim adoraria que tivesse ganho.
Deixou aquele quarto, de cabeça baixa, não tinha para onde ir, naquele momento até mesmo a loja de Urahara parecia um lugar divertido de passar o tempo.
Mas chegando lá, não havia ninguém, há não ser Renji. Mas esse estava muito ocupado comendo uma tijela enorme de arroz, esticado num futon, bebendo, e com uma companhia.
— Ohhh! – Os olhos de Kon brilharam ao deparar-se com os grandes vales divinos reluzentes na sua frente, correu quase que como um profissional chegando na linha de chegada. Parecia que o dia tornara-se mais colorido e luizinhas piscavam para ele, em direção aquela que era a dona de seus sonhos mais pervertidos e safados.
A corrida parecia ser em câmera lenta, difícil de terminar. Antes mesmo de chegar próximo o suficiente para sentir o cheiro doce daquele perfume especial que a sua Deusa perfeita emanava, o disco da música romântica que tocava em seu coração arranhou. As luzes se apagaram e o brilho intenso dos vales divinos foram ofuscados por um ruivo.
Kon caiu no chão com uma gota enorme na cabeça. Então era assim que Renji e Matsumoto trabalhavam escondidos?
Saiu arrastando-se dali, mesmo que fosse muito pervertido e divertido ver aquela cena nos depósitos da loja de Urahara.
Na rua, apenas os casais enamorados caminhavam tímidos de um lado para o outro. Sorridentes e apaixonados. Kon bufou, chutando uma pedrinha no meio do caminho. Não era justo, ser baixinho, ser peludinho, ser fofinho, afinal suas qualidades eram para encantarem o público feminino. Mas pequeno como era não chamaria muita a atenção.
Tratou então de voltar para casa, talvez pudesse roubar alguns daqueles chocolates que Ichigo ganhou de Inoue.
Num lampejo único, Kon imaginou o seu dia ser iluminado por uma boa idéia. Correu então para a casa de sua linda futura namorada. Iria fazer o pedido hoje mesmo. E não receberia um Iie como resposta.
O caminho pareceu ser infinito, tava complicado chegar.
— Hey! Saiam da frente! Mas que coisa. Eu quero ir ver minha linda namorada também. – Reclamava mas não era visto por ninguém.
Passou por uma praça, e coincidentemente lá estava ela. A peituda-chan! Riu capcioso, com as patinhas na boca, pronto para dar o bote e cair no colo divino de Orihime.
As tais luizinhas voltaram e o brilho fez o dia ser mais colorido, novamente. Só que não percebei que a bela jovem estava acompanhada!!!
Kon caiu de quatro na grama chorando sua má sorte. Deveria ser culpa de alguém, tinha que culpar alguém. Olhou tristonho para o casal que comiam algo de forma estranha. Um pique nique. Poruqe ninguém o convida para isso?
Invejou a sorte de Ishida. Saindo cabisbaixo de lá.
Ele estava só, triste e sem namorada. Largou-se no meio fio da calçada e esperou algum cão vadio vir lhe morder o corpo fofinho. Mãos nos joelhos redondos e suspiros enfadonhos. Kon queria não mais existir. Enfiou a mão dentro da boca querendo acabar com sua vida inútil.
— Okaasan! Olha só! Um ursinho velho. Deve ser elétrico. – A menina vinha correndo pela rua, o carro estava prestes à acertá-la. A mãe gritou e então Kon pulou em cima dela, girando no chão até a calçada. – Bichinho? Você me salvou.
Estava numa mesinha tomando chá com a jovem garotinha que conhecera. Não se mexia e nem falava nada. Mesmo que ela o visse salvar sua vida.
A menina presenteou o ursinho com um desenho de cachorrinhos, não eram coelhos, não havia chocolates e nem vales divinos, mas até mesmo pro Kon aquele dia dos namorados foi divertido.
Só não esperava chegar em casa e todos estarem preocupados com o seu sumiço. Comeu o chocolate estranho feito por Inoue, mostrou o desenho dos cachorrinhos e brigou com sua nee-chan para ver qual desenho era mais bonitos. Riu malicioso olhando pra Renji e Matsumoto, e fugiu de Ichigo quando ele tentou enfiar a mão na sua boca.
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