Kokoro No Koe

10 Mar Inexplorado - O Primeiro Portão


Notas iniciais
MINNA DESCULPAAA!
Além do AS, eu posto essa fic no FF.net e no Nyah, e em todos os sites eu já tinha postado o cap 10 - Mar Inexplorado, menos aqui xDDDD
Por isso deletei o capitulo "O Violino e o Cervalho"... acabei de perceber que faltava postar um capitulo aqui antes do novo xDDD
Bom, pelo menos, pra quem só acompanha nesse site, já tem mais um capitulo pronto xDDDDDDDDD
Desculpa a confusão!!!! o//

Não muito distante de Oto, em Paradise, um certo sennin, peregrino dos mares, brincava com suas velhas peças de xadrez.

- Sabe, Gai... aposto que o Sasuke não me deu ouvidos... — Dizia, enquanto posicionava uma fileira de peças de xadrez em sua mesa. — Me pergunto se o destino agiu ou se eu só me enganei novamente...

- De um jeito ou de outro... — dizia o verde. — ...meu poderoso Lee está com eles! Não há com quê se preocupar!

- Sei... — dizia Jiraya, sem levar muito à sério, enquanto posicionava uma Torre na frente da outra e, atrás das duas, a Rainha. Todas peças brancas.

- O que está fazendo? — perguntara Gai.

Pegando um Peão branco, Jiraya disse:

- Imagine que... cada Peão branco... seja um navio Hyuuga, e que este aqui em minha mão é a nau de Hiashi... — então ele pegara um Cavalo também branco — e que esse cavalo seja Sasuke, qualquer semelhança sendo coicidência, ok? — interrompia-se — Bom, este é o Sasuke e a nau dele...

- Acho que não é assim que se joga Xadrez...

E o Sennin riu com profundo gosto, mas também uma pitada de amargura.

- Pode ser, Gai... Mas é bom lembrar que o destino joga com as próprias regras. — então ele pega outra peça. — E este Bispo branco — dizia, mexendo a peça na altura de seus olhos, para depois posicioná-la em seu tabuleiro personalizado. — seja a Sereia.

Birdcage — (teclem birdcage gackt)

De frente para a primeira Torre, Jiraya pôs, lada a lado, as três peças que usaria para representar Hiashi, Sasuke e a Sereia. E, movento lentamente as três peças para mais perto da primeira torre ele disse:

- Nossos piratas devem estar agora, à caminho do Mar Inexplorado. — Então ele pega uma das peças negras e a põe frente-a-frente com a primeira torre. — Só nos resta saber... — dizia o sennin. — Quem derrubará quem... para fora deste jogo.

Há pouco tempo atrás, no período denominado a.S. pelo povo que tanto sofrera, havia um rei muito influente e muito poderoso que impôs suas vontades através de uma rígida, cruel, ditadura.

O povo logo se rebelava, e os rebeldes logo pereciam.

Sem o direito de opinarem, só lhes restava a música para se alegrarem e sentirem-se esperançosos, e com isso nasceu esse tão intenso, ainda que puro, amor por aquilo que para os leigos, não passava de singelas canções.

Repleto de ira e indignação, o rei ordenou que todos os que abrissem as bocas para cantar, teriam suas gargantas cortadas, declarando assim, o fim de toda a esperança.

Sem poder cantar, o povo tentava tocar e declamar, mas uma a uma, suas tentativas eram dizimadas.

Sem poder tocar, fora o fim de toda a alegria.

Sem nem, ao menos, poder declamar, o povo parara de falar e assim, aquela terra se calou.

Aquele fora... o fim do amor.

Já era de noite. Afastada de sua irmã pela tripulação que antes servia a seu próprio pai, Hanabi esperneava, gritando para as paredes, na tentativa de afrouxar aquele aperto em seu peito que logo se tornaria medo.

- ME TIREM DAQUI! EU QUERO SAIR! — ela gritava, batendo pernas e braços no chão, esperneando, com todo escândalo possível. — EU QUERO A MINHA IRMÃ! — e ao ver que ninguém aparecia, ficava cansada. Sem mais se debater, Hanabi pôs o rosto entre os braços, de cara pro chão, sobrando-lhe fôlego apenas para chorar. — Quero meu pai...

Depois de ser separada da mais nova, que fora levada para uma das cabines e lá trancada, Hinata fora arrastada para um dos andares mais baixos da nau.

Também esperneava, sem poder gritar, tentava por si só entender o por quê de tamanha traição por parte dos oficias. Mas logo se aquietou. Ao chegar ao andar, diante de si havia um grande tanque, alto ao ponto de quase tocar o teto e largo o bastante para acomodar um barco pequeno. Cheio de água do mar.

Ao avistar o que, com certeza, serviria de prisão para ela, Hinata soube que aquilo tudo fora planejado. E há tempo também.

- Vejamos agora o que ela tem para nos dizer.

Danzou...

Ao ouvir aquela voz arranhada, incômoda, a Hyuuga nem se preocupou em encarar o rosto avariado do homem ali sentado, aquele por trás de todo o motim, enquanto a colocavam no tanque.

Agora um aquário.

Uma cela.

Alvoroço. Escândalo. Gritaria. Tudo o que havia de pior para lhes ajudar ocorria enquanto fugiam em seu navio. Sirenes era tocadas, tiros eram disparados, O disfarce se desfizera.

Todos haviam se acomodado no Uchiha, sendo impulcionados por Naruto enquanto Kiba e Akamaru serviam de escudo vivo para os tiros que eram disparados contra eles. O denso e grosso pelo do cão de duas cabeças o impediria de se ferir... mas só se não se demorassem muito.

- DÁ PRA SAÍREM LOGO DAQUI! — gritava a voz duplicada do Inuzuka.

- TODOS À BORDO! NARUTO! PREPARE-SE PARA EMPURRAR! — gritava Sasuke, apoiando-se nas redes que ligavam o mastro principal ao corrimão.

- OH, KAMI! O QUE ESTÁ HAVENDO? — em meio á gritaria e ao empurra-empurra, quatro figuras pálidas se juntavam à tripulação. — KABUTO! VOCÊ DISSE QUE ESTAVA TUDO NA MAIS PERFEITA ORDEM!

- ISSO FOI ANTES DE SABER QUE ERAM PIRATAS, SENHOR! — ambos os inspetores cobriam as cabeças com as mãos, abafando o barulho de tiros. Antes que dessem conta, já estavam em meio aos tripulantes, dentro do Uchiha.

E muito antes que pudessem pensar em sair:

- VAMOS ZARPAR! — gritava Naruto, pegando impulso e empurrando a nau para longe da baía. Quando estavam fora de alcance dos tiros, Kiba dera golpeara a areia no chão, ela subira tão feroz, que formara uma cortina que distraíra os oficiais do Porto de Oto enquanto ele e Akamaru também fugiam.

Ao alcançar o Uchiha, junto do Uzumaki, eles puxaram a nau à nado...

... rumo ao norte.

- Por favor não nos machuquem! — gritava Kabuto.

- Não nos façam andar na prancha assim tão jovens! — suplicava também o tal de Orochimaru, quando foram descobertos.

As cantoras apenas se encararam. Sasuke e os outros estavam ocupados demais, tentando conseguir velocidade, para dar atenção aos dois instrutores.

- O que fazemos agora? — perguntava Ino. Sentia até pena dos dois à sua frente. Encolidos e tremendo no canto da cabine em que se encontravam.

- Deixamos eles aí... é o jeito. — Temari, de sombrancelha erguida e braços cruzados, só conseguia imaginar que, se não podiam ajudar, pelos menos aquela dupla não chegaria a atrapalhar.

- Como assim "deixamos eles ai"? — Ino discordava, e logo as duas loiras começavam a debater a melhor solução para os dois penetras.

Sakura nada dizia. ainda digeria os acontecimentos recentes. Tentava não se concentrar na dúvida que a cutucava mais e mais conforme o Uchiha adquiria velocidade, conforme via a tensão nos olhos de Tenten, a pressa nas patas vulpinas de Naruto e principalmente, no retorno do jeito reservado e duro de Sasuke.

Mas não importava o quanto tentasse.

A dúvida não lhe saía da mente.

"O quê, afinal... nos aguarda... no norte?"

Seus pensamentos foram desviados pelo recomeço da gritaria no convés. Pelo jeito, Kiba, Akamaru e Naruto haviam chegado ao limite. Sakura correu para fora da cabine à tempo de ouvir o capitão gritar:

- JOGUEM AS CORDAS! — Ocupado com as velas do mastro em que estava, o Uchiha mantinha-se firme em suas ordens, deixando que Lee e Shino trouxessem as cordas e amarrassem as extremidades de cada corda ao mastro principal. As outras extremidades eram amarradas na cintura de Kakashi e Kisame, os dois mais fisicamente preparados para um resgate em alto-mar.

Ao pularem na água, o primeiro a ser alcançado fora Naruto. Kisame alcançara Akamaru mas este era muito pesado. Usando seus últimos segundos acordado, Kiba dava tapas no rosto de seu cão que logo despertava e os ajudava a serem içados com as garras das patas.

Chegaram ao convés.

Kiba e Akamaru já estavam completamente incoscientes, mas Naruto relutava. Apagava pouco à pouco enquanto deixava que as palavras lhe escapassem da boca.

- ...mais depressa... temos que chegar depressa — ele dizia, sua vista escurecia e pouco à pouco ele fechava os olhos para também desmaiar. — ...temos que salvá-la...

Depois das últimas palavras conscientes vindas do loiro, Sasuke fechara os olhos, soltando um longo suspiro.

Não aquele velho suspiro derrotado. Um outro. Um suspiro... de pesar.

- Levem-nos para as cabines. Para poderem descansar e se recuperar em paz.

O Uchiha mantinha sua cabeça abaixada, mirando o chão onde estiveram deitados Naruto, Kiba e Akamaru, mesmo depois deles terem sido retirados. Seu cenho estava franzido e os olhos fechados. Era como se rezasse. Como se implorasse aos céus que aquele tormento passase.

Ver o estado em que ficavam seus amigos era algo muito dolorido. Achava que fosse algo dolorido demais para ele.

- Sasuke? — quem lhe chamava era Sakura. assim que levantou um pouco o olhar para fitá-la, suas esmeraldas desviaram para o chão. Ela parecia fazer isso sempre que pensava no que dizer. Depois de um breve suspiro, ela lhe levanta um brilhante olhar. Seu sorriso era fraco, mas demonstrava o máximo de sinceridade em suas poucas palavras. — Eles vão ficar bem.

Só isso.

Fora só isso que ela lhe dissera. E mesmo sem entender como, Sasuke sentiu que havia ajudado. Levantou a cabeça. Sorriu fracamente e disse:

- Obrigado, Sakura. — esse era um dos motivos por se considerar fraco quando mais jovem. O modo como ficava abalado na presença de um amigo com problemas. Ele nunca sabia o que dizer. Nunca sabia como dizer. Por isso mesmo sempre evitava ficar por perto ao ver alguém em uma situação difícil. — Parece que... — ele dizia, ainda com o olhar distante. — ...quanto pior um amigo seu fica, mais eu... me afasto.

Era por isso que, desde seu cativeiro em Ichiba, o Uchiha passara a admirar tanto essa disposição da Haruno. Ela claramente também não sabia o que dizer, e nem como dizer, mas ia do mesmo jeito, mostrar que estava por perto, para ajudar.

Sasuke rira desgostoso.

- Eu sou um fraco.

Agora o cenho de Sakura franzira. Ela analizava a frase do Uchiha. Havia algo errado no que ele dissera.

- Não acho. — ela falava, balançando negativamente a cabeça. — Se preocupar com um amigo nunca foi uma fraqueza. Na verdade... — agora ela sorria, o verde de seus olhos voltando a esbanjar confiança. — ...não acredito haver melhor característica em uma pessoa, senão a de se importar com um amigo.

Sasuke voltou a sorrir, ainda que com uma expressão mais... tímida.

- Queria que você estivesse aqui a cinco anos atrás, pra me dizer isso.

E ao ouvir isso ela levara a mão no queixo pra rir.

Muitos poderiam discordar. Mas ele sabia...

...que de certo modo...

...ela era muito mais forte do que ele conseguiria ser um dia.

Assim que sentiu o contato da água salgada em sua pele, seu corpo se transformou, voltando àquela forma com cauda, a forma de sereia, que usara na luta contra o Leviathan.

Sua voz também voltara. E a primeira coisa que disse ao recuperá-la foi:

- O que significa tudo isso!

- Oh... A fruta te permite ser ouvida perfeitamente ainda que embaixo d'água! Deve ser por isso te desgastar tanto que você fica muda quando volta ao normal.- dizia Danzou, monótonamente. Logo ele zombava. — Essa confiança toda também vem da Umi no Mi?

Irritada, Hinata girou o corpo, atingindo a parede do tanque com a cauda. O barulho do choque contra o vidro deu a entender que fora um golpe de absurda força...

Mas então, por que o vidro sequer rachara?

- Eu poderia ter avisado que bater era inútil, mas, sinceramente... — dizia, e a cada palavra era um dente que mostrava em um cruel sorriso. — seria mais divertido vê-la tentar.

Levantara. Apoiando-se em sua bengala ele mancava, dirigindo-se lentamente para mais perto do tanque.

Ele se aproximou e, com a cabeça de sua bengala, bateu de leve no vidro do tanque.

O barulho que se fez nos ouvidos de Hinata era enlouquecedor, agitando toda a água com uma vibração que a deixara completamente zonza. Quando o vidro parou de vibrar, Hinata estava no chão do tanque, encolida com a cabeça entre as mãos. Enfraquecida, ela só podia escutar.

- Agora você vai ficar aí bem quietinha enquanto atravessamos o primeiro portão. — Danzou lhe falava com frieza, arranhando com a cabeça da bengala que continuava apoiada ali fazendo o vidro novamente vibrar. Enquanto a Hyuuga se contorcia, agonizada, ele dizia. — Você, suas amigas e a Sereia já deveriam estar mortas em Ichiba. Mas aproveitando que os Akatsukis se mostraram tão incompetentes em realizar tal tarefa, você me será útil ainda uma vez antes de morrer.

E retirando sua bengala de perto do vidro, lá estava ela, novamente no chão do tanque, encolida e tremendo. Calada.

Danzou se virou e começou a sair. mas não antes de manifestar-se uma última vez.

- Tenho umas contas à acertar com aquela Kurenai. Até lá, "sereia,"você não abre a boca.

E assim ele saiu.

Na cabine onde repousava, Naruto tinha sonhos turbulentos. Em seu sonho, peixes e pássaros os atacavam, mas eles, como minhocas e insetos, nada eram capazes de fazer...

Não eram capazes de, sozinhos, se defender.

O sonho o pertubava e, agitado, ele se remexia sem parar em sua cama na cabine.

Hanabi estava novamente de pé. Secava as lágrimas que teimavam em sair com a manga de seu veitido. Acabara de ouvir sua irmã gritar. Um grito tão doído que fizera tremer todo o chão da cabine onde se encontrava.

Apesar do aperto que sentia pela sua irmã, aquela não era hora de chorar, e sim de aproveitar sua chance.

Aquela vibração toda na madeira do chão indicava que sua irmã estava presa em algum lugar bem abaixo de si.

E se Hanabi podia ouví-la, talvez... só talvez... ela também pudesse ser ouvida.

Houve algum movimento na parte de fora da cabine, no convés, logo depois do grito de sua irmã. Os oficiais pareciam estar se preparando para passar por algum lugar...

Ela tinha que escolher o momento certo para chamar a atenção de Hinata, e somente a de Hinata. Por isso, enquanto ouvia passos de botas no chão do andar de baixo, ela se preocupava apenas em abrir um buraco no chão com um saca-rolhas que havia na gaveta da cabine.

Ela e sua irmã estavam descalças quando foram pegas: Hinata não faria barulho ao andar.

Havia chance de um oficial, ou até Danzou, estar lá embaixo, sentado, de modo que ela não o ouviria e Hinata não estaria sozinha, mas ela nada podia fazer a esse respeito. O jeito era arriscar-se.

Guardou o saca-rolhas e, quando sentiu o movimento abaixo de si diminuir e o de fora da cabine aumentar, ela deitou-se sobre o chão de frente para o buraco que fez, aguardou uns instantes, só ouvindo... e então chamou sua irmã.

- Hinata... — sussurrava para dentro do buraco. tirando um pouco da serragem que as vezes vinha-lhe à boca. — Ei, Hinata!

Não houve resposta. Pelo menos também não houve um certo alvoroço, o que indicava que sua irmã estava mesmo sozinha o que lhe permitiria falar mais alto.

Mas antes disso, Hanabi afastara o rosto do buraco, mirando a porta trancada da cabine. Em silêncio, ela arrastou alguns dos móveis ali para manter a porta trancada, ainda que tentassem entrar. Depois voltou para o buraco, mas ao invés da boca, ela encostara o olho, a fim de ver onde estava Hinata.

E o que ela viu, em meio a uma pouca agitação de água, fora sua irmã, metamorfoseada, deitada no fundo do tanque, toda encolhida. Somemnte o negro de seus cabelos e a saia de seu vestido branco pairavam sob o leve movimento da água.

Aquilo pareceu amassar o coração de Hanabi até não sobrar mais que uma massa de carne a bater solta no peito. Mas ao invés de tristeza pela irmã, o que ela sentira fora uma enorme raiva dos oficiais. Submissos à seu pai ou não eles era Hyuugas! Eram como... como parte da família delas! Como ousavam fazer isso com elas?

- Hinata! — ela chamava, já quase sem medo de ser ouvida. — Vamos, Hinata, me escute!

Finalmente uma reação. A Hyuuga mais velha, pouco a pouco, parecia levantar sua cabeça, olhando para cima, de onde vinha a voz de Hanabi.

Mas isso fora tudo. Hinata não fizera nenhum outro movimento sequer, nem mesmo uma menção de se levantar, sair do fundo e subir até o topo do tanque para melhor falar com Hanabi.

O que havia acontecido?

- Nee-saaan... — choramingava Hanabi. A preocupação com sua irmã era grande, mas não poderia falar mais alto sem chamar a atenção e, se as pegassem, seria o fim de sua chance de escaparem.

Novamente com a cabeça apoiada nos braços, de cara pro chão, a Hyuuga mais nova chorava, perguntando-se como, por Kami, faria sua irmã reagir...

Como poderia falar com ela? Pergunta-lhe o que aconteceu com toda aquela coragem de quando enfrentara um Leviathan ao lado dos piratas?

O que, ela se perguntava, seria mais alto, alto o bastante para... despertar sua irmã?

Em silêncio, Hanabi levantou sua cabeça. Ela sabia o que seria mais alto!

E sem perder mais tempo, a jovem correra para gavetas e armários, pegando todos os panos que pudesse encontrar. Umideceu-os em um barril de água que havia usado para segurar a porta e, um a um, ela os colocava sobre rachaduras e vãos, sobre frestar e buracos, sobre qualquer coisa na porta e nas janelas que pudesse deixar o som vazar.

Depois, ajoelhando-se de frente para o buraco que fizera, Hanabi respirara fundo, buscando em si, aquela voz que não usava desde que ganhara aquela cicatriz.

Aozora no Namida — (teclem o nome da música e blood +)

Desde que ganhara a cicatriz que a marcaria para sempre como alguém que cantava, e que sobrevivera ao pior da repressão.

E assim, Hanabi entoou sua primeira canção depois de anos.

Hitorikiri kurayami no naka
Kimi no namida no imi wo shitta
Negau basho fumi dashi takedo
Daremo kizutsuketaku nakute

Sozinha na escuridão
Eu sabia o significado das suas lágrimas
Eu avancei ao lugar que desejava
Eu não quero machucar ninguém

A reação fora imediata. Podia não ter se erguido ainda mas só o modo como encarara o teto acima de si mostrava uma mudança boa em Hinata.

Umi wo wataru kaze wa kyou mo
Mayowazu ni ashita ni mukau no ni
Kokoro wa doushite ugoki dase nai

O vento está soprando sobre o oceano
Rumo ao amanhã sem hesitar
Por que meu coração não se move?

Vendo que sua irmã finalmente a ouvia, Hanabi quis saber o por que de Hinata ter perdido, tão facilmente, toda a força que conquistara durante seu tempo com os piratas.

E bastara pouco tempo depois que Hanabi começara a cantar... para Hinata cantar também.

Donna unmei ga matte irun darou
Kuya mitaku nai yo umareta koto
Kanashimi no naka ni yuuki ga aru
Kagayaki tsukamu to shinjite iru

Qual será o destino que está por vir?
Eu não me arrependerei de ter nascido
Por dentro da tristeza está a coragem
Eu acredito que estou me aproximando daquela luz

Onde estava aquela alegria no olhar ao falar de pessoas como Kiba e Naruto? Aquele sorriso de quando lembrava das travessuras de Akamaru? Aquela força que a preenchia quando narrava, ainda que emudecida, sobre tão fantásticas aventuras que tivera?

Furi shikiru aozora no namida
Itsu no hi ka egao ni kaeru yo

As lágrimas jorram do céu azul
Algum dia se tornarão um sorriso

"Reaja, Hinata..." era o que pensava ao cantar. "Reaja!"

E o melhor... era que sua irmã reagia!

Isogi ashi oikaketa kaze
Yubi no aida wo surinuketeku
Shinjiru koto mada kowai kedo
Todomaru koto wa mou shinai

O vento segue um ritmo rápido
Sopra através de meus dedos
As coisas nas quais eu acredito ainda assustam mas...
Eu não vou desistir

Lembrara de Neji, do novo laço formado com seu primo. Lembrara de Ino, Temari, Sakura, Kiba... de Naruto.

Saindo do fundo do tanque, ela chegara mais perto do teto, cantando com sua irmã, afimando com ela...

...que não desistiria.

Tsuki ga sotto kata wo tataki
Minamo utsushitekureta kiiromichi
Mayou koto sae wasurete yuku yo

A lua toca suavemente meus ombros
Sobre o reflexo da lua na estrada
Eu nunca esquecerei como me perdi

O mar, o vento, o céu... só de pensar em todas as sensações que a rodeavam enquanto estivera no Uchiha, a mais velha sentia seu coração voltar a bater, firme, forte, em seu peito.

Nanimo nai asu ga matte itemo
Nanika wo umidasu te ga aru kara
Kimerareta michi mo kaeteyukeru
Tsuyoi omoi ima komi ageteru

Se eu esperar pelo amanhã e nada acontecer
Uma mão me dará um impulso
E a minha escolha mudará
Esses fortes sentimentos, agora são maiores

E sua certeza também era maior. Certeza de que não estava só, pois cada vez que enfraqueceu, ela teve alguém que a ajudava a emergir, a respirar. Primeiro o Uzumaki, agora sua irmã. Pequenos gestos como cantar ou simplesmente estar ali... eram o bastante.

Koboreteta aozora no namida
Ashita ni wa kitto hareru kara

As lágrimas que jorram pelo céu azul
Certamente clarearão amanhã

Porque depois da tempestade... vem a bonança.

Miageta saki he to
Aruki daseru hazu
Dokomademo yukeru
Jibun naku sa nai nara

Para onde eu olho
Aquele é o local onde eu começarei
Eu posso ir a qualquer lugar
Se eu não desistir de mim mesmo

Era isso que elas cantavam.

Donna unmei ga matte irun darou
Kuya mitaku nai yo umareta koto
Kanashimi no naka ni yuuki ga aru
Kagayaki tsukamu to shinjite iru

Qual será o destino que está por vir?
Eu não me arrependerei de ter nascido
Por dentro da tristeza está a coragem
Eu acredito que estou me aproximando

Era nisso que acreditavam.

Furi shikiru aozora no namida
Itsu no hi ka egao ni kaeru yo

As lágrimas jorram do céu azul
Algum dia se tornarão um sorriso

O que não haviam percebido, era que suas vozes, juntas, se elevavam, falando cada vez mais alto... chamando, cda vez mais a atenção.

Fora somente ao fim da canção que Hanabi percebera os golpes que eram dados em sua porta. Os vidros já estavam quebrados e esparramados e a gritaria se concentrara em uma força que, aos poucos, abria a porta da cabine onde estava Hanabi.

- Hana! — gritava Hinata com uma voz aflita. — Hana, saia daí!

Hanabi olhava para os lados sem saber o que fazer...

Não havia onde se esconder!

Quando a porta se abrira, sendo apenas o barril de água a manter os oficiais fora da cabine, a mais nova falava com sua irmã:

- Hinata! Por favor! — ela gritava. o som de água se esparramando quando o barril fora arremessado a interrompia. — Por favor, não desista! Reaja! — era o que gritava enquanto dois dos oficiais a seguravam pelos braços, levantado-a e a tirando dali.

- HANA! — Hinata tinha muito pouca noção do que se passava na cabine, e não saber a deixava ainda mais aflita. As últimas coisas que ouvira fora sua irmã praguejando e oficiais gritando. Hanabi havia, provavelmente, mordido um ou dois deles antes de ser levada.

Então houve apenas silêncio.

Para onde levaram Hanabi?

O que fazer?

Como ela esperava que Hinata reagisse, sendo que mal podia sair da água daquele tanque?

Seu sonho parecia piorar a cada instante que passava. Depois dos peixes, dos pássaros e dos insetos, tudo ficara nublado, abstrato. Sendo apenas uma sensação de preocupação e aflição o que o preenchia em sua incosciencia.

Em meio à preocupação e à aflição, surgiu o receio. E com o receio, veio o medo.

Mas não era só isso. Ao fundo... bem ao fundo daquela neblina, mais uma sensação parecia surgir.

Ao menos era a única sensação boa que não o deixara por completo...

Depois de ter sido jogada no chão do convés, Hanabi parara de gritar, de se debater e até de morder. Diante de si estava não apenas Danzou, como também um outro homem, que por ter seu rosto oculto por baixo de uma estranha mácara laranja, só pôde ser reconhecido por seu par de botas marrom, repleto de fuligem. O mesmo par de botas que vira de frente para a geléia derramada mais cedo.

Mas... quem era ele?

- Essa pestinha esteve aprontando dentro da cabine enquanto não a vigiávamos... — dizia Danzou, um certo ton de respeito saí de sua voz ao dirigir-se ao mascarado. — O que sugere, Tobi?

Agachou-se bem de frente para a jovem, encarando-a com um enigmático brilho ônix vindo de seu único olho à mostra. O som que vinha de sua mácara dava a entender que ele ria.

- Quer dizer que você é uma cantora também, mocinha? — então seu olhar abaixava para a fina cicatriz no pescoço de Hanabi — E parece que já escapou de umas situações bem tensas, não é?

Automáticamente ela usava as mãos para cobrir-lhe a cicatriz, olhando-o com seriedade, mas sem ser capaz de esconder o medo em seus olhos.

Novamente vinha aquele som de riso por baixo da máscara.

- Danzou... — ele chamava, sem se levantar, apenas virando o olhar em direção a seu subordinado. — Vai precisar dela para sua vingança?

- Não, senhor. — respondera o homem — de forma alguma.

- Ótimo. — dizia o tal de Tobi. Seu olho voltava a encarar a jovem Hyuuga, mas lentamente, ele estreitava o olhar. — Livrem-se dela.

Seus olhos estavam fechados. suas mãos estavam juntas, em uma pose de quem faz preces. Precisava pedir ajuda mas... não sabia pra quem.

Temendo o que poderia acontecer à sua irmã, a mais velha sentia-se cada vez mais inútil por não poder socorrer àquela que havia acreditado nela quando ela mesmo já havia perdido as esperanças.

Esperança...

Sua irmã a pedira para reajir, para não desistir...

Lentamente, sentindo seu coração preocupado afrouxar, dando espaço à outra coisa que não fosse medo, Hinata cantou, dirigindo todos os seus pensamentos para aquele que mais a ajudaria se estivesse ali, mesmo que Naruto não pudesse ouví-la.

Only Hope — (teclem only hope mandy moore)

There's a song that's inside of my soul
It's the one that I've tried to write over and over again
I´m wake in the infinite cold
But you sing to me over and over and over again

Há uma música que está dentro da minha alma
É a música que eu tentei escrever de novo e de novo
Estou acordada no frio infinito
Mas você canta para mim
Mais uma vez e mais uma vez

E, aos poucos, o que abria caminho entre a preocupação, a aflição e o medo, era nenhum outro sentimento... senão o de esperança.

So I lay my head back down
And I lift my hands and pray to be only yours
I pray to be only yours
I know now you're my only hope

Então eu abaixo minha cabeça
E eu levanto minhas mãos e oro
Para ser somente sua, eu oro
Para ser somente sua eu sei agora
Você é minha única esperança

Ela, em sua canção, orava, suplicava e clamava para qualquer um que a estivesse ouvindo... Kami-sama, seu pai, Naruto, que a ajudasse naquele momento difícil.

Sing to me the song of the stars
Of your galaxy dancing and laughing and laughing again
When it feels like my dreams are so far
Sing to me of the plans that you have for me over again

Cante para mim a canção das estrelas
Da sua galáxia dançando
E rindo e rindo de novo
Quando sentir que meus sonhos estão tão longe
Cante para mim os planos
Que você tem para mim novamente

E por mais que não obtivesse nenhuma resposta audível, Hinata sentia o aperto em seu coração se aforuxar, sumir.

So I lay my head back down
And I lift my hands and pray to be only yours
I pray to be only yours
I know now you're my only hope

Então eu inclino a minha cabeça para trás
E eu levanto minhas mãos e oro
Para ser somente sua, eu oro
Para ser somente sua eu sei que agora
Você é minha única esperança

O que ela não sabia, é que do lado de fora, no convés, algo muito grave acontecia. Hanabi havia sido amarrada a uma grande pedaço de metal, e seria jogada ao mar, mas assim que a levantaram, a nau estremeceu e todos foram de encontro ao chão.

I give you my destiny
I'm giving you all of me
I want your symphony
Singing in all that I am
At the top of my lungs
I'm giving him all I have

Eu te dou meu destino
Eu me dou por inteira
Eu quero sua sinfonia
Cantando em tudo que eu sou
com todo o meu fôlego
Eu estou dando o que tenho

O mar se agitara, e suas ondas eram altas ao ponto de, por vezes, varrer um ou dois oficiais para fora da nau.

- Isso não pode estar acontecendo! — gritava Danzou. — É CEDO DEMAIS!

So I lay my head back down
And I lift my hands and pray to be only yours
I pray to be only yours
I pray to be only yours
I know now you're my only hope

Então eu inclino a minha cabeça para trás
E eu levanto minhas mãos e oro
Para ser somente sua, eu oro
Para ser somente sua eu sei agora
Você é minha única esperança

Assim que a música de Hinata acabou, Um enorme som de trovão preenchera o lugar. As águas se agitaram e formaram um redemoinho bem embaixo da nau. Ao, finalmente se soltar, Hanabi logo correra em direção à escada que a levaria ao andar de Hinata. Mas, apoiando-se em sua bengala, Danzou se pôs em seu caminho.

Ele estava fora de si.

Gritando, o homem sacara a espada e a levantara, sendo Hanabi seu alvo. Mas nem chegara a descer a espada quando uma daquelas grandes e fortes ondas o arrastou para fora da nau. A jovem Hyuuga se segurara no corrimão, mas não soltou de lá antes de ouvir o tal Tobi dizer bem a seu lado.

- Nos veremos em breve...

E assim ele soltara o corrimão, caindo direto na água onde o redemoinho se abria mais, sugando a tudo com mais força e velocidade.

O Tanque de Hinata balançara, caíra e a libertara. Enquanto tentava se levantar, ouviu uma voz, doce e melodiosa, dizendo-lhe:

Por ajuda você pediu, e em seu socorro nós viemos, irmã.

E, no exato momento em que Hanabi chegou e a abraçou, todo navio fora destruído, sugado para dentro do redemoinho, levando a tudo e a todos consigo.


Notas finais
COMENTEEEM!
Quero saber o que estão achando xDDD