Koiwazurai
12 Capítulo XI
Notas iniciais
Voltei para a mesa com dois pequenos pudins. Pareciam deliciosos.
– Você ainda gosta de pudim, né? — coloquei o pudim na sua frente.
– Sim, mas não quero. — ele estava com o cotovelo apoiado na mesa e o queixo apoiado nas mãos.
– Estou doida para comer o meu! — desembrulhei com cuidado e lambendo a calda que escorria pelos meus dedos.
– Me dê sua mão.
– Hãm?
– Estique sua mão para mim. — fiz o que ele pediu sem entender.
Lentamente, um por um, Sasuke rodeando meus dedos com a língua para em seguida levá-los a boca, todos os dedos ganharam o mesmo tratamente. Me excitei com sua língua e corei de vergonha por estarmos em público. Por fim, no mindinho, deu uma leve mordiscada.
– Delicioso.
– Huum...
– Já deve estar molhadinha, né? Eu sei fazer isso Sakura. Mas me diga, meu pai é assim também?
– O que está falando. — o doce ficou amargo de repente.
– Das suas sacanagens, piranha. — sibilou com ódio.
– Está maluco? — levantei-me.
– Sente-se.
– Não!
– Vai aprender a me obedecer, Sakura.
Ele saiu, brandamente, da cadeira e andou até o caixa, pagou a conta a uma atendente sorridente e voltou, ainda brandamente, para mim que continuei parada sem processar nenhum tipo de informação.
Puxou-me pelo braço em direção a saída, mas não em direção ao carro e sim ao canto mais afastado do estacionamento que carecia de iluminação, sem nenhuma delicadeza, Sasuke me empurrou na parede e me pressionou mais ainda com seu corpo.
– Como pode? — sem avisos, ele desferiu um forte tapa em meu rosto.Urrei de dor.
– COMO PODE?
– O que está falando? Pelo amor de Deus. — senti um gosto metálico na minha boca, gosto de sangue.
– VAGABUNDA! VAGABUNDA! VAGABUNDA! VAGABUNDA!
– SASUKE! DEUS! — ele estava fora de si.
– Não mencione o nome de Deus, suja! Não mencione nem o meu nome, estou me controlando para não te matar agora Sakura. Controlando.
– O que eu fiz?
– Não se faça de inocente! — dessa vez ele socou a parede ao lado do meu rosto, ferindo sua própria mão.
– Meu pai? Por quê, Sakura? Por quê? — ele acariciou meu rosto com sua mão ferida, sujando-o de sanguee continuou descendo até meu pescoço, onde agarrou com força, me enforcando
.- Meu amor... Te amava tanto, tanto, por quê? Meu pai? Logo ele... Eu te contava tudo. Você sabia tudo, tudo... Itachi. Itachi morreu por causa dele, você lembra? Vocês riam disso enquanto ele te fodia? Riam? Você e essa vagina suja.
Já não conseguia respirar.
– Sa...Sasu...Ke. Sol...ta!
Ao invés, ele pressionou mais, meus pés não tocavam o chão. Ele ia me matar.
– Você não vale a pena... É um lixo. — soltou-me e eu fui ao chão. Tossindo bastante, tentando respirar todo o ar que me foi negado.
– V-você está d-doido? — me arrependi dessas palavras quando ele me suspendeu novamente, para minha surpresa e final de degradação pessoal, cuspiu em meu rosto e me largou
.Continuei deitada no chão, com dor nos pulmões e no rosto, sem saber muito bem o que tinha acontecido. Estava machucada e com ódio de mim mesma e de Sasuke. Amaldiçoei o dia em que entrei naquela escola, o dia em que pus meus olhos nele e acima de tudo, amaldiçoei-me por amá-lo.
Queria e necessecitava ficar sozinha, achei que seria possível quando o vi entrando no carro e ligando as lanternas, só que de repente o carro apagou, a porta abriu e ele saiu. Veio andando até mim novamente, os olhos cheio de repugnação, me fazendi sentir como uma barata.
– ME DEIXA! — gritei antes de ele me alcançar, seus passos apertaram.
Fiquei de pé com toda força que me restava e me virei para correr, como previsto, seus braços agarraram minha cintura logo após os primeiros passos.
– Você ainda me deve muita coisa, Sakura.
Ele me levantou do chão e me carragou sobre o ombro até chegar ao carro ainda aberto. Jogou-me sem delicadeza no banco traseiro e eu afundei minha cabeça no estofado do carro em total submissão. O que adiantaria tentar correr e apanhar?Alienação. Era tudo que eu queria e precisava. Me alienar das mentiras, da dor, da raiva, do mundo, da vida.
Acabei por cochilar um sono confuso e despertei com Sasuke me puxando e carregando novamente.Debati-me contra ele por poucos segundos antes de ser imobilizada. Subimos até o seu apartamento sem trocar palavras, apenas respirações pesarosas, me atrevo a dizer, magoadas. De ambas as partes.Entramos no hall escuro e Sasuke nem se permitiu parar para acender as luzes, continuou até seu destino que era o quarto de hóspedes que eu estava anteriormente.
Me largando na cama e olhando-me por momentos que pareceram intermináveis, quando não passaram de meros segundos.
Sem delongas, ele saiu do quarto de supetão e, vagamente, ouvi o barulho da chave virar na fechadura. Voltei a enterrar minha cara no travesseiro e a dormir. Ainda abalada, meu subconsciente mandou alguns pesadelos. Triste fase.
– Isso não pode parar, né? — Sasuke estava bêbado em meu sonho, sussurrando em um bafo sujo palavras desconexas.
– Você se arrepende, meu anjo? Se não, terei de fazer com que se arrependa. Você entende? Espero que sim...Acordei em um sobressalto para constatar que não era um pesadelo e sim a realidade.
– Sa-a-asuke, o-o que quer?
– Você, apenas você.
– E-está bêbado. — pigarreio para fugir do gaguejo.
Ele riu. Uma risada quase que macabra.
– Estou sim, de ódio por ti, flor. Maldita flor.
Ele trata de esticar a corda que, tardiamente noto, em sua mão.
– Vire-se. Agora.
– N-não.
– Não desobedeça Sakura, não estou paciente.
Corro até a porta em busca de salvação, ela está trancada. Olho para ele que está vindo até mim, penso em gritar por ajuda, mas ninguém ouviria. Tento correr dele novamente, dando a volta, contornando a cama e seus passos bêbados contribuem no meu avanço. Vou para o banheiro e tranco a porta.
– Sakura. Abra essa porta.- Sakura?
Permaneço quieta, avalio o basculhante do lugar, não consigo passar por entre os vãos. Mudando de tática, procuro algo para me defender e encontro o desentupidor com cabo de metal ao lado do sanitário.
– Vou arrombar essa merda! Vai ser pior para você! — continuei calada.
– Você que pediu!
Como avisado, a porta cede na terceira tentativa de Sasuke e ele entra completamente enfezado. Sem demorar, ergo o desentupidor em sua direção, pronto para uma dolorosa cassetada. Ele segura meu punho no ar, ainda sim solto o desentupidor em sua cabeça, não surge efeito e agora é impossível correr, estou presa, atada, ferrada.
– Você não vai me machucar, não mais. Vagabunda!Olhando nos meus olhos, sem piedade, ele torce o meu pulso. A dor e tão forte que minha vontade é desfalecer. Mais lágrimas.
– Ah, Deus... Sasuke... Está doendo.
Ainda segurando meu pulso mole e torcido, vai andando comigo até me encostar na parede, sem quebrar o contato visual, ergue minhas saias e abre sua barriguilha. Me penetra com força.
– Ah... — gemo de dor.
Com arremetidas violentas, ele lentamente me destroçava.
– Puta. Puta suja. Puta. Piranha.- Ma-mais f-forte Sasuke! Vai! A-acaba comigo. Desgraçado.
Obedecendo-me, ele aumentou, aumentou suas investidas. Amassou meus seio com a mão livre, mordeu meu pescoço, me fodendo sem parar. Como se não houvesse amanhã. Chegamos, devassamente, a um orgasmo depravado. Odiei-o por fazer aquilo conosco.
O homem que eu não mais conhecia, me pega no colo e me leva de volta para o quarto, colocando-me sobre a cama, já deitada, seguro meu pulso torcido com cuidado. Pensando que fosse me deixar em paz, o desgraçado volta para amarrar uma corda em meu pescoço e prendê-la na cama.
– Igual a uma cachorra, de fato.
– Ignorei-o.
– Deixe-me ver seu braço.
– Vá para o inferno.
– Ganhei outro tapa forte
.- Deixe-me ver seu braço.
– Vá para o inferno. — mais um tapa.
– Deixe-me ver seu braço. — estendi o braço para ele, derrotada.
– Vou puxar, o osso não está no lugar.
– NÃO!
Tarde demais, meu braço foi puxado com maestria e eu fiquei com uma dor descomunal. Gritando e me encolhendo como um feto, para logo depois, vê-lo saindo do quarto. Passou algum tempo até retornar, segurando uma tala preta e trajando pijama.
– É necessário imobilizar seu braço, liguei para o médico. — não respondi.
Pega uma pomada que estava entretida na tala e volta-se para meu braço, espalha a pasta cremosa com cuidado, prende a tala atrás do me pulso e avelucra na frente e laterais..
– A pomada vai diminuir a dor, se piorar, fale comigo para te dar um analgésico, mas em casos extremos, não quero abaixar sua pressão arterial por besteira.
Ótimo Sasuke, mas as feridas do coração são incuráveis.
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