Koisuru Otome

1 Lentamente...


Notas iniciais
Oi, estou eu aqui criando coragem para postar. Estava de boa ouvindo a música e vendo a tradução quando comecei a relacionar a letra com os dois personagens da questão. Resolvi colocar a ideia em prática e gostei. Não sei se alguém já teve essa ideia ou se tem algo parecido rondando por aí, mas resolvi que valia a pena. Espero que gostem!

Quando o amor bate à porta devemos deixá-lo entrar, não é?

Eu me lembro bem do começo de tudo.

Lembro quando resolvi me declarar e o moreno me deu como resposta um aceno exasperado com cabeça e desviou o olhar. Eu apenas sorri depois e fui parada no ato por uma de suas mãos quando tentei agarrá-lo.

Não era realmente preciso que eu me declarasse já que a minha posição me denunciava. Eu não tinha intenção desde o começo de agir como louca, mas sempre fui assim. “Intensa” poderia ser meu sobrenome.

É estranho pensar que até minha escolha para o futuro teve sua influência, mas acho que, por agora, não há necessidade em saber que eu vim para essa escola apenas por sua causa. Apesar de eu achar que todos sabem disso ao me olharem com aqueles olhos de compreensão e apoio.

Acho que com isso acabei o deixando acanhado ou até mesmo com medo de mim. Lembro-me que quando tomei iniciativa e segurei sua mão num festival escolar, você estava tremendo mais que eu. Isso é realmente triste.

Talvez eu tenha me aproximado rápido demais também. Ou talvez seja inadequado adicionar a uma apresentação a alguém um “vamos casar e ser felizes juntos”. Talvez, só talvez, eu deva ser mais cuidadosa.

Gray-sama na verdade é bem tímido.

Eu percebi isso, mesmo que vá dizer que eu não sei do que estou falando. Preocupa-me esse seu jeito. Na primeira vez que tentou dizer um “eu gosto de você” lembra-se de sua expressão? Era um misto de vergonha e nojo de suas próprias palavras. Aquilo foi mesmo fofo, levei minhas mãos à boca para reprimir o riso em vão. No fim, você mudou as palavras e acabou saindo um “eu não te odeio”. Foi um começo... Quando me aproximei, ele acelerou o passo e se afastou. Suspirei contrariada.

Logo agora que eu pensei que agiríamos como um casal de idiotas por aí... – lembro-me de ter protestado.

Sem contar das coisas estranhas que eu passei a imaginar ainda mais depois que ele, com um empurrãozinho dos nossos amigos, começou a ficar menos distante.

Talvez eu devesse mesmo tomar mais cuidado para não dormir novamente quando estiver com ele já que, da última vez que isso ocorreu no vagão vazio de um metrô, o mesmo passou a ficar vermelho e me evitar todas as vezes que nós nos encontrávamos durante uma semana inteira.

“Gray-sama, minha alma-gêmea”, “Meu príncipe no cavalo branco” ou até mesmo “Minha metade da laranja” foram as expressões que eu considerei ter dito em sua presença.

O garoto lentamente começou a me ver como alguém que o amava de verdade e, ao seu modo, foi me dando mais atenção e afeto. A primeira vez que tocou o topo da minha cabeça foi tão caloroso que eu acabei o abraçando involuntariamente. “Ponha as mãos onde eu possa ver” foi a sua resposta, ao desviar-se de mim.

Em algum momento, nossos passeios a sós se tornaram frequentes e já não era tão estranho ser pega o fitando por mais de dois segundos. Às vezes, eu notava que estava corando quando eu o encarava demais ou quando percebia que tinha dito “fofo” para o meu modo de falar em terceira pessoa. Um dia eu o implorei por um beijo nessa ocasião e ele acabou ficando zangado comigo, mas percebi que estava totalmente embaraçado com a minha atitude.

Por que não consegue ser mais honesto consigo mesmo? – foi mais uma de minhas reclamações.

Para ser sincera, às vezes me cansa que você seja tão lento. Eu sempre tenho que dar o primeiro passo. Me pergunto se isso não o irrita... Seus amigos o condenam dizendo que o mesmo é muito "molenga". Acaba sendo divertido vê-lo tão desconcertado e contrariado.

Sorte sua eu não ser uma garota tão má.

A verdade é que eu o amo tanto que não consigo ajudá-lo. Chega a ser embaraçoso pensar nesse sentimento que tenho nutrido. É como se fosse uma flor que cresceu e desabrochou tão rápido que já não cabe em seu vaso de origem.

Cheguei a considerar que me visse como apenas uma grande amiga de fato, mas as suas ações me deixavam cada vez mais confusa. Seus atos de afeto repentinos me davam esperanças, enquanto seus acessos de timidez o afastavam de mim.

Eu acabei me acostumando com seu jeito “frio” e já não era tão doloroso quando você dizia um “me deixe em paz”. Eu lia as entrelinhas e andava ao seu lado em silêncio somente com um sorriso no rosto. Ele tentava manter a expressão indiferente ao diminuir o passo para andar no mesmo ritmo que eu.

Eu acredito que, em algum momento, os meus sentimentos o alcançaram. É engraçado que eu estava distraída nesse momento. O amor me sorriu... Foi um erro sorrir de volta?

É verdade que eu queria que me correspondesse melhor. Nunca foi meu sonho ter um amor como aqueles clichês em que o garoto é meio sádico, mas não há dúvidas de que eu estou apaixonada.

Seria uma pena desistir depois de ter ido tão longe, certo?

Lentamente o moreno me abraçou sem motivo evidente, fazendo meu coração entrar em um doki-doki frenético. Talvez fosse minha imaginação, mas, ao retribuir o abraço, seu corpo ficou tão tenso que suas pernas vacilaram no primeiro momento.

Talvez eu esteja sendo pretensiosa, mas eu o amo tanto que não posso evitar.

O primeiro beijo, por outro lado, partiu dele, o que me chocou a princípio.

Acho que os elogios que eu recebia de certo albino nunca o agradaram, mas o acesso de ciúmes foi algo que eu não imaginaria que aconteceria e, no momento, eu fiquei tentada a perguntar de quem de fato ele estaria com ciúmes. Também acho que foi uma ótima estratégia me fazer de desentendida, mesmo que eu não tenha o feito consciente do que estava fazendo, mas o forçou a dar um passo, mesmo que tenha sido tão leve que eu mal pude sentir seus lábios. Dizem que “cavalo dado não se olha os dentes” e eu não tinha do que reclamar.

O garoto dos cabelos negros pareceu gostar de me ver desconcertada e confusa. Parecia sentir que estava pagando com a mesma moeda, mas quando pedi que fizesse de novo ele apenas me ignorou com uma carranca.

Não custava tentar. – sorri.

Ele lentamente foi demonstrando seus verdadeiros sentimentos. A espera valeu tanto a pena que eu finalmente consegui relaxar meus ânimos quando o garoto conseguiu terminar a frase que começara. Eu ainda achava que, como das outras vezes, pararia no meio e me deixaria na expectativa. Eu já tinha cogitado fazer camisetas com “GO, Gray-sama”, mas acho que isso só o deixaria com cara de poucos amigos.

Gray-sama é lento! – foi o que eu disse quando conseguiu se expressar e mostrei a língua, travessa, logo depois.

Ele pareceu apenas indiferente ao meu comentário, segurou-me pela mão e saiu me arrastando pelos corredores. Manteve a cabeça baixa e a mão livre no bolso durante todo o percurso, mas eu percebi que ele estava fazendo aquilo como tentativa de mostrar para todos sem ter que dizer nada. Era realmente de seu feitio. Eu apenas mantive um sorriso no rosto e acenei com a cabeça para todos que cochichavam ou me davam os parabéns por ser tão persistente.

Refletindo depois, enquanto ele descansava a cabeça em meu colo, eu descobri que “persistente” não era a palavra certa e sim “apaixonada”.

Notas finais
Me digam o que acharam! Comentem, favoritem, marquem como "história que já li", recomendem, sejam felizes! Beijos :3 Visitem a outra one-shot se tiverem vontade: https://fanfiction.com.br/historia/575316/PalavrasdeAmor/ Ou as outras histórias de minha autoria. Obrigada *U*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!