Notas iniciais
Me desculpem por demorar a escrever. Estava sem ideias ultimamente.

Meus pensamentos estavam confusos, e então eu acordei, meio zonza, o braço de Daniel estava por cima de meu corpo, me aconchegando. Eu percebi que estávamos ambos nus, deitados na cama.

– A noite deve ter sido longa. — Pensei, confusa. -

Peguei o meu celular, e então olhei as horas. Eram meio-dia em ponto.

– Meu Deus. Preciso correr! — Me vesti o mais rápido que pude, e coloquei um bilhete sobre o criado mudo de Daniel. Saí correndo pela porta da frente.

Cheguei em casa, meus pais já tinham ido trabalhar. Era sábado de manhã. Liguei o computador rapidamente, e fui direto conversar com Guilherme.

– Eu dormi com o Dani ontem. — Fui direta ao ponto, sem mas nem menos. — Pelo jeito foi... legal.

– ... Ah. Legal. — Guilherme respondeu. — Mas vocês não fizeram aquilo, né?

– Bem, eu acho que sim... — Eu não sabia muito bem o que tinha acontecido naquela noite. — Eu não me lembro de nada.

– Ah, entendi. — Guilherme começou a me contar outra coisa. — Adivinha quem apareceu aqui em casa ontem?

– Quem? — Perguntei, curiosa. — Não me diga que...

– Aquele seu ex-namorado, o ruivo. — Guilherme falou com desprezo. — Ele disse que precisava falar com você. Eu falei pra ele ir embora, mas não quis.

– ... Urgh, pelo jeito vou ter que dar um fim nisso de uma vez por todas. — Já comecei a desligar o computador, pegando minhas coisas. — Até mais.

Bati na porta de Jessie, furiosa. Ele abriu, e tentou me abraçar.

– Não. É sério, não. — Afastei ele com a mão esquerda, impedindo-o de me abraçar. -

– Eu... achava que você queria voltar pra mim. — Jessie fez uma cara triste. -

– Olha, escuta aqui. — Cruzei os braços. — Eu não sou mais aquela menina inocente, idiota, boba que eu sempre fui com você. Eu mudei. E se você acha que eu vou voltar para você, pode ir desistindo.

– Mas... Júlia... — Jessie tentou segurar minhas mãos. — Pense no tempo que nós vivemos juntos... Não foi bom o bastante para você?

Bom, foi sim... Mas se eu falasse isso pra ele, iria deixar ele com mais esperanças ainda.

– Bom? — Soltei suas mãos. — Você acha que foi bom ser tratada como objeto de satisfação? Acha que foi bom um namoro por atenção? Acha que foi bom um término DO NADA?

– ... Me desculpa, Júlia. — Jessie começou a chorar. — Eu vi que você era tudo pra mim... Me desculpa se eu errei, ou tudo.

– ... Jessie, eu amava você. — Eu olhei nos olhos dele. — Mas quando você terminou comigo, parece que todo esse sentimento desabou de um arranha-céu.

– Que pena, eu poderia fazer você da mulher mais feliz do mundo. — Jessie deu um sorriso com o canto da boca.

– Ah, corta essa. — Eu me afastei um pouco dele. — Tudo o que você fez na sua vida inteira foi me magoar, cada vez mais.

– Hehehe, como você é ingênua. — Jessie deu um sorriso irônico para mim. — É para isso que os meninos servem, garota.

– ... O que? — Eu olhei para ele. -

– Sim, é isso mesmo. Nós só queremos ficar com vocês, para poder ficar com outras. — Jessie sentou-se, cruzando as pernas. — Pra que só uma, se você pode ter TODAS? Hahahaha!

– Seu... — Sem pensar duas vezes, dei um tapa no rosto de Jessie. O local onde dei o tapa ficou vermelho. — Meu namorado não é isso o que você está dizendo!

– Sua vadia. — Jessie olhou bravo para mim. — Só não bato em você porque você é uma garota. E a propósito... namorado, é?

– ... Uhum.

– Ahaha, cedo ou tarde ele vai te magoar também. Homens são todos assim, idiota. — Jessie foi em direção a porta. — Agora vai embora daqui, só te chamei pra te deixar mais confusa. Adoro ferrar com a vida das pessoas.

– Urgh, você me dá nojo. — Dei outro tapa nele. -

– Não era isso o que você me dizia quando me beijava. Ah, sim. — Jessie me puxou, e me abraçou contra a minha vontade. — Até mais, Julinha.

Ele me beijou. Aquele beijo era tão nostálgico. Querendo ou não, eu ainda gostava do Jessie. A língua dele passava pela minha, fazendo movimentos leves, e depois bruscos. Eu não resisti. Seus braços me aconchegavam e me esquentavam de um jeito perfeito. E o pior : ele estava sem camisa. Eu senti meu corpo esquentando, e a mão dele deslizando pelas minhas costas. E então ele passou a mão pela minha nuca, e eu me arrepiei. Eu percebi que estava me entregando para aquele garoto, mas eu queria mais... Mas ao mesmo tempo não queria magoar o Daniel desse jeito, então o empurrei de uma vez.

– C-Chega! — Apontei o dedo indicador para o rosto dele. — Se você me atormentar mais UMA vez, eu prometo que não vou deixar barato.

– Uhum, vai embora vai. — Jessie fez um sinal com as mãos. — Sei que você gostou do meu beijo, gata, quando você quiser tem mais, ok? Sou todinho seu.

Saí correndo, o tempo não passou direito, pelo menos para mim. Pensei no beijo, no Jessie, e acima de tudo, no Daniel. Aquele garoto me deixava maluca... E agora que ele era meu namorado, eu não podia magoá-lo. Mas... e se ele me magoasse antes? Se ele fosse do jeito que o Jessie disse? Eu não aguentava mais sofrer desse jeito, foi então que me vi na porta de casa. Ao entrar fui direto para a cama, e então olhei meu celular. Lá estava :

– Oi, a noite foi maravilhosa. Eu te amo muito, ainda bem que somos namorados agora. Vou te fazer a garota mais feliz do mundo, Júlia. — Era o Daniel.

Eu não respondi, o dia já estava cheio demais para mim. Pensei em todas as coisas de novo, e decidi perguntar para Guilherme antes de tudo. Afinal, ele sempre me ajudou nesses momentos. Mas antes disso, sem perceber, eu caí no sono

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.