Know me better then myself

2 A chuva e um coração aos pedaços.


Os garotos ficaram realmente preocupados ao ver o status de Júlia off-line, ela nunca desligava seu celular, e sempre respondia as mensagens. Foi aí que Daniel disse :

– Guilherme, eu não deixarei ela sozinha, ainda mais nesse momento de desconforto. Eu vou atrás dela. — Disse Daniel, colocando seu casaco. -

– Se você quiser, eu vou com você... — Guilherme disse, também preocupado com Júlia -

– Não, não precisa. Tenho que resolver isso sozinho. — Daniel olhou a janela. Estava chovendo. — Se meus pais chegarem, avise para eles onde eu fui.

– Ok. — Guilherme sentou-se no sofá. — Vá logo, você está perdendo tempo...

– Sim. — Daniel disse. — Vou tentar ligar pra ela mais umas vezes.

[Visão de Daniel]

Depois de muitas tentativas, Júlia não atendia o celular, não respondia no Facebook, olhei para a a janela, a chuva pulverizava ao tocar com o asfalto, encarei sério, e corri o mais rápido que pude para a casa dela.

– Boa sorte, e cuida bem dela. — Disse Guilherme. -

Não podia parar de pensar nela, ou no que podia ter acontecido. Júlia era forte, muito determinada, mas tinha um coração muito frágil. Eu estava embebido de água, cheguei na casa dela e não tive resposta ao apertar a campainha.

– Júlia, abre a porta! JÚLIA! — Gritei, e mantive os olhos bem abertos — POR FAVOR, ABRE!

Eu pude ouvir barulhos de passos, cada vez mais perto. A porta se abriu ; mesmo todo molhado, eu lhe abracei forte, abracei tão forte que podia esmagá-la. — Daniel.. — Ela dizia com o olhar patético e derrotado.

– O que você faz aqui? Você vai molhar minha casa, e pegar um resfriado.

– Eu sabia que você não estava bem, não respondia nada que eu mandava, nem mesmo atendia as ligações. Aquele idiota te machucou não foi? — Eu segurei suas mãos de uma forma delicada, ela sorriu mas logo murchou. — Se eu pudesse acabava com aquele cara..

Ela me deixou entrar e me permitiu tomar banho, pegou algumas roupas do primo cujo tinha esquecido e me emprestou. Depois de tomar banho, eu fui até a sala, e sentei do lado de Júlia no sofá.

Júlia contou para Daniel o que houve naquele dia. Daniel ouvia atentamente, sabia que se desse qualquer deslize, Júlia iria se fragilizar mais ainda.

– Flashback — [ Visão de Júlia ] -

O sol estava se pondo, o céu estaria em um tom laranja claro lindo. Jessie e eu andávamos por cima de uma ponte de pedra. Eu peguei suas mãos, e olhei fundo em seus olhos azuis da cor do céu, perguntando o que aconteceu.

– Jessie, o que houve?

– ... Não ligue pra mim, só me deixe sozinho de uma vez! Eu tenho certeza que você irá embora algum dia! – Disse ele, soltando suas mãos das minhas.

– Não, eu não vou. – E então segurei suas mãos novamente. — Eu quero ficar com você para sempre...

– Cala a sua boca menina, você é tão irritante! – Jessie largou minhas mãos novamente e andou sem olhar pra trás novamente. — Aqueles seus amigos só estragaram tudo!

– ... Jessie... Volta por favor... Não me deixa aqui... – Falei, com lágrimas em meus olhos.

– Acabou tudo, não enche. – Disse Jessie, sem olhar para trás.

Ele simplesmente foi embora. Eu caí, e comecei a chorar, ajoelhada no chão. Me perguntando : “Porque?” “O que eu fiz de errado?” Meu coração estava partido, e doendo... Apesar de tudo o que ele fazia comigo, todos os insultos, eu amava ele, e não queria perde-lo. E ele foi, sem falar mais nada. Decidi me isolar... até que...

– Fim do Flashback -

– Até que você chegou, Dani... Obrigado. — Abracei Daniel. -

– ... Júlia. Eu preciso te dizer uma coisa. — Daniel olhou fundo nos meus olhos castanhos. — Eu... te amo. Quero ficar do teu lado, Júlia.

– ... A-Ah... Eu... Eu não posso... — Fiquei envergonhada, pois tinha terminado com Jessie. — As coisas estão indo muito rápido... Me desculpa... -

– Não Júlia, a gente pode mudar isso... — Disse Daniel, ainda me abraçando. -

– Não, não pode... Por favor, vai embora... Eu preciso pensar. — Eu disse, me afastando de Daniel. -

– Júlia... Por favor... Você precisa de ajuda... — Daniel tentou me abraçar de novo. -

– N-NÃO! VAI EMBORA, DANIEL! — Gritei, confusa. -

– Tá... — Daniel abriu a porta da minha casa e foi embora, triste.

[ Visão de Daniel ]

A chuva fina e fraca caia. Eu pensava no que eu fiz de errado, e porque Júlia ficou tão brava.

– Será que ela ainda gosta daquele cara? Não pode ser... — Pensava eu, enquanto voltava para casa. — Ele a abandonou sem mais nem menos...

Minha mente estava confusa, confusa até demais. Eu não entendia porque... Um cachorro de rua passou do meu lado, não tinha absolutamente ninguém... Até que cheguei em casa.

– Guilherme e meus pais devem estar preocupados comigo. — Abri a porta. -

– E aí. — Disse Guilherme, olhando para Daniel. Não tinha ninguém em casa, só ele. — Como foi?

– Ah... Vamos dizer que não deu muito certo... — Meu rosto expressava um desânimo inexplicável. — Meus pais ainda não chegaram?

– Não... E como assim "não deu muito certo"? — Falou Guilherme, curioso.

– Aah... Ela ainda gosta daquele cara lá... O Jessie... — Sentei-me no sofá, e liguei a TV. -

– É isso então? Bem... Eu tenho uma ideia — Disse Guilherme, olhando para Daniel-

– Qual idéia? — Perguntei, mudando de canal.

– Apenas espere. — Disse Guilherme. — Eu tenho um plano... Hehehe.