Casa de Lucas (08:00)

O tempo tem passado, todos parecem que estão correndo em círculos, nenhuma mudança aparente, a tal guerra que parecia está na porta, agora parece um pesadelo longínquo.

Lucas e sua família estão reunidos para o café da manhã.

— É o que estou dizendo, Cat, — diz Seymour cortando seu pão – não temos mais perseguições, as coisas parecem que estão caminhando para a paz novamente.

— Até pode parecer isso, — fala Cat mexendo em seu tablet – já que você escuta da boca do governador, da prefeita e do comissário todo sábado naquele clube idiota. Mas saiba que as coisas só estão assim porquê todos tem medo do Troy e dos Fernandez.

— Não acha estranho não termos uma movimentação se quer há semanas? — Pergunta Marina folheando o jornal – Algo grande vem por aí, e só não ver quem não quer.

— Nem só de Troy, Fernadez, italianos ou russos vivem essa cidade. – Fala Lucas – as gangues menores ainda estão por aí, sempre procurando os melhores aliados, se a maré for contra os novos líderes, eles trocam de lado rapidinho.

Todos olham surpresos para Lucas.

— O que foi? Disse besteira? — Pergunta Lucas confuso.

— De forma alguma, — tenta falar Seymour um pouco atrapalhado – nós estamos, apenas...

— Chocados. — Completa Marina.

— Você nunca demostrou interesse nesses assuntos, sempre que falávamos você fazia ouvindo de mercador. — Fala Cat.

— O nosso garotão está crescendo. — Fala Seymour rindo – Muito bom ver que está se interessando.

— Ah pessoal, eu sempre achei um tanto interessante esses assuntos, mas nunca achei brecha para falar com vocês, sempre estão por dentro de tudo, com opiniões formadas, sempre discutindo e pronto, nunca tive a chance de demonstrar. — Diz Lucas preparando seu café.

— Não seja por isso, sempre que quiser falar filho, é só falar que ouviremos você. — Diz Marina.

— Ah... dizem por aí que grandes cargas estão chegando à noite no antigo porto de Black Island. — Diz Lucas.

— Isso mesmo, alguns repórteres estão fazendo uma matéria sobre isso, que deve sair... amanhã. — Diz Cat

— Existe alguma ideia de quem está por trás disso? — Pergunta Seymour.

— Tudo indica que os russos ou os italianos, não sabemos ao certo. — Diz Cat.

(Se não existissem segredos entre nós, família querida, eu contava que as cargas são armas de todos os tipos, de todos os tamanhos e modelos, tudo encomendado por um único homem, aquele que todo o estado pensa que está morto ou algo parecido, Don Morene. Mas eu não posso, não é mesmo?)— Pensa Lucas enquanto tomava seu café.

— Tudo poderia ficar mais as claras – Marina começa a falar – se tivéssemos um departamento de polícia útil, prestativo e não corrompido.

— O DPSC já teve dias piores, querida. — Diz Seymour

— Dias piores? O comissário está comprado, os casos que envolvem aqueles lá (os mafiosos), se chegam à promotoria estão deteriorados, faltando pistas chaves ou com falsos culpados. — Fala Marina com ar de decepção.

O telefone de Lucas toca, ele pede licença e vai para a sala atender.

— Gabriella, está tudo bem? — Pergunta Lucas preocupado.

— Não... — Responde com voz de choro – Em algumas horas saberei se passei na prova, Lucas, eu não estou preparada. Parece que tudo está desabando.

— Não comentarei que me deu um susto, mas você vai conseguir, Gabi. Estudou muito para passar, se esforçou o quanto pode, além de ser ótima no combate corpo a corpo, eu vi seu treinamento, é também superinteligente e incrível. — Diz Lucas tentando acalmar a amiga.

— Lucas, ninguém faz essa prova na nossa idade, você foi a exceção à regra, acha que realmente podem ter duas?

— Claro que pode! Me diga onde você está, estou indo para aí.

— Promete não brigar comigo? — Pergunta Gabi com voz de dengo

— Prometo. – Diz Lucas já esperando a bomba.

— Estou no seu escritório e... acabou as bebidas do seu bar secreto dentro do sofá.

— Gabriella... — Lucas respira fundo – Estou aí em 15 minutos.

Lucas desliga o telefone, Marina chega na sala e ele rapidamente tenta disfarçar a aflição pela amiga.

— Está tudo bem? Parece um pouco abalado. – Fala Marina pegando sua bolsa no sofá.

— Sim, sim. Só a Gabi que está com alguns problemas e eu vou até lá ajudar. — Diz Lucas com um sorriso torto.

— Tudo bem, cuidado pelo caminho. — Diz Marina se despedindo do filho.

Escritório do Major (10:30)

Quadros clássicos cobriam as paredes de tom cinza esverdeado, no fundo da sala uma escrivaninha com um computador, atrás várias televisões com informações da ASI. Do lado esquerdo uma mesa de reuniões com algumas bebidas em cima, de frente para a escrivaninha, do outro lado da sala, uma grande porta para o corredor. Do lado direito, em sofás de tons claro, major está conversando com um deputado da câmara dos representantes, os que decidem o futuro da agência, uma parte muito burocrática, o deputado já tem uma certa idade.

— Mesmo com grande apoio dos pós-reforma major, você não tem o suficiente para ganhar essa disputa. — Diz o deputado sendo tristemente franco.

— Eles querem ir contra nossa intromissão no oriente médio pois sabem que podemos dar um jeito nisso, quase conseguimos no início dos anos 80, mas obrigaram a retirar nossas tropas de lá, desde então só vem decaindo, e você sabe o porquê disso tudo. – Fala major rispidamente, o assunto é muito sério.

— Você trabalha aqui há mais de 50 anos, eu há quase 60, vimos reformas e troca de poderes aqui dentro até chagarmos em nossas posições, sabe que precisamos de dinheiro para manter isso funcionando. Nossa intromissão para acabar com qualquer conflito naquela área irá desagradar os países do ocidente, a nossa renda.

— Armas saem de lá há todo momento, vão para a Ásia, África e Europa, atrapalham nosso trabalho, não podemos defender o mundo quando o maior foco de tensão, nesse momento, é naquele lugar. — Diz Major, que ao terminar fica de pé.

— Eu sei disso, a maioria de nós sabe disso, eu te apoio e muito, mas não podemos agir se isso sacrificar as nossas contas bancárias. As guerras lá trazem lucro pro ocidente, eles não querem paz, eles querem dinheiro, e se quisermos continuar de pé, nós temos que jogar o jogo deles. — Diz o deputado se levantando.

— Nós não agimos há tempo por medo de perder dinheiro, então guerras mundiais, guerras e mais guerras foram travadas, levando a vida de milhões de pessoas. Nós daremos um jeito com o orçamento, consiga o nosso apoio. — Diz Major estendo a mão para o deputado.

— Está bem, eu tentarei o melhor para convencer os nossos amigos deputados. — Fala o homem apertando a mão de major.

O deputado vai embora. Major, que mal acaba de sentar em sua cadeira, é interrompido por seu filho que adentra o escritório em passos largos, nota-se a sua raiva.

— Ele sumiu. – Fala Leonard, o filho mais novo de George. Negro e alto, sua aparência, diferente do finado irmão, lembra muito do pai mais novo.

— Eu leio os jornais, não precisa invadir meu escritório assim.

— Ele sumiu por incompetência sua, se tivesse feito o que eu tinha pedido antes, ele ainda estava no radar. – Grita Leonard.

Major se levanta.

— Por mais que eu odeie aquele cretino, eu não posso pegar agentes, parar a agência para ir atrás de alguém que recebeu perdão em rede nacional, alguém que o povo de repente passou a amar, filho! O mundo não funciona assim. – Fala major seriamente, ele sabe que o filho tem razão, mas não pode dar o braço a torcer.

— Ele matou seu filho, destruiu as nossas vidas e de milhares. Um perdão está mesmo te impedindo de fazer o que quer? Onde está o verdadeiro George Thompson, aquele que liderou uma rebelião dentro da ASI? Vejo que foi engolido pelos burocratas, pelas regras, pelo o que aparenta certo e não é. Agora é apenas o major, o chefe dessa droga. — Fala Leonard com raiva.

— Sim, eu sou o major, aquele que não pode pensar que minhas ações terão reações apenas no meu pequeno círculo, mas sim que atingiram toda a agência, em todo o globo. Eu não penso por mim, Leonard, eu penso pela ASI e tudo o que ela representa. – George respira fundo – agora já chega, eu tenho muito trabalho para fazer. Fora.

Leonard saí sem dizer mais nada. A raiva que ele está sentindo pelo Risada, o assassino do seu irmão, está a solta é enorme, mas a dor e a angústia que sente por seu pai, que tem o mundo nas mãos, não fazer nada é indescritível.

Escritório de Lucas (12:30)

Lucas está sentado no chão e Gabriella deitada com a cabeça em seu colo, ele faz cafuné na amiga. Algumas garrafas de bebida estão vazias no canto, lembranças da noite de Gabi.

— Já choramos, rimos, cantamos e dançamos, em meia hora nós temos aula, sabe? Aquela nossa outra vida. – Diz Lucas

— Ah que se dane a nossa outra vida, é uma perda de tempo e você sabe disso, o que não daria para seus dias completos aqui dentro, ein? Pergunta Gabriella de olho fechado.

— Seria incrível, mas sabe que as pessoas que amamos estão lá... – Lucas olha para o nada refletindo – olha, me fazendo ser sentimental.

— Sabemos que aí dentro bate um coração cheio de amor, amigo. – Diz Gabriella se levantando.

— E que horas mesmo vai sair esse resultado?

— Bem, — Gabriella olha as horas – era para ter saído há meia hora, então há qualquer momento.

— Mas temos aula.

— Lucas, nós dois sabemos que não quer ir para aula, que ir ver quem está lá, sabe... na aula. – Diz Gabi prendendo os cabelos.

— Me poupe né. – Lucas levanta – Não que ir hoje, tudo bem, não vamos.

— Nós já passamos mesmo, algumas faltas no currículo não vão fazer diferença.

O celular de Gabriella toca, o resultado saiu, ela não consegue desbloquear o telefone.

— Vamos, ande logo com isso. – Diz Lucas.

— Eu não sei. Eu não quero ver, Lucas. E se eu não passar?! – Fala Gabriella aflita.

— Me dê essa droga aqui. – Fala Lucas pegando o celular.

— E então?

— Parabéns, Gabirella! Você é oficialmente uma agente nível 2! – Diz Lucas com um enorme sorriso.

— Oh meu Deus! OH MEU DEUS, eu não acredito! – Fala Gabriella abraçando Lucas.

A alegria é enorme, Gabriella finalmente terminou a academia depois de um ano e meio, um prodígio dentro da agência.

— Espera, espera. – Gabriella solta Lucas – Quem será meu mentor? – Pergunta Gabriella seriamente.

— Eu não sei, ainda não vi. – Diz Lucas enquanto mexe no telefone a procura.

— Espero que seja um agente do alto escalão, alguém que já fez grandes missões, tipo o Agente P ou a Agente C, que empolgação. – Diz Gabriella dando pulos de alegria.

— Parece que não conseguiu nenhum desses. – Diz Lucas com receio.

— Quem foi Lucas? Pergunta Gabriella seriamente

— Olha pode não parecer, mas ela é uma agente legal, conseguiu grandes coisas no seu tempo. – Diz Lucas querendo consolar a amiga.

— Deixe de besteira. – Gabriella toma o celular de Lucas – Eu não acredito nisso. – Diz Gabriella rindo de nervoso.

— Ela já foi uma grande agente, fez grandes missões e hoje em dia ela só parou um pouco. Aposto que têm grandes coisas para te ensinar.

— Eu não acredito. Quando você conseguiu passar te deram o agente D, O agente D. Mas para mim conseguem a louca das pedras? Ela reabriu um departamento que ficou fechado por 42 anos, Lucas, um departamento que a única função é escavar arquipélagos. – Gabriella se senta – Oh meu deus, eu pensei que seria uma 007, mas vou terminar como o indiana Jones.

Lucas se senta do lado da amiga, e passa o braço envolta dela.

— Você não será uma indiana Jones, é apenas um contratempo, Gabi, ela vai ter o que te ensinar e você aprenderá muito, você tem capacidade para ser alguém enorme, alguém que vai inspirar muitos, mas até lá, será uma looooonga estrada. – Diz Lucas

— Eu não gosto disso, sabia? Quem dá conselhos nessa nossa amizade sou eu, não você.

— Claro, agora me ajuda a arrumar essa bagunça que você fez.

Estação de trem abandonada em Black Island (00:30)

A estação foi fechada em 1992, desde então foi esquecida por todos. Uma maria-fumaça, com apenas um vagão de carga para na estação. Alguns homens de macacões descem e começam a descarregar o trem. Um homem desce vestindo um sobretudo preto desce do trem, Risada o espera.

— Sinceramente? Achei que tinha morrido. — Fala Risada com uma maleta em mãos.

— Não, não. Apenas achei melhor ficar nas sombras por um tempo. – Diz o homem

— Foi difícil conseguir elas? – Pergunta Risada apontando para os pacotes que saiam do trem.

— As políticas do exército mudaram com os anos, mas nada que me impeça de tirar essas armas de lá.

— Muito bem Coronel, que bom que ainda mantemos contato. – Diz Risada entregando a maleta.

— São muitas armas até mesmo para você, o que está planejando? Pergunta o coronel qu ao colocar a maleta no chão, acende um cigarro.

— Soube das armas que estão chegando pelo antigo porto?

— Soube, minhas fontes indicam os italianos. – Fala o Coronel que oferece um cigarro para Risada que nega.

— Não será apenas uma guerra, terá um banho de sangue nessa cidade, muitas pessoas vão morrer, pessoas inocentes. Meu conselho é que vá embora, pegue suas coisas e não olhe para trás.

— Está tão convicto assim?

— Eu vou conseguir o que quero coronel, nem que tenha que levar essa cidade junto. – Diz Risada com um largo sorriso no rosto.

Notas finais
Enfim Risada está pondo suas cartas na mesa, mas parece que não é o único, Don Morene conseguiu grandes remeças de armas chegassem, ele está se preparando. A gangue estrela e o cartel fernandez conseguiram controlar as gangues, estão mais poderosos que nunca. Quando esta guerra vai chegar? Confira o desenrolar amanhã (28/01) em mais um capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.