Klon

11 Nunca mais Klons


Notas iniciais
Apreciem a leitura.

Havia uma figura, uma figura toda negra e encapuzada, só sua face era visível na calada da noite, de trás de uma casa, ela olhava para o Ambulatório, a grande construção quadrada que ficava no centro daquela aldeia chamada de Alta Tempestade.

A sombra ofegava ruidosamente e era a única coisa que ela ouvia àquela hora da noite, eram 3 da manhã, e ela esperava alguma coisa, talvez que algo acontecesse ou talvez só a coragem de entrar no prédio, ela provavelmente estava numa missão suicida e sabia disso.

Foi então que ela ouviu a porta do ambulatório se abrir, de lá saíram um guarda e um enfermeiro. O guarda usava roupas militares, daquelas de camuflagem, com uma faixa no braço com um símbolo de punhos cruzados num x, bem familiar para a observadora. O enfermeiro usava um avental branco do ombro a canela.

Ambos conversavam, mas não era possível ouvir da onde ela estava, nem mesmo ler seus lábios, pois estava escuro. Depois de um tempo, talvez alguns minutos, o enfermeiro deu as costas para a construção e seguiu rua afora, o guarda entrou e deixou a porta fechar-se sozinha, era uma das poucas com trava automática em Alta Tempestade e só era ligada de noite.

Antes de a porta fechar-se a encapuzada aproveitou a oportunidade para correr até a porta e entrar, ela aprendera a não fazer barulhos desnecessários com os pés descalços e por isso não houve ninguém para perceber que alguém entrara logo depois do guarda.

Uma vez lá dentro ela olhou em volta, mas o guarda já desaparecera por uma das esquinas internas da construção, ela não viu mais ninguém, apenas as luzes dos quatro quartos da enfermaria eram visíveis, portanto ela retirou o capuz de sua cara. A cara da sombra tinha um tapa-olho no olho esquerdo e uma pequena ferida no ouvido, era Sofia.

Sofia estava procurando a máquina, “a maldita máquina” que transfora a vida de quase metade de Alta Tempestade em uma tristeza engolfada por preconceito numa grande prisão. Ela sabia que a máquina não estaria na parte ambulatorial, ela já verificara isso de dia, só restava então a metade do edifício onde provavelmente ficavam os remédios, sala de cirurgia, e a máquina.

Os sons dos passos do guarda eram altos e ainda ecoavam pelo edifício, ela os seguiu até um corredor que marcava a delimitação da parte restrita aos funcionários, no final dele havia uma porta que o guarda passou e fechou. Depois disso as frestas da porta passaram a iluminar parcialmente o corredor.

Encostando-se a porta, que ela previa que não fosse automática, ela colocou o ouvido nela para ouvir se havia alguém ali. Sofia ouviu o barulho de passos do guarda se distanciando até ele parar e um rangido metálico ser ouvido abrindo e fechando, como uma porta velha. Depois disso fez-se silêncio, tanto silêncio que ela pensou em entrar, mas assim que ela retirou o ouvido da porta um barulho “snort” fez-se ouvir.

Ela riu por dentro e agradeceu a sorte que a recompensara em algo ao menos, ela abriu a porta e viu a cena que imaginava, havia um corredor que dava para várias salas com portas de madeira, entre essas portas haviam pequenos bancos e num deles estava o homem que produzia aqueles sons, se não fosse pelos sons pensar-se-ia que estava morto visto sua inércia.

Sofia riu da desgraça do homem que provavelmente seria culpado por aquilo enquanto acostumava sua visão a iluminação, ela contou 8 portas nas laterais e uma no fundo, de longe ela podia ver que a porta no fundo guardava algo mais especial, ela era toda de metal e constava ainda em sua superfície “somente entrada de pessoas autorizadas”. Ela foi em direção a ela.

Quando ela passou pela pessoa que dormia, ela pegou sua faca e moveu-a em direção a garganta do homem, mas a mão parou no meio do caminho porque mesmo sabendo que ele sabia da verdade, ela não tinha coragem de tirar uma vida assim a sangue frio, ela seguiu pelo corredor.

Enquanto andava ela percebeu que todas as frestas das portas não estavam iluminadas, o que a levava a pensar que não havia ninguém no prédio além dela, do guarda e do enfermeiro dormindo. Quando chegou a porta ela percebeu que era impossível entrar, pois não havia maçaneta ou algo do tipo, era simplesmente uma pequena máquina com um orifício que batia com a forma de algo retangular e fino.

Ela mordeu o lábio e pensou no que fazer, ela ainda podia sair dali pelas janelas, “não, eu fiz uma promessa Amanda” por isso ela foi até o corpo ali no banco que ainda produzia os sons de um ronco e inspecionou os bolsos do seu avental antes de acorda-lo. Havia uma chave e um objeto retangular com algum inscrito “Alberto Knox – Enfermeiro Chefe”.

Sofia foi para a porta novamente e passou verticalmente esse objeto retangular, magicamente a porta abriu se contraindo para dentro da parede.

A porta revelou uma sala, toda com caixas e caixas empilhadas, e em meio a elas uma escada que descia, “desce para onde?” pensou ela sabendo que aquele era o terraço, nas Antigas Civilizações eles conseguiam escavar túneis, mas aquilo era tecnologia perdida.

Nas caixas ao redor, estavam roupas, provavelmente a que eles davam ao pessoal de Alta Tempestade e alguns frascos de remédios, ela resolveu que isso era inútil agora.

A escada que ela desceu era espiralada para baixo e descia uns 4 metros em direção ao chão revelando no final um grande, não, gigantesco corredor, deviam ter 4 metros de largura e ela não conseguia ver o final dele, apenas um pequeno ponto preto à distância.

Ela começou a percorrê-lo e viu que ele era liso, não havia portas, nem acomodações nem bancos, nada. Quando ela chegou na metade dele, finalmente alguma coisa apareceu, era uma grande porta toda metálica, como a outra e continha em alto relevo os escritos “sala de máquinas”, -máquinas?- Sofia teve dúvidas e acabou por passar a identificação de Alberto para abrir a porta.

Um barulho enorme quase a deixou surda e ela se perguntou se realmente fizera a coisa certa. Dentro era uma escuridão só iluminada por uma luz no centro, era um compartimento redondo com mais caixas, mas esse compartimento era enorme, maior que até o saguão da torre onde ela perdera um olho.

Ela entrou e se posicionou atrás de algumas caixas “certamente esse barulho todo alertou alguém!” e assim que ela se escondeu, a porta fechou-se. Depois de algum tempo ela percebeu que ninguém vinha, o que era muito suspeito, até Alberto teria acordado!

Sofia se virou para a sala circular, no centro dela havia uma luminosidade, mas que só iluminava alguns metros, deixando-a as escuras, eram as mesmas caixas de antes, mais algumas de móveis, era o grande armazém de Alta Tempestade onde eles guardavam os produtos que vendiam e os que compravam de outras comunidades.

Aproximando-se do centro da sala ela percebeu que a iluminação era direcionada a algum tipo de cama que era diagonal, ela era toda branca e tinha uma caixa branca ao seu lado, que piscava nas cores ora verde ora vermelho, em cima dessa caixa estava uma tela que parecia de vidro e continha vários botões. “Deve ser a máquina”.

A indecisão a levou a ir até a máquina e apertar o maior botão que ela encontrou, de repente ela viu uma luminosidade provinda daquilo que mostrava vários quadrados verdes com opções, entre essas opções estava “clonagem” “vacina” “antibiótico” “apólices”.

Sofia sabia quase nada daquilo, mas o termo apólices a fez levar a mão à tela, onde isso estava escrito. A tela mudou e surgiu uma lista, com vários nomes, Laura, Sandra, Thomas, Sofia, Rodrigo, e por ai ia. Ela conhecia todos, eram todos da comunidade de Alta Tempestade e todos eram Originais.

Foi então que ela soube que era realmente a máquina, ela pegou a faca e começou a cortar todos os fios que ela viu, e a máquina parou de emitir a luminosidade, mas não foi suficiente para fazer Sofia parar, ela parecia um animal em transe batendo com a ponta da faca em todos os pontos da máquina furando-a, destruindo.

Mesmo sabendo que da quase total destruição ela continuou em transe chutando, socando de tudo para fazer a raiva passar. Foi quando ela ouviu o mesmo barulho que ela ouviu quando abriu a porta, ela olhou para lá e viu dois homens com alguma coisa que ela não soube distinguir na mão.

Sofia rapidamente se escondeu na escuridão da sala e foi se aproximando da porta para observa-los, um era o guarda que ela vira antes e o outro trajava a mesma coisa que ele. “A promessa está cumprida” ela pensou e até quase se entregou, mas o medo da punição que provavelmente era a morte paralisou seu corpo deixando-a a ouvir os dois guardas.

–Eu tenho certeza que senti a terra tremer, e você sabe que não há terremotos por aqui.

–Eu sei, olhe aquilo lá, não tinha uma coisa branca que eles usam para fazer os Klons ali no centro da sala?

–Eu acho que tinha, você acha que alguém entrou aqui e roubou ela?

–Não sei, mas se alguém entrou aqui, ainda está aqui, fique aqui e guarde a entrada, se alguém além de mim vier, atire.

–Okay.

O guarda então começou a andar até o centro da sala com uma arma na mão, Sofia já havia visto aquilo ali, mas era algo extremamente raro, possuía um poder de matança enorme.

Por dentre as sombras ela acompanhou o homem que seguia até a parte iluminada, quando ele chegou até ela, Sofia saiu e derrubou-o no chão numa área onde já não era possível vê-los da entrada, com a surpresa a primeira coisa que ela fez foi cortar os dedos do homem.

–Ahhhh! Ahhhh! Gritava o homem em agonia enquanto o sangue espichava no chão.

Ela então cessou a gritaria enfiando a faca na sua garganta deixando-a coberta de sangue.

O instinto de sobrevivência dizia que era melhor sair dali, mas ainda havia o outro guarda que possuía a mesma arma. Ela podia usar a arma do morto, mas ela não sabia nem como fazer isso. Por isso ela apostou no medo.

Ela pegou o corpo que era bem pesado e o levou pelas sombras até perto da entrada. O guarda que estava lá tinha a arma em punho e tinha um olhar preocupado. Ela fez barulho de passos.

–Rafael, é você?

Ela tacou o corpo na parte iluminada perto dele e vu ele disparando na direção em que ela atirara o corpo, mas ela não estava mais lá.

–Quem está ai? Apareça!

O homem queria passar coragem com a voz, mas Sofia via que os joelhos dele tremiam e chão embaixo dele já estava molhado.

–Você já gastou duas balas, você só tem seis, o que você vai fazer, disse ela numa voz alarmante e se jogou para o lado. Ele atirou mais duas balas na direção que ela falara.

–Agora você só tem duas...

Ele atirou novamente e quase a acertou, de repente uma pilha de caixas que ela preparara do lado oposto da entrada caiu e ele atirou a última bala.

–Agora você não tem nenhuma... É a minha vez.

Tomado pela surpresa o homem tentou trocar alguma coisa da arma, mas Sofia foi mais rápida e chegando até ele, chutou suas pernas, que já tremidas caíram com facilidade, em seguida ela meteu a faca em seu peito, em direção ao coração. O homem ainda espirrou sangue pela boca nela, alguns segundos antes de morrer.

Ela observou sua estratégia e se elogiou, mas logo o instinto a lembrou que ela não podia ficar ali, ela saiu em disparada na direção oposta da escada, porque essa com certeza já deviam ter vários guardas, enquanto que a outra saída no fundo devia dar para fora de Alta Tempestade, a qual ela já não podia voltar encharcada de sangue, talvez nunca mais.

Quando ela chegou ao fundo do corredor, era mais uma entrada secreta do que uma porta. Era quase uma caverna por onde ela caminhava, e ela seguia para a superfície, quando ela finalmente emergiu ela ouviu os guardas lá o final do corredor e soube que estava salva.

Ela se escondeu na parte onde Amanda combinara e esperou...

Notas finais
Comentem se gostaram ou não e me digam porque! Falta apenas mais um capítulo...