Kiwi!
2 KIWI! Capítulo 02 – Um encontro atribulado!
Ele caiu em cima da menina. Manteve-se o silêncio durante alguns momentos, enquanto uma nuvem de pó levantava voo e camuflava o cenário. Sentia-se estranho. Percebeu que tinha feito asneira e que era o responsável, mas, acima de tudo, percebeu que era uma rapariga, uma daquelas criaturas frágeis e preciosas que os heróis devem proteger. Ele mandou uma menina ao chão… fará isso dele um vilão?! Isso seria exatamente o contrário do que Kiwi sempre quis ser! O que devia ele fazer? Aproveitar e sair enquanto ainda estava mascarado ou assumir as culpas e passar uma vergonha? Já tinha passado um bom tempo desde que a sanduiche humana se formou, e o ambiente estava rapidamente a passar para o domínio do constrangedor, tinha de fazer qualquer coisa! A inocente apenas estava ali, confusa, a tentar perceber o que se estava a passar enquanto era esmagada por uma mochila com pernas.
Tentou levantar-se para pedir desculpa, mas ao seu primeiro movimento, reagiu ela. Num piscar de olhos, acabou com as duas mãos unidas atrás das costas e a sua barriga estendida no chão, enquanto um pé imobilizava as suas costas. Kiwi sentia-se como um inseto enrolado numa teia de aranha, teia essa que podia a qualquer momento partir-lhe um braço ou até a espinha. Foi imediatamente desmascarado. Manteve-se calado, enquanto observava o chão e os seus olhos se habituavam à luz. A pobre miúda, ainda um bocado assustada e sem saber o que fazer, mantinha uma postura firme, até que por fim saiu algo da boca dele:
– És… és mesmo uma rapariga?... – inquiriu com um sorriso no rosto.
– …Um-hum… — respondeu.
– Isto foi brutal! – berrou, mostrando os dentes todos da boca.
Envergonhada, também soltou um sorriso tremido e modesto. Percebeu que era só uma criança da idade dela e libertou os seus braços. Kiwi levantou-se rapidamente e virou os seus olhos maravilhados para a ela. Tinha uma aparência adorável, mas mantinha uma presença forte. Era ligeiramente mais alta que ele, e o seu cabelo preto-azulado era fino, macio e dançava ao ritmo das brisas como roupa seca num estendal. Escondiam-se atrás de duas madeixas de cabelo solto as suas bochechas tímidas e rosadas, que contrastavam com os seus olhos pretos e brilhantes. Usava uma t-shirt amarela, umas jardineiras de ganga azul e sandálias brancas, que lhe davam um ar fofo e inofensivo.
Deixou fugir uma gargalhada com uma mão à frente da boca, enquanto apontava para os calções de Kiwi.
– O que foi? – Olhou para baixo até reparar na grande nódoa húmida e quente que tinha entre as pernas. Também se deu conta dos fios de sangue que escorriam das carepas frescas que tinha nas pernas. Congelou de vergonha com as luvas de box a censurar. Fugiu lacrimijado em direção a casa.
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