Kitsune Vs Omusubi
1 Capitulo 01: Despedidas.
Você já encarou o espelho? Ficou lá olhando por horas e horas a propósito de descobrir, ou tentar descobrir quem você é?
Eu já, aliais... É o que eu mais faço... Crescer como eu cresci, realmente não foi fácil... Meu pai me abandonou assim que eu nasci. Ele disse que não suportaria me ver todo dia... Já a minha mãe... Mamãe... Ela me ama muito, eu sei disso e é super protetora, mas ela... Ela ADOECEU com a ida do meu pai!
Soco a parede de tal a forma a desejar que aquele material de concreto fosse meu rosto ferido.
- É CULPA MINHA, EU SEI, ELA É NORMAL, MERECIA UMA VIDA NORMAL...
- Brihsa! Querida? Está tudo bem? – Pergunta Mamãe, preocupada.
- Estou ótima, Mãe! – Digo, fingindo o sorriso mais verdadeiro que consigo. – Como sempre!
Saio do banheiro e a beijo no rosto, tenho que demonstrar ser forte, por nós duas.
- Oh, querida, tem certeza que você quer ir? – diz ela, enrolada num roupão e com o cabelo bagunçado dignos de sábado de manhã. – É tão longe...
- Mamãe, França é o lugar que eu preciso estar agora. – Fito a janela com olhar vazio. – Minha única preocupação, é a senhora!
- Ora essa, é lógico que vou ficar bem, não sou nenhuma criança. – diz ela zombando da minha cara. – Agora a senhorita... Bem, você é minha bebê!
Ela me agarra e me enche de beijos, eu tento desviar no melhor estilo “Filha com vergonha”, mas no fundo eu adoro. Neste exato momento de amor maternal entra Ritsu, meu primo.
- GOMENASAI! Eu pensei que n-não tinha ninguém aqui! – Diz ele todo desesperado, como sempre!
- Ritsu, calma! Você não atrapalhou nada. – Disse mamãe.
- CLARO QUE ATRAPALHEI, EU SOU UM INCOVENIENTE, GOMENASAI! ATRAPALHEI HANA-SAN SE DESPEDINDO DE BRIHSA-CHAN! GOMENASAI!
Ri baixinho, eu realmente me divirto com o jeito de Ritsu, apesar de ser inseguro, dramático e um pouco escandaloso, realmente me diverte, mas é claro que tenho pena às vezes, ele realmente acha que precisa se desculpar por tudo, até por existir, mas também pudera, sua infância inteira foi cheia de “GOMENASAI! “*desculpes, eu me lembro da primeira vez que ele apareceu de vestido na frente de todos, era o meu vestido, ele continuava um rapaz mas gostava de vestidos, ele disse que se sentia bem com eles.
Eu me lembro, os olhos dele brilhavam tanto, nunca tinha visto o tão feliz, só que aí os pais deles tiveram que dizer mais “desculpes”...
- RITSU! – gritei e fui correndo em sua direção, cheguei perto e o abracei forte. – Você nunca foi um imprestável pra mim... Irei sentir muito a sua falta!
- Oh! – Murmurou surpreso, Ele me abraçou mais forte com olhos molhados e disse. – Também vou Brihsa –Chan, também vou!
Minha mãe olhou a cena sorrindo e com os olhos marejados, Ritsu e eu choramos e rimos ao mesmo tempo feito dois bobos enquanto nós desenrolávamos do abraço.
- Bem, Brihsa-Chan vai tranquila, mamãe e eu cuidaremos muito bem da sua mãe!
- Sei disso, Ritsu-Kun, sei disso! – disse com um sorriso.
Eu sabia que mamãe ficaria bem ali com a sua irmã, apesar dela ser tão “maluquinha” quanto o filho, mamãe é dessas que gosta de casa cheia e de muita bagunça, ela vai ficar bem, eu sei.
- Bom tenho que ir, mamãe onde está Kagura? – perguntei.
- No quarto, brava – me fitou — vai lá filha.
Olhei as escadas, deu um breve suspiro e me coloquei a subir, preocupada. Eu sei, ela está brava, muito brava! Minha irmã mais velha que mais parece minha irmã caçula está brava comigo, ela não quer que eu vá, mas não posso ficar... Ela sempre gostou dele, tinha uma paixão por ele! Certo... uma paixão meio obsessiva, mas sempre teve. Quando contei para ela, que estava apaixonada por ele, ela não quis me olhar diretamente, só deu uma risada forçada e disse: “Tudo bem”. Mas eu sei que não está...
- Kagura? – disse, enquanto batia na porta
- Sim? – disse ela com sua voz doce de criança.
- Posso entrar?
- Claro, – disse ela com um sorriso meigo enquanto abria a porta.
Ela voltou a se sentar no chão virada para a parede, cantarolando e desenhando.
- Kagura... – Disse, quase chorando.
- O que foi, Brihsa? – Disse ela ainda virada de costas e cantarolando.
Lá estava ela de novo evitando demonstrar sentimentos de raiva por mim, eu a amo tanto, mas sempre tive inveja dela. Ela foi a primeira a nascer e meu pai a aceitou, eles eram uma família feliz, mas quando eu nasci... Com uma maldição ainda PIOR! Ele não agüentou... Ela poderia me odiar por isso, estraguei sua família feliz quando ela tinha apenas um ano de idade, mas não, ela sempre me amou, sempre evitou demonstrar sua magoa, e lá estava ela de novo, evitando, não posso suportar partir sem ouvir um adeus dela... NÃO POSSO!
- KAGURA! OLHA PRA MIM, POR FAVOR! – disse chorando incontrolavelmente, enquanto caia de joelhos no chão segurando o rosto. — Por favor...
Fiquei lá chorando, e me lembrando de que eu sou culpada por tudo, de repente ouço passos delicados vindo em minha direção, ouço sua respiração, e finalmente a escuto.
- Eu sempre vou te amar... Brih Onee –chan. – disse ela com olhos molhados, apoiada nos joelhos parada ali na minha frente.
Ela me chamou... Chamou-me como sempre me chamou, levanto meu rosto encharcado para olhá-la.
- Kagura...
Ela se aproximou e me abraçou forte... Finalmente! Finalmente ela demonstrou seus sentimentos em lagrimas que me encharcaram por inteira, não liguei... Ficamos assim por um bom tempo, um momento nosso, só nosso.
Depois da emoção, recordamos da razão, desci, peguei as malas e fui ao portão, chegou a hora!
- Filha, vai mesmo à casa do Shigure? Não quer que eu vá junto? – Diz mamãe no portão mais uma vez demonstrando ser uma mãe protetora.
- Não mamãe, tudo bem, eu preciso fazer isso! – disse confiante – E de lá eu vou para o aeroporto, não se preocupe. – Sorri.
- Oh Filha! – Me abraçou forte e me encheu de beijos, dessa vez deixei, eu precisava de seus carinhos. – Eu te amo filha! Eu te amo muito!
- Também te amo mamãe! Eu te amo mais que tudo! – Disse mais uma vez aos prantos.
- Tchau Brih Onee -Chan. – Disse Kagura com seu sorriso fofo.
- Tchau Kagura Onee -Chan. – a abracei.
- Você vai ver ele não vai? – Kagura me perguntou.
- Vou... Tenho que vê-lo – Disse de cabeça baixa.
- Hum... Então, você pode dizer para ele que eu não vou mais me casar com ele? – me disse quase despertando sua personalidade forte, a mesma personalidade que ataca ele às vezes.
- O que? – estranhei.
- Eu não vou mais me casar com ele, não o quero mais – Disse piscando pra mim.
Entrei no ônibus, dando tchau a todos que estavam ali de pé se despedindo, e fiquei pensando nas palavras da minha irmã, que ela não o amava mais. Não sei se acredito em tal afirmação, afinal Kagura o ama desde sempre, mas enfim deve ter dito isso para eu não me sentir mal, ou para “deixá-lo” para mim, o que é muito amável, mas ele nunca realmente gostou dela e ela sabe, ele nunca escondeu isso dela. Ele ama outra...
Pisquei em devaneios, fiquei lembrando o quanto estava emotiva, eu não sou assim. Sempre detestei dramas e afins, e imaginei se eu estava assim com a minha mãe e minha irmã que vão me ligar todo santo dia para ver se eu fechei a torneira da pia, como iria lidar com quem não vai me ligar? Assusto-me, finalmente cheguei, desço do ônibus e me deparo com a casinha amável do Shigure Sohma, como eu amava aquele lugar. De repente me deparo com um ser correndo em minha direção como um cão feliz quando vê o dono.
- BRIHSA–CHAN – Disse Shigure com seu jeito palhaço de sempre.
- Oi, Shigure–San.
- Vem cá sua danadinha. – me abraçou e levantou-me no ar.
- Haha! Shigure,– Digo rindo até chegar ao chão e ficar seria. – vim me despedir.
- Não, não acredito que você vai... Onde vou achar uma futura esposa tão linda quanto você? – Perguntou brincando.
- E Quem disse que ela te quer? – Disse Yuki batendo em sua cabeça com um livro.
- Estava brincando Yuki-kun, — Disse acariciando a cabeça. – Bom, vou deixá-los se despedir.
Shigure sai a caminho da casa com um futuro galo na cabeça.
- Se despedir? – Disse Yuki com olhar triste. – Então você vai mesmo?
Yuki é meu melhor amigo, temos a mesma idade e fomos criados juntos, ele se afastava de todos, menos de mim. Eu sempre sabia quando ele precisava de um abraço e ele era o que mais precisava de abraços.
- Vou... – Disse com um aperto no coração.
- Não vá! – Disse ele me abraçando forte!
Somente o abracei forte... Se despedir de Yuki doía muito, mas eu sei que se despedir “dele”, iria doer mais.
- Yuki! – disse chorando, de novo minha emoção desperta. – Você sabe o quanto é especial pra mim, não sabe?
- Claro que sei — disse ele com olhos molhados e um sorriso meigo. – É o quanto você é especial pra mim!
O abracei mais forte, não queria ir... Mas estava na hora.
- Yuki... Cadê ele? – perguntei.
- Quer mesmo falar com ele?
- Eu preciso...
- Ahh – Ele suspirou. – ele está no telhado.
Olho para cima da casa e suspiro mais uma vez... Subi no telhado, com medo. Não pela altura, nunca tive medo de tombos, mas quando o assunto é coração eu sempre tive medo de pular...
- Brihsa! O que está fazendo aqui? – Disse ele, surpreso.
Aqueles olhos vermelhos, como eu detestava amar aqueles olhos vermelhos...
- Oi... Kyo!
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