Kisses and Shots

10 Não julgue um livro pela capa, faz sentido para você?


Notas iniciais
Obrigada a vocês que ainda estão por aqui. Essa autora dá muito valor! ;)

—E ai ruiva?! — Lorenzo pisca para mim. Ele é sorridente, mas não me engana, ele é perigoso.

—Bom dia rapazes. Como vai vocês?

—Bem obrigado.

—E o meninão?

—Só crescendo.

—Deveríamos marcar um jantar aqui, o que acham? Eu ainda estou me sentindo um pouco perdida, seria bom ter as garotas para conversar.

—Nós não recusamos comida. — Dante dá um sorriso. — Amanhã à noite estamos livres.

—Perfeito.

—Harley está. Ele disse que precisava pegar algo e não voltou. — Eu sorrio.

—Tô aqui. — Ele entra na sala. Ele está um pouco despenteado ainda e Lorenzo sorri para ele.

—Acho que nosso menino Harley aqui estava se divertindo enquanto fazemos o trabalho duro.

— Você devia saber calar a boca Lorenzo. — Ele diz carrancudo. Ele sempre fica de mal humor depois que nós rolamos na cama.

—Ele está errado? — Eu digo rindo.

—Não é da conta dele. — eu rio.

—Então você deveria ter certeza que sua aparência não te denuncie. — ele aperta os olhos para mim e os irmãos riem.

—Eu gosto dela. — Lorenzo diz.

— Bom, eu vou dar uma voltinha.

-Aonde você vai? — ele pergunta com raiva.

—Estarei de volta logo, não se preocupe. — eu zombo. Até mais pessoal, até mais tarde marido. — Eu pisco para ele. Ele me olha com raiva. Quando estou no elevador escuto.

—Humm marido. — Lorenzo zomba.

—Ela faz isso para me irritar. — E eu gosto de irritar ele.

Bom, a primeira coisa que faço é ligar para Nádia. Preciso verificar o abrigo.

O abrigo é uma casa na qual eu comprei e Nádia me ajuda, lá escondemos mulheres mais especificamente esposas da máfia, que são abusadas. Na máfia não há lei para isso. Então nós as ajudamos a fugir. E escondemos elas por um curto tempo no abrigo para conseguirmos documentos necessários para logo tiramos elas do país e damos a elas uma nova vida.

—Hey Donna! Menina! Você não me deixe sem notícias! — ela grita.

—Sinto muito querida, aconteceram muitas coisas e eu estou de volta.

—Então é verdade que vocês foram atacados? — as notícias correm na máfia.

—Sim, e por acaso matei alguns homens e agora meu marido sabe sobre você.

—Isso é bom?

—Claro que é! Você pode ter certeza que é. — eu olho no retrovisor. Um carro cinza está me seguindo. Eu viro uma rua qualquer e advinha? O carro cinza segue. São inimigos? -Nádia, eu estava esperando ir ao abrigo sem problemas, mas tem um carro me seguindo.

—Merda Donna!

—Estou indo para o shopping Glossy, quanto tempo para você me encontrar lá com uma mochila e roupas discretas?

—Quinze minutos.

—Ótimo. — Eu desligo. Não é a primeira vez que fazemos isso. Meu pai costumava me seguir e em algum ponto ele desistiu. O shopping é uma ótima rota de fuga. O carro cinza está a cinco carros atrás e eu não consigo ver seus passageiros. Eu entro. Pego minha bolsa e entro como uma verdadeira madame que foi fazer compras. Passo por duas lojas fingindo olhar e trocando algumas palavras com os vendedores. Avisto Nádia entrar no banheiro. Eu sigo.

Ela me abraça. Nádia é uma figura alta e esguia. E seu abraço me engole.

—Você está bem?

—Claro que sim! Você garantiu que eu pudesse me cuidar. — Pisco para ela. Ela está acostumada comigo guardando meus sentimentos e colocando um sorriso no rosto, fazendo piada.

—Nós vamos conversar depois. — ela me diz séria. Eu bufo. Eu não gosto dessas conversas com Nádia. Ela estica uma mochila preta para mim. Lá dentro encontro calças jeans, uma camiseta preta, uma jaqueta. Tênis cano alto e um boné para esconder o cabelo. Coloco minhas roupas e bolsa na mochila e juntas marchamos para o estacionamento.

O abrigo fica em um bairro classe média, não muito luxuoso. Uma casa comum, mas que esconde um sistema de segurança de alta tecnologia. E você me pergunta, da onde eu tiro dinheiro para manter o abrigo? Duas formas. Fazendo jantares beneficentes para máfia, e a dois anos fiz meu pai adquirir uma empresa de cosméticos para mim sobre o pretexto que meu futuro marido gostaria de ver que eu não estava casando para ficar nas custas dele. Na época ele rejeitou a ideia. Disse que eu deveria ser exclusivamente uma esposa. Depois eu argumentei que eu realmente não queria uma empresa, só queria os lucros para que eu pudesse fazer a minha “manutenção” para um futuro marido. Eu sei que tive que brigar por essa ideia por seis meses e o convenci. Acho que venci pelo cansaço. Ele adquiriu uma empresa para mim. Colocou alguém para administrar. E os lucros caem direto na minha conta.

Eu compro suprimentos, contratei duas pessoas para me ajudar. São duas mulheres, Celine e Grace, ex — militares.

Entro no abrigo onde hoje abrigo 3 mulheres. Duas delas esposas de soldados. Uma delas esposa de um comandante de uma cidade vizinha. Cada uma veio em tempos diferentes. As vezes de cidades diferentes. Eu notei as marcas, me aproximei. Conquistei a confiança delas e então só então forjamos uma morte para elas.

Lily, a esposa do comandante está gravida de quatro meses. Estou tentando tirar ela do país o mais rápido possível. E para os documentos falsos eu tenho James, meu amigo de infância.

É, a Donnatella que todo mundo vê, não é exatamente aquela que eu sou. Eu sou alegre, sou descontraída, mas eu não sou só isso. Eu posso ver o mundo como ele é e preciso fazer alguma coisa.

Você pode pensar, porra ela resgata as mulheres que apanham dos homens, é só isso? Não. Veja a história de Felicity, ela foi espancada quase até a morte, seu marido tinha matado a esposa anterior, ele foi punido? Não. Ele vai ser por quase matar Felicity? Não. Ele provavelmente vai arrumar outra mulher em breve. E o que eu faço sobre isso? Bom, se ele não vai pagar por seus crimes contra a mulher eu arrumo um jeito de ferrar ele com a máfia. E o marido de Felicity está a poucos dias de encontrar seu destino.