Kisses and Shots
4 E pense muito Que é melhor se sofrer junto Que viver feliz sozinho. - Vinicius de Moraes.
Notas iniciais
O sol bate no meu rosto. A luz instigando minhas pálpebras a se abrirem. Ouço as ondas se quebrarem nas pedras, isso é o quão silencioso está. O quarto está vazio. A cama fria. Levanto e puxo a camisa de Harley que está jogada no chão. Há sangue no lençol, e eu não me arrependo de nada do que aconteceu ontem, nem por um segundo se quer.
Sorrio.
Depois de percorrer alguns cômodos constato que ele está longe de ser encontrado. Sigo para o chuveiro no quarto dele. Quando me olho nua no espelho meu corpo está coberto de marcas de mordida. Há pelo menos duas no pescoço e outra perto do meu seio. Eu sorrio por que apesar de tudo ele não me machucou.
— Que merda você está fazendo? – pulo com a voz rouca dele. Meu corpo se aquece.
— Tomando um banho, não é obvio?
— No meu quarto? – me viro para encontrar ele lá. Com short, apenas shorts, seu peito musculoso em exposição, suado e brilhante. Ele usa tênis e fones, nada mais.
— Por que não?
— Por que é a porra do meu quarto!
— Credo marido pare de histeria.
— Não me chame desse jeito porra!
— Que jeito? Marido? Você não gosta?
— Não porra eu não gosto!
— Ótimo. – Eu sorrio. – Teve uma boa corrida marido? – pergunto para provocar ele. Ele range os dentes, eu não sei se é por causa da provocação ou por que eu começo a passar sabão pelo meu corpo de modo sugestivo.
— Termine seu banho e saia.
— Eu estava pensando, marido... Que nós podemos ir para outro round daqueles...
— Como é?
— Sabe, você não foi tão mal ontem. – ele aperta os olhos.
— Não fui mal? Você gozou na sua primeira vez! Sabe o quanto isso é raro? Eu fui mais que bem.
— Eu não sei. Quando eu tiver com quem comparar eu me decido.
— Como é que é?
— E nós podemos praticar um pouco, marido.
— Não vai acontecer. – ele diz roucamente olhando meu corpo.
— Por que você não se junta a mim? Parece como se você precisasse de um banho marido.
— Já disse para não me chamar assim. – Eu me viro tirando o sabão e dando a ele uma boa visão do meu traseiro.
— Você é quem sabe marido. – eu digo quando saio. Meu corpo nu roça o dele quando alcanço a toalha. Seus shorts não são capazes de esconder a ereção. Eu sorrio. Me viro e saio do quarto.
Estou faminta, a questão é, eu estou na praia, e isso abre um bar de possibilidades para mim. Eu sorrio comigo mesmo quando saio da cabana, a primeira coisa que faço e procurar na internet o telefone de um taxi, quando consigo um paro em uma loja que aluga carros, próxima parada em um bistrô que serve um brunch maravilhoso e depois para a loja de biquínis, por que como eu fui pega de surpresa, não trouxe nenhum.
Acabo comprando mais do que biquínis, paro para ver alguns vestidos e acabo em uma loja de materiais esportivos.
— Hey! – eu digo sorrindo a vendedora com cara de surfista. – Eu queria uma prancha, ah e você conhece alguém que eu possa alugar uma lancha? Sabe para fazer um pouco de kitesurf? Wakeboard?
— Hey, claro! Meu amigo Veri agita as coisas lá na praia, ele tem um negocio especializado nisso! Vem vou ti passar o contato, ele faz bandjump, flyboard, e outras coisas se você se interessar. – Ela diz animadamente. Eu sigo suas instruções até achar o lugar, é um prédio todo vidrado e elegante e Veri e sou marido estão animadamente me dizendo sobre o que eles têm para oferecer e eu quero tudo.
Peguei o jeito do Kitesurf logo. Foi maravilhoso, a velocidade, a água batendo no rosto e a forma como eu flutuei sobre as águas. Parei para comer frutos do mar em um restaurante que Veri me levou, era de uma de suas amigas, nunca comi tão bem, lagostins grelhados com um toque de molho picante e uma salada fresca. Quando voltei pra a praia peguei o jet-ski e explorei o quanto pude. Tanto que minha gasolina acabou e Veri teve que me buscar no meio do mar.
Era tarde quando voltei. Estava ostentando o maior sorriso do mundo no rosto. O dia foi muito melhor do que eu poderia ter esperado. A leve camada de bronze que peguei também não é ruim.
Harley estava na sala quando voltei. Ele estava sorvendo um copo de whisky e encarando a tv.
— Boa noite marido. – eu disse alegremente. Soltei o que eu estava segurando e pulei em seu colo. Ele me deu o maior olhar assassino, mas eu ignorei e plantei um beijo na sua boca. Ele fica duro mais eu insisto em sua boca macia e ele rosna quando devolve o beijo. Ele tira sua boca da minha com pressa como se lembrasse que não deveria estar me beijando.
— Já disse para não me chamar assim. – ele disse se levantando e me tirando do seu colo.
— É suposto que eu devo obedecer você marido? – pergunto inocentemente. Ele me olha friamente outra vez.
— Deus! Por que você não pode ser uma puta quieta como as outras? Uma estatua como cada uma dessas mulheres da sociedade é? – eu rio.
— Oh, bem que o meu pai gostaria! Ah, marido, você é engraçado. – eu rio outra vez indo para a cozinha e abrindo a geladeira surpreendentemente abastecida. Separo o conteúdo de um sanduíche e devoro por que estou morrendo de fome. Harley está fora da vista quando eu volto para a sala.
Eu sorrio, por que ele não pode mesmo fugir de mim e no momento que eu entrei e vi sua beleza loira eu me senti quente. Eu o quero. Vou até o quarto, tomo um banho rápido, coloco alguma loção e vasculho e bolsa vermelha de veludo que Amélia me deu. Pego um body azul de renda e visto. O body modela minhas curvas e é transparente. Estremeço. Deus! Como eu agradeço pela timidez não ter nem passado perto de mim!
Oh Deus! Harley não sabe o que o espera!
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