Kisses and Shots
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Essa autora achou que Harley precisava de um desfecho. Ele realmente não terminou bem, se apaixonar pela Rainha da Máfia não é moleza, principalmente quando ela é total e completamente apaixonada pelo seu marido.
Harley precisava literalmente de um shot. Um tiro. Para perceber que sua cara estava enfiada na bunda. Espero que vocês gostem! Eu fiz com carinho
Kisses ! ♥
A riqueza, o poder o destruiriam. Ele não nos batia, nunca falou alto demais, mas também não expressava emoção. Minha mãe e meu pai não se casaram obrigados. Mas, em algum momento em que ela não deu a ele um herdeiro do sexo masculino, a pressão e o veneno dessa vida foi minguando o amor, até minha mãe se tornar uma pessoa amarga e meu pai mais frio que o gelo.
Mas, eu sou uma pessoa otimista e meu pai não exige muito de mim a não ser que eu pareça uma estátua nas reuniões. Durante qualquer outro momento eu posso ser quem eu sou realmente.
Então há aquele momento na vida onde uma brisa fresca atinge seu rosto, o cheiro de chuva enche seu nariz, e o silêncio é a melhor trilha sonora que existe. E eu sorrio. Por que nada nessa vida me afeta. Estou no topo de uma montanha. Depois de caminhar horas. O sol está quase se pondo e ainda resta aqueles pequenos fachos de luz que tocam a água lá em baixo e é quase como magia. E os fachos de luz sejam pequenas fadas dançando sobre a água. Vai saber! Eu nunca duvido de nada.
— Você está muito perto da borda. – Nádia minha treinadora diz. Ela foi contratada anos atrás para ensinar a mim e minha irmã como nos defendermos. Ela nos ensinou a usar armas, facas, arcos, e os punhos. Ela nos ensinou a ser diferentes das mulheres da sociedade, fracas e esperando serem defendidas por seus homens. Mas, também me ensinou a fingir para os membros esnobes. Me ensinou a ser cortês, graciosa e afetada. Andar em seus altos como se estivesse flutuando.
— Eu sei. – eu digo sorrindo.
— Donatella, você não se atreva.. – A voz dela fica estrangulada quando dou um passo no vazio. Eu rio alto quando meu corpo começa sua queda. O vento muito mais forte e meu folego se prende nos meus pulmões. Ela não vê a beleza disso?
A água cristalina se aproxima muito rápido. Estico meus braços e segundos depois perfuro a água gelada e afundo. Meu corpo todo se senti vivo. Livre. Por um momento. Eu me sinto livre. Meus pulmões queimam e debato meus braços que agora estão pesado e minha cabeça emerge. A sensação de sugar o ar é maravilhosa e eu estico meus pulmões quase ao ponto da dor.
Grito tão alto ouvindo meu grito ecoar nas pedras. É alto, Nádia está pequena lá em cima e ela não é uma mulher pequena em tudo. Sorrio para ela sabendo que eu vou ouvir muito quando sair daqui.
— Deus Donatella! Nunca mais faça uma merda dessa de novo! Deus! Eu não sei como ainda estou sã depois de tanto tempo convivendo com você! Ow meu Deus! E se você tivesse morrido? Seu pai ia me matar! E isso não é no sentido figurativo da palavra.
— Não seja dramática Nádia. – digo para ela. Estou molhada até os ossos, mas eu não me arrependo. Os funcionários da casa do meu pai suspiram quando eu passo molhando o piso, mas eles nem me olham feio mais. É pior quando eu volto coberta de lama. Pelo menos dessa vez é só água.
— Dramática? Porra! Eu vou estrangular você!
— Mas meu pai te mataria. Francesca está esperando por você. – digo solenemente. Francesca é minha irmã mais nova. Nádia sempre nos treina juntas, mas Francesca está em sua aula de balé, por algum motivo ela gosta mais disso do que das artes marciais. Vai entender.
— Você pensa que vai fugir do meu serm...
— Nádia. Donatella. – meu pai está na nossa frente. Ele me olha com desaprovação. Mas quando é que ele não me olha assim? Se eu fosse um homem, as coisas não seriam assim, tenho certeza que ele sorriria, que diria estar orgulhoso de mim. Afinal, eu domino os números, as finanças, entendo dos negócios e ultimamente tenho lido um pouco sobre as leis. Nada disso faz diferença. Teve um dia que eu pensei que faria. E eu me esforçava para ser a melhor, exigia do meu corpo e da minha mente. E então um belo dia eu abri meus olhos e vi que nunca seria o bastante.
E então eu decidi fazer o que me agradava. Que era deixar de existir. E passar a viver.
— Pai. – eu cumprimento. Ele acena. Formalmente. Eu quase rio. Por que eu estou ensopada e tudo que ele faz é encarar. Como se ele não estivesse puto por dentro.
— Preciso que compareça a uma reunião hoje a noite. – ele diz. Eu compareço a reuniões em pouquíssimas ocasiões e na verdade posso contar cinco até hoje, jantares incluídos.
— Algum motivo especial?
— Vai saber quando estiver lá. – ele diz rigidamente. – Esteja pronta as sete. – Com isso ele sai.
— Bom Nádia parece que nós vamos chamar os cabeleireiros hoje! – digo animadamente. Nádia apenas bufa e eu sei que ela desistiu de falar na minha orelha.
Desço as escadas as sete, estou vestindo um vestido branco que modela meu corpo como uma luva. Ele tem alças e chega até a metade das minhas panturrilhas. Meu cabelo que foi maravilhosamente cuidado por um dos melhores cabeleireiros do estado (por que se meu pai tem dinheiro eu posso muito bem gastar). Meu cabelo ruivo cai em ondas pelas minhas costas contrastando muito com o vestido. Meus olhos cor avelã carregam a quantidade certa de maquiagem e eu estou usando algum ouro nas orelhas.
Não sei onde estou indo, por que meu pai e minha mãe estão em silêncio no carro. Francesca não veio por alguma razão, que também desconheço.
Prendi uma pequena adaga na minha coxa com uma cinta liga de renda só para o caso. Eu nunca saio sem algum tipo de arma. Em uma sociedade como essa uma mulher armada tem tudo. Paramos em frente a um prédio luxuoso. Os portões se abrem e seguranças armados estão ali.
— Vamos conhecer o novo matriarca. – meu pai diz falando pela primeira vez desde que me disse dessa reunião. – E sua esposa. Já sabem o que eu espero. – ele diz levantando o queixo.
Eu sei que a uns meses atrás, o matriarca foi morto, por seu próprio filho. Bom, eu não posso dizer que não o entendo não é? Um mordomo me ajuda quando saio do carro. Meu pai lidera o caminho e eu posso sentir a sua arrogância como uma cauda quando ele passa. Ele tem muito dinheiro. Talvez não tão rico quanto o matriarca, mas chega muito perto. Ele era próximo a César. Eu sei disso. Mas, por que tinham muitos negócios.
Nós seguimos para dentro de um elevador, que logo nos leva a uma cobertura que tem vista pra cidade toda. As luzes da cidade claramente visíveis aqui. Eu quero ir ate o vidro e encarar. Ou sair na varanda e sentir a brisa. Trazer um equipamento e talvez escalar um pouco? Mas, eu engulo meus impulso.
Limpo a expressão como se eu fosse uma pacata moça, típica filha de mafioso. Algumas pessoas estão ao redor. Nos olham quando nós entramos e são olhares de reconhecimento. Algumas mulheres franzem o senho. Outras olham meu pai com interesse. Os homens me olham e eu sei que estão vendo números e não eu.
Meu pai nos guia até um homem moreno de cabelos e olhos negros. O homem é lindo. Ele olha friamente para nós. Está sentado em uma poltrona luxuosa de couro. Ao seu lado está uma mulher de cabelos pretos longos e olhos azuis. Ele prende sua cintura com o braço. Seus olhos muitos negros parecem quase sem alma. Ele usa um terno sob medida preto e ela está elegantemente vestida com um vestido vermelho justo.
— Matriarca. – Meu pai diz suavemente. É estranho ver ele se curvar para alguém tão jovem. O homem ergue a sobrancelha e o olha fixamente.
— Meu nome é Dante. Vamos usar ele a partir de agora. Eu sou o chefe, mas não serei chamado de matriarca. – Ele diz. Sua voz grave e forte.
— Como quiser Dante. – meu pai diz. Outra vez suavemente.
— Essa é minha esposa Alexandra. – ele diz rigidamente. Ela sorri suavemente para nós. Eles são bonitos separados, mais ainda juntos. Parecem a realeza na minha frente. Estou impressionada.
— É um prazer conhecer vocês. — Alexandra diz com suavidade.
— Dante. Eu gostaria de falar com você em particular. Eu tinha alguns assuntos com seu pai. – Dante assente. Ele se levanta em toda sua altura. Ele tem ombros largos e é impressionantemente alto, e isso se destaca mais quando puxa sua mulher possessivamente ao seu lado. Ela é pequena.
— Vamos ao meu escritório.
Seguimos até um escritório amplo com janelas altas e claras. Ele se senta em uma cadeira tão majestosa quanto a poltrona da sala. Logo depois dois homens entram. Um é parecido com Dante. O cabelo um pouco mais claro. Os olhos também. A pele um pouco menos bronzeada. Mas ele é tão grande quanto. E eu sei que é seu irmão.
O outro. Prendo o ar nos pulmões quando o vejo. É provavelmente o homem mais bonito que eu já vi. Cabelos dourados, olhos azuis cristalinos. Lábios vermelhos e cheios. Ele se veste inteiro de preto. Dá para ver seus músculos através das roupas aparentes. Engulo seco. Deus! Que homem.
— Vá direto ao assunto, Rien.
— Eu e seu pai temos muitos negócios...
— Sim, eu estou ciente disso. E você é respeitado nessa sociedade como tal Rien. Mas qual é o assunto?
— Seu pai, disse que iria propor um casamento. – Dante o encara por um momento.
— E o que você sugere? Eu estou casado, meu irmão está casado e tem uma criança. Nenhum de nós quer ser um bígamo. Nossas mulheres nos enfiariam balas na cabeça.
— Não, ele estava negociando com Angus. Por Harley.
— Como pode ver eu não sou meu pai. E eu não negocio mais casamentos como forma de negócio. – ele diz calmamente enquanto arrasta a mão pelo braço de sua esposa, mesmo que eu ache que ele nem percebe quando faz isso. Espere? Casamento? É por isso que estou aqui? Quem é Harley?
Quero dizer, eu estou conformada, eu sabia que em algum momento esse dia chegaria, estava ciente o tempo todo, mas eu só tenho dezoito anos!
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