Notas iniciais
Yay! Mais uma fanfic Hanna que ninguém vai ler.

Caso você esteja lendo, caro leitor, obrigada. Eu me sinto eternamente grata por isso.
Sugestões, críticas, pedidos ou qualquer coisa, nos reviews, por favor.

Vossa alteza, o banquete real está servido! – As palavras cheias de sarcasmo ecoaram pelos vazios e mal iluminados corredores da prisão localizada nos limites do pequeno reino de Arendelle.

De relance, Hans viu um velho barbudo aproximar-se com o que deveria ser uma tigela desbotada e com as bordas trincadas. Aquele homem provavelmente seria o guarda de plantão junto com outro qualquer, já que, aparentemente Hans seria o único prisioneiro do lugar.

O ruivo ignorou a chegada do velho e o tentador cheiro da sopa que ele trazia, deitando-se na velha e barulhenta cama, único objeto presente em sua cela.

Como nos outros dias, Hans não estava com fome. Na verdade, fazia tempo que ele não sentia nada. Isso, de fato se tornou uma vantagem perigosa para o príncipe mais odiado de Arendelle.

Seu coração havia partido junto com a única pessoa que o fizera pensar no futuro. Com a única pessoa que o fizera se pergunta o que sentia era amor.

E a memória dos momentos que passaram juntos era tão doce e ao mesmo tempo o machucavam tanto que, ele parecia um viciado em sofrimento.

Mas, agora ela havia ido embora, junto com a egoísta escolha que ele fizera.

Agora, a única coisa que Hans podia fazer era cobrir o rosto com o travesseiro e fechar os olhos, pensando no quão estúpido ele havia sido. Esses pensamentos o atormentavam todas as noites.

Sabendo que era impossível fugir, o príncipe deixava com que eles tomassem conta de sua noite.

Um beijo de amor verdadeiro.

- Whoa, Anna. Você precisa se acalmar. – Hans segurou a noiva pelos ombros. O seu cabelo ruivo cor de mel havia se tornado completamente branco, a não ser por alguns fios que insistiam em não mudar. As mãos dela estavam geladas a ponto de ele não conseguir esquentá-las. Além disso, Anna parecia totalmente debilitada sussurrando coisas que ele não conseguia escutar. – Quem fez isso? – Ele perguntou pacientemente, a guiando para o sofá em frente à lareira.

Aqui ela ficará mais confortável, ele pensou.

- Você está bem? – Hans a perguntou, mesmo sabendo que a resposta verdadeira seria um ‘’ não’’. Ele a carregou nos braços, vendo que ela não tinha mais condições de andar. Hans conseguia sentir a respiração dela cada vez mais fraca contra seu ombro. – Vai ficar tudo bem. Eu prometo. – O rapaz continuou, dizendo aquilo mais para ele mesmo do que para a noiva.

Anna retribuiu as palavras gentis do noivo com um sorriso cansado.

Quando ele finalmente a deitou no sofá e a cobriu com as quentes cobertas que os criados trouxeram, a ruiva começou a tentar a falar.

- Elsa me acertou no coração com sua magia – houve uma pausa em que ela se esforçou para respirar e retomar a fala. – Agora, só um ato de amor verdadeiro pode me salvar. Um beijo seu, Hans. – Ela sorriu, apoiando a cabeça em um dos braços do sofá.

Hans olhou aflito para a noiva. Deve haver outro jeito, ele pensou. Sempre há outro jeito.

O príncipe caminhou em círculos ao redor do sofá no qual a noiva agonizava, esforçando a mente ao máximo para tentar achar a cura do coração congelado, mas todas as suas ideias pareciam estúpidas. Desde cedo, entre os 12 príncipes das Ilhas do Sul, Hans sempre fora o melhor para se sair de situações extremas. Sempre observador, as ideias brotavam nas horas mais inesperadas. Mas, agora, ele estava encurralado.

-

Hans tinha que conseguir. Ele sempre conseguia o que queria.

- Hans, rápido. Você tem que me beijar! – Anna implorou.

E se não funcionar?O príncipe se perguntou.

Tem que funcionar.

Sem saída e alternativas, ele assentiu com a cabeça quando ela o pediu novamente.

Ajoelhando-se e levando os lábios até os de Anna, Hans fechou os olhos e implorou para os céus que o beijo funcionasse. Ele tinha que funcionar.

Não por ele. Por ela.

Quando finalmente pressionou os lábios contra o da noiva, Hans sentiu os trêmulos e gelados lábios dela murmurarem algo que ele jamais pensou em escutar. Em seguida, sentiu o rosto ser tocado pelas lágrimas quentes que ela chorava.

Depois de um tempo, o príncipe finalmente percebeu o que havia acontecido quando Anna gemeu inesperadamente e pressionou uma das mãos contra o peito. Contra o coração.

- Anna! – Hans exclamou surpreso. Agindo sem pensar, ele desesperadamente a pressionou contra o peito na tentativa fracassada de esquentá-la. – Eu... Eu... – Ele olhou para os lados, respirando ofegante sem saída. – Me... Desculpe-me. – Hans mordeu os lábios, olhando para ela com uma mistura de preocupação e arrependimento expressos no rosto.

- Pshhh. Está tudo bem. — Anna sorriu, acariciando o rosto do noivo.

E quando abriu os olhos, Hans a viu tornar-se a mais bela estátua de gelo que ele já vira em toda a sua vida.

Quando ainda de joelhos teve coragem de se levantar da posição na qual se encontrava, Hans respirou fundo em quanto vestia a pesada capa de inverno que ele trouxe do seu reino, mesmo sendo verão. Era até cômico que agora ele teria que usa-la.

Pegando a espada que também trouxe consigo, o príncipe viu o seu reflexo o observar quando desembainhou a lâmina que reluzia a fraca luz da lareira. Ele se sentiu patético olhando para si.

Antes, ele havia falhado no objetivo que os irmãos o deram. Agora, ele havia falhado no que ele escolhera.

Mas, Hans estava determinado a fazer de tudo para trazer Anna de volta e quem sabe, o verão também. Assim, Arendelle o veria como herói. E, talvez quem sabe seus irmãos o respeitassem desta vez.

Ele só precisava matar a Rainha.

Com uma injeção de determinação, ele apertou os punhos e segurou firme a espada caminhando para fora do castelo do pequeno reino.

Quando finalmente caminhou pelos portões, o príncipe determinado a virar herói se deparou com um tempo totalmente caótico. Os flocos de neve da tempestade eram empurrados pelo forte vento que vinha de uma única direção.

Essa é a direção a seguir, ele pensou.

Ainda atordoado, ele decidiu seguir a direção do vento, mergulhando na tempestade.

Pouco demorou a que Hans chegasse onde a rainha estava. Aterrorizada, Elsa caminhava de um lado para o outro entre os barcos do fiorde congelado.

- Hans! Hans, onde está Anna?! – Elsa perguntou, mantendo a distancia. Hans conseguiu reparar um brilho remoto de esperança nos olhos dela. E por uma fração de segundo, ele conseguiu sentir pena dela.

Por um segundo.

— Sua irmã está morta! Por sua culpa! – Hans exclamou, vendo que suas palavras cortavam como uma fria lâmina afiada.

Desembainhando a espada, ele caminhou em direção a Elsa que jazia caída de joelhos depois da notícia.

- Não. Não pode ser... – Ela murmurava para si. – Eu... Eu... Sou um monstro.

Por um momento, o príncipe jurou ter visto os flocos da tempestade congelarem no ar.

Ainda de joelhos, Elsa chorava e lamentava a perda da irmã.

A hora de triunfar havia chegado.

E com um único e firme golpe de espada, Hans tirou a vida da Rainha da neve vendo o seu sangue tingir a neve branca.

Agora, Arendelle estava a salvo. Sua amada, vingada.

Hans sentiu a sensação de dever cumprido, mesmo que isso custará sua liberdade.

Notas finais
Tá, explicando caso não ficou claro (o que provavelmente aconteceu)
O Hans gostava da Anna. Gostava ao ponto de desistir do plano dos irmãos de tomar o reino de Arendelle, mas como ele ficou preso entre o dever com os irmãos e o amorzinho da vida dele, o beijo não funcionou porque tinha que ser verdadeiro.
Quando ele perde ela, sem nada a perder, Hans tenta vingar e ao mesmo tempo tomar o reino matando a Elsa.

Digamos que ele falhou nisso também. E agora ele tem que viver com a culpa de não ter salvado a amada e não ter conseguido cumprir o dever dos irmãos.

Tchau! Obrigada (novamente) por ler essa pequena historinha que eu fiz.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!