Kiss: Um portal para outro mundo
1 Minha Vida Infernal
Notas iniciais
Boa Leitura!
Pi, pi, pi, pi, pi, pi
Vou socando a cômoda até minha mão achar o despertador e jogá-lo no chão, causando um barulho mais irritante ainda.
Meu celular começa a vibrar embaixo do meu travesseiro.
–Tá de sacanagem... — murmuro antes de atender. — Alô? — falo com a voz de quem foi atropelado por um caminhão depois de beber uma caixa de cerveja.
–Sabe que horas são?! — disse Amy irritada. — Hoje é segunda feira, sabia?!
Levanto da cama e vou em direção a geladeira enquanto Amy reclama em meu ouvido. Pego uma garrafa pequena de cerveja e bebo.
–Você não está bebendo enquanto fala comigo, está? — diz ela do outro lado da linha.
–Talvez — murmuro em desafio.
–Você está me preocupando cada vez mais, está chegando atrasada no trabalho, bebendo até cair e usando essas roupas que mais parecem pano de chão, o que está havendo com você?! Você podia pedir ajuda a alguém... — disse ficando exaltada.
Vou para o banheiro enquanto dou outro gole e fico olhando minhas olheiras no espelho.
–Pedir ajuda a quem?! A minha mãe que está dentro de uma sala estofada e presa em uma camisa de força, meu pai que nunca nem se deu o trabalho de se apresentar pra sua filha ou o meu irmão que para não acharem que ficou maluco igual minha mãe se tornou um marginal?! — falo quase gritando.
Ela fica alguns instantes em silêncio enquanto choro debruçada na pia.
–Acho melhor você ficar em casa hoje, para esfriar um pouco a cabeça... — ela tenta me consolar.
–Não! Eu preciso trabalhar, não posso perder esse emprego.
–Então tá, até daqui a pouco. — ela desliga.
Faço uma auto avaliação em mim: meu cabelo marrom claro não tinha mais brilho e estava todo embaraçado, meu rosto estava inchado e com terríveis olheiras roxas de noites mal dormidas e minhas roupas eram largas e rasgadas.
Eu não parecia mais a Dani que sempre fora, carregar todos esses problemas nas costas estava acabando comigo. Sinceramente eu não tinha mais vontade de viver.
Se tivesse um penhasco aqui eu pularia agora mesmo...não que os prédios de mais de trinta andares não resolvam.
Tomei um banho demorado e vesti minha roupa mais descente, um paletó bege já ficando gasto e arrumei meu cabelo como pude. Peguei meu carro, que era da miha mãe antes dela ser internada e dirigi o mais rápido possível até a empresa em que trabalho.
"Ai, droga!" — lembrei que nesse fim de semana eu teria que visitar meu irmão, uma promessa que fiz a minha mãe, ou melhor, ela me obrigou a fazer. Só de pensar que eu teria que entrar naquele lugar... Suspirei.
–Chegou atrasada de novo, Daniela. — disse o gerente, o sr. Jay ou sr. Barriga, por causa da semelhança entre os dois. — Se atrasar mais uma vez, considere-se despedida.
Bati meu ponto e apenas assenti com a cabeça. Fui para minha sala e fiquei em uma posição que parecesse que eu estava lendo minhas papeladas e dormi.
Meu sono foi conturbado, era difícil dormir com tanta coisa na cabeça, então logo acordei.
A porta começou a abrir e rapidamente me endireitei na cadeira. Escutei uma risadinha enquanto Amy fechava a porta.
–Eu sei que você estava dormindo.
Amy tem um rosto lisinho igual a de uma criança, é baixinha e seus cabelos vão até o meio das costas em cachos negros.
–Você precisa tentar dormir mais...e largar a bebida — falou olhando para o canto da sala onde havia uma garrafa mal escondida.
–Eu to tentando... — me segurei para não desabar de novo, fazer isso não iria adiantar de nada.
Amy me abraçou por cima da mesa.
–Não se preocupe, as coisas vão melhorar, você vai ver. — me confortou.
Ela era minha amiga desde de meus sete anos, apesar de eu não ser uma boa amiga ela ainda insiste em tentar me ajudar.
Senti minha bochecha esquerda ficar molhada.
–Obrigada — falei baixinho.
Eu estava cheia de sono na volta para casa, meus olhos quase fechando. Algo bateu no carro e pisei no freio, fazendo o carro para bruscamente.
–Ai, meu deus, ai, meu deus. — digo enquanto saio do carro para ver o que eu tinha atropelado.
No chão estava um homem estendido de olhos fechados, não aparentava estar ferido.
–Ai, meu deus — falei me ajoelhando ao lado dele.
Ele abriu os olhos e ficou me encarando. Não dava para saber que cor era, azul...verde... só sei que eram muito bonitos.
Fiquei ali apenas encarando ele também, até que num movimento repentino ele agarrou meu rosto com suas mãos e me beijou...
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