Kiss Me Tonight.
11 Alguns males que vem para o bem.
O jantar foi todas as besteiras que vocês possam imaginar. Gustavo não sabia o que queria e pediu um pouco de cada e eu fui colocando para ele. Ele e minha mãe tentavam falar comigo, mas eu só respondi e forçava um sorriso e logo ficava quieta e na minha.
Na minha mente uma voz repetiu a mesma coisa “agora eu sei por que Maura me odeia” e eu não queria acreditar naquela historia, não mesmo. Eu ignorei o máximo que pude então me levantei e fui correndo até meu quarto e desatei a chorar novamente e só parei quando adormeci.
Os dias seguintes passaram rápidos e eu estava feliz por isso. Eu estava com Gustavo na casa dele e com Apollo e isso era bom o bastante para mim. Ainda falta um tempo para Niall voltar, mas isso não me preocupava mais. Fiz o almoço para Gustavo e fui me arrumar para dançar com as meninas, coloquei uma roupa de ginástica, prendi o cabelo num coque e passei um perfume. O perfume em si não era enjoado, mas revirou meu estomago inteiro e eu corri para o banheiro vomitar.
Fiquei lá uns 10 minutos passando mal e eu ouvi as pequenas mãos de Gustavo batendo na porta.
– Está tudo bem tia Holly?
– Sim Gustavo, vá se arrumar.
– Estou pronto.
– Ok, então vamos.
Lavei meu rosto e fiquei o encarando no espelho. Porque eu estava assim? Era estranho de mais essa sensação. Sai do banheiro, masquei um chiclete de menta e peguei minha bolsa e segurei na mão de Gustavo e fomos andando até a academia.
Cheguei e encontrei as meninas me esperando. Logo soltaram a musica “He Said, she Said” e dançamos, mas minhas pernas mal obedeciam aos meus comandos. Eu continuei e ignorei tudo, mas tudo começou a rodar e eu cai de joelhos. Pararam a musica e vieram me socorrer e eu dizia o tempo todo “eu estou bem, eu estou bem”, mas Gustavo contara que passei mal minutos antes de vir para a academia.
Karina pediu que eles continuassem a dançar e que cuidassem de Gustavo então me levou até o hospital mais próximo.
Depois de todos os diagnósticos o medico apareceu e disse “Parabéns”, eu estava cansada de ficar lá e ele vem e me diz “parabéns” eu fiquei tão estressada que comecei a gritar com ele até que Karina me acalmou e pediu para que ele explicasse.
– Não é obvio? – nós duas nos entreolhamos.
– Sim – ela respondeu.
– Não, não é.
– Sua menstruação está atrasada, seu corpo está pesado e cansado e você está com tontura e enjoou. Então meus parabéns, você vai ser mamãe.
Aquilo parecia o tipo de pegadinha, mas tudo se encaixava, tudo o que ele dissera era verdade e eram sintomas da gravidez e uma questão muito importante: Eu e Niall não tínhamos usado camisinha.
– Droga, droga, droga. – eu comecei a chorar.
Eu sempre quis uma criança, mas era cedo para ter uma agora.
– Quer que eu ligue para ele?
– Não Karina. – disse engolindo o choro – Quero sair daqui, quero ir pra casa.
Pedi que Karina não contasse para ninguém por enquanto e voltamos para a academia porque eu tinha que pegar o Gustavo. Me levaram até em casa e eu pedi uma pizza e deixei o dinheiro para Gustavo pagar quando o homem chegasse e fui para cama.
A noite foi longa porque mal conseguia fechar os olhos com o pensamento de que estava gerando uma vida dentro de mim. Eu deixei os pensamentos ruins de lado porque eu iria ter aquela criança.
Fiquei tentando decidir se eu queria uma menina ou um menino e pensando nos nomes. Lembrei de Niall e tive medo de como ele iria reagir quando eu contasse. E minha mãe? Ela me mataria certamente.
Liguei para minha mãe e era quase 2 horas da manha e quando eu ouvi a voz dela sonolenta eu comecei a chorar e minha mãe tentava me acalmar do outro lado.
– Mamãe...
– O que houve pequena? Está tudo bem?
– Sim, ou melhor, não.
– Me conte!
– Mãe, eu... Estou grávida.
Houve silencio durante uns minutos que me pareceu uma eternidade. E por fim ela suspirou e disse:
– Tudo bem, essa criança vai vir ao mundo muito bem cuidado e amado.
Agora vá dormir que amanha conversamos, tá bom?
Ela deveria ter brigado comigo, falado que eu sou irresponsável, mas ela não é desse tipo de mãe. Ela me ajudaria a cuidar da criança independente de qualquer coisa e eu sorri com esse pensamento. Procurei o fone mais próximo e fiquei ouvindo musicas até que dormir.
Acordei com o som de um copo quebrando e pulei da cama e corri até a cozinha.
– Gustavo! Está tudo bem? – disse procurando por ele.
– Estou sim, mas eu quebrei um copo.
– Ah, sem problemas. Apenas me ajude a limpar isso.
Limpamos tudo rápido e fomos ver um filme e esquentamos a pizza.
– Pizza de ontem? – Gustavo fez cara de reprovação.
– Ué, qual é o problema? Coma logo.
O filme era “sempre ao seu lado” que nem é daqueles que faz você chorar né? Choramos o filme inteiro e depois fomos para casa da minha mãe.
Como sempre ela foi atenciosa com Gustavo e me ignorou por um tempo. Eu tinha deixado Apollo na outra casa então eu esperava que ele ficasse bem sozinho.
–Ei mãe. – ela me abraçou
– Olha para mim sua maluca. Eu não sei em quem quero bater primeiro em você ou em Niall. E você contar para ele quando? Não demora ou eu mesmo conto e aproveito para xingá-lo todo. – ela suspirou – Ah filha, minha bebê, minha princesa o que você tinha nessa sua cabeça?
Passei o dia inteiro com minha mãe e depois voltamos para casa. Um pouco antes de escurecer recebi uma mensagem do meu irmão:
“Oi, como estão? Aqui é muito grande e bonito sei que Gustavo vai gostar daqui. Consegui um emprego bom em um dos maiores escritórios daqui e já temos dinheiro para buscar Gustavo então vamos hoje à noite ai, deixe tudo arrumado. E parabéns irmãzinha, mamãe me contou.”
Contei a novidade para Gustavo que não ficou muito feliz em ouvi-la.
– Não quer ir?
– Não é isso, só tenho medo de não conhecer pessoas legais. E você e nem a vovó vai estar por perto quando eu precisar – disse choramingando.
– Mas quem disse que não vamos visitá-lo? Escute, está vendo aqui? – apontei para minha barriga – Tem uma criança aqui e logo ela vai nascer e crescer e querer brincar com você então vamos te visitar sempre.
– Uma criança? Como na mamãe?
– Sua mãe está grávida? De novo? – disse quase gritando de alegria.
– Sim, ou algo assim.
Arrumei as roupas, brinquedos, sapatos e outras coisas de Gustavo e fomos brincar com Apollo que estava brincando com uma cenoura de borracha.
– Posso levá-lo?
– Eu... Eu amo ele, não posso deixar que tire o de mim. Mas prometo levá-lo para brigar.
Agora venha, seu pai chegou. Eu reconhecia o barulho do carro e assim que o motor parou eu ouvi as buzinas irritantes.
– Estamos indo – gritei.
Peguei Gustavo pela mão e o conduzi até o carro.
– Oi filho, gostou de ficar aqui?
– Sim, muito. – eu sorri
– Fico feliz por você ter cuidado dele e queria recompensar de alguma forma, mas sabia que você não iria aceitar dinheiro então trouxe um presente.
– Que tipo de presente?
Ele puxou minha mãe até a traseira do carro e abriu. Tinha varias coisas de crianças, brinquedos, roupinhas, mamadeira, chupeta, um carrinho e um berço.
– Assaltou um banco?
Ele gargalhou.
– Eu disse que estava sendo bem pago, não disse?
– Sei... Acredito mais que você roubou um bando, isso sim. E eu não posso aceitar tudo isso.
– Não só pode como vai aceitar. E vai aceitar isso também.
Ele segurou meus ombros e me virou em direção da casa, mas eu não via nada alem da casa.
– A casa? Não, não.
– Eu não quero vende-la. Não quero abandoná-la. Então fique com ela.
– Mas... – as lagrimas caíam involuntariamente – Obrigada, você é o melhor irmão do mundo.
– Eu sei. – nós rimos – mas o melhor irmão do mundo quer ajuda para colocar essas coisas para dentro.
Levamos um tempo para colocar as coisas e eles partiram em seguida. Eu nem havia perguntado pro meu irmão se a mulher dele estava de fato grávida e como eu nunca a via e agora não veria eles com freqüência seria difícil eu ficar sabendo.
No dia seguinte fui fazer umas compras e aproveitei e peguei o resto das coisas que tinha na casa antiga e quando contei para minha mãe que tinha ganhado a casa ela chorou e disse que iria me ajudar. Voltamos ao supermercado e compramos tudo o que eu precisava para sobreviver sozinha naquela casa e como meu irmão tinha me dado todos os moveis então era fácil.
Fiquei pensando em Niall o dia todo e acabei mandando uma mensagem:
"Ei, eu te amo. Realmente sento sua falta então me ligue quando puder, tenho novidades. xx"
Meu dia tinha sido cansativo por ter feito compras e arrumado as minhas roupas no armário e todas as outras coisas então fiquei no meu quarto novo assistindo series e comendo doces.
O quarto era lindo, mas ainda não tinha um toque, quer dizer não tinha o meu toque então comecei a colocar fotos minhas, do Niall, da minha família e dos meus amigos, assim poderia olhar para eles quando sentisse saudades.
Havia se passado quase cinco semanas que eles estavam na viagem e eu já estava ficando irritada e impaciente. Comecei a andar de um lado por outro pela casa e olhava para o relógio como quem conta os segundos. Tentei ver um filme, mas logo desisti.
Estava sem sono então não iria dormir tão cedo. Fui para o banheiro e tomei um banho demorado e quando sai fiquei me olhei no espelho por um tempo, soltei meu cabelo que estava preso em um coque e eles caíram emoldurando meu ombro e enquanto ele caia eu vi uma sombra atrás de mim e naquele momento uma onde de pavor invadiu meu corpo. Meu coração batia rapidamente, mas eu apenas fechei os olhos e esperei a pessoa se aproximar. Senti a mão quente dele segurando meu ombro e me virando, abri os olhos e logo ouvi uma gargalhada.
– Seu idiota — eu o empurrei — Podia ter me matado de medo, sabia?
– Vendo filme de terror de mais amor — ele me puxou para perto dele — Eu senti sua falta.
Olhei por cima dos ombros e vi seu rosto, senti pena de ver aquela carinha de "cachorro abandonado" então não me contive em o abraçar.
– Ah princesa, eu senti tanto sua falta — ele disse.
– Acha que eu não senti a sua? Como sabia que eu estava aqui?
– Sua mãe.
– E ela também te deu a chave reserva?
Ele assentiu e eu bufei.
Ele me levou de volta para cama e se deitou, fiz o mesmo e encostei minha cabeça perto da dele. Apos uns minutos olhei para ele e queria perguntar como foi a viagem, mas ele parecia cansado então lhe dei apenas um beijo na bochecha e sussurrei um breve "Eu te amo". Desliguei as luzes e me encostei nele de novo e ele envolveu sua mão na minha cintura e naquele momento pude dormir como um anjo, ou melhor com o meu anjo.
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