Kira

6 Capítulo 6


Setembro, 18.

Acordei com uma dor de cabeça horrível. Eu estava deitado em uma mesa de pedra e ao meu redor não havia nada somente paredes de pedra e uma porta de madeira. Acho que era uma caverna.

Levantei e sai pela porta. Não era uma caverna, mas sim o porão de uma casa. Subi as escadas e encontrei Rachel na cozinha, fazendo o café.

–David!-ela correu e me deu um abraço muito forte. –Eu achava que você não ia mais acordar.

Ela passou bastante tempo ali, abraçada comigo, até perceber que o café estava queimando.

–Eu dormi por quanto tempo?-perguntei.

–Três dias. A magia acabou e Hades voltou ao seu corpo muito rápido, por isso vocês desmaiou. Atena e Zeus voltaram ao Mundo Inferior para organizar a batalha e disseram que você pode descansar por enquanto. –explicou e fiquei um pouco decepcionado. Eu queria que toda aquela história de deuses fosse um sonho.

”Não era um sonho e você terá que se acostumar com isso.” – falou uma voz na minha cabeça.

“Hades?”-perguntei.

“Sim. Meu poder está retornando aos poucos e já que você já sabe a verdade não preciso ficar calado”. –ele respondeu.

–David?-lembrei-me de Rachel e me concentrei nela. Ela me olhava com uma cara de preocupação.

–Estou bem. Só estava pensando. –não queria contar que eu podia falar com Hades, era muito estranho até para ela.

–Vamos comer?-perguntou.

–Sim. Mas de quem é essa casa e por que eu estava dormindo no porão?-perguntei. Porque minha costa estava doida graças à cama de pedra.

–Essa casa é minha. Meus pais me deram de presente de quinze anos ano passado. –havia me esquecido que Rachel era rica.

–Mas eles não podem nos encontrar aqui?-perguntei.

–Se nos procuraram já passaram por aqui, mas também era por isso que você estava no porão, para se esconder dos meus pais e do seu irmão. –ela respondeu. Depois de tudo isso havia me esquecido do Sammy.

Depois de comermos eu fui tomar meu banho. Quando ia me enxugar percebi que não havia toalha.

–Rachel, onde tem toalha?-perguntei abrindo um pouco a porta, mas quando vi Rachel havia puxado um pouco de fora também e caí de cara no chão, pelado, não virei, mas a parte de trás do meu corpo estava exposta.

–Me desculpe. Ai meu Deus!-ela jogou a toalha em cima de mim e correu para o quarto.

Enrolei a toalha na parte abaixo da cintura, peguei minha roupa e entrei novamente no banheiro.

Depois de estar novamente vestido fui até o quarto de Rachel. Bati três vezes na porta e Rachel abriu.

–Me desculpe... –ela tentou falar, mas eu a impedi e beijei-a.

–Desculpar de quê?-perguntei. –Rachel, se tudo continuar como está agora passaremos tanto tempo juntos que uma hora essas coisas iriam acontecer. Eu não me importo.

–Sério, mas nós ainda nem estamos namorando. Quer dizer você ainda não falou nada, então... –garotas são tão complicadas às vezes.

–Rachel, quer namorar comigo? –ela sorriu e, dessa vez, foi ela que me beijou. Não precisava mais de uma resposta.

Deitamos um pouco na cama e ficamos olhando um para o outro. O quarto era grande e havia a cama de casal, uma porta que deveria levar à um closet, uma estante e uma janela quadrada na parede à esquerda Passamos horas assim até eu ouvir um barulho estranho.

–O que foi isso? –perguntei.

–Acho que foi minha barriga. –Rachel respondeu e eu caí na gargalhada.

Fomos comer e fizemos a maior bagunça na cozinha. Comemos e depois arrumamos tudo. Já deveriam ser umas cinco horas da tarde quando acabamos de limpar tudo.

Enquanto eu lavava minhas mãos, alguém bateu na porta. Saí silenciosamente do banheiro e fiz um sinal para Rachel fazer silêncio também.

Pensei logo nas possibilidades de fuga a porta se abria e havia a cozinha, entrada para o porão e uma escada que levava para o segundo andar, mas eu ainda não havia ido lá. Logo depois um corredor à direita onde ficava o banheiro e o quarto, no quarto havia uma janela...

Eu abri a porta e era só o carteiro.

–Entrega para David Hunt. –o carteiro falou.

–Sou eu. – eu assinei e peguei a caixa, que era pequena.

Coloquei a caixa em cima do balcão e abri. Dentro só havia um pequeno livro de capa preta, que caberia no meu bolso, e um cartão.

Peguei o cartão e li.

“David, essa é a lista dos integrantes da família King. Cada vez que algum deles morrer o seu nome será riscado desse livro. Todos os integrantes das famílias Hunt e King estão aqui nos Estados Unidos, isso aconteceu porque a influência dos deuses agora está aqui, então tenha cuidado. Até termos poder suficiente para ajudá-lo em sua jornada confie em Hades, ele irá ajudá-lo.

Assinado: Atena, Zeus e Poseidon.”

Poseidon?

–O que é isso?-perguntou Rachel.

–É só um aviso dos deuses. –falei e guardei rapidamente o livro no bolso.

Alguém bateu na porta novamente.

–O carteiro deve ter... –tentei falar, mas alguém bateu com mais força a porta querendo derrubá-la. –Vamos!

Corremos para o segundo andar. Havia um corredor com uma porta à esquerda e uma à direita. Uma escada estava no fim do corredor, deveria levar ao sótão. Corremos para o sótão e nos trancamos.

Por sorte havia várias caixas, prateleiras e armários, um bom lugar para se esconder. Ouvi passos do lado de fora e logo estavam tentando arrombar essa porta também.

“Hades!”-pensei.

“Já sei.” – ele respondeu.

Logo não era eu que estava controlando meu corpo. A porta foi derrubada e três homens com armas entraram. Hades levantou a mão e toda a sala ficou escura. Como ainda tinha alguma ligação com meu corpo, e assim com Hades, enxergava muito bem.

Hades deu um chute na cara de um. Pulou em cima de outro e lhe deu três socos muito violentos. Pegou uma espada que estava em uma das prateleiras.

Um dos homens atirou no nada e acabou quebrando uma garrafa de vidro vazia. Hades sacou a espada e cortou o braço dele. Sangue escorreu por toda a parte e o homem que havia levado o chute estava levantando.

Hades empurrou a espada bem no meio das costelas do homem que gritou com muita dor. Sangue, sangue, sangue... Aquilo tudo era muito perturbador.

Voltei ao meu corpo e lembrei-me de Rachel. A escuridão se foi e Rachel abafou um grito de horror. Minhas roupas estavam manchadas de muito sangue e tudo no chão era vermelho.

Corremos e saímos de sótão. Paramos no fim da escada e andamos silenciosamente. Ouvimos vozes no andar de baixo, alguém estava subindo.

Pensei em como fugir. Poderia pedir a ajuda de Hades novamente, mas não sei...

“Não posso mais assumir a força, você terá que aprender a controlar meu poder melhor.” -ele falou em resposta.

“Não tenho tempo para ter aulas agora...” –falei.

–Olá, irmãozinho. –falou Samuel. –Vejo que virou um assassino.

–Você virou primeiro. – falei.

–O que você quer?-perguntou Rachel.

–Tenho uns assuntos de família. Se é que vocês me entendem. David Hunt e Samuel King. –ele falou sorrindo. –Acho que vocês já descobriram isso.

–Como você sabe?-perguntei.

–Tenho algumas fontes. Só quero lhe falar uma coisa, David Hunt. –ele fez uma cara repugnante, como se meu nome fosse uma comida ruim que ele acabara de vomitar. –Não fui eu quem matou nosso pai. Eu sabia que nosso pai tinha inimigos, mas nenhum capaz de matá-lo e ainda procuro pelo assassino tanto quanto você.

“Ele está falando a verdade.” –falou Hades.

“O que você sabe sobre isso?” –perguntei.

Sem resposta.

–Então por que você fugiu? Por que não falou tudo desde o início? –tantas dúvidas.

–Eu sou um criminoso desde os quatorze anos. Quando descobri que era Um King e nosso pai não quis falar nada sobre minha mãe, eu fui investigar. Para ir mais afundo na minha própria história precisei fazer coisas horríveis. Você não sabe pelo o que eu tive que passar! –ele estava a ponto de chorar agora.

–Sammy, por quê? Por que não me contou nada...

–Eu sou o bastardo!Você sempre teve amor, eu nunca fui amado! –lágrimas escorriam pelo seu rosto. –Eu nunca tive pai e muito menos mãe!Você não sabe o que é a verdadeira dor!

–Eu também não tive mãe! E ao contrário do que você acha nosso pai nunca me deu atenção também. –eu falei. Rachel me abraçou, tentando me consolar.

–Larga ele. Ele não merece ser feliz! Eu é que mereço. –Samuel puxou Rachel pelo braço e a segurou contra o peito, colocando uma arma na sua cabeça. –Não se mexa.

“David? Essa é uma boa hora para aprender...”.

–Solte ela!

Hades dominou o meu corpo e pulou em cima de Sammy que jogou Rachel, que bateu a cabeça fortemente na parede. Tudo ficou negro novamente e Hades fez uma lança de sombras. Ele ia acertar eu irmão, mas algo muito estranho aconteceu.

Os olhos do meu irmão ficaram vermelhos e chamas brilhavam neles. Ele desviou da lança e jogou para longe. Samuel deu um soco na cabeça de Hades, que caiu no chão.

Meu irmão começou a chutar várias vezes na barriga dele e eu sentia a dor, mas não no meu corpo e sim na minha alma. Quando ele partia para o sexto chute, Hades se desfez em sombras e reapareceu atrás do meu irmão.

Ele enfiou sua espada de sombras nas costelas de meu irmão que gritou de dor e caiu no chão enquanto sangue escorria pelo seu corpo e manchava toda sua camisa branca. De repente, vários homens de preto e armados apareceram na escada. Todos atiraram ao mesmo tempo e quando achei que ia morrer, Hades fez uma barreira de ossos que resistiu aos tiros.

Quando os tiros cessaram, a barreira sumiu e os homens e meu irmão haviam sumido. Retornei ao meu corpo.

–Aaaaaaahhhh. –gritei de dor. Acho que minhas costelas estavam quebradas. Rachel continuava desmaiada ao meu lado.

Aproximei-me dela e deitei ao seu lado no chão. Adormeci.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.