Kira
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Setembro, 10(2010)
O inferno chegou quando o trovão soou. Eram umas sete horas quando me levantei para fechar a janela do meu quarto. Eu sou David Hunt, tenho quinze anos. Possuo um metro e setenta e cinco de altura, sou magro, mas não muito musculoso, meus olhos são verde claros, meus cabelos loiros e arrumados. Não me acho bonito, mas garotas já mostraram interesse por mim, porém eu nunca namorei. Eu moro em Detroit, Estados Unidos.
Minha vida é algo como estudar, acordar, dormir, comer, não necessariamente nessa ordem. Vivo por viver, mas não procuro sentido para a vida, afinal o que é viver? Vagar por um mundo fazendo a mesma coisa todo dia? Ou fazer algo novo cada hora ou minuto? Eu prefiro a segunda opção, mesmo não podendo alcançá-la nesse momento e mesmo sem saber ainda que a rotina pode ser bem melhor do que esperar a morte a qualquer hora.
Quando me dirigi ao escritório do meu pai, Brayden Hunt (trinta e cinco anos, olhos verdes, pele clara, cabelos loiros,mais escuros que os meus, aparenta ser mais novo do que é), ouvi um estrondo, mas parecido com um barulho de um tiro. Achei que fosse outro trovão e continuei andando.
As luzes se apagaram, não conseguia ver nem minhas próprias mãos, foi quando um relâmpago clareou o corredor por um segundo e avistei uma sombra saindo do quarto do meu pai. Vi-me correndo naquela direção, esbarrei em algo e caí.
–Ai. -falou alguém. Logo reconheci a voz, era meu irmão. Seu nome é Samuel Hunt. Ele é dois anos mais velho do que eu, possui as minhas mesmas características, nossas únicas diferenças são que ele não é tão branco quanto, mais musculoso e seus olhos são verde-escuros.
–Sammy?-falei segurando em algo.
–Pare de apertar minha coxa, idiota!Sim, sou eu. -ele é meio esquentado, mas é uma boa pessoa. Esse ano termina o ensino médio e decidiu cursar engenharia florestal. Eu estou no primeiro ano do ensino médio.
–Você ouviu aquele barulho?E foi embora a luz?-perguntei. Outro relâmpago clareou minha visão e pude ver a porta do escritório do meu pai entreaberta.
–Sim, ouvi um barulho. E é claro que foi embora a luz, ou você acha que foi um fantasma?-ele disse brincando comigo. A luz acendeu novamente.
–Por que a porta está aberta?-perguntou meu irmão levantando-se. Andamos juntos até a porta e a abrimos...
***
–Não!Quem fez isso?Por quê?-falava desesperadamente, andando para lá e para cá no meu quarto. Meu irmão nem se quer se movia.
Depois de termos visto nosso pai morto no seu escritório com uma bala no peito, Entramos em choque, já bastava nossa mãe ter morrido quando eu nasci. Claro, eu entrava em choque gritando e falando, meu irmão não fazia nada.
–Nosso pai não tinha inimigos. Quem?Por que alguém...
–Cale a boca!-meu irmão gritou com tanto ódio que me deixou assustado. Aquela voz não era a voz dele. -Pare de reclamar feito um bebê!Nosso pai está morto, sim. Encare os fatos. Pense nisso, vou ligar para a polícia.
Depois que Samuel saiu do quarto, fui novamente ao escritório. Peguei uma luva e a coloquei.
–Eu preciso encontrar pistas. -falei para o nada.
Meu pai ainda estava lá, logo na porta sobre uma poça de sangue. O escritório era pequeno. Só havia duas estantes com livros do lado esquerdo, a mesa de trabalho do papai no lado direito, ao fundo uma janela e um armário baixo com duas gavetas pequenas em cima e outras duas grandes em baixo, no meio só ficava um tapete com uma estampa de um caçador com um arco apontado para um leão duas vezes mais alto que ele, que rugia.
Fui até o armário e abri as duas gavetas pequenas. Em uma estava uma pistola e na outra uma resma de papéis impressos. Peguei a bolsa com alça transversal de meu pai que mais parecia uma pasta. Peguei os papéis e guardei-os. Relutei, mas também peguei a arma e guardei, já que não sabia se meu pai a usava ilegalmente.
Até algumas horas atrás eu achava que conhecia muito bem meu pai, mas não podia imaginar o porquê daquela pistola. Quando olhei para o relógio que ficava acima da mesa de trabalho, nele marcavam onze horas da noite.
Depois de organizar a bolsa observei um pouco os livros das estantes para ver se havia algum que fosse importante para mim. Alguns eram livros comuns, outros eram sobre física ou matemática (meu pai era professor), mas havia três que se separavam dos outros. Eles ficavam na ultima seção sem nenhum outro livro acompanhante. Eles eram Genealogia Grega, A Família Hunt e A Família King.
O que eram aqueles livros?Coloquei-os na bolsa e saí do escritório.
–Onde você está indo?-perguntou meu irmão quando estava passando pela porta da frente.
–Não irei ficar. Meu pai merece vingança e a polícia não permitiria que tal ato fosse feito. Se você realmente amava nosso pai, você deve entender o que estou sentindo agora.
–Eu entendo pequeno David, mas não posso fazer o que você está pedindo porque meu caminho será outro. Eu não irei com você. -falou meu irmão com uma cara meio estranha.
–Por quê?Por que você não pode vir?-perguntei quase implorando.
–Porque eu estou envolvido no assassinato. -ele sorriu. Minha boca se abriu, mas não emitiu som algum. Até que a raiva tomou conta de mim.
–Como você pôde?Ele era seu pai!Seu...
–Por que está com raiva de mim?Você não tem ideia de quem era nosso pai?Você não o conhecia e não o conhece. Se quiser conhecê-lo, venha comigo. -ele estendeu sua mão para mim. Nesse estante a polícia chegou.
Meu irmão entrou na casa, corri atrás dele. Passamos pela porta dos fundos juntos e pulamos o muro.
–Venha!Aquele carro ali nos aguarda, eu contarei tudo o que você precisa saber. -falou meu irmão apontando para um carro preto que estava alguns metros a nossa esquerda.
Corri para a direita. Olhei para o relógio que marcava meia-noite. Mau presságio para uma separação entre irmãos.
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