Notas iniciais
Boa leitura!

Sasuke's pov on.

Capítulo I.

Eu sou considerado o delinquente da escola, ninguém me olha nos olhos, e quando eu passo todos abaixam a cabeça. E isso não é realmente um incomodo, afinal eu não preciso de ninguém desse lugar cheio de falsidade e hipocrisia. Eu optei pela solidão. Não quero mesmo criar vínculos com ninguém, quando você se apega á alguém, só sai ferido.
O único motivo por eu continuar estudando é...

— Uchiha Sasuke, compareça imediatamente na sala do diretor! — O auto-falante anunciou para toda escola.

O diretor, e meu padrinho, Uchiha Madara.

— Tch. — Reclamei.

Ele era muito chato e sempre me obrigava a vir para escola.

Entrei na sala sem cerimônias.

— O que é agora, velhote? — Peguntei, toda semana era uma coisa nova, aquele velhote nunca descansava a cabeça. Era deprimente.


— Quantas vezes eu tenho que te falar para bater na porta antes de entrar? — Ele disse olhando-me por cima dos óculos. Apenas revirei os olhos, ele era tão antiquado. — E esse uniforme todo esgualepado? Coloque sua camisa por dentro da calça, coloque essa gravata corretamente e passe algo nesse cabelo todo revoltado. — Ele disse mais algumas coisas que eu já estava careca de saber, tudo que eu pude ouvir foi 'blá blá e blá'.


— É sobre isso que queria falar? Se for só isso vou me retirar. — Falei bocejando despreocupadamente, eu imaginei que não fosse apenas isso. Toda semana ele tinha uma genial ideia, semana passada ele me obrigou a ser o zelador para que eu ficasse mais tempo na escola, obviamente que não deu certo, na primeira oportunidade eu fugi.


— Não é realmente isso, na verdade eu notei que você anda muito sozinho, e eu não tenho tempo para você pois tenho que cuidar de toda uma escola, e não posso permitir que fique sozinho, pois toda vez que você sai para a rua sozinho, parece que você volta do UFC, eu não sei por qual motivos você sempre arranja uma briga, mas... — Lá vem bomba. — a partir de hoje, você terá um tutor! Quando as aulas terminarem vocês permanecerão na escola até as seis da tarde e então depois seu tutor o levará para casa e de lá você só sairá para vir na escola na outra manhã!


— O que é isso? Uma prisão? — Eu perguntei calmo e sério, sabia que não duraria por muito tempo, afinal nenhum dos planos dele dá certo porquê eu não me submeto á ser como um pássaro preso em uma jaula.


— Na verdade, é. Eu pretendo te manter o mais preso possível, você sabe que eu tenho que cumprir aquela promessa que—


— Já basta! — Eu o interrompi, era um saco ter que ouvir toda vez a mesma história, era depressiva e irritante. Eu apenas concordei para que ele não me falasse disso pela milésima vez, eu odiava isso e ele insistia em me contar. Por hora eu silenciei e esperei que ele falasse sobre os seus planos e depois eu daria um jeito de escapar dessa chatice.


— Certo, eu não quero ouvir protestos sobre isso, apenas vá até a sala dos professores porquê o seu tutor estará lá esperando para te conhecer.


Sala dos professores? A principio eu não entendi o porquê de um tutor esperar lá. Caminhava aqueles longos corredores apressado, queria terminar logo com isso. Os olhares assustados revelavam que todos ouviram que eu fui chamado até a sala do diretor, era engraçado até.
Abri a porta da sala dos professores com vigor, meu estresse estava no auge. Eu não me importo com o que pensem de mim, afinal todos pensam a mesma coisa, eu realmente não estava preocupado.


Abri a porta da sala e o fino raio solar atingiu meu olho, coloquei minha mão em frente ao rosto e estreitei o olhar até a figura que me aguardava no canto direito da sala. Era aquela mulher, aquela que não me olhava como se eu fosse um monstro. Por um segundo fiquei surpreso, minha boca se entorpeceu sem saliva e engoli o seco. Ela me olhou com aquelas duas luas enormes, nossos olhos tiveram um breve encontro até que os dela encontraram a extremidade do chão. Se ela não fosse uma professora madura, eu diria que ela corou como uma colegial amadora. Mas não pude conter meu olhar para ela, os raios solares batiam nos cabelos negros que com aquele contraste do sol se tornavam azuis escuros.


Tive um pequeno estalo em minha cabeça lembrando de que estava prestes a viver sob custódia. Fechei a porta da sala e caminhei adentro. Ela largou os livros grossos e velhos que tinha em mãos em cima da mesa esverdeada que havia ali perto. Caminhou até mim e pude sentir perfeitamente o cheiro de baunilha que emanava. Ela tomou as rédeas da situação, pois eu estava mudo.


— Ah! Sasuke-kun! Que bom que veio, eu sou Hyuuga Hinata. — Ela falou com um esboço empolgado, um pequeno sorriso simpático sem mostrar os dentes. — Sr. Diretor me pediu para ser sua tutora!


Ela falou com um tom tão normal, que não nego que me surpreendeu. Como ela estava apática com a situação de ter que passar seus preciosos dias com o delinquente da escola. Isso, esse sorriso, isso não existia, não no meu mundo.


Joguei a cintura para o lado e dei um profundo suspiro passando a mão nos meus cabelos revoltados.


— Por que a sensei se sujeitou á isso? — Perguntei frívolo.


Ela permaneceu por alguns segundos em silêncio, me pareceu não ter qualquer resposta a dar, parecia que nunca iria falar nada. Olhou para todas as extremidades da sala, antes de engolir o seco. Quando pensei que havia pegado ela em seu ponto fraco ela falou.


— O Sr. Diretor me disse que você precisava de ajuda, por quê negar ajuda para alguém que precisa? —Foram palavras rápidas, sensatas e formuladas. Parecia tão pessoal para ela falar aquilo que novamente tudo que arrancou dos meus lábios foi o vazio da minha mudez.


Não pude mais protestar contra ela, nem contra as ordens do velhote. Lá estava eu, ao final da aula saindo da escola com a minha professora de história. Ela disse algo sobre ir até a loja de conveniência, eu apenas a seguia, e os olhares do resto da escola seguiam-nos também.


— Está tão calado, está armando algum plano para fugir? — Ela falou com um tom provocando riso.


— Na verdade... — Me senti envergonhado de não estar planejando fugir, ainda. Suspirei. — Estou. —Menti.


Ela largou um delicado sorriso casual.


— Eu sou tão chata assim? — Perguntou ainda sorrindo.


—Não, na verdade, as aulas que você dá são chatas. — Eu falei soltando um sorriso descuidado.


— Deveras suas notas em história não são das melhores, mas vamos passar muito tempo juntos, talvez eu consiga te fazer gostar de história, não é? — Ela falou tão gentilmente que meus pelos do corpo se ouriçaram por inteiro. Aquele sorriso, para mim novamente, era proibido no mundo em que eu vivia.


Apressei meu passo e caminhei á frente. Provavelmente a expressão do meu rosto não era boa. Aquela mulher estava me mostrando tudo aquilo que era proibido e desconhecido. Estava sendo gentil comigo como ninguém jamais foi, ela só podia estar de brincadeira. Aquilo não existia. Aquela brisa me tocava, com as mãos no bolso eu caminhava, podia sentir que o olhar dela me encontrava. Eu não queria que ela me fizesse gostar de ir para a escola, eu não queria que ela me fizesse gostar de história, eu não queria que ela me fizesse gostar, principalmente, dela.


— Duvido. — Falei cerrando os olhos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.