Kings of the Future
1 Prólogo
Notas iniciais
Derek, o mais nervoso entre eles, entrou por último na máquina. Suas mãos e pernas tremiam de medo, angústia e pavor. Na verdade não sabia o que sentir, pois tudo era seguro e as chances de algo dar errado eram próximas a zero, mas algo o deixava desconfortável. Teimava em olhar em volta a cada dois ou três minutos, vendo se nada estava fora de lugar.
-Derek, você está bem? Parece nervoso — disse Minsk, colocando a mão sobre o ombro do garoto. — Relaxa.
Quando abriu a boca para responder, um som grave saiu da parte de trás da enorme cápsula e tampou sua voz. Sentiu uma leve brisa gelada em seus braços, um frio subiu por sua espinha mas manteve-se em posição.
-Todos prontos? — gritou o cientista alto o suficiente para todos ouvirem.
Após todos os três prenderem os cabos na nuca, Mary avisou que estava tudo pronto para o lançamento.
Eu sou um covarde, pensou. Mesmo após anos de treinamento, dedicação, testes, preparação e habituação eu ainda tenho medo.
-Derek, é sério, você tá legal? — insistiu Minsk.
-Sim, sim, eu tô legal. — ele inspirou fundo e limpou os pensamentos. Então soltou o ar, já mais calmo.
-Contagem regressiva para lançamento — disse a máquina. — 9... 8... 7... 6... 5... 4... 3... 2... 1... Lançamento iniciado. Processo de deslocamento temporal iniciado.
As portas e janelas do DeLorean — como haviam batizado — se fecharam lentamente, lacrando qualquer substância de entrar. Num vulto, tudo escureceu repentinamente. Nada se ouvia, nada se via, mas preto. Derek conseguia sentir seu corpo, mas não o via. Tentou fazer algum gesto, mas o que quer que estivesse fazendo foi interrompido pelo súbito barulho de elevador, transpondo-se por todos os lados. Então, desmaiou.
Acordou após muito tempo, cansado e dolorido. Estava em uma cama em um palácio, ou castelo, não sabia definir. Olhou em volta e se assustou com um cavaleiro armado parado, encarando a porta, imóvel e focado. Levantou e notou que estava apenas com uma espécie de cueca, mas levemente menor e mais aberta.
-Bom dia senhor. – falou o homem com um sotaque desconhecido. – Devo avisar a corte que o senhor saiu de seu sono?
-Não Sor Kevin. – comemorou sozinho por ser o rei. – Logo estarei lá. Se me der licença, gostaria de por minhas vestimentas.
Colocou algo branco parecido com uma camisa por baixo de tudo, uma calça curta sob uma maior, mais grossa e mais apertada, um sobretudo de pele marrom, luvas leves e botas.
Durante a descida até a corte, notou como era tudo mais fácil do que imaginava. Sabia tudo o que precisava, caminhos, nomes, como falar e pensar etc.
-...não é problema. – disse uma voz grossa através da porta.
-Mas vocês bem sabem que eles acabaram de comprar... – Derek entrou pela porta no meio da fala da mulher. – Oh! Majestade. – fez uma longa reverência seguida pelos outros ali presentes.
-Roy. – respondeu Derek. – Senhores.
Roy, ou Royce, era a rainha. Com cabelos ruivos claros e longos, possuia seios robustos e um rosto de beleza impecável. Pernas magras que sempre ficavam escondidas abaixo do vestido e de nádegas não tão fartas. Um pouco mais baixa que Derek, ou Lyuber, nome do rei.
Lyuber Helinor, filho de pais franceses, conquistou o território de Aragão com metade de seu exército e herdeiro de sangue do território de Genoa por parte de tio, sem descendentes mais próximos.
Um homem gordo e calvo com uma longa barba branca se levantou e começou a falar.
-Lorde Lyuber. – apesar de não parecer nada cortês, Tejan tentava seu máximo. – Lorde Hart gostaria de falar com o senhor o mais cedo o possível.
-E o que deseja o rei Bulgáro comigo? – disse, pegando uma taça de vinho da bandeja do criado. – Que eu me lembre, seu reino fica a leste da Linha Sagrada.
-Lorde Hart não permitiu que fosse de minha consciência a razão do encontro.
-Entendo... Tragam-me Uji. – um criado veio com uma fina e comprida espada embainhada e deu-lhe à Lyuber, que abriu-a e ficou fitando enquanto passa pela garganta do homem. – É o seguinte Tejan. Você está pra oeste da Linha Sagrada. Se quer voltar com as bolas, ou mesmo se quer voltar, vai ter que ser mais sincero comigo. Porque Hart quer falar comigo?
Tejan começou a suar frio e tremer. Era facilmente posto sobre pressão, notou Derek.
-E... Ok tudo bem, eu falo. Mas o sen... Mas Lorde Lyuber terá de fingir que não sabe de nada ao conversar com Lorde Hart, ou eu serei morto. Por favor, eu imploro por misericórdia por minha vida! – disse, enquanto se ajoelhava e fazia uma reverência.
Lyuber deu um sorriso malicioso. Nesse momento, Royce chegou a seu lado e pôs sua mão no ombro de seu marido. Olhou em seus olhos e fez um gesto negativo.
-Hmpf. – grunhiu Lyuber, embainhando a espada novamente. – Levante-se, mensageiro.
Num movimento rápido, o intendente do lado de lá da Linha ficou de pé de frente para o rei.
-Agora diga-nos, futuro ex-homem, o que quer Hart? – disse Myke, impaciente. O cavaleiro mantevesse quieto durante toda a conversa, porém esperar não é seu forte.
-Hart quer propor uma união entre continentes. Entre o lado de lá e o lado de cá, quer criar o livre comércio e arbítrio, criar relações entre reinos. Tentei argumentar com ele quando disse isso, que era loucura contrariar o que foi feito pelos deuses, mas ele não quis me ouvir.
-Pois então que volte lá e mande esse Hart se foder! – disse Myke.
-Myke, fique quieto um pouco. – disse Lyuber, sem tirar os olhos do mensageiro. – Prossiga.
-Ele quer se encontrar no norte do Egito, onde os deuses não chegam.
Lyuber pensou um pouco. Contrariar os deuses era realmente uma opção? Punição divina é sempre a pior punição.
-Tejan, você vai ficar aqui por alguns dias. Preciso pensar. Assim que tiver decidido, mando te soltarem.
-So...soltarem? – disse, em tom assustado e incrédulo.
-Sim, não quero arriscar nada. Guardas, por favor, levem nosso amigo para uma cela. Não o quero em mal estado, quero apenas mantê-lo encarcerado.
Dois guardas pegaram-no pelo braço e arrastaram até o fora do cômodo. Não tentou reagir, pois era um homem morto caso tentasse. Ao ser levado pra fora, Royce foi falar com Lyuber.
-Majestade, sei que seu temperamento não é dos melhores mas tenha calma. Ele cruzou o Mar Esquecido para vir mandar a mensagem de seu rei, não tem nenhuma culpa de nada.
-Calada mulher. Hoje eu acordei me sentindo bem. Será um dia bonito.
Lyuber atravessou a sala e apoiou-se na janela, olhando por toda a capital.
-Vê, Roy? Toda essa capital. Ela é nossa. Temos uma infinidade de terras para governar que vão até além do horizonte, com mais e mais pessoas espalhadas por aí. É estressante. É realmente muito cansativo. Mas você me faz feliz e me faz conseguir suportar tudo isso. Sei que as vezes sou meio indelicado, mas não é culpa sua. – quando Lyuber virou para o lado, lágrimas escorriam do rosto da rainha. Limpou-os com o dedo e virou-se para a janela novamente. – Um dia, esposa, iremos governar muito mais que isso. Eu lhe darei terras, criadas, tudo o que você quiser. Iremos viver um mundo esplêndido, perfeito. Eu juro.
Lyuber, então, pegou sua espada, que estava em cima da imensa mesa do salão.
-Mas por enquanto, vamos nos contentar com o que temos. Possuo assuntos a resolver. Volto antes do anoitecer.
Derek então saiu do quarto. Lembrou-se de seus amigos, e tentou pensar onde poderiam estar. Myke, seu escudeiro, seguia-o pelas escadas.
-Myke, vou explorar. Precisarei de você e de mais alguém. Quem eu chamo?
-Senhor, Hiao está livre e anda treinando bastante ultimamente.
-Aquele que veio do lado de lá, das terras perdidas?
-Esse mesmo.
-Se você recomenda, deve ser bom. Arme-se e avise Hiao, pois estarei a procura de algumas pessoas especiais por toda a cidade hoje.
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