Notas iniciais
No fim, querendo ou não, não tinha a intenção de acabar escrevendo sobre esta "era" de KW. Porém, antes de iniciar o arco atual (que já escrevi sobre, a um tempo atrás, porém ainda está sendo revisado), coisas precisam ser feitas até se encontrar a identidade da própria história em si, assim como as de seus personagens. Realmente essa não era a história que queria trazer a vocês mas acho que será divertido escrever sobre esse período conflituoso enquanto a história original não sai. Obs: não leia as notas finais antes de terminar de ler (perigo de spoiler).

A centenas de anos atrás. Dentre muitas civilizações, existia um reino denominado Elfarius.

Este reino, apesar de temido e respeitado, estava passando pela mais tenebrosa tormenta já encarada pelo mesmo, A rainha Elise. Elise era uma elfa negra, de olhos castanhos e cacheados cabelos negros, extremamente poderosa, que possuía extrema inteligência e conhecimento sobre as mais diversas magias e encantos.

Apesar ser uma Elfa de grande poder, Elise era perversa. A mesma escravizava Elfos de famílias que julgava inferiores como Kinsons, elfos em grande parte guerreiros, de cabelos verdes e cheios de vigor. Kinsons eram conhecidos também por sua tamanha resistência em batalhas, por muitos chegam a ser temidos.

Elise também possuía por escravos ou prisioneiros alguns Melthros, elfos da noite e das trevas que possuíam olhos vermelhos como o sangue, por sua grande parte assassinos.

Em uma das prisões de Elise, pela qual a mesma mandava alguns de seus elfos escravizados para serem treinados ou torturados, havia uma elfa que tinha por seu nome Ignis. Ignis era uma jovem e simpática Kinson, a mesma possuía reluzentes e cristalinos olhos azuis e um longo e liso cabelo verde escuro, de estatura mediana para com as elfas.

Ignis, que se encontrava em sua cela acompanhada de Três guardas. Mal sabia Ignis que aquela noite tudo de fato começaria, esta seria noite em qual a mesma seria transferida para uma prisão do sul.

-Kwah... hah... Disse Ignis com falta de ar.

—Vamos sentir sua falta elfa. Disse um dos guardas enquanto o trio colocava novamente suas vestimentas.

—Amanhã mesmo você vai para a prisão do sul, fique sabendo que lá não é brincadeira... Todos as prisões que esteve até agora vão parecer fichinha quando chegar lá.

—Lá é conhecido como o inferno élfico. Disse o Guarda menor enquanto ria da atual situação.

Ignis furiosamente limpa o sêmen de sua cara junto de suas lágrimas e pega novamente suas roupas que haviam sido tiradas a força pelos guardas.

—Que isso que isso, assim parece até que não gostou, já não é a primeira vez e você sabe bem disso... Vai dizer que ainda não se acostumou? Perguntou o guarda alto rindo de Ignis.

—Fique... Fique longe de mim...! Respondeu Ignis com uma voz imponente.

—Como é... Acha que está em posição de dar ordens?! Gritou o guarda alto enquanto acertava um soco na cara de Ignis.

—Calma Bartho... Deixe-a achar que o mundo gira em torno dela... Disse o guarda mediano enquanto impedia o alto de surrar Ignis.

—Hmph... Alguns lixos como você realmente deveriam saber o seu lugar...

—Acho que poderíamos fazê-la cantar outra vez antes de levarmos ela para o ponto não? Indagou o baixo.

—Tem razão... Mas terá que ser Rápido, ou se não o supervisor vai acabar cobrando da gente. Respondeu o médio.

Após dolorosamente e relutantemente ter de cantar mais uma vez para os guardas da prisão, Ignis acaba por desmaiar graças a um repentino e forte golpe em sua cabeça feito por um dos guardas que sentira-se satisfeito. Ignis desperta após um longo sono em outra prisão, Graças a um guarda de cabelos loiros e armadura reluzente.

—Acorde elfa, está na hora. Disse o guarda enquanto agredia a barra da cela com um oco pedaço de madeira.

—Mas ah...o que...? Minha cabeça....

—Pare de reclamar e venha antes que tenha que chutá-la daí. Exclamou o guarda enquanto abria a cela.

Ignis então passa pelo mesmo vagarosamente e o mesmo coloca pesadas algemas de ferro em suas mãos, a mesma então diz:

—Kgh... elas são um pouco mais pesadas que a da prisão anterior... Disse Ignis após sentir tamanho peso em seus pulsos.

—Se reclamar faço você dormir com elas e inclusive uma na sua garganta para aprender a calar a boca. Respondeu o guarda enquanto empurrava Ignis pelo estreito e escuro corredor.

Após muito caminhar, Ignis se depara com uma cena perturbadora, um sujo salão iluminado por poucas tochas em suas paredes e com diversos corredores que levavam a várias celas, os mesmos possuíam pelo menos um guarda na sua saída.

Diversos elfos anoréxicos e doentes ali estavam por se alimentar, basicamente como animais, de uma comida que havia sido preparada da maneira mais desleixada e asquerosa possível.

Apesar disto ser ligeiramente normal para Ignis, a mesma não conseguia parar de se sentir tocada com a cena, porém, algo mais chamou sua atenção, um elfo de longos cabelos brancos que só observava a cena com um ar de superioridade do sujo canto da cela. O mesmo rapidamente encara Ignis com um ódio desenfreado, como se desejasse sangue e mortes, então a mesma desvia sua visão.

O guarda então agressivamente empurra Ignis, que acaba por se desequilibrar e cai no chão, o mesmo então volta para o fim do corredor enquanto a mesma se levanta e se dirige até a mesa mais próxima.

Ignis, que ia se sentar num oco e corroído banco de madeira, é surpreendida por um elfo de cabelo curto e castanho usando véstias simples e uma algema semelhante a sua, que acaba por dizer.

—Bem, eu não sentaria aí se fosse você... Bem o banco é frágil e... Sabe o que pode acontecer se quebrar alguma coisa.

—Tomarei cuidado com isso, obrigada. Respondeu Ignis enquanto se sentava.

—Noite difícil? Você também parece não ser daqui, certo? Bom, digo, dessa prisão é claro... Perguntou o elfo enquanto arrancava uma parte de suas véstias e cautelosamente, para que nenhum guarda notasse, sintetizava um cubo de gelo utilizando magia elementar.

—Sim... Ao que parece fui transferida enquanto dormia... Na verdade não lembro de muita coisa mesmo. Disse Ignis enquanto passava a mão em seu olho.

—Oh entendo... Às vezes pode ser até bom que você não se lembre, não parece ter sido agradável ou amistoso... Aliás fui trago pra cá já faz um tempo, não faz muito tempo na verdade... Não tem mais do que 6 meses... Ou anos... Tanto faz agora...

Então o elfo entrega o gelo envolvido com parte de suas véstias para Ignis e a mesma agradece e em seguida o coloca sobre seu olho.

Um silêncio então decai sobre o local até que Ignis indaga enquanto observava a repulsiva sopa sobre a mesa pela qual ambos estão.

—Mais alguém veio com você...? Da sua prisão?

—Bom... da minha não... mas que eu saiba só aquele cara... dizem que é o famoso e temido Isaac Melthro, vindo da família de assassinos que constantemente se rebela com a rainha... Ele também chegou hoje. De fato se for verdade, acho que os guardas daqui tem muito com o que se preocupar. Disse o elfo enquanto observava o elfo de longos cabelos brancos que estava escorado na parede.

—Bom, acho que eles sabem disso... Disse Ignis enquanto olhava para cima e avistava colunas e mais colunas de Guardas com seus arcos, apontado suas pontiagudas flechas para os prisioneiros locais.

—Sim... Mas mudando de assunto, Você... tem família? Digo, ainda se lembra da sua? Perguntou o elfo enquanto se recolocava em seu banco com uma expressão convidativa.

—Eu... Bem, tinha uma mãe pelo que eu lembre, acho que talvez um tio... era bem pequena quando fui tirada da minha, não tinha mais do que 43 anos, e você?

—Eu nunca conheci a minha... Respondeu o elfo com um tom de desânimo.

Após mais alguns minutos de silêncio, guardas começam então a se manifestar para levarem os elfos para suas celas, eis que o elfo de cabelos castanhos se espanta.

—Minha nossa... me desculpe, não ofereci pra você, bem você demorou pra vir e, realmente achei que fosse sentar sozinho outra vez na verdade... Disse o elfo enquanto pegava a sopa.

—Não... não, obrigada... Não me sentiria nem um pouco à vontade comendo isso. Recusou Ignis.

—Bom... se acostume, porque será assim até organizarem mais um torneio, isso se der sorte de ganhar e ser transferida para um lugar melhor... Aliás, perdões, acho que não perguntei seu nome, poderia dizer?

—Bem... Eu me chamo Ignis... Ignis Kinson... Também não perguntei o seu afinal... Desculpe, é que... Tudo está meio repentino pra mim... Respondeu Ignis enquanto se levantava calmamente.

—Vo-Você é Ignis, a elfa que participou de 5 torneios de 2 prisões diferentes e ainda saiu invicta? Eu suspeitei pelo seu cabelo e seus olhos é claro, que aliás são encantadores... Digo, eles são revigorantes entende... Bom, na verdade... Só esqueça isso está bem? Disse o elfo enquanto disfarçava seu nervosismo.

—Me chamam de Alex, de Alexus... Eu sou da terceira cela a direita do corredor para frente do seu. Disse Alex enquanto se levantava energeticamente quase derrubando a sopa.

—Ótimo, espero que nos encontremos mais vezes Alex, é legal ter alguém para conversar... Disse Ignis com um sutil sorriso.

—Bom, sim... também espero.

Ignis então caminha para sua cela até que gritos de dor ecoam por todo o salão, uma elfa visivelmente fraca e doente acabara por passar mal devido a comida da prisão e estava dando seus últimos suspiros.

Todos basicamente não se importaram e continuaram a dirigir-se para suas celas, porém, Isaac Ignis e Alex permaneceram estáticos em suas posições. Ignis então decide ajudar a elfa enquanto Alex gritava para a mesma.

—Ignis, não!

Ignis, sem dar ouvidos a Alex, larga o gelo junto ao pano e se dirige até a elfa enquanto alguns guardas começam a se dirigir até a mesma.

-Calma... vai ficar tudo bem. Disse Ignis enquanto segurava a mão da elfa.

-Deixe a defunta agora mesmo elfa, é um aviso!

-Ela não está morta ainda, há tempo de salvá-la!

Isaac, que não havia tirado os olhos da elfa desde o começo, começa a demonstrar interesse pela cena, o mesmo então cruza seus braços e começa a assistir enquanto os elfos do local começam a observar a cena.

-Não ouviu? Isso é um aviso elfa!!! Gritou o guarda enquanto apontava uma lança contra o pescoço de Ignis, Eis que os guardas arqueiros começam a se preparar para dispararem suas flechas.

-Vocês, também são elfos não são...? Como podem, ver um elfo em um estado tão deplorável, mesmo que um prisioneiro, e não sentir nada? Gritou Ignis enquanto lágrimas escorriam de seu rosto.

Os guardas então se comovem com a cena, e dizem.

-Daremos três minutos, nada mais nada menos... Pode lamentar por sua companheira. Respondeu o guarda enquanto seus companheiros gargalhavam.

Alex permanecia em um longo e incessante silêncio, pois nada conseguia pensar devido as chocantes ações de Ignis.

A mesma então acaba por cantar uma canção antiga dos elfos, que fez com que a mortalidade acabasse aos poucos por deixar o corpo da elfa moribunda. Os guardas e os outros prisioneiros então começaram a chorar devido a melodia, inclusive Isaac, que se mostrou confuso diante do fato de estar chorando.

-Mas, que... Merda é essa...?! Indagou Isaac

A elfa então abre seus olhos e agradece Ignis de forma sutil, que corresponde com um exausto sorriso. A mesma em seguida, é agressivamente arrastada pelos guardas até um escuro corredor, não o corredor de onde ela vinha, e sim um mais podre e com o ar de morte. Alex, que só observara a cena não conseguia parar de se sentir surpreso e impressionado com as atitudes de Ignis, e até mesmo envergonhado perante suas próprias atitudes.

Ignis então é arrastada até uma cela podre e escura, no qual acaba tendo seus pés e mãos presos fortemente e agressivamente a um mastro de madeira.

—Quer ser engraçadinha não quer? Isso vai te ensinar uma lição! Disse um dos dois guardas enquanto dava um soco em Ignis.

Os guardas então deixam a cela e trancaram as três trancas da porta, que era feita um resistente material, cujo possuía somente uma abertura na altura da cabeça dos guardas. Um dos guardas então grita para a mesma.

—E cuidado pra não acordar o seu companheiro de cela, ele não vai ser tão bonzinho com você quanto nós! Elfa nojenta...

Ignis então tem uma má sensação e percebe uma elevação de respiração no canto escuro da cela.

Notas finais
Bem, acho que graças a ajuda do co-autor da história... Dessa vez consegui "consertar" o capítulo e deixar transparecer tudo oque queria, dando o tom obscuro perverso e nojento para com o início da história mas com leve toque de bons momentos... Also, Lucas, se estiver lendo isso thanks. E nos vemos no próximo capítulo ^^.