King And Lionheart
1 King and Lionheart
Notas iniciais
Era um dia calmo, lindo e colorido, como todos os outros. As crianças brincavam felizes e as mães, conversavam na janela. Até que... Eles chegaram. Os servos da escuridão.
Destruíram a vila inteira e os sobreviventes, foram escravizados. Eu sou um deles. Uma mãe do povo da terra que anseia por vingança. Meu nome? Não é importante... Não por enquanto.
Tive de ver meu filho sendo levado por sanguinários assassinos, e não pude fazer nada.
Com uma corrente no pescoço e sendo brutalmente puxada por um dos servos, fui arrancada de minha vila. A única coisa que podia fazer para me acalmar, era cantar.
"Tomando essa cidade, eles deveriam se preocupar
Mas exceto este problema eu acho que te ensinei bem
Que nós não correremos, e nós não correremos,
E nós não correremos
E no céu da noite de inverno os navios estão navegando
Olhando para estes brilhantes luzes azuis da cidade
E eles não vão esperar, e eles não vão esperar, e eles não vão esperar.
Estamos aqui para ficar, nós estamos aqui para ficar, nós estamos aqui para ficar"
Agora, eu estava jogada em um buraco no meio do chão, á metros da superfície, tentando achar uma maneira de escapar. Talvez nunca mais pudesse ver meu filho novamente...
“Como fantasmas vociferantes eles reaparecem,
Em montanhas que estão amontoadas com medo,
Mas você é um rei e eu sou coração de leão,
Um coração de leão.”
Uma luz roxa iluminou meu rosto. Levantei minha cabeça. O que era aquilo? Um espírito passado? Puxa! Como era lindo! Me trazia uma imensa alegria interior! Observei seus movimentos cuidadosamente. Ele olhou para mim, na intenção de que eu o seguisse. E rapidamente, esticou-se até a superfície. Entendi o que deveria fazer e me segurei. Ele se encolheu aos poucos, me puxando para cima. Por que aquela coisa queria me ajudar? Por que eu ficava tão alegre com a sua presença? E o mais importante: O que era aquilo?
“Sua coroa abre o caminho enquanto nós nos movíamos lentamente
Passe os olhos curiosos daqueles quer foram deixados para trás
Embora muito longe, embora muito longe, embora muito longe
Nós ainda somos os mesmos, ainda somos os mesmos, ainda somos os mesmos.”
Aquela coisa estava me guiando e eu correndo atrás dela. Os brutamontes que deveriam me vigiar estavam comendo e bebendo como porcos. Então, um deles me viu e gritou:
– A prisioneira está fugindo!
Á princípio, os outros não ligaram, mas em seguida, ele disse:
– É a garota do coração de leão!
Coração de leão? Não entendi... Quase que instantaneamente, todos os guardas se levantaram e começaram á me seguir. Eu estava perdida...
Aumentei o passo. Corri o mais rápido que podia. Estava com medo daquela floresta mal assombrada, medo de perder meu filho. Eu quis desistir, eu queria desistir, mas sempre que olhava aquele pequeno e luminoso ser roxo se movendo em minha frente, algo dentro de mim me fazia continuar.
***
Eu estava longe de casa, longe da minha mãe, longe dos meus amigos, e preso em uma gaiola. Como sairia dali? Será que nunca mais veria minha mãe novamente? Será que eu voltaria pra casa? Eu observava os servos da escuridão que me vigiavam... Eram apenas idiotas bêbados que brigavam uns com os outros. Por que eles destruíram minha vila? Será que eles não tinham coração? Um sentimento de ódio crescia dentro de mim, então, lembrei-me de minha mãe e abaixei a cabeça. Pensei que á esse ponto, ela já estaria morta.
De repente, uma luz amarela brilhou e levantei a cabeça. Que bichinho engraçado. As crianças da vila costumavam contar a lenda de um rei antigo e uma mulher com coração de leão. Quando esse rei pensava em algo muito especial para ele (como sua mulher), um animal aparecia. Mas não era um animal qualquer, era um espírito em formato de animal. Era seu sentimento pela pessoa que ele lembrava. Esse rei morreu em batalha e, como todo rei, deixou descendentes. Só quem fosse da família do rei ou da rainha coração de leão, poderia ver seus sentimentos fisicamente.
Será que eu era descendente deles? Observei os movimentos de meu sentimento... Puxa! Como eu ficava feliz por dentro! Mesmo naquela situação, tinha vontade de pular de alegria e dançar ao redor de uma fogueira! Acariciei seu queixo (acho que era isso). Aquele sentimento, tinha o formato de um peixe.
Quando fiz carinho em seu queixo, uma luz brilhou com tamanha imensidade que, não pude ver nada. Em instantes, eu estava livre. Salvaria minha mãe e contaria á ela essa aventura.
***
Enquanto seguia aquela coisa roxa, notei que teríamos de atravessar uma ponte. Eu nunca havia visto ela antes em nenhum mapa da vila. Observei a ponte cautelosamente: Ela estava quebrada. Como eu passaria? Será que essa coisa roxa queria me matar? Ou ela faria com que eu voasse sobre a ponte?
“Fantasmas vociferantes eles reaparecem,
Em montanhas que estão amontoadas com medo,
Mas você é um rei e eu sou coração de leão,
Um coração de leão ,
E neste mar que é pintado de preto,
Criaturas se escondem abaixo do convés,
Mas você é o rei e eu sou coração de leão,
E como o mundo chegou ao fim,
Eu estarei aqui para segurar sua mão,
Porque você é meu rei e eu sou o seu coração de leão,
Coração de leão.”
Mesmo com medo que o pior acontecesse, não parei de andar. Eu precisava salvar meu filho, mesmo que eu morresse. A coisa voou no ar na altura de meus pés e começou á se esticar. Eu estava correndo sobre ela. Aquela sensação era tão... especial.
Eu sentia a liberdade.
Depois que atravessei a ponte, ouvi o barulho de algo se arrastando atrás de mim. Corri mais rápido ainda. Ainda correndo, olhei para trás. Vi a coisa roxa sendo sugada por uma fumaça preta vinda de uma máquina gigante. Não, não era uma máquina... Era um monstro. Ele engoliu a coisinha. Eu quis ajuda-la, mas não podia parar de correr. A vida do meu filho estava em jogo. Mesmo sem saber para onde ir, segui em frente. Algo dentro de mim me guiava.
Eu vi as construções e a fumaça saindo dos telhados das casas da cidade. Era muito maior que todas as vilas que eu já tinha visto, e, suas construções eram muito mais espaçosas e grandes. Elas podiam rasgar o céu com a ponta de seus castelos. Eu havia encontrado a fonte de todos os pesadelos da vila... A cidade dos pesadelos.
***
Eu corria cada vez mais depressa, seguindo meu sentimento peixe. Sempre que ficava angustiado, olhava para ele, então, ficava feliz. Olhei para trás e vi um dos servos. Ele falava (lê-se gritava) comigo:
– PARE! MESMO QUE FUJA, SEU REINADO NÃO VAI DURAR GAROTO!
Reinado? Espera aí... Ele não tá me confundindo com o rei da lenda? Será? Eu sou o rei coração de leão? Se for verdade, então tudo está explicado. Eu estava á metros do servo e, me afastando cada vez mais. Então, apareceram mais 4 servos e, o chão começou á tremer. Eu corria em direção á uma torre com o formato de um rosto e, do nada, seus olhos se acenderam e ela começou á se levantar do chão. Ela estava decolando e, infelizmente, eu estava nela.
***
O chão começou á tremer, mas mesmo assim, continuei minha jornada. Eu precisava salvar meu filho. Ele era a minha vida. Olhei para frente e, parei por um instante. Vi uma torre flutuante com o formato de uma face com uma coroa. Observei novamente e... Espera aí... MEU FILHO! Meu filho estava dentro daquela torre (mais precisamente, dentro da coroa) e ele batia nela e chorava. Como ele foi parar lá em cima? Não importa... Tenho que correr mais, pois a torre está decolando. Essa não!
Corri mais rápido que nunca e, nem tinha notado que havia 4 brutamontes atrás de mim. Eles pularam em cima de mim e me seguraram. Eu me debatia e chorava feito louca, então, todos viraram pó. Achei aquilo estranho, mas, vi as cinzas de cada um se juntarem. Então, os 4 brutamontes (que até agora eram cinzas), viraram 4 outros bichinhos coloridos. Do nada, gritei:
– EU SOU A RAINHA CORAÇÃO DE LEÃO! DEVOLVA MEU FILHO REI DAS SOMBRAS!
Eu mesma não havia compreendido o que acabara de dizer, mas sei que, quando disse isso, a torre em que meu filho estava se despedaçou e ele começou á cair. Fiquei desesperada e corri para pegá-lo, mas eu estava muito longe e, não chegaria á tempo de salvá-lo da queda. Mas, os 4 bichinhos, voaram tão rápido em direção é ele, que só vi os rastros de cores que eles haviam deixado. Eles voltaram, segurando meu filho.
– Mamãe? MAMÃE! VOCÊ ESTÁ BEM!
Ele veio correndo em minha direção e me abraçou.
– Filho... – Chorei de emoção.
Enquanto estávamos abraçados, toda a cidade se iluminou. As correntes de todos os sobreviventes que estavam acorrentados, haviam se quebrado. E todos os servos, haviam virado bichinhos coloridos. Todos estavam livres e felizes.
Os bichinhos coloridos saíram voando pela cidade. As construções foram ficando menos tenebrosas e, uma á uma, se colorindo. Tudo estava voltando ao normal.
– Mamãe, você é a rainha coração de leão e eu sou o rei! Daquela lenda das crianças da vila, lembra? Por isso vemos esses bichinhos coloridos! São nossos sentimentos!
– Nossa filho! E você descobriu isso sozinho?
– Sim... Te chamam de coração de leão, porque significa corajoso. No caso, corajosa.
– Hum...
– Obrigado por me salvar mamãe!
Ele me abraçou de novo.
– Eu? Foi você que me salvou!
Abracei-o mais forte.
– Foram nossos sentimentos... Eles que nos guiaram!
– Eu te amo filho!
– Também te amo mamãe!
Girei-o no ar e dei um beijo em sua testa.
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