Kimi ga Suki

1 Oneshot - Kimi ga Suki


Notas iniciais
Olá! Faz algum tempo que estava escrevendo essa one, mas sempre enrolava para termina-la. Mas hoje consegui fazer isso! E como já devem ter notado, é uma one LukaxMiku. E já avisando: é algo mais leve e fofo. Aos que não curtem, não recomendo ler, entretanto, não custa nada dar uma olhadinha, não é? -q Espero que gostem da One! Principalmente vocês: Giu e Jojo

Kimi ga Suki

A garota caminhava pelas ruas daquela cidade noturna em um ritmo um tanto apressado. Seus cabelos longos esverdeados e um tanto azulados, presos em um penteado de duas Marias chiquinhas, esvoaçavam ao vento frio da noite. Ela vestia um típico uniforme japonês da temporada de inverno, de uma cor mais azulada.

Seu olhar focalizava-se nas pessoas que caminhavam despreocupadamente pelas ruas, na esperança de encontrar uma cabeleira rosada. Porém não via nada que não fossem estudantes conversando animadamente, pessoas voltando do trabalho ou comerciantes tentando vender suas mercadorias.

Com um suspiro, a garota arrumou seu cachecol branco ao redor do pescoço, de modo que pudesse esquentar mais a parte de baixo do rosto, e tentou voltar a caminhar normalmente.

Mas... Porque sentia seu coração bater tão rápido ao pensar nela?

Ora, isso era, de fato, estranho. Fazia um bocado de tempo que ela conhecera a rosada e nunca se sentira tão estranha em relação ao relacionamento amigável que as duas tinham. Mas então porque começava a sentir-se tão... Tão... Tão nervosa ao pensar em Megurine Luka? Porque se sentia feliz, mas ao mesmo tempo apreensiva e ansiosa quando tinha de se encontrar com a rosada?

Isso Hatsune Miku não conseguia compreender.

― Miku! ― Ouviu aquela voz feminina, mas rouca lhe chamar suavemente, enquanto podia ver sua dona erguer a mão no ar e a balançar levemente ― Aqui, Miku!

A garota correu ao alcance dela, com um pequeno sorriso nos lábios.

― Megurine-San. ― Cumprimentou-a.

― Não precisa ser tão formal.

― Desculpe, desculpe. ― Pediu. Seu rosto começara a corar.

― Como vai? ― A rosada perguntou.

― Bem. E você?

― Igualmente. ― Houve um minuto de silêncio enquanto as duas se encaravam ― O que você deseja fazer hoje?

― Hn? Ah... Não sei... E você?

Na verdade, só de ficar com você eu já me estou feliz.", Foi o que a garota, inconscientemente, pensou. Mas, claro, ela não pronunciou nada.

― Não sei. ― Ia dizendo a outra ― Na verdade, quando te chamei para sairmos, pensei que você se lembraria de que era a sua vez de escolher o local... ― E com um suspiro e um sorriso simples, declarou ― Mas vejo que você esqueceu-se disso.

― Desculpe... ― Pediu a garota ― Sinto muito, Luka-San... ― Seu rosto estava muito vermelho.

― Tudo bem, tudo bem! ― Garantiu soltando uma fraca gargalhada e movimentando as mãos ― Bom, vejamos aonde podemos ir. ― Murmurou com o indicador no queixo. Ela olhava para o céu estrelado ― Karaokê? ― Miku abaixou a cabeça ― Certo. Certo. Então, que tal se irmos a uma lanchonete, e aproveitarmos a noite fria com algo quente?

― Isso me parece ótimo!

― Então, vamos! ― E esticando a mão para a azulada, disse: ― Vamos, segure minha mão!

E enquanto concordava com um sorriso tímido, Hatsune Miku entrelaçou uma de suas mãos com a da amiga. E assim, começaram a caminhar até o local de destino.

A mão da rosada era quente, enquanto a de Miku fria. Megurine Luka era mais alta que a garota e mais velha. Enquanto a azulada tinha dezessete anos, a outra já iria para seus vinte anos.

Essa diferença de idade incomodava um pouco a menor, que às vezes pensava atrapalhar a vida da outra, coisa que Luka negava totalmente, já que sempre afirmava que Miku era, na verdade, uma das melhores coisas em sua vida.

Ela inspira tanta confiança...”, a garota refletia, observando o olhar calmo e seguro da rosada fitar o céu noturno enquanto caminhavam.

Ahhh, ela era tão diferente... Tão desajeitada. Vivia tropeçando-nos próprios pés, queimando as coisas, quebrando isso e aquilo... E suas notas? Era algo de total vergonha!

― Nee, Luka-Chan... Como vai o seu teste para entrar naquela faculdade? ― Resolveu perguntar e desviar os pensamentos tolos.

― Hn? ― A maior, por um breve instante, fitou os olhos azulados da amiga. Depois, olhou para frente e sorriu ― Ahh, sobre isso... Eu tenho estudado bastante.

― Mais do que você já estuda?! ― Exclamou surpresa ― Mas você já é tão esperta, Luka-Chan... ― Murmurou com um beicinho.

― Não diga coisas assim, Miku! ― Falou soltando uma risada sem-graça ― A faculdade é difícil. E eu preciso me esforçar mais ainda se quiser passar nos testes! ― Um brilho determinado tomou conta de seus olhos.

― Eu vou torcer por você, Luka! Se precisar da minha ajuda... ― Bateu no peito esquerdo ― Pode contar comigo!

― Olha que eu vou cobrar. – Brincou dando uma piscadela.

Hatsune sorriu. Ahh, como ela ficaria feliz se pudesse ajudar a maior, pelo menos um pouquinho... Mas, com seu QI tão baixo, era capaz de atrapalhar Luka e não ajuda-la!

E a rosada era tão esforçada... Trabalhava na floricultura de sua família e ainda por cima fazia uma escola de música. Queria seguir na carreira musical. Ahh, Miku pensou, a voz de Megurine era tão doce... Um pouco rouca, mas muito melodiosa!

Luka era a perfeição em forma física.

Tão determinada, esforçada, linda, meiga... Adjetivos não faltavam para descrever à bela e perfeita Megurine Luka!

Seus longos cabelos rosados, sua pele alva, os olhos azuis, com um corpo totalmente feminino, delicado e desenvolvido, de uma personalidade totalmente admirável... Ahh, como Miku admirava a amiga.

Ela é linda e perfeita...”, pensava com um fino sorriso em seus lábios.

― Miku, se me permite perguntar: Qual é o motivo de você está sorrindo assim? ― Quis saber a maior com calma.

― Ahn?! ― Hatsune, na mesma hora, corou ― N-Não é nada, Megurine-San!

― Sei. ― Encarou a amiga desconfiada ― Bom... ― Sua voz fora interrompida pelo toque do celular dentro de sua bolsa ― Só um minuto, ok? ― Miku assentiu.

E então, a rosada soltou-se da mão de Miku e caminhou um pouco mais rápido, enquanto pegava o aparelho dentro da bolsa que carregava. A menor observava ela atender ao mesmo com uma voz um tanto mais animada.

― Gakupo-Kun, quanto tempo! Como vai? ― Uma pausa ― Eu vou bem, obrigada por perguntar. Ah, onde eu estou? Indo tomar um café com a Miku... Sim. Sim. Aquela que eu te apresentei outro dia. Eu adoraria se você pudesse vir compartilhar essa noite conosco... ― E uma pausa maior.

Miku não podia ver a face da rosada, já que, agora, a azulada caminhava mais lentamente e ficava para trás.

Ela não entendia, mas começava a sentir uma raiva tomar conta de si ao ver que Luka conversava animadamente com o homem ao outro lado da linha. E pior, ela não sabia nada sobre o relacionamento dos dois!

***

Fora apresentada a Gakupo fazia mais ou menos um mês. Estava na floricultura com Luka, já que tinha se disponibilizado a ajudar a amiga com as flores. Apesar de, na maioria das vezes, acabar atrapalhando a outra, Megurine implorava para que Miku continuasse ali. E assim, com muita alegria, Hatsune aceitara.

Então, quando faltava pouco para escurecer, um homem alto, de cabelos roxos e longos adentrou o local. Tinha um olhar calmo e trazia uma caixinha de presente nas mãos.

Ele cumprimentou Luka com bastante animação, e a outra correspondeu a esse ato, um tanto surpresa.

― Gakupo-Kun! Porque não avisou que viria? Eu teria me aprontado e preparado algo para nós... ― Comentou com um beicinho. As roupas da rosada estavam cheias de pétalas de rosas de diferentes cores. Seu cabelo também estava uma zona.

―Desculpe. Luka-Chan. Mas você deve saber como eu gosto de fazer surpresas. Ah, isso aqui é para você. ― Disse, enquanto entregava uma caixinha rosada, com uma fita branca para a jovem ― Não sei se irá gostar, mas comprei com muito carinho.

― Oh! ― Exclamou enquanto corava levemente ― Muito obrigada! ― E abraçara o homem ― Apesar de que não precisava...

― Não comece. – E a olhou feio.

― Desculpe, desculpe. – Pediu com um riso bobo.

Os dois começaram a conversar sobre assuntos banais. Algo sobre como estavam indo, se tinham novidades, como ia a família, sobre o clima e coisas do gênero.

Parecia que Miku fora esquecida completamente.

Então, a garota, discretamente, caminhou para o fundo do local, abaixou-se atrás de um balcão, se escondendo e fingiu, com a cabeça baixa, que cuidava de algumas plantas.

Tentava pensar coisas aleatórias, porém os risos dos dois quase adultos invadiam sua mente com força. E ela, sem saber por que, começava a sentir mais raiva daquele homem, cujo só sabia o nome.

Sem que notasse, lágrimas cristalinas começaram a escorrer pela face alva, enquanto a garota pensava que Luka tinha a deixado de lado, já que nem sequer tinha olhado para si enquanto conversava com o homem.

Ahh... Mas o que eram aqueles sentimentos bobos? Por que ela sentia tanta raiva disso? Talvez, Gakupo fosse somente um conhecido... Mas, espera! Ele tratava Luka com muita intimidade! Quem sabe... Talvez... Ele fosse o namorado de Luka?

Sem saber o porquê, Miku sentiu seu coração doer ao pensar nisso. E uma raiva lhe atingiu com força. A azulada teve de fechar os olhos e as mãos em forma de punho e também, segurar as lágrimas que queriam escapar.

Isso não podia ser verdade! De jeito nenhum!

Pegou uma flor roxa, e, sem perceber, começou a esmagar a pobre flor. Arrancava as pétalas com força e lentidão.

E o tempo foi se passando, com Hatsune Miku no fundo da loja, encolhida, segurando as lágrimas, enquanto tentava não gritar e acabar com as flores dali – embora mais de dez flores tenham sido atingidas pela fúria da garota.

Até que, ela ouviu a melodiosa voz de Luka chamando um tanto preocupada:

― Miku! Miku?! Nee, Miku, cadê você?

A menor fechou as mãos com força, tentou limpar as lágrimas que teimavam em escorrer, respirou fundo e soltou o ar com calma. Então, levantou-se de trás do balcão ao qual se escondia e, tentando parecer calma, respondeu forçando um sorriso:

― Aqui, Megurine-San.

A garota pôde ver os dois caminharem ao seu encontro. Gakupo vinha mais atrás, com um olhar um tanto indiferente, enquanto Luka caminhava apressadamente aos tropeços.

― Achei que tinha ido embora, Miku. ― Era impressão da azulada, ou a voz da amiga estava saindo num tom desesperado? ― Desculpe-me por esquecer-me de você! Não foi a minha intenção, de modo algum... ― E enquanto ia aproximando-se da garota, foi segurando sua mão e com uma expressão triste, dizendo ― Me perdoe, Miku-Chan... Por favor...!

― Tudo bem. ― A menor limitou-se a dizer isso, enquanto tentava, com mais força, segurar as lágrimas.

Doía lá dentro ― Miku pensava ― saber que Megurine, à qual ela considerava a melhor amiga... Doía saber que a rosada esquecia-se dela quando chegava outra pessoa.

Talvez, eu seja somente um objeto que a tira do tédio”.

― Miku... ― Sussurrou a rosada ― Nee, Miku... Não faça essa cara triste. ― Implorou, novamente com aquele tom de desespero.

― Eu estou bem, Megurine-San. Somente com um pouco de dor de cabeça, mais nada. ― Mentiu.

― Miku... ― A rosada lhe fitou tristemente e a abraçou com força ― Desculpe. Desculpe... Desculpe! ― Repetia as palavras várias vezes ― Eu me importo muito com você, por isso, não faça essa cara triste... E... Perdoe-me, por favor...

― Luka-Chan, tudo bem... ― Afastou-se da rosada lentamente ― Eu só não queria atrapalhar a conversa de vocês dois. Afinal, mesmo que eu seja tapada, ainda me resta um pouco de educação! ― E sem saber da onde, ou como, Hatsune Miku conseguiu sorrir alegremente. ― Mas está tudo bem! ― Sua voz animada preencheu o lugar, enquanto ela, hesitante, segurava as mãos da maior Não há o porquê de você ficar assim, Luka-Chan!

― Miku... ― A maior abraçara novamente a azulada com força ― Obrigada... ― Sussurrou honesta ― Por um minuto... Eu pensei que você me odiasse... Mas não é como se eu lhe odiasse ou sentisse vergonha de você... Eu... O Gakupo... ― Gesticulava nervosamente as mãos ― Nós... Faz tempo que não nos vemos, então, fiquei um pouco entusiasmada com sua visita e com a conversa... Mas eu prometo: Isso não tornara a acontecer novamente!

― Luka... ― A menor retribuía com força o abraço.

E as palavras não foram mais necessárias. Ambas entendiam uma a outra tão perfeitamente, que pelo olhar Luka já sabia que Miku tinha perdoado ela. E a azulada notava o quanto a outra estava desesperada por seu perdão.

–Hn... – Gakupo pigarreou atrás delas.

― Desculpe., Gakupo-Kun! Ahh, Miku, esse é o Kamui Gakupo. Ele mora no interior, mas às vezes vem passar umas temporadas aqui. – E brincando, acrescentou – Ele é um samurai, então, cuidado! Ah, o Gakupo é muito fã da cultura japonesa... Ele sabe muito sobre isso, mais do qualquer estudioso formado!

― Menos, Luka. ― Murmurou o rapaz, enquanto fingia uma expressão séria.

― E essa é a Hatsune Miku! A Miku é bem distraída... ― A garota corara com tal comentário – Porém, ela é bem amiga. Preocupa-se demais com os amigos e vive se sacrificando... E é um doce de pessoa, realmente, uma pessoa bem admirável. Se não me engano, eu já te falei muito dela, não é?

― Ahh... E como falou. ― O homem coçou a nuca ― Até me enjoa às vezes, se me permite ser honesto, Hatsune. A Luka fala MUITO da senhorita. Mesmo que nunca tenhamos nos falado antes, de tanto que a Luka fala de você, é como se eu lhe conhecesse há séculos! ― E curvando-se, murmurou ― Obrigado por cuidar tão bem dessa coisa rosa! Fico extremamente contente com isso.

― Eu... Bem... N-Não há de quê, Kamui-San... ― Respondeu a azulada corando ao extremo.

― É muito gratificante ver que a Luka têm uma ótima amiga. ― E virando-se para a rosada, que sorria calmamente, murmurou ― E falando em você, lembrei-me o motivo da minha visita. Seu olhar era sério.

―Ahh... ― A maior suspirou e seus olhos azuis adquiriram um brilho sério ― Depois falamos nisso. ― E olhando para Miku, agora com uma expressão calma, disse ― O que acha de jantarmos agora, Miku?

― Eu... Eu tenho que ir embora, Luka. ― Inventou a mentira, já que Kamui a olhava com um olhar frio. E a Azulada sabia que iria atrapalhar a conversa que os dois tinham pela frente, coisa que ela não queria nem imaginar do que se tratava.

― Mas está cedo, Miku! ― Queixou-se a rosada.

― N-Não... Lembrei que eu tinha que ajudar minha mãe hoje... Desculpe, mas tenho que ir. ― E, desajeitadamente, despediu-se da rosada com um abraço ― Até mais, Luka-Chan. Até mais, K-K-Kamui-San. ― O homem fez um leve aceno com a cabeça.

― Nos vemos amanhã, Miku? ― Talvez fosse à imaginação de Hatsune, mas a voz rosada tinha saído novamente meio desesperada?

― Claro! – Concordou animada ― Então... Até amanhã! ― E, virando-se saiu apressada dali.

***

Até hoje Hatsune ainda não sabia qual seria o relacionamento entre Kamui Gakupo e Megurine Luka. E, na verdade, ela preferia não pensar no assunto. Já que a mesma raiva que lhe atingiu daquela vez da conversa entre os dois, voltava a lhe atingir com mais e mais força cada vez que ela refletia sobre tal assunto.

― Nee, Miku-Chan, está tudo bem? ― A rosada ainda estava no telefone, mas tinha se virado para a azulada.

― Sim. ― Foi tudo o que respondeu.

Viu o olhar de Luka lhe encarar com desconfiança, mas logo a maior se virava para frente e voltava a conversar com o homem do outro lado da linha. Sua voz parecia estar nervosa e ela falava apressadamente:

― Sim. Eu entendo... Eu sei que isso é importante... Sim. Eu estou pensando nisso, Gakupo... Mas isso também é minha felicidade... Então eu não me importaria de desistir... Claro que eu te compreendo, Gakupo... Podemos nos falar depois? ― Ela olhou para trás, onde Miku andava e fitava o céu estrelado ― Até mais, Gaku... Até. ― E, com as sobrancelhas franzidas, desligou o celular e o guardou dentro de sua bolsa.

Começou a caminhar mais devagar, até que pudesse acompanhar os passos lentos da azulada.

― Megurine-San, era algo importante. Por que desligou?

― Ahh, Miku... Não era tão importante assim. ― E sorriu ― De qualquer forma, já chegamos ao nosso destino. ― Comentou, enquanto apontava para a grande lanchonete a frente delas.

As duas caminharam até uma mesa e sentaram de frente para a outra. Como estavam sentadas em uma mesa ao lado de uma enorme janela, Miku apoiou a cabeça na mão, onde o cotovelo estava apoiado na mesa. Ela encostou-se a janela e ficou fitando as estrelas, enquanto perguntava-se qual seria o assunto que Megurine estava tratando.

― Nee, Miku, eu conversei com seu primo: O Kaito. E ele me disse que suas notas pioraram. ― Luka murmurou com uma voz séria.

― Hn... ― Respondeu fazendo pouco caso ― O Kaito-Kun sempre mente.

― Eu fui até sua escola e confirmei. ― A azulada corou e abaixou a cabeça, com os olhos fechados ― O que está acontecendo para você não tirar notas boas?

― Eu não sou capacitada para isso, Luka-Chan.

― Você é sim. Você é incrível, Miku. Na minha concepção, você deveria ser a melhor da sala, espera! A melhor da escola! Sempre que você se dedica a alguma coisa, você não desiste até o fim! Então, me diga: Porque você não se dedica à escola como se dedica a minha pessoa?

― Eu...

Hatsune sentiu o rosto começar a arder. Como ela explicaria para a outra que não entendia isso? Ela mesma não compreendia seu atual estado! Então, como poderia responder tal coisa para Megurine Luka?

Na verdade... Ela somente queria ser notada pela rosada. Por isso, se esforçava em tudo que se relacionava a maior. Tinha começado a estudar, o seu jeito, tudo sobre musica. Tentava decorar o nome de todas as flores, para assim, Luka a elogiar. Fazia o seu máximo para fazer uma boa decoração floral, assim como Megurine. Até sobre comida, cujo ela não entendia quase nada, mas gostava de comer, até sobre isso a azulada estava se esforçando! Já que a outra era uma ótima cozinha.

Eu só quero ser notada por você”, foi o que pensou. Mas novamente não disse nada.

― E então, Miku. Qual é a resposta?

― Luka-Chan... Isso é complicado... ― Sussurrou num fio de voz.

Não existe nada que é tão complicado, que não se possa resolver. Miku. ― Aquela voz segura lhe garantiu ― Então, como sua amiga que sempre te conta tudo, eu gostaria que você também me contasse. ― A azulada viu a outra morder o lábio inferior enquanto proferia tais palavras.

― Olá! Desculpe a demora, mas é que hoje isso aqui está cheio... ― Desculpou-se a garçonete enquanto se aproximava delas. Ela tinha os cabelos castanhos escuros e uma face cansada.

― M-Meiko! – A rosada exclamara enquanto levantava-se ― Quanto tempo! Que saudades!

― L-Luka?! Oh, é você mesma! – Comentara enquanto abraçava a outra ― E vejo que não está sozinha ―Cumprimentou Miku com um aceno de cabeça ― Como vai, Luka?

― Vou bem! E você? ― A outra assentira Não sabia que estava trabalhando aqui.

―Pois é! De manhã eu estou fazendo faculdade de música, e a tarde e a noite trabalho aqui. Não é o melhor emprego, mas ao menos, me pagam bem desde que eu tenha de sorrir e seja carismática. ― A outra soltou um riso fraco ― E você está perfeita como sempre!

―Obrigada, Meiko-Chan. Você também está divina!

–Obrigada! Ahh, como vai sua vida? Faz quanto tempo mesmo que não nos vemos... Um... – Ela contava nos dedos – Um... Dois... Dois anos! Ah, deve ter muita coisa para me contar!

― Vai indo bem. Sim, você também deve ter muita coisa para me contar! Deveríamos marcar de nos encontrar em algum dia. Quando é sua folga?

― Hn... Amanhã é sexta... Talvez eu consiga pegar uma folga amanhã... Mas como está frio a lanchonete tem estado bastante cheia... ― Ela Suspirou ― Mas eu não quero esperar até a próxima semana para me encontrar com você, Luka-Chan! Então, vou fazer o meu melhor hoje à noite e amanhã à tarde. Então, poderíamos nos encontrar a noite! O que você acha?

― Eu... ― A rosada olhou rapidamente para Miku, que fitava as estrelas.

― Oh! Você já tinha um plano, não é? ― Comentou a outra com um sorriso de canto ― Tudo bem. Podemos marcar para outro dia...

― Não. ― A voz baixa de Miku se fez presente ― A Luka-Chan parece estar feliz de ter te reencontrado, Meiko-San. Então, eu sei que ela ficaria feliz de sair com você amanhã. ― Murmurou forçando um sorriso. Ela e Megurine já tinham combinado que na noite seguinte iriam a um parque de diversões, porém Miku não queria ser uma pedra no caminho da amiga. Embora doesse admitir isso.

― Mas vocês já parecem ter algo para fazer amanhã...

― Já sei! vamos as três naquele parque que abriu. – A voz calma de Megurine se fez presente ― O que acham disso, Miku? Meiko?

― Bom! ― Concordou a azulada contente. Só de imaginar ficar um dia sem ver a rosada, sem saber por que, ela se sentia mal.

― Perfeito! ― A mulher sorriu ― Agora, tenho de trabalhar. Até mais garotas! ― E antes que saísse virou para elas e exclamou ― Oh! Perdoem-me! Eu tinha esquecido que vocês iriam fazer seus pedidos...

― O que você quer, Miku? ― A rosada encarava a menor com um sorriso.

― Eu gostaria de um X-Burger... ― Miku sussurrou enquanto apontava para o cardápio ― E uma Coca-Cola...

― Não. Coca-Cola não. Está frio e você pode ficar doente se ficar bebendo coisas geladas. ― Ralhou Luka.

― Luka-Chan...

― Nada de “Luka-Chan”, Miku!

― Então eu aceito só o X-Burger. ― Murmurou fazendo uma cara feia. Embora gostasse que Luka se preocupasse consigo.

― Um café para mim, Meiko.

― Perfeito. Daqui a pouco eu trago o pedido de vocês! ― E com isso retirou-se.

O silêncio prenominou o lugar. Luka encarava Miku sorrindo e essa observava as estrelas no céu.

A menor refletia o que tinha acontecido há pouco tempo e sobre o como gostara como Megurine tinha se preocupado consigo. Então, antes que percebesse, Luka estava segurando suas mãos e dizendo:

― Nee, Miku... ― Começou com a voz baixa ― Desculpe por aquilo. Mas é que eu não gostaria que você ficasse brava comigo...

― Tudo bem. ― Sussurrou sorrindo.

― Não, é verdade! Eu não sei como ficaria se soubesse que você ficou doente por minha causa... Apesar de eu ter uma saúde de ferro, sei que você é sensível a doenças...

― Luka-Chan... ― Ela fechou os olhos quando a outra começou a acariciar suas mãos. As mãos de Luka eram quentes e macias, emitiam um calor muito confortável e a rosada sabia o que fazer para relaxa-la.

― Você gosta disso, Miku? – Perguntou. Os olhos azuis a encaravam com profundidade.

― S-Sim... – Admitiu com a face vermelha. Hatsune abriu os olhos, mas ao fazer isso se deparou com a maior a encarando com aqueles olhos penetrantes. Por isso, desviou o olhar.

― Não faça isso, Miku. ― Megurine pediu com a voz mais rouca do que o normal ― Eu gosto de ver seus olhos...

Ao ouvir aquilo, a garota corou mais ainda.

― L-Luka-Chan, você está bem? ― Perguntou hesitante.

― Estou. ― Respondeu ― Mas é a verdade. Eu gosto de ver você, Miku. ― A declaração atingiu a menor com força.

― Aqui está o pedido de vocês! Desculpem pela demora! ― Meiko exclamou enquanto depositava o pedido delas na mesa ― Aproveitem! ― E, antes de se retirar sussurrou algo no ouvido de Luka, que fez a rosada corar ― Até, Boa refeição! ― E retirou-se.

Luka passou o resto da refeição calada. Com um olhar pensativo. Miku não entendia o que tinha acontecido e por que apreciava aquela sensação que a rosada lhe proporcionara há pouco tempo.

A azulada comeu o seu lanche em silêncio. Enquanto observava a jovem a sua frente apreciar o café que estava em uma xícara florida. Ela não tinha reparado até agora, mas a cena da rosada tomando café com um olhar pensativo, por incrível que pareça, era uma cena admirável e linda de se observar.

Enfim, Hatsune terminou seu lanche. Luka pediu a conta e, calada, pagou aquilo, embora Miku dissesse ― hesitante ― que também poderia pagar, mas não fora ouvida, ou melhor, fora ignorada.

As duas se retiraram daquele lugar caladas. A cidade noturna estava fria e o vento soprava de forma gentil, embora fosse gelado.

Miku se contorcia de frio. O uniforme, embora fosse preparado para aguentar o frio, não lhe aquecia totalmente e a garota estava quase congelando enquanto andava.

Luka, sem dizer uma palavra, retirou seu casaco quente e cobriu os ombros da garota com ele. Por baixo dele, ela usava um suéter de mangas longas e escuro, feito de lã.

― N-Não precisa... Megurine-San.

E novamente, sem dizer nada, Luka retirou o cachecol branco da garota e lhe deu seu cachecol vermelho escuro, que era muito mais quente. Também lhe deus suas luvas e no fim, sorriu, enquanto colocava em si o cachecol de Hatsune.

As roupas... Tem o cheiro dela...”, refletira, enquanto sentia sua mão ser entrelaçada com a da rosada.

Megurine a conduziu até um velho parque da cidade, que se encontrara deserto naquele horário. Miku olhava para os lados assustada. Naquele horário... Andando sozinhas... Elas podiam morrer...!

― M-Megurine-San... É perigoso andarmos por aí nesse horário... ― Sussurrou. Agora ela não tremia mais de frio, já que as peças que Luka lhe dera as esquentava. Sem mencionar a deliciosa e doce fragrância que saia das peças...

E novamente Miku fora ignorada.

― M-Megurine-San... Por favor, vamos voltar...

― Megurine-San...

E elas pararam. Os olhos calmos de Luka fitaram a garota que fitava ao redor delas com preocupação. Ela não se importava com o que poderia acontecer consigo mesmo, mas só de imaginar que alguém podia fazer algo com a rosada... Só de imaginar alguém tocando Luka... Ahh... Só de imaginar isso, a azulada sentia uma raiva tomar conta de si.

― Você se lembra desse local? ― A maior ia perguntando ― Pois eu me lembro dele perfeitamente. Foi aqui... ― Apontou para uma árvore de Cerejeiras ― Que eu te conheci.

― Luka-Chan...

― E eu lembro ― Ia dizendo, enquanto ignorava a azulada ― que você usava esse mesmo cachecol ― Apontou para o cachecol branco que usava ― E, que, naquele dia, você estava chorando, pois tinha sido caçoada pelo fato de ser tão desastrada.

― Lu...

― Lembro-me também que eu parei para te ajudar. E que você me mandara ir para o inferno. Você estava triste, e eu tentei te ajudar. Apesar de ser ofendida com os piores insultos que um ser humano pode escutar. ― Ela fechou os olhos e respirou fundo ― Eu sempre fui muito calma e paciente. Raramente eu me descontrolo. ― As pálpebras se abriram e ela encarou o luar ― Mas você... Ahh... Você sempre me faz perder a razão... ― Os olhos azuis brilhavam num brilho estranho. Como se estivessem enfrentando um dilema muito complicado.

―C-Como...? ― A azulada estava perplexa. Não conseguia compreender. Megurine Luka era o exemplo de ser controlada e paciente. Então, como ela, uma simples e mera descuidada podia fazer Megurine Luka perder a razão?!

― Hoje, pelo celular, eu briguei com o Gakupo. ― Comentou, enquanto se recostava na árvore ― Eu não te contei, mas eu recebi uma carta de uma universidade no exterior... ― O olhar se perdeu no céu estrelado ― Eles querem que eu preste o exame para entrar em sua universidade, com tudo pago.

― I-Isso é ótimo!

― Ou seja: Se eu prestar os exames e passar, eu vou me mudar para longe. O Gakupo vai presta-los na semana que vem.

Miku paralisou. Ela sentiu os olhos se arregalarem aos poucos, enquanto sua boca ia se abrindo. Sem saber o porquê ou como, foi como se tivessem lhe dado um soco no estômago.

Se Luka passasse, ela iria embora. E se ela fosse embora, Miku nunca mais iria a ver. E só de pensar em tal hipótese, lágrimas escorreram pela face da menor, que cobria a boca com as mãos.

― Isso ia ser bom para você... ― Sussurrou lentamente e cabisbaixa ― Você iria realizar seu sonho, Megurine-San... Digo... As universidades no exterior são muito boas... E sua chance de sucesso lá... Seria muito alta... ― E só de pensar que ela e Gakupo iriam ficar mais próximos, Miku soluçou ― E também... Você e o Kamui-San ficarão mais próximos...

― O Gakupo quer que eu faça o teste ― Sussurrou com os olhos fechados. Era óbvio que ele tentava ignorar a situação da menor a sua frente ― Na verdade, eu recebi essa carta há dois meses. O Gakupo foi lá à loja para me presentear pelo sucesso... Eu não contava com a visita dele. Na verdade, eu sabia eu ele iria me visitar, mas pensei que iria demorar um pouco.

― Ahh...

― Sabe... Quando ele apareceu lá na loja, eu fiquei feliz, afinal, fazia um tempo que nós não nos víamos. ― Ela sorriu sem-graça ― Mas eu fiquei um tanto preocupada em pensar no que você imaginaria assim que o visse...

― C-Como?

― O Gakupo é um amigo de infância. Nós fomos criados quase juntos. Mas quando eu completei quinze anos, meus pais resolveram se mudar para cá. Para ajudar meus avós com a floricultura e, óbvio, eu também teria de fazer isso. Eu odiei isso, e o Gakupo também, afinal, não nos veríamos mais com frequência como fazíamos quando morávamos perto.

Então, eles gostavam um do outro. Isso explica muita coisa”.

― Eu passei mais de três anos enfiada dentro da loja. Só indo para a escola e voltando para casa. Não saia para mais nada. Eu sempre fui à filha perfeita. Sempre fui a melhor da classe, ou melhor, da escola. Mas eu não me sentia feliz. Eu sei que poderia ter feitos os testes, mas como Gakupo estava passando por problemas, já que sua mãe estava doente, esperei por ele para poder fazer os testes juntos, já que ele também queria seguir na carreira musical.

Deu uma pausa para respirar.

― E então, há exatamente meio ano atrás, eu e o Gakupo começamos a nos preparar para fazer os testes para as faculdades. Não me admira que essa universidade no exterior tenha me chamado, afinal, eu sempre me dediquei muito aos estudos e sempre fui a melhor ― Um sorriso de canto apareceu em seus lábios. Aquele era um lado convencido de Megurine Luka e Miku ficou sem jeito ao se deparar com ele ― Um homem também entrou em contato comigo, me dizendo que, se eu quisesse, eu, com sua ajuda, poderíamos chegar ao topo do sucesso. Provavelmente Gakupo mostrou alguma música que eu escrevi para ele.

Outra pausa.

― Você já viu uma música minha. Acho que foi mês passado. Se não me engano, seu nome era “Interviewer”. Uma música digna de pena. Foi escrita em um tempo que estava muito deprimida... E seu final foi concluído uma semana antes de você a ver. Acho que você também já viu a outra “Magnet.”, é... Essa foi feita três meses atrás...

E tomando ar, Luka continuou falando, não dando nem tempo para Miku pensar:

― Continuando. Gakupo sempre me mandava coisas que poderiam nos ajudar nos testes e eu fazia o mesmo. Foram alguns meses corridos, onde estávamos nos preparando para os testes. E então, três meses antes do primeiro teste, eu conheci uma menina de cabelos azulados que poderia ter me matado com tantas ofensas. ― Miku corou ― Eu, que estava fugindo das obrigações chatas de sempre, acabei topando com ela. Apesar de ser tratada daquele jeito, eu enxerguei nela um eu que tentava esconder. E então, murmurando a mim mesma que eu deveria ajuda-la, fiz isso.

Deixou que um sorriso escapasse pelos lábios e colocou uma mecha rosada atrás da orelha.

― Mas pela primeira vez em anos, ela foi à única pessoa que me tirou do sério. Não me deixava falar direito e não queria ouvir meus conselhos... Cansada disso, puxei-a pelo braço e a levei para minha casa, onde lhe servi uma água e, lentamente, fui lhe mostrando as flores daquele local. No começo ela parecia não entender nada. Mas aos poucos ela foi se acalmando e, lentamente, começou a mostrar-se interessada naquela explicação patética sobre cada tipo de flor.

Encarou Miku profundamente, como se mostrasse que o que diria a seguir era muito importante.

― E então, antes que percebesse, eu e a azulada nos tornamos amigas. E eu me pegava pensando que um novo dia deveria chegar para podermos nos encontrar.

Soltou um suspiro e encarou o luar. As estrelas se juntavam perto uma das outras, como se dessem as mãos e mostrassem o quanto eram unidas. Já a lua tinha um brilho prateado e bastante encantador.

― Gakupo vivia me ligando. ― Continuou ― Perguntava-me como estavam indo os preparativos para os exames da universidade. Lógico, eu mentia, ou tentava desviar as perguntas. Afinal, como poderia conta-lo que tinha uma amiga e que queria que o mundo fosse para o inferno e somente deixassem-me com ela? ― Balançou a cabeça para os lados ― Não, definitivamente ele não iria querer ouvir algo assim.

Uma brisa fria soprou. Luka continou a falar:

― O tempo passou e antes de um mês para os exames, Gakupo me visitou. Eu tinha saído com a minha nova amiga e ele perguntou à minha mãe sobre isso. Ela contou que nos últimos meses eu andava saindo muito, quase não parava mais em casa. Só para ajuda-la na floricultura. Lógico, ele ficou louco. Afinal, nós estávamos estudando juntos, ou deveríamos, para os exames.

Um sorriso triste apareceu em sua face.

― Quando cheguei à minha casa, quase morri com tantas ofensas que recebi por parte dele. Ele gritava que eu devia estar louca, já que tinha deixado de estudar para aproveitar o tempo com outra pessoa. Eu não respondia, afinal, estava errada. Então, depois de uma hora ouvindo as baboseiras dele, marcamos de nos preparar para o próximo teste, no ano seguinte.

― Luka-Chan... ― Miku franziu o cenho. Quem Gakupo pensava que era para ofender a rosada? Se antes a menor não simpatizava muito com o homem, agora ela o detestava.

― Ele me disse que se eu quisesse aproveitar o tempo livre, que fizesse isso. ― Continuou ― Mas eu teria alguns meses somente. Já que depois era para minha pessoa mandar bala nos estudos e me preparar, dessa vez, de fato para os estudos. E eu o fiz. Os meses que se seguiram eu fiquei junto a minha nova amiga. Cada dia era algo totalmente diferente. Para mim, o tempo nem parecia mais passar. E quando eu me dava conta, já era noite.

Miku observou a amiga. Ela parecia um tanto apreensiva e tinha o rosto corado.

― E então, eu comecei a meio que deixar de lado essa ideia de testes. Estudava o básico, e tinha em mente os elogios que ela sempre me dizia: “Você pode, Luka-Chan. Você é inteligente demais! Acredito que, mesmo sem estudar muito, você passaria de qualquer jeito!”. E eu acreditei nisso. Eu fico muito grata por isso...

Megurine parou de falar e encarou a menor com um sorriso tímido e agradecido, mas tornou a falar novamente quando viu que a outra iria pronunciar-se:

― Os meses se seguiam, nossa amizade cada vez mais forte... Exceto que ela sempre me tirava do sério. Não se preocupava consigo mesma. Dizia que não se importava com sua saúde, alimentação, notas, reputação... Ahh, quando ela falava isso, tinha vontade de socá-la! Já que comigo ela sempre se preocupava muito e consigo mesma... Isso não era justo!

Lançou um olhar reprovador para a azulada, que corou, fez bico e desviou o olhar.

― E teve aquela vez que o Gakupo foi me visitar. ― Luka continuava ― Eu fiquei muito feliz com isso! Mas ele não me deixava falar, de modo que eu só podia rir e tentar não perder a calma e gritar para que ele se fosse e deixasse-me a sós com aquela azulada...

Novamente deu uma pausa para tomar ar.

― E eu me preocupei tanto com esses pensamentos que não percebi ela sumir da minha vista. Quando notei isso, depois de certo tempo, quase cai em desespero. Cortei o discurso do Gakupo, que falava algo sobre o clima de sua cidade, e me pus a ver onde ela estava... Mas aquela azulada não estava por perto. De modo que eu tive de começar a chamar alto por ela.

Dessa vez a rosada tinha uma expressão de arrependimento e seu olhar implorava por desculpas da parte da menor.

― Ahh... Quando eu a vi aparecer de trás do balcão, com aquela face triste e tentando fingir que estava bem... Quando isso aconteceu, eu realmente quis desaparecer. ― A rosada tinha as mãos fechadas em punhos e uma expressão de fúria ― Eu a tinha machucado daquele jeito... Ela que sempre me dera atenção, que fazia o impossível por mim... Droga! E eu a tinha Ferido...

Miku tentou falar algo, mas fora cortada pela voz desesperada de Megurine, que agora falava sem dar pausas para respirar.

― Então eu caminhei até a mesma. Sem perceber ia pedindo desculpas e implorava por seu perdão. Eu necessitava de seu perdão. Não conseguia nem imaginar o que faria se aquela boba parasse de falar comigo... Eu não iria conseguir viver com isso...

Hatsune corou com tal declaração. Ela viu a outra aproximar-se lentamente de si com um sorriso bobo e, pelo que parecia, estava tensa e um pouco nervosa. Pela primeira vez, a azulada pôde presenciar a face de Megurine Luka se contrair em uma expressão indecisa. Por alguns seus olhos ficaram mais opacos, como se ela não tivesse consciência do que estava fazendo.

― Então, voltando... ― Subitamente a maior parecera recobrar a sanidade, já que parara de supetão a três passos de distancia da outra ― Quando Gakupo me ligou há poucas horas atrás, ele me dizia que eu estava louca, que estava abandonando o meu futuro, os meus sonhos e toda essa baboseira, por uma coisa inútil. Defendi-me dizendo que isso era a minha felicidade e que mesmo que fosse importantes coisas como um futuro promissor, eu realmente não me importava com isso.

Suspirou e pareceu indecisa sobre o que falaria a seguir.

― Mas o motivo do Gakupo ter me ligado... ― Mordeu o lábio inferior enquanto franzia o cenho e logo abaixava a cabeça ― O motivo... Foi... Por que... Ele queria me dar um conselho... E esse conselho, disse ele, era o melhor para mim.

― O-O que era? – Miku, ao ver que ela não estava falando mais nada, perguntou hesitante.

Um vento fraco bateu. Mas foi o suficiente para fazer os longos cabelos das duas se movimentarem gentilmente. Algumas pétalas rosadas voaram calmamente. Megurine levantou a cabeça e, com um brilho furioso no olhar, movimentando os lábios lentamente, ela sussurrou fitando profundamente para a garota à sua frente:

Se afaste de Hatsune Miku. Ela só está te atrasando e você sabe disso melhor que eu. Não tente enganar a si mesma, Luka. Você sabe muito bem que só está convivendo com essa garota porque você enxergou nela um refugio. Você está vivendo com ela para tentar reviver aquela sua adolescência que passou presa dentro de casa. Mas a verdade é que você está não somente enganando a si mesma, como também está enganando ela.”

O único barulho que foi escutado depois de tal declaração foi somente o som do vento arrastando as flores que voavam pelo céu.

Miku, lentamente, arregalara os olhos verdes. Sua boca abrira-se em forma de “o”, surpresa. A face ficara pálida.

― Não vou mentir. ― Murmurou a rosada fechando os olhos. Ela tentava ignorar a situação da garota ― Quando o Gakupo disse isso, eu realmente pensei que ele estava certo. Murmurei um “Até” para ele e, furiosa, desliguei o celular.

― Ele estava certo? – Hatsune, num fio de voz, quis saber.

― Por um momento eu achei que sim. ― Admitiu um tanto constrangida ― Mas ao ir conversando com você hoje eu comecei a desconfiar disso. ― Sorriu tolamente ― Quando eu te perguntei sobre o porquê de você não se esforçar para a escola como se esforça para mim, e o observar você não responder isso, comecei a ficar mais feliz. Eu pensava: “Ela só se importa comigo. Ela quer o meu bem acima de tudo!”.

Um sorriso bobo apareceu, embora tenha sumido rapidamente.

―E quando a Meiko me convidou para sair... Eu realmente queria lhe responder que não, afinal não queria estragar o nosso compromisso. Mas não pense que é porque eu queria manter a minha promessa de sempre sair com você ou algo do tipo...

Parou e encarou a garota à sua frente por um tempo. Os olhos brilhavam num tom indeciso e ela mordia o lábio inferior.

― A verdade, Miku... ― Resolveu falar ― A verdade é que... ― Suas bochechas claras estavam tingidas de vermelho e Luka respirava fundo ― A verdade... É que eu necessito te ver todos os dias. Ouvir a sua voz. Ver o seu sorriso. Ouvir a sua risada... Observar as suas birras...Contemplar a sua alegria... Eu preciso disso, Miku. Eu quero isso. Eu desejo isso.

Hatsune estava paralisada. Não sabia como reagir. Até porque, ela também pensava o mesmo. Mas, estava em tal estado de choque que não conseguia falar, muito menos se movimentar. Seus orbes azulados estavam arregalados e a face muito vermelha. Ela tinha virado um tomate humano naquele momento.

Luka tinha a face baixa, enquanto as mãos estavam fechadas em forma de punhos. A mandíbula estava trincada e a face, pelo pouco que dava para ver, estava quase pior que a de Miku.

― Eu detesto quando você me chama de Megurine-San, Miku. Isso soa tão formal e é como se não nos conhecêssemos... E também porque quando você me chama assim, eu sei que te machuquei... Que te feri... Que você está confusa e, porque não com, com raiva de mim...? ― Um triste sorriso escapou pelos lábios rosados ― Eu gosto quando você me chama de Luka-Chan. Meu nome, sendo pronunciado por sua voz, parece até música! E fica de um modo tão perfeito... E também gosto de quando você usa esse cachecol ― Apontou para o pano branco que cobria seu pescoço, cuja dona era a menor ― Não sei se se lembra... Mas você o usou quando nos conhecemos... E sempre o usa quando vamos sair... Ele tem até o seu cheiro gracioso...

Enquanto sussurrava isso, a maior aproximou-se mais ainda da outra e segurara a mão dela, entrelaçando-as.

― Sabe... Quando eu fiz carinho em suas mãos, eu senti sensações tão agradáveis... Foi tão diferente... ― Ela deu uma pausa, enquanto acariciava as mãos a outra ― Eu gosto das suas mãos, Miku. ― Uma palma subiu até a bochecha da menor e fez um leve contato ― Eu gosto da sua face. ― E, hesitante, começou a passar o dedo indicador pelos lábios da azulada ― Você sabe o que eu queria fazer agora?

― Hn... Hn... – Deixou o som de negação escapar, enquanto movia, levemente, a cabeça para os lados, e encarava Megurine com certa curiosidade e temerosa.

― Esse seu jeito inocente me surpreende, Miku-Chan... ― O nome da garota fora pronunciado de uma maneira sensual ― Eu... ― O dedo continuava nos lábios da menor ― Tenho vontade de te beijar... ― Os lábios aproximaram-se do ouvido dela, que parecia ter sido paralisada ― Eu queria te beijar, Miku. ― Repetiu.

― L-Luka... ― A voz medrosa se fez presente. O que era aquilo? Porque Luka estava fazendo aquilo?! Isso Hatsune não conseguia entender ― P-Pare... Por favor... ― Pediu com voz chorona ― Isso está me dando medo... Você está me dando medo! ― Exclamou, enquanto empurrava a rosada para longe de si ― P-Pare...

― Miku... – Ela parecia ter acordado para a realidade. Já que arregalara os olhos e mordia o lábio inferior ― Desculpe... Mas é que... Somente você desperta essas sensações tão esquisitas em mim, Miku. Somente você me tira do sério... ― Sussurrava baixinho ― Desculpe...

― Luka...

― Mas é a verdade, não é? – A voz da rosada tinha um tom triste.

― O-O quê?

― A verdade... É que eu fui muito idiota. ― E vendo que a garota não entendia, suspirou ― Bom, eu pensei que, ao te contar o que contei... Nós pudéssemos ir para algo mais profundo... M-Mas, eu fui muito boba, não é?! ― Soltou uma risada nervosa.

― Como assim? ― A garota ainda não compreendia.

― A sua inocência às vezes me assusta, Miku. ― Tornou a repetir a frase que tinha dito há poucos minutos enquanto a encarava tristemente ― Todas as coisas que eu te contei... Tudo o que eu admiti... ― Levou as mãos até o local onde ficava o coração ― Partiram daqui... A minha necessidade de ficar com você e ver você, o meu desejo de te querer sempre ao lado... De querer compartilhar todos os momentos com você... De sentir ciúmes quando alguém fala com você... Tudo isso... ― A encarou profundamente. Lágrimas já escorriam pela delicada face ― Isso... Tudo... É amor, Miku. Eu te amo. Mais do que já amei qualquer um. Estou disposta a dar tudo de mim por você... Até mesmo a minha vida. ― E com um sorriso sem-graça, admitiu ― Esse é o amor. Estranho, não?

A garota paralisou.

Tentou pensar sobre isso, entretanto, era complicado. Foi como se milhares de informações estivessem entrando em sua mente ao mesmo tempo.

Luka dissera antes tudo o que sentia por ela. E, por incrível que pareça a azulada sentia o mesmo! ― Então, aquela raiva de Gakupo eram ciúmes? A vontade de estar sempre com Luka... E todos aqueles sentimentos... Aquela alegria... Era o amor?

Foi como se uma luz forte tivesse clareado um local escuro, na profunda escuridão. E, como se um peso caísse dos ombros de Hatsune Miku.

Afinal, ela mal descobrira o que era amar, e já sabia que era correspondida total!

E ele nem tinha se tocado! Oh! Como era idiota!

― A vida não é um mar de rosas. ― Ouviu a rosada murmurar repentinamente ― E eu que pensei que teria a sorte de ser correspondida... Mas de qualquer forma... Sinto muito por isso, Miku. ― Desculpou-se, enquanto curvava-se ― Sinto... Muito... ― Mesmo que tentasse fingir que estava tudo bem, sua voz era chorosa.

Então ela se virara e começara a andar rapidamente.

E teria ido embora se a azulada não ativesse puxado pelo pulso, e lhe puxasse para um abraço forte.

― Miku... Não torne as coisas piores para mim... Por favor.

― Idiota! ― A garota exclamou, enquanto abraçava a outra fortemente ― Idiota! Idiota! Porque não me falou isso antes? ― A cabeça estava enterrada na curva do pescoço da maior.

― Co-Como?

― Eu... Droga, Luka-Chan... Você me fez sofrer durante esse tempo todo...!

― Miku... O que está querendo dizer?

― Não percebe? ― Levantou a cabeça. Com os lábios sorrindo alegremente. A outra balançou a cabeça, negando ― Eu sempre senti muitos ciúmes de você. Sempre quis ficar mais próxima de você... Eu faria muito coisa por você, Luka-Chan...

― Miku...

― Não, deixe-me terminar! ― Protestou, movimentando os lábios até formar um biquinho ― Então, continuando... Eu não compreendia tais sentimentos... Pelo menos até agora. Mas... Agora, eu tenho certeza! ― E parou.

― O quê?

― Eu te amo.

Os olhos azuis da rosada se arregalaram, enquanto ela paralisava. Como assim... O que Miku estava dizendo...?

― Miku, não minta para me agradar...

― Não estou mentindo! Eu estava confusa... Por isso que te afastei àquela hora...! Mas eu amo seus carinhos, Luka! Eu amo quando me elogia! Então... Perdoe-me por eu ser tão idiota e demorar a perceber...

― Miku... ― Sussurrou enquanto abraçava a garota forte ― Eu achei... Achei que não iria ser correspondida... Que você iria me odiar depois... Eu fiquei com medo de perder sua amizade... Porém, depois de te ver naqueles estados do Gakupo e da Meiko, e das mãos, eu precisava... Precisava me declarar... Não iria aguentar mais... ― E beijando o topo da cabeça dela, terminou: – Deus! Eu estou tão feliz!

― Eu também, Luka-Chan! Exclamou com a cabeça erguida.

Nesse momento, flocos de neves começaram a cair. E as duas que ainda estavam abraçadas sorriram.

― Ei, Miku... – Chamou a maior depois de alguns minutos, enquanto observavam os flocos caírem graciosamente.

–Hm?

― Você... Aceita... ― Ela corara ― Namorar comigo...?

― Co-Como?! ― Exclamou surpresa.

― B-Bom... Eu quero que saibam que você é minha. Somente minha. Claro, eu sei que vamos enfrentar certo preconceito... Mas...

― Isso torna as coisas mais legais, não é?! ― Exclamou com um sorriso brincalhão.

― Miku...

Eu aceito, Luka-Chan. ― Respondeu sorrindo Eu também quero que saibam que você é minha e eu sou sua. Eu quero passar o resto da minha vida contigo... Quero sorrir com você... Quero ter você sempre comigo!

― Que fofo...! ― Exclamou abraçando Hatsune mais forte ― Sendo assim, eu te prometo que farei tudo isso! ― Disse, enquanto a abraçava mais forte ― Vamos ficar juntas... Para sempre!

― S-Sim... M-Mas, Luka-Chan... A-Assim... Eu vou mo-morrer...

― Desculpe! ― Pediu enquanto a soltava ― Sinto muito...

― Tudo bem. ― Tranquilizou-a, enquanto tentava respirar ― Eu vou ficar bem.

–Tem certeza? ― Perguntou preocupada. Miku assentiu com a cabeça ― Ufa! que susto! ― E depois de respirar fundo, entrelaçou as mãos de Miku com as suas ― Bom, desculpe, Miku, mas você ainda é menor de idade e seus pais já devem estar preocupados...

― Sim...

― Então, vamos?

Miku assentiu. Porém, antes de começarem a andar, Luka retirou seu cachecol vermelho da garota e lhe deu um pouco do branco. Antes da cabeça da rosada se afastar, Miku aproveitou e lhe deu um beijo na bochecha, que foi recebido com um belo sorriso.

― Eu te amo, Miku-Chan.

― Eu te amo, Luka-Chan!

Assim, elas partiram para a casa da menor. Caminhando pelas ruas noturnas da cidade iluminada. Rindo, conversando, contando uma à outra os segredos mais profundos. Sempre dizendo o quanto se amavam.

*** FIM ***



Notas finais
Olááá! Então, o que acharam? Mereço os comentários? Antes que eu me esqueça: Citei duas músicas que já ouvi na voz da Luka ― não lembro de quem as fez. Se vocês procurarem pelo Youtube, poderão encontrar suas traduções. (Interviewer e Magnet, com participação da Miku). Ah, foi minha primeira fic na categoria Vocaloid. Talvez, um dia, eu escreva mais! (KaitoXLen, RinXLen, LukaXMiku, GakupoXGumi... GumiXRin). Enfim, comentem o que acharam! Isso iria alegrar-me muito XD Até o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!