Kimi No Na Wa – Musubi, O fio vermelho do destino
1 Capítulo 01 – Almas encontradas
Notas iniciais

Capítulo 01 – Almas encontradas
Eu sou Taki, Tachibana Taki. Tenho meus 22 anos de idade e moro em Tokyo.
Comecei, após muito procurar, o meu trabalho recentemente como arquiteto e procuro preservar boas lembranças de Tokyo para todos. Eu quero que esta cidade aqueça a memória das pessoas. Que possam conservar bons momentos daqui.
Batalhei por este sonho desde que sai do colegial. Eu busquei arduamente por isso.
E mesmo que tenha conquistado tal meta... Eu não sou feliz. Eu não sinto nada além de...
Solidão.
Claro...
Isto até hoje...
~~~~_~~~~
Musubi...
Amarrar dois fios juntos é musubi.
Conectar pessoas é musubi.
O fluxo do tempo é musubi.
Todos esses fenômenos usam a mesma palavra: Musubi.
— Eu odeio essa cidade! Eu odeio essa vida! Por favor, me deixe renascer como um belo garoto de Tóquio na minha próxima vida!”.
Recolhendo e tomando forma, torcendo e entrelaçando, às vezes retornando, às vezes se separando, e conectando novamente. Isso é kumihimo. Esse é o tempo. Isso é musubi.
O ato de colocar algo em seu corpo também é chamado musubi. O que entra no seu corpo e se conecta com sua alma.
“O fio vermelho do destino”.
***
Tanto o desespero quanto o afeto, todos desapareceram. Eu nem sabia mais por que estava chorando. Todas as minhas emoções caíram e desapareceram, como um castelo de areia.
— Quem, quem, quem…
Depois que a areia tinha desmoronado, um grão ainda permaneceu. E nesse momento, eu sabia seu nome: a solidão.
Naquele momento, eu compreendi. Tudo o que eu teria daqui em diante era esta emoção. Carregaria para sempre essa solidão, como uma bagagem pesada que alguém me obrigou a levar.
“...Está tudo bem”. Pensei de repente. “Se o mundo é um lugar tão cruel, vou desafiá-lo, vivendo eu apenas com essa solidão. Vou lutar apenas com essa emoção ao meu lado. Mesmo se estivermos separados, mesmo que nunca possamos nos encontrar de novo, eu vou lutar. Nunca vou desistir”. Logo, eu iria esquecer o fato de que esqueci.
Assim, apenas com esse sentimento na mão, gritei uma última vez para o céu noturno.
— Seu nome!?
***
“Quem, quem era aquela pessoa?”. Alguém importante. Alguém que eu não deveria esquecer. Alguém que eu não quero esquecer. “Quem, quem. Quem é você?”
Vou fazer um último esforço. Aumento a velocidade.
“Qual é o seu nome?”
Escuto uma voz quase inaudível. Nesse momento um dos meus sapatos ficam presos em uma falha do asfalto e eu caio.
A voz dele chega aos meus ouvidos.
“Para não esquecermos um do outro quando acordarmos”.
Naquela hora você disse: “vamos escrever nossos nomes”. E escreveu na minha mão.
Abro meus olhos ainda no chão. Em meio à dor e tontura, está a minha mão direita. Tento abrir meus dedos, entretanto... Eles estão rígidos. Mesmo assim, pouco a pouco, abri a minha mão. Havia algumas letras escritas. Ao tentar ler... Eu vejo:
Eu te amo
Meu coração parou por um momento. Estou me levantando aos poucos, não tenho mais forças sobrando. Mesmo assim, minhas pernas se levantam mais uma vez.
Olho mais uma vez a palma da minha mão.
Está escrito com uma caligrafia que vi em algum lugar. Pelo menos acho que vi. Lágrimas começam a cair, minha visão fica turva novamente. É como se uma onda de calor se espalhasse pelo meu corpo junto com a água. Eu sorri enquanto chorava.
Bom, então, ainda não sei o seu nome.
E de novo, começo a correr a toda velocidade. Não estou mais assustada. Não estou mais sozinha. Porque eu entendi.
Estou apaixonada.
Nós estamos apaixonados. É por isso que vamos nos encontrar de novo, custe o que custar. Eu vou viver, mesmo que as estrelas caiam, eu vou viver.
Onde quer que você esteja no mundo, eu vou procurar por você.
~~~~_~~~~
Neste momento, eu não sou mais Taki... Não trabalho com arquitetura... Nem sei mais o que estava fazendo.
Somente sei de uma coisa: a solidão acabou.
Ao encontrar aquela garota na escada... A tristeza sumiu. Mas as lágrimas apareceram.
Agora eu sou somente um garoto que chora. Eu finalmente encontrei o que buscava.
— Qual o seu nome?
— Qual o seu nome?
Eu queria uma resposta... Mas não precisava de uma. Não mais.
Eu já sabia... Era ela. Ela que eu procurava. Ela que faltava em minha vida.
— Eu sou Mitsuha.
— Eu sou Taki.
Como estalos. Ou trombetas. Minha mente “explodia” de sons... De imagens.
De sentimentos...
O seu nome. Eu conheço esse nome. Eu conheço esta sensação; este sentimento. Já o tive antes. Nesta minha mão, que sempre me parecia “vazia”. Agora eu sentia um calor nela. Está aqui. É isso... É ela.
— M- Mit- Mitsuha... – Agora sim eu estava patético. Um homem chorando em plena rua. Só que estava feliz.
Pouco me importava. Se alguém surgisse e falasse algo. Pouco me importava o que o mundo estava pensando... Ela está aqui.
— Taki-kun. Taki-kun!
Lágrimas. Dor. Desespero.
Normalmente estes são indicadores de algo ruim. De tristeza.
Eu não acredito nisso. Não agora...
Quando dei por mim... Já estava lá.
Pulei de qualquer jeito a divisória das escadas que nos separava.
Nada mais iria nos separar. Se o tempo... Se as lembranças. Se a morte... Se nada disso o fez, não seriam as “normas sociais” que irão fazer isto agora.
Corri e ela também.
Nos chocamos. Nos abraçamos. Nos unimos um ao outro.
Musubi? Talvez seja... Não importa. Nada mais importa.
Eu estou sentindo. É ele mesmo? É ele quem eu procurava? Eu estou mesmo vendo ele?
Musubi...
É isso o que significa?
Estamos unidos, além da vida? Eu sei. Não tenho a menor dúvida.
Não importa. Nada mais importa.
— Que bom. Você está aqui. Um pouco atrasado, mas está.
— Isso. Eu estou. Você está.
— Agora é para sempre...
— Sim...
— Eu te amo... – Rimos e choramos. Juntos.
— Eu te amo... – Agora nada mais nos separará.
***
Estávamos em um cativante café. Era confortável e trazia sentimentos que eu não tinha mais. Eu já me acostumei. Muitas coisas na minha vida estão mudando. Voltando ao que devia ser.
Eu e ela. Nossas lembranças. O que nos uniu. O que nos conectou.
Este café faz parte disso.
E a pessoa ao meu lado “dizia” exatamente isso. Bastava olhar em seus grandes olhos.
— Eu estou com fome.
— Eu também. Será que vão demorar muito?
— Vamos torcer que não. E aproveitar enquanto demorarem.
— Ei, Mitsuha. Sabia?
— Sim, o que?
— Eu te amo...
— Eu sei. Eu também...
Ambos sentados em pequenos e aconchegantes sofás na cafeteria. Estavam um do lado do outro. Encostados. Apoiados e descansando suas cabeças unidas.
Felizes por este momento.
Eles esperavam seus amigos... Da escola. Do trabalho. Da infância. De toda uma vida que estava determinada pela calamidade de um desastre natural a não existir mais.
— Pelo jeito, Taki-kun encontrou a felicidade. Não é mesmo?
— Ehh...!
— Ehh...!
Surpreendidos e assustados. Os dois se viram e veêm uma linda pessoa parada atrás deles. Ao que parece, Miki Okudera, agora esposa de Tsukasa Fujii, acabou de chegar. E não só ela...
Mais outro tanto de pessoas a acompanham.
Seus sorrisos são muito expressivos. Ao jovem casal só resta retribuir, mesmo que afoitos.
— Oh...
— Bem-vindos...
— Mitsuha-chan. – Sayaka, recém-casada com Teshigawara ao seu lado, cumprimenta sua melhor amiga desde o colegial.
— Diz aê, Taki! – Shinta Takagi, um dos amigos de Taki desde o colegial também, o cumprimenta com enorme emoção e saudade.
Todos transmitem saudações e carinho para com os amigos.
Uma bonita cena. Mas constrangedora... Ainda mais pelas expressões de “deboche” dos amigos ao verem tanta demonstração de carinho em público.
Foi desconfortável, mas logo passou. Eles não se importam. Não mais. Com nada mais que os intimidassem. Estavam juntos. Somente isso importa.
#Continua...
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