Notas iniciais
Resolvi escrever uma one shot do Hakuouki,porque,nessa categoria,não tinha muitas fics U_Ufiquei revoltada n_nAUSHUASHAUSHUAHSUAH

*POV Saitou Hajime*

Era um dia qualquer ...Isso, você entendeu muito bem. Foi exatamente o que eu acabei de dizer! Um dia qualquer, uma vez que, após passar por um verdadeiro inferno, a minha vida se tornou uma verdadeira desgraça e tão monótona quanto uma ilha deserta... Até enfatizei a palavra "verdadeira", pois o vazio em meu coração jamais poderá ser curado, não importa o que eu fizesse,quem eu encontrasse,ou conhecesse. Parecia que algo me faltava... Aliás, faltava sim! Como poderia ter dúvidas disso? Balancei a cabeça para a direita e para a esquerda repetidas vezes, enfurecido. Naquele momento, estava patrulhando o centro da cidade de Kyoto com o terceiro esquadrão do Shinsengumi, o qual eu era capitão, vestindo o meu hakama azul-celeste com detalhes brancos nas mangas e um cachecol de cassa envolvendo meu pescoço, o qual, de certa forma, realçava meus longos cabelos azulados presos em um rabo-de-cavalo, que descia singelamente pelo meu ombro direito. Em minha cintura, carregava a minha Mugai, uma katana do estilo Mizoguchi-ha Ittou, a qual ganhei de meu mestre antes de ir para o Shieikan,guardada em uma bainha azulada apoiada em uma faixa branca envolta de minha cintura.

Andei o dia inteiro pra lá e pra cá, passando sei lá quantas vezes pelas mesmas ruas, sendo observado pelas mesmas pessoas. "Que saco, viu? Se pelo menos Souji estivesse vivo, eu poderia me distrair um pouco. Se... Ele... Estivesse..."- Fico frustrado só de pensar... Eu, Saitou Hajime, e ele, Okita Souji, éramos namorados desde a formação do Roushigumi.

"Éramos..." -Meu coração apertou de tristeza. Não conseguia, e nem queria, me conformar com sua morte... Eu chorava todos os dias, todas as noites, todas as vezes que eu tocava em alguma de suas roupas, sentindo seu cheiro impregnado nestas, chamando seu nome, suplicando a todos os deuses para que devolvessem meu Souji... Maldita tuberculose, malditos rasetsus, maldito Kaoru Nagumo, maldito Bakufu, maldito Shogun, maldito destino...Roubaram a vida de meu único amor...Culpa dessa maldita gente... Quero vê-lo novamente, sentir seu caloroso abraço, seus viciantes beijos, seus gentis toques, ouvir sua doce voz... Quero tudo! Tudo o que roubaram... Tudo o que tiraram de mim! E ele era a minha vida...O ar que eu respirava...O meu tudo... DEVOLVAM O MEU SOUJI,MERDA!!! -Rangi os dentes e esmurrei uma árvore com a mão esquerda, que sangrava com o choque de minha pele com a madeira, assustando meus subordinados. Estes, fitavam-me suando frio e gaguejando,sem saber qual fora o motivo de minha raiva repentina:

—C... Capitão?A...Aconteceu algo?

—Desculpem-me... Poderiam avisar Hijikata-san que eu me atrasarei um pouco?— dei as costas, indo para a direção oposta dos outros membros de meu esquadrão,a fim de me espairecer um pouco. Não poderia retornar à base daquela forma. Era o que eu pensava, pelo bem de meus companheiros, já que não tinham culpa de nada.

—S... Sim senhor!— Então, o esquadrão inteiro batia continência e respondiam-me de pronto, voltando para o local ordenado.

Apesar de saber que nada, nem ninguém seria capaz de me consolar ou me fazer sentir melhor, um pouco que fosse, resolvi dar uma volta por aí. Andei calmamente, em passos curtos e lentos, olhava perdidamente para qualquer ponto o céu, pensando nele: meu amor, minha outra metade... Ele, que me abandonara aqui na pequena ilha de Honshu e foi embora para sempre a algum outro lugar, onde não poderia vê-lo nunca mais. Não importa o quanto nem como eu me sacrificasse para isso... "nunca mais"... Aquilo me atingiu como uma katana cravando em meu peito. Porém, doía muito mais que qualquer corte, qualquer lâmina fincada em qualquer parte de meu corpo... muito mais do que álcool sendo jogado em cima de uma queimadura... Nada se comparava ao meu amor por ele....Nada valia mais do que meu amado ruivo.

Num espasmo, lembrei-me que hoje era o dia... Aquele dia... Comprei flores na barraca mais perto de onde eu estava e apressei-me para ir ao túmulo de meu amado. Este era bem simples: não estava em cemitério algum, mas sim, em campo aberto. Nada de pavimento sobre a terra que encobria seu corpo, ou sequer uma lápide com seu nome. Apenas uma katana, estilo Tennen Risshin Ryuu fincada no solo. Envolta a ela, haviam alguns resquícios de bandagens ensanguentadas amarradas pelo próprio Souji quando anunciara a sua morte. Estas, ondulavam, acompanhando o sopro da suave brisa vespertina, que levava consigo pétalas róseas a bailar pelos ares e...

Espere... Eu disse pétalas róseas? Para a minha surpresa, a árvore de sakuras, que não florescia há pelo menos cinco anos, enfeitava o local, mostrando-se mais bela e imponente do que nunca. Costumava, sim, vir sozinho de tempos em tempos depois do dia de sua morte. Porém, hoje, em especial, Tudo naquele lugar parecia bem mais vívido...

Era como aquela tarde que me declarei a ele: as mesmas flores, o mesmo jardim, a mesma brisa, o mesmo luzir do sol. Contudo, naquele dia, eu estava feliz, pois Souji havia dito que me amava e isso foi tudo para mim. Senti-me o homem mais feliz do universo... Entretanto, hoje não estou, já que tenho apenas um túmulo diante de minha presença ao invés de meu amado ruivo em meus braços a beijar meus lábios,docemente.

Eu fitava distraidamente,com o olhar vazio e mórbido,a katana que Souji guardava com tanto carinho, por ser um presente do nosso falecido comandante, Kondou Isami. Infelizmente, fora executado injustamente pelo clã Aizu, por ter sido considerado culpado em falhar em algo, que nem eu entendi. Enfim.... isso, aconteceu poucos dias antes de Souji ser assassinado pelos rasetsus criados pelo Bakufu. Ou melhor, pelo pai de Yukimura Chizuru. Um comerciante chamado Yukimura Koudou. Ambos os fatos, certamente, me deixaram irritado. Por quê? Kondou-san nunca trairia o Shogun,já que desde pequeno almejava ser um grande samurai que faria parte da elite, o que realmente aconteceu, depois de muito esforço dele e Hijikata-san . Nosso capitão não era um canalha qualquer que traía os outros de uma hora para outra, sem nenhuma explicação para ambos os lados. Infelizmente, essa foi a maneira como todos do Aizu o acusavam.

E a minha frustração só aumentou quando meu grande amor, Souji, se foi. Ou melhor, foi assassinado por rasetsus que haviam recebido ordens para matar nosso vice-capitão, Hijikata Toshizou... Essa foi a gota d'água para conseguir conter toda a minha fúria. Eu o amava muito... Desde a formação do Shinsengumi... Ou melhor, do Roushigumi. Descobri esse sentimento durante um de nossos treinamentos no Shieikan. É mais fácil dizer que foi um amor à primeira vista. Depois que saí de um local de treinamento, fiquei vagando pelas ruas das cidades, pois fui acusado de assassinar outro samurai, vivendo como um roushi (samurai errante). Naquela época, estava livre, sem nenhum senhor para servir e resolvi entrar em um dojo que estivesse com falta de alunos. Entretanto, foi mais difícil que imaginei. Todos os orientadores estavam recusando a minha entrada por ser canhoto, com o argumento de que a posição correta para empunhar uma katana era segurar a bainha com a mão direita e apoiar com a esquerda.

Assim, em uma de minha viagens, fiquei sabendo sobre um dojo chamado Shieikan e resolvi me inscrever . Lá, entrei, deparei-me com Souji, Harada e Nagakura e foi durante a minha primeira luta que eu me apaixonei por ele. É... Eu sei que é estranho, mas foi assim mesmo.

Depois de me apegar ao seu estilo de luta, rude porém ousado, fui me apaixonando por tudo que ele tinha e fazia. Quanto mais eu observava seu jeito seco, ríspido, sarcástico, arrogante, suas brincadeiras que não tinham a mínima graça ou que seria um humor negro. Mas eu tinha vontade de tê-lo para mim, que fosse somente meu. Tanto que, simplesmente, era a minha inspiração para todos os poemas que eu compunha. É...Ninguém acredita que eu componho poemas. Aprendi com o nosso vice-comandante e..... bom.... Isso não vem ao caso agora.

Entretanto, não li nenhuma delas para meu amado. Nem uma única vez. Motivo? Não queria ser odiado pela pessoa que mais amava no mundo. Não suportaria nem um segundo se o perdesse. Ou melhor... Não consigo suportar... Até hoje... Tampouco sei como estou vivo ainda... Enfim... Observava-o sempre: seus treinos com outros integrantes do grupo do primeiro esquadrão e seus subordinados, sua empolgação ao sair para patrulhar os arredores de Kyoto, tanto comigo como outros capitães, suas brincadeiras diárias, seu sorriso resplandecente, seu jeito de se expressar, de ser, de falar e de agir... Tudo me encantava... Tudo era perfeito...Simplesmente perfeito para mim.

Percebendo que não aguentava mais, que precisava tê-lo o mais rápido possível, custe o que custar,antes que roubassem-no de mim, respirei fundo e criei coragem para me declarar a ele, dizendo que precisávamos ter uma conversa em particular. Sim... Aqui, neste lugar... Trouxe-o para cá, onde fora nosso Alfa e nosso Ômega, ou seja, nosso começo e fim... Obviamente, o primeiro momento foi o melhor que me ocorreu em toda a minha vida, pois ouvi o primeiro eu te amo ser pronunciado pelos lábios finos e sensuais de meu amado... Ahn... Na verdade, eu iniciei nossa conversa, declarando meu amor por ele, dizendo tudo que eu sentia e o que me sufocava até o momento. E... Ele me pareceu chocado depois de ouvir minhas palavras. Confesso que me chateei um pouco, mas nada falei a respeito e mantive minha postura e a feição fria e indiferente que todos os membros do Shinsengumi conheciam:

—Ah! O que eu estou falando? Esqueça...— balbuciei, desviando meu olhar, enquanto deixava algumas lágrimas escorrerem pelo meu rosto de pele alva. Achei que tivesse ficado enojado de minha pessoa. Girei o pé para retirar-me de sua frente, porém, para a minha surpresa, ele me abraçou por trás, fazendo-me corar mais que os cabelos de Souji. Meu coração acelerou em poucos segundos. Arrepiei-me,quando sua língua travessa procurou brincar com o lóbulo de minha orelha, traçando uma trilha de saliva até o meu pescoço. Assim, sussurrava manhosamente, com um sorriso malicioso claramente estampado em seus lábios:

—Fale de novo, Hajime-kun...

—O... O que? – fiz-me de desentendido,o que ,pelo jeito,não adiantara muito,pois Souji ainda me fitava da mesma maneira,com seus olhos esmeraldas

—O que acabou de dizer...— ele retrucou, segurando minhas mãos e entrelaçando nossos dedos. Ah... Como eu queria que o tempo parasse, apenas para ficar junto dele, assim, para sempre e continuar sentindo aquele calor aquecer meu corpo... Sem hesitar, repeti:

—Eu te amo, Souji...

—Eu também, Hajime-kun...

Como eu disse, aquele foi o melhor dia da minha vida e, desde então, passei a dormir todas as noites com ele, fazendo amor frequentemente. Umas vezes, de um jeito quente e outras de uns e outros jeitos "criativos" se é que me entendem... Um mais criativo que o outro,que até eu me surpreendia um pouco com tamanha ousadia que Souji nunca mostrara perante a ninguém do Shinsengumi,somente a mim. Já me sentia importante com aquele fato... Ele me enlouquecia a cada toque, aumentando meus desejos mais profundos de querer ficar mais e mais tempo ao seu lado. Eu simplesmente o amava e passei a amá-lo cada vez mais, conforme os dias iam passando. É... Um pouco de tudo aconteceu nos dias em que estávamos juntos... Festejamos em nossas alegrias, nos consolamos em nossas tristezas, nos ajudamos em nossas dúvidas e problemas,sejam sobre o grupo ou pessoais...Pensei que tudo estava bem entre nós...Digo, entre nós estava tudo bem, mas com ele...Até que um dia, Souji começou a tossir. Achei que tivesse pegado uma gripe, ou talvez, um resfriado. Então, de tarde, após sua patrulha diária, sempre levava chá verde ou de ervas para ele tomar, envolvendo-o com meu cachecol para aquecer sua garganta e o abraçava. No entanto, não importava o quanto eu cuidasse de sua saúde Souji nunca melhorava... sempre estava mais gelado que o normal. No entanto, ele sempre sorria de um jeito extremamente angelical e me dizia calmamente:

—Você é tão gentil comigo, Hajime-kun. Eu te amo.

De fato, eu ficava muito feliz em saber que Souji me amava, mas, de certa forma, eu sabia que estava escondendo algo, o que não foi nada agradável para mim... Vou contar. Depois de lavar meu uniforme e do exame, eu vi Souji conversando com Yukimura, que pelo jeito viu o meu namorado tossir sangue e comentou que estava com tuberculose. Entretanto, a fez prometer que não contaria para ninguém. Fiquei chocado e fui correndo ao encontro do médico que nos examinou fazia poucos dias.. Ahn,se eu não me engano,chamava-se Matsumoto... Isso! Matsumoto Ryoujun, que veio de Edo, o mesmo local que Yukimura, especialmente para examinar os membros do Shinsengumi a mando de Kondou-san. Rezava de todos os jeitos que aprendi, para que tudo aquilo fosse mentira, em vão. Ele estava mesmo com aquela maldita doença incurável e eu percebi, porque Souji começara a tossir sangue no meio da noite e ter febre alta com muita frequência. Ele nem dormia direito por causa disso. Procurava manter sempre um balde de água fria e vários panos para colocar em sua testa, a fim de amenizar sua febre. Sinceramente, esses tempos foram um dos mais dolorosos de minha vida. Fazia de tudo para Souji melhorar, mas ele não melhorava, o que era desesperador para mim. Não fazia a mínima ideia do que eu poderia fazer por ele, pois tudo o que eu tentava, de nada adiantava...Assim, a doença se agravou quando Kondou-san entregara-se ao clã Aizu e foi executado. Aquele estado deplorável do meu amado, realmente me preocupou: ficou dias sem comer, trancado em nosso quarto, enquanto mirava fixamente para um ponto qualquer do teto com aquele olhos vazios e sem vida. Ele já estava muito magro, pálido e aparentemente fraco. O choque foi grande para Souji, que recebeu tamanho cuidado e carinho de nosso capitão. Sim, foi ele que o acolheu quando seus pais foram assassinados por samurais mal-intencionados e sua irmã, Mitsuru, o levou até o Shieikan. Ele tinha apenas nove anos de idade, no dia do incidente e, no dojo, os demais alunos agrediam-no coma desculpa que estavam treinando. A prova de toda essa agressividade eram as cicatrizes que restaram em seu corpo. Descobri isso nas noites que fazíamos amor... Mas, sério... Até hoje me irrito. Não importa quantas vezes eu ouça essa mesma história, nunca me agradou saber que ele, o MEU Souji sofreu daquele jeito quando era criança....Deixando isso de lado,eu estava falando da recém-descoberta da doença de Souji, o que me preocupara muito, como já havia dito. Queria ajudá-lo de algum jeito, mas ele sempre se recusara a tomar remédio, água, não comia absolutamente nada. Nem os dangos que tanto adorava.

—Souji...— entrei em nosso quarto com uma bandeja de bolinhos de arroz, chá verde e uma sopa de legumes, deixando-a num canto qualquer e sentei-me ao lado de nossa cama,alisando a pele de seu rosto,gentilmente.- Alimente-se um pouco, por favor...

—Não quero Hajime... — ele reclamou, enterrando seu rosto no travesseiro de plumas. — Estou sem fome...

—Souji...—tirei o travesseiro de suas mãos e o abracei por trás- não suporto vê-lo assim e tenho certeza que Kondou-san também ficaria triste se soubesse que está sofrendo e não está comendo...

—Mas o Kondou-san foi morto!—Souji socou o tatami,sobre o qual estávamos deitados- Como você consegue ficar tão calmo e...

—Eu pareço calmo?— o interrompi, fitando-o seriamente- ninguém do Shinsengumi está calmo, Souji. Nosso capitão foi morto, mas não é o desejo dele que procuremos vingança. Dentre nós, você é quem mais sabe disso, não é?

Ele arregalou os olhos, virando-se para mim e fitou-me com aquelas esmeraldas marejadas, acabando por desabar-se em prantos em meus braços. Estava vulnerável. Parecia que poderia quebrar a qualquer momento,a um simples e leve toque que lhe fosse dado. Soluçava, chorando e pronunciando desesperadamente o nome de nosso capitão. Perguntava "por que isso tinha que acontecer?" e "por que se entregou para cumprir uma sentença de morte, que não tinha nada a ver com ele?."

Alisava gentilmente seus cabelos rubros, apenas observando-o. Realmente, não sabia como podia ajudá-lo naquelas condições. A única maneira que encontrei, foi ficar ao seu lado, até ele se sentir melhor...

—Souji... Eu estou aqui... Não chore,por favor...

—Hajime-kun...

Suas lágrimas mornas molhavam aos poucos a manga de meu hakama, mas nada falei. Apenas fiquei ali, alisando seus fios de cabelos, suas costas, seu rosto, até meu namorado adormecer. Aquela foi a última tarde que o tive, vivo, em meus braços, pois o cruel destino tomou-o de mim.

Algumas horas depois,durante a noite, quando o 1º e 3º esquadrões haviam sido escalados para patrulhar a cidade de Kyoto, mas Souji, como capitão, recusou-se fazê-la comigo. Eu perguntei tanto, que até havia perdido a conta de tantas vezes havia o interrogado,não obtendo uma resposta convincente, até o fim. Ele apenas me olhava e fazia sinais negativos com a cabeça. Fiquei super chateado...Muito magoado mesmo, acabando por responder friamente:

—Faça como quiser...— fiz um sinal para o pessoal do meu esquadrão, a fim de avisar que estavam dispensados.Virei-me, pronto para me retirar, quando ouvi-o me chamar

—Hajime-kun...— ele me parou, segurando a manga de meu hakama

—O que?— eu o fitei por cima de meu ombro, com o canto dos olhos.

—Leia isso quando puder, sim?— em seguida, me deu um intenso e demorado beijo, o qual não hesitei em corresponder e retribuir. Senti-o colocar a mão em meu bolso, cessando aos poucos e afastávamos nossos lábios e nos despedimos.

Por um momento, tive a impressão de ter visto uma lágrima escorrer pela sua triste expressão ao fitar-me, antes de sair de nossa base. Para ser sincero, não tinha entendido o motivo de ter se comportado de uma forma tão diferente...Enquanto esperava-o voltar, fiquei sentado em uma escada. Aquela cena ainda me perturbava o tempo todo. Não saia da minha cabeça de jeito nenhum. Suspirei e caminhei até o jardim em frente ao quarto do capitão da 10ªdivisão, Harada Sanosuke. Este possuía pequenas plantas rasteiras, arbustivas e gramíneas espalhadas por toda a extensão daquele médio território. Flores coloridas das mais variadas espécies, predominando as rosas silvestres e as sakuras,que geralmente combinava com a noite que aquele cenário nos propiciava. Entretanto, hoje não estava como o costume: ela não estava tão bela. Pelo contrário, parecia mais sinistra e obscura. Não pude ver muitas estrelas. A única que pude ver, despencara do céu. Era a que Souji apontava todas as vezes que estávamos juntos. Ele adorava me ensinar sobre as constelações, apontando e dizendo o nome de todas. Se não me engano,chamava-se Ômega de Centauro: A estrela que dava sinal de um fim, quando "caísse". Só não se sabia qual poderia ser tal fato.

Nesse instante, lembrei-me dele ter dito algo como ler isso quando puder.. Levei minha mão destra ao bolso de meu uniforme e encontrei um pedaço de papel dobrado em quatro. Curioso, abri-o e comecei a ler:

"Hajime-kun,

Feliz dia dos namorados, hehe!

Você nem deve ter se tocado, como sempre, né?

Entretanto, eu nunca esqueço e sabe por quê?

Porque foi o dia que começamos nosso relacionamento

Eu te amo (Sei que sou chato e vivo repetindo isso, mas é de coração)... Amo mais do que tudo nesse mundo. Seu jeito sério e frio, porém gentil, me encanta.

Seu sorriso vale mais que diamante, seus olhos mais do que safiras... Os beijos, os abraços, a forma que me trata, seu amor, seu carinho... Enfim, tudo em você é simplesmente perfeito.

Mas, sabe... Chegou a hora... Sinto muito...

Sei que prometi e cumprirei essa promessa: vivo ou morto, estarei eternamente ao seu lado e, um dia, nos encontraremos novamente.

Não fique triste... Isso não é um adeus. E sim, um até breve.

Siga em frente com sua vida e aproveite o máximo dela, como se cada segundo fosse o seu último. Continue sendo o mesmo Hajime que amei e ainda amo. A pessoa especial que é. Não apenas para mim, mas para todo o Shinsengumi

Caso sinta a minha falta, vá àquele local, onde nos declaramos que, com certeza, estarei te esperando.

Ah, mais uma coisa: tem um presente dentro dessa caixinha. Infelizmente, é a última que posso dar-te... Espero que goste.

Obs.: já estou com o meu

Com amor

Okita Souji"

"Caixa?" — Pensei e procurei a tal caixa em meu bolso, encontrando-a. Ela era feita de camurça na cor azul. A minha favorita. Nesta, qual continha um anel prateado, gravado o nome do meu ruivo no interior do aro e, na tampa da caixinha havia outro pequeno pedaço de papel escrito à tinta preta: demorou, mas chegou! Assim, estaremos juntos para sempre

—Souji...— murmurei e saí correndo o mais rápido que pude, à sua procura. Desesperado, tive que conter as lágrimas. Apenas queria que ele estivesse bem, mas estava ciente de que nada poderia me garantir isso.

Pela primeira vez, fiquei com medo... Medo de perdê-lo para sempre...Por que fui pensar nisso? Eu e minha maldita boca... Cheguei ao centro de Kyoto, abismado com o que via: vários corpos de rasetsus e membros do primeiro esquadrão mortos, caídos e espalhados pelas ruas da cidades. Em meio à carnificina, ao mar vermelho horrendo, ainda buscava-o:

—SOUJI!!? SOUJI!!! ONDE ESTÁ, SOUJI???—berrava seu nome, até ouvir um baixo murmúrio, proferindo meu. Virei-me para ir ao seu encontro. Como o ambiente estava escuro, resolvi me aproximar. Notei que ele se encontrava sentado, porém, fiquei atônito ao ver o seu estado:deparei-me com meu amado recostado numa parede tão ensanguentada quanto seu corpo e uma espada fincada em seu abdômen. Já havia perdido muito sangue. Esforçava-se para manter seus olhos abertos, enquanto tentava falar comigo,na forma de rasetsu. Seus cabelos, antes ruivos, estavam brancos e suas belas íris esverdeadas pareciam sedentos de sangue... Brilhavam em um intenso tom escarlate, que realçam a sua pele alva, contrastando com a paisagem noturna.

Cheguei perto de meu amado, percebendo que havia gastado suas últimas energias para proteger o Shinsengumi de um ataque, em segredo, o qual Hijikata-san nem tinha previsto:

—Souji! Aguente firme! Não me deixe, por favor...- Abracei-o com todas as minhas forças, enquanto suplicava, não aguentando mais conter as lágrimas

—Hajime-kun...Desculpe...Não vou conseguir...-ele tossia um pouco de sangue que manchava meu hakama. Porém,nem liguei.

—Mas você disse que estaríamos juntos! para sempre, lembra???-minhas lágrimas já desciam,escorriam sem cessar,meu desespero somente aumentava junto com a minha frustração

—Sim...Eu me lembro...

—Pretende quebrar a sua promessa e me abandonar?

—Não quebrarei a nossa promessa...Estarei para sempre ao seu lado...Hajime-kun...-ele sorriu, antes de dar um longo e pausado suspiro. Ao mesmo tempo, sentia seu calor e sua vivacidade esvaírem aos poucos. Não obstante, ele manteve um gentil sorriso voltado para mim, levando sua mão a acariciar minha face.

Nesse instante, pude ver que usava um anel idêntico ao meu, em seu dedo anelar direito. Assim, sussurrava suas últimas palavras,antes de cerrar os olhos desculpe,Hajime-kun...Eu te amo... e seu braço perdeu a firmeza, caindo sobre o meu colo. Estava morto. Sem conter a dor que transbordava de meu interior, acabava por desabar em lágrimas, sob a chuva fria e tão gélida quanto o corpo de Souji, naquela noite. Sofri por horas e horas antes de tomar coragem de enterrar seu corpo. Nunca pude esquecer tal sensação... A dolorosa sensação de perder alguém amado... Parecia que metade de meu coração havia sido arrancado violentamente de meu peito.

Enterrei-o debaixo das cerejeiras, fincando a katana no solo, criando um túmulo em sua homenagem, nessa mesma noite. Para dizer a verdade, nunca chorei tanto na minha vida, como no dia em que o perdi...

Hoje, completava um ano desde sua morte... Um ano de solidão...Cheguei com um pequeno buquê de crisântemos, deixando-o sobre a terra, onde jazia o corpo do Capitão da primeira divisão e meu único e eterno amor.

—Souji...demorei,mas cheguei como o prometido. Feliz dia dos namorados... —Não consegui sorrir. Por mais que a tarde estivesse ensolarada, que as adoráveis borboletas pairassem animadamente os ares, que os pássaros cantassem ao meu redor, que o ambiente estivesse alegre, nada mudaria ou encobriria meus sentimentos... Nada me animaria, uma vez que meu amado ruivo já não estava mais ao meu lado. Apenas ficava a fitar fixamente o solo, desde que eu cheguei, onde eu havia escrito seu nome e o dia que faleceu.

Agachei-me, passando uma de minhas mãos sobre a gravura, como se alisasse a pele macia e alva da feição andrógina de Souji. Algo me dizia que ele se fazia presente e comecei a murmurar:

—Sabe... Enquanto vinha para cá, todas as nossas lembranças passaram pela minha cabeça. Desde o dia que entrei no Shieikan até um ano atrás.Mas...-Uma suave brisa foi soprada e a luz do sol intensificava. De um jeito ou de outro, parecia que podia me escutar e sorria, como sempre. Assim, continuei—Você sabia que isso iria acontecer? Por isso, não quis minha companhia e escreveu aquela carta? – minhas lágrimas insistiam em sair durante meu questionamento.

O vento continuou a soprar, como se afagasse meus cabelos azulados e algo parecia me envolver. Algo...? Não... Alguém... Era tão quente... Tão carinhoso... Tão gentil quanto o abraço de Souji...Tinha certeza...Era a mesma sensação de estar junto com ele.Tudo o que pude fazer, foi cerrar os olhos e levar ambas as mãos a esconder meu rosto,não querendo que ninguém me visse. Não daquele jeito, fragilizado...Caia de joelhos diante da katana de meu amado,murmurando:

—Quero te ver... Quero te abraçar, te beijar... Quero tê-lo novamente em meus braços... Mas por que Souji? Por que não me levou junto? Se fosse para você morrer, queria que fosse ao meu lado!— gritei enquanto debruçava-me aos poucos sobre o túmulo.

Aquilo era crueldade... extrenamente torturante... Viver contigo era uma necessidade, mas agora, vivo mergulhado na desesperança, pois sei que não vai mais voltar . Estou cansado, farto de sobreviver lutas mesmo sem tentar, cheio de nós na garganta, por não poder deixar de pensar em ti... Pouco a pouco meu coração vai perdendo forças e vontade de existir em um mundo onde já não está. Só você, mais ninguém era capaz de me salvar desse vazio, dessa escuridão e desse frio ...Meu coração dói... Dói tanto que parecia sangrar e não querer parar, nem cicatrizar. Mas está bem assim, pois poderei me lembrar de meu primeiro amor com esta ferida que o meu Souji, minha vida, minha outra metade tinha deixado... Ele havia ido a outro mundo sem mim... Tinha tanta coisa para te falar, tanta coisa planejei para fazermos juntos, com tanta coisa pensei em presentear-te, que uma vida inteira não daria conta... Certamente não... :

—Lembra-se da primeira vez que viemos aqui, Souji? O que mais me marcou, foi a primeira vez que vi seu sorriso. Mas não era aquele sorriso amarelo ou o sorriso sarcástico que sempre costumava ver, e sim, um sincero que demonstrava um grande afeto. Confesso que fiquei um pouco sem jeito, porque era encantador. Também, foi aqui que demos o nosso primeiro beijo e... Sabe... Naquele dia, eu queria falar sobre meus poemas inspirados em você, mas nunca tive coragem de lê-los. Eu escrevia todos os dias... –enrubescia cabisbaixo— Sei que agora é tarde... Contudo, gostaria de recitar, ao menos este... Espero que não se importe...— respirei fundo e comecei:

você de âmbar

Nas minhas lembranças

És tão gentil

Na floresta, só nós dois.

Quando sorrio, você me atende.

E aponta quando há estrelas cadentes

Não pude sequer te dizer adeus

Critique-me e não me perdoe

Deixe uma dor intensa

A ponto de entristecer meus sonhos,

Meu amanhecer, minha vida.

Faça chover todos os dias

Quando penso em você

Minhas lágrimas não se contêm

E me fazem tremer

Pois as correntes que nos uniam

Afundaram-se no extenso mar

E já... Não hão de voltar

Meu coração se estilhaçou

Como vidro sendo martelado

E, assim, a minha vida ruiu.

Sinto-me triste e sozinho

Mergulhado numa intensa escuridão



Sinto um vazio que dói demais

Nada faz sentido se não está comigo

Pois sou aquele que desaprendeu a sorrir

Sem você ao meu lado

Meu eterno amor, minha vida,

Minha outra metade, meu Souji...

Sinto sua falta... Amo-te muito..."



Ao terminar de ler, senti novamente algo caloroso me abraçar e uma gota de água pingar abaixo de meu olho esquerdo. Logo, ergui meu rosto e começou a chover, mesmo com Sol e pude ver um lindo arco-íris. Ao mesmo tempo, uma brisa passou perto de meus fios de cabelo e ouvi a doce voz de Souji, assim que uma pétala de sakura roçou em minha bochecha:

—Arigatou,Hajime-kun... Aishiteru,zutto...Em troca,cantarei aquela música...



—Souji...—deitei-me ao lado do sepulcro e fiquei assim por um bom tempo,enquanto as lágrimas escorrendo, sem cessar, pelo meu rosto,assim como as pétalas que flutuam ao vento.

No momento, eu quero ficar sozinho neste lugar, o qual admirávamos, enquanto estávamos juntos.Sim...Tenho medo de perder nossas lembranças e isso me fez fechar meu coração a outras pessoas. Se bem que, não importa quantas vezes eu tente nunca me esquecerei de você... Sempre desejei protegê-lo, mesmo que tal ato me ferisse, pois queria estar contigo, mais do que qualquer um. O calor de seu abraço ainda permanece em meu corpo. Nada o fará deixar de existir em minhas memórias. Não importa quantas estações passem,continuarei amando-o: a todo o momento, todos os dias e tem tudo, mesmo que não me expresse em palavras. Você sempre será meu lugar, minha pessoa especial... Se me concedesse um desejo, eu pediria para que meu tempo parasse no momento de nosso primeiro beijo.Por que não parou? Agora, isso tudo não passa de memória... Lembranças as quais me recuso olvidar... Vou carrega-las para sempre. Elas, nosso maior tesouro... Que pertence somente a nós dois.

Assim, uma leve brisa foi soprada, acompanhada por uma doce melodia....Como se fosse a doce voz de meu amado ruivo que ecoava por todo o campo e era levado pelos ventos. A suave garoa que gotejava sobre meu corpo encolhido. Assim, eu acompanhava a música, cantando junto não sei quantas vezes até cair no sono.

Que se danassem as doenças, a friagem,a sujeira ou que raios dos infernos fosse acontecer comigo por estar deitado daquele jeito sobre o solo. O que eu queria mesmo, era sentir novamente a sensação de estar nos braços de meu ruivo. Era como se eu voltasse no tempo e tivesse Souji cantando "Winter Blossom" numa noite fria de inverno, deitado e envolvendo meu corpo com o seu, carinhosamente, enquanto eu adormecia calma e lentamente. ....

"E no fim, não quero que chore

Sorria

Nunca esquecerei de tudo que passamos

Eu continuarei vivendo em seu coração

Obrigado por me amar...

Bye, bye, my dear....."

Notas finais
Eu chorei fazendo essa fic Ç^Ç espero que tenham gostado,assim como foi a primeira vez que fiz uma fic em primeira pessoa,foi meio complicado,mas...tá ai xDDDDD
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!