Killing Me Softly

1 Killing me soflty


Notas iniciais
Essa fic não tem relação com as outras que eu escrevi e só o fiz porque parecia legal *no momento que ouvi a música*. Eu acho que isso não se relacionar com coisa alguma, é só diversão, então pode ler! *sorriso felizão idiota da autora*
FIC CURTA E DESPRETENCIOSA!

Kyo entrou num bar. Nunca tinha estado lá antes. Alguém tinha comentado dele uma vez, provavelmente. Próxima a porta do bar havia uma placa. “Música ao vivo aos sábados”.

- Ai, nossa! Nem acredito! Música ao vivo. Odeio isso, mas tudo bem, hoje não é sábado. – entrou. Sentou-se no bar e pediu um caneco enorme de cerveja.

O bar era movimentado, mas nada com exagero. As pessoas sentadas às mesas, conversando animadamente. Kyo tinha chegado antes do horário combinado com os rapazes. Shingo, Benimaru, Terry, Andy e uns amigos seus. Segundo Benimaru que armara tudo, o lugar tinha bons bofes e umas minas descentes. Para Terry o que importava era a bebida, de acordo com ele, a cerveja era uma das mais geladas da cidade. Kyo pode comprová-lo ao beber a sua.

- Aaaaaah! Delícia! Graças aos egípcios! – o barman o encarou simpático. – Cara, realmente a cerveja daqui é gelada. Putz! Boa mesmo!

Um sorriso cortês no rosto do barman: — Obrigado, senhor. Está esperando alguém? Gostaria de algo para comer?

- E o barman é educado? Puta, virei freguês! – bebeu o restante do caneco duma vez só.

- Obrigado. – disse o barman. – Mais um senhor?

- Sim, sim! Eu vou esperar meus amigos. Não sei quantos virão então nem vou ficar numa mesa, até porque é deprimente beber sozinho numa mesa grande. – riu.

- Como achar melhor. – trouxe outro caneco grande de cerveja.

Kyo observou o palco. Alguém estava arrumando um amplificador e a iluminação.

- Vai rolar show? Mas hoje é sexta-feira! A placa lá fora ‘tá escrito que show ao vivo só no sábado. – ele falou apressado com o barman. Show ao vivo é um saco.

- Ah, sim... Sim! O show da banda é amanhã. Mas a pessoa que vai se apresentar hoje dará uma palinha a pedido de uns amigos dele que aqui estão. O rapaz é integrante da banda que toca aqui todos os sábados. Você vai gostar, tenho certeza. – disse o barman.

- Caramba! Onde eu fui amarrar meu jegue? – deu um muxoxo de desinteresse.

No palco tudo parecia posicionado em seu lugar. Um homem alto, vestindo um jeans justo, uma regata preta colada ao corpo e um boot preto pesado andou calmamente até o banco instalado no centro do palco. A luz era fraca, percebia-se apenas a silhueta. Ele sentou e alguém entrou no palco muito aplaudido. Era o dono do bar.

- Boa noite a todos. Espero que estejam se divertindo. Como todos sabem amanhã teremos um show em nossa casa. – muitos aplausos, pelo jeito a banda era querida pelos freqüentadores.

O dono do bar pediu gestualmente que cessassem as palmas. Ele continuou:

- Hoje teremos a apresentação de uma pessoa muito especial, um dos integrantes da banda. Por favor, palmas para nosso querido... — As luzes acenderam encima do homem sentado. Kyo e o dono do bar disseram juntos:

- IORI YAGAMI! – palmas entusiasmadas foram ouvidas.

- Caralho, mas que porra o Iori ‘tá fazendo no palco? – os olhos de Kyo pareciam saltar das órbitas oculares.

O barman estranhou a reação: — O senhor o conhece? – Kyo fez que sim com a cabeça. Estava atordoado.

- O senhor Yagami é querido pelos freqüentadores do bar e amigo do dono. A banda dele toca aqui nos sábados. Faz um tremendo sucesso. Eu ouvi dizer que ele é lutador. – o barman falava entusiasmado, era um dos admiradores do trabalho de Yagami.

- Macacos me mordam. Eu não creio nos meus olhos. – Kyo esfregou-os mais sabia que não se enganava. Era Iori o barman confirmou, foi o que o dono do bar disse.

Iori ajeitou-se melhor no banco. Pegou um violão preto, muito bonito. Cumprimentou a platéia:

- Boa noite a todos. Quero agradecer a oportunidade de tocar hoje pra vocês. Eu me sinto contente com o convite. Eu não queria aceitá-lo. Vocês podem não acreditar, mas sou uma pessoa tímida. – ele sorriu rápido. Quase se podia ouvir os suspiros apaixonados das mulheres.

- Bem, eu não curto palco sozinho. Mas, fui colocado nessa enrascada pelo Henry, o dono do bar. Valeu, Henry, depois eu te pego lá fora. – a voz grave e a risada baixa ecoaram pelo bar.

Uma mulher mais assanhada gritou: — Me pega também. – e uma explosão de risadas tomou o recinto.

Kyo observava tudo incrédulo. Yagami sendo simpático com as pessoas. E ele cantava. Ainda bem que ele estava ali para ver isso. Iori sorriu por conta da brincadeira.

- Bem, então vamos lá. A música que vou cantar agora é famosa, obviamente não é minha, mas eu dei uma nova versão. Chama-se “Killing me softly”. Obrigado.

Os primeiros acordes do violão encheram o ambiente. Kyo sentiu-se estranho. Num instante a voz de Iori soou no microfone.

Strumming my pain with his fingers

Dedilhando minha dor com seus dedos

Singing my life with his words

Cantando minha vida com suas palavras

Killing me softy with his song

Matando-me suavemente com sua canção

Killing me softy with his song

Matando-me suavemente com sua canção

Telling my whole life with his words

Contando minha vida com suas palavras

Killing me softy with his song

Matando-me suavemente com sua canção

O som baixo e menos grave da voz de Iori quando cantava, tocou Kyo de uma forma desconcertante. A letra da música era bonita. Mas, por algum motivo, ele se sentia como a “personagem” da música.

O modo como Iori cantava sua voz profunda, os acordes tranqüilos do violão e um sentimento genuíno de identificação com o cantor e a música. Kyo bebeu toda a cerveja quase de uma vez.

I heard he sang a good song

Eu ouvi dizer que ele cantava muito bem

I heard he had a style

Eu ouvi dizer que ele tinha um estilo

And so I came to see him

E então eu vim vê-lo

And listen for a while

E ouvi-lo um pouco

Kyo sabia que não tinha ido lá ouvir Iori, é verdade, mas, se tivesse ido, não se arrependeria. O ruivo tinha um jeito sedutor de cantar. Alguma coisa nele fazia com que prestasse atenção.

And there he was this young boy

E lá estava um completo estranho

A stranger to my eyes

Um estranho aos meus olhos

Kyo não conhecia aquele lado de Iori. Só o via como um homem forte, que sempre o provocava, o odiava e perdia para ele no campeonato. Mas, naquele momento, ele era um completo estranho. Até suas roupas eram distintas. Kusanagi não conseguia nem imaginar Iori vestindo qualquer coisa que não fosse seu “uniforme de luta”. Os braços fortes a mostra, dedilhando o violão. A perna direita sobre a esquerda para apoiar o violão. O pedestal do microfone baixo o suficiente para que Iori pudesse cantar nele sentado. A voz límpida, afinada, forte e encantadora.

Strumming my pain with his fingers

Dedilhando minha dor com seus dedos

Singing my life with his words

Cantando minha vida com suas palavras

Killing me softy with his song

Matando-me suavemente com sua canção

Killing me softy with his song

Matando-me suavemente com sua canção

Telling my whole life with his words

Contando minha vida com suas palavras

Killing me softy with his song

Matando-me suavemente com sua canção

Kyo sentiu o peito apertar. O coração bateu mais forte. Era como se Iori falasse com ele através daquela música. Não era o tipo que aparentemente o ruivo cantaria, mas o arranjo menos romântico da música que Iori fez, fazia o corpo de Kusanagi mover-se involuntariamente. A voz o envolvia. Ele queria mais uma cerveja, mas não se atreveu a tirar os olhos do palco, a luz parecia só enxergar Iori. Todos se concentravam nele que de olhos fechados continuava cantando.

I felt all flushed with fever

Eu senti calafrios de febre

Embarrassed by the crowd

E senti vergonha do público

I felt he found my letters

Eu senti como se ele tivesse encontrado minhas cartas

And read each one out loud

E lido cada uma em voz alta

I prayed that he would finish

Eu rezei para que ele parasse

But he just kept right on

Mas ele continuou

Os olhos de Iori abriram-se. Brilhavam com tons de passado. Ele parecia pensar em alguém enquanto cantava. Deve ser alguma namorada, ponderou o moreno. Havia tanto sentimento, tanta... Dor, em seus olhos. Parecia que Iori cantava sobre si mesmo, na frente de todas aquelas pessoas, sobre um amor que nascera num lugar como aquele. Onde uma pessoa solitária resolveu ir para beber algo e ouvir boa música.

He sang as if he knew me

Ele cantou como se me conhecesse

In all my darkness fair

Em meu completo desespero

And then he looked right through me

Então ele olhou através de mim

As if I wasn’t there

Como se eu não estivesse lá

And he just kept on singing

E ele continuou cantando

Singing clear and strong

Cantando alto e claro

Por algum motivo, Kyo identificou-se com Iori. Parte de sua vida tinha sido tragada pelas obrigações com a família e ele não tinha tempo para si, quanto mais para outras pessoas. Costumava escrever sobre sua vida e uns poemas ou coisa que o valha em uma espécie de diário. Aquele sentimento nostálgico o incomodou. Ele queria sair dali, queria ir embora, mas não conseguia. Como a pessoa da letra da música, sentia-se como se Iori dedilhasse no violão sua dor, seus sentimentos mais secretos.

Strumming my pain with his fingers

Dedilhando minha dor com seus dedos

Singing my life with his words

Cantando minha vida com suas palavras

Killing me softy with his song

Matando-me suavemente com sua canção

Killing me softy with his song

Matando-me suavemente com sua canção

Telling my whole life with his words

Contando minha vida com suas palavras

Killing me softy with his song

Matando-me suavemente com sua canção

As noites em claro, as dores dos treinamentos intensos desde a infância. A lembrança do ódio de Iori. A primeira vez que o viu, que se enfrentaram. Yagami também devia se sentir sozinho. Crescera sem a mãe. Envolto num ódio ancestral que não se justificava. Sentiu-se tão próximo de seu rival como nunca imaginara.

He was strumming my pain

Ele dedilhava minha dor.

Yeah, he was singing my life

Sim, ele cantava minha vida.

Killing me softy with his song

Matando-me suavemente com sua canção

Telling my whole life with his words

Contando minha vida inteira com suas palavras

Killing me softy with his song

Matando-me suavemente com sua canção

Kyo fechou os olhos. A dor no peito aumentou. Diabos! Não era pra estar se sentindo daquele modo. Maldita hora que tinha ido ao bar. Não! Não! Tinha sido bom ir até lá, precisava lembrar que se era alguém agora, se podia ter amigos e viver do modo que preferia, não podia se esquecer de tudo que o tornou quem era. Abriu um sorriso triste nos lábios. Iori tinha terminado de cantar. Parecia que o ruivo olhava em sua direção. Não podia ter certeza, nunca teria. Saiu do bar depois de deixar mais do que o necessário para pagar a conta sobre o balcão.

***

Ouviu o celular tocar.

- Kyo, onde diabos você está? Estamos te esperando há quase uma hora. Você disse que viria! – Benimaru ralhava com o moreno.

- Ah, Beni. Eu acho melhor ficar me casa. Depois a gente conversa.

- Kyo, ‘peraí! Kyo. – o loiro estava falando sozinho.

- O que houve Benimaru? O Kyo não vem? – Terry perguntou antes de virar o sexto caneco de cerveja.

- Não. Filho duma que ronca e fuça. Ele tinha jurado que viria. Não acredito! – Benimaru bufava irritado. – Ele vai ver só, quando precisar de mim vou deixá-lo na mão.

- Vai nada, loirinho! Todo mundo sabe que isso é da boca pra fora. – Andy zoou Nikaido. Não era mentira.

Shingo olhou o lugar de seu senpai vazio. Ficou incomodado. Mas deixou de lado.

- Bem... — disse Terry. – Bebamos pelo Kyo então. Já que ele não vem, eu encho a cara por ele. – riu alto. – Posso até filar as minas que ele ia levar no bico também. – gargalhava mais alto ainda. Seu irmão desaprovou seu exagero quanto à bebida, mas ia aproveitar as mulheres.

- Isso mesmo! Vamos encher a cara. – Nikaido levantou seu copo. Não bebia cerveja, mas não dispensava uma cuba livre.

Todos brindaram. De repente um homem alto, ruivo passou próximo a mesa deles.

- Ué, aquele não era o Iori? – Shingo disse.

- Claro que não seu bestão! – disse Terry. – O Iori com certeza nunca viria num lugar desses.

Shingo concordou e deu de ombros. Realmente, Iori nunca iria a lugar como aquele. Continuaram bebendo e curtindo.

Notas finais
Fim! X3~*] Espero que tenham gostado! Eba! õ/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!