Killers Lovers
8 Girl Almighty
Notas iniciais
16 de Novembro de 2009
Sophia-Bulgária
O sol estava a se por naquela tarde de domingo, Elena deslizava seu longo vestido branco pela grama verdinha sem dar importância se a borda estava sendo sujada de lama ou se o véu estivesse ficando cheio de terra. Odiava a ideia de estar vestida de branco, odiava a ideia de vestir um véu e um vestido de noiva, odiava o fato dele ser longo e branco.
Mas o que ela poderia fazer a não ser obedecer a mãe? Ela poderia ser uma serial killer, ser uma mulher adulta e não morar mais em casa a muito tempo mas isso jamais mudaria o fato de que sempre teria medo de sua mãe, então se sua mãe dizia pra ela se casar numa igreja numa cerimônia religiosa mesmo que ela e o noivo não fossem católicos ela casaria, tanto porque se Dona Miranda descobrisse que tanto a filha quanto o genro não eram católicos, preciso nem dizer nada...
Mas naquele momento Elena não se importava com as regras de sua mãe, muito menos pra costumes ridículos como:
"não se pode ver a noiva antes do casamento"
Ela só queria vê-lo, telo em seus braços, sentir seus lábios sobre os dela, sentir seus braços a sua volta, era sufocante demais ficar longe dele.
Então Elena correu assim que teve chance de despistar sua mãe, e quando finalmente chegou num jardim afastado de todo o resto seu vestido estava todo sujo e amassado, a flor que estava em seus cabelos já havia caído e havia algumas folhas sobre ele. Mas nada disso importou mais quando seus olhos brilharam ao vê-lo.
Lá estava ele, olhando para o outro lado do jardim, estava de costas, com as mãos no bolso. Elena não conseguiu esconder um sorriso apaixonado.
–Damon!-griou Elena ainda sorrindo.
O noivo de cabelos pretos se virou ao ouvir o grito da voz doce de sua amada e assim que havia daquele jeito toda melada de lama, cabelos ao vento que faziam questão de cobrir seu rosto, é um enorme sorriso que logo foi correspondido.
Elena levantou a saia e subiu as escadas do gazebo de jardim branco, e caminhou até estar a sua frente.
–Oi...-sussurrou ela assim que parou a sua frente segurando seus braços e ele os dela.
–Você está...perfeita-sussurrou ele que foi logo calado por um longo beijo intenso vindo de Elena que depositou toda a saudade que sentia dele em seus lábios.
–Isso tudo é saudade?-brincou ele colocando a testa na dela.
–Não nos vemos a dois dias-falou ela subido as mãos para seus cabelos negros.
–Nós vemos ontem de manhã Elena-falou alisando seu rosto com o polegar-Então não nos vemos a algumas horas.
–Nada disso, passamos o dia todo sem se ver ontem e estávamos até agora sem se ver-Damon riu beijando seu pescoço.
Elena sorri mas não disse mais nada, sabia que Damon a compreendia que sentiu tanta saudade quanto ela, sabia que aquele momento era muito mais marcante do que qualquer troca de alianças. Alisar seu rosto macio enquanto o sol ficava bem atrás de seus cabelos refletindo um brilho intenso em seus olhos castanhos e a beleza mais nítida de seus longos cabelos cacheados. Queria ficar com ela para sempre, e Elena a ele.
–É bizarro isso de nos casarmos na igreja-riu ela.
–Pelo menos nos casamos no cartório antes, só tome cuidado pra que sua mãe não descubra-ele fez a piada fazendo ambos rirem. Damon curvou seu rosto ao dela a dando um selinho rápido arrancando um sorriso ainda maior da morena-Amo você
–Também amo você-sussurrou ela.
–É melhor você ir linda se não sua mãe vai querer me matar por ter trazido você aqui
–Ela iria te comer vivo-riu Elena.
–Iria mesmo, mas agora vá, estou falando sério Elena
–Tá-falou ela dando um último beijo antes de se beijarem no altar.
Ela riu quando Damon deu um tapa em sua bunda, e desceu os degraus correndo enquanto começava uma carteirinha em direção à igreja.
–Te vejo no altar!-gritou ele.
Elena virou ainda correndo e sortiu gritando de volta.
–Eu vou ser a de branco!
Ele sorrir e pôs as mãos no bolço da calça mais uma vez.
–É eu vou ser aquele que te olha como se o amanhã não existisse.
19 de Novembro de 2014
Tokyo-Japão
Assim que os olhos azuis de Damon encontraram o brilho do sol de manhã ele virou seu rosto encontrando os olhos castanhos que tanto amava.
–Bom dia...-falou sorrindo pra ela.
Ficará tão feliz ao ver que Elena se renderá tão facilmente a ele, sem relutância ou mais nenhuma desconfiança.
Damon falava serio quando dizia que não se importava dela ser uma serial killer, ou dela ter mentido o tempo inteiro, claro, porque se importaria? Ele também havia feito a mesma coisa. Na verdade desde que soubera da verdade inúmeros pensamentos imaginários dos dois espalhando sangue juntos e depois se devorando na cama eram tão tentadores.
E lá estava ela, a Elena favorita dela, a Elena pôs transa. Na opinião dele era sempre quando ela ficava mais bonita. Cabelos bagunçados sobre o travesseiro, lábios carnudos inchados, sorriso preguiçoso, cara amaçada, maquiagem espalhada pelos olhos, sutiã mal colocado e calcinha muito em acessível. Ela era perfeita.
–Bom dia-falou num sorriso malicioso que fez Damon a puxar para cima dele e tirar o cabelo dela que acabara de cair sobre seu rosto.
Juntou seus lábios nos dela, e acariciou seu rosto enquanto a beijava.
Assim que soltou seus lábios e sorriu, viu Elena curvar o braço pra pegar algo na cabeceira, inclinou a cabeça para ver o que era e disse:
–O que está fazen...-antes que pudesse terminar sua pergunta sentiu a pressão contra seu pescoço, e o arranhão que a faca que Elena pressionava sobre seu pescoço fazia.
–Vou perguntar mas uma vez: pra quem você trabalha?-com a voz doce e maliciosa sumindo e vindo apenas um tom sanguinário.
Damon revirou os olhos. Ele falava sério quando dizia que não se importava mas a desconfiança dela já estava enchendo.
–Sério Elena?-falou com abuso, tentando evitar o seu pau que se erguia ao ver Elena naquela posição colocando uma faca em seu pescoço
–Pra quem você trabalha?-repetiu se perguntando quantas vezes teria que fazer a mesma pergunta, ficando irritada por ter amolecido tanto durante esses cinco anos a ponto de alguém não acreditar em suas palavra quando ela dizia que mataria.
Damon bufou, e então fez Elena rolar trocando suas posições se colocando em cima dela e pegando a faca de sua mão colocando no pescoço da morena.
–Para com isso! Eu já falei a você que não tem nada a temer a mim Elena-falou cerrando os dentes.
Ela se remexeu quando sentiu o pau ereto dele tocar sua coxa e tentou ignorar a umidade de sua calcinha.
–Me solta-cerrou os dentes do mesmo jeito que Damon ficando com raiva de si mesmo por não ter previsto seu ataque, por ter achado que ele era apaixonado demais por isso jamais colocaria uma faca em seu pescoço.
–Você não está em condições de fazer exigências aqui, meu amor-falou num tom sarcástico, fazendo Elena resmungar baixinho-Fazemos assim, minha linda, você me diz pra quem você trabalha, e eu digo também-falou ele começando suas exigências.
–Me larga-falou raivosa.
–Vai parar com isso? Deixa de ser infantil Elena, estamos juntos a cinco anos eu jamais machucaria você. Eu não me importo com o que você trabalha, com quem você trabalha, mas se vai continuar com essa palhaçada eu vou começar a me importar-falou ele no automático só depois percebendo que acabara de lhe fazer uma ameaça.
–Damon, ou você me solta agora ou eu vou me soltar sozinha.
Damon não respondeu.
Tolo, Elena jamais confiaria nele agora, jamais confiaria em qualquer outra pessoa, passará por muito merda na vida pra saber que até sussurrar segredos pro vento era um perigo, e foi idiota demais ao deixar que o amor lhe levasse a seus piores medos.
Estava com raiva de si mesmo, estava com ódio de si mesma, nunca imaginaria que iria estar numa situação dessa, nunca sentiu tanta raiva de sí por deixar se levar aquilo.
–Você que pediu-disse levando seu joelho a o ponto fraco masculino, fazendo Damon se contorcer no mesmo momento é soltar a faca. Elena deu uma cotovelada em seu rosto fazendo-o com que ele caísse contra o lado vazio da cama.
Ela soltou da cama correndo e pegou sua bolça de couro do chão, enfiando a mão rapidamente pela gaveta e pegando a arma jogando dentro da mesma.
Correu para fora do quarto pegado seu roupão do chão e logo pegando uma corda e um gancho prendendo uma na outra, ouviu passos a atrás dela. Foi em direção a varado onde encontrou a cobertura de outro prédio vazia.
Atirou o gancho contra a extremidade do prédio e antes de saltar olhou uma última vez pra trás vendo a chance de ter uma conversa normal e sua vida de volta ir deixada para trás ao encontrar seus olhos azuis para trás.
Damon conseguiu ver pela última vez o vestígio de mulher que amava por uma fração de segundos, até que os olhos sombrios e sanguinários voltaram ao rosto da morena.
Elena virou o rosto, e então sem pensar duas vezes saltou.
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