Killer X Kill
1 Bar X Conflito
O mundo das terras perdidas, bestas mágicas e masmorras infindáveis é também o mundo dos aventureiros, aqueles que saem em busca de tudo isso. Aquele que escolhe como profissão se tornar um aventureiro deve estar preparado para enfrentar desafios cada vez mais difíceis, do nível um ao duzentos, sem nunca perder os atributos que constituem um herói: Audácia, bondade e curiosidade. Mas nesse mesmo mundo, existem aqueles que dedicam suas vidas às artes ocultas. Os magos negros, ladrões, assassinos, a lista não termina. Entre estes estão aqueles que se tornam inimigos da humanidade. Desde o início da civilização, esses dois grupos se confrontaram nas batalhas mais devastadoras.
A história que será contada se passou em tempos de relativa paz, nos breves períodos em que as forças do bem e do mal se encontram em harmonia. Uma época em que um garoto de treze anos loiro, de olhos verdes por trás de óculos fundo de garrafa e vestindo um suéter estilo “feito com amor pela vovó” podia beber um copo de leite tranquilamente em um boteco de beira de estrada com todas as mesas ocupadas pelos mais diferentes delinquentes, todos muito feios aliás. O nome desse garoto era Erick Vhastia.
Nome
Erick Vhastia
Profissão
Aspirante a aventureiro
Nível
15
Força
1
Agilidade
1
Constituição
1
Inteligência
7
Destreza
7
Sorte
1
Olhares maliciosamente curiosos foram lançados sobre o menino pelos freguêses do bar. “Ele parece ter dinheiro”, pensavam coletivamente os gatunos andarilhos. O rapaz, por sua vez, só fazia se concentrar no copo de leite que degustava feito vinho. E os bandidos, mesa por mesa, se aproximavam do balcão no qual ele estava sentado, até só restarem poucos centímetros separando a mão de um deles de seus bolsos. Aquele teria sido o crime perfeito, não fosse uma cena clássica de “salvo pelo gongo”, na qual, de maneira nada delicada, entrou pela velha portinha de madeira empoeirada do estabelecimento um jovem de cabelos negros como a noite e lisos.
Garoto Misterioso: “É hora da cachaça!” As atenções outrora voltadas a atos criminosos e degustação de leite foram atraídas pelo nada sutil berro do menino. Além da atitude, também era desleixado o estilo dele, que se resumia a trajar apenas uma calça de pano velha com uma única adaga embainhada.
Esse susto fez com que Erick percebesse os bandidos a sua volta, o que foi suficiente para que os mesmos se afastassem, se fazendo de inocentes. O clima para furtos havia sido quebrado, e toda empolgação no rescinto partia do recém-chegado visitante. Com um sorriso radiante, se sentou ao banco ao lado do de Erick e pediu “a bebida com maior teor alcoólico do bar”. Já Erick não se mostrava muito empolgado com aquela presença estranha tão próxima dele, pois o passava uma sensação particularmente desconfortável, coisa que não sentira nem mesmo com todos aqueles delinquentes a sua volta durante sua estadia no boteco. Mas por mais que tentasse travar sua visão no que lhe restava de leite no copo, sempre acabava olhando para seu novo “vizinho de balcão” de relance, até que, numa dessas, ocorreu uma troca de olhares. Erick rapida e constrangidamente a disfarçou, ao contrário do outro, que sorriu para ele, o fitando dos pés à cabeça.
Garoto misterioso: “Você deve ser bem do interior, há há há!” Erick atendeu o chamado assustado e constrangido, quase um tomate de corado. “Meu nome é Kill, apenas Kill, sem sobrenome, e o seu?
Erick: “Erick, eu tenho um sobrenome sim, Vhastia, Erick Vhastia.” Erick parou para respirar, ao perceber o quanto sua fala estava confusa.
Kill: “Há há há! Essa risada era bem forte, e ele a soltava com uma expressão que parecia forçada. Era seu cacuete, deveras irritante. “Nunca vi muita gente da minha idade andando sozinha por aí, e pela estrada em que estamos, presumo que esteja indo para Centrala.” Erick ficou admirado com a sagacidade de Kill em deduzir seu destino, embora não fosse algo tão difícil, na verdade. Sua timidez se coverteu em empolgação, deixando tanto sua postura quando seu jeito de falar confiantes.
Erick: “Sim! É pra lá que eu vou, fazer o teste para me tornar um aventureiro.” Kill adotou um olhar intrigado e, um tanto malicioso, após ouvir estas palavras, mas Erick não percebeu enquanto pedia mais um copo de leite.
Kill: “Aventureiro, você disse?” Uma garrafa na qual se lia “Baba de Salamandra” foi colocada na frente dele pelo barman. Resolveu dar uma rápida golada antes de continuar “Já conheci alguns. Eram caras bem fortes aqueles. Qual é o seu nível, a propósito?” Surgiu uma ênfaze de interesse na pergunta.
Erick: “Eu sou nível quinze ainda, mas sempre me disseram que eu evoluo bem rápido, então...” Kill interrompe-o com mais uma de suas risadas forçadas, dessa vez mais puxada para uma gargalhada de deboche. Talvez seu ato mais inconveniente da noite, que ainda estava longe de terminar.
Kill: “Você fala que nem um aventureiro mesmo. Nível quinze, mas cheio de convicção.” Mais uma golada de sua bebida antes de continuar. O momento foi oportuno para que Kill, enquanto bebia, reparasse no desconforto e contraditória ansiedade de Erick, que o fitava com um olhar angustiado. “Enfim, caras como você sempre me divertem, ainda mais quando é pra acabar com os sonhos de um fracassado que diz querer ser aventureiro por aí.”
Erick não se importou nem um pouco em demonstrar pela face emburrada seu descontentamento com as palavras que acabara de ouvir, parecia mais querer tirar satisfação na marra com o sujeito ao seu lado.
Erick: “Algo contra aventureiros?”
Kill: “Nem tanto. Eu só acho eles meio... superestimados. Todo mundo vive falando sobre ser um aventureiro, sobre como é bom, importante e coisa do tipo, mas isso só atrái um monte de idiotas que não sabem o que estão fazendo. Então o mundo fica cheio desses retardados se matando por aí por acreditarem em heróis decadentes... há há há, esqueci o resto do discurso, mas já deu.” As gesticulações, a falta de contato visual e o sorriso despreocupado de Kill intensificaram severamente o ar debochado de seu discurso, o que apenas deixou Erick mais irritado, embora não conseguisse emburrar mais sua expressão.
Erick: “E o que você pretende se tornar de tão superior a um aventureiro, então?”
Kill: “Um assassino.” Sem demonstrar nenhuma embriaguez, Kill tinha soltado palavras muito severas, que ecoaram pelo pequeno estabelecimento, atraindo olhares de estranhesa até mesmo dos mais estranhos dos fregueses. Mas o olhar mais prenetante ainda era de Erick, observando Kill virar o último milímetro da garrafa como um predador à espreita da sua presa.
Erick: “Vamos resolver isso lá fora.” Feito um total “badass”, o ingênuo garoto que bebia leite num bar se levantou e saiu, dando uma deixa para que Kill o acompanhasse. Este não pensou duas vezes, e parecia empolgado com o chamado da batalha.
Quando Kill saiu pela porta, avistou de cara seu futuro adversário. Separados pela estrada de terra que dividia o vilarejo em dois campos com pequenas cabanas espalhadas e iluminados pela Lua, pelas estrelas e por algumas tochas presas nas casas, ocorre uma distante troca de olhares. O olhar irado de Erick contrastava com a lua de forma que seus olhos azuis pareciam um cinza prateado. O olhar malicioso e debochado de Kill refletia o fogo das tochas, formando uma imagem poética da sua determinação.
Erick: “Se você estava brincando sobre se tornar um assassino, pode desistir agora. Mas, se aquilo era verdade, como futuro aventureiro, eu, Erick Vhastia, vou te deter aqui e levá-lo à justiça.” Gritou ao adversário a pelo menos dez metros de distância. Querendo talvez parecer mais ameaçador, se postava de maneira confiante, com o peito estufado e ombros erguidos.
Kill: “Pra um aventureiro, você é o cara mais sem graça que eu já conheci, há há há.”
Não suportando mais o descaso de Kill com a situação, Erick quis dar o primeiro movimento. Direcionou a palma direita a ele como se o sinalizasse para parar. Uma aura violeta o envolveu e lentamente se direcionou até sua palma, formando uma esfera espiral roxa.
Erick: “*PURPLE ATTACK BOLT!*”(Tipo: Magia, Custo: 12 MP, Descrição: O usuário molda a mana bruta em seu interior na forma de uma esfera e a lança contra o alvo) O belo ataque de Erick foi posto em prática. A esfera carregada de energia foi lançada na incrível velocidade de... um metro por segundo, caindo no chão após três segundos de viagem. A pose convencida dele se desfez no ato e, quem antes olhava apreensivo a performance do rapaz, agora deboxava com os amigos, em total descrença.
Kill: “Minha vez.” Erick, com rosto de total desilusão, já aguardava pelo pior, totalmente imóvel e com o corpo trêmulo como o de um faminto.
Embora todos esperassem que Kill corresse para frente, na direção de Erick, ele foi para a direita, se afastando do bar e da cidade, até que as luzes ficassem longe o suficiente para que ele se camuflasse nas sombras. Todos estavam perplexos, olhando para todas as direções à procura de qualquer sinal do garoto, menos Erick, que estava asustado demais até para virar seu pescoço. Tudo que conseguia pensar era que não deveria nunca ter sido tão imprudente e ter se deixado levar por suas emoções daquela forma. Sua mente ficou totalmente vazia quando sentiu o ferro frio da adaga de Kill tocar seu pescoço. O garoto havia reaparecido atrás dele, já na posição de cortar sua garganta, sem que ninguém percebesse. Olhando um pouco para a esquerda, dava pra ver de relance o sorriso maldoso do assassino.
Erick: “Eu vou morrer aqui” Suas últimas palavras saíram frias, sem nenhum sentimento. Já aceitava sua derrota e morte.
Kill: “Matar você? De graça? Isso não seria nada profissional da minha parte.” Um segundo depois de proferir essa frase, o jovem já não estava mais com a faca no pescoço de Erick, e sim, pegando a estrada, passando entre o povo que o olhava com olhos apavorados, crentes de que veriam um assassinato brutal naquela noite.
Nome
Kill
Profissão
Aspirante a assassino
Nível
15
Força
7
Agilidade
8
Constituição
1
Inteligência
1
Destreza
1
Sorte
1
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