Killer X

19 Capítulo 18


Notas iniciais
Eu sei que esse capitulo demorou MUITO. Mas tenho meus motivos u.u Espero que me perdoem T^T
Agora, espero que gostem desse capitulo, porque ele é o penúltimo '-'

A saída estava logo ali. Aquela porta seria sua passagem de volta para o mundo. Sorriu aliviada. Logo o sorriso se desfez ao ver a situação de Andrey. Estava ainda mais pálido — como aquilo era possível? -, o corpo todo tremia, os dentes batiam uns nos outros e os olhos estavam virados para cima.

– Não. Andrey, não! — disse enquanto corria para perto dele — você vai aguentar até encontrarmos alguém pra te ajudar!

Laura fez ele sentar, colocou o braço em volta da cintura dele e o braço direito dele em volta de seu pescoço. Carregou ele como da outra vez. Agora estava mais fraco, mal conseguia ficar de pé. Laura não se importou.

Sentia a região das costelas doendo a cada passo e cada respiração que dava. Não, eu não vou me entregar agora. Essa dor é nada Laura, você já sofreu mais que isso garota, vamos!, dizia a si mesma para se acalmar. Aquela dor era nada comparada a dor que sentia por dentro, em seu psicológico.

A porta estava próxima. Um, dois, três, quatro, cinco passos. Estendeu a mão para a maçaneta. Esteja aberta! Esteja aberta!, apertou os olhos enquanto girava o pedaço de metal frio. Um clic a fez soltar um sorriso. A porta foi para frente, revelando o outro lado. Logo o sorriso e a sensação de alívio se foi. Laura estava de frente para o fim do mundo.

Ali era o prédio da organização para qual ela trabalhava. A organização que levou sua irmã e matou a única pessoa que quis cuidar dela. O lugar no qual ela torturou e matou diversas pessoas. Aquele lugar... Estava destruído. O prédio imponente estava caindo aos pedaços. Ferros retorcidos, concreto por todo lado, vidro quebrado, fogo aqui e ali, fumaça sufocante.

– O que diabos aconteceu aqui? — ela sussurrou para ninguém específico.

Olhou de um lado para outro. Nenhum sinal de almas vivas naquele lugar. O que tinha acontecido? Quem fizera aquilo? Estava confusa e assustada. Ísis!, o que teria acontecido com sua irmã? E Sunny? Ela estaria bem também? Queria respostas, mas não conseguiria encontrar alguma ali. Também não tinha para onde ir. Agora era tudo um labirinto de escombros.

– Alguém... Alguém está ai? — gritou.

Andrey tossiu. Uma tosse seca e sofrida. Colocou-o encostado na parede.

– Tem alguém ai? Por favor! Socorro! — gritou mais.

Não conseguiu respostas. O que faria? Subiu em um pedaço de ferro retorcido. Lá de cima conseguiu ver que estava no saguão. A porta de entrada e saída estaria em algum lugar ali. Olhou mais um pouco, atenta aos detalhes e aos sons. O fogo consumia boa parte do prédio. Conseguia ouvir uma sirene distante. Poderia ser uma ambulância ou o corpo de bombeiros, ou até mesmo a polícia. Será que se descobrissem o que realmente era esse lugar ela iria presa? E Ísis? Onde ela estava? Queria sua irmã. Eles a levaram embora, não levaram? Ou ela estaria em algum lugar do prédio? Em um quarto cheio de fumaça, embaixo de algum escombro? Pare de pensar nisso Laura! Você tem que sair daqui!, tentou manter o foco. Ficava cada vez mais difícil manter a linha de raciocínio. Sentia a fumaça entrando em seus pulmões, pintando a parede da garganta com um gosto inconfundível de cinzas. Como iria tirar Andrey de lá? Como?!

– Socorro! — gritou com força.

Tateou os bolsos para tentar achar algo para ajudá-la. Os dedos encontraram um volume no bolso de trás. Era um celular. Olhou por um momento aquele objeto retangular em suas mãos. Abriu-o. Estava funcionando. Digitou alguns números que tinha memorizado a pouco tempo e apertou o botão para completar a ligação. Do outro lado se ouvia um fraco tu repetitivo.

– Atenda! Vamos, atenda! — implorou.

– Alô? — uma voz disse do outro lado.

– Sunny? — sua voz estava trêmula.

– Eu. Quem é? Como conseguiu esse número? — a voz do outro lado estava desconfiada.

– Sou eu Sunny, Laura!

Um breve silencio tomou conta da linha. Por um momento Laura pensou que a ligação havia caído.

– Achei que tinha morrido! Onde você está? — disse por fim.

– No prédio da organização. Não consigo achar uma saída. Sunny, pelo amor de Deus, eu estou morrendo aqui! E... -sua voz falhou.

– E...?

– E Andrey está comigo.

– O que? — ela gritou e depois abaixou a voz em um sussurro — Eu ouvi direito? Ele está com você? Vivo?

– Exato. Eu o encontrei Sunny! Eu o encontrei!

– Uma equipe de bombeiros e enfermeiros deve estar indo pra ai, ou já chegaram. Não faz muito tempo que tudo aconteceu.

– O que aconteceu aqui?

Laura percebeu uma leve hesitação do outro lado.

– Muita coisa aconteceu. Praticamente uma guerra. Muita gente morreu, tanto do nosso lado quanto do deles. Foi... Foi terrível demais. Eu vou estar ai quando você e ele saírem. Não se preocupe. Acabou Laura. Acabou.

– A gente vai sair daqui vivos, certo? — olhou para Andrey.

– Espero que sim.

– Ísis está bem?

– Como Andrey está? Muito machucado ou algo assim? Me deixe falar com ele — Ela mudara de assunto rapidamente.

– Sunny... Andrey está muito mal, fizeram algo terrível com ele. Não sei quanto tempo mais ele vai aguentar. Acho que se não chegar ajuda rápido ele vai... — não conseguiu terminar a frase.

– Eu sei.

– Sabe? — Laura estranhou.

– Eles chegaram e vão salvar ele.

– Tudo bem... Sunny?

– Adeus.

A ligação fora desligada. Laura se sentia cansada; simplesmente esgotada. Desceu de onde se encontrava e foi até Andrey. Se sentou ao lado dele.

– Você vai ficar bem — disse enquanto colocava a cabeça suada em suas coxas — Vai ficar tudo bem Andrey. Você vai ver, em um piscar de olhos nós vamos sair daqui e tudo ficará bem.

Não estava muito crente de que iriam sair dali, mas resolveu manter a esperança acesa. Queria que aquilo acabasse. Aquele pesadelo... Aquela realidade. Encostou a cabeça na parede e fechou os olhos vagarosamente. Estava se sentindo lenta, pesada. Respirar estava se tornando uma tarefa quase insuportável.

– Acho que vou dormir um pouco. Só. Um. Pouco...

Não conseguia mais falar. Sua língua estava pesada e a garganta se fechava com um gosto amargo de cinzas e sangue misturado. A mente estava nublada e o corpo pesado. Até mesmo a tarefa de mover os dedos estava se tornando difícil. Uma escuridão profunda insistia em chamá-la, prometendo tirá-la daquele inferno que fora se meter. Eu estou ferrada, esse foi seu último pensamento. Agora mergulhava em um vazio profundo e intenso.

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Ouvia sua própria respiração. Seu corpo doía e as costelas davam pontadas angustiantes. Estava se movendo, mas estava deitada. Ouvia vozes em segundo plano. Resolveu que abrir os olhos e espiar o mundo lá fora seria o melhor a fazer. Sua visão estava embaçada. O mundo concentrado ali estava embaçado. Cores e formas que não faziam sentido. O mundo parecia mudado.

Uma cabeça estava pairando acima de sua visão, como se não tivesse corpo físico. Ouvia o barulho das rodinhas em baixo de si. Estava em uma maca. Daquelas que as pessoas ficam deitadas e outro alguém empurrava seu corpo quase sem vida para algum lugar não determinado. Estava tudo confuso. Sua visão estava melhorando, e as coisas começavam a tomar uma forma mais adequada; formas que faziam sentido. Aos poucos o sentido da vida e do mundo começavam a aparecer. Um sirene ressoava insistentemente em algum lugar distante. Queria entender o que significava aquilo tudo. Fechou os olhos novamente.

Agora não tinha mais movimento. Embaixo de si tinha algo macio e confortável. Podia ouvir o canto de pássaros em algum lugar. Abriu os olhos lentamente, sem querer realmente saber onde estava. Era uma espécie de quarto. Tinha pouca mobília e as paredes eram pintadas com um azul claro padronizado. Estava em uma cama de hospital? Olhou para si mesma. Vestia um avental de hospital, e só. Suas suspeitas se confirmaram. Realmente estava em um hospital.

Mas o que estava fazendo ali? Deveria estar em um lugar distante. Longe daquele pesadelo todo. Ouviu um farfalhar ao seu lado. Virou a cabeça. Sentada em uma cadeira desconfortável, havia uma garota que era sua cópia quase que perfeita. Estava de olhos fechados, mas Laura achava que ela não estava dormindo realmente. E para revelar que seus pensamentos estavam certos, a garota abriu os olhos e seus olhares de encontraram.

— Sunny – Laura sorriu levemente, feliz por ver alguém conhecido em um mundo estranhamente diferente.

— Achei que você iria morrer – Sunny estava com o rosto sério, quase distante.

— Também achei, mas nos encontraram e... – de repente algo passou por sua mente – Andrey! Onde ele está? O que aconteceu? Ele está bem?

— Não se preocupe. Cuidaram dele – ela olhava para qualquer outro lugar, evitando o contato direto com Laura.

— Sunny... Está tudo bem com você? Parece meio distante.

— Muitas coisas aconteceram Laura. Coisas que não posso explicar no momento. Acho que você não entenderia – franziu o cenho.

— Tenho certeza de que se você me explicar eu vou conseguir entender o que aconteceu...

— Não! – gritou gruscamente, assustando a si mesma – Não é isso, é que até mesmo eu me sinto confusa com isso, talvez quando eu conseguir compreender melhor toda a situação eu possa te dizer.

— Se é assim que você quer... Não vou forçar nada.

A porta se abriu e um homem de meia idade, magro e calvo, apareceu vestido com um jaleco e segurando uma prancheta.

— Vejamos... Laura? – alternou o olhar confuso entre as duas garotas.

— Sou eu – disse para chamar a atenção do doutor.

— Você teve leves arranhões e três costelas trincadas. Posso dar alta para você, mas recomendo que fique de repolso o máximo possível. Volte para fazer mais exames daqui 3 meses.

— Certo... Doutor... Andrey está bem?

— Andrey? – inclinou a cabeça e olhou confuso para ela, depois seus olhos se arregalaram – Ah, sim. O rapaz que entrou no mesmo dia que vocês... Ele já teve alta. Parece que foi infectado com uma espécie de vírus, mas nada sério demais.

— Ele... Ele foi embora?

— Sim. Provavelmente ontem.

— Obrigada – Laura olhou para as próprias mãos cruzadas sobre o colo.

Queria ver Andrey. Queria saber se ele realmente estava bem. E queria, acima de tudo, entender o que estava acontecendo. Sentia que algo fora do comum havia acontecido. Aquilo era intrigante.

— Vamos Laura, levante-se. Trouxe umas roupas para você. Vista alguma coisa que eu a levarei para casa. Te espero lá embaixo.

Sunny saiu sem olhar uma segunda vez para ela. Laura viu, em cima de uma segunda cadeira, no outro canto do quarto, uma sacola cheia. Levantou-se com cuidado para não cair. Ainda sentia as pancadas de dores nas costelas.

Agora estavam longe do hospital. Mas Sunny não estava levando-a para casa. Aquele caminho nada se parecia com um atalho ou coisa parecida. Laura resolveu não comentar. Aquele dia já começara estranho. Tudo o que queria era um pouco de paz. Alguns momentos em que não precisaria pensar nas coisas que fez ou que ainda precisaria pensar. Estava adiando seus pensamentos sobre Ísis, pois sabia que a cada momento que passasse iria pensar no pior. Olhou para sua direita. A paisagem mudara. Os prédios deram lugar ao mar e a areia. Então era para lá que iriam? Para a praia?

Sunny estacionou o carro a poucos metros da calçada que dava acesso a area. As poucas pessoas que ali frenquentavam estavam tão distantes que Laura só conseguia ser borrons distantes. As duas pararam perto do carro, ao lado de uma cabine telefônica.

— Ajoelhe-se – disse por fim.

— O que? – Laura olhou para a irmã sem entender, achando que era uma brincadeira, mas ao ver a expressão séria e vazia entendeu – O que está fazendo?

— O que você acha? ­– tirou uma pistola do cos da calça.

— Sunny...

— Por favor garota, cale a porra da sua boca. Não aguento mais você falando! – disse com desprezo.

Laura estava sem palavras. Ali estava, na sua frente, sua irmã gêmea, Sunny, com uma arma apontando para sua cabeça e falando como se nem ao menos conhecesse Laura. Pior, como se eu não fosse a irmã dela!

— Eu disse para você se ajoelhar, não disse?

— O que você pensa que está fazendo?! – gritou.

— Estou terminando meu serviço. Você achou o que? Que nós iriamos nos reencontrar, lutar contra a Organização e depois viver felizes para sempre? Acorda garota! Eu usei você para distraí-los. Precisava disso para que o plano desse certo. Agora eu tenho a Organização na palma da minha mão!

Sunny estava olhando psicoticamente para Laura. Minha irmã se transformou em uma louca!, pensou com assombro. Ou talvez ele sempre tenha sido louca, uma voz sibilou.

— Está na hora de acabar com o serviço – disse.

Laura levantou as mãos e bateu os joelhos no chão com força. Sentiu uma carga elétrica percorrer seu corpo. Era real. Não estava sonhando. Sua irmã iria matá-la.

Notas finais
Agradeço a paciência ^-^