Killer X
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Lá em cima a lua ria como o gato de Cheshire e as estrelas observavam de longe o horror que acontecia no mundo, gratas por estarem a anos luz de distância. Laura colocava luvas de médico enquanto olhava para as ferramentas a sua frente. Bisturis, facas, alicates, tesouras, ácidos fortes, isqueiro, marreta e uma serra elétrica. Aquilo tudo para uma pessoa.
A mulher que estava deitada inconsciente não fazia ideia pelo que iria passar. Quanta dor e quanto sofrimento ela será submetida... Tanta tortura que irá implorar para morrer. Sentirá o inferno na terra. E Laura era a responsável. Era responsável por dezenas de outras vidas que passaram por ela. Que foram torturadas física e psicologicamente. Tão intensamente...
Laura nunca gostou daquilo. Nunca sentiu um prazer emocionante ao cortar a carne de alguém e ouvi-los gritar. Era na verdade o contrário. Sentia-se mal, terrivelmente mal. Mas não podia parar. Não podia morrer e nem matar sua irmã. Tinha que fazer aquilo.
Sabia que aquilo a perseguiria para sempre em todos os momentos de sua vida, mesmo quando quebrar os laços com a organização. Não podia desistir de si mesma. Pelo simples fato de que já tinha começado. E de que adiantaria ter matado tanta gente pra no final perder a irmã e a si mesma? Não podia, de forma alguma, deixar que aquelas pessoas sofressem e morressem em vão. Continuaria...
Fechou os olhos, respirou fundo e se concentrou. Eles a escolheram por um motivo: ter duas personalidades completamente diferentes. Quando precisava trabalhar assumia sua personalidade má. A personalidade que torturava e conseguia o que a organização queria. A personalidade que não se importava com os outros, que era sádica e psicopata. Chamou essa tal personalidade. E ela veio como sempre vinha. Agora Laura não era mais Laura. Abriu os olhos maldosos e sádicos.
Pegou uma cápsula na bandeja de ferramentas e chegou próximo ao nariz da vítima.
– Infelizmente, para nós duas, é hora de acordar querida – partiu a cápsula e a mulher cheirou involuntariamente o conteúdo.
Ela acordou confusa e depois arregalou os olhos ao perceber que estava amarrada e sem roupas. Começou a se mexer.
– O que... Onde estou? Quem é você? – perguntou desesperadamente.
– Não importa – suspirou e tapou a boca da mulher com fita adesiva.
Ela gritava, mas os gritos saiam abafados. Mexia-se cada vez mais.
– Vou contar-lhe um segredo – se aproximou do ouvido da mulher, que ficou imóvel – não vai adiantar ficar se mexendo, só vai se ferir mais.
Laura ficou de costas para ela e, pensativa, encarou a bandeja. Pegou o bisturi e voltou a olhar para o rosto contorcido de medo.
– Sabe, vai facilitar muito o meu trabalho se você disser o nome do cara que roubou nosso dinheiro – falou e tirou, sem dó, a fita adesiva.
– Do que você tá falando? Sua maluca! – ela gritou imaginando que alguém ouviria e ajudaria.
– Você sabe Judite.
– Eu sei? Não sei de nada garota! Agora me tire daqui ou vou...
– Vai o que? Gritar mais? Porque é a única coisa que você pode fazer no momento. Ninguém irá te ajudar. Olhe para essa sala – percorreu os olhos pela sala branca – ela é a prova de som, e mesmo se alguém escutar, não vai ajudar. E sabe por quê? Porque aqui é a sede da organização. E foram eles que me mandaram fazer isso.
– Organização? Que organização?
– OPF (Organização Pesquisadora da Força) – ao dizer isso Laura viu a expressão da mulher mudar – Agora você se lembrou, não é? Lembrou-se que um cara desviou dinheiro daqui.
– Não... Ele só...
– Diga o nome dele. Será melhor.
– Nunca! Eu prometi que nunca ia entregá-lo.
– Em algum momento você não vai mais aguentar e vai abrir a boca.
– Não mesmo!
– Você vai sim. E vai fazer isso em troca de sua morte. Porque acredite, você desejará morrer ao invés de permanecer aqui.
Laura fez um corte profundo do ombro até o pulso, a mulher urrava de dor, seus gritos eram estridentes e dolorosos. Ela fez mais e mais cortes pelo corpo da mulher. Parou por um momento para trocar o bisturi pela marreta.
Levantou a marreta e bateu no joelho direito. Seus olhos brilharam. Foi uma explosão de sangue e fragmentos de ossos. A mulher gritava e gritava, e a cada momento ficava um pouco mais rouca.
– Você ainda não vai dizer? Ainda vai ficar relutante?
– Não! Eu prometi! – disse em um sussurro fraco e cansado.
– Então terei que intensificar as coisas por aqui.
A mulher olhou para a garota que deixava de lado a marreta e pegava um alicate. A menina, que tinha idade para ser sua filha, tinha o rosto salpicado de sangue, seu sangue. Sentia uma dor, terrível e torturante dor latente. Ela queria saber o nome não era?...
– Quando quiser pode dizer o nome dele – a menina trouxe a mulher de volta a realidade.
Não disse nada. Não estava com vontade. A garota nunca iria saber o que queria. Podia fazer qualquer coisa com ela, mas ela não contaria. Promessa é promessa.
Laura deu de ombros e pegou a mãe da mulher. Observou por um momento os dedos finos e delicados. Arrancou metade do dedo indicador. Metade do dedo do meio. O mindinho inteiro.
Foram horas de tortura. As orelhas, as pernas, a metade um braço, o nariz, os cabelos. Tudo fora embora, e o estranho era que o sangue não jorrava loucamente pela sala. O sangue se comportava, saia um pouco de cada vez. A mulher não aguentava mais. Chegara ao seu limite. Queria simplesmente morrer. Não queria mais tortura. E que a promessa que fizera vá pra puta que pariu. Não queria mais continuar...
– Thommy! — tentou gritar, mas sua voz saiu em um sussurro fino e fraco.
A garota parou. Ela tinha escutado. Se aproximou do buraco que antes era a orelha.
– Hora de partir doce Judite – aquela voz suave e macia foi a ultima coisa que Judite ouviu. Finalmente pode descansar em paz. Sentiu uma pontada de leve no coração e se entregou a escuridão.
Laura acordou. Não sabia onde estava, mas tinha certeza que lá não era seu lugar. O pesadelo verdadeiro ainda passava como pequenas imagens em sua mente.
– Você acordou! – uma voz masculina falou e ela olhou para o lado.
Notas finais
Kissus com maracujá ;**
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