Killer X
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Laura foi para a escola, mas apesar se seu corpo estar presente sua mente estava bem longe. Não conseguia deixar de pensar na mensagem da by Text-Enhance\">caixa postal que Andrey tinha deixado. Ele tinha sido sequestrado. Aquilo ficou evidente quando o sinal da segunda aula do dia tocou e ele não apareceu. E a voz do homem do outro lado? Não era familiar? Laura balançou a cabeça. Isso é bobagem Laura, pensou. Uma cabeça entrou em seu campo de visão de repente.
– Está com a cabeça nas nuvens de novo? — uma garota de cabelos castanhos e grandes olhos negros a encarava.
Laura se limitou a olhar para a menina e arquear uma sobrancelha.
– Eu sempre observei você Laura, mas nunca tive coragem de vir falar contigo por sempre estar sozinha e com essa cara de "não olhe para mim". Mas ai aquele cara chegou e falou com você, decidi vir também. Aquele cara...
– Andrey — Laura se pegou dizendo.
– É, isso, Andrey. Ele é corajoso — a garota, que tinha uma voz animada e irritante, se sentou no lugar vazio na frente de Laura.
– Ou só não tinha mais ninguém para conversar — Laura ouviu murmurinhos que tinha certeza ser pessoas falando sobre ela.
– Ou isso. Mas que seja... — a garota olhou de relance em direção aos murmúrios — Você sabia que a escola inteira te acha o máximo?
– Me acham o máximo? — franziu o cenho.
– É — a mão esquerda estava freneticamente batendo em seu colo — Tipo, você tem essa personalidade toda independente e tal. Todo mundo acha isso muito legal! E não to tirando uma com a sua cara.
– Olha...
– Deborah, meu nome é Deborah, mas pode me chamar de Debs — seu sorriso, Laura notou, era extremamente falso.
– Olha, Deborah, eu não falo com as pessoas por um motivo.
– Qual? — sua ingenuidade esbanjava teatro.
– Conversas desnecessárias com pessoas falsas e inúteis. Você nem sequer sabe mentir — no fundo, aquilo era verdade, tanto da parte de Laura como da "personalidade X".
– Hãn... — Deborah ficou sem graça — Me desculpe, mas não acha que sua atitude é meio grosseira? — o sorriso vacilou por um milésimo de segundo, mas Laura notou.
– Meio? Eu acho totalmente grosseira, e também acho que você deveria sair da minha frente e parar de falar comigo — Laura usou sua melhor cara tediosa.
– Veja bem... Eu sei de uma coisa que ninguém mais sabe. E que eu sei que você gostaria de saber.
– Não me interessa — Laura olhou para a janela.
– É sobre uma pessoa — o mundo era mais interessante lá fora — Eu sei porque eles levaram Andrey — Deborah sussurrou para que só Laura ouvisse.
Laura congelou.
– Agora você se interessou, né?
– O que você sabe? — ela perguntou, sua máscara tediosa havia se estilhaçado e a garota de laço na cabeça percebeu.
– Muita coisa, Laura — ela sorriu com um olhar que Laura não conseguiu identificar.
– Hora de parar de conversar e prestar atenção aqui garotas! — o professor interrompeu Laura.
– Ele aprenderá uma lição por se envolver — sussurrou, levantou-se e foi se sentar no fundo, onde suas amigas estavam.
Laura ficou olhando para a mesa do professor a sua frente com os olhos arregalados e o rosto extremamente branco. O que ela iria fazer? Não conseguia pensar em nada. Tudo estava bloqueado.
– Andrey — as palavras saíram em um sussurro leve e quase sem som.
–-–-–-–-–-–-–-–-
Ficou pensando o tempo todo nas possibilidades. Muitas coisas poderiam acontecer com Andrey. Qualquer coisa. Agora, a tal de Deborah, havia dito que eles o levaram. Mas o que ela quis dizer com "eles". Ela pensou que poderia ser a organização. Mas eles não sabiam sobre a rebelião. Ou sabiam?
– Laura — ela escutou uma voz distante a chamando e voltou a realidade — Laura, já está na hora de ir para casa
– Ah — olhou em volta, não havia mais ninguém naquela sala — Me desculpe professor, eu estava...
– Pensando nele, não é?
– O que? Como você...
– É, fiquei sabendo. Me contaram. Sinto muito Laura — ele disse com uma expressão de pena.
– Mas... — ele já estava na porta.
– Tome muito cuidado Laura. Coisas ruins vão acontecer, mas no meio das turbulências coisas boas apareceram — ele acenou e saiu corredor a fora.
Laura pegou sua mochila e parou no corredor olhando de um lado para o outro. Ele tinha desaparecido.
– O que diabos está acontecendo aqui?! — gritou já que o corredor estava vazio.
Laura foi para casa. A única coisa que precisava no momento era ocupar sua cabeça com outras coisas. Pegou sua bicicleta no mesmo momento que seu celular tocou.
– Laura? – perguntou uma voz estridente — Laura é você?
– Sunny? — Laura reconheceu a voz — O que houve?
– Andrey está com você? Ele foi para a aula?– ela parecia bem desesperada.
– Não... Acho que algo muito ruim aconteceu. Ele deixou uma mensagem de voz no meu celular de madrugada, ele falou alguma coisa depois foi atender a porta e um cara falou. Talvez ele tenha sido sequestrado.
– Eu sabia! Eu disse que isso ia dar merda! Droga!
– Calma Sunny. Nós não sabemos o que aconteceu... – uma voz falou ao longe.
– Mas dá pra ter uma ideia! — ela disse abafando o telefone — Alyce — sua voz ficou normal — Você precisa encontrar o Andrey.
– Mas como? Não sei o que fazer.
– Eu sei lá. Vai até algum lugar. Não sei. Você tem descobrir pra onde ele foi.
– Sunny, isso é impossível! Não tem como saber pra onde ele foi! — Laura estava gritando, mas não sabia o porque.
– Precisamos fazer algo por ele. Não sei!
– Não, Sunny. Nós vamos esperar um pouco e continuar com o plano. Tenho uma missão às 16h00min.
– Eu sei. Mas é que... É que estou preocupada... — sua voz estava falhando
– E você acha que eu não estou? — Laura perguntou retoricamente.
Um silêncio se fez dos dois lados até que Laura ouviu o som do telefone desligando. Encarou o celular sem pensar em nada especifico. Colocou os fones de ouvido, apertou o play e começou a pedalar. O vento gelado batia em seu rosto, dando a impressão de que a pele iria se descolar da face.
Hoje iria fazer o que tinha que fazer. E talvez, só talvez, mudar sua vida.
Fale com o autor