Killer

19 Por Dentro das Memórias Pt.2


Notas iniciais
Olá, No capítulo anterior eu havia mencionado que o "Por Dentro das Memórias" seria dividido em duas partes, mas essa segunda parte acabou ficando muito grande (com mais de 6.000 palavras o.O) e eu precisei dividi-la ao meio. Então, ao invés de duas partes, o "Por Dentro das Memórias" terá três partes. Pensei em postar a Parte 2 e a Parte 3 logo hoje, mas como estou sem tempo para escrever decidi postar só a Parte 2 hoje e a Parte 3 na quarta-feira, assim vocês ganham um novo capítulo e não ficam muito tempo esperando outro. Boa leitura ^^

[Loren P.O.V.]

Suas palavras soaram tão casuais que era quase impossível acreditar que aquilo realmente estivesse acontecendo e, se não fosse pelo fato de eu já ter me beliscado discretamente e pelo fato de ainda conseguir ouvir as vozes daqueles que davam o último adeus a minha mãe, eu não teria acreditado mesmo.

Eu me sentia como Alice, caindo pelo buraco do coelho e encontrando o País das Maravilhas, mas de uma maneira ainda mais incrível.

– Como você consegue sentir a minha presença? – o anjo me perguntou quando permaneci encarando-o, ridiculamente boquiaberta.

Aos doze anos, quando o vi durante o trágico acidente com meu ônibus escolar, tudo o que eu conseguia dizer sobre ele, era o quanto ele era assustador. Agora, a poucas semanas de completar dezesseis anos, tudo o que eu conseguia dizer sobre ele, era o quanto ele era lindo.

Seus olhos azuis vibrantes combinavam perfeitamente com o rosto bem esculpido e os cabelos negros intensos e, agora que ele vestia apenas calça jeans, camiseta e casaco – ambos pretos –, ao invés do sobretudo com o qual eu o vira da primeira vez, ele parecia até mais humano.

– Eu não sei. – respondi quando, finalmente, encontrei minha voz – Eu apenas sinto.

Ele me analisou por um momento e eu devolvi, encarando-o da mesma forma. Aquela situação era tão surreal que eu tinha a impressão de que ele desapareceria se eu piscasse.

– Você sabe quem eu sou? – ele perguntou mantendo seus olhos analíticos sobre mim

– Você é um anjo. – respondi com tanta cautela que o que era para ser uma afirmação quase se tornou uma espécie de questionamento.

Não tenho certeza se minha resposta foi satisfatória, pois ele me olhou da cabeça aos pés e assentiu, mas não me pareceu muito impressionado.

– Você é uma criatura curiosa. – ele disse depois de um momento – Nunca vi um humano igual a você.

– Como assim?

Antes que ele pudesse responder, ouvi meu pai chamar meu nome e, rapidamente, me virei em sua direção.

Meu pai era um machista da pior espécie.

Ele se relacionava com várias mulheres mesmo quando estava casado com minha mãe, mas até quando o chefe dela telefonava para a nossa casa por algum motivo profissional, ele reclamava. E comigo não era diferente.

Eu mal havia me tornado adolescente quando ele começou a implicar com todos os garotos com quem eu conversava – mesmo que fossem meus colegas de classe – e, sempre que isso acontecia, ele me repreendia.

– Não se preocupe. – o anjo disse enquanto meu pai seguia em minha direção – Você é a única que pode me ver.

Olhei para ele pensando em como aquilo era incrível, mas logo comecei a pensar em como, aos olhos das outras pessoas, eu devia parecer uma maluca falando sozinha. No entanto, eu nem tive tempo de me sentir envergonhada por causa disso, pois o anjo se aproximou de mim e me estendeu meu antigo de exemplar de A Paixão de Jane Eyre.

– Anotei um endereço na última folha do seu livro. – ele disse rapidamente – Me encontre lá hoje a noite. Nós precisamos conversar.

Antes que eu pudesse, sequer, pensar em perguntar alguma coisa, ele já havia desaparecido e, um segundo depois, senti a mão de meu pai sobre o meu ombro.

– O que você está fazendo aqui? – ele perguntou em seu costumeiro tom desconfiado e grosseiro.

Abracei o livro e me virei para ele, fazendo minha melhor cara de inocente.

– Eu estava me sentindo um pouco mal com tudo aquilo. – apontei para a cova onde caixão de minha mãe já tinha sumido de vista – Vim pegar um pouco de ar.

Meu pai olhou para mim por um instante e depois assentiu. Ele nem sequer olhou para o livro em minhas mãos, mas eu não esperava que fosse diferente. Ele nunca reparava nesse tipo de detalhe.

– Nós já estamos indo embora. – ele disse e acenou com a cabeça em direção ao carro.

– Tudo bem. – assenti e ele me deu as costas, seguindo em direção a minha avó que nos esperava não muito longe dali.

Abri o livro na última página e dei uma breve espiada.

O endereço tinha sido anotado no rodapé da página, em tinta preta e com uma caligrafia rebuscada. Li as palavras, rapidamente, e percebi que se tratava de um bairro que eu nunca tinha frequentado e que tinha fama de ser um lugar “barra pesada”, com alto índice de criminalidade e campeão em número de homicídios causados por brigas entre gangues.

– Ele só pode estar de brincadeira. – eu disse baixinho, enquanto fechava o livro e seguia atrás de meu pai.

***

De um modo geral, minha avó não gostava que eu saísse à noite. Ela era aquele tipo de pessoa que achava que sair a noite era o mesmo que marcar um encontro às cegas com um psicopata ou um estuprador e, excetuando-se os aniversários de amigos ou uma ida rápida ao cinema mais próximo de nossa casa, ela preferia que eu passasse a noite assistindo TV.

Eu nunca me importei com isso, é claro. Aliás, diferente da maioria dos adolescentes, eu sempre preferi o conforto de minha casa a passeios noturnos com os amigos, mas naquela noite eu precisava sair.

Havia algo que aquele anjo queria me dizer e eu queria muito saber o que era. Eu não sabia explicar o porquê, mas sentia que a conversa que teríamos naquela noite mudaria a minha vida totalmente. Sem falar que, conversar com um anjo, não era algo que eu podia fazer todos os dias.

Com meu exemplar de A Paixão de Jane Eyre aberto na última página, eu andava para lá e para cá em meu quarto, tentando inventar um bom motivo para sair de casa naquela noite.

Não seria uma tarefa fácil, pois minha avó estava muito abalada com a morte de minha mãe e seu extinto protetor havia recaído, com força máxima, sobre mim, tornando quase impossível conseguir que ela me desse permissão para ir a um lugar que ficava do outro lado da cidade e onde eu poderia ser recebida com um tiro na testa.

Depois de quase dez minutos pensando e sem conseguir encontrar nenhuma justificativa que fosse boa o suficiente, decidi contrariar todo o meu bom senso e adotar uma medida drástica.

Eu não tinha o hábito de mentir para a minha avó ou de sair escondida de casa, mas naquela situação – quando eu precisava ir àquele encontro e sabia que ela jamais me daria permissão –, eu tinha de arriscar. Então, coloquei meu pijama, desci as escadas e fui até a sala.

Minha avó estava sentada no sofá, olhando um velho álbum de fotografias da família. Dei uma espiadela no retrato, onde minha mãe e eu fazíamos uma pose idiota enquanto sorríamos para a câmera, e depois me aproximei.

– Vovó. – eu a chamei em voz baixa, pois ela estava tão concentrada na fotografia que achei que poderia assustá-la se falasse mais alto. Ela se virou para mim, com os olhos marejados e eu engoli em seco, já me sentindo culpada pela mentira que inventaria a seguir – Eu já vou me deitar. – disse passando a mão levemente pelo ombro dela.

Minha avó assentiu e eu me inclinei para que ela me desse um beijo de boa noite, como era costume.

– Durma bem, meu amor. – ela disse com sua voz serena, aumentando ainda mais meu sentimento de culpa.

– Obrigada. – segurei a mão dela e a beijei – Tenha uma boa noite, vovó.

Ela voltou a olhar o álbum de fotografias e eu voltei para o meu quarto.

Assim que tranquei a porta, retirei o pijama e vesti uma calça jeans e uma camiseta. Anotei o endereço que havia na última folha de meu livro em um pedaço de papel e, depois de calçar um par de All Star surrado, vesti um casaco e enfiei, em um de seus bolsos, uma nota de vinte dólares, meu celular e o papel com o endereço do encontro.

Segui até a janela de meu quarto e contemplei o jardim escuro que havia logo abaixo dela. Eu nunca tinha feito aquilo antes e tinha medo de acabar quebrando a perna em minha tentativa de fuga, mas, depois de respirar fundo algumas vezes, inclinei meu corpo para fora da janela e, utilizando os espaços entre uma tábua e outra, eu me dependurei e fiz o meu melhor para descer pela parede sem fazer muito barulho e sem escorregar.

Depois do que me pareceu uma eternidade, consegui colocar meus pés no chão e, então, me esgueirei pelo jardim, agradecendo, mentalmente, por minha avó estar distraída com os álbuns de fotografias na sala, pois seria bem mais difícil fugir se a situação fosse diferente.

Saltei, com cuidado, a cerca que delimitava minha casa e segui até a parada de ônibus mais próxima.

Trinta minutos mais tarde, desembarquei em meu destino. Meu relógio marcava, exatamente, 19h13min e eu me perguntava por que o anjo tinha escolhido um lugar tão longe e tão perigoso para o nosso encontro.

Após conferir, mais uma vez, o endereço que eu tinha em mãos, cobri minha cabeça com o capuz do casaco e percorri as ruas sujas e repletas de pessoas mal encaradas daquele bairro, até encontrar o local indicado.

Imaginei que chegaria a uma casa ou qualquer coisa do tipo, mas o endereço que eu tinha me levou apenas até uma esquina que era o cruzamento entre duas ruas. Olhei para todos os lados à procura do anjo, mas, com exceção de um mendigo que dormia no final de uma das ruas e dos papéis que eram carregados pelo vento, o lugar estava deserto.

Comecei a me perguntar se eu estava no local errado, mas logo depois senti aquela estranha presença fluindo de algum lugar atrás de mim e me virei.

– Nunca falha. – ele disse me encarando da mesma forma minuciosa que havia feito no cemitério – Seu dom é impressionante.

– Dom? – questionei, colocando as mãos nos bolsos de meu casaco para aquecê-las.

O anjo não respondeu. Apenas passou por mim e seguiu por uma das ruas.

– Venha comigo. – ele disse e eu, prontamente, o segui.

A rua terminava em um beco sem saída e eu já estava me perguntando o que faríamos ali, quando o anjo indicou uma pequena escada de metal que levava até um apartamento decrépito.

Subi a escada – que era de um tipo retrátil, em que você precisa usar as mãos e os pés para escalar – e, quando cheguei ao último degrau, o anjo me estendeu a mão para me ajudar a sair dela.

Eu não deveria ter ficado surpresa com aquilo, afinal ele era um anjo, mas saber que ele podia chegar ao apartamento sem usar a escada era incrível!

– Obrigada. – eu disse segurando a mão dele para que ele me puxasse.

Ele me ergueu sem nenhuma dificuldade e me colocou bem diante dele. Nossos corpos estavam separados por nada além de um centímetro e, automaticamente, eu senti meu corpo se aquecer com aquela proximidade.

Ele se inclinou para alcançar a maçaneta da porta que estava atrás de mim e o movimento fez com que nossos rostos ficassem tão próximos que meu coração martelou em meu peito e minhas bochechas coraram. Como eu podia ter medo dele quando tinha doze anos? Ele era tão lindo.

– Entre. – ele pediu, fazendo um gesto em direção à porta.

Cambaleei para trás devagar, encantada e desconcertada demais para andar normalmente e entrei no apartamento. Seu interior não estava em melhor estado que sua fachada, mas pelo menos ali dentro eu me sentia mais segura que parada numa esquina qualquer daquele bairro.

O anjo entrou e fechou a porta, indicando-me uma poltrona velha da sala, onde me sentei.

– E então? – perguntei tirando o capuz da cabeça e passando as mãos pelo cabelo numa tentativa de melhorar seu estado – O que você queria conversar comigo?

Ele se sentou no sofá velho a minha frente e me encarou.

– Você sabia que todos os seres humanos têm uma hora da morte definida no instante de seu nascimento? – perguntou com a mesma elegância de um professor universitário bem instruído.

Fiz que não com a cabeça.

Algumas pessoas costumavam dizer que todos tinham uma hora para morrer e que, quando nossa hora chegasse, não haveria como fugir, mas eu nunca acreditei nisso. Eu acreditava que, cada uma de nossas escolhas, nos levava a caminhos diferentes que impactavam em toda a nossa vida e em nossa morte também.

Pelo visto, eu estava errada.

– Os seres humanos têm uma hora certa para nascer e para morrer. – o anjo explicou – Não importa que caminhos sigam ou quais decisões tomem, a hora da morte nunca se altera e, no dia do acidente com o seu ônibus escolar, havia muitas pessoas ali cujas expectativas de vida tinham chegado ao fim. – ele fixou os olhos nos meus e sua expressão ficou séria – Você era uma delas.

Meus olhos se arregalaram com o choque daquela revelação e eu senti como se alguém tivesse me dado um soco no estômago.

– Eu? – praticamente sussurrei, pois parecia que o ar tinha abandonado meus pulmões.

– Eu sou um Ceifeiro, Loren. – ele disse com a mesma tranquilidade com que alguém diria que gosta de sorvete – Nós, Ceifeiros, somos responsáveis por tirar a vida dos seres humanos quando chega a hora e, assim sendo, sabemos exatamente quando isso vai acontecer. Nós podemos ver o momento exato e a causa da morte dos seres humanos e, naquele dia, eu vi que você bateria sua cabeça quando o ônibus capotasse e que conseguiria sair dele com vida, mas que morreria alguns minutos depois devido a uma hemorragia cerebral. Foi por isso que eu me lancei contra você.

– Você ia me matar. – verbalizei o óbvio.

– Sim. – ele assentiu – Entretanto, quando eu estava me aproximando de você, aconteceu algo que eu nunca tinha presenciado em toda a minha existência.

– Você percebeu que eu podia te ver? – supus, lembrando-me de como ele havia se interrompido no meio do caminho até mim e me encarado com uma expressão confusa.

– Admito que isso me surpreendeu também, mas não foi isso que me fez parar.

Franzi a testa para ele.

– Então, o que foi?

– Sua hora da morte simplesmente desapareceu. – ele respondeu sem rodeios.

Encarei-o, incapaz de esboçar uma reação sequer enquanto tentava absorver o que ele tinha dito.

– Como assim desapareceu? – perguntei quando, finalmente, consegui sair de meu estado petrificado.

Ele deu de ombros e se ajeitou melhor no sofá.

– Eu não sei. Sinceramente, nunca tinha visto algo assim acontecer. Em um instante eu podia ver, claramente, como você morreria e, no instante seguinte, não havia nada mais. Foi por isso que eu parei. Eu não consegui entender o que tinha acontecido.

– Mas depois você continuou andando na minha direção. – comentei.

– Sim. Eu imaginei que alguma coisa pudesse estar interferindo na minha visão e achei que se me aproximasse mais, talvez, eu pudesse voltar a ver a sua hora da morte, mas isso não aconteceu. – ele explicou – Mesmo me aproximando eu não consegui ver nada e ainda descobri que você podia me enxergar. Então, quando você despencou daquela ribanceira, eu achei que você morreria ali. Fiquei por perto, esperando para ver se algo aconteceria, mas você foi socorrida, passou algumas semanas em coma e depois acordou.

Ele soltou um suspiro frustrado e eu tentei não pensar que sua frustração se devia ao fato de eu não ter morrido como deveria.

– E você não descobriu o porquê de tudo isso? – indaguei.

– Não. Eu voltei ao local do acidente e tenho te observado desde que você saiu do hospital, à procura de qualquer coisa que pudesse explicar tudo isso. Não encontrei nada e, até agora, não consigo ver quando você vai morrer. É como se Deus tivesse aumentado os seus dias de vida, mas tivesse se esquecido de estabelecer um prazo.

Pensei sobre aquilo por um minuto.

Eu estava viva até o momento porque minha hora da morte havia desaparecido. Então, isso significava que os Anjos da Morte só matavam aqueles humanos cuja hora da morte eles podiam ver com clareza.

Uma luz se acendeu em minha mente.

Se os anjos não podiam ver minha hora da morte, isso significava que eu nunca iria morrer?

– O que acontece se você não conseguir ver minha hora da morte? – questionei.

O anjo ergueu o olhar para mim.

– Não sei. Eu nunca soube de um humano que não tivesse uma hora da morte. Até Jesus Cristo tinha uma hora estabelecida, mas você... – ele fez um gesto em minha direção – Eu não sei o que fazer. Eu contei a Miguel sobre você e...

– Espera. – eu o interrompi – Você disse que contou a Miguel sobre mim? Quer dizer... Aquele Miguel? O que mandou o Diabo para o inferno?

– Existe algum outro Miguel? – ele perguntou, confuso.

Fiz que não com a cabeça, sentindo um enorme sorriso se formar em meus lábios.

– Ah, meu Deus! – exclamei lembrando-me só depois que, segundo a Bíblia, era pecado usar o nome de Deus em vão – Desculpe. – acrescentei quando o anjo me lançou um olhar duro – Mas isso é tão incrível!

– Por quê?

– Por quê?! – exclamei novamente – Ora, porque você estava conversando com Miguel sobre mim. O Arcanjo Miguel sabe que eu existo!

– Miguel não é grande coisa. – ele disse com desdém.

– Você só diz isso porque não é o seu nome que é citado na Bíblia. – retruquei.

Só então me dei conta de como aquela conversa estava se tornando ridícula. Eu parecia uma das fãs dos Jonas Brothers, discutindo sobre a popularidade dos artistas com uma fã de outra banda. E se isso já parecia ridículo quando o assunto era música, imagine agora que o assunto eram anjos.

Outra coisa da qual me dei conta, logo em seguida, era que eu não fazia a menor ideia de qual era o nome daquele anjo. Por, isso decidi perguntar:

– Como você se chama?

Ele me lançou um olhar confuso, como se não estivesse acostumado a responder esse tipo de pergunta e eu percebi que, provavelmente, era esse o caso. Afinal, os anjos já deviam saber os nomes uns dos outros e, com certeza, ele não conversava com um humano todos os dias.

– Meu nome? – ele perguntou franzindo a testa.

– Sim. Você tem um nome, não tem?

Ele assentiu, parecendo um tanto constrangido.

– Eu me chamo Azrael.

– Az... O quê?

– Azrael. – ele repetiu, mas para mim não fez diferença.

Eu era péssima para pronunciar certos tipos de palavras que envolviam a letra R e aquela palavra tinha acabado de ir para o topo dessa lista. Eu jamais conseguiria dizer aquilo!

– Você não tem algum apelido ou um nome mais normal, como o Miguel? – perguntei.

Ele me encarou, provavelmente, cogitando a ideia de eu ser doida.

– Um nome mais normal? – questionou.

– É. Algo mais fácil de pronunciar. – expliquei – Algo como: John, Thomas ou... sei lá, Bryan.

– Bryan? – ele ergueu uma sobrancelha e eu dei de ombros.

– É o nome de um cantor que minha mãe costumava ouvir. – respondi sem jeito – O Bryan Adams.

Ele sorriu e meu coração se acelerou.

Era a primeira vez que eu o via sorrir daquela forma e isso fez todas as coisas que eu havia enfrentado para estar ali naquela noite valerem a pena.

– Eu não tenho um apelido. – ele disse ainda sorrindo – E também não tenho um “nome mais normal”, mas, se quiser, você pode me chamar de Bryan.

– Sério? – arregalei os olhos com a surpresa.

Ele assentiu e eu sorri.

– Bryan. – ele disse avaliando – É. Não soa tão ruim.

Notas finais
Bem, agora vocês sabem uma coisa muito importante a respeito da Loren e também sabem o porque de o Bryan se chamar Bryan kkkk Espero que tenham gostado do capítulo e na quarta-feira eu postarei a terceira e ULTIMA parte das lembranças da Loren. Beijos e até quarta.