Killer

25 Em Chamas


Notas iniciais
Olá, Com o recomeço das minhas aulas na faculdade o meu tempo livre está curtíssimo, mas me esforcei e consegui terminar o capítulo 25 da Killer para vocês XD estão ansiosos? Antes de deixá-los ler, gostaria de agradecer por todos os reviews que vocês me mandaram. Adorei a empolgação de vocês com a história e queria dizer que me sinto honrada com todo esse carinho. Gostaria de dedicar esse capítulo à Animatec pela bela dedicação que fez da fanfic e à Larissa Andrade e Alaska que já acompanhavam minha outra fanfic "Wake Me Up" e que, agora, acompanham também a "Killer". Agora vamos ler? Espero que gostem. Boa leitura ^^

[Loren P.O.V]

Terry fez com que eu permanecesse na enfermaria por um tempo que me pareceu interminável. Acho que eu devo ter dito a ele, pelo menos cem vezes, que nenhum dos funcionários do Saint Auguste tinha feito qualquer coisa comigo, mas não importava o quanto eu repetisse isso, ele não acreditava em mim.

Ele tinha colocado na cabeça que eu havia sido estuprada por algum dos funcionários e o fato de eu não saber explicar como tinha ficado grávida, estando trancafiada em um hospício há mais de dois meses e sem ter tido relações sexuais com nenhum dos homens ali, não ajudava muito em minha situação.

Mas o que eu poderia dizer? Que um anjo da morte de belos olhos azuis havia invadido o meu quarto durante a noite e que nós tínhamos feito amor? Apesar de essa, de fato, ser a história verdadeira eu não creio que Terry ou qualquer pessoa no Saint Auguste acreditaria nela. Sinceramente, nem eu acreditaria se não estivesse vivendo a situação.

Quanto Terry finalmente desistiu de arrancar uma confissão de mim, a lua já estava brilhando alto no céu. Ele me examinou mais uma vez para ter certeza de que estava tudo bem comigo e com o bebê e, depois de anotar em meu prontuário que eu deveria receber refeições balanceadas e alguns suplementos vitamínicos, deixou que Madeline me conduzisse para o banho e, depois, de volta ao meu quarto.

Minha refeição daquela noite seguiu à risca as indicações de Terry. Recebi uma porção de arroz, purê de batatas, peito de frango grelhado e uma verdadeira avalanche de verduras e legumes. Tomei um suco natural de maracujá e, de sobremesa, comi uma fatia de melão. Não tive que tomar nenhum suplemento vitamínico, entretanto, pois Madeline achou que seria melhor eu começar a tomá-los apenas no dia seguinte.

Quando terminei de comer, entreguei a bandeja à Madeline e ela me lançou um último olhar curioso, antes de sair de meu quarto e trancar a porta. Ao que parecia a notícia de meu suposto estupro já havia se espalhado pelo Saint Auguste e eu tinha certeza que todos os funcionários estavam se perguntando quem teria feito tal coisa comigo. Terry não desistiria fácil de encontrar um culpado para o crime e eu só podia rezar para que nenhum inocente fosse punido por minha causa.

Estando sozinha eu, finalmente, pude parar para pensar em como a minha vida estava ferrada.

Eu tinha dezoito anos e estava trancafiada em um hospício, condenada por matar um de meus melhores amigos. A única família que eu, de certa forma, ainda tinha havia se mudado para outra cidade sem nem deixar um endereço e, para completar o desastre – porque nada em minha vida é tão ruim que não possa piorar –, eu estava grávida. Mas não só isso. Eu estava grávida de um anjo da morte que havia ido até o Paraíso para ter uma conversa rápida com Miguel e há quase um mês não dava as caras!

É. Eu estava enrascada até o pescoço e não tinha para onde correr. Eu só não me perguntava se havia como as coisas ficarem piores porque tinha medo de o destino tomar isso como um desafio.

Aproximei-me da janela e encarei o céu, que estava parcialmente encoberto pelas nuvens.

– Sabe, essa é a hora em que você volta. – eu disse em voz baixa – É a hora em que você simplesmente aparece no meio do meu quarto e me diz que achou um jeito de burlar as leis do Paraíso e de me tirar daqui. Aí nós vamos embora e vivemos felizes para sempre. Será que você nunca leu um livro de conto de fadas, Bryan?

A única resposta que obtive foi o silvo baixo do vento, lembrando-me que minha vida não se parecia em nada com um conto de fadas. Eu não era uma princesa certinha e delicada e Bryan, tão pouco, fazia o tipo príncipe encantado, mas por alguma razão eu ainda não tinha desistido de encontrar o meu “felizes para sempre”.

Agarrei as grades da janela e dei uma boa olhada em toda a paisagem escura que rodeava o Saint Auguste. Bem ao longe eu podia ver o insignificante risco prateado que era o Rio Mortari àquela distância e isso fez com que eu me sentisse ainda mais solitária e pequena.

O mundo era enorme e o universo era maior ainda. Bryan podia estar em qualquer lugar dele naquele instante e eu devia parecer menor que um grãozinho de areia a seus olhos. Isso, é claro, supondo que ele pudesse me ver de onde estava.

– Você disse que não ia me deixar de novo, lembra? Você me prometeu, Bryan. Porque está demorando tanto para voltar?

Mais uma vez o soprar do vento lá fora foi a única resposta que obtive e senti meu coração afundar dentro do peito.

Desde que Bryan partira eu não conseguia me livrar daquela sensação terrível de que nunca mais o veria o de novo e, agora que eu sabia que estava esperando um filho dele, essa sensação quase me levava ao desespero.

Eu não fazia ideia de como enfrentaria aquela situação sozinha. Bryan com certeza não tinha nenhuma experiência com a paternidade, assim como eu não tinha com a maternidade, mas eu me sentia mais confiante e segura com ele por perto. Era como se ele pudesse afastar de mim todas as incertezas e medos e transformar tudo o que havia de ruim em minha vida em algo bom.

Levei a mão até minha barriga e acariciei meu ventre, que ainda não continha nenhum volume, no exato momento em que as luzes de meu quarto se apagaram. Já devia ser quase dez da noite, mas como eu havia ficado até tarde na enfermaria com Terry e ainda precisava tomar um banho e jantar, Madeline tinha pedido que as luzes de meu quarto ficassem acesas por mais tempo. E esse tempo tinha acabado.

Completamente no escuro e sentindo meus pés congelarem por causa do contato com o chão frio, decidi que era hora de voltar para a cama e dormir. Minha vida estava de cabeça para baixo, era verdade, mas ficar na janela, sentindo frio, não ia mudar coisa alguma e, tão pouco, faria Bryan voltar mais depressa.

Além do mais, agora eu tinha uma vida se desenvolvendo dentro de mim e precisava cuidar dela. Eu podia até não saber nada sobre ser mãe, mas tinha assistido a aulas de biologia suficientes para saber que pegar um resfriado não faria bem ao meu futuro filho. Ou filha.

Enquanto me deitava na cama e puxava os cobertores para mais junto do corpo pensei em tudo que aquela criança representaria na vida de Bryan e na minha.

Eu era humana – embora fosse uma profetisa – e Bryan era um anjo. Eu nunca tinha ouvido falar na existência de uma criança que fosse metade humana e metade anjo e, além de não saber que tipo de ser aquela criança que estava dentro de mim seria, eu tinha certeza que a existência dela estava quebrando algumas regras celestiais.

Eu me perguntava o que Miguel, que já não aprovava o meu relacionamento com Bryan, faria se descobrisse que nós teríamos um filho. Será que Bryan seria expulso do Paraíso? Será que Miguel o mandaria para o Inferno assim como tinha feito com Lúcifer? E o que ele faria comigo? Teoricamente, eu nem deveria saber da existência dos anjos, quanto mais ter um filho com um deles. Será que Miguel obrigaria Bryan a apagar minha memória de novo ou será que ele mesmo faria isso? E o que aconteceria com o meu filho? Miguel o tomaria de mim e o levaria embora ou o mataria?

Eu tinha muitas perguntas para as quais não tinha respostas. Todo o meu futuro era como uma incógnita que se estendia a minha frente como um túnel sem uma luz no final. Tudo o que eu sabia era que, passado o choque que a notícia de minha gravidez me causara, eu havia começado a amar a vida que havia dentro de mim.

Aquela criança era um pedacinho de Bryan e do amor que nós dois compartilhávamos e tê-la comigo era como ter Bryan sempre por perto. Era uma lembrança permanente de tudo o que nós tínhamos vivido.

Acariciei meu ventre novamente e, sem que eu percebesse, um sorriso radiante se formou em meus lábios. Apesar de todas as complicações que aquilo implicaria em minha vida, eu estava feliz por me tornar mãe e esperava que o meu filho pudesse sentir isso.

Não importava as adversidades pelas quais eu teria que passar, aquela criança seria bem vinda e amada e eu faria o possível e o impossível para permanecer com ela e para protegê-la. E, embora eu não pudesse explicar como sabia daquilo, eu tinha certeza que Bryan também faria de tudo para protegê-la e para me proteger e isso me reconfortava.

Sentindo-me mais tranquila e contente, comecei a cantar para o bebê as canções de ninar que minha cantava para mim. Eu não sabia se ele podia me ouvir, afinal eu ainda nem tinha um mês de gravidez completo, mas cantei assim mesmo. Eu queria que desde o início ele soubesse que era amado.

Não me lembro do momento exato em que adormeci, mas quando acordei o Saint Auguste estava um verdadeiro caos.

Uma sirene alta e irritante ecoava por todo o hospital, acordando todos os internos e fazendo com que muitos deles ficassem inquietos e começassem a berrar e bater nas portas de seus quartos.

Eu podia ouvir a correria e os gritos dos enfermeiros pelos corredores, mas os sons chegavam abafados e eu não conseguia entender nada do que diziam. Eu nunca tinha visto os enfermeiros tão agitados quanto naquela noite e me perguntava o que, diabos, estaria acontecendo lá fora para deixá-los daquela forma, mas não precisei perder muito tempo cogitando possibilidades.

Menos de três segundos depois a porta de meu quarto se abriu com um estrondo e o rosto preocupado de Madeline apareceu por ali.

– O hospital está pegando fogo. – ela disse um tanto sem fôlego – Precisa sair agora.

Madeline sumiu pelo corredor tão rápido quanto tinha aparecido e eu precisei de um segundo para processar a informação que ela tinha me dado, antes de pular da cama e correr para fora de meu quarto.

Agora que estava do lado de fora eu podia entender o motivo de toda aquela gritaria.

Uma grande labareda alaranjada avançava pelo corredor, lançando uma cortina de fumaça negra no ar e os enfermeiros do Saint Auguste estavam abrindo as portas de todos os quartos e gritando para que os internos saíssem. Aqueles que possuíam uma demência mais grave recebiam acompanhamento, mas o restante simplesmente saía correndo, escada abaixo, sem saber para onde fugir e eu tinha a impressão de que alguns deles nem tinham consciência de que estavam no meio de um incêndio e que poderiam morrer.

Olhei para o teto na esperança de que os sprinklers disparassem e só então percebi que o Saint Auguste não contava com tal mecanismo. Fiquei chocada de imediato.

Aquele era um dos maiores hospitais psiquiátricos da Costa Oeste. Tinha centenas de metros quadrados, nove andares e abrigava centenas de pacientes. Como eles podiam não ter um sistemas de sprinklers?!

Um enfermeiro passou correndo por mim, carregando um extintor de incêndio vermelho e eu quase ri. Pelo menos eles tinham extintores de incêndio, embora eu tivesse sérias dúvidas de que eles seriam úteis em um incêndio de grandes proporções como aquele. O que eu esperava mesmo é que eles tivessem acionado o corpo de bombeiros, pois caso contrário, muita gente morreria ali.

Sabendo que a cada segundo que eu perdia o fogo aumentava um pouco mais, tratei de correr para a saída. O chão estava quente sob os meus pés e derrapei algumas vezes no piso coberto de fuligem, pois na pressa de sair de meu quarto nem me lembrei de calçar os chinelos que havia deixado perto de minha cama quando me deitei.

Rumei pelo corredor em direção a uma das poucas saídas de incêndio das quais o Saint Auguste dispunha, mas ao abrir a porta corta-fogo foi surpreendida pelas intensas chamas alaranjadas que arderam de encontro a mim e tive de fechá-la rapidamente.

Tossi e passei a mão no rosto para afastar o calor que o fogo havia deixado em minha pele e então olhei para a porta corta-fogo, confusa. O fogo estava avançando pelas saídas de emergência e eu não sabia como aquilo era possível. As portas corta-fogo tinham, justamente, a missão de impedir que o fogo invadisse as escadas de emergência e, mesmo que ele tivesse invadido, eu não entendia como as chamas podiam estar tão fortes se as escadas não possuíam nenhum material que servisse de combustível.

Senti alguém segurar meu braço com força e desviei meu olhar da porta corta-fogo, encontrando um dos enfermeiros do Saint Auguste ao meu lado. Seu uniforme branco estava coberto de manchas de fuligem e seu rosto estava avermelhado e coberto de gotículas de suor.

– Precisamos sair agora. – ele disse puxando-me em direção à escada principal.

Dei uma rápida olhada para o corredor, onde ainda era possível ouvir alguns internos batendo na porta de seus quartos ou gritando e estaquei, puxando a mão do enfermeiro para fazê-lo parar de correr.

– Ainda tem pessoas presas dentro dos quartos. – gritei – Temos que tirá-los de lá.

– Não dá. O fogo tomou conta do corredor e não dá para passar. – ele me olhou assustado – Se tentarmos ajudá-los podemos morrer. Temos que sair daqui o mais rápido possível. Esse lugar inteiro vai ser engolido pelas chamas em alguns minutos.

Olhei mais uma vez para o corredor, sentindo um nó se formar em minha garganta. Eu sentia pelas vidas que seriam perdidas naquele lugar, mas o enfermeiro tinha razão. O Saint Auguste seria engolido pelas chamas em poucos minutos e se não saíssemos logo dali acabaríamos mortos.

– Me perdoem. – eu disse em voz baixa para aqueles que estávamos deixando para trás e recomecei a descer a escadas com o enfermeiro.

Nós tentamos guiar todos os internos que encontramos pelo caminho até a porta de saída, mas alguns pareciam tão absortos em sua loucura que quando tentávamos puxá-los eles fugiam e nós éramos obrigados a deixá-los.

Por onde passávamos o cenário era assustador. Pessoas esbarravam-se umas nas outras, desesperadas para chegar à saída. Algumas caíam e eram pisoteadas pelas demais, gritando em agonia. Havia vários corpos jogados pelo chão, tanto de pessoas que pularam da escada para tentar se salvar quanto de pessoas que haviam se intoxicado demais com a fumaça negra do incêndio. Estávamos mergulhados em um mar de corpos, fumaça e fogo e a cada minuto que se passava as chamas pareciam aumentar e avançar ainda mais pelo prédio.

Quando finalmente conseguimos chegar ao térreo, vi que a confusão estava ainda pior ali que nos outros andares. Ao que parecia o fogo havia danificado o sistema de trancas eletrônicas do Saint Auguste e nenhum dos enfermeiros tinha conseguido abrir a porta com seus cartões magnéticos e estavam tentando arrancar as grades das janelas para que as pessoas pudessem sair.

O desespero era geral e eu já começava a pensar que todos nós morreríamos ali. Depositei a mão sobre o meu ventre, temendo pela minha vida e pela vida do meu filho, que ainda nem tivera a oportunidade de saber o que era estar vivo, mas então um forte golpe atingiu a porta, fazendo todas as suas dobradiças de aço reforçado se soltarem da parede e, um segundo depois, ela atingiu o chão com um estrondo, caindo sobre algumas pessoas que estavam próximas.

As pessoas no térreo ficaram paralisadas por um momento, não sei se de susto ou de surpresa, mas assim que voltaram a si, começaram a correr para fora do prédio, espremendo-se para conseguirem passar pela porta.

Eu teria feito o mesmo, mas meu olhar estava fixo em algo que eu sabia que nenhuma das outras pessoas ali podia ver.

Parados em frente à porta estavam sete anjos que trajavam roupas pretas e pesadas. Quatro deles possuíam asas brancas e os outros três possuíam grandes asas negras como as de Bryan e eu logo os reconheci como Ceifeiros.

Senti um arrepio percorrer o meu corpo ao perceber que eu veria a cena do acidente com meu ônibus escolar se repetir bem ali no Saint Auguste, mas isso não foi nada comparado ao arrepio que senti ao ver outro anjo adentrar o andar térreo do prédio.

Ele era enorme. Mais alto que todos os outros anjos, com longos cabelos loiros, olhos dourados e impressionantes três pares de asas. Seus olhos vagaram pelo cenário de total destruição que havia a sua volta e então encontraram os meus.

– Ora, ora. – seus olhos se estreitaram – Eu estava justamente procurando por você, Loren.

Notas finais
E agora? Miguel está no Saint Auguste, frente a frente com a Loren! E onde está Bryan? *musiquinha de suspense* kkk Espero que tenham gostado do capítulo e que estejam ansiosos pelo próximo. Não sei bem quando vou postar, mas tentarei ser o mais rápida possível, ok? Beijos e até o próximo capítulo o/