Notas iniciais
Olá galera, tudo bem? Fiz essa Fic com base em uma ideia já antiga e que agora resolvi dar continuidade. Espero que gostem e que estejam preparados para muitos capítulos, pois se trata de uma estória um pouco longa rsrsrs

Estava tão quieto ali, os pássaros que corriqueiramente cantavam sem parar naquele local emudeceram-se de tal forma que pareciam nem existir. A brisa que sempre passava por ali, carregando as folhas caídas ao ar e balançando exuberantemente os cabelos das mais belas Lyncas que viviam naquela região não se movimentava mais, o ar parecia ter parado perplexo com o fato que ocorrera há alguns instantes.

Lançando aos poucos as cinzas daquele lugar ao ar, as chamas tomavam conta de tudo aquilo que ele um dia chegou a chamar de lar. As imensas árvores que serviam de moradia para seu povo agora estavam caindo aos pedaços, o lago cristalino ao qual eram celebradas todas as noites os contos de seus ancestrais e a benção de seu deus, agora estava repleto de corpos ensanguentados, a transparência dele tinha tomado um tom rubro intenso e o cheiro que dali exalava lhe dava ânsia de vômito.

Alguns poucos sons rompiam aquele silêncio além dos da destruição deixada para trás. Vagamente podia-se ouvir o barulho de rodas de carroças misturado ao meio de passos vagarosos de cavalos e um som quase imperceptível de correntes balançando, ambos juntos iam cortando aos poucos o silêncio daquela mata por onde passavam.

Abandonados à mercê do destino estavam ali os poucos sobreviventes do massacre que acabara de ocorrer. Baixos gemidos de dor e de choro ora ou outra escapavam de alguns Lyncas que estavam ali acorrentados em fila indiana e que andavam se arrastando o mais rápido que podiam, porém bem de vagar, pois estavam muito feridos e cansados graças ao combate que acabaram de perder, eles eram escoltados por alguns cavaleiros e soldados humanos. Suas expressões eram terríveis, a esperança de que alguma coisa boa viesse a acontecer se esvaia de seus rostos, parecia que todos estavam vivendo o pior de seus pesadelos, porém infelizmente tinham que aceitar que aquilo tudo era real.

Estavam ali também algumas carruagens gradeadas e lotadas com belas Lyncas acorrentadas e amordaçadas, várias delas estavam inquietas, em contrapartida outras estavam imóveis, com os olhos quase saltando de seus rostos, demonstrando o pânico que sentiam ao ver a espécie humana revelar a sua verdadeira natureza, uma delas era Cryska, uma jovem de cabelos longos e prateados que eram quase a extensão de sua pele branca quase como a neve.

Vivendo aquela situação ela sentia um aperto no peito, um dia estava vivendo ela e seu povo em uma paz e harmonia com os outros seres da natureza, e hoje estavam sendo transformados em escravos daqueles que antes eram considerados inofensivos, mas que agora mostravam quem eram de verdade – que já era da consciência de vários outros povos, mas que agora já era também do seu – Agora, após ter visto vários queridos companheiros perecerem nas lâminas sedentas de seus opressores, Cryska temia por sua vida.

Bem na frente da fila de acorrentados, ela conseguia visualizar uma figura imponente, era River, um elfo também de cabelos prateados, com estatura alta, seus cabelos caiam sobre seu dorso cobrindo assim aquilo que ele tinha que despertava tanto a cobiça dos humanos. Seu amigo de infância era alguém que lhe atiçava a curiosidade desde o primeiro dia em que se falaram. Era o único Lynca que não andava de cabeça baixa, pelo contrário, sua cabeça sempre erguida não desviava o olhar de um ponto a sua frente: Era um cavaleiro com roupas brancas em detalhes marrons, sua fina capa caia e cobria toda a parte traseira de seu garanhão. Embora não tivesse armadura ele não tinha nenhum arranhão, guiando assim seu exército o Carrasco Grimorry mantinha sua pose sutil a frente de seus homens, e isso era o que mais despertava ira no olhar de River, como alguém após promover um massacre poderia mostrar tamanha frieza?

Agora, com suas lembranças queimando junto com sua terra natal, os Lyncas descobrem o que é o desespero, melancolia passou a tomar conta de seus corações puros. Um povo que vivia da natureza e para a natureza de modo harmônico, que não sabia diferenciar o bem do mal, a felicidade da tristeza, a comunidade da solidão, pois não se é perceptível que as coisas possuem extremos opostos se apenas um deles se encontrar presente, já que o outro não está para se saber a diferença entre ambos.

Enquanto River continuava fitando Grimorry, sentiu um vento gelado passar por ele, vindo de trás e balançando seus cabelos fez com que aquela marca em seu dorso ficasse exposta, sentiu calafrios subirem por sua coluna até sua nuca enquanto sentia pontadas em sua marca nas costas, foi como naquela vez, logo antes daquele marco da história ocorrer, o mesmo que fez com que tudo terminasse daquele jeito. Aquela brisa que passava por ele começou então a tomar uma forma de névoa. River não percebia pois estava muito focado no que estava acontecendo a sua frente, mas tudo ao seu redor tinha silenciado: As vozes de sofrimento de seus irmãos, o som de destruição atrás deles, o relinchar dos cavalos, o barulho das rodas das carroças e das correntes balançando, tudo havia cessado após aquele vento passar por entre eles. A névoa então começou a se concentrar em um local específico a sua frente, tomando uma forma quase humana aquilo ficou ao lado do Carrasco. Todos continuavam andando normalmente como se aquilo não se fizesse presente, mas o mesmo planava ao lado do cavalo de Grimorry enquanto o observava, parecia que somente River conseguia ver ele. De repente a criatura se virou e olhou para o Lynca de cabelos prateados, o mesmo já estava suando frio de nervosismo, e então ela lhe proferiu apenas algumas palavras antes de se condensar na atmosfera e desaparecer: "Não o odeie".

Aquela voz era sobrenatural, não parecia ser um som que qualquer outro ser poderia produzir, na verdade, parecia mais uma junção de várias vozes que falavam ao mesmo tempo a mesma coisa e em perfeita sintonia. Apesar daquilo ser uma experiência inexplicável, mais inexplicável ainda era o que aquele ser tinha lhe dito, como era possível não sentir ódio por uma pessoa que lhe tirou tudo sem a menor misericórdia, sem nenhuma piedade aquele homem lhe traiu e destruiu tudo o que era importante para ele, como se não fosse nada. Uma grande interrogação agora estava na mente de River, além de não saber mais o que fazer ele também não sabia mais o que sentir, o mesmo se encontrava em um enorme conflito interno, mas duas perguntas se destacavam em seu pensamento: O que seria do futuro? e o que realmente acontecera no passado?

Notas finais
Gostaram? Espero que sim! Sou todo ouvidos para críticas construtivas, dicas e elogios. Boa noite a todos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.