Kian, a assassina
18 Capítulo 16 - A vontade de proteger é maior do que a de machucar
Notas iniciais
~P. O. V. Kian – no dia seguinte~
A batalha contra Shellow não foi fácil. Não é à toa que ele é o mais forte do grupo – ou era até ser derrotado por mim. Não é por nada não, mas estou começando a achar que sou invencível... Mas não posso subestimar meus adversários – eles estão bem fortes nesse ano. E por isso mesmo também estou: eu quero, posso e vou vencer essa competição.
Resolvi observar uma batalha entre uma guria chamada Shiro e Kuro. Para início de conversa, eu não conheço nenhum dos dois, eles só me pareceram... Suspeitos. Ambos são novatos e ganharam todas as lutas até agora. Obviamente eu queria mais ver os dois lutando para saber quem seria mais difícil para derrotar e saber qual tática usaria e assim ganhar mais rapidamente. Porém, não foi isso o que aconteceu – Shiro era tão rápida que não pude acompanhar muito bem seus movimentos.
~P. O. V. Kuro ~
Foi muito difícil ter que batalhar contra Shiro, minha melhor amiga e “irmã”. Sempre estivemos juntos e nossa amizade existe desde sempre e, por mais que quisesse o prêmio, ela não pode perder. Ficaria imensamente triste e não gosto de vê-la assim; mas não iria deixá-la ganhar tão rapidamente.
Estávamos em um jardim, e ela simplesmente ama jardins. Tirou a máscara que cobria sua boca e disse:
— Essa é só mais uma luta entre nós, certo? –ela sorriu inocentemente. Gosto muito de seus sorrisos.
—Sim... – respondi, tirando também minha máscara. A contagem regressiva começou e ataquei sem pensar. Ela era rápida, até mais que eu, porém eu já sabia que ela iria esquivar e ataquei novamente. Ela defendeu e contra-atacou, quase me acertando no ombro. Bela tentativa, mas ela não iria conseguir me atingir tão facilmente. Afastei-me um pouco e lancei algumas kunais, nas quais ela cortou ao meio. Sabia que ela defenderia qualquer ataque meu, então deixei que ela mesma tomasse a iniciativa. Percebendo que eu estava parado, ela correu em minha direção e tentou me ferir com sua katana, porém agarrei-a e a parei. Shiro hesitou momentaneamente, e essa foi minha oportunidade para desferir um golpe. Como estava com as mãos ocupadas, tive que chutá-la, e o impacto foi tanto que ela foi arremessada para longe. Agora eu tinha duas katanas e ela só tinha shurikens!
— Ei, Kuro... – ela falou, levantando-se. – Agora sei que dessa vez não posso me conter.
Ela sumiu e apareceu em minha frente tão rápido que não tive tempo para reagir. Deu-me um soco forte e recuperou sua katana tirando-a da minha mão. Reagi defendendo os golpes posteriores e aguardando uma chance para feri-la, porém ela era tão rápida que me acertou sem que eu pudesse defender e, por fim, chutou-me. A situação não era favorável: já tinha perdido grande parte do HP sem que ela tivesse perdido ao menos 5%. Alheio a isso, tentei mais uma investida, usando a mesma técnica que ela de reaparecer em locais aleatórios e acabei parando atrás dela, o que foi ótimo: pude acertá-la nas pernas, dificultando sua capacidade de movimento. Agora ela não seria tão rápida como era, restringindo sua gama de ataques. Mesmo assim, ela ainda podia lançar suas shurikens, que foram facilmente repelidas.
—É o fim, Shiro. – anunciei. Ela riu sarcasticamente e disse:
—Tem certeza? – ela invocou dezenas de shurikens em minha direção. Tive que me concentrar em cortar todas, e, para minha surpresa, cada uma cortada fazia três surgirem em seu lugar. Minha única opção era fugir, mas eu sabia que, se fizesse isso, ela invocaria ainda mais shurikens.
—Creio que seja o fim para você. – ela falou.
—Acha mesmo? – eu sumi do campo de visão dela e sabia que ela acharia que eu fui para trás dela. Esperei ela virar para trás e apareci novamente atrás dela para, desta vez, fazer um corte profundo em seu braço direito. Como ela estava sem reação, fiz outro corte, desta vez em seu braço esquerdo. Chutei-a para longe e esperei-a se levantar para reaparecer em sua frente novamente. – Seu problema continua sendo a falta de foco. Esperava que essa batalha fosse um pouco mais demorada, porém infelizmente não foi isso o que aconteceu.
—Por que você sempre tem que ganhar de mim? – perguntou. Eu já conseguia perceber as lágrimas se formando em seus olhos.
—Não dessa vez, Shiro. – respondi, usando minha katana para perfurar meu coração. – Aliás, ganhe esse torneio... Por nós, okay?
—Sim. Eu prometo. – ela sorriu, chorando.
~P.O.V. Nikarel~
Uau. Pelo o que eu vi, esses tais Shiro e Kuro sabem lutar muito bem. É inevitável que Shiro uma hora vá batalhar contra Kian, e temo que ela vença. Porém Kian é a pessoa mais overpower que eu conheço e, bem, mesmo que perca, essa será uma boa batalha.
Estava tão pensativo que nem vi Redflash chegando:
—Ei, cara. – falou. – Topa ir num bar na Capital hoje? Chamei alguns conhecidos para vir também, quanto mais gente melhor.
—Ah... Tudo bem. Vou chegar por volta das 18:00.
—Algumas horas depois-
—E vamos oferecer um brinde ao sucesso de nosso amigo Kradbill, que, embora não tenha conseguido chegar à terceira rodada do torneio, finalmente conseguiu entrar para uma guilda! Kanpai!¹ – alguém anunciou.
—Kanpai!- todos disseram.
Comemos e bebemos muito em um bar conhecido por aqui na Capital. Todos estavam muito felizes e, embora só conhecesse algumas pessoas de lá, estava conversando e me divertindo também. Acabei fazendo uma nova amizade com uma assassina chamada PurpleGun, que também era amiga de Kian.
Algum tempo depois de tudo isso, Kian sumiu misteriosamente. Eu sei que já deveria ter me acostumado com esses sumiços dela, mas, sempre que ela some, algo de ruim acaba acontecendo. Acho melhor sair para procurá-la.
~P. O. V. Kian~
—Kian. – uma pessoa me chamou. Tentei ver quem era e obtive uma surpresa: não se tratava de ninguém menos que Redflash, aquela guria sem sal.
—Redflash, quanto tempo! Que bom te ver! – falei, com um sorriso falso estampado na face. Tratamos pessoas falsas com mais falsidade ainda.
—Obviamente que não. Ainda te odeio. – respondeu, séria e com um olhar assassino.
—Ai, sério? Que pena, gostava tanto de você... – calma, Kian, é para trata-la com falsidade, não como se você fosse uma vadia.
—Para de ser falsa, garota. Eu sei muito bem que você também me odeia.
—Só notou isso agora? Também, eu acho que essas suas marias-chiquinhas feitas com Mega-hair² estão sugando sua inteligência e capacidade de perceber o sarcasmo alheio. Ah, e só para falar, esse seu olharzinho assassino não intimida ninguém. – joguei as palavras na cara dela. Kian 1 x Redflash 0.
—Não pedi sua opinião, drogada. – tentou rebater.
—Não estou nem aí se você pediu minha opinião ou não. É só isso que você tinha para falar? Estou ocupada conversando com o MEU Nikarel, se você não tinha percebido. – eita, agora esculachei. Kian 2 x Redflash 0.
—Seu Nikarel? Faz-me rir! Você o mantém em cativeiro e ainda diz que é seu? Acho que alguém precisa te ensinar uma pequena liçãozinha... Esse seu ego daqui a pouco vai estar mais alto do que... Seus níveis? Se bem que eles também não são tão altos; não tanto quanto sua falta de maturidade e intelecto.
Agora essa vadia me paga.
Em alguns milésimos de segundo, segurei-a pelo pescoço e apertei o mais forte que eu pude. Ela apenas sorriu sarcasticamente e disse:
—Gh.... Então admite? Eu sei que estou certa... Estou sempre certa.
—Pessoas mortas não falam, Redflash. – murmurei, soltando-a. – Terei piedade de você por hora, porém não me perturbe mais. Não quero te ver novamente.
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