Kháos

19 Pragma


Notas iniciais
Do grego: 1. amor comprometido ou companheiro; 2. "realidade", uma forma amadurecida e pragmática do amor.

Jackson

Respirando fundo, Jackson Tanner-Fuller saiu do elevador de seu prédio, porém, parou na entrada do corredor que dava para o seu apartamento, hesitante em ter que atravessar os metros restantes. Kimmy Gibbler havia voltado para São Francisco no dia anterior e DJ Tanner-Fuller chegara naquela manhã para ficar em seu lugar. Sua mãe tinha chegado de viagem quando ele já havia saído para o trabalho, portanto, Ramona ficara responsável pela conversa inicial estranha e com toda a certeza regada por lágrimas. Seu celular passou a manhã vibrando com mensagens tanto de Ramona quanto de sua mãe, variantes de "Ela não para de chorar!" a "Por que vocês não separam o lixo?!". Se preparava mentalmente para uma batalha enquanto se forçava a arrastar seu corpo de volta para casa.

— Boa sorte.

Girou a cabeça quando escutou a voz mal-humorada de seu vizinho. Tom apenas acenou para ele antes de voltar a fechar a porta. Jackson gemeu nervoso, se Tom estava gastando seu tempo para incentivá-lo, então ele iria precisar de muita coragem e paciência para enfrentar o que o esperava do outro lado da porta. Com passos pesados, atravessou o corredor, parando em frente à porta de madeira escura. Inclinou o corpo para frente, encostando a orelha contra a madeira fria a fim de tentar distinguir qualquer som de uma possível discussão, entretanto, apenas sons abafados atravessavam o material e concluiu que elas deveriam estar bem.

Com cuidado, girou a maçaneta e abriu a porta, olhando com preocupação para a madeira que se abria, já havia conversado com Ramona sobre o perigo de deixar a porta destrancada. Eles não estavam mais em São Francisco e na maior parte do tempo ela ficava sozinha, apesar do prédio se encontrar em um bairro tranquilo, nenhuma precaução era de mais. Resolveu deixar a conversa para mais tarde e se forçou a entrar silenciosamente no apartamento. Mal havia atravessado a porta quando começou a escutar as vozes inquietas vindas do balcão da cozinha. Fechando com cuidado a porta atrás de si, permaneceu parado enquanto observava a cena se desenrolar à sua frente.

— Eu não vou comer isso. — Ramona empurrou o prato sobre o balcão de volta para DJ, uma expressão de completo nojo estampada em seu rosto.

— Você precisa se alimentar direito, Ramona. A má nutrição da mãe acarreta em problemas para o bebê. Má formação do cérebro, falta de vitaminas essenciais para o crescimento, até mesmo parto prematuro ou faleci...

Sua namorada bufou alto, cruzando os braços defensivamente quando DJ interrompeu a frase. Jackson gemeu internamente quando reconheceu o olhar irritado em seu rosto. Não seria uma noite tranquila.

— Você não pode dizer essas coisas. — afirmou, com as sobrancelhas franzidas enquanto se forçava a se controlar. — E eu me alimento muito bem, eu sei me cuidar.

Notou as costas de sua mãe relaxarem, seu tom suavizando quando ela esticou o corpo para frente a fim de tentar se aproximar de Ramona.

— Não estou dizendo que você não sabe, mas um pouco de cuidado a mais é sempre bom. — seu tom era razoável, o que fez com que a Gibbler descruzasse os braços e permitisse que DJ cobrisse sua mão com as dela. — E já que estamos nisso, acho que você não deveria ficar fazendo exercícios sozinha, seria melhor você ter um acompanhamento com um profissional.

Estreitando os olhos, Ramona declarou sucintamente:

— Eu sou uma profissional.

— Uma qualificada para trabalhar com grávidas, meu amor. — a corrigiu com carinho. — Olha, se o que a está impedindo é o valor, eu posso muito bem estar ajudando vocês com essa parte. Estou vendo o quanto vocês estão tentando e tenho orgulho disso, mas as despesas não estão nem perto nesse momento dos gastos que vocês irão ter quando seu bebê nascer.

Ramona não falou nada, apenas ficou encarando DJ, uma expressão tempestuosa tomando seu rosto enquanto um brilho familiar em seus olhos alertou Jackson da rachadura em sua armadura. Dando um passo a frente, se fez presente, recebendo a atenção das duas mulheres. Notou a namorada enxugar rapidamente os olhos antes de quase ser derrubado por um corpo sendo jogado contra o seu. Se apoiou rapidamente, rodeando o pequeno corpo de sua mãe com seus braços, a apertando forte, mas nunca deixando o olhar de Ramona que apenas respirou fundo antes de indicar o corredor com a cabeça. Assentiu minimamente, consciente das lágrimas que manchavam sua camisa e dos resmungos murmurados contra seu peito, porém, só conseguiu dar total atenção à sua mãe quando Ramona sumiu de sua linha de visão.

— Como você pôde fazer isso comigo? — DJ o afastou, o rosto vermelho e manchado pelas lágrimas.

Jackson se encolheu diante da decepção clara em seus olhos, sentindo sua própria resistência quebrar e o nariz pinicar em prelúdio a um choro que não o levaria a nada naquele momento. Inspirando fundo, deixou a bolsa ao lado da porta com cautela, passando o braço pelo ombro de sua mãe enquanto a guiava para sentar no sofá. DJ o acompanhou sem resistência, aceitando com um "obrigada" uma caixa de lenços. Ele sempre estocava aquelas caixas, Ramona se encontrava chorando por tudo, desde um comercial de cereais a uma família de cachorros passeando com seus donos em frente ao prédio.

— Não foi planejado. — confessou, sentando-se de lado para vê-la melhor. — Nada disso foi, mãe. E não queríamos deixar vocês no escuro, mas... olha, não há como contar tudo o que estava acontecendo sendo que ainda estávamos tentando nos situar.

— Quase um ano Jackson, você se mudou para cá por quase doze meses. Como é possível que durante esse período todo você não tenha pensado em nós? Em mim?

— É claro que eu pensei, nós pensamos. Mas, mãe, quando eu cheguei aqui estava perdido, não sabia como seguir completamente em frente porque não havia garantia de nada. — precisava que ela entendesse. — Eu tinha uma proposta de emprego e só. Então eu vim, encontrei a Ramona e pedi ajuda. Nos primeiros meses era apenas uma rotina normal, trabalhávamos em horários corridos e mal nos víamos, ela principalmente. O tempo passou, nos mudamos e nossa relação também se transformou. Foi um pouco complicado, não vou mentir, passar de quase irmãos para namorados e para completar uma gravidez.

— Eu entendo. — disse, enxugando as lágrimas de seu rosto com delicadeza. — Jackson, eu realmente entendo que deveria estar sendo um turbilhão para vocês se situarem, mas somos sua família, não iríamos colocar um peso extra em cima de vocês.

— Não? — a risada levemente incrédula saiu rapidamente. — Como vocês teriam reagido se contassemos que estávamos namorando e morando juntos? Eu sei o que teria acontecido. Você, a Kimmy e a tia Steff estariam planejando uma festa de casamento, o Fernando iria passar meses sem falar comigo, o que faria com que a Ramona ficasse triste, mas no fim seríamos atolados de mensagens e ligações todos os dias perguntando sobre os nossos planos para o futuro, como estamos nos mantendo, o que Ramona iria fazer já que estava desempregada, quem estava pagando pelo apartamnrro, as contas, os planos de saúde, a alimentação, se não estava tudo muito pesado, se não pensávamos em voltar, ficar no porão por enquanto, casar no quintal...

— Tá, tá, tá, está bem, entendi. — o interrompeu irritada e contrariada. — Somos um pouco invasivos, mas apenas somos assim porque nos preocupamos.

— E eu também me preocupo com vocês, mas precisávamos de tempo. — segurou a mão dela, sendo recebido com uma expressão resignada. — É um criança, mãe, uma que vai depender inteiramente de mim e da Ramona.

— Por isso vocês precisam de apoio, ela principalmente. — insistiu, aumentado o aperto em sua mão. — Você se lembra do quanto de ajuda precisei quando o Tommy nasceu ou quando a Daniele apareceu e suas tias estavam exaustas? A Ramona precisa de alguém ao seu lado, até o momento ela está indo bem, mas quando a barriga começar a crescer ainda mais, o cansaço se tornar mais forte e o bebê pesar e impedi-la até de se movimentar com agilidade, a Ramona não vai poder ficar sozinha.

Apenas balançou a cabeça, eles sabiam disso, já haviam discutido aquela possibilidade e ele tinha consciência de que sua mãe estava certa, mas não poderia simplesmente colocar Ramona em um avião e mandá-la para São Francisco. Ela era uma pessoa independente, com opiniões próprias e uma teimosia absurda. Não era algo que Jackson pudesse impor, até porque a possibilidade de ficar longe dela nos últimos meses da gravidez era aterradora.

— Eu sei disso e ela também, mas essa é uma decisão que deve ser tomada por nós dois e não é algo que quero discutir agora com você.

DJ fechou a cara, um olhar magoado em seus olhos que o fez se sentir mal.

— Eu sou a sua mãe e só quero o melhor para você. — seu tom de voz era carregado de emoção. — Eu te amo, meu amor.

— E eu te amo também, mas há certos assuntos que dizem respeito apenas a Ramona e a mim.

DJ não respondeu, apenas soltou o ar pesadamente pelos lábios em um suspiro cansado. Olhando ao redor da sala, a expressão da Fuller se tornava cada vez mais triste, seus olhos brilhando por lágrimas enquanto observava cada detalhe do pequeno apartamento. Parecia que ela estava visualizando algo, vendo além do que aquelas paredes ofereciam, piscou rapidamente enquanto falava em um sussurro:

— Você realmente construiu uma vida aqui.

Parou para ver pelos olhos dela, os quadros de fotografias pendurados pelo corredor estreito, o espelho oval sobre a prateleira coberta por pequenas figuras de porcelana de programas de TV variados, a cozinha organizada e decorada por uma cesta de frutas coloridas e imãs decorativos na geladeira. Até mesmo os casacos pendurados ao lado da porta com os sapatos abaixo, era tudo tão familiar que não havia como negar que aquele era um lar. Um lar construído por uma pequena família em crescimento, sentiu um terço do baque que sua mãe deve ter sentido ao entrar naquele apartamento. Era uma vida completa que eles haviam escondido, uma parte deles ainda intocada por sua família e parecia injusto priva-los disso.

— Desculpe. — pediu em um tom baixo, puxando sua mãe para um abraço apertado. — Me desculpe. — sussurrou contra seu cabelo, permitindo que as lágrimas caíssem, seu corpo chacoalhando aos soluços silenciosos que a escapavam. — Sinto muito, mãe.

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De braços dados com Ramona, caminhavam tranquilamente pela calçada da avenida iluminada. Era tarde da noite, mas após a conversa com sua mãe e ter encontrado a Gibbler enrolada em uma bola chorosa em cima da cama, resolveu que seria melhor se saíssem para dar uma volta após o jantar. Jackson estava cansado, tanto físicamente quanto emocionalmente, tudo o que mais queria era deitar a cabeça no travesseiro e dormir até onde sua consciência permitisse. Com o corpo pesado, avistou com alívio uma lanchonete 24 horas, guiando a namorada até o local e escolhendo rapidamente uma mesa ao lado da janela. De lá poderia observar a movimentação na avenida à frente; inúmeros carros e algumas motos, pedestres apressados, correndo para se protegerem dos pingos grossos que começaram a cair rapidamente, iluminados pela luz branca dos postes e dos telões coloridos ao longo da rua.

— Vou querer um milk-shake e você, Jackson?

Piscou um tanto perdido quando sentiu uma mão em seu braço acompanhada pela pergunta. Olhou para Ramona, que o encarava preocupada, mas logo desviou a atenção para a garçonete que esperava impaciente por seu pedido.

— Hum... eu vou querer. — parou, olhando rapidamente para o cardápio. — Uma porção de batatas fritas com creme chease, por favor.

Anotando rapidamente seus pedidos, ela deu meia volta e os deixou a sós. A lanchonete estava parcialmente vazia, provavelmente o movimento maior deveria ser de madrugada, o que deixava o ambiente quase silencioso, se não fosse pela música country antiga que tocava nos auto falantes e o som do trânsito do lado de fora, abafado quando as portas estavam fechadas.

— Jackson. — o tom de Ramona era cauteloso. — O que está acontecendo?

— Não é nada. — respondeu, estendendo o braço por cima da mesa para segurar a mão dela. Ramona retribuiu o gesto, o cenho franzido em preocupação. — Sério, Ramona.

— Não precisamos conversar agora se você não quiser, mas lembre-se do que prometemos. Nada de desviar do difícil.

Abriu um pequeno sorriso para o seu tom firme, concordando com um aceno de cabeça que suavizou as linhas do rosto da mulher à sua frente.

— Vou ficar bem, amor.

Um brilho de preocupação ainda tomava os olhos de Ramona, mas ela deixou passar. Quando a garçonete apareceu com seus pedidos, sua atenção foi desviada para a cesta de batatas fritas cobertas por queijo, não era o seu preferido e quando levou uma batata à boca, se forçou a não fazer uma careta. Era oleosa e mole, nada como uma batata frita deveria ser. Empurrou lentamente a cesta para longe, arqueando uma sobrancelha em indagação quando notou o sorriso divertido nos lábios de Ramona. Ela apenas balançou a cabeça ainda sorrindo e desviou a atenção para a vista da janela.

— Como foi o dia? — após sua pergunta notou a tensão retornar ao corpo dela, o que o fez se inclinar para a frente, a fim de compreender sua reação.

— Argh, estressante. Foi como se tudo o que eu fizesse pudesse ser transformado em munição contra nós. DJ sempre foi... intensa. E hoje não poderia ser diferente. — resmungou, o queixo apoiado em um punho fechado enquanto movimentava o canudo em círculos no milk-shake intocado.

— Ela falou algo que a magoou?

Sua mãe era uma das pessoas mais amorosa e caridosa que conhecia, mas às vezes não notava quando passava dos limites ou quando oferecia conselhos não solicitados.

— Não, ela nunca seria capaz disso. Não propositalmente. — completou, franzindo o nariz em leve irritação. — Ela apenas... não sei, chorou muito quando me viu, me abraçou e não quis mais me soltar. Então, quando ela entrou no apartamento, começou a chorar de novo quando viu nossas fotos na parede, os imãs na geladeira, o quarto da bebê. — listou, praticamente esfaqueando o milk-shake com o canudo. — Em cada porcaria de cômodo que ela entrava era mais uma hora de lágrimas e depois disso tudo ela apenas ficou me dando conselhos.

— Bons conselhos? — torcia internamente para que sim.

Ramona levantou a cabeça, estreitando os olhos para o olhar esperançoso que ele sabia estar em seu rosto.

— Uma merda de bons conselhos porque eles eram realmente bons, mas eu não quero saber como tirar as manchas de comida das roupas ou como misturar detergente com o que raios seja para limpar melhor as panelas. — declarou, uma irritação óbvia em sua voz. — Ela me passou uma lista, Jackson, a porra de uma lista de dicas para cuidar da casa e simplesmente ficou em silêncio quando eu disse que vou voltar a trabalhar logo. E eu sei que ela nunca falaria para eu ficar em casa porque ela não acredita nisso, mas, caramba! — nesse momento sua voz quebrou e Ramona parou, o lábio inferior tremendo levemente enquanto evitava encará-lo. — Por que ela está sendo assim? Por que insistir que eu saiba tudo isso logo no primeiro dia dela? Eu não quero, eu só... e-eu só quero dormir e comer batata frita e-e assistir meus programas sobre a merda da vida dos outros.

— Ah, amor.

Contornou a mesa rapidamente, sentando ao lado de Ramona e a puxando para os seus braços. A Gibbler abraçou forte o braço direito dele, inclinando a cabeça para trás e a apoiando em seu ombro.

— Isso é horrível! Você não está bem e ainda tem que ficar me apoiando. — reclamou, irritada consigo mesma. — Eu é quem deveria estar apoiando você!

— Mas você apoia, linda, sempre apoiou. — garantiu, beijando sua cabeça.

— Não do mesmo jeito! — rebateu, girando o corpo para olhá-lo frustrada. — Deveríamos estar sempre lá pelo outro em metade, mas você carrega tudo sozinho.

— Ramona! — exclamou descrente, afastando-se dela, porém, mantendo seu braços ao redor do corpo trêmulo. Ela o encarou tão cansada que o fez perceber o quanto os dois estavam no limite. — Você está grávida, apenas você sabe o que o seu corpo e mente está passando nesse momento. Não posso te pedir para lidar com cada conta atrasada, discutir os gastos do aluguel e as taxas do plano de saúde sozinha, nem estou fazendo tudo isso sozinho porque sempre conversamos. — declarou, os lábios próximos de seu ouvido, em um tom de voz para apenas ela escutar. — A sua parte está sendo a mais difícil, não sou eu quem estou tendo o meu corpo mudado a cada dia, sentindo um ser humano crescer dentro de mim enquanto tento me situar no mundo. Você foi demitida, não foi sua escolha sair, você não foi chamada para trabalhar, mas não por não ter ido atrás. Cada situação dessas não foi uma escolha, mas o que estamos fazendo desde o dia em que nos acertamos naquela sala é uma escolha. — inspirou fundo, beijando a têmpora dela antes de continuar com um sorriso caloroso em sua voz. — E eu sei que a cada segundo que você organiza a casa, cozinha para nós, envia medicamentos quando estou mal, compra meus bolinhos favoritos ou espera eu chegar do trabalho para apenas assistirmos algo e ficarmos juntos apesar do quão cansada você está. Tudo isso é você me apoiando.

— É muito pouco, Jackson. — murmurou fracamente.

— Não é. Nunca vai ser. — garantiu e iria repetir quantas vezes fossem necessárias até que ela acreditasse. — Você me apoiou desde o momento em que cheguei aqui, me deu abrigo e um ombro para me aconchegar. Me escutou quando precisei, seguiu meus planos, por mais loucos que fossem ou apenas sentou ao meu lado e segurou minha mão. — declarou suavemente, sorrindo ao ver a tempestade nos olhos castanhos diminuir aos poucos. — Ramona, toda vez que você me diz o quão incrível eu sou no meu trabalho, mesmo sem entender nada, ou me incentiva quando quero participar de um concurso online de videogame ou um de quanto mais cachorro-quente consigo comer em cinco minutos...

— Esse foi horrível. — o interrompeu rindo, apesar de algumas lágrimas ainda escorrerem livres por seu rosto. — Você passou mal o final de semana inteiro.

— E você ficou ao meu lado em cada rodada de vômito. — declarou suavemente, enxugando o rastro das lágrimas com seu polegar. Acaricou o rosto redondo de Ramona enquanto ela se inclinava para mais perto de seu toque. — Estamos ao lado do outro na alegria e na tristeza, amor.

— Na saúde e na doença. — falou, em um sussurro tão tranquilo quanto o brilho em seus olhos.

— Enquanto os dias nos forem permitidos. — prometeu, inclinando-se para beijá-la na testa. Sorriu, sentindo Ramona o puxar para mais perto, escondendo o rosto em seu pescoço e passando a ponta gelada do nariz ao longo de sua pele.

— Eu te amo.

Nunca se cansaria de escutá-la proferir aquelas palavras. Não sabia quando começou a amá-la, talvez tenha sido de maneira gradual ao longo dos anos, o sentimento sendo construído diariamente a cada interação. Nunca saberia dizer, porém, o que tinha certeza era de que o amor que sentia por Ramona era completamente diferente do que havia sentido durante toda a sua vida. Era calmo, tranquilo, estar ao lado dela fazia tudo ao ser redor parecer certo. Amar Ramona Gibbler era como... Jackson não sabia descrever... Era tudo o que ele não sabia que merecia.

— Vamos para casa?

— Uhum, mas antes preciso terminar isso, meu bem. — se afastou apenas o suficiente para segurar seu milk-shake e puxar a cesta de batatinhas para perto antes de se aconchegar entre seus braços novamente. — Sua filha não vai me deixar sair daqui sem terminar.

— Você precisa parar de usar a bebê como desculpa para tudo.

Riu quando ela apenas o encarou como se ele tivesse dito algo ridículo e voltou a comer despreocupada. Jackson apenas a esperou, apoiando o queixo no topo de sua cabeça enquanto observava o movimento pela janela. Um silêncio confortável cobriu os dois, não necessitando de interrupção enquanto se perdiam na sensação do outro ao seu lado.

Notas finais
Tempo, tempo, tempo que passa e nem vemos...