Kháos

8 Kaizen


Notas iniciais
Do japonês: 1. a melhora que se persegue a todo momento.

— Então vocês se separaram?

— Claro que não. — falou inquieta. — Para ocorrer uma separação tinha que ter uma união antes.

— E não teve?

Fechou o rosto para o sorriso malicioso de Rocki. Nunca deveria ter dito o que ocorreu entre ela e Jackson, mas teve a necessidade de contar para alguém ou iria explodir e Rocki estava longe o suficiente para não ter que olhar para aquela cara ardilosa dela todos os dias. Daisy iria fantasiar sobre um mundo perfeito, Aliah, sua vizinha do andar de baixo, uma pessoa que ela quase não estava vendo mais, falaria para ela correr para as colinas gritando pela sua vida e virtude. Ryan não era esse tipo de amigo e Max estava estranho, mas também seria extremamente desconfortável conversar com ele sobre tudo aquilo. Sobrava apenas Rocki, que convenientemente sabia o que falar em alguns momentos, mas pelo visto aquele não era um desses.

— Não faça essa cara. — pediu, claramente tentando segurar o riso. — Aposto que ele está tão desolado quanto você nesses desesperadores dois dias longe.

Bufou para o tom excessivamente dramático, separando algumas cartas que haviam chegado pela manhã. Franziu a testa para uma conta, tinha falado para aquela empresa que não iria renovar o contrato de seu cartão. Ótimo, mais um problema para resolver pela tarde. Um arranhar de garganta altamente forçado chamou sua atenção, abriu um sorriso de desculpas para Rocki, que apenas fez uma careta para ela enquanto comia algo.

— Como está o seu novo livro?

Amava escutar sobre as novas histórias que sua amiga escrevia. Rocki era muito talentosa e poderia narrar romances tão clichês e que fugiam do óbvio ao mesmo tempo, era impressionante e Ramona esperava ganhar mais edições grátis.

— Faltando um casal confuso. — resmungou, esfaqueando com um garfo o que quer que estivesse comendo.

— Em um livro de zumbis?

— Até os monstros merecem amor, Ramona Gibbler. — defendeu após seu tom incrédulo.

Ramona riu levemente, rasgando alguns panfletos de concessionárias. Estava quase desempregada e tinha dado entrada no aluguel de um novo apartamento, comprar um carro seria o último prego em seu caixão.

— E o outro? — indagou, observando de relance na mesa de centro o último livro infantil que Rocki tinha escrito.

Lily e a palavra de mil sons era tão fofo que Ramona e Jackson sempre panfletavam para qualquer pai que encontrassem.

— Está indo tão bem. — um sorriso caloroso se abriu facilmente, iluminando toda a sua feição. — Li para a Danielle e o Victor ontem e eles amaram.

— Estou com tanta saudade deles. — declarou, soltando um suspiro insatisfeito. — De morder aqueles rostinhos gordinhos...

— Esses monstrinhos é que estão mordendo agora, de propósito, e estão causando a maior confusão.

— Sim, minha mãe havia dito que um colega da Dani quase perdeu um dedo tentando pegar o lanche dela. — comentou, rindo junto com ela.

Mas logo soltou o ar devagar, sentia tanta falta de todos eles.

— Eles também sentem a sua falta. — Rocki garantiu, compartilhando um sorriso pequeno com ela. Era incrível a capacidade da Mahan de saber o que Ramona sentia sem precisar falar. — Na verdade todo mundo, por isso fica esperta para consertar logo o que estiver tendo com o tonto antes que alguém apareça.

Estava demorando...

Não podia nem elogiá-la que sua amiga logo a lembrava do motivo que a Gibbler possuía para querer dar uns tapas nela às vezes. Ramona não era violenta, mas não podia dizer o mesmo das cenas gráficas que rodeavam sua mente.

— Max vem no próximo mês, para ajudar com a mudança e tudo. — desconversou, não expressando reação pelo comentário anterior dela. — Ele disse que vai para casa depois de passar por aqui.

— Não ouvi nada na casa dos Fuller sobre isso.

Franziu a testa, por que será que ele não iria avisar sua mãe? DJ sabia de quase tudo que acontecia com seus filhos, os quatro eram muito unidos e nunca a deixaram de fora de suas vidas. Bem, aparentemente não, mas o que estava passando com Jackson e a informação de Ramona sobre Max estava começando a fazê-la questionar aquele fato.

— Será que eles não sabem que ele está vindo?

— O que será que o pequeno Max está escondendo? — o sorriso de Rocki era malicioso, ela claramente estava amando toda aquela áurea de suspense.

— Talvez não seja nada e nós é que estamos vendo mais onde não existe. — apontou, cruzando os braços quando a outra riu zombateiramente.

— Você sempre diz isso. — afirmou, apoiando o queixo na palma da mão enquanto abria um sorriso inocente. — Jackson me mandou uma mensagem indignado porque parece que você só sabe falar isso.

— Aquele linguarudo. — resmungou, notando nos olhos estreitos dela que agora era a hora de um interrogatório que a Gibbler iria dispensar com prazer. — Falo com você depois.

— Juízo, Ramona. — pediu, mandando língua para ela quando a outra apenas franziu o nariz.

— Você também, Roxanne. — desligou rapidamente a chamada, chacoalhando o corpo antes de bater palma e levantar do chão. Era hora de treinar sua série de passos novos.

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Sentada em uma mesa do lado de fora de uma cafeteria, Ramona olhava o trânsito a sua frente enquanto parcialmente escutava Daisy. As duas haviam saído durante a tarde de um sábado, a Elliot contava sobre uma discussão entre dois de seus alunos no dia anterior ao passo que a outra tentava não pensar no fato de que realmente precisava começar a procurar outro emprego.

— Ramona?

Piscou confusa quando escutou seu nome, olhando para uma Daisy preocupada. Viu sua amiga puxar a cadeira para mais perto, o som das pernas de metal arrastando contra o concreto do pátio fez com que elas recebessem alguns olhares desagradáveis.

— Não me olhe assim, não tem como eu não ficar preocupada, Daisy.

— Eu sei. — garantiu, apertando o braço dela em apoio. — Mas não adianta ficar preocupada e não fazer alguma coisa em relação à isso.

— Mas como vou fazer algo que não sei? Simplesmente não faço ideia de por onde começar.

Confessou, girando o canudo dentro do copo, escutando o som das pedras de gelo restantes. Não era fã daquela cafeteria, eles faziam um café gelado muito aguado, porém, a torta de nozes era divina e naquele momento tudo o que Ramona precisava era de um bom pedaço de algo doce. Daisy bateu a palma da mão contra o tampo da mesa de vidro em batidas rítmicas para chamar sua atenção. Arqueou uma sobrancelha em indagação, mastigando calmamente à espera.

— Você tem um diploma de Belas Artes pela Universidade Estadual da Florida, trabalhou por dois anos em uma escola de artes em São Francisco e quase um ano em um estúdio de dança em Nova Iorque. — enumerou, suspirando exasperada quando a Gibbler deu de ombros. — Sem falar dos eventos que você já participou, as competições, os prêmios que ganhou. É muita coisa, Ramona.

— Sim, mas... — levou a mão à boca antes de terminar de engolir. — Olha, eles procuram pessoas com cursos internacionais, que tenham contato com grandes artistas, experiências fora do país e tudo isso. Rachel passou o último verão na França, trabalhando com Laura Alonso. A Laura Alonso, filha de uma das maiores bailarinas da história! — exclamou alto para provar seu ponto. — Quem você acha que a Cindy vai manter no emprego?

— Temos que olhar o lado positivo, meu bem. — disse, cobrindo a mão dela com as suas, dando um aperto confiante. — Você é uma profissional incrível, é nítido o quanto você ama aquelas crianças, mesmo que diga que não se da bem com seres humanos pequenos. — a cutucou de brincadeira no braço, a fazendo rir suavemente enquanto revirava os olhos. — Já pensou que esse é um sinal do universo para você voltar sua carreira para outro lugar?

— Um sinal bem merda se você me perguntar. — declarou, franzindo o nariz em desgosto antes de voltar para o resto de sua torta.

— É sério, Ramona. — insistiu, respirando fundo quando percebeu que a outra não estava embarcando em sua onda otimista. — Vamos fazer assim, o meu cartomante diz que quando estamos muito estressados, devemos respirar fundo e clarear a mente. Não me olhe assim, isso funciona. — afirmou, fechando o rosto em uma expressão determinada. — Então vamos tentar.

— Daisy.

— Por mim, vai, por favor. — choramingou, se esticando sobre a mesa para alcança-la. Abrindo um imenso sorriso quando os ombros de Ramona caíram em derrota. — Eba! Tá legal, primeiro fecha os olhos, isso, agora limpa sua mente de todo o estresse. — orientou, o tom de voz calmo e ritmado. Era quase como se Daisy estivesse cantando as palavras. — Pensa em nada, imagina as nuvens no céu em um dia de verão, a espuma branca do mar quando as ondas quebram contra a areia, o efeito do sol quando olhamos direto para ele.

Assim como sua amiga instruia, se encontrava de olhos fechados. Sentia as batidas altas de seu coração, a pulsação reverberando por seu corpo. O metal frio contra as suas palmas a lembrou de que segurava com força os braços da cadeira, diminuiu o aperto sentindo seus dedos doloridos.

— Agora inspira fundo, deixe a sua mente ser preenchida pelo o que você sente ao seu redor...

Focou na voz calma, tentando ignorar a luz fraca que penetrava suas pálpebras. Inspirou fundo, sentindo o cheiro de café misturado com algo gorduroso, mas lá no fundo conseguia distinguir notas de chocolate e um perfume suave de flores. Expirou devagar, o ar saindo por seus lábios ressecados, o que a lembrou de que precisava comprar um novo hidratante labial. Jackson havia acabado com o seu, aquele bastardo.

— Ramona, estou vendo você franzir a testa. — sorriu em meio a reprimenda. — Agora, preciso que se concentre no que mais chama a sua atenção. Um som, sensação, cheiro...

Tentou, forçou sua mente a desligar das tarefas que precisava fazer e da bagunça que se encontrava sua mente e coração. Respirando fundo novamente, torceu o pescoço em preparação, rindo quando escutou o som de desconto de sua amiga em meio aos estalos. Assim que fico quieta, a gargalhada sonora de uma criança a preencheu completamente. Um sorriso involuntário abrindo caminho pela carranca que enfeitava seu rosto.

— Pode abrir. Então? O que foi?

Riu de sua agitação, gesticulando para as crianças que passavam ao lado dela.

— Isso foi.

Era surpreendente o quanto o sorriso de sua amiga podia aumentar, parecia quase humanamente impossível que alguém conseguisse sorrir tanto. Mas aquela era Daisy e se havia algo que ela confirmava todos os dias, era a sua capacidade de se alegrar com qualquer coisa.

— Ramona Gibbler, já pensou em dar aulas para crianças?

A maneira como ela perguntou a fez inclinar a cabeça em contemplação por alguns instantes, mas logo abanou a mão para dissipar suas dúvidas.

— Mas eu já faço isso.

— Não em um estúdio, em uma escola. — esclareceu, a encarando como se ela fosse tonta.

Ramona riu, era algo novo aquela exasperação de Daisy. Sua amiga normalmente era tão calma e amável que vê-la ficar impaciente, nem que fosse quase indetectavel, com outra pessoa, era quase hilário. Talvez a amizade delas ainda estivesse evoluindo, fora um erro seu achar que conhecia Daisy por completo.

— Ser tipo uma professora de dança? — indagou, pegando um dos biscoitos do prato da amiga.

Daisy a encarou em uma falsa irritação, quase a acertando um tapa antes que Ramona conseguisse puxar a mão rapidamente. Comida era um assunto sensível para a Elliot.

— Estava pensando mais em teatro. — respondeu, puxando o restante da torta de Ramona para si, um sorriso vitoriosos adornando seu rosto redondo.

Revirou os olhos divertida para a sua expressão, contentando-se em apenas indagar levemente descrente:

— Eu? Professora de teatro?

— Seu diploma funciona. — pontuou, sorrindo carinhosamente em seguida. — Só pensa nisso, Mona.

Suspriou alto para os olhos brilhantes à sua frente.

— Você ainda vai me meter em situações confusas, Daisy Elliot.

— Vejo o copo cheio, Ramona Gibbler. — cantarolou a incentivando.

— Não há como se eu acabar quebrando ele. — resmungou, retornando o brinde com o copo descartável vazio. — E na cabeça de alguém, por sinal.

Daisy riu, claramente não acreditando em sua pouca vontade.

— E como está Jackson? Tem uma prima minha que quero apresentar para ele.

Não conteve a contração de desagrado em seus lábios, os encontros marcados de Daisy quase sempre saíam errado. Lembrava de um em que ela a enviou para um bar temático na parte sul da cidade, era um local com uma decoração que tentava imitar uma praia em algum lugar na América Central. A noite começou tranquila, mas após a chegada de seu pretendente, um amigo de escola de Daisy, tudo desceu ladeira abaixo.

— Não faça essa cara. — sua amiga pediu, sorrindo alegre. — Seus encontros nem foram tão ruins.

— Você está lembrada do mágico de rua que possuía apenas um truque e o repetiu durante todo o jantar ou do foragido que foi preso em meio a areia de uma praia falsa?

Daisy deu de ombros para a sua fala. Ramona desistia, havia limite para o otimismo e não conseguia enxergar o que havia de bom em ver um cara que ela achava ser legal, sair algemado de um restaurante a "beira mar".

— Seu otimismo me assusta.

— E seu pessimismo é perigoso. — rebateu, tentando puxar o prato de Ramona para si. — Quando se ama, divide, meu bem.

— Isso não existe. — declarou, não permitindo que ela tirasse outro pedaço de sua torta.

— Você não me respondeu. — acusou, desistindo da torta enquanto se recostava na cadeira de braços cruzados.

Ramona levou a última garfada à boca, sentindo dificuldade para engolir ao olhar intenso de sua amiga. Conseguiu murmurar um tanto desentendida.

— Sobre o quê?

Daisy sorriu para seu tom, um sorriso astuto, se debruçando sobre a mesa para ficar mais perto da Gibbler.

— Jackson e minha prima.

— Não sou eu quem tem que responder algo. — declarou, recolhendo os pratos sujos como distração. — Ele é quem sabe.

— Envie uma mensagem, então.

Levantou a cabeça rapidamente, logo desviando o olhar quando percebeu que Daisy só queria provocá-la.

— Não estamos nos falando.

— Vocês brigaram?

Sabia que era para ter soado mais descontraída, o radar de de sua amiga era irritantemente preciso. Deu de ombros levemente para disfarçar, cruzando as pernas enquanto encarava a avenida movimentada.

— Um pequeno desentendimento.

— Vocês nunca brigam. — argumentou, sua voz denunciando a desconfiança. — Sempre discutem por coisas bobas, mas nunca ficam sem se falar.

— Não foi nada, Daisy, está tudo bem. — garantiu, sorrindo suavemente. — Vamos nos resolver logo.

— Certo. — deixou de lado, porém, ainda a observava com uma atenção desconcertante.

— Como está sendo morar sozinha pela primeira vez?

— Estranho, mas bom. Agora posso andar praticamente nua pelo apartamento sem ter que me preocupar com o decoro! — exclamou feliz.

Ramona riu, guardando o celular na bolsa enquanto se preparava para pedir a conta.

— Não se configura falta de decoro quando o máximo que você faz é usar um vestido de alça sem sutiã.

— Você fala isso porque não conheceu a minha avó. — estremeceu enquanto se levantava junto com ela. — Dona Marle sabe causar traumas.

— Meus avós por parte de mãe são inacessíveis, então os únicos traumas que eles causaram foram todos para a minha mãe e meu tio. — informou, agradecendo ao atendente após passar seu cartão. — E por parte de pai, bem, eles são a epítome do clichê. Melhores amigos que cresceram juntos e acabaram em um casamento por conveniência, mas no fim se apaixonaram.

— Onw, como você nunca me contou essa história antes? — perguntou indignada, levando uma mão ao coração enquanto soltava um longo suspiro. — Isso daria um livro lindo. Sem falar que se apaixonar por seu melhor amigo deve ser incrível.

— Não tenho tanta certeza. — murmurou, torcendo o nariz à ideia.

Daisy não percebeu sua careta e continuou o monólogo sobre o quão incrível deve ser ter sua alma gêmea tão perto e conhecê-la tão bem. A Gibbler não sabia se isso era realmente bom, acabava com as surpresas ao longo do caminho. Todos os seus antigos relacionamos foram intensos, no início ela escondia partes suas por vergonha do que eles pensariam, mas descobrir sobre seu parceiro ao longo do caminho era o que mantinha a chama viva. Mas ela conhecia Jackson por toda a sua vida, cresceram juntos a uma porta de distância, ela sabia tudo o que tinha para saber sobre o Fuller. Não havia nada novo ou que a provocava o frio intenso na barriga e a sensação aterradora de não saber como seria o dia seguinte. Com Jackson, ela simplesmente se sentia em paz e Ramona não sabia o que fazer com aquela informação.

— ... e então eu saltei da janela!

— Você o quê?!

Girou em seus pés para encarar Daisy, sua amiga franziu os lábios e estreitou os olhos em suspeita.

— Você realmente não estava escutando nada do que eu estava falando, não era?

Suspirou cansada, coçando a sobrancelha enquanto voltava a caminhar em direção à entrada do metrô.

— Desculpa, é só algumas coisas que não saem da minha mente.

— Hum. — deslizando um braço por sua cintura, a Elliot a puxou gentilmente para longe do fluxo de pessoas. — Tem algo a ver com um certo homem alto e surpreendentemente lindo que mora com você?

Sorriu minimamente, não fazia sentido fingir que Jackson não era a causa dos seus pensamentos, não quando Daisy a encarava com olhos brilhantes e emocionados. Ela era uma fraca para romances e tinha a certeza de que estava vendo em Ramona a materialização de um.

— Está tudo muito confuso, Day. É... não sei, parece que estamos indo tão rápido e ao mesmo tempo é tudo tão natural que parece certo? — balançou a cabeça como se para clarear sua mente. — Eu simplesmente não sei.

— Sabe, se lembra quando você chegou na cidade e parecia o Bambi quando a mãe morreu?

— Que comparação mórbida. — revirou os olhos quando ela beliscou sua cintura.

Daisy riu, voltando a puxá-la em direção ao metrô.

— Você disse que parecia tudo tão longe da sua realidade e eu falei que aos poucos tudo pareceria certo, porque é certo. — continuou quando percebeu que Ramona não estava compreendendo. — A questão, meu bem, é que toda mudança parece surreal até o momento em que se torna nossa. Fugir de mudanças não vai fazer com que elas parem de acontecer e ignorar sentimentos não vai acabar com eles. Assim como...

— Direto ao ponto, Daisy. — pediu, gesticulando para ela acelerar e ignorando a careta que adornou seu rosto.

— O que há de tão ruim em se apaixonar por seu melhor amigo?

Resolveu não responder e apenas a abraçou forte antes de se separar para esperar a sua parada. Sorriu da cara de descrença de sua amiga quando se despediu, só queria parar de pensar por um segundo antes de encarar seu apartamento vazio e sem comida pronta.