Kevin Potter - RECOMEÇO

2 Londres e os Lovegood


Notas iniciais
O começo está de arrepiar. Eu sei que vocês vão amar. Recomendem a história para os amigos. Amo vocês ♥

Eu não era ninguém naquele mundo. Ali não existiam reinos, mas cidades e países. Na minha dimensão não existem tantos humanos, e pelo pouco do que eu entendia, aquele lugar estava superlotado. As avenidas de Londres me deram medo no início, mas logo depois fui me acostumando.

— Alteza, sabe como essas ruas são lotadas, não sei por que ainda insiste em andar nelas.

— Não vejo problemas Jeremias. — falei me espremendo no meio das pessoas.

Fazia uma semana que meus pais me mandaram um dos servos do castelo. Pelo que eu entendera, ele faria com que eu fosse aceito na sociedade bruxa.

— Alteza, está na hora de encontrarmos uma família para o senhor, se me permite dizer…

— Não permito. — falei e entrei em uma cafeteria.

— Vossa Alteza deve escolher dentre os menos conhecidos, para que possamos torná-los grandes…

— Você fala demais. — revirei os olhos quando a garçonete chegou. — Dois chás, por favor.

Jeremias era a pessoa que eu mais confiava no reino inteiro, mas era um chato. Ele na verdade era o que chamávamos de magos. Eles tinham poucos poderes, e trabalhavam para os nobres de todo o reino. Cada príncipe tinha o seu próprio mago, que o ajudava em todas as situações. O problema é que o meu, era só dois anos mais velho que eu.

— Esse chá está esplêndido. — ele falou. — Por falar nisso, meu aniversário de dezessete é depois de amanhã. Espero que o senhor me libere, para que eu visite minha família.

— É claro. — falei. — Aproveite que você pode ir e vir quando quiser…

— Oh, minha Alteza, o senhor certamente sabe que são os magos que cuidam da proteção máxima entre as dimensões…

— Sim, eu sei. Abstenha-se de explicações.

Jeremias fechou seu rosto em uma desaprovação. Ele sempre ficava assim quando eu me calava. Era irritante.

— Sabe meu senhor, andei pensando, não podemos ficar andado em trajes de gala pelas ruas, não é apropriado.

— Tenho pensado nisso… mas não quero me desfazer dos meus ternos ainda.

— Vamos aproveitar o resto da tarde para comprar roupas e ir visitar a família que te falei.

— Os Lovegood? — perguntei o olhando para ver se era sério e para minha infelicidade ele balançou a cabeça em positivo. — Tudo bem.

Jeremias pagou a conta e saímos entrando em cada loja que tinha. A Carnaby Street estava lotada e muitas pessoas faziam compras.

— O que me contaram naquele bar de bruxos que eu fui, é que os Lovegood foram uma família bem problemática no passado. — Jeremias suspirou colocando as bolsas na limusine. — Xenofílio Lovegood morreu louco pouco depois da guerra de Hogwarts. Vamos conhecer um dos netos dele, Lorcan Scamander.

— Gales leve a limusine para o hotel. — falei com o motorista. — Eu e Jeremias ficaremos por aqui. Está dispensado por hoje.

Ele entrou no carro e saiu. Mesmo longe, minha mãe fazia questão de que eu não perdesse o conforto do castelo. Como se não me sentir um prisioneiro longe de casa, fosse ser amenizado por dinheiro e bajulações.

— Podemos Alteza? — Jeremias estalou os dedos e o tempo desacelerou ao nosso redor.

— Claro.

Ele riscou o ar com as mão e um portal se abriu. O atravessamos e paramos numa cidade longe de Londres. Ele estalou os dedos de novo, e os passarinhos que estavam antes parados no céu, voltaram a voar.

Estávamos em um campo aberto. A casa era diferente. Era uma casa de formato cilíndrico semelhante a uma torre negra e alta. Dava para ver os sinais de que fora reformada, tantas vezes, que seria uma surpresa, não ter desabado ainda.

Jeremias ia bater à porta quando um homem a abriu.

— Desculpe-me senhores. Tenho clarividência e previ que os senhores chegariam a essa hora. — ele falou e nos deixou entrar. — Ah, e eu sou Lorcan Lovegood, ou Scamander, como for preferível para os senhores.

— Licença. — sorri para ele entrei. Uma mulher, amassava ervas em um pote e se aproximou de nós.

— Visita? — ela perguntou ao homem que sorriu. Seus cabelos quase brancos e corpo aprumado, negavam sua verdadeira idade, mas eu conseguia sentir seus ossos fracos.

— Sim minha mãe. — ele respondeu nos mostrando as poltronas, onde sentamos. — Aquele assunto secreto, que comentei com você.

— Sim, sim. — ela cumprimentou eu e Jeremias com as duas mãos e sorria extravagantemente. — Sou Luna Scamander, nascida Lovegood.

— Ouvi falar de você. — falei olhando em volta.

— Oh, é claro. Os loucos dos Lovegood…

— Sim e não. — Jeremias falou e ela o olhou. — Mas não são os loucos que dão cor a vida?

Jeremias podia ser chato, mas sabia usar as palavras. Luna se iluminou em um sorriso e puxou o pobre de Jeremias para os jardins, falando sem parar de plantas e animais mágicos.

— Como devo chamá-lo? — Lorcan perguntou me olhando.

— Gabriel. — respondi. — Só Gabriel.

— Sim Gabriel. Eu ouvi a proposta de Jeremias ontem com muito carinho, e estou pensando em meios de não perder essa chance…

— Eu não encho muito o saco. — falei e sorri. — Onde está sua esposa e filhos?

— Berenice está no supermercado com as crianças. — ele falou e apertou as mãos demonstrando nervosismo. — Vai adorá-los…

— Eu sei. — eu sorri.

Lorcan foi receptivo. Me contou tudo que eu precisava saber. Atualmente Hermione Weasley era ministra da magia, e com isso as coisas estavam indo muito bem. Com o avanço da tecnologia humana, ela começou a aderir aos que os humanos criavam. Muitos bruxos são contra ela, mas a verdade, que facilitou a vida de muitas pessoas.

Muitos bruxos que passavam necessidade, quando aprenderam a viver entre os trouxas sem se expor, melhoraram de vida. Hogwarts se expandiu, abrindo cursos para especialização. Hogsmeade se tornara uma cidade bruxa em toda sua extensão.

O antigo beco diagonal se tornara um shopping bruxo. E o ministério da magia se instalara em um prédio alto e luxuoso em Londres. Os humanos o viam como, mais um prédio luxuoso de apartamentos, mas os bruxos viam uma arquitetura avançada e longa.

Eu não conseguia evitar. Mas fucei a cabeça de Lorcan o máximo que pude. Vi ruas, prédios, escolas bruxas, pessoas importantes.

Enquanto ele falava, eu acompanhava suas memórias e olhava como ele se sentia com cada uma delas.

— Sinto você dentro da minha cabeça. — ele falou por fim e tomou um gole de água.

— Desculpe. — voltei a mim e o olhei.

— É quase imperceptível. — ele me olhou curioso. — Senti por causa do meu dom. Tenho algumas premonições e eu senti você.

— Bom Sr°. Scamander, eu gostaria de saber muito mais, sobre todo o mundo bruxo, mas creio que já está anoitecendo.

— Concordo plenamente. — Jeremias falou entrando com Luna.

— Olhe meu filho, achei um jovem com amor pela natureza. Seu pai adoraria conhecê-lo. — Luna falou sorrindo para nós.

— Eu tenho certeza mãe. — ele sorriu e depois apertou minha mão.

— Foi um prazer Senhora Lovegood. — falei e Jeremias acenou.

Lorcan nos acompanhou até o final do canteiro de abóboras.

— Nos dê uma chance. — ele falou. — Antes que essa casa, caia sobre nossas cabeças.

— Não se preocupe Lorcan. — Jeremias falou riscando o ar e abrindo o portal. Eu passei por ele e Jeremias veio logo após.

Estávamos no apartamento novamente. Pedimos nosso jantar e falamos sobre os Lovegood um bom tempo. Dormir foi fácil naquela noite.

* * *

Estávamos usando nossos melhores trajes, quando o ar se rasgou e minha mãe entrou. Uma cicatriz de um corte descia da bochecha ao pescoço.

— Meu filho… — ela falou e eu corri em seu encalço.

— Mamãe.

Seu abraço era quente e confortante. Ela estava com um vestido verde de pérolas que ia até o chão majestosamente. Sua coroa brilhava no alto de seus cabelos pretos e o seu perfume ainda era o mesmo.

— Majestade. — Jeremias se ajoelhou.

— De pé meu criado. — minha mãe falou. — Dispensado.

Jeremias se levantou e saiu. Levei minha mãe até a cobertura do hotel. Onde serviram nosso almoço.

— Ares fez um trato muito gentil para falar a verdade. — minha mãe sorriu. — Todos no reino acham que Klaus te matou. E não pegou muito bem, mesmo em uma guerra. Seu pai e eu recuperamos a paz no reino inteiro, e começaremos a pagar o imposto a ele. Não há muito o que fazer.

— O que Nix acha disso? — perguntei me referindo, a deusa que governa as terras de Bondion. — Ela sempre me pareceu uma deusa misericordiosa.

— Ela não pode se meter meu filho. — minha mãe respondeu. — As terras de Watlock são as únicas do ocidente a não ser controladas por um deus.

— Verdade. — falei limpando a boca com um guardanapo.

— Nós somos só reis a partir de hoje. Um novo conselho foi designado por ele em Febrasteck, e as leis partirão dele. Pelo menos, estão nos tratando muito bem.

— Fico feliz. — eu sorri e minha mãe deixou uma lágrima escorrer.

— Ah, meu filho. — ela e olhou. — Me desculpe por tudo isso, mas você é muito novo ainda. Quando for a hora certa, você voltará para Febrasteck. Por enquanto, aprenda com essas pessoas, viva com elas, seja como elas. Você precisa se tornar um feiticeiro forte.

— Eu só tenho quinze anos mãe…

— Quando tiver vinte e um, você será o maior feiticeiro que todas as dimensões já viram. — minha mãe me beijou.

Ela sorriu e rasgou o ar e sumiu pelo portal, me deixando sozinho. Uma vida nova. Era tudo que qualquer um quereria. Menos eu. E pior: tinha que me estabelecer rápido, para que conseguisse entrar em Hogwarts ainda em setembro.

Eu ia ter que me tornar um bruxo.

Notas finais
Gostaram?