Kevin Bryan e o Sumiço da Garota Dafne
9 O Encontro Com o Coronel Henrique Vieira da Silva
Notas iniciais
Depois que a poeira abaixou e tudo se acalmou, a família de Dafne voltou a respirar mais tranquila com a normalidade, todos retornaram a rotina de suas vidas, Kevin e Jon tranquilizaram suas famílias, pois passaram cerca de vinte dias fora de suas casas na ação do resgate, tiveram que dar muitas explicações tranquilizando-os.
Porém, estava na hora de planejar o resgate dos escravos brancos, agora a coisa toda era mais complicada. Era coisa de peso. Não tinham como envolver nem a polícia militar nem a civil, era ação de guerra, era coisa para o exército, pensando dessa forma, os meninos decidiram contactar o Coronel Henrique Vieira da Silva. Aí sim, a coisa seria resolvida definitivamente, esse Coronel resolveria mesmo toda problemática, pois era acostumado, juntamente com seus homens, à ação.
Eles marcaram de se encontrarem dois dias depois na casa de Álex e depois viajaram para Taubaté onde tem o 3° Batalhão de Aviação do Exército para irem ao encontro desse coronel, que ficava a cinco quilômetros dali. No dia combinado para surpresa deles, havia um furgão parado próximo a esquina da rua da pensão onde eles estavam hospedados já em Taubaté. E eles reconheceram esse furgão que era o mesmo usado no rapto de pessoas inocentes:
— Olhem! disfarça, mas aquele furgão preto a gente já conhece ele não esta ali à toa, estão nos vigiando, e com certeza já tem dias! Vamos descendo a rua pra ver o que acontece!
E assim eles fizeram. E o veículo estranho os seguia lentamente, a sorte que havia bastante gente e eles os seguiam esperando o momento certo para agirem. Os rapazes continuaram caminhando e o veículo suspeito continuava atrás, enquanto tivesse pessoas nas ruas estavam seguros. Kevin conhecia um hotel numa rua próxima dali e chegando ao hotel, entraram subiram as escadas, atravessaram um corredor onde haviam os quartos, chegaram numa sala onde tinha uma janela de onde podiam ver o veículo negro estacionado em frente esse hotel, demoraram um pouco ali observando o veículo e nada dele irem embora, então desceram as escadad sob os olhares de curiosos e se dirigiram para saírem pelos fundos e deixar os homens, que com certeza eram de Dário Ronan, de bobeira,
no entanto, no momento que chegaram à porta dos fundos tinha dois homens mal encarados vestidos com umas roupas esquisitas e puderam ver que estavam com armas por debaixo das capas pretas em atitudes e olhares muito suspeitos. Eles retornaram pela mesma escada e ficaram na mesma sala de antes olhando pela janela. Kevin falou para Jon e Álex:
— Olhem os caras: Vocês fiquem aqui de prontidão que vou dar um telefonema! Vou resolver isso de uma vez por todas! Eles ficaram ali na espreita enquanto, Kevin saía.
Ele procurou um lugar apropriado onde tinha pouco movimento e fez uma ligação que do outro lado da linha uma voz feminina atendeu:
— Pois não?! O que deseja?
— Preciso falar urgente com o coronel Henrique Vieira da Silva!
— Quem gostaria de falar com ele?
— Kevin Bryan!
— Ele já espera a sua ligação?
— Não!
— De que se trata?
— Esse assunto é somente com ele! Dá para passar pra ele?
— Não tenho permissão pra fazer isso! Você está ligando pra uma unidade do Exército! Esse tipo de ligação seria totalmente confidencial! Como você conseguiu esse número?
— Ele mesmo deu-me! E é muito urgente, ele não vai gostar nada se souber que liguei e você não passou a ligação!
—Então está bem! Espere um pouco que vou passar a ligação! — Kevin esperou um pouco e de repente reconheceu a voz do coronel:
— Alô! Quem gostaria de falar comigo?
— Kevin Bryan! — fez-se um silêncio do outro lado da linha. Depois a pessoa fez uma pergunta muito esquisita:
— O quê um castor faz num rio?- perguntou a pessoa:
— Kevin respondeu:
— Piqui nique é que não é! Essa era uma senha que os dois combinaram para se um dia que estivessem encrencados pedissem ajuda um ao outro:
— Fale meu amigo! Em que posso ajudar?
— Olha coronel, eu e meus amigos estamos metidos numa enrascada muito séria e precisamos lhe falar pessoalmente, no momento tem um furgão muito suspeito que está na nossa cola e precisamos saber o que querem e quem são!
— Olha garoto! Me passe o endereço que darei um jeito!
Kevin deu todo endereço e detalhes com pontos de referências e depois subiu pela escada e reencontrou com os amigos que espreitavam o veículo suspeito, e ficaram aguardando olhando da janela:
— Você ligou pra quem Kevin?
— Aguardem e vão ver! Jon e Álex estavam ansiosos pra saber o que Kevin estava aprontando, não demorou meia hora e da janela os rapazes viram chegar três carros do Exército, um parou na frente do furgão outro parou atrás de maneira que não pudesse sair e o outro parou ao lado.
Desceram uma porção de soldados fortemente armados renderam os seis homens que estavam dentro do furgão e entre eles o Bóris que no momento de ser algemado olhava com um olhar tenebroso para cima na direção da janela, ele tinha certeza que os meninos foram os responsáveis por essa intervenção militar e estavam vendo tudo que estava acontecendo de lá de cima. Todos os seis homens de Ronan foram desarmados e algemados, colocados dentro do carro do Exército e levados juntamente com o furgão e seguiram em comboio para o quartel sob os olhares das pessoas que passavam na rua. Kevin e os meninos assistiam a tudo:
—Kevin! Seu maluco! Como você conseguiu esse feito?
— Não falei pra vocês que ia dar um jeito? Pois é, resolvi a parada! Bóris e os demais vão ter que explicar muita coisa! Principalmente se estiverem ilegalmente no Brasil!
—Esse Kevin é um doido mesmo! -completava o Âlex dando uma risada
— Agora podemos ir né Kevin atrás do tal coronel?!
—Não será preciso! Ele está vindo aí! É só a gente aguardar um pouco!
Nesse instante, parou outro carro do Exército na frente do hotel e dele desceu o Coronel Henrique Veira da Silva, que foi entrando no hotel ele estava vestido com uniforme do Exército e procurou a portaria e todos . olhavam esse momento incomum:
— Meu rapaz, onde posso encontrar uns jovens nesse hotel? — perguntou o coronel ao recepcionista do hotel.
— Se for três jovens, eles subiram pela escada, acho que estão na sala de estar do hotel! O coronel subiu pela mesma escada e foi ao encontro dos rapazes. Chegando na sala os encontrou:
— Kevin Bryan! Há quanto tempo que não nos vemos, Meu rapaz?
—Tem um bom tempo desde evento daquela organização nazista! Olha coronel- apontando pro Álex e pro Jon:
—Esses são o Álex e esse é Jon!
— É um prazer conhecê-los rapazes, sendo amigos do Kevin são meus amigos também!
— O prazer é todo nosso em conhecê-lo coronel! -apertando as mãos.
— Então Kevin, o que está acontecendo mesmo? Vindo de você só posso esperar coisa pesada!
— E é pesada mesmo! Você nem pode imaginar o que seja! Pelos homens que vocês prenderam la fora já é indícios que a coisa toda não vai ser fácil!
— Façamos o seguinte; vamos pro meu gabinete, lá é bem melhor para conversarmos! E o que seja nós estamos aqui para resolver!
— Acho que é melhor mesmo! Porque o que temos é glicerina pura!
— E bota glicerina nisso!- completou Jon.
— Com certeza! É coisa de arrepiar, coronel!- ria Álex.
— Então vamos logo! Vocês estão me deixando curioso!
O coronel desceu as escadas com um andar garboso, seguido pelos rapazes, ele estava vestido elegante com um uniforme camuflado do exército e muitas medalhas penduradas no ombro. Ele era um homem muito jovem pouco mais de trinta anos, moreno claro, um metro e oitenta de altura, porte atlético, esguio, muito ativo começara cedo no serviço militar sua posição de destaque, era devido sua competência e empenho.
As pessoas no saguão do hotel, estavam boquiaberto com o que estava vendo, não era comum um coronel daquela estirpe andar livremente por aí. Os quatro homens entraram no carro militar e ainda haviam outros quatro soldados à sua espera no carro. Eles olhavam pros rapazes sem saber bem o que estava acontecendo, o carro se pôs em movimento rumo ao quartel do exército.
As forças armadas — Exército, Marinha e Aeronáutica — são umas das poucas instituições que conservam o respeito e reverência da sociedade, diante de um caos mundial de tantos fatos de corrupção e outras coisas mais. O exército tem seu lugar resguardado frente a tudo isso.
O quartel onde o coronel Henrique se dirigia com os rapazes, era um ambiente típico de exército mesmo. Era situado num espaço relativamente amplo, murado em parte com muro em alvenaria e outra era pequenos espaços em alambrados.
Na entrada haviam uma porção de soldados uniformizados e armados resguardando essa entrada, cuja entrada somente permitida com a devida identificação. Haviam duas entradas uma para pedestre e outra para veículo. No seu interior tinha muito espaço, haviam muitos recrutas de camisetas brancas fazendo treinamentos de ordem unidas sob o comando e disciplina rígida de um sargento. Pelotões marchavam cantando a canção do soldado.
Enfim, era todo um ambiente militar de exército. O carro levando o coronel entrou no quartel depois que a trava de impedimento foi erguida e os integrantes dirigiram-se ao seu gabinete. Dentro gabinete já sentando-se nas elegantes poltronas o coronel perguntava:
— E então meninos... o que está acontecendo?
— É uma longa e complicada história coronel que começou exatamente com o rapto de uma amiga chamada Dafne que é irmã do Álex — apontando pra Álex — e namorada do Jon! — mostrando o Jon.
— Ela foi levada da porta de sua casa, tarde da noite e tudo indica que o mentor foi um tal de Bóris que vocês acabaram de prender e não pode ser deixado por aí para estar aprontando das suas. E isso tudo é o mínimo do que enfrentamos e do que está por vir!
Os rapazes contaram todo acontecido desde o sequestro da Dafne até os momentos finais de regresso ao Brasil com todos os detalhes, isso demorou umas três horas de muita conversa e muitas perguntas da parte do coronel que por fim desabafou:
— Francamente rapazes, eu nunca em minha vida de militar passei por uma coisa dessas! Vocês foram loucos! Por que não pediram ajuda a polícia ou ao próprio exército como estão fazendo agora?
— Não queríamos por a vida da Dafne em risco e por que não sabíamos do que se tratava. Só ficamos sabendo quando chegamos à África na Robben Island que é o domínio do Dário Ronan.
— Fizeram muito bem! Vocês acham que tem quantas pessoas sendo escravizada nessa ilha?
— Muita gente! Mais de duas mil pessoas! E olhe lá! Por que não conhecemos todos! — Eu conheci as pessoas que estavam mais próximas da gente. E através delas ficamos sabendo de toda realidade.
— E como se chama essa ilha mesmo?
— Robben Island! Conhece?
— Sim, já sobrevoei essa região! É lugar muito estranho, e agora pior ainda!
— Vocês tiraram alguma foto ?
— Sim!
Kevin mostrou as fotos que ele fez pelo celular. O coronel ficou horrorizado com tamanha maldade e falou:
— Temos que agir imediatamente!
— Também acho não podemos esperar mais! Eles estão sofrendo muito com esse sistema de serviço escravo.
— Eu vou contatar pessoas que poderão ajudar nessa missão e pelo que estou vendo, muitos comandos de outros países serão envolvidos nessa missão.
— Coronel! Esses homens que vocês acabaram de prender, acho que devem ser isolados para não avisar nada ao comando do Ronan senão ele poderá fugir.
— Sei, Kevin! Eles serão interrogados e trancafiados até resolvemos essa questão de uma vez por todas! E façamos a seguintes: vou organizar toda ação e em seguida entro em contato com vocês. Querem ir conosco?
— Com certeza! Não perco essa festa por nada! Temos que pegar o Dário de surpresa, para ele não ter chance de fugir. — assentia Kevin.
— Eu também quero ir! — falou Jon.
— Eu também estou dentro! — confirmou Alex.
Por fim, tudo ficou estabelecido, o coronel ficou de organizar toda ação e quando estivesse tudo pronto inclusive, com o apoio de outras lideranças, ele entraria em contato.com os rapazes. Depois despediram-se e foram embora levados como cortesia por um carro do exército brasileiro
Enquanto isso, Dário continuava com o seu projeto maldito de escravizar os brancos, agora ele estava sendo pior com suas vítimas, os castigos tornaram-se constantes, por nada, colocava gente no tronco. Os trabalhos foram aumentados, se os escravos sofriam, agora sofriam muito mais e Helter comentava e consolava os amigos numa noite lá no barracão pois, era assim que chamavam pela semelhança com um barraco grande:
— Pessoal acreditem! Confiem! Os garotos virão nos libertar! Com certeza eles estão tomando providências!
— Mas já era para terem vindo, se demorarem muito, pode começar a morrer gente!- falou um homem impaciente.
— Eu sei! A única chance de nos libertarmos daqui será através deles. se não aparecerem, estamos ferrados, mas vamos confiar. Eu vi no Kevin alguém que mereça nossa confiança!
A conversa estava boa e esclarecedora, mas foi drasticamente interrompida por alguém que batia fortemente na porta pelo lado de fora:
— Parem com essa conversa aí dentro! O que vocês tanto conversam? Vão dormir que amanhã tem muitos trabalhos para serem feitos! Ou vocês querem que eu entre aí? Vão dormir e parem com essa conversa que não leva a nada! Não sei pra quê escravo conversar tanto?!
Esse era o clima entre brancos escravizados e negros escravizadores.O Dário Ronan estava muito preocupado com os últimos acontecimentos. Ele ainda desfilava com seu lobo a tiracolo mostrando poderio e intimidando à todos. O fato dele praticar a escravidão não era pelo fato de ser negro, mas por sede de vingança e por indícios de ser um psicopata, uma pessoa branca.poderia assumir o seu papel facilmente.
Enquanto isso, Dafne retornava definitivamente a ter sua vida de volta. Tinha ido ao médico para ver se havia ficado com alguma sequela, além das escoriações provocadas pelos lobos, porém estava tudo bem. Ela continuava com seu namoro com Jon agora muito mais forte esse amor. E a família estava cada vez mais unida, pelo menos seu rapto serviu para unificar mais ainda a sua família.
Ela estava recebendo muitas mensagens pelas redes sociais de solidariedade de seus amigos, então marcou uma data para encontrar com eles pessoalmente e mandou um convite padronizado para todos eles, além de muitas mensagens de agradecimentos. A intenção dela era estreitar os laços de amizade para com seus amigos.
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