Notas iniciais
Nesse capítulo nossos jovens protagonistas, ainda teriam muitos problemas a enfrentar. Um deles é compreender que diferentes civilizações possuem diferentes costumes.

Na Robben Island onde o sistema de Dário Ronan era implantado, as coisas não iam nada bem pra ele. No seu escritório ele estava pensativo e muito revoltado com os últimos acontecimentos. A fuga de Dafne e o fato de não conseguir evitar a fuga do avião, mexeu muito com a sua índole.
Dário teve uma conversa com Catarina e ficou sabendo sobre o Neil e o Helter que ajudaram na fuga. Tinha outra figura chamada Kevin, mas essa figura ninguém conheceu direito, então Dário mandou chamar o Neil e o Helter para os devidos esclarecimentos, e mandou dois negros de sua confiança buscar os dois suspeitos. Não demorou muito, eles chegaram em companhia dos negros e Dario começou o interrogatório:
— Estou sabendo que vocês ajudaram os jovens a fugirem no avião, vocês nem imaginam o problema que causaram para mim. Por isso, vocês serão drasticamente castigados e muito castigados. Vocês têm algo dizer?
— Não temos nada a ver com isso, se eles conseguiram fugir os culpados, não somos nós, são seus homens que são incompetentes!
— Que são incompetentes, isso já sabia. Mas vocês deram uma mãozinha, isso eu também sei. Por tudo isso, serão castigados! Dâmian! Cássio! No pelourinho com esses dois! E por tempo indeterminado, quero ouvir os chicotes daqui! Vão! Sumam com esses dois daqui! Eles ainda não entenderam quem manda aqui! Vão!
Os dois homens levaram os dois rapazes e os colocaram no tronco, tiraram as suas camisas e num sol forte,desceram o chicote neles sem piedade. Os dois rapazes que não eram acostumados com isso, sofreram mais ainda.

Enquanto isso, já no final da tarde, Kevin e seus amigos, pousaram numa ilha, nas imediações de uma praia deserta, abasteceram, tomaram um banho de mar e pernoitariam ali. Para no amanhecer levantarem voo para o Brasil.Eles estavam arrasados de cansaço e esfomeados. Até os celulares, foram pouco usados, pois lá no barracão não havia energia elétrica, dessa formas não era possível carregar as suas baterias. Kevin só pôde tirar algumas fotos da escravidão branca. Dafne, fazia pena de se ver, ainda estava vestida com as roupas de escravos, que eram de um tecido grosso e inferior de cor branca e encardido por demais.
Toda ação até aqui, teve muito esforço e tensão. O esgotamento físico era eminente.

Após colocarem todo combustível no avião, pegaram uma lona e o cobriram para evitar algum problema, pois essa lona era de uma cor esverdeada com traços das cores marrom e amarelo exatamente de camuflagem para ocultar o avião, usada pelos pilotos que transportavam escravos, e os jovens acharam seguro tomar esse procedimento, depois entraram no mesmo e ficaram conversando sobre tudo enquanto a noite passava. Dafne e Jon estavam sentados juntos, não se desgrudaram um só minuto. Se tivessem que morrer morreriam abraçados. Kevin e Álex conversavam:
— Sabe Kevin... eu quero te pedir desculpas por não ter acreditado em sua competência, tá? Você me surpreendeu. Nunca pensei que em toda minha vida iria encontrar alguém como você. Desculpe-me!
— Que nada cara deixe de ser bobo! Isso acontece, apenas eu gosto de ajudar meus amigos e Dafne é uma garota muito especial para mim. Pessoas são almas, e as almas se identificam. E eu nunca deixaria de ajudar alguém como sua irmã, que é uma boa alma.
— O que você está fazendo por nós, nunca saberemos como agradecer, Kevin.
— Não precisa se preocupar com isso, Álex. Com vocês descobri o caminho que quero seguir.
— Qual caminho?
— Pelas experiências que estou tendo, quero ser alguém vinculado a operações especiais como essa que estamos vivendo, esse será o meu caminho.

O cansaço e o sono profundo tomou conta dos jovens, eles adormeceram sentados em suas poltronas. Nos últimos dias não sabiam o que era dormir. O plano a seguir seria quando amanhecesse, viajariam de volta para o Brasil e assim Dafne estaria de volta para a sua família.
Porém, quando todos dormiam profundamente, Kevin acordou-se sobressaltado com um barulho estranho, era barulho de tambores ao longe trazido pelo vento. Ele levantou-se e os outros também:
— Vocês estão ouvindo esses tambores?
— Sim! O que será isso? Perguntava Dafne.
— Quem sabe? Devem ser uma festa ou coisa parecida. Respondeu Jon. — Tomara que não descubram o avião!

Como o avião estava coberto pela lona, não dava para ver nada. Então Kevin pediu que eles ficassem escondidos e desceu do avião para ver o que estava acontecendo. Numa distância de três quilômetros aproximadamente, ele viu um grupo grande de pessoas praticando um ritual com muitos tambores, gritos, cantorias, muita algazarra ao redor de uma fogueira que iluminava todos à beira da praia.

Kevin voltou imediatamente para o avião levando a notícia:
— É um grupo de gente fazendo um tipo de ritual na praia. Tem até uma fogueira grande! Tá uma bagunça terrível com muita gritaria!
— Quem será esse povo, se essa ilha é deserta?
— Sabe gente... acho que é uma tribo de índios! Não tem outra explicação! — completou Álex.
— Tá faltando pouco para amanhecer ! Assim que surgir os primeiros raios, vamos levantar voo e espero que esses indígenas não nos cause problemas! — explicava Kevin.
Não demorou uma hora. Eles escutaram muitas pancadas no avião. Eles correram e se esconderam no compartimento de cargas e ficaram em silêncio. Lá fora uma porção de índios, com tochas nas mãos, circulavam o avião, iluminando-o conversando numa língua muito estranha. E davam pancadas e balançava-o.

Os meninos escondidos ficaram no silêncio total. De repente, os selvagens puxaram a lona descobrindo a aeronave. Kevin deu uma olhada pela fresta entreaberta da porta do compartimento e repentinamente, viu um índio tentando iluminar o interior. Ele tinha um semblante horrendo e era todo avermelhado. Com uns enfeites esquisitos na cabeça. Kevin falou bem baixinho para os outros:
— São uma porção de índios esquisitos e mal encarados se forem canibais estamos ferrados!
Em seguida escutaram barulho de madeiras sendo jogadas ao chão:
— Eles vão atear fogo no avião! Não podemos esperar mais senão estamos ferrados! Fiquem aqui! Se segurem que vamos levantar voo!

Ainda estava escuro, a escuridão era igual as trevas dentro da aeronave. Kevin foi rastejando devagarinho por entre as poltronas, até a cabine do piloto e ligou o avião. Os índios ficaram assustados e começaram a bater na fuselagem da aeronave causando estragos. O avião começou a andar e eles o seguravam para não deixar sair. O que o Kevin temia era que se a hélice fosse danificada, aí sim, era o fim da aventura desses jovens.

Ele precisava assustar esses indígenas para eles largarem a aeronave. Eram muitos índios fortes que seguravam a aeronave. Kevin lembrou-se que essa aeronave tem uma sistema de sirene que serve para alertar em caso de emergência. E a acionou fazendo com que a maioria dos índios se assustassem largando o avião, que começou se movimentar distanciando dos indígenas, mas ainda tinham alguns grudados no avião que foram largando a medida que a aeronave pegava velocidade.

Contudo, três índios, os mais teimosos, se seguraram e o avião começou deixar o chão. Eles se seguravam em uns ferros que ficam embaixo do avião,nas partes das rodas. Quando o avião levantou voo definitivamente, um dos índio não aguentou mais e caiu se esborrachando na praia e outros caíram no mar tentando nadar com muita dificuldade.

O dia já estava clareando e o avião já no alto, os jovens deixaram o compartimento de cargas e sentaram-se nas poltronas colocando os cinto. Foi quando Kevin na cabine pilotando a aeronave gritou:
— Pessoal! Olha lá embaixo! — E quando todos olharam para baixo:
— Meu Deus! O que é aquilo! Que horror! — exclamava Dafne muito assustada com o que vira.
— Que miséria é aquela! — Jon estarrecido desabafava.
— Nunca vi em toda minha vida algo tenebroso assim! Que civilização é essa? E ainda se falam mal das sociedades modernas. — Álex falava isso, horrorizado com o que estava vendo.
E finalmente Kevin completou:
— Viemos de um mundo achando que era horroroso e quando chegamos aqui conhecemos uma realidade bem pior! Isso que acabamos de ver é o resultado do ritual da noite passada! — E dava uma risada aliviado de terem escapado de algo que poderia ter sido tenebroso.

O que eles acabaram de ver foi uma porção de gente esquartejadas. Muitas cabeças sem o corpo, braços e pernas arrancadas, troncos sem os membros e partes de humanos ainda sendo assados numa grande fogueira. Enfim, um quadro terrível e desumano de costumes indígenas. Que ninguém ousa interferir.

Sem maiores problemas, o avião sob o comando de Kevin rasgava o céu azul. Dafne estava dormindo ao lado de Álex. Kevin e Jon estavam na cabine de piloto conversando:
— Sabe Kevin... não sei como você conseguiu aprender a mexer nesses controles em tão pouco tempo!
— Se eu dissesse que foi pura sorte, pode saber, não foi não! Quando eu quero aprender algo Jon, eu me entrego de corpo e alma. Assim que resolvi aprender pilotar avião, me dediquei em tempo integral, e outra coisa importante: todo aprendizado é dividido em duas partes, teoria e prática, se a pessoa assimilar bem a parte teórica, a parte prática fica muito mais fácil, pode acreditar!
— Você é um doido mesmo!
Os dois davam risadas das loucuras que tinham passado até ali.
Entretanto na casa de Dafne, o desalento era imenso, sua mãe era só choro. E a foto da filha exposta em todas as partes da casa. E Dona Zuleika falava:
— E pra piorar, os garotos sumiram já fazem vinte dias e não dão notícias! Será que sumiram também igual a Dafne?
Em seguida seu Armando redarguiu:
— Vira essa boca pra lá, Zuleika! Tenha fé que tudo se resolverá!
— Se não fosse minha fé, Armando, eu ja teria morrido de desgosto. São as únicas coisas que me restam e mantém erguida, é a fé e a esperança de ter minha criança de volta.

Enquanto isso, no covil de Dário Ronan, os dois rapazes, Neil e Helter eram covardemente acoitados no tronco. Seus semblantes estavam de seres sofridos, seus corpos estavam cruelmente marcados para sempre pelas tantas cicatrizes promovidas, pelo chicote de couro cru, mas no fundo eles sabiam que esse sistema estava preste a terminar.
Diante das circunstâncias, Dário estava por demais revoltado e preocupado, pois nada tava saindo como ele queria e desabafava com Laurent Garret o seu capanga mais próximo:
— Estou ainda sem entender como a garota Dafne conseguiu fugir sem deixar vestígios! Parece coisa de gênio!
— Não concordo que aja genialidade nessa fuga, acredito que tenha sido uma coisa bem friamente planejada à risca!
— Laurent, você conheceu Dafne pessoalmente?
— Não! Porque?
— Dafne foi a coisa mais linda que conheci em toda minha existência! Deu até pena trancafiá-la, além do seu rosto ser lindo e perfeito, ela é de uma candura e um refino que não existe mais em canto nenhum do mundo. Eu queria dar ela de presente ao meu filho que esta pra voltar da faculdade britânica, mas não deu certo! Paciência!
— Estou achando que você estava era apaixonado por ela, isso sim!
— Que nada! Eu sei o meu lugar! Eu estou pensando aqui é no tal do Kevin, que praticamente, foi o responsável por tudo. Mas ele não perde por esperar. Temos umas pendências a resolver.
.Finalmente, do avião, eles avistaram as terras brasileiras. Não demoraria muito e eles estariam pousando em território brasileiro. Normalmente num avião, existe todo sistema de posicionamento geográfico que permite o piloto se manter numa rota sem se desviar desse trajeto. Isso facilita a navegação. Os equipamentos são úteis ao piloto para que o mesmo, saiba o que sucede com o avião a todo momento. O piloto tem que ficar atento a tudo que possa aparecer de irregular com a aeronave. Por exemplo, Kevin e demais já estavam praticamente no Brasil, bastava se aproximar mais e procurar um local apropriado para o pouso. Seria numa praia deserta de preferência.

No entanto, ao observar o painel percebeu que o combustível estava no final, só tinha quarenta minuto de voo, tinham que pousar urgente para evitar um acidente sério. Uma coisa já era certeza, iam fazer um pouso de emergência e Kevin falou: — Não temos mais tempo! Peguem esses coletes e coloquem! Tentem colocar adequadamente! Caso caiamos no mar, não nos afoguemos! Vamos ter que fazer um pouso forçado!

Nos últimos minutos que faltavam, Kevin procurava uma praia deserta para pousar e finalmente viu uma que poderia dar certo. E direcionou a nave para lá. Ligou as sirenes em volume máximo e colocou o avião na direção devida. Nesse momento o motor parou e as hélices também, por falta de combustível. A tripulação entrou em pânico e Kevin gritou:
— Calma gente! Sentem-se e coloquem os cintos! Vamos descer!
Após colocarem os cintos Kevin começou apenas a plainar com o avião que veio descendo suavemente em direção à praia. O avião com as hélices parada, não oferece estabilidade nenhuma! Ele fica sem uma linha de voo segura, o avião subia, descia, ia pra esquerda, para direita, mas Kevin tava ali levando a máquina praticamente no pulso. O avião vinha descendo, ou melhor, mais caindo que descendo. Havia algumas pessoas no banho, mas quando ouviram o barulho da sirene de alerta e o avião se aproximando, saíram correndo para distante do trajeto do avião em queda.

O avião veio numa linha horizontal e descendo em alta velocidade. Quando tocou na areia, fez um grande barulho e levantou um monte de areia. Kevin tava fazendo tudo para o avião continuar em linha reta o máximo de tempo. Quando tocou novamente na areia diminuiu a velocidade e continuou na trajetória confusa. A sorte era que a areia de certa forma, amenizava o impacto. E continuou agora com menos velocidade. E tocou novamente, e a cada toque na areia, a nave diminuía a velocidade. Mas continuava em sua trajetória confusa. O perigo felizmente, havia passado, finalmente o avião desceu definitivamente numa velocidade bem menor, tocou na areia, perdeu o equilíbrio, bateu a asa direita no chão deu uma levantada, bateu a esquerda e rodopiou bateu a frente, parou finalmente com o bico encostado na areia e a parte de traz pra cima.

Fez silêncio. Todos estavam bem. O talentoso Kevin apesar de tudo pousou sem maiores problema. Ele abriu a porta e desceu seguido pelos demais. Dafne deitou-se no chão com a barriga pra cima e as costas encostada na areia, os braços abertos e disse com os olhos cheios de lágrimas:
— Estamos no Brasil, minha terra maravilhosa! Minha terra querida, nem acredito que estou aqui! Jon se agachou e disse beijando-a ainda no chão:
— Eu te amo!
— Eu te amo Jon! Eu te amo Álex! Eu te amo Kevin! Senão fosse por vocês eu não estaria aqui em meu país novamente. Meus escoteiros maravilhosos!
— Essa mesma alegria que você está sentindo Dafne, nós temos que proporcionar aos outros que ficaram lá nos esperando! — reafirmou Kevin.
— Com certeza Kevin!

Dafne levantou-se, e se abraçaram igualmente lá no barracão. Depois que Kevin fechou o avião, eles pegaram as mochilas e começaram a caminhar, antes que chegassem tantos curiosos,pois tinham muito chão pela frente, até chegar em casa.

Notas finais
E então? Sobreviveram também as enrascadas as quais nossos garotos foram submetidos? Pois é, aja sofrimento e medo ate o último capítulo. Espero que tenham gostado, comentem e vamos adiante, que o tempo urge! Xau!