Ketsueki no Omoide
1 Saikai
Notas iniciais
Lembrando, Agradecimentos super especiais ao Rodney, e ao Maluco também. O Rodney por ter a ideia, e o Maluco por ficar me aturando enquanto falo sobre ela.
Não... Não podia ser verdade...
Ouvi um estilhaço, era como vidro se quebrando, o próprio mundo a minha volta ruia, aquele esgoto com cheiro de morte se partiu em mil pedaços, deixando a raposa de nove caudas livre, depois de tanto tempo, a mim mesmo... quantos anos desde que não conseguia pensar com essa clareza?!
Tudo aquilo não passava de mentira...
O selo se quebrou, tudo o que eu via, que eu ouvia dentro daquela cela, não era possível que fosse apenas traços de um jutso?! Haveria um genjutso capaz de fazer isso comigo?! Nem mesmo os Uchiha...
-Você não esta errado... — ouvi uma voz soar atrás de mim — Mas não esta de todo certo, filho...
Me virei, e vi o Yondaime me encarando, não havia ódio no seu olhar, nem raiva, nada. Ele me olhava como se eu realmente fosse filho dele, e isso fez eu dar um passo pra trás, assustado e pesaroso comigo mesmo.
-Minato... — minha voz soou mais fraca do que eu pretendia, não sabia se conseguiria encara-lo — O que esta fazendo aqui?
-Ora... — ele sumiu num flash amarelo, e apareceu no meu focinho, olhando diretamente pra mim — Vim ver meu filho, parece que você esta passando por momentos difíceis...
-Não diga bobagéns... — minha voz saiu como um rosnado, levemente irritada mais ainda baixa — Você sabe que eu não sou seu filho...
-Sim, eu sei.
-Então?
-Isso muda alguma coisa?! — ele pareceu confuso, como se o óbvio de repente não fizesse mais sentido — Torna tudo o que você viveu uma mentira?! Tudo o que você realizou!? Naruto...
-Não me chame assim — eu disse, num fio de voz — Eu matei o seu filho, Minato, como...
-Sim... — o olhar dele ficou irritado de uma hora pra outra — Você matou aquele bebê, ele tinha acabado de nascer, era meu filho, e nunca vou perdoa-lo por isso, Kyuubi.
Senti a dor das suas palavras no meu peito como se fosse uma facada, encarar as coisas daquela forma era enlouquecedor, ainda esperava que depois daquilo eu fosse acordar, como se tudo fosse um pesadelo, um pesadelo assustadoramente real...
-Mas... — ele sorriu de novo, afagando o meu focinho com a mão, enquanto se sentava de pernas cruzadas ali — Isso não muda o fato de eu te ver como meu filho...
Um som baixo como um ronronar escapou da minha garganta, me sentei e me enrolei com as minhas caudas, as nove caudas da Kyuubi no Youko, minhas caudas...
-O que realmente aconteceu... Naquela noite?! — Eu perguntei, mina voz saindo um pouco mais firme que antes.
-Vou contar pra você... tudo começou a muito tempo atrás, quando...
Quando ele terminou de contar suspirei surpreso, tudo, de repente, fazia sentido, mas de um jeito estranho que eu nunca pensei que pudesse existir, era como se o mundo todo virasse de ponta cabeça.
-O que pretende fazer sobre isso, Naruto?
Encarei aquele homem que durante a minha infância, havia sido meu idolo, depois da luta contra Pein descobri que era meu pai, e agora sabia que era apenas mais um que eu tinha matado, eu havia matado sua família toda, sua mulher, seu filho ainda bebê, e ele sorria pra mim daquele jeito, como era possível?!
Decidi deixar esses pensamentos pra lá, em parte por que eram dolorosos demais, e também por que era um momento que eu precisava ser objetivo, o mundo já não passava de ruínas e qualquer chance de mudar aquilo não estava naquele tempo, estava no passado, e aquele homem era o único que poderia me ajudar com aquilo.
-Você por acaso já terminou aquele jutso, Otou-san... — ele sorriu ao me ver chama-lo daquele modo. Era estranho, eu não sabia como encara-lo, mas de certa forma era uma confusão quase cômica, como se fossemos dois melhores amigos fazendo as pazes depois de uma briga, e não inimigos mortais.
-Você sabe as consequencias disso, não sabe?! — ele perguntou, agora um pouco mais preocupado, era tão estranho que ele parecesse tão preocupado comico — Tudo o que você conhece, esse mundo todo, tudo o que você já realizou, já conseguiu, não vai significar nada. Todos os jutsos que conhece, seu poder...
-Não querer dizer nada! — eu disse, o interrompendo — É um preço pequeno a pagar pra poder consertar as coisas... Sei que nunca vou poder mudar o que fiz, Minato, mas eu...
-Baka no Kitsune... — a voz do velho hokage ficou mais baixa, mais doce e carinhosa, ele me olhou como se realmente me amasse, como se estivesse orgulhoso de mim — Você não percebeu?! Já mudou tudo aquilo...
Em seguida ele fez uma sequência rápida de jutsos, todo o chão brilhou amarelo, com runas e selos subindo pelas paredes, a medida que o próprio tempo parava e se entortava, se quebrando em um milhão de fragmentos pequenos, ecos da própria realidade. Tudo o que eu ouvi antes de imergir na escuridão foi:
-Boa sorte filho... eu confio em você.
A escuridão era tão... agradável...
Meus pensamentos fluiam como nankin na água, dando voltas em torno de si mesmos, indefinidos, imprevisíveis e incontroláveis. A inconciência era um lugar maravilhoso onde eu não sentia nada além de calor, não havia culpa, não havia remorso, não havia os milhares de olhos e rostos contorcidos de dor daqueles que eu matei... Era estranho, normalmente, sempre que eu fechava os olhos eu os via, sorrindo sadicamente pra mim, aumentando ainda mais o meu ódio.
Me lembrei da minha vida todo, quando era criança, odiado pela vila que me tratava como se eu fosse a Kyuubi em pessoa em vez de apenas o jinchuuriki dela, era estranho imaginar que eles realmente estavam certos, eu era a Kyuubi, não era?!
Quem sou eu...
A escuridão tomou forma, era como se o sol nascesse de algum lugar, em ponto nenhum, e começasse a iluminar a imensidão sem um ponto exato de partida. Sem o tempo pra delimitar o movimento das coisas, tudo ficava embaralhado, realidade misturada com ilusão, luz e sombras dançando ao som de uma marcha fúnebre, eu estava vivo?! Morto?! Naquela hora não importava, estava mergulhado na insanidade da inexistência, a criação genial da mente de um lunático... Não que isso existisse, era só uma forma de narrar.
Estrelas brilharam além de um tecido inexistente de espaço, eu estava tão perto delas que deveria me queimar, mas ao mesmo tempo estava tão longe que não fazia sentido que ainda estivesse vivo, devia estar tão frio ali que eu não conseguisse nem ao menos respirar, aliás, se nada existia, como eu ainda respirava?! Eu estava respirando não estava?!
Aos poucos tudo foi tomando forma, as estrelas se distanciaram de mim, e o tempo passou a correr de novo, tudo ficou em movimento, cada pequeno universo paralelo se formando como células, se desdobrando umas às outras a medida que planetas se formavam do gás inerte no espaço vazio, alguns se quebravam, outros não tomavam formas exatas, uns se chocavam contra os outros, ou então ficavam quentes demais e eliminavam cada pequena chance de vida. Vi dezenas de zilhões de mundos se formando e ruindo a cada milésimo de segundo, então era assim que era o universo na verdade... Imaginei onde o meu mundo estivesse no meio daquilo tudo, e o que eu estava fazendo parado no meio daquele monte de nada.
O estranho é que a cada parcela de tempo eu me esquecia de algo importante, quanto mais tempo passava ali menos as coisas faziam sentido, eu não sabia se estava a anos imerso naquela loucura, ou se tinha passado apenas um segundo, o importante era... Bem, não havia nada importante.
Depois tudo se quebrou, tão rápido como antes e as coisas voltaram a minha mente, a linha do tempo voltou a ser tecida, e eu senti o cansaço tomar conta de mim. Até o momento eu não imaginava que realmente tivesse uma cabeça, mas eu tinha e ela estava doendo terrivelmente, como se alguém estivesse a usando como se fosse uma bigorna. Abri os olhos que até então estavam fechados e preferi não ter aberto, por que toda a loucura do mundo faria sentido se comparasse com aquela cena que eu estava vendo agora...
-Naruto-no-baka... — Iruka dizia, me olhando com uma careta irritada — Estava dormindo de novo, não...?!
-Ahhh... — foi tudo o que eu consegui balbuciar, tentando relembrar como é que se fazia pra falar... Não devia ser tão difícil assim.
Ouvi risos e olhei ao redor, estava sentado numa longa mesa, junto com outros garotos, numa sala de aula — que por acaso estava rindo de mim — olhando feito um idiota pra alguém que devia estar morto. Aliás, todo mundo naquela sala devia estar morto...
-Não tem nada a dizer? — ele perguntou, estreitando os olhos.
-Eu... desculpe... — falei a pimeira coisa que me veio a cabeça, não confiava pra tentar formar nada mais complexo que uma palavra por vez.
-Hunf... preste atenção a partir de agora, vamos ter um teste prático...
-Hai... — concordei com ele, embora não tivesse a miníma ideia do que estava fazendo.
Ele me olhou de uma maneira estranha, até que percebi que eu devia estar agindo estranho demais, quando tinha doze anos eu não era tão educado, na verdade era um completo idiota. Coloquei a mão atrás da cabeça e ri, tentando parecer o aluno mais patético e mal criado daquela sala, parecia difícil, mas antes eu conseguia isso com tanta facilidade...
Ele me olhou por mais um segundo e então deu de ombros, voltando pra frente da sala, todos estavam ali. Sakura, Sasuke, Kiba, Hinata, Shino, e todos os outros alunos que se formaram gennins junto comigo, eu não podia acreditar que estava de volta mesmo...
"Surpreso, Kyuubi?!"
Pisquei, e quando abri os olhos novamente não estava mais na sala de aula, estava na minha mente. Aquele velho esgoto tinha sumido, agora eu estava de frente a uma bela campina verdejante, encostado no tronco de uma árvore, estava um ninja loiro vestido de laranja, uma longa capa vermelha com chamas negras chegava até os seus pés. Era muito estranho olhar pra ele daquela maneira, por que até antes do selo ser rompido, "Ele" era "Eu"...
"Naruto... o que faz aqui?!"
"Ora ora... — ele sorriu sinicamente — podia me tratar mais educadamente, não?!"
"Gomen-nasai — murmurei, incerto do que fazer — O que esta acontecendo?!"
"Bem... quando meu pai tentou te selar em mim, isso acabou provocando a minha morte cerebral, você sabe disso..."
"Sim, já peguei essa parte — respondi — Mas isso não explica exatamente o que esta fazendo na minha cabeça..."
"Bem... quanto a isso não tenho nem ideia — ele riu como um bobalhão, fazendo uma gota aparecer na minha cabeça — Mas tenho algumas teorias"
"Vá direto ao ponto..."
"Humm — ele me ignorou e começou a falar, como se fosse a si mesmo — Quando meu pai criou aquele selo, trancafiando sua memória no meu corpo, você perdeu todas as suas memórias, e cresceu pensando que era eu, estou certo?!"
"Sim..."
"Então, quando estava a ponto de morrer, caindo num penhasco, o seu próprio inconciente criou uma representação falsa de você mesmo, a assustadora e perversa raposa de nove caudas — ele riu da própria piada — Pra poder se salvar, acho que já entende aonde quero chegar..."
"Esta dizendo que tenho dupla personalidade?"
"Pra alguém com milhares de anos de vida, você encara as coisas de uma forma bem simples... Mas sim, não deixa de ser verdade. Eu era a raposa trancada naquela cela, enquanto você estava fora, vivendo como o "Naruto", que na verdade sou eu... Mas como você na verdade era a raposa de nove caudas, e o "Naruto" iria desaparecer, acabamos trocando de lugar, entende?!"
"Isso não faz sentido... Você deveria ter desaparecido — eu sentencie, o que ele estava dizendo era absurdo, mas também, depois de todo aquele absurdo, quase chegava a fazer sentido — Quem é você realmente?!"
"Eu sou você! — ele disse, simplesmente — Enquanto você era o Naruto eu era a Kyuubi, por que você precisava que fosse assim, e como você é a Kyuubi agora, eu sou o Naruto, simples não é?!"
"Gostaria que fosse... o que isso implica?!"
"Nada, essa é a parte — ele riu gostosamente — Como eu sou você, não posso fazer nada contra você, embora fosse divertido aparecer no mundo real, eu sempre fiquei preso nessa droga da sua mente..."
"Acostume-se — eu disse friamente — Não tenho interesse em te deixar sair, se você é quem diz ser, não pode ter boas intenções..."
"Por que diz isso?! — ele pareceu confuso"
"Tolo... — eu disse, minha voz soando de todos os lugares — Eu sou a Raposa de nove caudas, já vivi mais do que qualquer um nesse mundo, e conheço aspectos dele que humanos nem sonhariam em existir... Se você é uma outra parte minha, só pode ser a maligna, tudo esta equilibrado, eu não posso ser inteiramente boa, nada nesse mundo pode..."
Naruto contorceu o rosto num sorriso demoniaco:
"Você esta certo Raposinha... Mas veja, eu sou o seu lado mais antigo e ancestral, por quanto tempo vai poder me segurar?!"
"Você não conseguiu sair enquanto eu era apenas um pivete sem conhecimento, quando não tinha nem mesmo uma fração da minha verdadeira força... — eu disse, e seu sorriso desmoronou — Acha mesmo que vai sair agora?!"
"Maldi..."
Não o deixei terminar de falar, apenas voltei a realidade. Estava agora do lado de fora da academia, onde Iruka mostrava os postes de treino de shuriken, explicando a maneira correta de se atirar mais de uma estrela no mesmo alvo. Sorri entediado. "Bem que você podia ter me trazido um pouco a frente desse tempo, Minato..." — pensei com amargura. Aquilo seria muito chato, eu não era nem mesmo um gennin ainda.
-Muito bem... Aburame Shino! Você pode tentar primeiro! — Iruka disse, apontando a caneta para um aluno em particular no meio do monte em que eu estava agora, enquanto escrevia algo numa prancheta.
-Iruka-sensei, sua escolha foi errada. A razão é que dos métodos de luta, oClan Aburame utiliza basicamente os insetos parasitas que vivem em nosso corpo. E a utilização de Shurikens não está...
A maioria dos alunos ali já começava a passar mal, enquanto insetos passeavam pela cara do garoto, Iruka estava ficando verde e até mesmo a expressão fria do Sasuke estava abalada.
-Certo certo... — o sensei disse, rabiscando algo na prancheta — Sasuke, pode ir primeiro então...
-Hunf — ele resmungou, enquanto o fã-clube dele, incluindo Sakura e Ino, pulavam contentes, torcendo pra ele que as ignorava completamente.
Fiquei observando atento, me lembrava daquele dia, onde tinha brigado com o Sasuke pra tentar me exibir — de novo — As coisas começaram a desandar a partir dali. Talvez si agisse diferente... Não, era uma ideia ousada demais, funcionaria mesmo?!
"Baka... — Naruto murmurou na minha mente, de novo — Acha mesmo que vai conseguir muda-lo?! O garoto esta mergulhado no ódio..."
"Veremos... — eu disse sorrindo — Agora cale-se idiota, me deixe em paz"
"Tsc... Raposa mal-educada"
Sasuke parou a alguma distancia do tronco, e o encarou como se fosse um inimigo de verdade. Naquele tempo eu não sabia por que os olhos dele brilhavam tanto quando ele olhava pra alguém, um inimigo, ou mesmo um tronco de treino daquela forma. Hoje sabia que era por que estava imaginando Itachi ali, sendo perfurado por diversas shurikéns.
Ele as atirou, e todas se cravaram no poste, de cima pra baixo numa linha quase perfeita. Era íncrível que um estudante de academia tivesse um desempenho daqueles, mas ainda era muito longe do que ele queria, por isso se impelia a ficar sempre mais forte, sempre mais poderoso, afinal, Itachi era capitão da ANBU com apenas treze anos, se continuasse daquela maneira nunca nem chegaria aos seus pés.
-Hum, perfeito Sasuke! — Iruka disse animado — Quem será o próximo agora?
As garotas todas começaram a aplaudir, dando gritinhos esfuziantes e irritantes que ele fazia questão de ignorar. Senti um pouco de pena dele, viver mergulhado no ódio era uma coisa horrível, limitava suas habilidades e consumia sua própria personalidade, acreditem, eu sei como é, sendo quem eu era...
-Sensei — ergui a mão — Posso ir agora?
Ele estranhou eu ter pedido tão calmamente, minhas expressões estavam neutras, a não ser um sorriso tranquilo de canto no rosto. Por fim ele marcou algo na prancheta e murmurou, de um jeito bem engraçado como se fosse se arrepender depois.
-Muito bem, pode ir Naruto...
-Ei Sasuke! — eu disse, surpreendendo todo mundo, naquele tempo eu ainda não o conhecia muito bem, então não tinhamos aquela rivalidade entre nós — Quer fazer uma aposta?
Ele me olhou de cima, daquele jeito arrogante com que encarava todo mundo, enquanto as garotas me vaiavam e gritavam que eu ia perder feio, ou que iam esfregar minha cara no chão por desafiar o "Sasuke-kun". Ambos as ignoramos e ele veio caminhando até a minha frente:
-O que quer apostar... Dobe...?!
-Humm... — fungi pensar um pouco — Se eu conseguir acertar todas, me paga uma tigela de ramém no Ichiraku! E se eu perder... pode pedir o que quizer.
-Você não tem nada que eu queira — ele disse arrogantemente — Mas concordo, eu vou ganhar mesmo...
Naquela época eu ainda não era capaz de acertar nenhuma shuriken em alvo nenhum, mas apesar de perder grande parte das minhas habilidade, a mira e o controle de chakra -que felizmente eram os principais, pelo menos por hora — continuaram como antes, eu só precisava treinar pra dominar todos os jutsos de novo, dessa vez levaria bem menos tempo que antes.
Andei até ficar de frente ao tronco, à mesma distância que ele tinha ficado, e puxei algumas shurikéns. Podia jogar de costas, com os olhos vendados e os pés na cabeça e ainda sim conseguiria um resultado melhor que ele, mas tinha que ficar mais ou menos na mesma faixa de poder, nem muito inferior e nem muito superior. O Sasuke tinha acabado de perder a família toda, e isso fazia dele uma pessoa complicada, tinha que pisar com cuidado se quizesse salva-lo do que havia acontecido da outra vez.
"Ahhhhhhhh! Raposa idiota! — gritou Naruto na minha mente — volte a sua forma normal e mate todos eles, vai ser muito mais fácil e prazeiroso! Por que se tortura tanto?!
"Já não mandei calar a boca?!"
Atirei as shurikéns e elas se cravaram exatamente da mesma maneira que as de Sasuke no tronco, o que causou um silêncio tenso atrás de mim. Iruka estava surpreso, todos os outros alunos me encaravam como se eu não fosse eu mesmo — O que de certa forma era verdade, eu não era eu mesmo, mas era eu mesmo... Isso fazia sentido?! — E Sasuke era o que mais estava impressionado.
-Quem é você e o que fez com o Naruto?! — ele perguntou, rindo, depois percebeu o que estava fazendo e tentou voltar aquela careta fria de sempre. Sorri comigo mesmo ao perceber que ele ainda não era muito bom nisso... Ainda...
-Nem tente mudar de assunto! — coloquei as mãos no bolso — Você me deve um almoço no Ichiraku!
-Hai hai... dobe.
-Teme!
Nos encaramos por um tempo, e então rimos um para o outro, mas ele ainda estava frio demais. Tudo bem, não seria em um dia que eu mudaria aquele imbecil, demoraria mais um bom tempo, mas eu estaria ao lado dele nesse tempo, além de ser extremamente útil para o futuro, Sasuke era meu melhor amigo, sempre foi.
"E eu sou o que?!"
"Um idiota — respondi — agora cale a boca"
Apesar disso demorou um bom tempo pro Iruka fazer o fã-clube do Sasuke ficar quieto, principalmente a Sakura e a Ino, que agiam como se eu tivesse o humilhado publicamente. Francamente, aquilo chegava a ser doentio. Sakura era outro caso trabalhoso, que eu precisaria ter cuidado ao lidar, o controle de chakra dela, assim que estivesse treinado, seria equiparado ao da Godaime, quase tão bom quanto o meu, e isso faria dela uma kunoiche médica incrível, o único problema é que era completamente obcecada pelo Sasuke, por isso não conseguia se devenvolver muito bem.
-Muito bem Naruto! — Iruka disse, sorrindo largamente, após se recuperar do choque — Resultado tão bom quanto o do Sasuke, como conseguiu chegar nesse nível tão rápido?! Na última vez que treinamos você foi o pior da sala!
-Não foi rápido — eu disse, o que não era mentira, demorou muito tempo pra chegar aquele nível no passado-futuro — Eu treinei duro pra isso...
-Entendo, então o próximo é...
A aula transcorreu normalmente. Fiquei na minha o tempo todo, enquanto Sasuke apenas ignorava as fãs alucinadas que praticamente se declaravam pra ele a cada dez minutos, todos os alunos foram razoavelmente bem, e Iruka sorria orgulhoso, mas as garotas eram um desastre, principalmente as do fã clube do Sasuke. A maioria não era capaz de acertar nem uma shuriken, e as outras mal conseguiam segura-las corretamente, dentre esse mar de fracasso Sakura era a menos ruim, acompanhada de Ino, mas ela confiava mais nos jutsos da família dela, por isso não treinava demasiadamente quase nada. Já a rosada éra idiota mesmo, daquele tipo de garota que acha que a vida é um conto de fadas...
Quando a aula acabou o sensei conduziu os alunos de volta pra sala de aula, onde passou todo o resto do tempo, até de tarde, explicando sobre equações lineares correspondentes a trajetória de diversas shurikéns, como fazer muitas acertar o mesmo ponto, como usar o vento pra ela fazer curva ou ainda fios de metal pra mudar os seus vetores durante o arremesso. Pense numa coisa chata, agora multiplique por dez, você deve ser capaz de entender o que eu estava vendo.
Tentei procurar qualquer outra coisa em que pensar, que não naquilo, embora soubesse toda aquela matéria de cor e salteado, do tempo em que estava selado na minha mã... Kusahina, ainda me sentia mal em pensar nela, ela era uma ótima aluna, uma das melhores no seu tempo de academia. Devido a ter partilhado dos seus pensamentos por tanto tempo, eu sabia de muitos jutsos, selamentos e técnicas do clã Uzumaki, eles eram os melhores entre os melhores no que competia a selamentos e kekkais, a maioria muito útil, e o melhor, ninguém mais conhecia. Teria que arrumar um tempo pra treinar todas aquelas técnicas, chakra não seria problema, era o que eu mais tinha...
Na minha tentativa desesperada de não prestar atenção na aula, acabei olhando pras minhas roupas. Eu ainda não tinha comprado aquela roupa laranja ridícula que usava quando era criança, e agradeci a Deus por isso. Estava usando uma calça preta e uma camiseta vermelha, com tribais descendo pelo ombro até a cintura, era uma roupa bem legal e percebi que as pessoas me levavam mais a sério — ou me ignoravam menos — nessa época, antes de passar a vestir laranja. Mas elas já estavam ficando apertadas, e logo eu teria que comprar roupas novas.
"Qual o problema com laranja?! — Naruto perguntou um pouco ofendido, não acredito que estava dizendo aquilo mesmo"
"Vai me dizer que você gosta?!"
"É uma cor interessante... — ele deu de ombros — O que pretende fazer então, comprar uma saia?!"
"Já não disse pra calar a boca?!"
"Ahhhhhh — ele parecia exasperado — Você é um saco, como te aturei por tanto tempo?"
"Você nem é real, só é uma manifestação inconciente do meu lado negro... fique quieto se não for dizer nada útil..."
Quando a aula acabou, Sasuke veio até a minha carteira com uma expressão contrariada:
-Vamos logo, dobe, vou pagar o que te prometi.
-Hai hai — disse, sorrindo do jeito mais diplomático que conseguia — Não precisa ficar tão impaciente...
Ele resmungou algo que soou como "Idiota", e deveria ser isso mesmo. Saímos caminhando devagar, enquanto as garotas acenavam pra ele, mas voltavam tristes por que ele não respondia. Quando saímos dos terrenos da academia tentei puxar assunto, ele era muito complicado pra se manter uma conversa:
-Por que trata todas as garotas tão mal...?!
-Elas são irritantes — ele disse depois de um tempo, como se estivesse pensando se deveria se dignar a responder. Pensei que fosse ficar quieto mas ele surpreendentemente me fez outra pergunta, naquela época seria muito mais fácil me aproximar dele...
-Você disse que treinou bastante... Como?!
Sorri maliciosamente, e ele estreitou os olhos:
-Quer umas dicas?!
-Tsc... Como se precisasse de um conselho seu...
-Então por que pediu?
-Cale a boca...
Ri comigo mesmo, e ele continou andando em silêncio, mas não parecia tão irritado quanto ficava antes:
-Se quer saber, não é tão difícil, é só deixar as outras shurikéns seguirem o curso da primeira — disse, aquilo era um truque simples pra se pegar o nível básico, mas era o jeito que chunnins atiravam — assim não precisa mirar de novo...
-É só usar a primeira pra definir a rota das outras, como aumentar um número do X de uma equação — ele percebeu meu racíocinio de imediato, o que era impressionante, mas depois começou a falar em termos matemáticos, me dando dor de cabeça.
-É... — eu disse, tentando fazê-lo calar a boca, matemática éra um saco — Mas não acho que seja legal pensar dessa forma...
-Por que? — ele pareceu curioso, a faxada fria tinha caído, mostrando uma expressão curiosa que eu nunca tinha visto nele antes, os olhos cor de ônix não estavam foscos, mas brilhavam de interesse.
-Bem... — tentei explicar da maneira mais simples que conseguia, passando um ar que não tinha certeza exatamente do que falava — Acho que numa luta real não temos tempo de fazer equações... Então é melhor encontrar uma maneira mais simples de ver as coisas, assim podemos agir de imediato, entende?!
Ele pareceu interessado nisso, pensando enquanto caminhávamos:
-Quer dizer — eu forcei uma insegurança na voz — É o que eu acho...
-Faz algum sentido... — ele concordou por fim, não esperava que realmente o fizesse, mas depois montou de volta uma expressão desinteressada — Chegamos...
Ver a barraca de lamén inteira me deixou contente, quando somos crianças vivemos cercados de coisas que não damos atenção, mas que passam a fazer falta depois, pra nós. Aquela barraca de lamén, o Tio e a Ayame-chan eram uma dessas coisas, num lugar onde todos me odiavam, eles eram gentis comigo. Corri pra lá, e mal sentei no banquinho já gritei, com todas as forças:
-O-san! Ayame-neechan!
Nesse momento Ayame estava entrando na barraca de uma salinha paralela, onde eu sabia que eles guardavam e lavavam a louça. Ela carregava várias tigelas, mas com o susto as jogou pra cima, fazendo com que se espatifaçem no chão, Teuchi deu um pulo e soltou uma sonoro palavrão, que não vou repetir pro caso de ter crianças lendo, Sasuke entrava nesse momento e suspirou cansado ao ver a confusão que eu já tinha arrumado.
-Dobe...
-NAARUTOOO!!! — gritou Teuchi, se virando pra mim com uma concha não mão. Eu apenas sorria bastante, fingindo não prestar atenção até a hora que ele me acertou com força na cabeça, Ayame ainda estava com a mão no peito, tentando acalmar o coração do susto.
-O-san! — eu disse, esfregando a cabeça dolorida — Isso dói...
-Tsc, Baka! Quantas vezes já não disse pra não entrar gritando?!
Apenas torci um sorriso, enquanto Sasuke observava tudo em silêncio do meu lado e Teuchi resmungava consigo mesmo, mas não parecia exatamente zangado. Ayame veio para o balcão, empurrando o pai de volta para a cozinha, dizendo que ele tinha que trabalhar, enquanto se voltava pra mim sorridente, nem parecia que eu tinha a dado um baita susto antes.
-Vejo que trouxe um amigo, Naruto-kun! — ela disse sorrindo, enquanto meu sorriso aumentou ainda mais e Sasuke fez uma careta de desagrado — Que bom, você sempre anda por aí sozinho...
Olhei de soslaio pra Sasuke sem que ele notasse, a expressão mal humorada falhou um pouco, mas depois voltou a mesma frieza de sempre. Ayame se voltou pra ele e disse, ainda sorrindo ternamente.
-Sasuke-kun, não?! — ela se curvou pra ele, não esperava que fizesse isso — Obrigado por cuidar do Naruto, por favor, não o deixe arrumar mais confusões por aí, Ok?!
Sasuke ficou um pouco envergonhado, mas acabou concordando com um "hai" gaguejado, Ayame tinha um talento sem igual pra deixar as pessoas sem jeito. Ela sempre falava o que dava na cabeça, até mesmo para o Hokage, e era muito querida pela maioria das pessoas da aldeira, exceto os velhotes que a achavam abusada. Eu era apaixonado por ela quando tinha aquela faixa de idade, na "outra vez" (vou chamar assim o tempo em que vivia antes de voltar para o passado, acho que da pra entender afinal), mas ela sempre me viu como um irmãozinho, o que não era de todo ruim.
-E você, Naruto-kun... — ela afagou meus cabelos carinhosamente, sorrindo ainda mais — Não assuste mais o meu pai daquele jeito.
-Hai! — disse, debruçando minha cabeça no balcão, se tivesse minhas caudas e orelhas elas estariam abanando agora...
"Patético... olha só a que te reduziram..."
"Esta com inveja por que sou eu que esta ganhando carinho."
"Cale a boca! — Naruto gritou corado, na minha mente"
-Então, Naruto, Sasuke-kun — gritou Teuchi na cozinha — O que vão querer?
-Um... — Sasuke ia responder, mas eu o cortei.
-Dois raméns de porco!
-Saindo! — Teuchi disse animado, enquanto Ayame voltava a lavar a louça.
Sasuke corou ao máximo, o que também me surpreendeu ao máximo também, e olhou pra mim como se fosse me matar:
-Ba-baka! — ele disse, sussurrando com raiva — Eu só tenho dinheiro pra um!
-Humm... — fingi pensar um pouco — Então eu pago o seu, e você paga o meu, que tal?
Ele pareceu surpreso com a oferta, e me olhou como se tivesse braços saindo no lugar das orelhas, mas depois ficou quieto por uns minutos, antes de dizer, ainda parecia envergonhado:
-Eu nunca comi ramén... que gosto tem?!
Eu olhei pra ele surpreso, dessa vez realmente, e fiz questão de deixar transparecer toda a surpresa que podia, o encarando como se ele dissesse a coisa mais absurda do mundo:
-Você... nunca?!
Ele ficou um pouco envergonhado, num só dia consegui deixar aquele cara envergonhado três vezes, o que mais faltava acontecer?!
-Não... que gosto tem?
Fingi pensar na melhor maneira de explicar pra ele, como se fosse algo muito complexo e não uma pergunta simples:
-É a melhor coisa do mundo!
Ele não botou nenhuma fé, enquanto eu enfatizava o como ramén era saboroso, e como ele era azarado por nunca ter provado antes. Quando as tigelas chegaram ele olhou pro macarrão boaindo no molho, junto com os temperos e os pedaços de carne como se fossem as tripas de alguém... Sabe, olhando de canto realmente parecia...
-Ande! Experimente!
Ele pegou os hachis, e juntou as mãos juntas ao mesmo tempo que eu, murmurando "Itadakimasu", enquanto eu praticamente gritei pra toda vizinhança ouvir. Ayame sorriu ao me ver comer com vontade, enquanto Sasuke remexia na sua tigela, tentando encontrar a melhor maneira pra colocar aquilo na boca.
-Vai! Experimenta logo! — fingi estar impaciente, enquanto tomava uma golada do molho na tigela e ele finalmente pegou um pouco de macarrão e colocou na boca. A expressão ficando surpresa por um momento, e então se voltando pra um sorriso de prazer, ele sugou todo o macarrão e abriu um sorriso tão grande quanto o meu.
-É muito bom!
Teuchi abriu o maior sorriso do mundo ao ouvir aquilo, pra um cozinheiro, não tem maior satisfação que ouvir aquilo de um cliente. Ayame olhava pra nós dois como se fossemos seus irmãos mais novos, eu adorava aquele jeito dela de me olhar, as vezes ficava horas sentado ali, no outro tempo, apenas pra falar um pouco com ela.
Sasuke terminou sua tigela, e sorveu todo o caldo, sorrindo bastante, e com uma facilidade que nunca, nem em mil anos, imaginaria que pudesse sair da cara sempre tão fria dele. É como dizem, se quer mudar o humor de uma pessoa, comece pelo seu estomâgo!
-E então, esta arrependido da aposta? — perguntei debochadamente, e ele ficou envergonhado de novo, fazendo uma careta.
-Baka...
-Mas... Como diabos você nunca comeu ramén? É algo tão comum...
Ele ficou com as feições tristes, pegou um dos rachis e equilibrou o outro distraidamente, ambos encima do dedo indicador. Enquanto ficavam bambeando na sua mão, ele explicou, distraidamente:
-Minha família éra bem rígida, minha mãe só preparava o que meu pai deixava, e ele odiava ramén...
-Seu pai devia ser maluco — eu disse, sem me abalar, com uma expressão séria.
Sasuke me olhou com raiva por um momento, ia dizer alguma coisa, mas ela morreu na sua garganta. Ele apenas ficou em silêncio, por um bom tempo, quando ia dizer alguma coisa senti uma pancada na cabeça.
-Naruto! — Ayame disse, no tom que usava pra me reeprender — Não seja grosseiro, esta ofendendo a família do Sasuke-kun! Peça desculpas!
-Mas, Ayame-chan... — tentei fazer uma expressão de cachorro sem dono, mas levei outra pancada na cabeça.
-Já!
-Hai hai... — eu disse, um pouco contrariado, mas rindo de tudo aquilo internamente — Gomen-nasai, Sasuke, por ter ofendido seu pai...
Ele não respondeu, apenas tirou algumas notas do bolso e colocou encima do balcão, dando as costas e seguindo a rua até o pavilhão Uchiha. Quando estava a alguns metros de distancia levantou a mão, acenando.
-Até amanhã, dobe... — ele gritou — Até mais, Ayame-san, o ramén estava delicioso...
-Até mais, teme! TEME!!!!!!!! — gritei, ao que ele me lançou um olhar irritado, mas torceu a expressão num sorriso, antes de virar a esquina. Ayame também se despediu dele.
-Que bom que arrumou um amigo, Naruto-kun! — ela disse, fazendo cafuné onde tinha me batido — Amizades verdadeiras são raras, então cuide bem delas.
-Hai! — disse animado, deixei uma nota encima do balcão e sai me despedindo.
"Feliz, raposinha?! — perguntou Naruto, com a voz venenosa na minha mente — O que espera mudar com isso?"
"Tudo — me limitei a responder, depois ignorei os resmungos dele"
Voltei pro meu apartamento, pensando em tudo o que havia acontecido, e que estava acontecendo, tentando examinar todos os lados do problema, pra saber exatamente qual deveria ser meu próximo passo. Ficar forte, essa éra a meta mais importante, mas não éra a única.
Eu ainda não era um ninja, nem mesmo um genin, e precisava começar a treinar imediatamente pra me dar melhor nos exames, isso éra óbvio. Eu poderia saber como se realizar um rasengan, mas meu corpo não sabia, eu precisava treina-lo até o ponto em que não exigisse quase concentração nenhuma fazer um, só assim ele seria útil numa luta. Também havia dezenas de outros jutsos pra mim treinar, selamentos, precisava dominar o quanto antes o fuuton, além é claro, do senjutso...
Mas também haviam as pessoas. Sasuke e Sakura éram apenas as mais próximas de mim, que eu precisaria mudar primeiro. Muitas outras como Hinata, Ino, Lee, todos precisariam ficar mais fortes pro que estava por vir, eu teria que dar um jeito de treina-los o quanto antes. Havia o Gaara e os ninjas de Suna, que seriam peças chave para o futuro, além da ANBU raíz, que poderia me atrapalhar muito se ficassem sabendo coisas desnecessárias. E é claro, o principal... Akatsuki... E isso envolvia Itachi, eu precisava dar um jeito nesse problema o quanto antes, não podia deixa-lo continuar como estava, ele éra um herói, e eu queria que todos o reconhecessem como um.
Também havia Zabuza e Haku... eles seriam úteis, não podia deixa-los morrer como naquela vez...
Esfreguei os cabelos cansado, era muita coisa pra pensar de uma vez só, o prédio onde ficava o meu apartamente estava bem a minha frente, subi as escadas sem prestar realmente atenção aonde ia, até que me vi diante daquela porta tão familiar. Coloquei a chave na fechadura e encontrei tudo como estava antes, a mesma bagunça e o cheiro de ramen e lixo de sempre... Eu precisava dar uma geral naquele lugar.
"Ainda não entendo como conseguia viver nesse lixo... — murmurou Naruto, ele parecia sonolento"
"Sabe que eu também não — estranho, estava concordando com ele..."
Tinha plena conciência de que era vigiado, apesar de estar mais fraco que antes, como as habilidades com chakra estavam em perfeito estado, eu podia sentir o chakra claramente a minha volta. O da Uzuki-chan, como eu a chamava no outro tempo, estava num telhado a alguns prédios dali, ela sempre me seguia o tempo todo, cuidando pra que nada de muito ruim me acontecesse, sem me deixar perceber sua intromissão, eu nunca pude agradecer a ela...
Pensei o que ela diria se soubesse quem eu era de verdade, afinal tinha matado seu irmão mais velho no ataque a vila, a algum tempo atrás. Assim como os pais do Iruka, e várias outras pessoas, parecia injusto que ela cuidasse de mim quando eu era culpado por toda a desgraça que aconteceu a tanto tempo na vila. Quanto a isso, eu só podia manter em segredo, e evitar mostrar muito do meu chakra, ou a minha verdadeira forma, se não fizesse isso não via nada que pudesse dar errado, o ódio dos aldeões mudaria com o tempo.
A limpeza levou a tarde toda, varri toda a sujeira do chão, tirei o pó e também lavei a louça. O trabalho físico era aprazível, por que me evitava pensar em muitas coisas, verifiquei a dispensa e conclui que eu devia ser mesmo um idiota. Só havia raméns ali, de todos os tipos, cores e sabores, nem mesmo legumes, ou carnes, nada. Precisava urgentemente fazer compras...
"A pergunta é... Como diabos você sobreviveu todo esse tempo só com isso?!"
"Ei — eu ri da pergunta idiota dele — Sou a Kyuubi lembra?! Eu posso ficar meses sem comer e ainda me manter forte e saudável"
"Certo certo... O que vai fazer agora?"
"Logo vai ser o teste de graduação, por hora, vou focar no Sasuke, preciso ficar amigo dele o quanto antes, esse vai ser o primeiro passo."
"E a testuda ridícula?! Ainda não acredito que era apaixonado por ela... — Naruto perguntou, cmo escárnio"
"Se ficar amigo do Sasuke me aproximar dela vai ser fácil — respondi — Aí as coisas vão correr com o tempo, pelo menos no começo. Depois posso começar com as mudanças mais drásticas, minhas metas agora são ficar mais forte e ficar amigo do Sasuke."
"Entendo... Só pra registrar — ele perguntou — Se você não conseguir essa façanha, o que pretende fazer?"
"Aí não vou ter escolha a não ser mata-lo — disse, o sorriso se desmanchando na minha cara — Ele é perigoso se ficar no lado errado, se descobrir como usar o sharingam pra me prender, não vai ter nada que eu possa fazer, vou virar de novo um fantoche nas mãos de um Uchiha, como antes..."
"Então estou torcendo pra não der certo, adoraria ver o sangue daquele pivete escorrer..."
"Você me da nojo — disse"
"Engraçado, antes era o contrario..."
Cheguei na academia mais cedo que o normal naquele dia, as ruas estavam quase vazias, exceto pelas senhoras do vilarejo, que iam fazer suas atividades matinais, todas me lançavam olhares de ódio e desagrado, os quais eu ignorava enquanto seguia pelo caminho já tão conhecido. Quando cruzei o portão, Sasuke estava sozinho, atirando shurikéns em troncos, no campo de treinamento, fingi bocejar, com sono, e fui até lá.
-Bom dia, Sasuke...
Ele não respondeu de imediato, deu um mortal pra trás, e no meio do salto jogou várias shurikéns, que fizeram uma curva no ar, acertando o mesmo ponto, empurrando outra shuriken ainda mais pra dentro do tronco.
-Bom dia, Naruto.
-Impressionante... — comentei distraido — Seguiu aquela dica que eu te dei?
Ele fez uma careta, como se admitisse algo que o envergonhasse.
-Sim, ela ajudou bastante, estou treinando aqui desde manhã...
-Se importa se eu treinar com você?
-...Não. — ele não respondeu de imediato, e depois deu de ombros, voltando a jogar shurikéns no tronco.
Me posicionei ao lado dele no tronco, e tirei algumas kunais da bolsa, preferia usar kunais, apesar de shurikéns serem mais fáceis de manusear. Segurei dez pelas argolas na ponta dos cabos e as joguei simultaneamente, acertando em zegue zague no tronco, sem errar nenhuma.
Sasuke observou o movimento com o canto dos olhos e fez o mesmo com as shurikéns, sorri com isso e ele ainda mais, em desafio. Lancei uma outra onda de Kunais, acertando o furo central de cada uma das shurikéns que tinha no tronco dele, as arrancando e derrubando no chão, e ele fez o mesmo com as minhas kunais, acertou as estrelas na argola do cabo, as tirando do tronco. Poucos minutos depois estavamos competindo, mal eu acertava uma kunai no meu tronco ele a arrancava de lá, e o mesmo com suas shurikéns, elas não ficavam mais de um segundo cravadas na madeira, algumas até se interceptavam no ar, fazendo um forte ruído de metal contra metal. O largo sorriso no rosto do Sasuke enquanto competiamos só era menor que o meu.
Quando estava quase na hora, e os outros estudantes já estavam começando a chegar, paramos de treinar e fomos para a sala, que já estava aberta, Iruka sempre chegava cedo, antes de todo mundo.
A aula transcorreu na maior parte a mesma chatice de sempre, agora eu entendia por que não conseguia ficar mais de cinco minutos com os olhos abertos nela. Sakura respondia todas as perguntas que o sensei fazia como se fosse um livro texto, sempre olhando pra Sasuke como se esperasse ouvir um elogio dele, o que óbviamente nunca acontecia. Então ela se sentava de novo e começava a discutir com a Ino, no outro tempo isso me matava de raiva, o fato de todas as garotas da sala estarem caídas pelo mesmo cara, e ele não dar atenção pra nenhuma, hoje não ligava, achava irritante demais...
E é claro, eu era uma Raposa-demônio com milhares de anos de idade, não me interessava muito por certas coisas que pareciam tão importante sob pontos de vista humanos... Embora o fato de viver uma vida como humano tenha mudado muito de mim mesmo, antes de ser selado eu não saberia como achar uma mulher atraente, hoje éra um fato muito evidente pra mim. Além, é claro, sobre sexo...
Enfim...
Iruka de novo mandou que saíssemos, pra fazer um segundo teste com shurikéns. Eu fui me levantei bocejando da carteira — dessa vez era por sono mesmo — e dei de cara com Shikamaru e Chouji, olhando pra mim.
-Yo, Shikamaru, Chouji...
Eles me comprimentaram normalmente, e seguimos até lá fora conversando. Depois que me formei como gennin no outro tempo havia me distanciado deles, por causa das missões e do meu time, só voltando a conversar normalmente durante a quinta guerra mundial ninja, mas na academia conversavamos bastante, junto com o Kiba e o Chino. Esse último não se enquadrava na categoria conversar, mas sempre ficava conosco, lembrando agora me sinto um pouco culpado por tê-lo ignorado tanto, assim como os outros, apesar de ser estranho era um cara muito legal.
-Muito bem... — disse Iruka, de novo escrevendo em sua prancheta — Vamos de novo, espero melhores resultados dessa vez, pode ir primeiro, hummm... Shikamaru.
-Tsc... que saco — ele se espreguiçou, resmungando enquanto Chouji continuava comendo suas batatas como se nada estivesse acontecendo.
Shikamaru acertou todas, ele era um dos melhores estudantes nesse quesito por que também éra o que mais usava equipamentos ninja pra dar suporte ao seu jutso Kage-mane. Kiba foi logo em seguida e como era esperado ele errou a maioria, começando a gritar com o tronco como se ele fosse o culpado. Chouji foi razoavelmente bem, mas errou várias por que não largou o saquiho de batatas, Ino acertou só metade e ficou pulando de alegria como se estivesse tirado um resultado perfeito, e Sakura ficou na mesma faixa, o que me fez concluir que ontem tinha acertado algumas por sorte.
Depois de mais alguns alunos finalmente Iruka chamou Sasuke pra demonstração. Ele deu um sorriso enorme e um tanto cruél, e antes de ir fazer a demonstração se voltou pra mim, e disse:
-Vamos ver se você supera essa, dobe...
-Naruto?! Que piada! — Sakura riu em alto e bom tom, sendo acompanhada por Ino e as outras fãs idiotas do Sasuke, apenas a encarei friamente enquanto elas zombavam de mim — Como se você pudesse vencer Sasuke-kun! Aquela vez foi apenas sorte, você é patético e...
Ela não terminou de falar, os olhos ficaram vidrados ao ver três kunais cravadas até a metade na parede, a um fio de cabelos de distancia do seu rosto. Foi tão rápido que nem um dos outros estudantes, exceto Sasuke, entendeu de imediato o que tinha acontecido, e só ligaram os pontos ao ver minha mão estendida, e as Kunais na parede terem uma faixa vermelha amarrada no cabo, que combinava com as outas na minha bolsa. Ao menos duas delas... A terceia Kunai estava um pouco mais afastada, e tinha uma fita azul marinho, combinando com as de Sasuke, nossos movimentos foram tão espelhados que parece que tinhamos treinado pra fazer assim, o que de certa forma arrancou um sorriso no meu rosto. Quando entenderam o que aconteceu, os alunos arregalaram os olhos, e Iruka pareceu zangado.
-Naruto! Sasuke! — ele disse irritado, Sakura ainda estava gelada, e todos os outros estavam em silêncio — O que estão fazendo?! Poderiam ter matado a Sakura!
-Não é nada que me causasse algum remorço — Sasuke disse friamente, fazendo lágrimas verterem dos olhos dela, sem que contudo ela se mexesse — Eu estava falando com o Naruto e ela me interrompeu, não gosto quando as pessoas me interrompem...
-Além disso — eu disse, tão friamente quanto ele, o que fez todos os alunos por perto terem calafrios, exceto Shikamaru que estava resmungando como aquilo era problemático — Ela me ofendeu, apenas estou dando um aviso, da próxima vez pode ser que eu erre...
Iruka me olhou um pouco assustado, mas não me importei realmente com isso, apesar de considera-lo como um irmão mais velho, ele não era importante pra o que eu pretendia fazer, e mesmo assim poderia recuperar sua confiança quando Mizuki roubasse o pergaminho, como aquele idiota com certeza ia fazer, mas por enquanto ele não tinha entrado na academia, embora faltasse pouco pra isso...
-Então naruto — Sasuke disse com um sorriso — Quer fazer uma nova aposta?
-Quais são seus termos?
-Se eu ganhar... você limpa a minha casa inteirinha! — ele sorriu como se fosse uma ótima ideia.
-E se você perder? — perguntei, sorrindo mais ainda. Sakura estava chorando em silêncio num canto, como se seus sonhos desmoronassem lentamente, eu me importava muito com ela, e realmente me machucava faze-la passar por isso, mas se continuasse a protegendo ela nunca iria crescer e atingir todo o seu potencial.
-Se eu perder... — Sasuke pensou, mas não conseguiu chegar a lugar nenhum — O que você quer ?
-Se você perder — eu disse, abrinco o sorriso mais demôniaco que eu conseguia — Nós vamos lutar...
Sasuke sorriu da mesma maneira, e assentiu.
-Qual o jogo?
-O mesmo de antes, quem acabar com mais shurikéns no tronco ganha — ele respondeu, jogando uma estrela por cima do ombro e pegando ela nas costas.
Não respondi, apenas saquei algumas kunais e me posicionei, flexionando os joelhos, iamos usar o mesmo tronco, mas já que eram armas de arremesso diferentes, não teria problema nenhum.
-No três... — ele disse.
-Um... — eu comecei.
-Dois... — todos prenderam a respiração, quando ele continuou a contagem, Iruka se afastou vários passos pra trás.
-Três! — dissemos juntos.
Uma chuva de shurikens e kunais passou pela área, enquanto os estudantes observavam tudo impressionados, Iruka também parecia estarrecido, mas estava mais ocupado em pegar as kunais e shurikéns que eram desviadas na direção dos alunos, até o momento nenhuma havia parado no tronco, todas se desviavam antes de acerta-lo. Sasuke tinha uma gota de suór escorrendo pela testa, já eu estava mais cansado, por que meu corpo naquela idade não tinha o mesmo condicionamente que o dele. Apesar disso estava pegando bem leve com ele, em relação as kunais que atirava, poderia ter acertado várias se realmente quizesse, o que não queria dizer que ele não fosse bom, mesmo um chunnin teria dificuldades em desviar daquela chuva de metal afiado.
Fiquei pensando se deveria ganhar ou perder, por fim decidi que um empate seria a melhor solução, me ajudaria a ganhar mais fácil a confiança dele, mas deviafazer de uma maneira convincente...
Quando ele jogou a última shuriken, atirei a kunais um pouco a esquerda, de forma que a estrela dele foi só parcialmente desviada, ainda se cravando de leve no tronco. Ele estava pra comemorar quando ela bambeou, cada músculo do seu corpo enrijeceu enquanto ele olhava pra estela de metal como se a ameaçasse de morte caso ela resolvesse cair, um silêncio tenso pairou por alguns segundos até que ela caiu no chão, o barulho do metal tilintando eccou por toda a academia, enquanto Sasuke dava um sorriso azedo, e se voltava pra mim, ignorando o olhar estático e pasmo do sensei e dos outros estudantes:
-Empatamos...
-Mas a sua até que fincou — eu disse com um sorriso, já sabia o que ele ia escolher — pode escolher, ou nós dois cumprimos a sentença, ou nenhum de nós a cumpre...
-Como se eu fosse perder a chance de lutar com você, e ainda ter a casa limpa...
-Tsc... Não sei se isso é justo...
Ele estreitou os olhos, como não disse nada apenas continuei:
-Se você ganhar a luta, eu limpo sua casa, e se...
-Deixa eu adivinhar — ele pegou uma kunai e jogou de volta em mim, não liguei pra isso, apenas a pguei pela argola e guardei na bolsa que ficava na minha perna — Se você ganhar eu limpo a sua casa... E se empatarmos?
-Limpamos juntos a sua, que tal?
-Fechado — ele disse, e apertou a minha mão. Só então todos os outros pareceram se recuperar do choque.
-Naruto, Sasuke — Iruka balbuciou, nos encarando — Quando atingiram esse nível?!
-Diferente de algumas garotas — Sasuke mandou um olhar cortante pra Sakura, que abaixou ainda mais o olhar — Eu me preocupo em não ser um fardo para os outros, quero ficar forte e cumprir meus objetivos, e não depender de alguém pra me proteger...
-O mesmo pra mim — abri um largo sorriso que a tanto tempo me caracterizava — Quero ficar forte, pra não perder pra mais ninguém!
Lembrei de quando Neji tinha dito aquilo pra mim, na segunda vez que lutamos, quando eu já era um sannin, o mais jovem da história, se bem que também era apenas a segunda geração dos ninjas lendários de Konoha... Dessa vez me empenharia em fazer tanto Sasuke quanto Sakura ficarem fortes, o suficiente pra herdar esse título.
As demonstrações continuaram até que todos os alunos tinham feito suas pontuações, mas havia algo diferente no ar, uma tensão invisível, as mãos de todos tremiam quando iam lançar shurikens, eles estavam nervosos, como se percebessem para o que estavam treinando, pela primeira vez desde que começaram a fazer aquilo, muitos imaginaram pessoas no lugar daqueles troncos, e ficaram imóveis, rígidos, não estavam preparados pra matar, mas teriam que ficar, isso éra o principal de ser um shinobi. Apesar de parecer bonito e animador falar em honra ou coisas do tipo, não passava de uma desculpa, não existia honra em ser um shinobi, eramos assassinos, criados desde criança pra isso.
Isso era um fato simples e impossível de ser negado, senão pra que teriamos que treinar técnicas evasivas, por que não podiamos ser vistos?! Por que atacavamos de trás, cortando pescoços, usando venenos ou genjutsos pra confundir a mente do inimigo, fazendo com que matassem uns aos outros?! Não... Não eramos samurais pra levar um conceito como honra em consideração.
Suspirei cansado, lembrando do cheiro salgado do sangue, um cheiro que a muito tempo impregnava meus pelos, tingia-os ainda mais de vermelho, fazendo com que a mera menção do meu nome causasse medo nas pessoas. Não vou dizer que não gostava disso, havia uma alegria selvagem em se lutar, que não se comparava com nenhuma outra, não tente explicar conceitos humanos falhos e ideialistas a um demônio...
Quando Iruka nos liberou, após as aulas terminares, segui com Sasuke para o distrito Uchiha, em vez de ir ao meu apartamente. Ele parecia ansioso, não conseguia tirar o sorriso do rosto e seus olhos estavam ferinos e ferozes, brilhando de antecipação a uma boa batalha. Enquanto caminhavamos estavamos perfeitamente concientes dos movimentos um do outro, examinando, observando, colhendo informações.
Eu já conhecia aquele lugar decor e salteado, mas fingi ficar impressionado enquanto ele guiava pelas ruas, a maiora vazias e cheias de poeira. Devia ser bem solitário morar num lugar como aquele, velho e encardido, cheio de becos escuros que cheiravam a sangue e assassinato, ainda mais sabendo que o seu próprio irmão causara tudo aquilo, embora não pelos motivos que ele achava que sabia. Mas de certa forma, aquele cheiro e aquele clima de morte ajudaram a desenvolver o potencial de Sasuke, fizeram com que ele abandonasse sonhos infantis e percebesse a verdade oculta aos olhos de gennin.
O fato de sermos assassinos, estarmos vivendo e convivendo com assassinos, mesmo as pessoas gentis que nos tratavam bem, mesmo nossos professores, todos eles tinham suas mãos sujas de sangue. Triste não?! Não... Não era, era excitante, empolgante. Como eu disse antes, não espere entender a alegria de uma batalha, o prazer de ser cortado e cortar a carne de um adversário, de ver a luz deixar os olhos do seu inimigo, o poder percorrendo suas veias junto com sangue e adrenalina. Arreganhei mais um sorriso, Sasuke não era diferente de mim, nenhum shinobi era.
Chegamos a mansão dele, até o menor dos comodos seria maior que o meu apartamente inteiro, e eu fingi ficar bem impressionado pra deixar isso claro, além de manter meu papél. Precisava agir com cuidado pra ele não desconfiar de nada, precisava da amizade dele, senão nunca conseguiria evitar os desastres que aconteceriam no futuro, não da maneira certa pelo menos.
-Pronto pra ser derrotado de forma humilhante?! — ele disse, enquanto caminhavamos lado a lado até um imenso tatami ao ar livre, que ficava nos fundos da sua propriedade.
-Não conte com isso... — respondi, sorrindo cinicamente.
-Quem realmente é você? — ele perguntou de repente, me tirando dos meus devaneios — Não se parece com o Naruto idiota de sempre...
-Quer mesmo saber? — perguntei, sorrindo ainda mais ao ver a surpresa estampada no seu rosto, quando meus olhos azuis se tingiram de vermelho, a pupila nada mais que uma fina fenda nos meus olhos, os caninos afiados e as suiças mais evidentes — Não correria de medo, feito uma menininha?!
-Tsc... — ele fechou os olhos e quando os abriu o sharinham brilhou, uma única vírgula brilhando negra na íris — Quer tentar a sorte?!
-Interessante... — murmurei, parece que as mudanças que eu causei em apenas dois dias já tiveram consequências — Quando despertou esse doujutso?
Ele pareceu um pouco surpreso por eu saber sobre ele, mas sorriu ainda mais, de certa forma aquilo confirmava suas suspeitas, eu não era aquele garoto louro idiota que ele havia conhecido:
-Ontem mesmo, enquanto treinava — ele disse, orgulhoso de si mesmo — Vai me contar como sabe sobre ele?
-Não sou tão idiota quanto pareço — respondi evasivamente — Apenas saiba disso...
"Na verdade... — Naruto interrompeu, falando divertidamente na minha mente — Você é bem idiota, Kyuubi"
"Quer calar a boca, por favor...?!"
"Parece que ficou mais educado também — ele sorriu cinicamente, nunca pensei que veria uma expressão tão deformada de sarcasmo no meu próprio rosto, eu não sabia fazer expressões como aquela antes — Por que não o mata de uma vez?!"
"Por que ele é meu amigo, e também por que é interessante, as coisas com ele ficam mais divertidas..."
-Chega de papo — Sasuke interrompeu minha conversa comigo mesmo, na minha mente — A partir de agora só vamos falar quando um de nós estiver no chão...
-Por mim tudo bem — pulei vários metros pra trás, movimento espelhado por ele — Estava cansado dessa sua falação mesmo...
-Maldito...
Sasuke sacou duas kunais e veio em minha direção, correndo bem rápido com a postura inclinada pra frente, como ensinavam na academia. A meio caminho de onde eu estava parado ele atirou as kunais, não me incomodei em desviar quando ambas passaram rente a minha cabeça, ele sorriu como se eu tivesse caído num grande truque, e puxou ambas de volta, através de fios de metal quase invisíveis, tão afiados quanto a própria kunai.
Virei um mortal pra trás, desviando de ambas sucessivamente, minha velocidade estava horrível, seria a primeira coisa que eu aumentaria assim que pudesse começar a treinar. Apesar desse defeito óbvio, minha percepção não estava de todo mal, e como eu sabia como me mover no meu estilo de luta, dava pra equilibrar bem a balança. Sasuke virou um chute cruzado na direção da minha cabeça, abaixei e consegui acertar seu estomago, o empurrando pra trás, pra aliviar os danos, amenizando a pressão do golpe ele pulou pra tras e virou um mortal no ar, aproveitando pra atirar várias outras kunais em mim, enquanto ainda estava de ponta cabeça.
Desviei d todas com facilidade, enquanto corria até ele. Apenas as últimas duas shurikéns que ele lançol estavam presas com fios de metal, e essas conseguiram abrir um corte raso no meu rosto, fazendo uma gota de sangue escorrer, e um sorriso de escárnio aparecer no seu rosto.
-Não fique muito feliz com isso — disse, enquanto jogava três shurikéns nele, que também não teve trabalho de se desviar.
-Só isso? — ele perguntou, sorrindo com escárnio — Pensei que teria mais dificuldades de...
Ele não terminou de falar por que uma pancada forte o fez tombar pra frente. O meu "eu" de frente a ele desapareceu no ar, revelando ser apenas um bunshin, enquanto eu aparecia às suas costas. Não esperei que ele se recuperasse do golpe e avancei com uma sequência rápida de socos e chutes, era muito lento naquela idade e os golpes não tinham tanta eficácia. Pra balancear isso, meu conhecimento em anatomia humana rivalisava com o da Godaime, e eu sabia exatamente onde acerta-lo pra causar mais dor, ou deixar imobilizado, infelizmente ele era mais rápido que eu e conseguia evitar todos os golpes, desviando pra que acertasse em lugares que causassem menos danos, já que não conseguia evitar os ataque por completo.
-O que você estava dizendo mesmo? — perguntei, rindo enquanto o acertava na nuca, mas parei quando o corpo dele explodiu em fumaça, revelando só um tronco de madeira.
-Estava perguntando — senti um golpe forte no estomago e cuspi sangue — Se era só isso?!
-Tsc... — foi o único som que fiz antes de explodir em uma nuvem de fumaça.
-Que técnica é essa? — ele pareceu surpreso, olhando ao redor e tentando me encontrar.
-Se chama Kage bunchin, um clone real, não apenas uma ilusão... — ele olhou pra trás, onde eu estava de pé, tranquilo, embora suasse um pouco, assim como ele — Ainda não dominei completamente, mas é muito útil...
-Estou vendo... — ele fez uma sequencia rápida de selos, que reconheci logo no começo — katon! Gokakyou no jutso!
Corri para o lado, desviando da bola de fogo razoavelmente grande, até para um chunnin, e tentei acerta-lo, recomeçando outra sequência de golpes e socos bem direcionados, embora desviados. No final consegui acertar um chute de raspão na sua cabeça, o mandando pra trás, quicando no chão, mesmo naquela idade ainda tinha uma força muito grade, apesar de tudo mesmo num corpo humano fraco eu ainda era a raposa de nove caudas...
Sasuke cravou duas kunais no chão, detendo o movimento que estava fazendo após derrapar um pouco, um filete de sangue escorria pelo canto da sua boca, se misturando ao suor, já minha camisa estava rasgada, no peito.
-Você é bom, tenho que admitir — ele disse com uma expressão bem curiosa, beirando o divertimento e a irritação, como se ele não gostasse muito de dizer aquilo mas eu realmente merecesse uma excessão — Se continuarmos a lutar isso nunca vai acabar...
-Verdade, ainda somos muito fracos — eu disse, jogando a isca — precisamos ficar mais fortes...
Ele pareceu morder o anzol, e estreitou os olhos, ficando de pé e guardando ambas as kunais na bolsa da perna:
-O que sugere?
Estalei os ombros e o pescoço, enquanto andava calmamente em direção a sua casa, fazendo sinal pra que ele me seguisse, o que ele fez, curioso. Entrei pela porta aberta, deixando as sandálias ninja no batente, e contornando os comôdos como se realmente conhecesse aquele lugar, que de fato conhecia. Sasuke não fez nenhuma pergunta enquanto me seguia, mas estava com a testa franzida de surpresa.
Andei até o tatami, que ficava no canto esquerdo, no primeiro andar. Era razoavelmente pequeno e só servia pra treinar luta corpo a corpo, além é claro, de esconder o segredo do clã... Andei calmamente por ali, batendo os calcanhares nos pisos sob o olhar curioso e um tanto irritadiço do Uchiha, até que um som oco encheu a sala, procurei a fresta no piso e o retirei, revelando uma escada oculta, que levava a um andar subterrâneo, onde seria uma sala de reuniões secreta.
-Você primeiro — disse sorrindo divertido, ao ver o olhar totalmente surpreso dele — A casa é sua afinal...
Ele seguiu um tanto inseguro para a escada, e a desceu, ali embaixo estava bastante escuro, mas nada que eu não pudesse enxergar com meus olhos de raposa e ele com o sharingam, que estava ativado. Achei um lampião encima de uma caixa de madeira, e o acendi, deixando a sala parcamente ilumunada, Sasuke olhava ao redor como se duvidasse do que estava vendo.
Era tão grande quando a área total de sua mansão, frio e um tanto abafado. A luz do lampião era o suficiente pra iluminar uma mesa de reuniões com cerca de dez lugares, apenas pras pessoas mais influentes do clã, alguns caixotes de madeira, onde o lampião estava depositado, e várias prateleiras, com relatórios arquivados e dados sobre o sharingam, além de anotações pessoais de Uchiha Fugaku, coisas muito reveladoras, e de certa maneira, perturbadoras...
-O que... O que diabos é isso?
-Isso é uma sala secreta de reuniões do seu clã — eu disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Sasuke me olhou pela primeira vez com receio, de cima abaixo me examinando como um possível inimigo, apenas continuei tranquilo, quando ele falou, a voz extremamente fria e ameaçadora:
-Vai me dizer como sabe desse lugar, ou...
-O que? — deixei minha voz sair rouca, e uma parcela mínima do meu chakra escapar, fazendo um calafrio percorrer sua espinha e ele suar — Vai me matar?! Você consegue pivete...?!
-Quem realmente é você?! — ele disse, sério pela primeira vez, embora tampouco antes fosse brincadeira — Você não é o Naruto...
-Acredite — eu disse, recolhendo meu chakra, embora mantesse as íris queimando avermelhadas — Eu sou o Naruto...
Nos encaramos por mais alguns minutos tensos, ele parecia pesar suas opções, e pela expressão nenhuma delas era muito boa. Depois deu as costas e disse:
-Pode ser que você seja o Naruto... Mas não é apenas isso, certo?!
-Certíssimo.
-Vai me contar quem você é de verdade?
-Quem sabe... Mas não hoje, por hora, você tem coisas a fazer...
Ele me olhou por sobre o ombro, estreitando o olhar:
-Me diga com sabia desse lugar, sendo que nem eu mesmo sabia dele, e como andou tão livremente pela casa, você já esteve aqui antes... — Não era uma pergunta, ele apenas estava concluindo uma coisa óbvia.
-Já, já estive aqui antes, quanto ao que sei sobre a sua família — eu disse, sorrindo tranquilamente — Isso vai além do que imagina. Nem tente usar um genjutso em mim, não vai funcionar, não com o seu nível.
-O que pretende agora?
-Vou comer alguma coisa, estou com fome — disse, corando um pouco quando meu estomago roncou, e uma gota apareceu na cabeça dele — Quer algo também?
-Ramén... — ele disse.
-Ok, já sei onde é a cozinha...
-Imagino que saiba...
Subi as escadas enquanto Sasuke pegava um livro aleatório da prateleira e o folheava rapidamente, com o sharingam ativo todas as informações saltava automaticamente pra sua cabeça, como se fosse uma leitura super rápida. Mal tinha saído da sala ele já colocava o livro de volta no lugar, escolhendo um outro.
Como tinha dito, fui até a cozinha e coloquei água pra esquentar. Me surpreendi com a quantidade de macarrão instantâneo que tinha naquele lugar, Sasuke afinal não sabia cozinhar tanto como eu, ou como o antigo eu... Passei um bom tempo selado na Mito, e ela cozinhava muito bem, o Shodaime era exigente quanto ao que comia.
Estava picando os legumes e fritando a carne, depois de quase dez minutos que Sasuke estava la embaixo quanto ele apareceu na cozinha, parecendo bastante irritado, e pelo seu chakra eu sabia exatamente o por que.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!-Maldito... — ele andou até mim e me pegou pela gola da camisa, me encarando com uma raiva que não cabia em seus olhos, enquanto eu apenas sorria tranquilo — Me diga... Por que...
-Por que seu pai iria trair a vila...?! — eu conclui o que ele ia dizer — Quem sabe...Poder?! Vingança... Como posso entender os motivos de um homém como seu pai?
Ele me largou, cambaleando pra trás e se sentando numa cadeira, com os olhos tremendo e as expressões confuasas, enquanto eu voltava a picar as batatas e colocar um pouco mais de Shoyo na carnem fazendo ele logo borbulhar e se misturar com o caldo da cebola.
-Meu pai organizava reuniões ali embaixo, bem debaixo do meu nariz... — ele disse, como se tivesse ficado sem chão — Meu irmão...
-Seu irmão... — ele ficou quieto ao me ouvir falar, meu tom de voz saiu saudoso, Itachi era um dos poucos humanos que eu realmente respeitava — Éra um herói, Sasuke...
-Não... — ele disse com a voz fraquinha — Itachi matou toda a nossa família pra testar suas habilidades, ele era um monstro...
Ele disse tudo de maneira quase inconciente como se repetisse isso todo dia, tentando convencer a si mesmo, o que não parecia ter dado certo.
-Esta errado — disse depois de algum tempo, colocando as duas tigelas de ramen na mesa, me sentando de frente a ele e pegando os hachis ali encima — Ele salvou a vida de muitas pessoas, seu pai éra um louco doente, cego por orgulho, que queria recuperar uma glória que não exis...
Sasuke, num movimento rápido, virou a travessa e a água quente do ramén derramou na minha cara, queimando todo meu rosto, enquanto os olhos dele brilhavam de ódio, ódio que foi dando lugar a surpresa e em seguida medo enquanto a pele queimada e descascada ia caindo, sendo substituida por pele nova, qualquer ferimento sendo curado instantaneamente, sem que eu sequer demonstrasse surpresa.
-Que coisa é você... — ele disse, me olhando surpreso — Você é humano?!
-Meu corpo é... — disse, sorrindo tranquilo — Ou mais ou menos... Não espere que eu faça outra tigela pra você, ninguém mandou desperdiçar a sua.
Curiosamente ele riu, não parecia com medo, apenas surpreso com o que eu dizia. Virei um grande gole do molho, e coloquei a tigela na mesa, dando um sorriso de prazer, eu adorava aquela coisa, de tudo que os humanos fizeram, achava que era a mais brilhante... Junto com as katanas e os ofurôs, eles também eram muito interessantes.
-O que fazemos agora?! — ele disse, parecia estar confuso, mas ainda sorria divertido — Por que me mostrou tudo isso?
-Pra te tirar do escuro... — respondi sem nem exitar — E também por que você é meu amigo...
-Mal nos conhecemos — ele disse automaticamente.
-Mas iriamos nos conhecer, além do mais, não importa demasiadamente, se arrepende de ter visto aquilo? Ainda não acredita em mim? As provas estão aí, conteste-as o quanto quizer, mas não vai poder fugir delas...
-Eu sei — ele respondeu, pegando um pano e passando distraidamente pela madeira molhada — Esta tudo detalhado, cada passo, cada plano... Naruto...?!
-Sim?!
-O que você teria feito... No lugar no meu irmão?!
Levantei os olhos e encarei os do Uchiha, ele parecia triste, mas sorria de canto, como se lembrasse algo feliz, que talvez não se permitisse ter lembrado antes.
-O que você teria feito? — devolvi a pergunta com outra — Seres humanos são estranhos, por mais que digam alguma coisa, sempre se contrariam depois...
-Você fala como se não fosse humano... — ele observou, não parecia nem um pouco abalado com a possibilidade, e nem seu chakra deixava transparecer qualquer sentimento ruim quanto a isso.
-Nunca disse que era...
-Então quem é você?
-Eu já tive muitos nomes, em muitos lugares, mas nunca fui algo realmente muito bom — disse — Se contente em saber disso, por enquanto...
-Não esperava muito mais que isso mesmo...
-Ótimo, facilita as coisas pra mim.
-Ainda não respondeu minha primeira pergunta...
-Não respondi?!
-Não...
-Então vou te fazer outra, se a sua resposta me agradar pode ser que eu responda pra você — disse, Sasuke estava brincando distraidamente com dois hachis, da mesma maneira que estava fazendo na barraca do Teuchi — O que você quer fazer agora?
-Ficar forte — ele disse de imediato — E fazer o desgraçado pagar...
-Então é o que vamos fazer — sorri, e ele devolveu da mesma maneira — Primeiro precisamos nos tornar gennins, depois é que as coisas começam a ficar divertidas.
-Sim, mas não posso esperar tanto.
-Não pretendo esperar, você tem essa biblioteca, estude-a completamente — disse, e mesmo parecendo uma órdem ele não contestou — Já eu tenho meu próprio caminho pra seguir, quando estivermos no mesmo time vamos voltar a treinar juntos, com outra pessoa, ela também vai ser importante...
-Quem?!
-Sakura... — eu disse, rindo da careta ridícula de surpresa que ele abriu — Não se impressione tanto, ela vai treinar conosco.
-Mas ela mal sabe segurar uma kunai... — ele respondeu, segurando a ponto do nariz, a voz carregada de desprezo e descrença — Como vai servir pra alguma coisa?!
-Ficaria surpreso... — foi a única coisa que eu disse, depois me levantei e rumei até a entrada, colocando os sapatos — Até amanhã.
-Já né...
"A raposinha esta fazendo progresso afinal..."
"O que acha? — perguntei com um sorriso e pude ver a duvida estampada na cara do Naruto"
"Sobre o que exatamente?!"
"Sobre ter revelado tanto assim para o Sasuke... Acha que foi muito precipitado?!"
"Boa pergunta... — ele pareceu pensar um pouco — Se eu disser que foi uma má ideia você vai mata-lo?!"
"Não..."
"Acho que vai mudar bastante as coisas — ele disse derrotado, se sentando encostado numa árvore, enquanto eu observava o sol descer por trás das colinas, na minha própria mente — E o melhor é que ele não vai sair contando pra ninguém, e duvido que mesmo Inoiche consiga ver a mente daquele garoto sem sofrer as consequências..."
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