Ketsueki no Omoide
10 Capítulo 10 - parte 01
Notas iniciais
Não... ilusão de óptica...
Grosso!
"Mesmo velhas raposas podem aprender novos truques... Não acha, Kyuubi?"
"Concordo plenamente"
Fiquei observando o passo obstinado, ainda que meio inseguro de Kenshin até que a silhueta dele ficasse embaçada por causa do sol que batia no meu rosto. Várias horas depois eu ainda estava sentado no mesmo lugar, com o jarro de sakê ainda aberto na mão. O sol já tinha subido completamente no céu, e a alguns minutos tinha descido completamente, se escondido atrás das montanhas no Oeste. Levei o jarro a boca, e surpreso, cuspi no chão. O sakê estava amargo, tão ruim quanto fel. Perdi um minuto pensando naquilo, e então ri, sem motivo aparente.
Apoiando as mãos no joelho, eu me levantei, devia parecer cansado pra quem me visse daquela forma, mas era como... Bem, eu não sabia explicar. Conseguia antecipar todo o sangue que ia jorrar, e sabia que parte dele seria daquele garoto. Mas o que me preocupava mesmo não era quando sangue ele perdesse, é quando sangue ele faria jorrar. Eu já havia treinado algumas pessoas com aquele estilo, que eu mesmo tinha desenvolvido a vário séculos atrás, quando os humanos brincavam com paus e pedras, e todos, sem excessão, se tornaram grandes homens. Alguns assassinos terríveis, outros heróis amados pelo seu povo, mas todos grandes. Kenshin estava destinado a se tornar grande, não tinha um pingo de dúvida que suas ações influenciariam diretamente o sistema de governo atual, e era isso que me preocupava. Poderia acabar sendo um fardo pesado demais pra ele, apenas uma criança tão jovem...
Peguei minha própria katana, a bainha que eu mesmo tinha entalhado, de madeira simples, sem nenhum ornamento, e a finquei até a metade no tronco do carvalho que marcava a entrada da colina, bem ao lado da de Kenshin, formando um "X" que pouco tempo depois eu veria gravado no seu rosto. Atrás da colina, várias montanhas se formavam, ainda eram jovens, mas eu podia dizer com muita certeza que a chuva e o vento as desgastaria até que ficassem lineadas, como uma muralha... Gostaria de ver quando acontecesse. Antes de dar as costas à vida que eu levava a tanto tempo, fiz uma kekkai em volta da árvore, pra que ela nunca fosse destruída, e queimei a cabana. Quando deixamos um lado da nossa vida pra trás, temos que ter certeza que não possamos voltar, senão acabamos nos perdendo, e nunca encontramos novamente nosso próprio caminho...
Já tinha horas que eu estava acordado, teria me levantado faz tempo se fosse qualquer outra pessoa, mas não com ela. Era confortável demais ficar naquela posição. As pernas dela estavam entrelaçadas com a minha, e eu podia sentir suas coxas macias e quentes tocando minha pele, a respiração dela fazia seus seios se comprimirem e relaxarem contra o meu estomâgo, e ela estava com a cabeça recostada no meu peito. A respiração quente dela era quase gelada na minha pele, e isso era extremamente reconfortante.
Mesmo assim ainda estava de noite, quase amanhecendo. Pensei se Haku já teria terminado de recolher as informações do sharingan do Sasuke, com certeza sim. Manda-la entregar sua virgindade pra ele, apenas pra conseguir aquilo deve ter parecido frio da minha parte, mas... Bem, realmente foi frio da minha parte, mas eu não era um demônio a toa. Se tudo corresse conforme os meus planos, eu poderia encontrar uma maneira de anular os efeitos que aquilo maldito doujutsu tinha sobre mim, e então... Seria ainda mais divertido brincar com aqueles humanos.
Perdi o fio do racíocinio quando escutei Yugao murmurar alguma coisa sem nexo, algo sobre alguma parte do corpo dela estar doendo pra caralho. Ela se remexeu inquieta, levando a mão até a cabeça e esfregando os olhos, parecia quase como se estivesse de ressaca. Os cabelos roxos dela cheiravam a relva por ter dormido no chão, e mesmo estando meio salgados pelo suór, não chegava a ser desagradável. Ela se levantou minimamente, e abriu os olhos devagar, se acostumando com a luz.
-Bom dia, Nee-san...
Os olhos dela se abriram completamente ao ouvir isso. Ela me encarou profundamente pelo que eu achei que foram vários minutos, com uma expressão meio boba que tive que me segurar pra não rir. Depois olhou pra baixo, pro meu peito nu onde ela estava deitada, e pras nossas pernas encostadas. Ela percebeu que estavamos nús, e que seu sexo provavelmente estava dolorido, o cheiro de sexo em nossos corpos, e o meu sorriso gentil e um pouco malicioso.
Ela percebeu tudo isso, mas ainda levou vários minutos pra que o cérebro recém-acordado dela tomasse uma atitude. E quando tomou, ela não foi das mais agradáveis...
Senti o soco dela no meu estomâgo como se fosse uma marreta, mais forte ainda, como se um elefante pisasse em cima de mim. A terra tremeu, e eu a sentir rachar embaixo das minhas costas, junto com o gosto de sangue que subiu pela minha garganta.
-Maldito... — ela murmurou, louca de raiva e vermelha feito um tomate, mesmo eu não entendendo ao certo por que — EU VOU TE MATAR!
Os olhos dela me deram certeza que ela não estava brincando. Apoiei as mãos e virei uma cambalhota pra trás, tentando me desviar de mais um soco nela, mas não deu muito certo. Yugao se abaixou, e virou uma rasteira, acertando minha mão esquerda e interrompendo o que seria um belo movimento meu, me fazendo cair de cabeça no chão. Até ali tudo bem, ela estava alterada, eu entendia. Mas naquela queda eu acabei mordendo a língua, e isso meu deixou um tanto quanto muito puto.
Ela tentou me acertar com força, mas me abaixei e mirei um soco no estomâgo dela, que perdeu o folêgo e subiu vários metros no ar, caindo de pé após um giro esguio do seu corpo. Não dei tempo pra ela fazer nada, e já parti pra cima dela novamente, tentando acertar seu queixo, barriga, braços, qualquer lugar que ela pudesse ficar machucada o bastante pra parar quieta, mas sem mata-la. Yugao desviou de todos com muito sucesso, exceto dois que pegou de raspão, e me acertou um tapa no rosto, fazendo cinco talhos rasos mas ardidos aparecerem ali. Acabei rugindo com a surpresa, e dei dois passos pra trás, o que foi suficiente pra ela me acertar novamente com um chute, no lado da cabeça. Meu cérebro chacoalhou e meus sentidos ficaram malucos por um segundo, o que foi o suficiente pra ela me acertar novamente uma série de golpes.
Antes que ela me matasse, me recuperei e corri pra cima dela. A alguns minutos atrás provavelmente tentaria dialogar, mas aquela pirralha tinha me deixado nervoso. Senti minhas garras se alongando involuntariamente, e me concentrei para que elas regredissem, não queria machucar Yugao — muito, mesmo estando irritado com ela. Concentrei chakra nos punhos, e acertei o chão com tudo, igual a Tsunade fazia. Ele se partiu, fazendo ela perder o equilíbrio e cair de bunda no chão, reclamando. Um pedaço imenso do solo estava pra cair nela, quando ela o partiu em vários com um soco, alguns voaram em minha direção, dos quais desviei com facilidade. Ela veio correndo pra cima de mim, mas não dei tempo que chegasse. Peguei um outro pedaço de pedra maior do que eu, e atirei nela:
-QUE DROGA DEU EM VOCÊ?
Ela pulou para o lado, evitando ser esmagada, e imitou meu movimento, pegando um pedaço enorme de pedra e atirando em minha direção.
-VOCÊ AINDA PERGUNTA?! VOCÊ SE APROVEITOU DE MIM!
Concentrei youki no punho e soquei a pedra, foi tão forte que ela virou pó. Bem mais efetivo que o jutsu da vovó, antes que pudesse me sentir orgulhoso do resultado dos treinos, tive que desviar de mais duas rochas enormes.
-COMO PODE DIZER ISSO?!
Continuamos jogando pedras um no outro, como imbecis, enquanto discutiamos aos berros, e ainda por cima nús. Em que escala de esquisitisse aquilo se enquadrava?!
-VOCÊ VEIO DORMIR COMIGO, SEU TARADO! E POR QUE EU ESTOU TODA DOLORIDA?
-COMO PODE PENSAR QUE EU FARIA ALGO ASSIM COM VOCÊ? — gritei, desviando de mais pedras.
Ela parou de atirar pedras de repente, com uma expressão boba que fez meu mal-humor ir pelo ralo. Ela era fofa demais pra mim ficar com raiva dela por muito tempo.
-Então não fizemos nada?
-Bem... — desviei os olhos — Nós fizemos amor...
Tive que desviar de uma nova saraivada de rochas que ela estava jogando, ainda mais empenhada do que antes.
-YUGAO! FIQUE QUIETA!
O rosnado ecoou pelas árvores, mas ela pareceu nem ter percebido. Me jogando pra direita e pra esquerda, pra desviar das pedras, corri na direção dela, e pulei, antes que ela pudesse pegar outra rocha pra tentar me esmagar, caí encima dela, e nós dois saímos rolamos pelo chão semi-destruído e grama. Ela gritou quando eu parei encima dela, travando suas mãos e seus pés, a segurando e evitando que se levantasse. Corada feito um pimentão e meio fora de si, ela tentou se soltar, até que eu a beijei.
Não diria que ela relaxou de imediato, mas enquanto massageava a sua língua com a minha, ela foi se acalmando, os braços que eu segurava firmes no chão foram amolecendo, e a respiração dela se suavisou. Um minuto depois ela começou a retribuir o beijo, envolvendo minha cintura com suas pernas, e me abraçando assim que soltei suas mãos.
-Vai me dizer que só lembrou agora...?
Ela riu meio sem graça, mostrando a língua e batendo levemente com o punho fechado na cabeça, como se dissesse: "Não ligue pra isso, eu sou meio pancada". Tentei me mostrar sério e repreensivo, como era o meu dever de irmão, mas ela era fofa demais pra isso.
-Tem certeza que você é minha irmã mais velha... — recostei a minha testa na dela, de forma que nossos narizes se roçassem — Eu tenho sérias dúvidas...
Ela fez beicinho como se estievsse pensando, e então sorriu, como se tivesse chegado a uma brilhante conclusão:
-Então a partir de agora você é o mais velho.
Estreitei minhas sobrancelhas pra ela, que sorria radiante como se aquilo desculpasse tudo:
-A partir de hoje, vou ser sua irmãzinha mais nova — ela tornou a dizer, com a voz suave e sensual — Então você vai ter que cuidar de mim, como meu aniki...
Pensei no que ela estava dizendo, e acabei sorrindo junto com ela. Meus olhos brilharam vermelhos, e ela pareceu de repente muito entretida neles.
-Quer dizer então... Que você vai fazer tudo o que eu mandar?
Ela contraiu o corpo, esfregando o seu sexo contra o meu:
-Hai! — ela miou na minha orelha — Onii-sama... Por favor, abuse muito de mim...
Como me negar a um pedido daqueles?!
Já tinha amanhecido quando nós mergulhamos de novo no lago, após fazer sexo de novo. Ela mordia o lábio enquanto se limpava, tendo o cuidado que eu visse com muita clareza e riqueza de detalhes enquanto ela esfregava lentamente a bucetinha rosada e um pouco inchada pelo sexo. Como era de se esperar, acabamos fazendo mais outra vez, dessa vez no lago mesmo. Yugao tinha um folêgo incrível, tanto como eu, de forma que quando paramos o sol já estava alto.
-Que horas acha que é? — ela perguntou, boiando de olhos fechados.
-Já passa das dez com certeza — respondi, colocando minhas roupas mesmo estando molhado.
Passei as mãos pelo cabelo, o sacudindo pra se livrar do excesso de água, antes de colocar a camiseta cavada, e o colete por cima. O saco de comida ainda estava encostado na árvore, mas nem valia mais a pena levar depois de tê-lo deixado ali uma noite toda. Com uma kunai, rasguei o tecido e deixei que os pedaços de carne enegrecida rolassem pela terra, em poucas horas não haveria mais nada, alem do cheiro e do sangue na grama.
-Se apresse e saia logo daí — eu disse — Haku provavelmente deve ter caçado alguma coisa por nós demorarmos tanto...
-Mas esta tão gostoso, Nii-san... — ela murmurou, deixando o rosto afundar e fazendo algumas bolhas estorarem na água, depois subiu de novo, se espreguiçando e vinto atrás de mim — Eles devem estar nos procurando.
-Não estão — respondi com muita certeza — Devem estar preocupados, mas o Sasuke sabe que estou bem.
-Por que diz isso?
Abri um dos meus sorrisos característicos, ou melhor, do Naruto.
-Por que nós somos irmãos.
Ela fez uma expressão curiosa, me abraçando ainda nua por trás, e beijando meu pescoço. Depois se vestiu, colocou apenas a calça, e vestiu o uniforme ANBU. Estava sorrindo animada a toa, e eu não estava diferente. Quem nos visse, diriamos que eramos um jovem casal de namorados apaixonados, era engraçado e até meio irônico de um certo ponto de vista — e totalmente depravado e imoral de qualquer outro — Mas eu estava contente com isso. Antes de vestir a máscara, ela veio em minha direção, e me deu um selinho. Depois assumiu a sua postura profissional, como se não houvesse acontecido nada entre nós, apesar dos olhos violeta brilharem mais que o comum.
Vamos — disse enquanto amarrava as bandagens nos braços, e colocava Harusame na faixa que estava amarrada na minha cintura — Temos que completar essa missão.
-Hai!
Quando eu acordei, minha cabeça doía pra caralho. Tentei me levantar, e isso fez o meu cérebro latejar como se alguém tivesse aberto ele ao meio, e depois costurado de volta, sem muito cuidado. O sol batia diretamente na minha cara, fazendo meus olhos arderem com a luz que passava atrevida, mesmo atravéz das minhas pálpebras cerradas.
-Bom dia, Sasuke-kun.
Tentei achar a origem da voz, e ela estava a minha esquerda. Me sentei, ainda meio dolorido, e notei que Haku estava olhando diretamente pra mim, com uma expressão séria que não entendi de primeira. Sakura estava ao seu lado, dormindo, e o nobre-masoquista estava recostado no tronco, ainda apagado. Estava pra dizer alguma coisa, quando a rosada murmurou algo, e começou e se esfregar no chão, chutando o ar e fazendo um som muito singular com a garganta, como se misturasse um miado com um pio. O que ia dizer morreu na garganta, enquanto meu cérebro recém-costurado pensava em como ela era escandalosa mesmo dormindo. Concordei com ele.
-Você esta bem? — ela pergunteou, e franziu a testa, numa expressão preocupada, embora meio agressiva, como se fosse me atacar se eu dissesse "não" — Você se sentou muito perto da fogueira, e inalou fumaça demais... Os galhos não estavam secos o bastante pra queimar, e eles tinham muita seiva tóxica neles.
-Entendo... — as memórias da noite passada voltaram meio indistintas e nubladas — Obrigado por cuidar de mim.
-Não foi nada — o sorriso se suavizou, a ponto de ficar quase triste — Desde que você esteja bem...
Corei involuntariamente com aquilo, esquecendo por hora a dor... Apenas por hora, ela voltou depois, indignada por ter sido deixada de lado, e eu me deitei de costas na grama. Haku estava com uma expressão estranha, tipo, ela sempre estava quieta e pensativa, mas dessa vez parecia quase triste. Fiquei a observando por alguns minutos, tinha certeza que ela notara o que eu estava fazendo, mas ela não me olhou de novo, nenhuma vez.
-O Naruto-sama esta demorando... — ela disse, meio que pra quebrar o silêncio — Talvez eu devesse...
-Não se preocupe, ele esta bem.
-Por que diz isso?
O Uchiha desviou o olhar da garota cor de rosa, que agora estava rindo enquanto dormia, quase engasgando. Haku olhou pra ele curiosa, os olhos frios e impessoais passando um pouco de... atenção. Ele gostava daquele olhar, gostava que ela prestasse atenção nele, queria que ela soubesse que era ele, queria que visse a ele, mas ela só tinha olhos pro seu mestre. Sasuke sorriu tristemente, uma partezinha muito chata da sua conciência dizendo que era feio sentir inveja das pessoas. Principalmente de uma que, mesmo atravéz da maneira mais duvidosa possível, o tornara seu irmão.
Naruto tornara Sasuke seu irmão... De repente a grandeza desse gesto pesou encima do rapaz. Ele tinha lhe dito que alguém como ele precisava de um irmão, tinha tirado sakê de um pergaminho, e os dois beberam juntos. Era Naruto que tinha lhe mostrado a biblioteca, os segredos e os erros da sua família, era ele que tinha lutado com ele, treinado com ele, e o forçado a melhorar e melhorar cada vez mais suas técnicas e sua linhagem, e depois de tudo, por causa dele, ele agora não estava mais sozinho. Pensando naquilo, Sasuke invariavelmente sorriu, um sorriso tranquilo que normalmente ninguém veria naquele rosto neutro.
-Por que... nós somos irmãos.
Sasuke não viu, mas a expressão dela escureceu completamente depois de ouvir aquilo.
Yugao estava distraída, enquanto corria atrás do seu irmãozinho, que agora era seu irmão mais velho. Por algum motivo, combinava com ele ser o mais velho, assim como combinava com ela ser a mais nova. A velocidade dele estava branda, mesmo eles estando extremamente atrasados, então a Anbu deixou os pensamentos vagarem, enquanto seguia os talhos nos troncos das árvores, que denunciavam a passagem dele.
Tinha feito sexo com ele. Ela, uma mulher adulta, tinha feito sexo com um garoto, onze anos mais novo que ela, e não tinha sido sua primeira vez. Pela maneira que ele a tocava, a maneira como com simples gesto fazia arrepio após arrepio passar pela sua coluna, e o modo como a língua qunte como fogo lhe amortecia os sentidos e a deixava leve... Céus, ele sabia exatamente o que estava fazendo, exatamente onde tocar, exatamente onde beijar, exatamente o que dizer, exatamente como dizer. Até mesmo o tom da sua voz era perfeitamente atrativo pra ela, era como se ele soubesse exatamente como fazer pra deixa-la com tesão, e soubesse tão bem que não precisasse sequer se esforçar pra isso. Como shinobi, isso a impressionava. Como mulher, a excitava, e como irmã, a assustava. Quem era aquele garoto? Quem era o Naruto...?
Mais importante que isso... O que ele era pra ela?
A ANBU, Neko, fixou seus orbes lilazes nele. A maneira como corria, tão diferente de todos os outros shinobis. O corpo inclinado pra frente, as pernas tomando impulsos tão fortes nos galhos, que o choque percorria a madeira, chegando até as folhas e fazendo com que várias delas se desprendessem, e flutuassem até o chão. As mãos, com garras afiadas, golpeando os troncos, deixando sulcos profundos, o impulsionando mais pra frente ainda, ao mesmo tempo que fazia com que ele não perdesse o equilíbrio. Era um jeito elegante de correr, quase felino. Ela imaginou uma cauda balançando nas suas costas, os olhos angulosos e orelhas na sua cabeça. A visão acabou fazendo tanto sentido que a fez piscar, confusa. As expressões dele acentuavam isso, eram felinas, frias ao mesmo tempo que ferozes, lindas e assustadores, nobres e elegantes, como um gato pomposo desfilando entre uma corja de ratos assustados.
Ela o amava, via isso tão claro dentro de si como os olhos vermelhos dele. Ela o amava o suficiente pra matar por ele, pra morrer por ele, mais que isso, o amava o bastante pra viver por ele, pra querer viver com ele. Amava o jeito brincalhão, ingênuo e espalhafatoso que ele tinha, agora amava a força, o poder, e — a palavra soou estranha assim que ela a formulou, embora nenhuma outra coubesse tão bem na sua descrição. Qualquer equívoco, culpem seus olhos apaixonados, não o tolo bardo que vos narra — a majestade dele. Ele ostentava uma aura de autoridade, de sabedoria e tranquilidade, que combinaria mais com um velho que com uma criança, mas em contrapartida, combinava mais nele que em qualquer velho. Ele era o que era, e ela o amava sendo daquela forma. Não que isso fosse importante, ela o amaria a cada vez que mudasse, a cada vez que os olhos trocassem de vermelho pra azul, a cada vez que fizesse algo que ela não entendesse, ou agisse friamente, ou mesmo violentamente. Ela sempre o amaria, era um fato claro pra ela, indiscutível, inconveniente, delicioso.
Se sentir daquela forma, suja, era o apíce da excitação pra ela. Como gritar bastante enquanto se fazia sexo, sabendo que as outras pessoas iriam ouvir você, e tentar disfarçar o olhar constrangido. Era quase como fazer algo errado, por saber que era errado. Era a alegria de se ver o circo pegar fogo. Não era bom, não era saudável, não era muito menos inteligente, mas que era deliciosamente viciante... A isso era.
Sakura estava acordando quando chegamos perto do acampamento. pude ouvir o ronronar manhoso dela, e o jeito que se levantou ainda grogue, com folhas secas no cabelo cor de rosa me fez rir comigo mesmo. Tão diferente de antes, tudo tão diferente de antes...
Notas finais
Portanto, dessa vez, não vou nem pedir rewies. Os leitores que sempre fazem BONS comentários, eu sei que vão continuar fazendo. Um abraço pra esses caras. Agora, o resto de vocês, imbecis, não precisa sequer comentar. Vão todos t**** ** **!
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