Ketsueki No Omoide - Kaen No Rei
18 Especial - A donzela do cristal part03
Notas iniciais
Todos nós paramos, meio que escorados uma aos outros. Chojuro estava com a perna ferida, e Zabuza o ajudava a andar. Anko tinha três cortes profundos na sua bochecha, que parecia que um animal tinha a golpeado ali com suas garras, o mais profundo deles chegando perigosamente perto da sua jugular. Yugao parecia relativamente bem, exceto a poeira que grudava no seu rosto, e o sangue no cabelo. De resto, todos nós estávamos feridos de alguma maneira. A parte superior estava parcialmente queimada, o ombro esquerdo enegrecido como carvão, embora fosse apenas pele queimada. Doía, mas não era grave, se curaria antes que eu percebesse.
Minha atenção estava focada em outro lugar. Em tantos outros lugares. A minha volta, todas as pessoas pareciam me amaldiçoar, cada golpe, cada expressão, cada grito, cada ferimento, cada morte. Tudo parecia convergir direto pra mim, como se todos sussurrassem meu nome com vozes distorcidas, olhos mortos e desfocados fixos em mim.
“Guerra... Guerra... Guerra... Guerra... Guerra...”.
Sim... Tudo era culpa da guerra, tudo culpa do cavaleiro no cavalo branco que bebia sangue de gargantas humanas. Do homem que cavalgava entre as fileiras inimigas, rindo e instigando as pessoas a se matarem.
No meu bolso, senti o pergaminho das feras se aquecer, até parecer que estava incandescente. Meron virou os olhos pra mim quase automaticamente, me analisando enquanto as tatuagens no meu braço brilhavam vermelho vivo...
Natsu parecia louco de vontade de sair...
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Não sei quanto tempo permaneci nos braços de Lilith, com a cabeça deitada em seu seio, e minhas mãos em seu ventre. Foi muito estranho e muito reconfortante saber que foi ali que eu tinha sido gerado, no colo da primeira das mulheres, a eras atrás, e mesmo não sabendo como tudo tinha acontecido, não importava realmente. Depois de séculos e séculos, a vontade de saber quem eu era tinha se esvaído, sobrou apenas aquela sensação, que o cheiro dela conseguia amenizar por completo.
Eu me senti em paz. Pela primeira vez. Não havia rostos sombrios na minha mente, nem rugidos bestiais. Não havia nuvens negras ou sons de trovão, sem tempestade, sem gelo nem neve, nem fogo, nem gritos. Toda minha natureza, que se resumia a conflito constante e interminável, foi silenciada. O toque de Lilith me trouxe paz e silêncio.
Ela continuou me afagando, talvez por horas, mas a um dado momento, voltou seus olhos pra mim e me beijou novamente. Seus lábios dançando nos meus em sincronia, salgados pelas nossas lágrimas, com gosto de frutas e mel.
-Mãe...
Foi tudo o que eu pude sussurrar, antes dela tomar meus lábios novamente, enlaçando os dedos no meu cabelo e me apertando contra ela. Lilith me beijou por vários minutos, em que eu apenas retribui seus toques de olhos fechados, ainda escorado naquela parede. O quimono continuava caído na minha cintura, preso pela faixa, e a parte de cima do meu corpo estava nu. Ela correu as mãos pela minha pele, como se apreciasse a suavidade dela, enquanto eu delirava nos arrepios que suas mãos frias causavam.
-Guerra... – Lilith me olhou nos olhos, amor e compaixão dividiam espaço com vergonha – Me deixe ter os seus filhos...
Assenti fracamente, vendo aquele estranho brilho esvaecer nos seus olhos. Era como se ela esperasse que eu negasse. Como ela poderia esperar que eu negasse qualquer coisa que ela me pedisse?
Voltando a me beijar, Ishin soltou o quimono azul do seu corpo, e o deixou escorregar pela sua pele, enquanto desfazia o laço na minha cintura. Ambos os quimonos serviram pra forrar o chão, enquanto ela se deitava, olhando pra mim, e entreabria as pernas. Seu sexo era vermelho, como o resto da sua pele, e a textura parecia a de uma fruta saborosa. Muito devagar, engatinhei até que estivesse encima dela, nossos narizes se tocando. Como se me desse permissão, Ishin mordeu o lábio, e estreitou um pouco os olhos, respirando fundo a medida que nossos corpos se tornavam um. Quando finalmente estávamos plenamente ligados, ela voltou a me beijar, abraçando minha cintura com as pernas e estufando os peitos, arqueando as costas como um animal no cio. Comecei a me movimentar, primeiramente devagar, e depois aumentando gradualmente a velocidade até que os sons do nosso sexo ecoassem naquela caverna, em harmonia com os gemidos abafados.
Lilith mordeu meu pescoço, me abraçando e me puxando o máximo possível pra ela, enquanto minha mente anestesiada automaticamente aumentava a velocidade das estocadas, até que me conter era doloroso demais, e eu liberei minha semente no seu interior. A sensação era indescritível. Lilith soltou as presas da minha garganta e atirou a cabeça pra trás, gritando, enquanto eu respirei fundo, enchendo o peito de ar e liberando outra carga de esperma dentro do útero dela. Minhas mãos escorregaram no suor dos nossos corpos, e eu me deixei cair sobre ela, meu rosto na curva do seu pescoço, enquanto ela sorria fracamente, os olhos ainda desfocados de prazer. Senti suas mãos no meu cabelo, me abraçando e seus lábios na minha testa. Não estava com a menor vontade de me levantar dali, nunca, e por um bom tempo ficamos abraçados, ainda ligados pelos nossos sexos, e tão perto um do outro quanto era possível.
O som da chuva foi ficando mais e mais abafado lá fora, e a caverna foi inundada pelo cheiro de relva misturado ao cheiro dos nossos corpos. Fechei os olhos, quase a ponto de adormecer, quando senti minha mãe se mover abaixo de mim, se levantando e me puxando pra cima. Ela me carregou até que estivéssemos no lado, e então me deitou novamente. Observei por uma fresta dos olhos ela levar as mãos ao lago, e deixar a água cair sobre o meu corpo, em seguida trazer os cabelos molhados e usa-los pra limpar minha pele, com tanta suavidade e delicadeza que me senti novamente um bebe, com Mikoto e Tsume cuidando de mim.
Lilith não disse nada, enquanto me banhava com água do riacho e seus cabelos, e eu tampouco falei alguma coisa. Naquele momento, tudo pareceu tão solene quanto uma cerimônia, e eu me senti como se estivesse sendo batizado. Deixei que as sensações de suas mãos e do seu cabelo na minha pele enchessem meu ser, e aquele cheiro, de repente tão familiar, inundasse completamente minhas narinas.
Aquele cheiro nunca mais se desprendeu da minha pele. Mesmo entre o fogo e o gelo, o suor e o sangue, eu sempre podia sentir aquele perfume maravilhoso. Era só fechar os olhos, e eu estava deitado em seu colo novamente, imerso numa das lembranças mais bem guardadas de todas as que eu tinha.
Quando acabou de me lavar, Ishin se agachou e tocou minha face com as mãos, me beijando. Ela me puxou pra cima, e desfez o meu rabo de cavalo, passando a pentear os longos fios ruivos com os dedos, cuidadosa e lentamente, como se quisesse levar o máximo de tempo possível pra terminar, e novamente, não dissemos nada um ao outro. Por um longo tempo, não dissemos nada. Como dois gatinhos, acariciamos um ao outro, e fizemos amor novamente.
Assim passou o segundo dia. Com muitos toques e poucas palavras. Na manhã seguinte, entretanto, Lilith acordou com lágrimas nos olhos. Em cada braço seu, uma criança.
-Eles são meus filhos? – perguntei calmamente, me ajoelhando frente a ela e os bebês.
-Sim, são os filhos da Guerra...
Observei pasmo os dois bebes, um deles tinha a pele de um branco leitoso, com cabelos negros como breu. A criança, que sempre sorria, foi chamada Esperança.
A segunda criança, com uma pele de um vermelho suave e cabelos cor de sangue, permanentemente em pranto, foi chamada Dor. Por mais que lamentasse, Lilith sempre sorria pra ele, e constantemente o afagava, amenizando mais e mais do seu lamento, que nunca chegava ao fim.
-Lilith...
Ela levantou os olhos pra mim, e pela primeira vez, junto com a gentileza, eu vi o pecado dentro das íris lilases. A malícia quase cruel, mas ainda tão gentil, que aprisionou o coração dos Deuses e dos Demônios, que os fez homens fracos frente a sua beleza. Eu também sentia minha força me deixando, enquanto os olhos da bruxa pareciam varrer minha alma.
-É tudo culpa desse rosto, e desses olhos – ela disse novamente, sorrindo enquanto beijava Dor, que lamentou fracamente antes de irromper em pranto de novo – Eles não mostram minha verdadeira natureza, e enganam as pessoas. Desculpe, eu te disse que criatura feia e nojenta que eu sou por dentro.
-Não... – a afaguei, beijando sua testa, e em seguida, o rostinho pequeno de cada um dos bebês. Esperança riu alto, mas Dor apenas continuou chorando, engasgado com suas próprias lágrimas – Você só quis aliviar minha dor, eu compreendo.
-Essas crianças são parte de você, são os filhotes da guerra, a Dor das pessoas que perderam seus entes queridos, e a Esperança de um amanhã melhor – Lilith sorriu, trazendo ambas mais próximas do seu corpo, as aninhando com cuidado em seus seios – Eu vou cuidar delas, assim aliviando sua própria dor, até que você já não seja mais necessário.
Esperança pareceu sorrir pra mim, como se soubesse exatamente... como ela sabia exatamente em que eu estava pensando. O fim. Aquele amanhã que nunca chegaria, o dia que Morte viria atrás de mim... Será que era possível?
-Entendo... você vai embora agora?
-Sim...
Suspirei, eu sabia que ela faria aquilo, mas por algum motivo, ainda tinha esperança que ela ficasse comigo...
A criança branca sorriu, no braço esquerdo de Lilith, e me peguei sorrindo de volta pra ela. Eu sempre teria esperança, assim como sempre sentiria dor, eram partes de mim.
-No entanto, antes de ir – ela disse – Tem uma coisa que eu quero dar pra você, Guerra...
Ela estendeu a criança vermelha pra mim, e receoso, eu a segurei. Dor me olhou nos olhos, ainda fungando tristemente, com grossas lágrimas escorrendo dos olhos sem cessar. O abracei, enquanto Lilith movia os dedos, como se desenhasse no ar. Um diagrama em vermelho sangue apareceu, girando no ar, e ondulou quando a bruxa colocou a mão através dele. Observei como seu braço atravessou o nada, desaparecendo.
-Um selamento?
-Não... é algo que seres humanos ainda não descobriram como fazer...
Observei como ela manteve a mão dentro do estranho diagrama, que ondulava no ar, e alguns segundos depois, a retirou. Firmemente preso entre seus dedos, um pergaminho, tão vermelho quanto sua pele, com as bordas negras.
Lilith me entregou, e eu o senti aquecendo, o símbolo de uma cabeça felina cintilando brevemente. Quando o abri, chamas envolveram o pergaminho e se moveram pelos meus braços, antes que eu pudesse evitar. O primeiro impulso de uma pessoa normal seria atirar o pergaminho pelando pro mais longe possível, mas fogo era a natureza das raposas, então apenas me surpreendi levemente, observando as chamas carmesim me rodeando, até serem sugadas para um dos cinco símbolos estranhos que estavam impressos no pergaminho.
Quando as chamas morreram, eu pude ver o primeiro símbolo brilhar colorido, em laranja e vermelho. Fora ele, apenas um outro, o terceiro símbolo ainda brilhava, branco e amarelado, o rosto pequeno de Merón.
Voltei meus olhos pra Lilith, e ela entendeu a pergunta silenciosa neles.
-O pergaminho das feras – ela disse –Nesse pergaminho estão selados cinco dos dez demônios que guardam os portões do inferno. Dois já foram liberados.
-As dez feras dos portões do inferno... – observei os cinco símbolos no pergaminho, cinco cabeças de feras diferentes, embora três deles ainda estivessem enegrecidas e, por algum motivo, impossíveis de serem reconhecidas. As outras duas eram Merón, e a cabeça de um estranho gato armado com um capacete de metal cintilante – Por que esta me dando algo assim?
Lilith sorriu, olhando pra mim com o carinho de uma mãe.
-Eu sabia o que iria acontecer, antes mesmo de me encontrar com seu pai, sabia que você iria crescer sozinho e odiado pela humanidade – ela disse, com uma lágrimas escorrendo pelo rosto de porcelana e pingando na testa de Dor, que nem por um instante se calou, mesmo de volta aos braços de sua mãe – Mas também sabia que você seria necessário. Sabia que Deus me prenderia naquele cristal, e sabia que você me libertaria, e também sei o que vai acontecer, e que essas cinco feras vão ajudar a construir a lenda que você vai se tornar... Kaen no Rei...
Lilith se curvou elegantemente, e mesmo com as crianças no colo, o fez tão bem que humilharia uma princesa. Me perguntei o que aquele nome queria dizer, o que aquele garotinho de cabelos azuis tinha dito, e agora ela... Kaen no Rei...
Estava tão distraído que só notei as tatuagens no meu braço quando elas queimaram. Longas marcas, aparentemente sem sentido, que se moviam por todo o meu antebraço, até pouco acima do cotovelo, como videiras grossas que se enrolavam uma na outra e terminavam em pontas afiadas.
-Sua fera quer sentir o ar do mundo – Lilith sorriu – você sabe como liberta-lo, faça...
Ela tinha razão. Eu sabia. Rasgando a ponta do dedão com o canino, eu deixei que o sangue escorresse, e refiz a sequência de selos que Hanna havia usado pra libertar Meron. Imediatamente minhas tatuagens pareceram fluir como água e escorrer para o chão, formando um diagrama diferente do de Hanna, parecendo um sol enorme cheio de pontas afiadas e curvas. O símbolo irrompeu em chamas alaranjadas, que me circularam e iluminaram a caverna.
-Dai Kuchiose no jutsu! Ichi geto nokemono! – Jutsu de Invocação sagrada, Besta do primeiro portão!
O fogo vermelho esclareceu até se tornar alaranjado, e um rugido agudo ecoou na caverna, enquanto a Primeira das bestas aparecia em toda a glória dos seus vinte e cinco centímetros, olhando diretamente pra mim com olhos alaranjados analíticos.
-Lilith...
-Sim querido? – ela parecia segurar uma risada, como se não quisesse denunciar o fim de uma piada antes da hora.
-Essa é uma das dez bestas do inferno?
O gatinho entortou o rosto pra mim.
-Sim, a primeira das dez bestas, o leão do portão das chamas...
Me agachei, olhando mais de perto pra ele, e ficamos nisso por uns bons cinco minutos, até que eu não aguentei e estourei numa gargalhada.
-Esse tampinha é um dos dez demônios que protege os grandes portões? – Não consegui terminar direito e quase engasguei na minha própria risada. Lilith estava mordendo os lábios pra segurar o riso, e Esperança aplaudia, rindo histericamente. Mesmo dor parou de chorar por um momento, fungando baixinho – O que ele faz? Caça os ratos que ameaçam sair de lá?
O leãozinho rosnou, de olhos fechados e com o rostinho amarelo ficando mais vermelho a cada segundo, até que ele levantou os olhos pra mim, e sua juba feita de fogo ficou vermelho vivo. Um rugido agudo estourou da sua garganta, e ele voou na minha cara, arranhando tanto quanto podia.
Lilith não conseguiu mais se segurar e começou a rir, enchendo a caverna com os tinidos melodiosos de um milhão de sinos de cristais, enquanto eu corria em círculos e tentava tirar aquela bola de pelos e fogo de cima de mim. O bicho só grudou ainda mais firme, tentando me queimar e me arranhar o máximo que conseguia.
-Você o ofendeu Guerra, peça desculpas – ela disse por fim.
-De jeito nenhum!
O leãozinho rugiu e mordeu meu nariz com força, me fazendo gritar e tentar arranca-lo de mim.
-Guerra... peça desculpas... Guerra... peça... – ela suspirou, enquanto eu ainda corria de um lado pro outro – GUERRA!
Travamos no lugar, enquanto Lilith vinha fula na minha direção e deu com a testa na minha. Os olhos lilases dela brilharam de um jeito que faria a Anko parecer uma menininha inocente brincando de boneca.
-Peça... desculpas... – ela recitou, com a voz transbordado mel de tão doce, o suficiente pra me afogar naquela gentileza assassina – Agora...
Voltei os olhos pra Natsu, que parecia tão apavorado quanto eu, e murmurei um “Desculpe” gaguejado. Ele nem pensou em negar, e acenou freneticamente, lambendo meu nariz pra mostrar que já éramos amigos.
Lilith sorriu, se afastando enquanto Esperança batia palmas e Dor chorava desesperado de medo, logo sendo consolado pela sua mãe, que o aninhou e o balançou de um lado pro outro.
-Você tem que dar um nome pra ele, Guerra...
Voltei meus olhos pro leãozinho, que agora parecia tranquilo enquanto sentado no meu ombro, lambendo as patas e ignorando os múltiplos arranhões que já começavam a se curar no meu rosto.
-Fogo... quente... Calor... – eu resmunguei comigo mesmo, enquanto ele me olhava com expectativa – Que tal Totó?
Lilith deu de ombros enquanto ele rugiu e voltou a me arranhar. Levou várias tentativas, mas por fim eu tinha encontrado o nome perfeito: “Natsu”, a estação mais quente do ano, o verão.
Com o rosto cheio de marcas de garras, eu selei novamente Natsu, enquanto as tatuagens tornavam a aparecer nos meus braços, e o pergaminho das feras descansava dentro do meu quimono, três das cinco feras ainda dormiam dentro dele.
-Lilith... a quem pertence as outras invocações?
-Isso meu querido, é uma coisa que você terá que descobrir sozinho – ela olhou pela fresta da caverna, o céu que se tornava laranja e amarelo com o crepúsculo – Esta chegando a minha hora, eu devo voltar...
-Eu entendo... você vai me contar quem é o meu pai?
-Não – ela disse sorrindo novamente – Isso você vai descobrir no momento certo. Tudo ainda esta muito escuro, e eu não posso te dizer algo que arrisque as linhas que já foram escritas no tempo... coisas ruins sempre acontecem quando as Parcas tem que reescrever suas histórias. Isso as irrita imensamente...
-Eu entendo.
Lilith sorriu tristemente pra mim, e se aproximando, me beijou. A abracei de volta, procurando decorar a sensação da pele dela na minha, e beijei o rostinho corado das duas crianças, que por muito tempo, eu não veria mais. Lilith conjurou outro diagrama no ar, e sumiu através dele, com um último olhar pra trás, no mesmo instante que a noite caía lá fora, e a lua brilhava, iluminando parcamente a caverna jogada ao breu. Senti as lágrimas escorrendo do meu rosto, e por um longo tempo fiquei ali, de pé, apenas com a presença quente e nova de Natsu no fundo da minha mente.
Algumas horas depois, eu terminei as inscrições na rocha que seria deixada escondida naquela floresta, e sai sem rumo, andando entre as árvores pra qualquer direção que me levasse a qualquer lugar. Passei a noite toda caminhando, os quimonos abertos e o vento gelado da noite no peito. Não me preocupei com nada, e até que fosse de manhã, não pensei em voltar, apenas caminhei vagamente entre a floresta, como uma raposa faz quando esta calor.
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“Mesmo os demônios podem chorar. As almas daqueles que um dia viveram hão de retornar a terra, enquanto existirem pessoas que se lembram deles. A vida é um preço alto demais a ser pago, mas não é menor que a felicidade. Malditos sejam os sábios, por que nunca choraram nem provaram o gosto que é ser manchado pelo pecado e pelo amor, nunca foram tolos pra se permitir viver, como humanos deveriam” – Guerra.
Notas finais
Cluuuuuuuuuube doooos Da hoooooooora
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