Ketsueki No Omoide - Kaen No Rei
3 Capítulo 3
Notas iniciais
E isso serve de icentivo. Me enviem todas as ideias insanas que tiverem, e qualquer outro tipo de ideia mesmo. Aproveitem a leitura e deixem muitos comentários, tantos quanto possível.
E mais uma vez, escrever "Muito bom", ou "continua", não é um comentário, é um tapa na minha cara. façam algo no mínimo descente.
É isso aí cambada, aproveitem.
Fiquei observando enquanto Sakura andava de um lado pro outro, parando apenas pra discutir consigo mesmo o quando Sasuke era legal e o quão sortuda ela era por cair no mesmo time que ele, e depois olhar pra mim e jurar pra si mesma que não deixaria nenhuma garota estranha rouba-lo dela. Sasuke estava ocupado mirando a lousa como se mata-la a qualquer momento, as sobrancelhas crispadas com irritação que ele não se deixava expressar mais efetivamente, pra não perder sua pose de vingador malvado.
Todos os outros times já tinham saído com seus senseis, e só restava nós três na sala, tentando arrumar algo com que ocupar nosso próprio tempo. Ia fazer de três horas que estávamos esperando, quando senti um chakra familiar vir se aproximando, e não pude evitar ficar ansioso. O chakra parou frente a porta, e lentamente, alguém abriu a maçaneta, enquanto Kakashi, em toda sua glória e parecendo um espantalho entrou, com um olhar entediado enquanto corria os olhos por nós, sorrindo abaixo da máscara ao ver o lenço que ele e Rin tinham me dado como presente de formatura – é claro, sem eu saber disso.
Tive que me conter um bocado pra não pular a abraça-lo, de tanta falta que eu sentia dele, então me limitei a sorrir tranquilamente, a minha espada de madeira apoiada no ombro, enquanto ele coçava distraidamente o queixo coberto pela máscara.
-Vocês três são um grupo estranho...
-Você que é estranho! – Sakura gritou, apontando pra ele – Você esta atrasado, seu esquisitão!
Kakashi não pareceu nem notar enquanto Sakura apontava e gritava com ele do mesmo jeito que fazia com os garotos que queria humilhar. Ele perdeu um bom tempo analisando Sasuke, e depois a mim mesmo, não muito surpreso por eu estar com uma katana de madeira, em vez de uma de verdade. Hayate reclamou muito sobre isso com os outros instrutores. Ele ficou calado fingindo estar distraído até que Sakura parou pra respirar, e então se voltou pra ela:
-Perdão Sakura, você disse alguma coisa? – ele deu um sorriso insolente, enquanto aquela garota maluca corava vários tons de vermelho, e antes que pudesse voltar a gritar, ele desviou os olhos – Me encontrem lá em cima, no telhado.
E sumiu numa nuvem de fumaça. Me levantei e segui calmamente pelas escadas, com Sasuke logo atrás, enquanto Sakura reclamava de ter que ficar com senseis idiotas.
-Yare Yare... Vocês já chegaram –ele guardou um um livro alaranjado que estava lendo de volta na bolsa nas costas, e indicou que nos sentássemos – Bem, já que estamos aqui pra nos conhecer, por que vocês não começam falando um pouco sobre vocês?
Era algo bem simples, mas Sakura tinha que complicar tudo na cabecinha rosada dela:
-Como o que?
-Bem... seus nomes, o que gostam e não gostam, seus sonhos, coisas do tipo...
-Ah... Por que você não começa sensei? Assim podemos ver como se faz...
-Bem... Por que não?! – ele pareceu pensar, se recostando mais pra trás no condicionador de ar em que estava sentado – Meu nome é Hatake Kakashi, e eu não tenho a mínima intenção de contar pra vocês o que gosto ou desgosto – Sakura fez uma careta surpresa aqui, e até mesmo Sasuke franziu as sobrancelhas – Quanto a meus sonhos... bem, eu tenho alguns hobbies...
-No fim só descobrimos o nome dele – ela murmurou.
-Por que você não vai agora, Sakura?
-Hai! – ela se pos de pé num pulo – Meu nome é Haruno Sakura! Eu gosto de... bem... de quem eu gosto... – ela olhou pra Sasuke e deu um risinho esfuziante – E meu sonho é... bem... eu quero... – outro riso esfuziante olhando pra Sasuke, que parecia infinitamente mais interessado no nada em especifico.
-Bem... e o que você detesta?
Ela apontou pra mim. Kakashi riu meio sem graça.
-Você pode ir agora Sasuke...
-Hai... Meu nome é Uchiha Sasuke – longa pausa – eu não gosto de nada, exceto de tomates... – longa pausa – eu não tenho nenhum sonho... é mais como uma ambição – longa pausa – eu quero reviver meu clã... e matar uma certa pessoa...
-Humm... certo... – Kakashi disse sonolento – Agora você ruivinha...
-Eu sou um garoto...
-Certo, certo, por que não se apresenta?!
-Hai – fiquei de pé – Meu nome é Uzumaki Naruto, e eu gosto de fontes termais, ramen e o cheiro de ameixas brancas. Eu não gosto de pessoas fúteis e arrogantes, e o meu sonho – abri um largo sorriso agora – É proteger todas as pessoas importantes pra mim, mesmo que custe a minha vida.
Kakashi pareceu surpreso por um segundo, então os olhos dele ficaram saudosos e orgulhosos, mas durou apenas um segundo, antes dele suspirar, parecendo entediado.
-Muito bem, vocês tem personalidades bem diferentes, isso é bom. Quero que me encontrem amanhã, no campo de treinamento sete, pra fazer o teste de graduação...
-Mas sensei! – Sakura o interrompeu – Nós já fizemos o teste de graduação!
Kakashi riu de um jeito assustador, fazendo Sakura dar vários passos pra trás até cair sentada no duto de ventilação, e Sasuke erguer imediatamente a guarda.
-Vocês provavelmente vão ficar muito assustados se eu contar, mas de todos que se graduaram, apenas nove se tornarão gennins. O resto será mandado de volta pra academia pra mais um ano de treinamento.
Pude notar pelos olhos que Sasuke e Sakura estavam apavorados. Sasuke fantasiando algo sobre ter que se tornar forte pra se vingar, e Sakura provavelmente pensando algo estúpido quanto passar pra continuar no mesmo time que Sasuke. Me surpreenderia de verdade se ela vivesse até se tornar chunnin, se continuasse assim.
-Bem, vocês estão dispensados. Estejam no campo de treinamento as seis horas em ponto – ele se virou pra sair, mas pareceu lembrar de algo e se virou – Ah, e se lembrem de não tomar café da manhã, a menos que queiram vomitar tudo.
Os meus dois companheiros de time se arrepiaram, e sem nem um aceno de cabeça, voltaram pras escadas. Kakashi estava pra desaparecer, quando me notou caminhando até ele.
-Estou ansioso pro teste amanhã, Kakashi-sensei! – eu sacudi a mão dele entre as minhas, com um sorriso tão grande que ele acabou ficando sem jeito. Depois, andando até a borda do telhado, simplesmente pulei de lá. Ele correu até a borda assustado, mas eu já tinha desaparecido.
-Que garoto... – ele murmurou consigo mesmo, então notou algo na mão, e viu um pedaço de pergaminho dobrado. Nele estava escrito: “Obrigado pelo cachecol” – Ah! Esse garoto...– ele quase gargalhou.
Fiquei observando as reações dele do outro telhado, após desaparecer no meio do ar usando uma técnica de velocidade parecida com o shunshin. Sorri comigo mesmo, dando as costas e segurando o cabo da minha katana de madeira, enquanto corria de volta pra casa, esperar o dia terminar e cozinhar um café da manhã reforçado pra quatro.
O tempo passou rapidamente até o outro dia, como sempre passava enquanto eu estava distraído. Arrumei bem as guardas de mão e fiz o rabo de cavalo com o cabelo ainda úmido do banho. Enquanto me vestia, acabei me distraindo com meu reflexo no espelho. Levei meus dedos a face, e tracei um risco vertical do canto do olho até chegar próximo ao queixo, em seguida outro horizontal, começando na ponte do nariz até cruzar com o outro, formando um X que ocupava todo o lado esquerdo do meu rosto. A imagem de Kenshin por um momento trocou de lugar com o meu reflexo. Olhos violeta em vez dos azuis, cabelos ruivos mais claros e pele mais pálida, do resto, éramos exatamente iguais.
Sorri tristemente, um sentimento de aperto estranho no peito, enquanto puxava a sacola com os bentos e amarrava o quimono na cintura, deixando as bordas dele presas abaixo da faixa, lisas pra que não incomodassem. Por último, puxei a katana de madeira, me perguntando quanto tempo mais demoraria pra eu ter uma oportunidade de buscar Rurouni no Seishin, e ao mesmo tempo, visitar o túmulo do meu aprendiz.
-Ei! Seu garoto estranho! Você esta atrasado!
Sorri o mais diplomaticamente que pude, enquanto Sakura apontava pra mim, soltando fogo pelas ventas de tão irritada. Sasuke não dispensou um segundo olhar pra onde eu estava.
-Mas o sensei ainda não chegou, então não tem problema – eu estendi o embrulho – Eu trouxe o nosso café da manhã...
Ela pareceu surpresa por um momento, antes de tentar acertar um tapa na sacola, tirei do caminho dela, e ela tentou de novo, e de novo, enquanto eu me esforçava pra manter o sorriso no rosto.
-Baka! O sensei disse pra não tomarmos café!
-É... mas então não vamos estar fortes pro teste...
Sasuke pareceu pensar sobre isso.
-Ele tem razão...
Sakura parou de brigar comigo imediatamente:
-É verdade! Você é tão inteligente Sasuke! – depois se voltou pra mim, que estava com cara de tacho – Idiota! Passe esse lanche pra cá!
Suspirando, passei dois embrulhos pra ela, que correu entregar um pra Sasuke, que mal dispensou um obrigado enquanto ela tagarelava sobre como ele pensava em tudo com antecedência. Puxei um pra mim mesmo, enquanto mantinha o outro fechado na sacola.
-Delicioso... – Sakura murmurou, depois de experimentar uma salsicha picada de forma que parecesse um polvo. Sim, eu fazia esse tipo de coisa – Onde você comprou?
-Eu preparei...
-Mentiroso!
Suspirei, separando os hachis e comendo meu próprio almoço perdido em pensamentos. Assim que fecharam exatamente três horas de espera, Kakashi apareceu do nada, parecendo muito feliz com ele mesmo, enquanto eu notava o padrão óbvio e perguntava que tipo de costumes estranhos ele tinha.
-Você esta atrasado! – Sakura gritou, jogando a marmita vazia na cabeça dele, que a pegou no ar.
-Gomen... É que eu encontrei uma senhora que pediu ajuda com as compras e...
-Mentiroso!
Ele suspirou também, parecia a única reação plausível a se tomar com aquela garota, que não envolvesse ignora-la ou esgana-la.
-E esse bento – ele franziu a única sobrancelha visível – Eu pensei ter dito pra vocês não tomarem café.
Sakura corou e começou a gaguejar coisas nem nenhum sentido, apontando pra mim.
-Gomen, sensei, a culpa é minha – estendi a sacola – Aqui, preparei um pro senhor também...
Ele pareceu surpreso, pegou o bento e o abriu, aspirando a fumaça que escapou dele.
-Você é mesmo uma boa menina...
-Eu sou um garoto...
-Hai, Hai... Itadakimasu!– ele se virou, e um segundo depois, o bento estava vazio, enquanto ele esfregava comicamente a barriga – Estava delicioso, obrigado. Na verdade...
Ele mirou seriamente Sasuke e Sakura, até a sua expressão cair de volta pra algo bobo.
-Vocês deviam agradecer o Naruto-kun, o teste vai ser pesado e vocês vão precisar de um café da manhã reforçado.
Ambos pareceram surpresos, Sakura, de fato, pareceu muito mais surpresa, e de novo começou a gaguejar como uma idiota.
-Bem, por você ter notado a pista secreta, ou apenas por ser mais legal que seus outros companheiros, você já esta um passo mais perto de se tornar gennin – acabei sorrindo sem graça, enquanto Sasuke me fuzilava como se eu tivesse pessoalmente assassinado toda sua família, e não Itachi – O teste é bastante simples, tudo o que vocês tem de fazer é tomar esses guizos de mim. Vocês tem até o meio dia...
-Mas sensei! Só tem dois sinos! – Sakura disse, apontando pra cintura dele, a outra mão levantada como se ela estivesse numa sala de aula.
-Hai, isso quer dizer que de vocês três, pelo menos um será enviado de volta pra academia.
Fingi não perceber o olhar assassino de Sasuke e Sakura, enquanto ele provavelmente fantasiava sobre o vingador, e ela sobre sonhos cor-de-rosa de amor e felicidade e ursinhos de pelúcia. Kakashi deu sinal pra começarmos, e eu tratei de desaparecer da frente dele.
“Hum... eles são bons em se esconder... Sakura, Sasuke ali... mas cadê o Naruto...” – ele puxou um livro laranja da bolsa, e começou a ler distraidamente, embora seus olhos estivessem na verdade atento aos seus arredores. Nenhum gennin recém saído da academia seria capaz de bater de frente com um jounnin, mas isso era por que era impossível que eles chegassem perto sem que eles notassem. Poder era muito relativo nesse mundo shinobi.
Pulei para o mesmo galho que Sasuke estava agachado, analisando Kakashi, e dei uma leve batida nele com as sandálias pra chamar sua atenção. Ele imediatamente se virou com uma kunai, enquanto eu segurei sua mão.
-Calma, sou eu...
-O que diabos você quer? – ele pareceu zangado, e eu franzi as sobrancelhas. Se irrita-lo era tão fácil, ele não viveria muito mais que Sakura.
-Esse teste tem a ver com trabalho de equipe, nós precisamos trabalhar juntos pra recuperar os sinos...
-Mas tem apenas dois!
-Por isso, tem dois apenas pra nos fazer ir um contra os outros. Sozinhos, não temos chance contra um jounnin de elite como Kakashi, precisamos trabalhar juntos.
-Eu não vou arriscar a chance e ser mandado de volta pra academia. Eu quero ficar com um sino.
Suspirei. Aquilo ia ser mais difícil do que eu tinha imaginado.
-Ok, veja por esse lado – eu blefei – Sakura é fraca, se pegarmos os sinos, ela com certeza vai ser mandada de volta. Alem disso, você é o último do clã Uchiha, eles não podem reprovar você, a vila perderia prestígio se isso acontecesse.
Sasuke pareceu meio irritado por ter sido lembrado sobre sua condição de último Uchiha, e perdeu alguns segundos devaneando mentalmente sobre como ia ser um grande vingador quando crescesse. Depois disso, ele concordou comigo, e eu disse pra ele esperar uma chance de atacar diretamente, enquanto eu criaria uma distração.
Mas antes, eu tinha que encontrar a Sakura, e tentar enfiar naquela cabeça dura cor-de-rosa dela que faria com que ela e Sasuke passassem juntos.
Kakashi ficou observando Naruto ir de um galho a outro como uma bola de pingue pongue, tentando convencê-los a trabalharem juntos. Sua concentração estava toda focada na audição e no olfato, pra marcar bem suas posições e ouvir o que diziam. Ele ficou surpreso como o filho do seu sensei conseguiu levar ambos na conversa e os convencer a trabalharem juntos com ele, enquanto pensava sobre a mesma coisa que Kiba tinha pensado, cinco anos antes. “O cheiro dele é estranho... Não pra dizer se é um homem ou uma garota apenas com isso... Talvez alguma colônia?!”
Mas não importava realmente. Ele ficou bem atento, embora ainda fingisse ler, enquanto Naruto se posicionava atrás de uma moita. Sem shurikens, sem kunais e sem nenhum outro artifício shinobi comum, ele se perguntou como ele faria pra distraí-lo.
Um ataque direto era a única coisa que ele não considerou, embora pensando bem, era bem a cara dele.
Correndo, Naruto tentou ataca-lo com a katana de madeira, e se esquivou quando Kakashi tentou acerta-lo. Uma breve análise mostrou que os reflexos e a velocidade dele eram excelentes, mas quanto mais trocavam golpes, mais Kakashi percebia que não era apenas isso. O modo como se movia, o modo como ataca e esquivava, eram quase inconscientes, não precisava nem de um pensamento pra isso. Esse modo de lutar, era o que levava anos pros mais talentosos espadachins alcançarem, era a experiência gritante aliada a técnica impecável. Se a katana fosse de verdade, Kakashi já teria largado o livro pra não ser feito em pedaços.
No entanto, os ataques cumpriram com excelência seu único propósito. Distração.
Vendo sua oportunidade de ouro, Sasuke saltou do galho onde estava, e no ar, fez selos de mão. Kakashi não reparou nisso até que fosse tarde demais, e quando reparou, só lhe restou pular pra longe da bola de fogo de tamanho considerável que vinha em sua direção. Sakura aproveitou a oportunidade pra correr e tentar apanhar os sinos, correndo rente com o chão com a mão estendida, mas não seria tão fácil assim. O jounnin se virou e pisou nas costas da garota, a prendendo no chão, enquanto fazia selamentos com ambas as mãos, o livro largado em algum ponto na grama, esquecido e muito provavelmente transformado em cinzas pelo fogo.
Usando um jutsu simples de água, Kakashi lançou tanto Naruto quanto Sasuke pra longe, enquanto os dois se prendiam em um galho e se lançavam pra cima. Sakura tentou se libertar com algum taijutsu, mas mesmo com uma única mão, Kakashi conseguiu contê-la, enquanto Naruto plantava os pés no galho, e lançava Sasuke como uma bala em sua direção. No meio do ar, ele fez mais uma vez jutus, moldando uma bola de fogo enquanto Naruto corria rapidamente até ele...
A imagem borrou, e Kakashi agitou a cabeça. Quando abriu os olhos novamente, meio atordoado, ele encontrou Naruto sorrindo tranquilamente pra ele, Sakura e Sasuke segurando em suas mãos os sinos, enquanto com o selo do carneiro, infundiam chakra em seus braços.
-O que... – ele percebeu o que tinha acontecido e piscou surpreso – Genjutsu... Quando?
Naruto sorriu.
-Quando Sasuke usou o Gokakyu e o senhor se distraiu, Sakura conseguiu implantar o genjutsu. Precisamos infundir mais chakra depois, pra manter a ilusão, por isso eles estão um pouco cansados, eu fui apenas a distração.
-Então esse era o seu plano... – Kakashi sorriu orgulhoso dos três, principalmente de Naruto – Meus parabéns, todos vocês passaram com louvor. Amanhã bem cedo começam as missões do time sete.
-Hai! – Sakura gritou, contente por ainda estar com Sasuke no time – Mas sensei... os sinos, então o Naruto tinha razão?
-Sim, é um teste feito pra vocês irem um contra o outro, vocês foram muito bem percebendo isso – Ele sorriu por debaixo da máscara, pelo menos um deles... – Um amigo me disse uma vez que “Aqueles que não seguem as regras são lixo no mundo shinobi, mas aqueles que abandonam seus companheiros são bem piores do que lixo”. Vamos, eu vou pagar o almoço pra vocês...
Durante o caminho, a felicidade de Sakura por ter passado acabou, e ela se ocupou resmungando insatisfeita por eu ter passado também. Na cabecinha dela, Sasuke tinha feito todo o trabalho sozinho, enquanto eu passei por esforços alheios. Não me dei ao trabalho de ficar irritado, nem Kakashi, por que tinha certeza que ele compartilhava do mesmo pensamento que eu: Com essa mentalidade, ela não vai durar muito. E era verdade, um shinobi que não sabe trabalhar em equipe, gritalhona e espalhafatosa, e obcecada por algo como ela não duraria tanto tempo se não amadurecesse. E pessoas como ela tem amadurecimentos dolorosos, não seria nada bonito de se ver...
Sasuke, como sempre, ficou estoico e alheio a qualquer coisa enquanto rumávamos para a churrascaria, onde um jounnin de barba ficava brincando com um isqueiro zipo, parecendo meio desesperando ao imaginar o tamanho da conta que teria que pagar com Chouji na mesa. Não seria pouca. Isso até ele notar Kakashi entrando ali distraído.
-Oe! Kakashi, junte-se a nós com seus estudantes, podemos rachar a conta!
-Asuma, é muita gentileza sua, obrigado...
Ele notou o Akimichi na mesa, então mandou um olhar assassino pra Asuma que sorriu tranquilamente, fechando o zipo com um clique e o embolsando, antes de chamar o garçom com um gesto e pedir mais dois quilos de carne e mais arroz. Kakashi estreitou os olhos pra ele, Asuma apenas sorriu de forma insolente.
-Garçom! Traga três quilos extras de carne! – Kakashi ordenou, fazendo Asuma piscar surpreso – Você vai se arrepender...
-Ah é... – Asuma estreitou perigosamente os olhos, dava pra ver faíscas se chocanto com a força do olhar dos dois – Aumente pra cinco quilos garçom!
-Sete quilos!
-Dez quilos!
-Vinte quilos!
O que se seguiu foi a mais estúpida demonstração de masculinidade que eu já vi na minha vida. Pesquei um punhado de carne bem tostada que Chouji não foi rápido o bastante pra pegar da grelha na mesa, e fiquei observando como ambos os “adultos” tentavam levar um ao outro para o prejuízo. Shikamaru parecia entediado demais pra prestar atenção, Sasuke estava alheio como sempre e Ino e Sakura começaram a brigar por ele na mesa, tendo breves pausas de conversa amigável pra depois voltarem a brigar de novo. Chouji apenas adorou toda a situação, se enchendo o máximo que conseguia com carne. Mesmo assim, ainda sobrou um saco enorme depois de estarmos todos satisfeitos, pelo menos trinta quilos de carne picada e temperada, que tiramos a sorte pra ver quem levaria. Eu acabei ganhando. Bem... Pelo menos não precisaria gastar com açougue aquele mês... nem no próximo, provavelmente...
Asuma e Kakashi saíram do restaurante reclamando um com o outro por causa das carteiras completamente vazias, enquanto caminhávamos por Konoha sem rumo aparente. Um a um, os membros daquele estranho grupo foram se separando, começando com Sasuke e Shikamaru, e depois Chouji que teve uma congestão e teve que ser levado pro hospital. Ino e Sakura interromperam sua briga e se despediram como velhas amigas, e no fim, só restou Kakashi, meio abatido, caminhando ao meu lado resmungando que teria que fazer um extra de missões pra pagar o resto da conta que ainda ficou pendurada.
-Ne... Naruto?
-Oe? – perguntei, enquanto jogava o saco enorme de carne nas costas, ignorando o olhar meio chocado de todo mundo por onde eu passava.
-Aquele bilhete... você...
-Ah sim – o interrompi – Desculpe não ter agradecido pessoalmente, ao senhor e a Rin-dono, mas eu gostei muito.
Ajeitei o lenço no pescoço com a outra mão, ele era um pouco mais claro do que o quimono, mas combinava perfeitamente com ele, era fresco e confortável tê-lo ali.
-Você... – ele pareceu realmente surpreso.
-Sim.
A conversa curiosamente morreu ali. Não que Kakashi não tivesse outras perguntas, eu apenas não dei chances que as fizesse. Disse que precisava guardar aquela carne antes que estragasse, e usei o shunshin de novo, enquanto ele me olhava desaparecer num fluído de movimento, parecendo perdido por um momento, e conformado depois.
No outro dia, ele não tocou naquele assunto, e eu tampouco fiz qualquer coisa pra leva-lo adiante.
-Pink em posição. Câmbio.
-Black em posição, alvo a três horas. Câmbio.
-Red em posição, requisito permissão para interceptação direta. Câmbio.
-White em posição, permissão concedida Red. Black, cerque o alvo pela direita, e Pink, de o sinal. Câmbio.
-Entendido White. Alvo parado, Red, interceptação em três... dois... um...
Um minuto depois um chiado agudo ecoou nas árvores próximas. Peguei o gato pelas patas, e um olhar ameaçador foi o bastante pra fazer a bola de pelos se encolher e ficar o mais quieto que conseguia. Kakashi, Sasuke e Sakura pularam na clareira logo após isso. O jounnin-sensei verificou o laço no pescoço do gato — ele chutava, pela milionésima vez, e não seria a última — e declarou completa mais uma vez a missão mais requisitada da História da vila da folha.
-Isso foi chato – Sakura reclamou em voz alta, pela primeira vez, todos concordaram com ela.
-Yare, Yare... – Kakashi olhou para o relógio, logo em seguida o colocando no bolso – Vocês foram muito bem, ainda temos tempo pra fazer uma ou duas missões antes do...
-Kakashi-sensei – eu disse educadamente, agora mantendo o gato abraçado no peito, ele parecia relaxar a cada minuto que passava, balançando o rabo de um lado pro outro – Será que não podemos aumentar o nível das missões pelo menos para as rank C? Apesar de tudo – apesar da Sakura – Nós estamos preparados, e sem uma missão mais complexa, não tem como o senhor avaliar o nosso rendimento corretamente e nos treinar...
Ri comigo mesmo, enquanto usava aquele mesmo tom diplomático irritante que Kenshin tinha mania de usar quando tentava me convencer. A grande maioria das nossas discussões ele ganhava, por que envolviam coisas simples como “Fazer sukyaki para o jantar em vez de arroz com peixe”, ou por que ele “não queria mais ir pra aquele lugar assustador de novo” – o bordel. Minhas dúvidas quanto a masculinidade do meu aprendiz tinham caído bastante, mas o grande ponto era que ele ainda era bonitinho o bastante pras mulheres lá brigarem por ele, e tentarem contrata-lo pra trabalhar lá – Ou então o “quanto sake era horrível”. Essas eram as nossas maiores discussões de sempre, e sem me dar conta, eu gostava de estende-las o máximo possível, por isso podíamos passar dias debatendo questões sobre o “quanto sake era delicioso e o quão idiota ele era”.
No caminho de volta, ele não disse nada, e eu tampouco insisti por que estava ocupado perdido em pensamentos. O gato aquele ponto devia achar que estávamos indo a um lugar especial, ou qualquer coisa do tipo, por que começou a ronronar e morder carinhosamente a manga do meu quimono. Na verdade acho que ele sabia exatamente pra onde estávamos indo, mas queria mostrar que era um bom gatinho pra, quem sabe, eu decidisse ficar com ele.
Apesar de ser rotina, a secretária do Hokage nos atrasou muito mais do que seria necessário. Ela pediu pra ver nossas identificações, e então nos devolveu, e pareceu preencher relatório, pediu pra ver de novo, e chamou o garoto de recados pra ele ir comprar um doce pra ela. Depois se voltou pra nós, ajeitando os óculos, e pediu pra ver nossas identificações... de novo...
Kakashi resistiu tão bravamente que eu ao impulso de degola-la e acabar logo com isso... As coisas estavam indo mal. Eu tinha feito uma promessa de não matar, mas se continuasse encontrando tanta gente insuportável quanto a Sakura e aquela secretária, eu acabaria dizimando Konoha até o chão.
Por fim, depois de quase uma hora envolvendo embolsar e retirar identificações, ela disse que tinha algo errado comigo e eu não poderia entrar. Ameaçou chamar os seguranças pra nos tirarem dali se nós forçássemos passagem.
Estava pra dizer pra Kakashi entrar sem mim, que eu esperaria ali fora por eles, quando ele se debruçou sobre a mesa da secretária. O olhar no rosto dele era tranquilo, chegaria até a ser meio malicioso, enquanto Sakura começava a gritar indignada que ele estava cantando a secretária, como se fosse algo horrível que ela devesse dizer pra todo mundo. Kakashi não deu atenção, e a secretária estava olhando diretamente pra ele, confusa, enquanto ele levava sua mão até o rosto dela, e afagava, pra depois descer até o pescoço, e apertar um ponto muito sensível. Ela arquejou, e tremeu sob os olhos dele, que ao contrário do que se esperava, estavam gentis, tão gentis que era assustador.
-Por que a senhorita não me poupa o trabalho de esconder seu cadáver – ele disse, como se fosse algo divertido que ele estava torcendo pra ela deixa-lo fazer – E não nos deixa passar?
A única reação dela foi balançar a cabeça pra cima e pra baixo, lentamente. Avançamos, e ambos os guardas no final do corredor olharam pra mim. Um deles com desprezo gravado no olhar, o outro com simpatia e um aceno discreto. Acenei de volta, para os dois, e esperei Kakashi bater na porta e receber permissão pra entrar. Sakura atrás de nós estava quieta, ainda meio assustada com o ocorrido entre o sensei e a secretária.
-Ah, Kakashi – o Hokage mordeu o cachimbo com prazer, deixando um par de relatório cair sobre a mesa – Que bom que vocês voltaram, Funyama-sama já estava ficando apreensiva...
Mal o nome dela foi pronunciado, o gato no meu colo pareceu muito desperto e assustado, olhando ao redor e pra mim compulsivamente. Igualmente, como se escutasse seu nome, uma senhora gorda num quimono festivo abriu as portas de papel de arroz, olhando diretamente pro seu adorável – pobre – gatinho.
-Tora-chan! – ela o arrancou dos meus braços e o apertou entre os seios com tanta força que os olhos do bicho saltaram – Eu estava tão preocupada, você sai pra dar esses passeios, e eu não aguento de ansiedade te esperando!
Em seguida ela se voltou pra mim, e temi que fosse me abraçar também, mas ela apenas beliscou a minha bochecha.
-Obrigado por trazer meu gatinho adorável de volta, você é uma boa menina...
E ela deixou uma nota de cinquenta ryo em minhas mãos.
-Por que todo mundo acha que eu sou uma garota... – murmurei comigo mesmo, parecendo cansado, mas na verdade estava rindo por dentro.
-É por que você é uma gracinha – Kakashi empurrou minha cabeça pra baixo, quase a sacudindo de um lado pro outro, enquanto me afagava no que seria uma demonstração grotesca de carinho.
O Hokage apenas com isso, carregando um bocado de erva no cachimbo:
-Vocês querem mais missões? – ele perguntou, abrindo uma gaveta – Acho que ainda tem tempo antes de vocês tirarem o dia...
-Hokage-sama, se o senhor não se importa – Kakashi disse, enquanto eu fugia pra longe do seu alcance, meio surpreendido pelo que achava que ele ia fazer – Eu conversei com meu time, e acredito que estejamos prontos pra uma missão rank C, se o senhor não tiver objeções...
Ele fechou a gaveta.
-Bem, se o seu time concorda – Sakura estava prestes a discordar, mas um olhar feroz de Sasuke a calou – Eu não vejo por que não.
Assim, ele abriu outra gaveta, puxando um rolo-listagem e o examinando, aparentemente alheio aos gritos ensandecidos de um certo gato que tentava desesperadamente fugir do colo de uma senhora, no andar de baixo.
-Bem... temos algumas missões rank C simples que vocês podem pegar pra verem se estão prontos – ele desenrolou mais o pergaminho – Bem, vejamos... derrotar alguns bandidos no Oeste, assassinar um coletor de impostos ganancioso, construir um celeiro – ele pareceu surpreendido com essa, depois achou uma explicação no papel – Bem, aparentemente é um celeiro bem grande... vejamos... Matar um urso que esta causando problemas numa vila do norte, exorcizar um espírito maligno no templo da aldeia da fumaça... por que diabos mandaram isso pra nós?! Bem... mais bandidos, mais assassinatos...
Ele ficou divagando sobre as missões por um bom tempo, e quando estava prestes a ir ver se ele realmente estava acordado ou falando durante o sono, ele disse algo interessante:
-...Tem também, escoltar uma princesa até o país da fechadura, escoltar um construtor de pontes até a vila das ondas, mais ratos...
-Hokage-sama – chamei sua atenção educadamente, e podia jurar que sua cabeça deu uma guinada, como se fosse acordado abruptamente – Se não houver objeções, eu gostaria de pedir a missão do construtor de pontes, por favor...
Ninguém disse, nada, Kakashi me olhou curiosamente, assim como o Hokage, e Sasuke não pareciar ter nada além do que o desprezo de sempre pra qualquer coisa que não fosse ele ou tomates. Sakura, previsivelmente, me olhava com tanta raiva quanto ele, embora não entendesse exatamente por que diabos os dois se irritavam tanto comigo...
-Bem Naruto, não vejo por que não – ele disse – Mas por que essa missão em especial te interessa?
Já tinha bolado uma resposta pra essa pergunta, por isso ela veio na ponta da língua:
-Bem, eu nunca sai da aldeia da folha, então gostaria de viajar um pouco – eu disse, mas antes que ele respondesse, conclui – E também, uma missão como essa nos daria experiência sobre como lutar protegendo uma pessoa, e ao mesmo tempo, como lutar em terrenos desconhecidos. Acho que isso seria benéfico nesse momento do nosso treinamento, Hokage-sama...
Ele me olhou verdadeiramente impressionado por um segundo, então tragou o cachimbo, orgulhoso. Kakashi afagou minha cabeça novamente, mas dessa vez normalmente, sem quase enfiar minha cara no chão.
-Muito bem. Enquanto haveriam outras missões que te proporcionariam tanta experiência quanto essa, eu ainda entendo o desejo de viajar de uma pessoa que nunca saiu da vila – o Hokage sorriu, mordendo o cabo do cachimbo entre os caninos, que ainda pareciam fortes e afiados pra sua idade avançada – Se o seu grupo não tiver nada a dizer contra isso... – ele esperou, mas ninguém se pronunciou – Muito bem. Time sete, estou atribuindo a vocês a missão de escolta e proteção do construtor de pontes, até a vila da Onda, no país da névoa. Vocês aceitam?
-Hai – dissemos em uníssomo.
-Muito bem, Kokoro! – ele chamou, e instantes depois a secretária dos infernos estava ali novamente – Kokoro, você poderia por favor chamar...
-Esse pirralho esta causando problemas para o senhor, Hokage? – ela perguntou sem nem olhar pra ele, me fuzilando com o olhar – Não se preocupe, eu vou...
Ela veio na minha direção como se fosse me esganar. Segurei o cabo da katana, bastaria um movimento...
-KOKORO! – o Hokage se levantou, e intenção assassina vazou de cada poro seu, efetivamente ponto a mulher de joelhos – Como se atreve? Eu ia pedir pra chamar Tazuna-san no hotel, sua missão foi aceita. Vá imediatamente, e quando voltar, venha falar comigo!
Ele se sentou novamente, recolhendo o Ki que ainda permeava a sala. A secretária se levantou e saiu, longe dos olhares vidrados de Sakura e Sasuke, e dos tristes de Kakashi e do velho. Eu apenas sorri tranquilamente.
-Desculpe por isso, Naruto-chan...
-Não se desculpe – eu disse, tentando passar pelos olhos o quão fútil aquilo era na minha opinião – Eu não me importo com isso...
Ele apenas suspirou, e por alguns instantes, ninguém disse nada. Sakura pareceu se recuperar mais rápido dos efeitos do KI que Sasuke, que ainda olhava vidrado um ponto vazio qualquer, disse, ainda meio vacilante:
-O-O que foi isso...?
-Bem, ela não gosta de mim... – eu murmurei, e depois ri comigo mesmo – Algo como ferir os sentimentos do filho dela...
-Não, eu quis dizer essa sensação... foi...
-assustadora, angustiante, sufocante? – sugeri
-Sim...
-Isso é KI – eu expliquei, não percebendo bem os olhos do Hokage e de Kakashi encima de mim – É uma habilidade intuitiva que todos os animais tem, mas humanos precisam praticar pra fazer igual. Falando basicamente, é como um gato que eriça os pelos, ou um cachorro que rosna quando esta acuado, é simplesmente emissão de ameaça, intenções negativas.
-Muito bem Naruto, como sabe disso?
-Eu leio bastante – disse, dando a primeira desculpa que me veio a mente.
-Bem, você esta certo – O Hokage completou, enquanto Sasuke saia lentamente do estupor e nos olhava irritado por não parecermos tão abalados – Ki é basicamente o que o nome diz, Killer intent, intenção de matar. Se usar isso numa luta, pode congelar o inimigo no lugar, e talvez, até mata-lo.
Sasuke pareceu imediatamente interessado em uma forma de matar alguém sem nem chegar próximo a ela.
-Podemos aprender isso?
-Quando tiverem um bom controle de chakra sim...
-Eu não quero aprender isso... – murmurei.
-Por causa do seu juramento?
-Hai – “e também, por que meu KI é tão forte que pode fazer uma floresta secar e morrer, e todo ser vivo dentro dela” – pensei comigo mesmo, mas não disse em voz alta.
-Naruto, Ki não precisa ser usado necessariamente pra...
-Hokage-sama – eu o interrompi, parecendo estar pensando um pouco. Na verdade, só estava arrumando desculpas – Existe alguma coisa pra combater KI? Neutraliza-lo?
Ele pareceu surpreso, e em seguida, orgulhoso.
-Sim, é chamado de Ki inverso – ele disse, e todos prestaram atenção novamente – É basicamente a mesma coisa que Ki, só que em vez de ser uma intenção assassina, é uma... como eu posso dizer... emissão de serenidade, paz, segurança.
-Como se faz isso?
-Bem, tem que ter um bom controle de chakra, foca-lo nas suas emissões e tentar expulsa-lo do corpo carregado com...
Mal o Hokage terminou de falar, uma sensação que era quente como mel encheu a sala, fazendo todos cambalearem sonolentos. O Hokage foi tomado por um profundo sentimento de paz, tranquilidade, segurança, serenidade... Como relaxar num ofuro bem quente, ou então deitar embaixo de uma pilha de cobertores num dia especialmente frio. Como aquela sensação de profundo contentamento que parece correr pelo corpo após um orgasmo.
Mas não era só isso.
O Hokage pode sentir o chakra de Naruto, tão forte que era quase visível, permeando o ar em ondas cor de rosa, tão suave e delicado quanto uma pétala de Sakura. Entretanto, não era apenas isso, era também afiado, como navalha, raspando delicamente na sua pele, sem ferir, mas deixando bem claro que poderia fatia-lo se quisesse. Era relaxante e levemente assustador, algo que fazia seu coração acelerar. Esse chakra pareceu penetrar na pele do Hokage, entrando até seus ossos e se livrando do cansaço, como se o rejuvenescesse, o curasse lentamente de suas dores. Não era simplesmente Ki inverso, era algo mais poderoso. Enquanto o chakra de Naruto lhe percorria e o renovava, ele pode sentir com muita clareza todos os sentimentos imbutidos nele.
Serenidade, paz, segurança, e um amor tão incondicional e sem objetos claros de afeição, que parecia que amar era sua própria natureza. No entanto, no verso desses sentimentos, havia tristeza. Muita, tanta tristeza que era assustador, agonia, rancor, raiva, ódio. Cada uma tão forte que por si só deixaria um homem despreparado louco se a sentisse junto com intenção assassina, ali, eram inofensivas. Sarutobi se perguntou por um segundo o que tinha acontecido naquele orfanato, o que o ferira tanto a ponto dele levar tanta mágoa consigo, tão enraizada dentro dele que dava cor ao seu chakra.
Naruto sorriu como se adivinhasse esses pensamentos: “Nada do que aconteceu no orfanato pode sequer me abalar velho – ele pensou consigo mesmo, sorrindo tristemente – As respostas que você procura são mais antigas que isso...”.
Kakashi parecia pensar a mesma coisa que o Hokage, e enquanto o chakra de Naruto parecia livra-lo do cansaço do dia, da tensão de anos sem nunca abaixar a guarda por nada, ele pode sentir claramente o toque quase paternal daquele chakra, revivendo na sua mente as memórias da última missão com Óbito, que estavam marcadas a ferro e fogo na sua mente.
“Naruto... que incógnita maravilhosa você se tornou...”
-Será... que eu estou fazendo certo? – ele perguntou inocentemente, com uma leve apreensão no olhar após algum tempo.
-Hai – o Hokage disse – Você fez muito bem Naruto, eu estou orgulhoso de você. Se isso fosse intenção assassina, provavelmente teria matado uma pessoa sem experiência.
Sasuke estreitou perigosamente os olhos, se perguntando de onde vinha aquele poder, e como ele poderia alcança-lo. Sakura ainda estava desnorteada pra ter qualquer reação, e foi nesse estado que a porta se abriu. A secretária fez uma profunda mesura do outro lado, e saiu sem uma palavra, enquanto um homem velho, carregando uma cabaça de sake na mão e uma mochila nas costas adentrou a sala.
-Você deve estar brincando comigo, Sarutobi... – ele disse de ombros caídos – São esses carinhas que vão me proteger? Um garoto com cara de quem comeu e não gostou e duas meninas bonitinhas? Eles não dariam conta de matar uma abelha...
-Eu sou um garoto... – Naruto murmurou de ombros caídos, talvez pela milésima vez.
-Não se preocupe Tazuna-san – Kakashi tomou a frente – Eu sou um jounnin, então o senhor esta em boas mãos...
-Muito bem... Atenção pirralhos, eu sou o grande Tazuna-sama! –ele deu uma pausa dramática aqui – O maior construtor de pontes do mundo, espero que me deem uma superproteção.
Sasuke bufou, e Sakura tentou imita-lo, logo em seguida se aproximando dele e tentando leva-lo a ficar a sós com ela em algum lugar, longe de estorvos. Ele fugiu de seu alcance.
-Não se preocupe, Tazuna-san – tentei dar um sorriso que seria reconfortante, mas mais uma vez, deve ter saído sensual demais por que ele corou – Eu vou proteger o senhor, mesmo que custe a minha vida. É uma promessa.
Ele corou mais ainda.
O Hokage riu da expressão de todos na sala, ordenando que fossem arrumar suas coisas e se encontrassem na frente do portão principal da vila em duas horas. Com um comprimento, todos saíram, enquanto uma secretária assustada adentrava a sala.
-Kokoro... Feche a porta...
Notas finais
O Hokage a matou?
A despediu?
Não sei, vou deixar isso em aberto, assim cada um pode escolher pensar no que mais lhe agradar ^ ^
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