Notas iniciais
Ok... Nós ainda não chegamos nos exames chunnin, mas por muito pouco, muito pouco mesmo, isso vai ficar pro próximo capítulo.
Antes que vocês reclamem, saibam que minha inspiração voltou hoje, e eu poderia ter beijado ela de saudade. Escrevi o capítulo todo de uma única vez e achou que ficou até bem legal, mas não é meu trabalho avaliar, é o de vocês, meu trabalho é só escrever, e minha parte ta feita, então... vocês vão ficar devendo a parte de vocês ou não? Eu acho que temos uma relação tão bonita, autor-leitores, capítulos-comentários. Não vamos começar a arranjar problemas por falta de comentários né gente?
Abraços, e aproveitem o capítulo.

ps. Capítulo revisado pelo Gustrubio. Por causa de um erro meu no capítulo anterior ele veio até a minha casa e me encheu de porrada, e isso só por eu ter esquecido inocentemente de colocar os créditos dele, da pra acreditar? Eu tento dividir meu tempo entre trabalhar, escrever, estudar, cuidar dos órfãos e contar histórias pros idosos, e ele foi cruel a ponto de fazer isso, maldade né?!
kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Ok, exagerei um pouquinho, então aqui estão as notinhas de agradecimento pelo árduo trabalho escra... voluntário de revisar meus capítulos grotescos. Velho, você é foda.

Era o dia anterior aos grandes exames chunnin, e a vila de Konoha se viu repentinamente bombardeada com hordas de nobres em liteiras ou carruagens brancas elegantes, puxadas por cavalos igualmente enfeitados. Muitos visitantes também chegavam, embora de modo muito mais humilde, a pé ou a cavalos, e os guardas, Izumo e Kotetsu, não conseguiam realmente dar conta de todos eles. Não se podem manter nobres em filas afinal de contas.

Felizmente, vários ANBU’s estacionados nos prédios em volta da entrada faziam o papel de anotar cada rosto que entrava pelos portões, incluindo informações de onde estavam hospedados, quantos samurais ou guardas costas os acompanhavam, e se estavam predispostos ou não a causar confusão. Era apenas meio dia, por volta do horário do almoço, e seis espiões já haviam sido presos, alguns tão óbvios que chegava a dar pena. Foram os ANBU’s também que se deram conta de um grupo estranho, composto por dois espadachins e mais duas pessoas, ambos usando véus em torno do rosto. Pela extrema semelhança com nobres, eles foram deixados de lado pelos guardas, mas Yugao reconheceu os cabelos ruivos, assim como os roxos, eram cabelos que ela nunca esqueceria. Sorrindo, ela acenou pro seu colega, e desapareceu num redemoinho de folhas.

Naruto e o os outros três notaram o ANBU os seguindo nas sombras, e entraram em um beco, com um sorriso divertido espelhado em seus rostos. Assim que chegaram ao final dele, Yugao apareceu, a máscara escondendo completamente seu rosto, deixando apenas os olhos lilases a mostra.

–Nomeiem a si mesmo e seu negócio em Konoha – ela puxou a tanto das costas, mordendo os lábios pra não rir – Ou então eu vou ter que silencia-los...

Anko alargou o sorriso, as marcas de garras na sua bochecha se recurvaram ameaçadoramente, mas de um jeito que a deixava, inacreditavelmente, ainda mais exótica e atraente. Ela desembainhou sua própria katana, amarrada as costas como uma tanto, enquanto Naruto apenas descansou a mão direita sobre a sakabatou. Os dois com mantos e véus permaneceram em silêncio.

–Eu duvido que você possa nos fazer dizer qualquer coisa que não queremos, ANBU – Anko disse, dando um passo a frente – Saia da frente ou vou te retalhar.

Por um segundo Yugao piscou confusa com a seriedade da amiga, se perguntando se ela realmente não tinha a reconhecido, ou se eram métodos de disfarce muito engenhosos. Suas dúvidas morreram e seu sorriso renasceu quando viu o queixo dela tremer. Anko parecia prestes a ter um ataque de riso.

Não querendo deixar a farsa cair tão cedo, Yugao simplesmente se inclinou para frente, e atacou, girando o corpo e sacando a katana no mesmo movimento, mas não completamente. Anko bloqueou o golpe com sua própria espada, de um jeito que deixava claro que ela não estava muito familiarizada com uma lamina tão longa. Antes que pudesse se retrair e atacar novamente, Yugao empurrou a própria espada contra a bainha, travando a lamina de Anko ali, e apoiando as mãos no chão, envolveu suas pernas em torno da cabeça dela, arremessando-a com força para cima. Anko sentiu os pés deixarem o chão, mas antes que pudesse sentir a queda, se viu amparada nos braços de Naruto, que pulou e a agarrou, parando agarrado com chakra a uma parede.

Quando ambos se voltaram para olhar, um dos vultos tinha uma lamina no pescoço.

–Eu ganhei! – Yugao riu, tirando a máscara – Se vocês fossem guarda-costas, seriam um lixo, e ela já estaria morta...

Anko e Naruto pareceram pasmos por um segundo, até explodirem num ataque de riso.

–Nee-chan, você deve ter ficado mole depois desse tempo todo – Naruto disse – E se ela não fosse exatamente uma princesa, mas apenas um chamariz?

A ANBU de cabelos roxo se preparou para responder, até que a figura envolta em véus se virou abruptamente, colando seu corpo no dela e levantando a cabeça até que pudesse olha-la nos olhos.

–Se fosse esse o caso – ela fez um breve movimento, quase imperceptível com as mãos, e um segundo depois, uma rajada de vento explodiu no beco, tirando toda a poeira do chão – Você estaria morta, Yugao-san...

A ANBU estava prestes a responder, quando sentiu o ar faltar aos pulmões. Ao mesmo tempo, uma dor aguda no seu estomago pareceu percorrer todos os seus músculos, e ela, involuntariamente, largou a tanto, caindo de joelhos no chão. Antes que pudesse se assustar com a repentina falta de ar e falta de força, o vulto levantou sua cabeça, e acertou mais uma série de pontos no seu estomago, e o que foi uma porta pareceu se abrir novamente dentro dela, permitindo que o ar corresse pelos seus pulmões e o chakra e sangue pelos seus músculos.

Sem perceber, uma gota de suor lhe escapou da testa, correndo em torno da sua têmpora, até a bochecha, oculta pela máscara.

–O que foi isso?

–Tsubaki no mai... – Naruto disse, voltando ao chão – A dança da camélia, Hinata aprendeu muito bem.

A garota dos véus retirou a camada que cobria seu rosto e abriu um largo sorriso, que ela nunca imaginou que apareceria no rosto daquela princesinha tímida dos Hyuugas. Ao mesmo tempo também, ela inclinou o corpo para o lado, abrindo os braços, como que se curvando a uma plateia imaginária, ou se equilibrando encima de uma bola, foi bem difícil de descrever por sua visão falhar por um momento antes de voltar ao que era antes, mas fosse o que fosse, caía bem nela.

–OK... vou atualizar minha lista de prioridades – Yugao listou, caindo sentada – Número um: Nunca pegar leve com nenhum amigo do Naruto, são todos monstros insanos iguais a ele.

–Isso me magoa...

Ela riu, o puxando para um abraço, ainda sem sair do chão. Naruto levantou sua máscara e deu um beijo no seu rosto, a apertando num abraço carinhoso.

–Eu senti sua falta Yugao – ele disse, num tom de contentamento tão sincero que lágrimas brotaram do rosto da ANBU.

–Eu também Naru-chan... – ela levantou o rosto acima do ombro dele, e se deparou com a careta de Anko – De você também Anko-chan!

Anko tentou manter a careta, mas ela caiu por terra enquanto ela voou no abraço, deixando um beijo leve nos seus lábios que ruborizou Hinata até a raiz dos cabelos. Se, por qualquer motivo, Yugao pensasse que aquela era uma impostora, a suspeita teria sido esmagada agora, só Hinata corava daquele jeito.

–É, como sempre, me ignorem mesmo – Kiba bufou, arrancando os véus azuis e tirando o manto as pressas, quase tropeçando no processo – Será que ninguém sentiu saudades de mim?

–Mas nós estávamos com você esses meses todos Kiba-kun – Hinata disse agradavelmente.

–É, e sinceramente, nós não te conhecemos tanto pra eu me importar com você – Yugao disse, com um sorriso gentil e uma sinceridade brutal – Mas eu ouvi dizer que Tsume-sama esta tão zangada que iria arrancar o couro das suas costas quando você voltasse...

–Droga, mamãe! – ele gritou, olhando desesperadamente pros lados – Eu vou vazar, jaa ne!

E sumiu, apenas parando pra dar um beijo rápido em Hinata. Yugao piscou surpresa e olhou pros lados, mas qualquer sugestão do seu chakra tinha desaparecido.

–Esses garotos melhoraram...

–Você nem imagina Yu! – Anko disse – Eles fizeram muito bem no treinamento, mesmo aquele vira-lata molestador, eles vão ser chunnins com certeza!

–Ora... você ainda esta brava com ele por ter espiado a gente?

–Não é só por isso... – ela corou bonitinha e olhou pra Naruto com o canto dos olhos, balançando encima das solas dos pés – Ele tentou me beijar enquanto eu dormia, isso é muita sem-vergonhice...

–Na verdade, foi você que o beijou... – Hinata acusou, com uma sobrancelha levantada.

–Repita isso olhos de lua!

–Você o beijou, sua tarada maluca!

–Ah, eu vou te fazer sentir tanta do... AI! – ela segurou o calo recém-formado na cabeça e voltou os olhos para o namorado, com lágrimas nos olhos – Por que fez isso?

–Por que vocês duas iam ficar brigando o dia inteiro – Naruto disse, e então abriu um largo sorriso – Além disso, nós estamos com o horário apertado, melhor irmos logo para Torre Hokage e deixarmos Yugao trabalhar.

–Ma, ma, você tem razão – Anko pulou nos braços da garota – Eu vou te ver mais tarde Yu-chan, se quiser compartilhar a cama com o Naruto, venha de noite tá? Até mais...

Ela e Naruto desapareceram num flash de movimento, deixando apenas Hinata e a ANBU, agora corada até a morte, no beco.

–Bem, eu devia voltar também – ela se curvou – Foi um prazer te ver novamente Yugao-san, desculpe pelo golpe no estômago.

–Ah, tudo bem, eu que comecei com a brincadeira mesmo, fico contente de ver que você melhorou tanto.

–Obrigada, mata ne.

–Jaa – Yugao sorriu, enquanto a garota desaparecia num shunshin de respingos d’água. Se levantando, ela vestiu a máscara e sorriu para si mesma, se espreguiçando – As coisas voltaram ao normal, até que enfim...

De volta a entrada da vila, no entanto, um par de rostos conhecidos chamou a atenção de Yugao, que tinha voltado a sua tarefa de vigia. O primeiro foi um que ela nunca tinha visto pessoalmente, apenas ouvido falar. A aparência deles batia perfeitamente com as descrições de Naruto, e ele era um grande contador de histórias, tinha de ser eles.

Um deles era um homem, mas era tão bonito que parecia arrancar suspiros de todas as mulheres por onde passava. Ele tinha feições altivas e nobres, mas faltava e muito toda a frieza e arrogância características de um. Na verdade, enquanto olhava em volta, ele parecia tão impressionado e ansioso quanto qualquer um dos camponeses ou mercadores que vinham ver os exames chunnin com intenção ou não de vender seus produtos. Com cabelos azuis longos, presos num rabo de cavalo, e um sorriso que parecia colado no rosto, ele não podia ser outro senão Ryuzen, um dos principais nobres da corte do Senhor do fogo.

Então, isso significava que aquela com ele era...

Yugao engoliu em seco, sentindo o rosto ruborizar contra a vontade enquanto a olhava. Ela estava com um lenço em torno da cabeça e um véu cobrindo-lhe a parte inferior do rosto, deixando apenas os olhos angulosos de fora. Por um segundo, apenas um segundo ela tirou o véu da frente do rosto e sorriu, olhando ao redor, parecendo muito esperançosa com algo, e nesse mínimo prazo de um segundo, Yugao poderia ter se apaixonado perdidamente por ela. Seu rosto estava além de qualquer padrão de beleza que ela tivesse em mente. A ANBU se achava, em toda a sua modéstia, bastante bonita, com uma pele clara e cabelos roxos, mas aquela garota era simplesmente deslumbrante. A pele dela parecia puro cetim, quase brilhava na luz, e aqueles olhos, angulosos e cobertos de negro pareciam duas ametistas pairando no ar. Quando os lábios se recurvaram num sorriso ansioso, ela pode ver duas fileiras de dentes perfeitamente brancos, e um pedacinho de língua, que ela podia jurar que tinha um gosto sensacional se colocada num beijo.

Sacudindo a cabeça para se livrar das suas divagações, ela fixou os olhos nos dois, deixando a tarefa de catalogar os rostos em um dos cantos mais automáticos da sua mente. Seu parceiro bambeou ao seu lado, e ela acertou-lhe uma cotovelada forte na caixa torácica, para sair do transe que ela mesma tinha caído um segundo mesmo.

Duas coisas ocorreram enquanto observava Lafiel:

Se ela causava aquela reação em todos a sua volta, não era de esperar que usasse um véu para cobrir o rosto.

E segunda, se ela realmente investisse em Naruto, Anko muito provavelmente não teria nenhuma chance.

Hinata apareceu num shunshin próximo ao complexo do seu clã, e fez o resto do caminho a pé. O dia estava tão bonito, com o céu quase que completamente livre de nuvens, e um sol gigantesco banhando a copa das árvores com luz quente, mas ainda sim deixando o ambiente fresco. Ela focou sua audição e ouviu o canto dos pássaros nas árvores do composto, assim como o ruído de movimento das pessoas em torno da cidade, comprando coisas e deixando lugares reservados nos vários hotéis da vila. Tudo era tão vivo, tão bonito, que ela pulou alguns passos da caminhada, dançando lentamente, mas sem se mover muito.

Quando chegou aos portões do clã, os guardas franziram o cenho para a garota estranha que parecia girar e saltitar no lugar, cantarolando qualquer coisa baixinha enquanto pulava até ali. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, ela puxou o véu pra baixo e abriu um sorriso radiante.

–Oi pessoal, eu voltei!

–Ahh... Hinata-sama? – disse um deles, tentando pescar naquela garota estranha traços da Hinata que ele vira crescer. Os cabelos estavam mais longos, de um jeito quase bagunçado, mas ainda sim charmoso, e os olhos sempre tão tímidos estavam praticamente brilhando em felicidade – É a senhorita mesmo?

–É claro Kokuo! – ela pulou e o abraçou, o deixando mortificado no lugar – Você também Shen!

O segundo guarda tentou se curvar, mas se viu envolto num abraço carinhoso, enquanto a garota acenava pra eles e corria para dentro do clã, abraçando a todos que encontrava pelo caminho.

–Será que era ela mesma? – Kokuo disse, franzindo as sobrancelhas – Quer dizer... Hinata-sama parece... diferente?

–Meus parabéns, você ganhou o prêmio pelo eufemismo do ano – Shen completou – Seja lá o que houve fez bem pra ela...

–Será que ela... – Kokuo corou em vermelho vivo.

–O que? – Shen apontou a lança pra ele, de brincadeira – Você esta pensando obscenidades com a Hinata-sama não é? Eu concordo que ela esta bem bonita, mas se o Hiashi te pegar dizendo isso...

–Baka yaro, ela é uma criança – o outro guarda empurrou a lança pro lado – Mas eu só vi mulheres ficarem felizes assim por um motivo...

–Ah é?! Qual?

–Bem... quando elas estão grávidas.

Ambos coraram em vermelho vivo, e voltaram os olhos rigidamente pra frente.

–Não é da nossa conta...

–Concordo.

Hinata passou cômodo a cômodo, até encontrar o pai sozinho, no seu próprio escritório, tomando chá. Ele parecia ter voltado a mesma frieza de sempre, mas em vez de se conter, dessa vez Hinata atravessou o cômodo correndo e pulou no colo dele.

–Papai, eu voltei! – ela disse, apertando o abraço em torno do seu pescoço – Você ficou com saudades?

Hiashi bambeou por alguns segundos entre suas duas personas, e por um momento Hinata não soube se ele ia abraça-la de volta ou dizer que seu comportamento era inadequado para uma herdeira do clã, e toda aquela lenga-lenga. Para sua felicidade, no entanto, ele pareceu ter pendido para o lado “pai coruja” do muro, e a abraçou de volta.

–Ahh, eu senti tanto a sua falta filha – ele disse – Hannabi também, ela ficou falando de você e do “Ouji-sama” o tempo todo em que vocês estiveram fora.

–“Ouji-sama”?

–Ora... O Naruto-kun.

–Ahh... – Hinata assentiu, então riu – O senhor esta brincando, ela...

Hiashi concordou com um dar de ombros entristecido.

–Ao que tudo indica sim, sua irmãzinha é lésbica...

–Ahh? Eu ia perguntar se ela tinha se apaixonado pelo Naruto.

–Então, ele se parece com uma menina... qualquer garota que game nele deve ter atração em algum nível pra outras mulheres.

–Isso é maldade tou-san...

Hiashi riu baixinho.

–Bem, isso não importa – ele a tirou do colo, com a mesma facilidade que se tira um filhotinho de gato, e a pôs sentada ao seu lado – Eu quero saber tudo sobre o seu treinamento, todos os detalhes.

–Eu vou contar – ela o acalmou com um aceno de cabeça – Mas quero que o senhor me teste primeiro.

–Testar?! Por quê?

–Naruto-sensei é... bem, um tanto ortodoxo na sua forma de treinar as pessoas – ela disse com um sorriso de canto – Mas eu posso garantir que os resultados foram ótimos, então queria fazer um teste primeiro...

Hiashi acenou, então piscou surpreso por um segundo, antes de um sorriso ir brotando levemente dos seus lábios.

–Bem... pelo menos sua personalidade melhorou bastante, você parece mais confiante.

Hinata teve a graça de corar.

–Ah, eu pareço? – ela pescou uma mexa dos cabelos nas mãos, a alisando distraidamente – Eu não tinha percebido isso...

–Boba... muito bem, vamos testar você... que tal sua irmã?

–Eu iria sugerir um chunnin, se o senhor não se importar.

–Bem... se acha que esta a altura.

–Eu vou te deixar orgulhoso papai – ela sorriu de forma radiante, e Hiashi teve que se conter muito pra não explodir em lágrimas, gira-la num abraço e contar pra Konoha toda o quanto seu bebe tinha crescido.

–Muito bem então, vamos... – ele indicou a porta, e Hinata o acompanhou.

Kiba entrou de mansinho em casa, acenando pra que os cachorros ficassem quietos, enquanto acenava pra Akamaru segui-lo. A porta da cozinha rangeu levemente, e ele trincou os dentes e conteve um arrepio, olhando para sala completamente vazia. Por um segundo, ele se sentiu numa cidade fantasma, entrando dentro de um salão empoeirado, mas sua casa estava sempre muito limpa pra ser comparada a um. O cheiro de Hanna e Tsume estava ali, mas nenhuma delas estava próxima. Com um sorriso aliviado, Kiba pisou o primeiro degrau.

Antes de ser atingido por um objeto voador não identificado e voar para fora do quintal, rolando pelo chão até dar com as costas numa árvore. Ele tentou levantar os olhos pra olhar quem quer que fosse que o tinha atirado longe daquele jeito, e deu com o rosto sorridente da sua própria irmã mais velha, sentada no seu colo com os braços envolta do seu pescoço.

–Bem vindo de volta otouto, como foi o treinamento?

–Hanna...? – ele a olhou de cima abaixo – Você parece... feliz.

–Ei, eu sempre estou feliz!

–Sim, mas... você parece mais.

–Ah, depois eu te conto por que – ela pulou de pé e o puxou junto – Então, como foi o treinamento?

Kiba sorriu largamente, puxando a manga da blusa pra cima e exibindo o bíceps, bem mais definido e cheio que antes.

–Foi ótimo! Naruto é um monstro insano e eu quis mata-lo mais vezes do que posso contar nesses cinco meses – Kiba riu com gosto, contrastando com o que estava dizendo – Mas no fim valeu a pena, eu aposto que já posso te vencer numa luta mana!

–Ah, vai sonhando – ela riu – Eu acho que você devia fugir enquanto pode, a mamãe já esta quase... ah, desculpe, tarde demais...

Kiba franziu as sobrancelhas, sem entender, até ser atingido por outra pessoa voadora não identificada, rolar por bons cinco metros e parar recostado em outra árvore, com precisão milimétrica a da última vez.

–Kiba... – Tsume o pegou pelo pescoço, o esganando e dando com a cabeça dele na casca da árvore repetidas vezes – Eu vou te matar garoto! Como você pode roubar toda a comida da dispensa? Tinha carne ali pra durar três meses! E o dinheiro? Eram trezentos mil yenes, o que você achou que fosse fazer com tudo isso?

Ela parou de enforca-lo por um segundo, pra que ele pudesse responder. Kiba tossiu um pouco antes de dizer, entre fungadas de ar:

–Bem... eu comprei uma roupa nova e...

Tsume voltou a esgana-lo.

–Idiota! Idiota! – ela parou de bater nele por um segundo, e então o puxou pra um abraço apertado – Ah, eu estava sentindo sua falta filhote, tudo aqui é tão silencioso sem você...

Akamaru latiu, meio emburrado, e Tsume sorriu, afagando suas orelhas grandes.

–Você também Akamaru, desculpe.

Tsume se levantou, se espreguiçando e deixando Kiba no chão, ainda com falta de ar.

–Eu comprei o que você pediu Hanna – a matriarca dos Inuzuka deixou uma sacola cheia de compras com ela – Embora eu não tenha ideia o que você vai fazer com isso...

–São legumes oras, eu vou cozinhar...

–Cozinhar? – Kiba se levantou – E por acaso você sabe fazer isso?

Uma veia saltou na testa da garota, e ela o mandou de volta pro chão com um soco na cabeça.

–É claro que eu sei! – ela corou bonitinha e se remexeu no lugar – Ao-kun tem um gosto muito refinado, sendo um nobre, então eu quero impressiona-lo com uma excelente comida caseira...

–Ao-kun? – Kiba gemeu, se levantando e esfregando a cabeça.

Hana corou, e foi Tsume que se voltou pra responder, com um sorriso nos lábios pintados.

–É o novo namorado da Hana.

–Novo namorado? – Kiba riu – E por acaso ela já teve um?

Dessa vez foi Tsume que o mandou pro chão com um soco.

–Venha, deixe o bocó do seu irmão com os cachorros – Tsume puxou a filha pelo braço, enquanto Hana mostrava a língua pra ele – Ele vai chegar logo, então eu vou fazer sua maquiagem.

–Obrigada mamãe.

Akamaru observou as duas se distanciando, e se voltou pro parceiro, ainda estatelado no chão com dois calombos visíveis na cabeça.

“Você bem que podia ser mais sensível...”

–Cale a boca... – Kiba resmungou, afagando os calos – Eu era melhor apreciado naquela floresta, pelo menos a Anko não ficava me acertando de hora em hora...

–É por que ela e o Naruto passavam a maior parte do tempo na cabana – Akamaru sugeriu, com um sorriso inocente – ou no lago, nadando nus... O que eles tanto faziam nus, um com o outro afinal?

–Eu te conto quanto for mais velho...

Naruto e Anko apareceram num flash de movimento bem em frente a secretária do Hokage, que estava lixando as unhas distraidamente. Assim que Anko a viu conteve uma careta, a lembrança daquele beijo roubado ainda a incomodando.

–Nyoko-dono?

–Ah, Naruto-kun – ela se levantou, parecendo muito contente com qualquer coisa – Eu soube que você ficou cinco meses treinando fora da vila, pelo visto era verdade.

O garoto concordou com um sorriso envergonhado, esfregando distraidamente a nuca.

–E você é...

–Eu sou a namorada dele – Anko agarrou um braço de Naruto e se apertou ferozmente nele – Nem tente rouba-lo de mim!

–Ah, não se preocupe – Nyoko sorriu agradavelmente, pegando os dois documentos que Naruto a estendia, e digitando algo rapidamente, com uma única mão – Eu nem sonharia com isso, Anko-san.

–Sei... eu não confio em você.

–Que maldade...

–Esta vendo! – Anko apontou o indicador bem em frente ao seu nariz, e por um minuto a secretária ficou vesga tentando focar ambos os olhos nele – Você age igualzinho a ele, é como se fossem irmãos perdidos, então você vai tentar rouba-lo de mim com esse papinho de “onii-chan”, e como todo homem tem uma tara secreta por irmãzinhas lolis o Naruto vai escapar dos meus braços.

–Pra uma mulher tão forte você é bem insegura Anko-san – Nyoko puxou uma pilha de papéis de qualquer canto e os abraçou, quando caíram, parecendo ter arquitetado o gesto todo apenas pra mostrar como ela era fofa – Eu só dei um beijinho nele por que ele é fofinho, não precisa ficar zangada...

Ela então pareceu pensar por um segundo, e largou a pilha de papéis na mesa, pulando por cima dela e, totalmente de surpresa, beijando Anko delicadamente nos lábios.

Kyuubi rolou os olhos, divertido, mas tratou de parecer envergonhado do lado de fora.

–Viu, só um beijinho – ela sorriu largamente, enquanto Anko corava levemente – E ele não esta reclamando... Será que você é um daqueles namorados liberais, Naru-kun?

O garoto acenou os braços a frente do rosto, parecendo devidamente constrangido.

–Só com outras garotas – ele disse, e então riu consigo mesmo – Desculpe por parecer apressado Nyoko-dono, mas nós temos que ver o Hokage...

–Ah claro, vocês podem entrar se quiser, só não se esqueçam de passar aqui quando saírem para assinar a lista, é pura burocracia, chato mesmo.

–Claro, com licença.

Os guardas ANBU na porta do Hokage se curvaram a ambos quando passaram, e um deles até acenou, ao que Naruto e Anko retribuíram amigavelmente. No meio do corredor eles se deram as mãos, parecendo satisfeitos só em estarem um com o outro.

–Nós não tivemos muito tempo sozinhos ultimamente, né Naru?

–Eu não diria isso, passamos cinco meses sozinhos...

–Bem, Hinata e Kiba estavam lá.

–Isso não nos impediu de aproveitar – Naruto a puxou num corredor qualquer, que parecia deserto – Como agora...

Anko sentiu um comichão agradável entre as pernas, enquanto um dos braços de Naruto escorregava pelas suas costas, e com o outro ele passava uma mecha de cabelos pra trás da sua orelha, beijando levemente a curva do seu pescoço com a clavícula.

–Você sempre parece tão bobo, mas é tão ousado Naru – Anko disse, o olhando nos olhos, nos últimos meses ele tinha crescido até estar exatamente na sua altura, pouco mais alto que a média de shinobis da sua idade, emparelhado apenas com Kiba – Você não vai realmente me pegar aqui vai...?

–Hummm... – ele parou de beija-la por um segundo, e trouxe os lábios até que estivessem a um fio de cabelo de distância dos dela – Você iria me impedir?

Anko avançou e o beijou.

–Não... – ela mordeu o lábio dele levemente, antes de beija-lo de novo, mais profundamente que antes – Eu já disse que amo você?

Naruto abriu os olhos, e então o sorriso. Encostando a testa na dela, ele segurou suas mãos e a envolveu num abraço.

–Não... Hoje ainda não – ele beijou seu rosto, e então seus lábios, ficando nariz a nariz com ela – Eu te amo.

–Eu também te amo tanto – Ela pulou encima dele, quase o derrubando pra trás pela surpresa, e envolveu suas pernas nas suas costas, e os braços no seu pescoço – O Hokage esta esperando a gente...

–Sim...

–E não devemos nos atrasar...

Naruto a levou por todo o caminho pelo corredor, até achar um banheiro vazio.

–Não...

–Mas nós vamos né?

Naruto tirou seu casaco, e o deixou cair, alisando suas cicatrizes e beijando o vale dos seus seios.

–Se vamos...

Pouco mais de uma hora depois, ambos estavam caminhando, lado a lado, até o escritório do Hokage. O sorriso espelhado dos dois parecia querer rasgar seus rostos no meio. Assim que chegaram na sala, Anko bateu na porta, e após uma confirmação, entraram.

A primeira coisa que ambos notaram, ou pelo menos Anko notou, já que Naruto estava momentaneamente sendo esmagados pelos peitões dela, foi Mei. Fora isso, Zabuza também estava no escritório, sentado com as pernas e os braços cruzados em uma das poltronas a frente da mesa do Hokage, que no caso, estava rindo baixinho com ele mesmo.

–Mei-chan? Zabuza? – Anko perguntou – O que estão fazendo aqui?

Mei pareceu finalmente ter matado as saudades do seu general, e o soltou, o deixando bambeando sem ar no lugar enquanto avançou pra abraçar Anko.

–Ah, eu senti tanta falta de todos vocês, e só foram cinco meses! – ela soltou a garota, que riu também, e apontou pro espadachim – Zabuza também estava morrendo de saudades!

–Não estava!

–Ué, então por que esta aqui? – Naruto levantou uma sobrancelha.

O tom no rosto do espadachim pareceu passar o vermelho, e chegar até um púrpura que era quase azul, enquanto ele se contorcia de raiva, quase a ponto de mastigar as bandagens em torno do rosto.

–Culpe Chojuro por isso – Mei riu – Longa história curta: Zabuza usou um truque pra escapar do trabalho de ser Hokage enquanto eu estava aqui em missão diplomática, e colocou Chojuro no lugar, e em troca Chojuro...

–Ele me condenou a danação eterna!

–Não seja dramático Zabuza – Mei retorquiu, cruzando os braços embaixo do enorme decote, quase fazendo seus seios saltarem pra fora, pra alegria de Sarutobi – Ele só te colocou como sensei de um time gennin...

–E isso não é a danação eterna?! – ele se levantou, exasperado em fazer as pessoas entenderem seu ponto – Eu tenho que ficar vinte e quatro horas por dia vigiando um bando de filhotes remelentos que nem sabem segurar uma kunai direito!

–Não seja tão mal Zabuza – Anko sorriu amigavelmente – Você vai acabar se afeiçoando a eles quando menos esperar...

–Mas apenas com cinco meses de treinamento, você acha que é o suficiente pra competir nos exames Mei-sama? – Naruto perguntou.

–Ah sim, eles treinaram bastante e tenho certeza que vão fazer Zabuza orgulhoso...

–Como se eu ligasse...

–Além do mais, todos estão muito ansiosos pra te conhecer Naruto, você fez um bocado de fãs no meu país.

–Eu? – ele pareceu agradavelmente envergonhado, com um leve tom de vermelho na ponte do nariz – Eu só fiz o que era certo.

–Por isso mesmo – Mei sorriu – Bem, eu tomei muito do tempo do Hokage-kun, então vou dar um passeio e ver como estão a Kurenai e os outros, mata ne.

E, antes de sair, ela mandou um beijinho pro Hokage, que riu como um boboca. Naruto e Anko se entreolharam e riram um com o outro, e só então ele pareceu ter recuperado a compostura, se sentando novamente e tentando tirar o rubor do rosto com uma tosse fajuta.

–Bem... Eu vejo que vocês voltaram no tempo exato que disseram que voltariam – Ele dispensou um sorriso orgulhoso que Naruto retribuiu- Como foi o treinamento Naruto-kun?

–Eu diria que... mais que satisfatório – ele alargou o próprio sorriso, e Anko concordou com um aceno de cabeça quando o Hokage pediu discretamente sua opinião – Hinata é um gênio além da imaginação, com o devido tempo e esforço, ela pode se tornar uma mestra em taijutsu no mesmo nível que Gai-sensei.

–Ao mesmo nível que o Gai, você diz? – Sarutobi engoliu em seco, imaginando a garota pulando por aí com um colante verde... Apesar que, não era tão ruim, mulheres Hyuugas eram famosas por serem incrivelmente bem dotadas, e Hinata parecia se sobressair ainda mais nesse quesito que suas parentes, imagina-la com vinte anos, muito mais desenvolvida e usando um colante quase arrancou um jato de sangue do seu nariz – Você certamente esta exagerando...

–Não, eu estou falando sério, ela tem um talento monstruoso em taijutsu, mesmo em cinco meses eu consegui ensinar muitas coisas pra ela...

–Que tipo de coisas?

–Humm... Tai chi chuan, uma nova forma de se mover baseado em movimentos musculares, ou a técnica de vetores, que era muito usada por espadachins, e também...

–Espere, como aprendeu todas essas coisas?

Naruto sorriu, os olhos passando levemente do azul safira para um vermelho quente feito fogo.

–Eu tenho o melhor de todos os professores dentro de mim, o senhor esqueceu? – Naruto perguntou, rindo internamente em louvor próprio ao se chamar de “O melhor dos professores”, não era um exagero tão grande assim. As pessoas aprendem muitas coisas com o tempo, mas as lições de Guerra também são insubstituíveis.

–Ahh sim, eu esqueci do seu... “Amiguinho peludo”.

Naruto só pode rir de felicidade.

–Ah, e Anko... eu nem preciso dizer que você sumiu por cinco meses sem dar nenhuma explicação pra ninguém, assim como Kiba-kun, não é?

A garota piscou surpresa, e então se encolheu no próprio lugar.

–E-Eu... bem...

–Parece que insubordinação – ele abaixou a cabeça nas mãos, por pouco não escondendo o sorriso no rosto – Esta virando um hábito dos meus shinobis, você esta corrompendo todos eles Naruto.

–Desculpe – ele disse, sem parecer nem um pouco arrependido – Mas ela voltou bem mais forte Hokage-sama, claramente a nível jounnin.

–Ei, eu já era nível jounnin!

–Na verdade te faltava um pouco de variedade para isso amor – Naruto disse – Você só usava armas, venenos e cobras...

–Olha quem fava, “Sr. Eu-não-preciso-de-nada-alem-da-minha-espada”.

–Não, eu apenas uso Rurouni no seishin mais frequentemente, não é como se não tivesse mais nada no meu arsenal...

–Eu nunca te vi usando nada, pelo que sei você nem sabe como jogar uma kunai...

–Eu nunca aprendi técnicas de assassinato Anko, você sabe disso...

O Hokage tentou se meter na discussão, mas depois de receber um par de olhares assassinos, ele decidiu que era muito mais saudável deixa-los resolverem seus próprios problemas.

–Sim, mas e quanto a manipulação Elemental?

–Eu posso usar fuuton e doton perfeitamente, obrigado – ele listou, com um sorriso propositalmente convencido – Além disso, eu estudei selos por conta própria e sou perito neles, apesar de não ser um mestre, e se eu ensinei taijutsu a Hinata, quer dizer no mínimo que eu sei algo sobre isso, não é?

Anko mordeu os lábios, o rosto avermelhando levemente.

–Ah é? Seu... bobo!

Naruto riu e a abraçou, seu sorriso se alargando ainda mais quando ela virou o rosto, emburrada, pra olhar para parede.

–Você sabe que é uma kunoiche incrível Anko, não precisa ficar com raiva – ele disse – Aposto que nem Orochimaru poderia ir contra você agora.

Isso pareceu quebrar qualquer defesa dela, e Anko sorriu brilhantemente.

–Sério?

–Claro, se estivermos juntos então, vamos despacha-lo pro inferno facilmente – ele riu e a puxou pro seu colo – Mas como eu não mato, você que vai ter que dar cabo dele...

–Ah, eu posso fazer isso facilmente – ela riu, quase como se a ideia a excitasse sexualmente – Obrigado Naru, você sempre sabe o que dizer.

–Ahan... – O Hokage levantou uma sobrancelha, e ambos coraram mortalmente ao notar o que estavam fazendo – Eu acredito que você me deve um relatório, Anko...

–Ei, por que eu?! Naruto é que treinou Hinata!

–Você que fugiu sem avisar.

–Droga...

–Não se preocupe com isso Anko, eu vou fazer o almoço enquanto você cuida disso – ele se abaixou e a beijou levemente, arrancando um suspiro de satisfação da namorada – Vejo o senhor amanhã Oji-sama.

–Até logo.

Naruto estava pra abrir a porta quando em uma pancada, ela foi aberta a força, batendo na parede. Anko se levantou de imediato, sacando duas kunais num aperto reverso e se pondo em posição, enquanto o Hokage apenas suspirou. Um garotinho pequeno, usando um cachecol extragrande pro seu tamanho e algo que poderia muito bem ser coador de macarrão coberto de adesivos na cabeça entrou correndo no escritório, sacando um kunai de madeira de algum lugar e apontando pro velhote. Quando estava pra arremessar o projétil duvidoso, ele pisou no seu próprio cachecol, escorregou e foi de cara no chão.

–Acho que algumas apresentações estão em ordem – O velhote disse, com um suspiro resignado – Anko, Naruto, esse é o meu neto, Konohamaru...

–Entendo – Naruto se agachou e puxou o garoto de pé – Você esta bem?

–Quem é você!? – ele perguntou, embora soasse muito mais como uma afirmação – Foi você que plantou a armadilha né?

–Do que esse garoto esta falando? – Anko cochichou para o Hokage, que abaixou o próprio chapéu sobre os olhos, envergonhado.

–Você tropeçou no seu próprio cachecol Konohamaru-kun... – Naruto disse, bondosamente – Se fosse você cortaria um pedaço, ele é muito longo pra sua altura.

–Orusai! Eu sei que foi uma armadilha – ele tentou atacar o ruivo, que desviou sem nenhuma dificuldade – Me enfrente como um homem de verdade!

–Olha, ele não confundiu Naru com uma garota – Anko disse, parecendo muito surpresa – Esse pirralho tem potencial.

–Isso é maldade da sua parte – Naruto disse, segurando o pulso do garoto e o girando levemente no lugar – Eu não preparei nenhuma armadilha rapaz, você se afundou sozinho...

O pivete estava pra responder quando um vulto negro apareceu na porta em um shunshin de folhas particularmente chamativo. Ele olhou pra dentro do escritório e franziu o cenho ao ver as duas pessoas que estavam lá, junto com o Hokage.

“A prostituta das cobras e o garoto raposa – ele pensou – Melhor tirar Konohamaru-kun daqui antes que ele se infecte com eles”.

–Honorável neto – ele disse, num tom de voz muito respeitoso que achou que o garoto acharia impressionante, obviamente teve o efeito contrário, dada a forma como ele conteve um arrepio de repulsa – Por favor, pare de tentar atacar seu próprio avô, eu já lhe disse que a forma mais rápida de se tornar um Hokage é seguindo as minhas lições, eu sou praticamente um atalho para o poder...

Naruto o olhou por um instante, e então se abaixou até que seus olhos estivessem no nível dos de Konohamaru.

–Ei garoto, esta vendo esse cara – ele apontou para Ebisu – Não escute nada do que ele diz, ele é um idiota...

Anko teve de conter uma gargalhada a cara estupefata que o jounnin fez.

–Não precisa me dizer coisas que eu já sei...

Dessa vez Anko não conseguiu se segurar e explodiu numa risada.

–Ora, como você se atreve, um mero gennin... – Ebisu se conteve pra não dizer demônio – Eu sou um jounnin de alta patente, entendeu? Um grande professor! Qualquer que siga meus ensinamentos pode se tornar Hokage em poucos anos.

–Mesmo?

–É claro! Eu sou um grande gênio na arte de ensinar, não sou como aqueles chunnins estúpidos da academia, que mal conseguem manter seus alunos dentro da sala de aula!

–Então... Ebisu-sensei né?

–Sim, isso mesmo! – ele disse, orgulhosamente.

–Seu aluno acaba de fugir.

–NANI?! – ele olhou em volta, e Konohamaru estava longe de ser vista – Droga, ele fez isso de novo! Com sua licença, Hokage-sama – ele se curvou uma vez, antes de sair gritando aos quatro ventos: “Honroso neto, onde você está?”.

Anko a essa altura estava rolando no chão, com os olhos cheios de lágrimas.

–Eu não sei quanto a habilidade desse cara, Hokage-sama – ela arfou, tentando se controlar – Mas entendo que o mantenha por perto só para dar umas boas risadas, ele é demais!

–Ahh, nem me lembre disso, o conselho insistiu que Konohamaru tivesse um tutor particular a um ano atrás, e pra evitar encrenca eu acabei permitindo isso, mesmo que seja favoritismo flagrante... – ele deu um bom trago no cachimbo – Será que você consegue encontra-lo antes de Ebisu Naruto?

–Sim.

–Então você poderia dar algumas dicas pro meu neto? – ele riu constrangido – Não é uma ordem, se tiver algo pra fazer tudo bem, mas eu acho que você poderia tirar essa ideia de atalho da cabeça dele, ele parece acreditar piamente que existe uma espécie de atalho pra se tornar forte mais rápido...

–Entendo... Eu vou falar com ele – Naruto abriu a janela e colocou um pé no batente – Parece que vamos almoçar fora hoje amor.

–É! Vamos comer Dango!

Naruto riu, desaparecendo num flash de movimento.

Hurizen e Anko ficaram um minuto em silêncio, e antes que a garota pudesse pensar numa boa desculpa pra dar o fora também, o Hokage disse:

–Miratashi Anko... relatório.

“Droga” – Hai, Hokage sama... No começo do treinamento, pelo que Naruto me disse...

Naruto apareceu no galho superior de uma árvore em um simples flash, deixando pra trás um som agudo parecido com um sopro numa flauta. Ele apenas olhou em volta por um segundo antes de encontrar Konohamaru, encostado na grade de ferro que ladeava o rio que cortava Konoha ao meio.

–O que esta te incomodando garoto?

Ele pareceu surpreso pela repentina presença logo atrás de si, e tentou virar um chute, que Naruto segurou com uma única mão, enquanto a outra estava atrás das costas. Um leve olhar sério foi o suficiente pra silencia-lo, enquanto Naruto se recostava na grade, ao seu lado.

–Então... Quer falar sobre isso?

–Por que falaria? – ele respondeu, num tom acusatório – Eu nem conheço você.

–As vezes é bom falar seus problemas pras pessoas, como sempre temos pontos de vistas diferentes, podemos achar soluções que, sozinhos, nunca teriam passado pela nossa cabeça – ele sorriu, estendendo a mão – E o meu nome é Naruto, você é Konohamaru né?

–Sim... você também me conhece – ele resmungou, mas apertou a mão estendida.

–Bem... O Hokage disse seu nome quando entrou no escritório dele...

–Então você não sabia quem eu era antes disso?

–Não tinha nem ideia...

–Mentira!

–Por que eu mentiria pra você filhote? – Naruto sorriu – E sério, você deveria realmente cortar um pedaço desse cachecol.

–Mas ele é muito mais legal assim!

–Pode até ser, mas é pouco prático – Naruto segurou a katana, muito levemente – Acho que um pouco mais curto ficaria ainda mais legal, viu, o que acha?

Konohamaru o olhou sem entender, até notar um corte liso passando pelo cachecol, o deixando cair até a altura do quadril, enquanto o resto estava largado no chão.

–Nossa... – ele praticamente pulou de excitação – Como você fez isso?! Eu nem vi você sacando a espada! Me conte, esse pode ser o meu atalho pra ser...

Konohamaru parou de falar quando sentiu o cabo da katana acertando a sua cabeça, e mais uma vez ele não teve nem ideia de como ela foi parar fora da bainha.

–Idiota, não existem atalhos para ser Hokage!

–Como não? – ele retorquiu, esfregando um galo dolorido na cabeça – Ebisu-baka sempre disse que...

–Se o acha um idiota, por que escuta o que ele diz?

Kononaharu parou levemente de esfregar a cabeça e amaldiçoar o ruivo até o nono inferno, e o olhou como se tivesse duas cabeças por um momento.

–Bem... ele é um jounnin.

–E?

–Como assim e?! Ele é um ninja de elite oras!

–Ser um jounnin não te faz um ninja de elite Konohamaru – Naruto disse – Meu irmão mais velho costuma dizer que nesse mundo existem crianças da sua idade, que são tão fortes quanto jounnins adultos, veja o Mizukage por exemplo, ele tinha apenas quinze anos, e era o shinobi mais forte da Névoa.

–Uau! Com quinze anos?! Isso deve ser um atalho total, eu preciso...

Ele parou de falar quando Naruto o acertou de novo.

–Esqueça esse negócio de atalhos, isso não existe – o espadachim disse, agora severamente – Yagura se tornou forte por que ele treinou incansavelmente, desde quando era mais jovem que você. As coisas nesse mundo são simples filhote, você vai ficar tão forte quanto sua determinação o for...

–Como assim?

–Humm... como eu posso explicar – Naruto pareceu pensar por um momento – Acho que você pode dizer que, simplesmente, se tiver uma meta, só precisa trabalhar para ela. Talento só pode te levar até um ponto do caminho, de lá em diante, você vai avançar por pura força de vontade.

Konohamaru continuou o observando com um olhar vazio.

–Pense dessa forma: Se eu quisesse me tornar um espadachim, iria conseguir isso se só treinasse com kunais?

–Eu... acho que não.

–Sim, da mesma forma, e se eu quisesse me tornar um escritor, iria adiantar alguma coisa passar todo meu tempo pintando quadros?

–Não... claro que não.

–É a mesma coisa, se você quiser se tornar forte, tem que praticar para isso – Naruto explicou, com um sorriso ao ver que o garoto estava finalmente começando a acompanha-lo – É mais complicado que isso, mas reduzindo tudo a uma simples questão, aqueles que continuarem tentando vão sempre se tornar mais fortes do que os que desistirem no meio do caminho, você nunca deve parar de tentar, nunca deve desistir. Tudo se resume a isso quando se busca um objetivo na vida.

Konohamaru acenou com um sorriso, e estava prestes a responder quando uma sombra se materializou atrás de Naruto. O ruivo pareceu notar por que olhou muito levemente pra trás, com o canto dos olhos, enquanto Ebisu levava a mão muito levemente em direção ao seu ombro.

–Essa é a maior bobagem que eu já ouvi na vida – o jounnin sorriu, empurrando os óculos mais acima do rosto – É claro que existem atalhos nesse mundo, e talento é um fator decisivo para aqueles que desejam se tornarem fortes. Por que você acha então que existem tão poucos ninjas rank S no mundo? Poucos tem o talento pra chegar até esse nível, e você, honroso neto, é o filho do filho de um shinobi lendário, o talento corre pelo seu sangue. Se tomar minhas palavras no seu coração e seguir meus conselhos, vai ser Hokage antes que esse garoto se torne chunnin...

Naruto apenas bufou.

–Se você presa tanto esse garoto, jounnin – o ruivo disse, num tom de voz que congelaria aço – Não o chame de “Honroso neto”, ele tem um nome orgulhoso que é...

O som de um assovio passou pela clareira, enquanto Ebisu notou a mão de Naruto na espada. Enquanto se preparava para bloquear qualquer golpe que ele fosse desferir, um tom ardido percorreu do seu ombro para o estomago, e de ambas as coxas para as panturrilhas, e do peito para o braço, e de vários pontos do seu corpo pra outros vários pontos. Ele se contorceu e afastou um ponto, enquanto toda a roupa do seu corpo, exceto a bandana e um par de cuecas infantis, caía em pedaços no chão.

–...Konohamaru!

O garoto observou os retalhos de roupas no chão, enquanto seu tutor particular corria pela vila, cobrindo sua intimidade com o rosto vermelho feito um tomate, e um par de estrelas se acenderam nos seus olhos. Assim que Naruto voltou os olhos pra ele, Konohamaru caiu de joelhos, abaixando a cabeça firmemente no chão.

–Me ensine sensei!

“Droga... parece que arrumei outro pirralho pra cuidar” – ele pensou, mas não conseguiu evitar um sorriso fazer todo o caminho até seu rosto, se levantando acima dos seus caninos.

Sasuke estava fazendo o caminho de volta para o composto do seu clã, que um dia já tinha sido tão cheio de vida e gente, e hoje havia apenas teias de aranha e ratos que faziam ninhos nas casas abandonadas. O lugar todo já havia sido limpo muitas vezes, e de mês em mês alguns gennins contratados pelo conselho apareciam por lá, para limpar as casas e ruas superficialmente, mas mesmo assim, o cheiro de sangue parecia ter infundido na madeira e na pedra, tão fundo que panos com água e álcool não conseguiam remover. Não foi apenas uma vez que ele contemplou a ideia de vender todas aquelas propriedades, derrubar o muro em torno do composto e ir morar em algum apartamento confortável no centro da vila, mas... se sentia simplesmente errado fazer isso, como se ele estivesse deixando pra trás um pedaço dele mesmo, algo a que ele se agarrava dolorosamente, e não queria largar de jeito nenhum.

Uma pessoa mais esclarecida teria dito que era um passo necessário pra esquecer o passado, mas Sasuke... Sasuke realmente não queria esquecer o passado, era isso que o movia pra frente, afinal de contas, se ele esquecesse o que aconteceu, o que Itachi fez com ele e todo o seu clã, qual seria sua motivação pra seguir adiante?!

Ele deixou esses pensamentos fluírem livres por algum tempo, evitando cuidadosamente esbarrar em qualquer fangirl no caminho pra casa, quando ouviu uma risada baixa próxima ao parque. Franzindo as sobrancelhas ele se perguntou se devia ir investigar... não, não tinha por que fazer isso.

No entanto, assim que pensou em voltar pra sua casa e fazer um bom pote de macarrão instantâneo, ele notou que estava na metade do caminho até o parque. Resignado com sua própria curiosidade, ele pulou por sobre um telhado e correu o mais rápido que as pernas dele podiam leva-lo.

O que encontrou fez seu sangue gelar a um nível que ele não se achava capaz, cólera percorreu suas veias como sangue, enquanto a sua visão quase se nublou de vermelho. Sasuke podia ser muitas coisas, frio e egoísta – confere, arrogante e prepotente – também, mas ele realmente, realmente odiava ver crianças sendo maltratadas. Era um dos motivos pelo qual ele ainda tinha uma queda por Naruto, depois de tudo, não que ele fosse contar a qualquer pessoa, e não num sentido romântico, é claro, pelo menos não desde que descobrira que ele realmente era um garoto. Naruto havia sido tão maltratado, e sempre parecia sair por cima de tudo aquilo, sem deixar nada atingi-lo, que ele simplesmente não conseguia evitar de respeitar o garoto.

–Ora, parece que uma baratinha inútil trombou em mim enquanto saía correndo – um garoto disse, pela bandana na sua testa, colada ao capuz, era um shinobi de Suna, provavelmente um gennin que participaria dos exames – Esses ninjas da folha precisam ser ensinados boa educação, depois de tudo...

A criança tremeu toda, um olhar de terror no seu rosto que era muito familiar para Sasuke. Ele o viu no espelho, sempre que se lembrava de Itachi, por quase um ano depois do extermínio do clã.

–Kankurou, idiota – a garota loura ao lado dele disse, ela usava um estilo de cabelo engraçado, mas curiosamente, caía bem nela – Você vai arrumar problemas se sair atacando pirralhos da folha, solte-o!

–Ah, larga de ser chata Temari, se esse é o problema eu preciso apenas esconder seu corpo depois, os exames vão ter terminado antes que alguém o encontre mesmo...

Sasuke trincou o maxilar, puxando uma pedra que apanhara do bolso e a arremessando com o máximo de força que conseguia, sem deixar faltar precisão. Ela acertou bem o nó do dedo indicador de Kankurou, e pelo estalar, provavelmente quebrou sua falange. Com um ruído sonoro, ele largou a criança, que tentou se afastar, enquanto Sasuke aparecia à sua frente.

–Atacar estudantes da academia diz muito dos ninjas de Suna atualmente, ao que parece – ele girou a kunai, num aperto inverso – Eu não estou muito impressionado...

–Tsc... eu vou participar dos exames amanhã seu idiota, como você ousa quebrar o meu dedo – o ninja de Suna urrou, levando a mão às costas – Eu vou te matar!

–Kankurou... – disse uma voz, surpreendente baixa vindo da mesma árvore em que Sasuke estava até um minuto atrás. Ele não deixou transparecer nas suas feições, mas ficou brutalmente surpreso com a capacidade de stelth do garoto ruivo – Você é uma vergonha para a nossa vila...

–G-Gaara... eu só estava...

–Cale a boca ou eu vou te matar – ele disse, sem nem alterar o tom de voz, mas uma explosão de intenção assassina quase botou o garoto de joelhos. A criança escondida atrás das pernas de Sasuke caiu de quatro no chão, com os olhos vidrados – E você... qual o seu nome?

Sasuke se ajoelhou frente a criança, segurando seu rosto pra baixo caso ele fosse vomitar e mandando alguns pulsos de chakra leves pela sua nuca, estabilizando o seu chakra e limpando o melhor possível os efeitos do ki no seu sistema. Não era tão eficiente quanto Ki inverso, e nesse momento ele só pode amaldiçoar sua sorte por Naruto não estar ali.

–Meu nome é Sasuke – ele disse, evitando de propósito, por alguma razão, dizer o seu sobrenome, apesar de ser bem claro pelo símbolo nas costas da sua camiseta – E você?

–Sabaku no Gaara, eu...

Totalmente de surpresa, o garoto caiu do tronco de árvore, levando as mãos até a cabeça e soltando um urro de dor bestial que gelou a espinha de Sasuke. O garoto maquiado e a loura de penteado esquisito correram imediatamente até o seu lado, mas uma onda de areia os segurou no lugar.

–Mãe esta... ansiosa – ele disse, contorcendo a cabeça e parecendo sufocar – Tem alguém... alguém aqui perto que eu devo matar, eu devo...

Ele repentinamente parou de tremer, se levantando e olhando em volta, tão friamente quanto antes.

–...matar – ele terminou de dizer, e então desapareceu num shunshin de areia. Temari e Kankurou imediatamente se olharam, antes de partir atrás dele.

Sasuke até pensou em ir atrás dos três pra tentar evitar qualquer confusão que fossem causar, mas o garoto convulsionando nos seus braços o chamou a atenção. Ele já parecia bem melhor, pelos pulsos de chakra, mas seus olhos ainda estavam levemente vidrados e sua pele estava pálida, gelada.

–Ei, você esta bem?

A criança não respondeu imediatamente, apenas engoliu em seco e permaneceu ajoelhado, e Sasuke, contra todo o seu melhor juízo, ficou com ele. Se passaram vários minutos até que a criança levantou, e só então Sasuke notou.

Era uma menina, não um garoto. Os indícios eram bem sutis, o formato dos olhos e os traços suaves do rosto, mas o que o convenceu mesmo foram os pequenos montinhos na camisa, onde sem dúvida estava um par de seios em crescimento. Ele se pegou olhando e corou, desviando o olhar e encontrando os olhos da menina, meio que cobertos pelo cabelo bagunçado e desigual, caindo pra todo lado como penas amareladas.

–Você esta bem? – ele repetiu, incerto do que deveria dizer.

A criança acenou que sim algumas vezes, e então, totalmente de surpresa, se aproximou dele e o beijou levemente nos lábios. Sasuke sentiu as bochechas esquentando enquanto os lábios da garota, alguns anos mais nova que ele, roçavam nos seus, delicados e suaves. Quando ela finalmente se separou dele, o rosto estava corado num tom bonitinho de rosa, e os olhos bem mais luminosos que antes.

–Obrigada – ela disse, numa voz claramente feminina e muito agradável – Você salvou a minha vida.

Sasuke só pode acenar bobamente, enquanto ela corria de volta para... qualquer lugar que seja. Foram só bons dez minutos depois que ele se levantou completamente envergonhado por estar caído de joelhos no meio de uma praça, e ainda ruborizado, caminhou de volta pra casa.

Konohamaru ainda estava no processo de pular e gritar animado que tinha arranjado um sensei incrível, e que ia dar o máximo de si pra ficar tão forte que o velhote não tivesse nenhuma escolha além de promove-lo a Hokage, e que um dia ele ia mandar até mesmo nele, mas ia coloca-lo numa posição muito foda por tê-lo ajudado a chegar lá. Naruto ouviu tudo com um sorriso de canto no rosto, até que uma explosão de intenção assassina, muito familiar cobriu o ar do lugar. O espadachim agarrou Konohamaru pelo cangote e pulou pro lado, com o máximo que força que tinha, se agarrando com chakra num prédio, enquanto uma onda de areia explodia no lugar onde eles estavam, mandado algumas grades e pedaços de concreto pro rio abaixo, e enchendo o ar de poeira. Konohamaru tentou dizer qualquer coisa, mas Naruto apenas disse pra ficar quieto ali, antes de pular de volta pra onde estava.

“Maravilha, Shukako arrumou um novo Jinchuuriki, e esse consegue ser tão psicótico quanto o último”- ele pensou consigo mesmo, observando o sorriso maníaco do ruivo e a quantidade nada saudável de veias enchendo seus olhos de sangue. Logo atrás dele apareceram mais dois shinobis, um Titereiro, ao que tudo sugeria, e uma ainda mais clara usuária de vento. Naruto ordenou rapidamente essas informações na sua mente, caso tivesse que lutar contra os três de uma vez.

–Ei Gaara, você não devia estar fazendo isso, nós... – o gennin de preto tentou dizer, mas uma onda de areia o mandou cambaleando pra trás, com um leve sangramento no rosto.

–EU VOU MATA-LO! – Ele gritou, e então caiu de joelhos, ao que parece, de dor – Eu vou mata-lo, mãe quer que eu o mate! EU VOU MATA-LO!

Temari se afastou, arrastando Kankurou com ela. Quando o garoto tentou se aproximar ela o segurou mais forte, dizendo que só iam piorar a situação se entrassem no meio.

–Deixe que ele mate essa garota – ela disse, irritando Naruto tanto por ser confundido, de novo, com uma menina, quanto por ser tão subestimado – Nós podemos nos explicar depois, é só dizer que ele atacou primeiro, se nós três confirmamos isso não vai dar problema...

“Tsc, ninjas de Suna já foram mais perspicazes” – Kyuubi murmurou consigo mesma, segurando a espada firmemente, sem, contudo tira-la da bainha – “Lutar contra Shukako é um saco, mas não chega a ser um problema”

Gaara atacou novamente, parecendo completamente irracional enquanto ordenava uma onda de areia, tirada debaixo do concreto, seguir em direção ao ruivo. Naruto teria desviado facilmente, se não tivesse notado um detalhe em especial.

Temari e Kankurou tinham visto Konohamaru, observando tudo do alto da sacada do prédio, e enquanto ele apontava pro garoto, Temari sacava uma kunai, se preparando para pular. A visão de Naruto se encheu de vermelho de uma só vez, e em vez de desviar da onda de areia, ele cobriu o corpo com o seu chakra comprimido e avançou pra cima dela, cruzando os braços a frente do rosto e se lançando tão forte quanto podia pra frente. A areia de Shukako era forte, você tinha que admitir, mas ele podia arrebentar montanhas avançando daquele jeito.

Gaara pareceu, mesmo no seu estado insano, muito surpreso quando o ruivo de quimono avançou através do seu ataque, apenas com alguns ferimentos mínimos nos braços expostos e cortes na roupa. A espada já estava desembainhada, e, antes que ele pudesse sequer se defender, estava apontando fixamente na sua jugular, tão firme que ele não teve nenhuma dúvida de que ia morrer se sequer se mexesse. Shukako ficou em silêncio, repentinamente, ele ficou tão calado quanto um cachorro fica, com o rabo entre as penas, diante de um lobo muito maior que ele, aquele tipo de habilidade inconfundível, ela tinha nome.

E o nome era Guerra.

Naruto desapareceu num flash de movimento assim que desarmou Gaara, aparecendo na mesma sacada que Konohamaru estava e colocando o corpo do ninja de Suna a frente do ataque de Temari. Ela estava pronta pra atacar o garoto, mas assim que viu seu irmão na frente, imediatamente largou a kunai e deu um passo pra trás, fazendo um movimento muito leve pra sacar o leque.

A espada penetrou alguns centímetros na carne, arrancando sangue que escorreu devagarinho por cima da camada de areia, manchando suas roupas. Mesmo sendo ferido pela primeira vez, Gaara não deu um pio, Shukako estava praticamente ganindo agora.

Temari entendeu e levantou ambas as mãos, caindo de joelhos.

–ok, pare, por favor, por favor, não o mate – ela disse, e lágrimas aos poucos cintilaram nos seus olhos – Eu faço o que você quiser, pelo amor de Deus, não o mate!

–Eu não vou mata-lo – Naruto disse, sem afrouxar a katana, no entanto – Se, e somente se, vocês fizerem exatamente o que eu mandar...

–Nós fazemos, eu juro, fazemos...

–Peque o seu amigo maquiado – Kankurou sequer pensou em retrucar dessa vez, mas que era pintura de guerra, isso era – E vá até a torre Hokage...

–Nós...

–JÁ!

–Tudo bem! – Temari se afastou levemente, pulando para o chão e puxando o irmão com ela – Vamos!

–Eu...

–Ele derrotou Gaara como se não fosse nada! – Temari disse, não tão baixo – Não temos chance contra ele, vamos logo pelo amor de Deus Kankurou!

O Titereiro enviou mais um olhar mortal na sua direção, antes de seguir a loura. Naruto os observou até desaparecerem pelos telhados da vila, em direção ao prédio do fogo.

–Konohamaru...

–Sensei, isso foi tão...

–Konohamaru! – Naruto o interrompeu, tão seriamente que o garoto sentiu as palavras morrerem na garganta – Eu quero que você vá até o prédio também, mas antes disso vá até a academia e peça um jounnin pra acompanha-lo, fique de olho naqueles garotos até eu chegar lá...

–Eu...

–Isso é uma ordem Konohamaru – Naruto se voltou pra ele – Como gennin e oficial superior, eu estou mandando ir, ande!

O mais jovem dos Sarutobi ficou mais uns segundos pasmo, mas então um sorriso imenso brotou do seu rosto, e ele até mesmo bateu continência, antes de pular para o chão e sair correndo.

–Agora, guaxinim – Naruto disse, num tom infinitamente mais mortal que antes, as presas praticamente salivaram na sua boca, ou ao menos foi isso que um Gaara, completamente aterrorizado, imaginou – Nós vamos ter uma boa conversa...

O mundo pareceu escurecer pra Naruto, como se todo o tempo parasse, enquanto ele seguia para dentro, mais profundamente dentro do seu ser e encontrava aquele toque familiar de um outro demônio próximo. Shukako estava a sua direita, a um palmo do seu corpo, então alcança-lo foi drasticamente fácil. Antes que percebessem, ambos estavam numa planice coberta de areia, o domínio de Shukako, o primeiro círculo do inferno. Gaara estava ali também, e a familiaridade com que ele olhou para o primeiro nível do inferno poderia ter sido triste, se Guerra não estivesse zangado até a ponta das nove caudas.

–Faz um bom tempo, né Shukako?

Um tanuki amarelo tremeu da cabeça aos pés, parecendo incrivelmente são.

–K-Kyuubi... – ele disse, imensamente desconfortável, sem prestar muita atenção para o próprio jinchuuriki – É raro ver o Senhor do nono inferno se aventurar num nível tão baixo...

Ele não terminou de falar, por que um rugido incendiou o céu e transformou todo a areia em volta em vidro, fumegando em vermelho vivo e lançando nuvens de areia ao ar. Com uma calda, a raposa levantou Gaara do chão, pra que não se queimasse, e o deixou descansar tranquilamente no topo de sua cabeça, de onde ele olhou tudo com um estranho ar de dúvida misturado com indiferença e apreensão. Ele estava quase com medo, mas não era exatamente isso.

–Seu demônio idiota! – Shukako se encolheu, tremendo – Eu não estou com paciência pras suas infantilidades Shukako, então preste muita atenção... Você sabe o que vai acontecer se não me obedecer não é? Você sabe...?

Ele tremeu de cima abaixo, parecendo completamente aterrorizado. Kyuubi riu, e disse assim mesmo:

–Eu vou ir atrás de você, você pode ter certeza seu verme minúsculo, e vou te arrastar por todo o caminho até o nono inferno. Vou arrancar sua única calda e seus olhos, te prender com as correntes da condenação dos Uzumakis, e acredite, isso vai ser só o começo, você vai ter sorte se sequer lembrar seu próprio nome quando sair de lá, mas todos os demônios e condenados vão saber, por que você vai servir a todos. Você tem um belo corpo feminino Shukako, aposto que todos eles vão adorar tirar o máximo proveito dele...

E só pra provar seu ponto, Kyuubi se aproximou, com um sorriso lascivo no focinho, e lambeu seu rosto. Shukako não ousou sequer levantar os olhos.

–Agora minha querida, você vai fazer tudo o que eu disser não vai?

–Sim, sim! Eu faço! – ele arquejou, e parecia pronto pra continuar jurando isso por horas a mais se um rosnado de Guerra não o calasse.

–Em primeiro lugar, você vai parar de atazanar a vida desse garoto.

Se aquele fosse qualquer outro, qualquer outro mesmo, que não Kyuubi, Shukako teria rido e perguntado se o Grande Deus Demônio Guerra tinha se afeiçoado a seres humanos. Como era o nove caudas, o terrível nove caudas, ele apenas assentiu vigorosamente, a calda baixa em completa submissão.

–Em segundo lugar, você vai deixa-lo dormir, só vai falar com ele quando ele for lhe procurar, e não vai ousar nem mesmo dar uma leve sugestão a quem ele deve ou não matar, quanto mais uma ordem... Entendeu?

Shukako assentiu mais uma vez, abaixando a cabeça mais uma vez quando Guerra se aproximou.

–E em terceiro lugar...

O demônio de areia não teve tempo de desviar quando a pata da raposa de nove caudas acertou seu peito, suas garras negras deixando cinco profundos sulcos no seu estomago, que queimaram em vermelho vivo como se lava brotasse de dentro deles.

–Considere isso um leve aviso Shukako – ele disse – A cada vez que tentar ordenar algo a essa criança, fogo vai brotar desses cortes, não vai te machucar realmente, mas vai doer... muito, muito mesmo. Será que você entendeu?

–Sim senhor! Sim senhor!

–Muito bem, viu? – Kyuubi riu cruelmente, lhe afagando o rosto com o seu próprio, numa demonstração de carinho terrível – Você não é uma doçura quando quer? Volte pra sua gaiola Shukako, e se lembre... esse é o meu último aviso...

Com uma profunda reverência, Shukako desapareceu do inferno, enquanto Gaara continuou olhando pra tudo, meio assustado, meio desinteressado. Aquele garoto parecia tão quebrado que nem conseguia montar suas próprias expressões direito. Guerra o pegou com a calda, tão delicadamente quanto se fosse um bebê, e o levou até seu focinho.

–Qual o seu nome criança?

–Gaara... – ele respondeu, sem ousar desobedecer alguém que podia disciplinar sua mãe daquela forma – Gaara do deserto.

–É um nome triste, mas cai bem a você – a raposa sorriu – Sempre que se sentir deprimido, lembre-se que há oásis no deserto, e por mais seca e árida que a terra seja, vida ainda brota dela. Por ser difícil, é ainda mais precisa que todas as outras. Do mesmo jeito, cada sorriso seu, por mais raro que seja, vão ser muito mais precioso que todos os outros.

–Eu... entendo – Gaara disse, arrancando um sorriso do rosto da raposa – Por que fez tudo isso?

–Eu fiz por você, até certo ponto.

–Por que? Eu não conheço você.

–Não é preciso conhecer as pessoas pra ser gentil com elas, um discípulo meu me ensinou isso uma vez.

Gaara assentiu, sem saber como responder, mas não foi preciso.

–E também, mesmo que não seja, eu vejo Shukako como minha irmã caçula – Guerra riu – Uma irmã caçula rebelde e problemática, que precisa de um pouco de disciplina. Ela vai ser boazinha com você agora, não precisa mais ter medo dela... Agora é melhor irmos embora, se sua consciência ficar no inferno por mais tempo vai começar a rachar até quebrar.

Como sombras, ambos desapareceram, deixando apenas a impressão de um sorriso de raposa no ar. Muitas horas depois, e apenas muitas horas depois, foi que os poucos demônios de baixo nível e bestas famintas ousaram se aproximar daquele lugar. Àquele ponto, toda o vidro já tinha se resfriado, e transformou a clareira toda num vale espelhado.

Naruto suspirou enquanto tirava a espada do pescoço de Gaara, e foi por pura reação que ele conseguiu pegá-lo nos braços antes que desse com a cara na grade que cobria a sacada. Ele temeu por um segundo que o garoto tivesse ficado tempo demais no inferno, até notar que ele estava dormindo.

E então ele riu.

–A essa hora Konohamaru já deve ter chegado a academia... bem, não vejo por que espera-lo – ele pegou Gaara no ombro e saltou para o telhado mais próximo, impulsionando os músculos com youki em vez de chakra, e disparando a uma velocidade alucinante pra frente. Não levou trinta segundos pra parar em frente ao prédio do fogo, onde Kankurou e Temari esperavam, essa, curiosamente, jogando conversa fora com Nyoko.

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Ambos correram em sua direção quando ele apareceu com Gaara desmaiado no ombro.

–O que você fez? – a garota loura estava pra sacar o leque, quando sentiu algo frio na sua garganta. Kankurou sentiu o mesmo e olhou pra trás, surpreso ao encontrar a secretária portando duas kunais, cada uma numa jugular dos ninjas de Suna – Você matou meu irmão! Sabe o que...

–Ele não esta morto, só esta dormindo... – ele não deixou que Temari respondesse, e acrescentou – Nós conversamos no escritório do Hokage, afinal...

Os dois gelaram com um olhar vermelho dele.

–... Vocês tem muito o que explicar...

Notas finais
O que vocês acham de Thomas J. Hound?