Notas iniciais
Eu pensei num bom treinamento pra Hinata, um que se encaixasse com ela, mas decidi não mostrar tudo, e deixar algumas surpresas pra quando o exame chunnin começar, melhor não?!
Agradecimentos especiais ao Jvmpv, que me deu uma ideia monstruosamente foda, que com certeza vai aparecer no próximo capítulo, eu garanto que vocês vocês vão gostar.
Sem mais lenga, lenga, aproveitem.

Passando aqui de novo, após postar o capítulo pra resolver um erro meu, alem do Jvmpv, o Doko contribuiu muito com ideias pra fic, e eu só notei agora que tinha esquecido de agrade-lo, então irmão, desculpe e obrigado. Tomara que isso sirva de incentivo pra todo mundo continuar me dando ideias, cada vez mais fodas, pra fic ficar cada vez mais fodas.
Abraços.

E de novo, agradecimentos super especiais ao Gustrubio - ele ta com uma arma apontada na minha cabeça me obrigando a digitar isso, não brincadeira, hehe... Não, é sério, socorro! - por ter revisado o capítulo todo, só agora que eu me toquei e to concertando isso.

Aquela cena era mais do que o suficiente para chocar muitas pessoas, deixa-las com raiva, talvez até enoja-las. Como Harmonia, ela sabia que já estaria derramando lágrimas, mas como Morte, era apenas rotineiro. O singular da situação era a semelhança com as brincadeiras que Discórdia costumava fazer, ou pelo menos, o que na sua mente doentia poderia ser encarado como uma brincadeira.

“Por favor... pare...” – o cachorro repetiu, uma e outra vez, já cansado de tentar entender o que estava acontecendo, mas ainda sem coragem de atacar a garota que tinha cuidado dele desde que se lembrava – Eu não fiz nada...”

“Papai... por que você esta fazendo isso... por que? – o eco da lembrança a assustou por um momento, e Morte quase largou a foice – Eu não fiz nada... por que? Por que você é tão mau?”

Guerra tinha entrado naquele momento, e o olhar chocado no seu rosto tinha sido tão estupidamente irônico que ela quase riu. Ele segurou o pulso da garota de cabelos cor de rosa, e depois de um breve olhar na sua direção, partiu para ver como a mãe dela estava, largada no chão chorando baixinho. Morte tomou a alma do cachorro nos braços, Naruto pegou seu corpo, e sem nenhuma troca de palavras, ambos foram embora, cada um para um lado. Morte saiu daquele mundo, acelerando sua motocicleta e percorrendo as milhares de pistas de dimensões que ligam todos os lugares conhecidos, milhares de milhões de estradas que levavam a milhares de milhões de mundos. Ela tomou uma rampa íngreme, e empinou o motor rugindo enquanto todas as janelas eram quebradas, matizes de cor de violeta e azul, e depois branco e vermelho se misturando num redemoinho infinito, até que o asfalto foi substituído por nuvens, que os pneus lançavam para trás, era como pilotar num dia chuvoso. Ela parou quando encontrou os portões dourados do paraíso, com todos os cadeados arrombados. Os anjos a reconheceram no mesmo instante e vaiaram, batendo suas asas e cuspindo aos seus pés, mas nenhum deles ousou se aproximar. Um agitar da foice foi o suficiente para espalha-los, como um bando de pássaros que voam da rua quando um carro passa. Ela voltou o olhar para o cachorro, e o encontrou olhando para ela, os olhos agora reluzindo em violeta, os pelos antes marrons brancos como a neve, mas uma neve cinzenta coberta de fuligem.

–Quem é você? – o cachorro disse, e pareceu surpreso que as palavras realmente passaram pelo seu focinho, ao invés de um latido.

–Eu sou o fim.

–Como assim?

–Sou a morte.

–O que é morte?

–É quando seu coração para de bater e seu corpo é enterrado.

–Então meu corpo esta enterrado agora?

–Não, mas em breve vai ser.

–Por que você usa essa máscara? – ele perguntou, inclinando as orelhas pra trás, tentando se distrair das lembranças ainda frescas na sua mente – Parece um gato...

–Ah, você odeia gatos então? – ela disse suavemente – É compreensível, você é um cachorro...

–Eu... gostava de perseguir gatos, eles eram muito chatos.

–Concordo.

–Então por que gosta deles?

–Por isso mesmo – ela riu – Há muito tempo atrás, meu marido disse que gostava muito mais de gatos, por serem covardes e preguiçosos, eu acho que entendo o que ele queria dizer, cachorros são leais demais, um gato não teria morrido da forma como você morreu.

–...

–Isso é o bastante, você é um cachorro, e todos os cachorros são bons e honestos, você pode correr por aí e perseguir gatos de novo, embora não haja muitos no céu.

–O que é céu?

–É o seu lar agora.

–Eu tenho que ficar aqui?

–...Se quiser...

–Eu quero voltar...

–Não pode.

–Por que?

–Por que você esta morto.

–Não quero ficar sozinho – Brow disse, depois de algum tempo em silêncio – Posso ir com você?

–Não.

–Por que?

–...

–Você não quer ficar comigo? – ele perguntou, então riu da própria estupidez- É claro que não, você gosta de gatos, desculpe...

–Não quer ficar aqui? Há poucos gatos, mas tem muitos pássaros pra você perseguir – ela disse, se referindo aos anjos que a observavam irritados – Eles são um pouco mais inteligentes que pombos, mas se for esperto, vai conseguir pegar um.

–Não... Tem outro lugar onde possa ir? Agora que estou morto, não quero ficar num só lugar...

Morte concordou, e sorriu levemente por baixo da máscara. Ela o trouxe de volta até as estradas e o soltou, e Brow, agora sem coleira e deveres, correu por entre os mundos e observou cada um deles. Seriam muitos milhares de anos antes que ele encontrasse Morte outra vez, e dessa vez, haveria um gato e um lobo, e sem saber, cada um deles seria tão importante que era quase impossível imaginar o mundo sem eles, mas isso não tem a menor importância, por hora, era apenas um cachorro branco cinzento correndo por entre estradas de gelo e fogo.

Aquele momento ficou conhecido, para os poucos que souberam dele, como Matriz Zero, o começo do mundo, embora já existissem milhões e milhões antes dele, e mais milhões e milhões que nasceriam depois. Foi o começo do clã da Morte.

Kaen no Rei.

Hinata praticamente quicou de empolgação na cadeira enquanto esperava Naruto chegar. Ainda era muito cedo, mas Hiashi já estava acordado a um bom tempo, folheando um relatório na mesa enquanto saboreava um pouco de chá, ele parecia estar com um humor reluzente desde ontem, e quando a encontrou no corredor, até mesmo se abaixou para beijar sua testa e desejar um Bom dia, algo que a muito tempo ele não fazia. Hanabi, por outro lado, parecia muito distraída, brincando com as torradas, cantarolando baixinho enquanto passava manteiga nelas, com um sorriso bobo enfeitando seu rosto. Comparado ao tradicional café da manhã da família, com Hiashi sério a ponto de doer olhar pra ele e sua irmãzinha o imitando o melhor que podia, aquele era o paraíso. Ela estava para pegar um bolinho de uma cesta, quando as portas de papel de arroz se abriram e um membro da Bouke entrou, com as feições neutras. Ele se curvou profundamente para os três na mesa, e pareceu bem surpreso ao receber três sorrisos de volta.

–Hiashi-sama... – ele sacudiu levemente a cabeça pra limpar os pensamentos – Alguém deseja vê-lo senhor, um Uzumaki...

–Ah, Naruto-kun – Hiashi deixou os documentos de lado – Pode manda-lo entrar Mizuno-san.

–Imediatamente senhor.

Hanabi deixou a torrada cair de volta no prato, com os olhos arregalados por um momento. Ela olhou freneticamente em volta, e para si mesma, corando profundamente de uma forma que surpreenderia e muito Hinata, se ela não estivesse ocupada fazendo exatamente o mesmo. As memórias do dia anterior voltando com força total e quase a levando a se esconder debaixo da mesa. Ambas as garotas desviaram o olhar quando o espadachim entrou, as mesmas roupas de sempre e o sorriso costumeiro enfeitando seu rosto.

–Bom dia Naruto-kun – Hiashi sorriu amigavelmente – se junta a nós?

–Eu sinto muito, acabei chegando cedo demais – ele disse, se curvando levemente, mas não sem dispensar um sorriso a ambas as garotas antes.

–Não se importe com isso, sente-se.

Naruto agradeceu mais uma vez e se sentou ao lado de Hanabi, que se encolheu toda e engoliu em seco, ruborizada ao ponto da incandescência.

–É bom te ver de novo Hanabi-chan – ele sorriu gentilmente, parando pra agradecer uma empregada que lhe serviu chá – Você também Hinata, você já esta pronta?

–H-Hai...

–Isso é bom, se Hiashi-san não se importar, vamos sair logo depois do café.

O líder dos Hyuuga assentiu satisfeito, e o café da manhã correu muito naturalmente, com mais sorrisos do que seria de se esperar. As garotas não falaram muito, cada uma estando envergonhada por seus próprios motivos, embora Hanabi também estivesse cultivando sonhos cor de rosa que raramente apareciam em sua cabeça, e a cada vez que seu braço roçava no de Naruto, uma nova explosão de vermelho iluminava a sala. Hiashi, por outro lado, se demonstrou muito interessado na guerra, perguntando sobre as missões e a geografia do país, e a raposa fez o melhor que pode para descrever tudo sem entrar em detalhes classificados, ou mesmo desconfortáveis. Ele sabiamente manteve Ao fora de todas as discussões, mesmo que o Jounnin agora estivesse morto, não devia ser agradável saber que um olho do Byakugan tinha escapado para outro país. Ao final, quando Naruto e Hinata saíram do complexo, com a garota levando uma bolsa presa aos ombros, quase uma hora já tinha se passado.

–Na-Naruto... eu...

–Não se incomode com isso – ele sorriu e deu de ombros – Foi um erro honesto de sua parte, apesar de eu aconselhar você a ser mais cuidadosa com quem beija no futuro.

–Claro... gomen.

–Tudo bem, nós vamos sair de Konoha por cinco meses – o ruivo disse, com um tom mais grave em sua voz, mas ainda gentil e carregado de autoridade como um verdadeiro mestre – Tem algo que você queira fazer antes de sair?

–Eu... posso ver o Kiba?

–Claro.

Ambos partiram para o distrito Inuzuka numa caminhada calma, e por alguma razão, Kiba pareceu bem envergonhado em ver Naruto, mas se despediu da namorada com um beijo e do irmão adotivo com um abraço e um tapa amigável no ombro. Afora isso eles se despediram de Kurenai e Shino, a garota prometendo voltar mais forte em cinco meses, e Naruto passou no apartamento de Anko, deixando um bilhete na geladeira, já que ela estava em missão. Pouco mais de duas horas depois do café da manhã e após mostrarem suas identificações e a permissão concedida pelo Hokage para uma saída, ambos estavam cruzando os portões vermelhos da vila. Hinata estava para perguntar aonde eles iam quando Naruto a puxou pelo braço, a tirando da estrada.

–O lugar para onde vamos não é longe, mas vamos chegar bem rápido – ele disse – Corra o mais rápido que puder, e eu quero que mantenha seu Byakugan ativado o percurso todo para decorar o caminho, certo?

Ela assentiu e fez como ele mandou, forçando os músculos a correrem o mais rápido possível, muito mais rápido do que ela já tinha ido antes. A floresta pareceu um borrão de marrom e verde, e a imagem de Naruto, conforme corria no mesmo ritmo que ela, parecia ficar levemente borrada atrás de si, como um espectro de cor que não fora rápido o bastante para se deformar a sua passagem. Após cinco minutos de corrida Hinata já estava arfando pesadamente, apesar de Naruto não parecer nem mesmo levemente incomodado, ela se perguntou como ele fazia aquilo.

Ambos chegaram a um lugar que Hinata não sabia que existia, e não sabia se mais ninguém sabia que existia. Era uma grande clareira em meio à floresta, mas coberta de copas de árvore como uma grande cúpula, explicando por que os guardas não viam aquele lugar da muralha, que estava apenas a alguns quilômetros ao sul, como Naruto apontou. O lugar parecia quase ter saído de uma história, havia um rio pequenino que corria sinuoso, repartindo um dos cantos do círculo do restante, um pequeno campo onde rosas estavam sendo cultivadas, quase todas abertas e exibindo seu interior vermelho sangue sem pudor para a floresta, e ao lado, uma pequena cabana de madeira escura, onde ela imaginou que dormiria pelos próximos cinco meses. O restante da clareira era espaço aberto, coberto com um tapete de grama verde.

–O que este é lugar?

–É um campo de treinamento – Naruto respondeu – Gekko-sensei me mostrou onde ficava quando fiz nove anos, nós passamos os fins de semana treinando Kenjutsu aqui.

–E as rosas? – ela se aproximou e acariciou as pétalas das mais próximas com a ponta do indicador – São bonitas.

–Eu as cultivei.

Hinata sorriu, aquilo era tão a cara de Naruto.

–Então... quando vamos começar a treinar?

–Não precisa ficar ansiosa, descanse por hoje, de uma volta e se familiarize com o lugar, nós vamos começar o treinamento de noite.

–Hai... – ela sorriu – Naruto-sensei.

***

Hinata ficou por um bom tempo observando as rosas, antes de dizer que ia dar uma volta e desaparecer entre as grandes árvores, que formavam um muro em torno da clareira. Enquanto isso, segui pra cabana, desatando a faixa na cintura e tirando a parte de cima do quimono, o deixando encima de uma das camas, junto com alguns poucos pergaminhos que eu trouxera. Aquele era um lugar muito agradável, pequeno e simples, e por diversas vezes eu já havia vivido em cabanas parecidas, em especial quando treinava Kenshin, as duas eram tão idênticas que eu quase podia imaginar meu aprendiz entrar pela porta, encharcado, reclamando como eu o tentava matar a cada vez que praticávamos. Não havia cômodos ali dentro, até por que seria impraticável, sendo tão pequena, eram apenas duas camas, uma em cada extremidade da cabana, recostadas em paredes opostas, e um pequeno armário cheio de pergaminhos de vedação. No centro, um pequeno quadrado de madeira estava aberto, deixando a mostra o chão terroso coberto de palha, onde cozinhávamos, e o banheiro ficava do lado de fora.

Deixei a bolsa de Hinata sobre a sua cama, e me estiquei todo, sentindo a textura lixada da madeira embaixo dos pés descalços, pensando em como treinaria aquela garota. Hinata não respondia bem sob pressão, como Kiba fazia, por isso coloca-la em situações difíceis só impediria seu crescimento. Por outro lado, ela não era como Inari, não precisava ser inspirada a nada, ela tinha consciência, talvez até mais do que a maioria, sobre o que era ser um Shinobi, e diferente de Sakura, – fiz uma força pra não cuspir o amargo na língua, que aparecia sempre que pensava naquela pirralha – ela realmente queria ser um, só lhe faltava confiança...

Água e vento. Hinata era água e vento, mansa e ágil, como...

Um sorriso rasgou meu rosto enquanto pensava nos prós e nos contras daquela ideia. A conhecendo bem, ela ficaria tão envergonhada que mal conseguiria se concentrar em nada, mas depois que se deixasse levar, ensinar Taijutsu a um gênio como ela seria tão fácil como ensinar um peixe a nadar. Olhei para fora da janela, e o pouco pedaço de céu que aparecia sobre a cúpula de copas de árvore já estava começando a escurecer.

Eu só torcia pra que aquilo ainda funcionasse, depois de tanto tempo...

***

Hinata voltou para a clareira quando já estava quase escurecendo, e encontrou Naruto apenas com a hakama e o quimono branco bem mais frouxo do que ele costumava usar. Os cabelos estavam soltos do rabo de cavalo costumeiro, e sua expressão enquanto observava o céu, deitado preguiçosamente na grama, era uma das coisas mais bonitas que ela já tinha visto na vida. Por si só, Naruto era radiante, suas feições felinas e suaves, quase femininas, aquele corpo magro e esguio, e aqueles cabelos, ele era lindo, em toda a extensão da palavra, e por mais culpada que ela se sentisse consigo mesma, admitindo isso sobre um garoto que não era seu namorado, não tinha como evitar.

Mas o que chamava a atenção, longe do seu peito a mostra ou dos traços do seu rosto, eram seus olhos. Brilhando como estrelas cadentes, pareciam fitar o céu como se sentissem falta dele, sentissem falta de um tempo em que eles próprios estavam lá, olhando o mundo de cima, e não preso nele. Ela sentiu o rosto enrubescer e um pequeno sorriso brincar no canto dos seus lábios.

–Yo Hinata – ele disse, se espreguiçando – Se você não estiver muito cansada, já podemos começar.

Ela piscou uma vez em confusão, e se chutando mentalmente, correu ficar pronta pro treinamento, seja lá qual fosse que ele tinha mente, se pondo de joelhos e curvando a cabeça levemente, como seu pai tinha lhe ensinado a fazer. Ela ouviu Naruto se levantar, e se afastar, mas não se levantou. De acordo com o que tinha aprendido, era uma imensa grosseria um aprendiz questionar seu mestre naqueles momentos – mesmo que a situação não fosse das mais formais – ela devia apenas esperar e ser paciente, e mesmo que levasse horas, o sensei era o único a começar qualquer assunto que fosse.

Ela se manteve firme nessa regra enquanto ele entrava na cabana, pegava algo, e saía novamente, mas quando uma sinfonia leve começou a ondular através da clareira, vinda de um fonógrafo velho de cobre, ela se esqueceu completamente e perguntou:

–Naruto... eu... – ela até se esqueceu de adicionar o “sensei” ao nome, mas ele não pareceu se importar nem um pouco – O que é isso?

Ele não respondeu, apenas tornou a ajeitar o disco na mesa e soprou um pouco da poeira da grande corneta, sorrindo quando o som veio bem mais límpido e fluído. Num pulo ele se pôs de pé, até estar a sua frente, e estendeu a mão.

–Vamos dançar?

Aquilo foi tão esquisito que só fez sentido quando ele perguntou novamente, dessa vez com um sorriso de canto e um brilho malicioso nos olhos, que ela ainda não tinha visto.

–Venha – ele estendeu a mão mais perto, em frente ao seu rosto – Vamos dançar!

Sem saber exatamente o que fazer, com mil pensamentos diferentes e incoerentes apostando corrido na sua cabeça, Hinata pegou a mão estendida, e num puxão Naruto a pôs de pé, envolvendo sua cintura com uma mão e elevando a outra, até estar ao lado do rosto dos dois. A garota corou profundamente, se vendo tão perto das estrelas safiras que eram os olhos do garoto, e mais uma vez se chutou mentalmente por ficar tão atraída por ele.

Naruto pouco se importou com o aparente colapso mental da nova aluna, e apenas começou a se movimentar devagar, espelhando seus movimentos a música, o aperto era forte o suficiente para obriga-la a se mover junto dele, mas ainda delicado. Após algumas voltas no lugar Hinata passou a se mover por conta própria, sem perceber direito, dançando pela primeira vez com um garoto.

Dançar era uma coisa estranha, e raramente vista nas vilas ninjas. Os civis ali tinham perdido esse costume em meio à praticidade da vida numa aldeia Shinobi, e seu entretenimento estava mais ligado a filmes ou jogos. Nobres é que dançavam, ninjas não tinham tempo pra isso, era apenas bobagem... Certo?

Naruto parecia pensar diferente, ele sorriu amigavelmente e riu um pouco enquanto guiava a garota, repentinamente desajeitada, pela grama ao som de “Merry go round”, não que ela soubesse disso. Hinata pisou no seu pé uma vez ou outra e se desculpou em todas as vezes, corando até a morte em cada uma delas, enquanto o ruivo girava lentamente, se mantendo mais próximo do que seria respeitável da garota que era namorada do seu irmão adotivo. Ele não tentou nada, claro que não tentaria, mas em alguns momentos Hinata se pegou imaginando... Pegou-se pensando como seria, ou o que ela faria caso ele se inclinasse e a beijasse, caso dissesse que estava apaixonado por ela, e várias outras fantasias bobas, e mais tarde, enquanto dormia, ela riu de cada uma delas, apesar de uma certeza, na situação toda, a manter acordada durante um bom tempo, vermelha feito um tomate.

As chances dela ter se apaixonado por Naruto, ali mesmo, enquanto dançavam, caso já não o estivesse por Kiba, eram monstruosamente grandes.

Ambos dançaram pelo que ela achou serem horas, incontáveis horas de girar tranquilamente ao som de uma música repetida dezenas de vezes, mas na verdade foi apenas uma hora e meia, parando apenas para recolocar a agulha no começo do disco, e tornando a girar pela grama. Após o disco ter chegado ao fim pela vigésima quinta vez, Naruto disse que era o suficiente por hora, e disse que ela podia ir dormir se quisesse.

Ela apenas olhou embasbacada pra ele. Aquele tinha sido... o treinamento?!

Ele tinha que estar brincando com ela.

Mas Naruto não estava.

O dia seguinte tinha sido a mesma coisa, mas Naruto a acompanhou enquanto corriam pela floresta, às vezes dizendo para aumentar ou diminuir o ritmo, no que seria uma sequência bem leve de treino físico, nada que se comparasse com os que seu pai a fazia passar. Quando já era tarde, eles se alongavam a beira do riacho, Naruto a ensinando posições que ela não entendia, algumas tão simples que eram bobas, mas outras difíceis que exigiam o máximo da sua flexibilidade, e a noite, após jantar...

Eles dançavam.

Na segunda noite Hinata já estava melhor preparada pro que acontecer, mas mesmo assim foi pega de surpresa enquanto ele trouxe o fonógrafo e encaixou outro disco na mesa, tão empoeirado quanto o anterior. Ela tinha esperado que a noite anterior fosse uma coisa de uma única vez, talvez apenas para fazê-la confortável, mas a que tudo indicava, eles estariam dançando todas as noites, pelos próximos cinco meses.

Se Hinata não fosse tão calma e, de uma certa forma, até submissa, ela teria ficado com raiva. Quer dizer... Seu pai lhe disse o quão importante era que ela ficasse mais forte, até o começo dos exames chunnin, e com a perspectiva de ser perseguida por stalker-nins atrás de sua cabeça, ela realmente queria começar a treinar a sério, não ficar ouvindo música e dançando como um nobre desocupado e sem preocupações fazia.

É claro que, ela não disse nada disso, e quando Naruto a puxou para dançar, mais uma vez, ela apenas o seguiu obedientemente, hora fascinada com suas expressões, hora irritada pela sua aparente falta de seriedade com seu treinamento. Será que ele achava que ela não valia a pena, ou algo assim?!

Não tinha como saber.

Dessa vez a dança foi diferente da anterior, apesar do ritmo ser tão suave e lento quanto antes, Naruto manteve uma distância maior do seu corpo, a girando hora ou outra por baixo do braço, e fazendo uma série de passos que ela não conhecia, mas pareciam ter sido ensaiados até a perfeição. O sorriso dele enquanto fazia algo tão simples quanto isso, tão bobo quanto dançar parecia irradiar pura felicidade, e em alguns momentos ele até ria consigo mesmo, como se lembrasse de algo constrangedor. Foi mais uma hora e meia, quase duas horas de dançar a mesma música uma e outra vez, até que ele lhe disse para ir dormir.

E então tudo de novo no dia seguinte, e no próximo, e no próximo, até que ao passar de uma semana, tudo o que ela tinha feito eram alguns exercícios leves na parte da manhã, ensaiado posições estranhas à tarde, e dançado a noite.

Mesmo Hinata já estava ficando irritada, e mesmo ela logo começaria a questiona-lo e contesta-lo, seja o que for que as lições do seu pai lhe diziam, se ele não tivesse feito algo completamente diferente naquela noite.

Eles ainda dançaram, é claro, mas tinha sido completamente diferente.

–Depois de uma semana eu acho que você já esta se perguntando por que estamos fazendo isso, não é Hinata?

–Hai sensei...

–Bem, eu poderia ter te explicado desde o começo, mas levaria muito tempo e você não entenderia completamente – ele disse – Mas talvez hoje você entenda, o que eu estou te ensinando é um complemento para o Jyuken, já que você não parece se adequar muito bem a ele, eu estou te dando uma forma de modifica-lo, você entende?

–Eu... não...

–Veja, do que Taijutsu se trata Hinata?

–É a técnica de combate corpo a corpo – ela repetiu sem dar um segundo pensamento – Muitos Shinobis se focam nisso, enquanto outros o usam apenas quando uma luta a longa distância não é possível. O clã Hyuuga é completamente especializado nisso, usando nossos Byakugans como auxílio para interromper os ten...

–Tudo bem, não precisa se aprofundar tanto – ele a puxou de pé novamente, a tirando da posição que ela ficava sempre que ele estava prestes a ensinar-lhe algo, ou normalmente, apenas dançar com ela – Essa semana serviu apenas pra te familiarizar com a dança, hoje eu quero que você apenas siga meus movimentos, ok?

Sem saber ao certo o que responder, e não entendendo em nada toda a situação, a garota apenas assentiu.

Naruto ficou ao seu lado, e levantou ambos os braços e uma perna, se ponto numa das poses que a ensinava durante a tarde. Hinata o imitou de prontidão, se mantendo tão espelhada a ele quanto possível, de acordo com o que ele tinha dito pra fazer. Em seguida Naruto se levantou na ponta dos pés, e tornou a se abaixar, percorrendo a outra perna em um arco de círculo, enquanto as mãos se abaixavam suavemente. Hinata o imitou novamente.

O garoto trocou de posição uma e outra vez, sempre bem devagar, quase devagar demais. A partir da terceira kata, ou foi o que Hinata achou que eram, ele fechou os olhos, e passou por uma longa lista de posturas, que ela de começo achou que fossem aleatórias, mas nunca eram repetidas. No começo estava simples, fácil, e até meio chato, mas após alguns minutos de exercício, ela sentiu os músculos do abdômen reclamarem muito levemente, apenas levemente mais rígidos que o normal.

Isso continuou por mais alguns minutos, até que os músculos das suas pernas ficaram do mesmo modo, e então seu braço, suas costas, suas coxas, panturrilhas, ombros, pescoço, e até o quadril. Ela se sentiu pesada, como se carregasse dezenas de sacos de areia nas costas, e em questão de minutos o incomodo surdo passou a ser doloroso. Com o rosto banhado em suor ela olhou pro lado, e encontrou Naruto aparentemente no mesmo estado em que ela, o quimono branco largado na grama a alguma distância, com os cabelos soltos e o corpo brilhando de suor.

Duas coisas lhe ocorreram ao mesmo tempo:

A primeira era que aquelas posições, de alguma forma, exigiam o máximo de trabalho muscular, era mais difícil fazê-las em sequência do que correr ou até lutar.

A segunda era que, em algum ponto do exercício, ela tinha fechado os olhos e deixou de imitar Naruto, e mesmo assim seus movimentos continuavam perfeitamente sincronizados, ainda mais que antes.

O que diabos era aquilo?

Pasma, ela parou de imita-lo, e sem perceber caiu de bunda na grama. Naruto sentiu o abalo ao seu lado e abriu os olhos, franzindo as sobrancelhas ao encontra-la encarando o nada com perplexidade gravada no rosto. Ele soltou os ombros e estalou alguns ossos, enquanto se largava ao lado dela, um sorriso repuxado sobre as presas.

–Eu pensei que você demoraria um pouco mais pra se cansar...

–N-Não, eu ainda posso continuar – ela disse – É que... O que é isso? Eu estudei vários estilos de Taijutsu durante a academia, para poder adequar o Jyuken a eles, caso os enfrentasse, mas não reconheço nenhuma dessas katas.

–É por que isso não faz parte de nenhum Taijutsu Hinata – ele estendeu a mão e a puxou de pé, examinando os músculos do seu braço, e logo depois os da coxa, pro constrangimento da aluna – É... você já esta sentindo bem o efeito do exercício.

Ele pediu que ela se deitasse no chão, logo depois, e tirasse a blusa. Constrangida por isso, mas confiando nele o suficiente para não se preocupar, ela desatou os laços e abriu o zíper, ficando apenas com uma camiseta bem leve, que cobria seu torso desde pouco acima do umbigo até o decote, bem farto para sua idade.

–Isso se chama Tai chi chuan, ou Tai chi, para ser breve – ele disse, se ajoelhando ao seu lado e a segurando firme pelos ombros, movendo as palmas bem levemente e trabalhando músculo por músculo numa massagem – Ele foi desenvolvido há muito tempo, e samurais o praticavam frequentemente, para manter o corpo e o espírito saudáveis.

–Corpo e espírito?

–Chakra pode ser um conceito usado amplamente por Shinobis, mas não quer dizer que fomos nós que o inventamos – ele riu quando ela piscou confusa, tentando virar o pescoço para olhar pra ele e contendo um gemido de dor quando ele estalou – O que foi?

–Shinobis não inventaram chakra?

–Nope.

–Mas...

–Relaxe, como esta se sentindo? – ele agora se ajoelhou sobre seu corpo, uma perna de cada lado das suas costas, enquanto esfregava vigorosamente suas omoplatas, alternando entre o pescoço e os ombros. Ela teria corado se não estivesse ocupada suspirando de contentamento, aquilo era boooomm.... – É, acho que eu estou fazendo certo então. Caso esteja doendo pode me dizer.

–Certo...

–Continuando, antes mesmo do Rikudou sennin andar pela terra, e separar a grande besta de dez caudas em nove menores, os nove Bijuus – Kyuubi bufou internamente consigo mesma, à história ridícula que os ninjas tinham inventado – Samurais já tinham um amplo conhecimento sobre os núcleos de chakra do corpo humano, e a forma como eles interagiam com o corpo, reforçando músculos e órgãos. Tai chi foi criado como uma forma de redirecionar os canais de chakra, ativando os Tenketsus e liberando quantidades reguladas de chakra nos músculos, os deixando mais densos e resistentes. O corpo de uma pessoa que pratica tai chi regularmente é muito mais forte que o de uma pessoa que não o pratica.

–Então esse treino é para reforçar meu corpo?

–Reforçar e educar. Sua flexibilidade é muito boa Hinata, mas não é tão boa quanto pode ser – ele saiu de cima dela, e quando Hinata estava pra se levantar Naruto a empurrou para baixo gentilmente, passando a trabalhar na parte de trás das suas coxas – Se você conseguir melhorar o suficiente, manobrar melhor o Jyuken vai ser fácil, eu... Hinata?

A garota estava desmaiada encima de uma poça do próprio sangue, após uma hemorragia nasal.

“Ora... será que eu descobri alguma zona erógena por acidente?”

**********************

Tsume se espreguiçou com gosto enquanto voltava para casa após uma missão bem feita. Ela parou apenas na clínica, onde deixou Hanna cuidando de uma ferida na pata de Kuromaru – que insistiu o caminho todo que ele estava bem e que não era mais um filhote pra ser tratado daquele jeito – e ficou por algum tempo nos canis, observando Semimaru perseguir Tsokoka, e os filhotes correrem um atrás do rabo do outro, rolando na grama e incomodando os outros cachorros, que fingiam estarem zangados e os perseguiam pela grama. Como tudo estava bem, ela seguiu pra dentro de casa, com intenção de tomar um bom banho relaxante e incomodar o seu caçula.

–Kiba! – ela gritou, tentando pegar o cheiro dele. Apesar de estar bem impregnado por todo o soalho, assim como o dela e o de Hanna, não havia um lugar onde estava mais forte, e ela percebeu que ele não estava ali, Akamaru tampouco – Ué, onde esse garoto foi? Há essa hora ele devia estar pulando de um lado pro outro implorando pra mim ensinar alguma coisa legal pra ele... Será que?

Com um sorriso maligno no rosto ela correu pro andar de cima, com intenção de fuçar nas coisas dele até achar algo bem constrangedor para poder esfregar na sua cara. Da última vez tinham sido revistas eróticas, e ele nunca mais comprara nenhuma desde então, que tesouro super vergonhoso esperava para ser descoberto agora?

Ela irrompeu pela porta, já voando para gaveta de meias, onde todos os homens escondiam seus segredos mais embaraçosos, até que algo encima da cama chamou sua atenção. Era um pedaço de pergaminho rasgado com algumas palavras rabiscadas nele.

“Mãe, eu sai pra uma viagem de treinamento, vou ficar fora até os exames chunnin e estou levando Akamaru comigo... – ela leu, franzindo a testa – Como pretendo ficar fora por muito tempo eu empacotei toda a comida da dispensa e também peguei as economias, caso precise barganhar pela minha vida... Beijos, te amo”.

Tsume ficou precisamente cinco minutos parada no lugar, com um tique incomodo no olho direito. Quando ela se recuperou, no entanto, até Kiba – que estava vários quilômetros longe dali – Sentiu um arrepio de pavor gélido na espinha, mesmo não tendo ouvido o grito que fez todos os homens da vila tremerem feito vara verde.

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Anko saiu do apartamento do namorado com um uma sobrancelha levantada, não tendo o encontrado em lugar nenhum pela vila. A missão tinha sido bem estressante, ainda mais que seus companheiros eram Chunnins idiotas que se achavam super fortes e prontos pra encarar qualquer pessoa no mundo apenas por saberem jogar uma kunai e terem dois ou três jutsus elementares. Buchas de canhão estúpidas. Depois de tanto tempo, ela achava que o Hokage tinha um pouco mais de presença de espírito pra não lhe mandar como líder de esquadrão para chunnins imbecis, ainda mais aqueles que ficavam sussurrando pelas suas costas coisas que a faziam arder de vontade de degola-los.

–Idiotas... – ela murmurou consigo mesmo, então levantou a cabeça pros céus e gritou: Ahh! Eu preciso que o Naru-chan me de uma massagem erótica, eu não vou conseguir viver sem isso!

–Mesmo?

Ela conteve um tique da sobrancelha e olhou pra cima, onde Kakashi estava lendo, aparentemente muito tranquilamente, na varanda do apartamento de Yugao, deitado de lado e com um pires de sakê, ele parecia ter sido pregado ali.

–Kakashi-nii-san?

–Nii-san?! – ele franziu as sobrancelhas, apesar de esconder um sorriso abaixo da máscara.

–Ora, você é o irmão mais velho do meu namorado, isso te faz meu irmão mais velho também né? – ela pulou pra varanda e caiu encima dele, se abaixando até seus rostos estarem próximos – Você vai tentar me violar pra que eu possa convencer Naruto a mata-lo?

Os ombros dele caíram comicamente.

–Você é cruel Anko...

–É uma das minhas melhores qualidades – ela rolou para o lado e parou deitada na varanda, se esticando toda até estar bem relaxada – O que esta fazendo na casa da Yu-chan?

Ele apenas apontou pra dentro do apartamento, onde uma Rin corria afobada até as portas de vidro, as abrindo com as duas mãos e, por alguma razão insondável, pulando encima de Anko. Ela engoliu o que restava de um temaki preso entre seus dentes, rebolando de um lado a outro enquanto Anko reclamava da falta de ar.

–Se comporte Rin – Yugao disse, fazendo o mesmo caminho que a garota, com uma bandeja cheia de temakis enfeitados – Eu trouxe pra vocês.

–Kakashi-Kun-no-baka! – Rin gritou – Você estava mesmo pensando em violar a Anko?

Ela não esperou resposta, e se virou pra garota, caindo totalmente debruçada sobre ela.

–Anko-san, eu ouvi dizer que você tirou toda a inocência do meu irmãozinho!

–De repente o Naruto é irmão de todo mundo – Yugao murmurou, inutilmente.

–É, eu tirei! – Anko sorriu, erguendo o rosto e batendo a testa contra Rin, que caiu pra trás resmungando – Eu o deflorei completamente Loli-chan, você tem algum problema com isso?

–Ahh... eu tinha esperanças de ser a primeira dele...

Yugao riu.

–Eu também.

–Mei também... – Anko listou – E Kurenai também, apesar dela negar, e eu aposto que até o Zabuza gostaria de um tempo com ele.

Kakashi decidiu, sabiamente, ficar fora da história, apesar de ficar imaginando o que atraía tanto aquelas mulheres... Será que todas as mulheres eram secretamente shotacons?

–Bem, por que vocês não entram, a comida esta esfriando- Yugao disse, puxando Rin para cima, que se encolheu toda como um gatinho pego pelo cangote – Aliás Anko, por que esta aqui? Não que isso seja um incomodo é claro, você e sempre bem vinda.

A invocadora de cobras apenas sorriu pra deixar claro que não tinha entendido mal.

–Eu estou procurando o Naru-chan.

–Ara... Ele não te disse onde ia?

–Eu acabei de voltar de missão...

–Passou no seu apartamento?

–Eu... não...

–Bem, ele com certeza deixou um bilhete lá – Yugao riu – Respondendo sua pergunta, Naruto saiu pra uma viagem de treinamento com Hinata, e só vai voltar até o início dos exames chunnin.

Anko encarou em Yugao num silêncio mortífero por quase um minuto todo, o rosto completamente limpo de expressão, até que...

–NAAAAAAAAAAANIIIIIII? – ela pulou de pé, parecendo apavorada, furiosa e enciumada ao mesmo tempo – O meu Naruto saiu com outra garota, e esta dormindo com ela nesse momento, seus corpos nus suados de treinamento, enquanto lavam um ao outro? E aquela garota certamente deve estar usando aqueles peitos gigantes dela – Já viu!? Pra uma garota de doze anos é impressionante – pra esfregar as costas dele, antes de fazerem amor selvagem na grama...

–Calma Anko, ele não esta te traindo...

–Hey, ele já me traiu uma vez, o que garante que não esta fazendo isso de novo?

Kakashi pareceu repentinamente interessado, se levantando e encarando Anko com uma sobrancelha franzida de surpresa.

–Naruto te traiu?

–Sim! Aquele animal de sexo insaciável – ela disse, apesar do tom parecer muito mais feliz do que magoado.

–Eu não acredito que ele fez isso – Kakashi disse, consigo mesmo, completamente pasmo – Eu estou tão...

Rin estava prestes a concordar com o quão estava desapontada que seu irmãozinho estivesse virando um galinha tão cedo, mas pra sua surpresa, seu namorado não disse “desapontado”, ou “decepcionado”... Não, na verdade ele disse...

–...FELIZ! – Kakashi enxugou as lágrimas do rosto – Meu irmãozinho esta crescendo tão rápido, esta até partindo o coração das Kunoiches! Logo estará provocando conflitos internacionais por seduzir princesas estrangeiras... Eu não poderia estar mais orgulho...

Ele não terminou de falar, por que Rin pulou no seu colo, e começou a esgana-lo.

–Nossa Anko... – Yugao disse, com um tom estranho – Eu não achei que Naruto seria capaz disso, você o perdoou?

–Perdoar? Ah, não esquenta, entramos num acordo – Anko disse com um sorriso resplandecente – Eu não ligo se ele trouxer outras garotas pra cama, contanto que eu possa abusar delas também. Bem... Eu adoraria ficar, mas vou perseguir o meu homem, jaa ne.

Anko sorriu um adeus antes de se jogar na sacada, desaparecendo assim que tocou o chão com um sunshin de folhas. Rin e Yugao, por outro lado, ficaram um bom tempo focadas no nada, até ambas explodirem numa hemorragia nasal sincronizada, a imagem de Naruto e Anko numa cama pedindo que elas os acompanhassem ficou por um bom tempo na cabeça de ambas.

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Hinata acordou cedo, para mais um dia de treinamento, e como sempre Naruto já estava de pé, sabe-se lá há quanto tempo. Não importava o quão cedo ela se levantava, ele sempre estava acordado, ao ponto dela começar a considerar se ele sequer dormia.

–Bom dia Hinata – ele estendeu uma tigela para ela, com seu café da manhã. As refeições que ele preparava era uma coisa que ela começara a aguardar com ansiedade. – Eu fiz seu café, espero que goste.

Era um bocado de frutas diferentes picadas até que não passassem de fiapos finos, misturados com um pouco de mel e polvilhadas com açúcar. Era doce. Maravilhosamente doce. Deliciosamente doce e ela se sentiu corar e babar enquanto o mel derretia junto com o gosto de dezenas de frutas mescladas na sua boca.

–Pelo visto você gostou...

Ela assentiu muitas vezes.

–O que é isso?

–Uma salada de frutas – ele disse – É bem fácil de fazer e muito nutritivo, e ainda sim é bem leve, de movo que não atrapalha o treinamento, eu aprendi a fazer isso quando estava cuidando de Lafiel durante minha primeira missão...

–Lafiel?

–Ah é, você estava dormindo né? – Naruto riu – Não se preocupe algum dia eu te conto. Eu vou esperar lá fora, assim que terminar você pode me acompanhar.

–Hai! – ela encheu a boca com outra colher, se sentindo derreter encima do colchão novamente, tão feliz que nem sequer se preocupou com o treinamento de Naruto.

Aliás, uma coisa sobre o método de treinamento dele:

Naruto poderia passar, de uma hora pra outra, de uma pessoa extremamente gentil e cuidadosa a um feitor de escravos, assim como seus treinos passavam , repentinamente também, de coisas simples e fáceis até coisas insanas e com certeza, muito impossíveis.

Naquele dia não foi diferente.

Assim que saiu de casa Naruto pediu que ela se aproximasse, e tirou um simples ofuda de dentro do quimono, muito parecido com um papel bomba, mas não era realmente um. Ele pediu que Hinata tirasse a blusa, e ficasse com o torso completamente nu, o que ela fez receosa e corada até a morte, segurando os seios com as mãos enquanto ele aplicava o papel as suas costas com chakra.

Imediatamente ela sentiu o peso do seu corpo triplicar, e sem conseguir decidir a tempo se escondia os peitos ou aparava a queda, acabou indo de queixo no chão.

–Aiii... – ela reclamou, enquanto Naruto ria com gosto – Não foi engraçado!

–Foi sim – ele disse, a ajudando a se levantar, e com um cuidado quase maternal, a ajudando a se vestir, sempre mantendo os olhos longe do seu colo. Hinata estava prestes a se abaixar pra pegar a blusa, mesmo que levasse uma boa dose de esforço, quando ele disse: Eu a deixaria aí, você vai suar bastante.

Hinata tinha aprendido que ouvi-lo era, quase sempre, um ótimo negócio.

–O que vamos fazer?

–Uma corrida simples – ele disse, e de surpresa, pulou nas suas costas, se acomodando sentado perpendicularmente a sua espinha, usando chakra, quase em paralelo ao chão – Não me deixe cair tá?

Hinata teve que fazer força pra não despencar pra trás, mas em algum lugar na sua mente, um lugar bem fundo, muito abaixo de todos os insultos, maldições e impropérias destinadas a ele, ela teve que agradecê-lo. O peso colocado no seu corpo a forçava pra frente, de um jeito que mesmo manter a cabeça erguida e os ombros retos desmantelava esforço. Com Naruto preso nas suas costas daquele jeito, ela acabava se equilibrando, mesmo que tivesse que carregar ainda mais peso.

–Eu quero que você faça a posição do falcão Hinata...

Ela teria o olhado em descrença, se fosse possível, então, sem outras opções e sabendo que ele não estava brincando, ela fez como ele pediu. Parando de correr, ela levantou ambas as mãos, com esforço, e a perna esquerda, se equilibrando na ponta dos dedos do pé direito, enquanto suava fria pra manter a pose, a mais fácil de todas do tai chi.

–Muito bem – ele disse, e então alargou um sorriso que, se fosse visto, gelaria a espinha da mais jovem aprendiz – Mas eu não disse pra parar de correr...

Hinata chorou lágrimas de anime pelos olhos, enquanto pulava num pé só através de uma trilha na floresta.

“Não podíamos voltar a dançar?!”.

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Kiba tinha alguns motivos muito bons para fazer aquela viagem de treinamento masculamente poética de última hora. Uma delas era ficar mais forte pros exames chunnin, ele sabia que várias outras vilas estariam comparecendo, e não queria de forma alguma parecer um incompetente, tanto pelo seu orgulho quanto pelo orgulho do clã Inuzuka. Outra era pelo seu irmão... Ele não gostava de admitir, e as vezes até brincava com Akamaru que poderiam derrota-lo a qualquer momento, mas ele tinha consciência de que Naruto era mais forte que ele. Monstruosamente mais forte que ele. Quando o tinha conhecido, na academia, ele sempre parecera frágil, com os cabelos compridos e o quimono de folhas de videira, mas depois daquele dia, contra aqueles valentões... Ele sentia que havia um abismo entre eles, e queria de todo o jeito preencher esse abismo, pra poder se sentir verdadeiramente o irmão mais velho que ele gostava de pensar que era.

E a outra era por Hinata... Diabos, como se ele fosse ficar longe dela por cinco meses! Cinco meses que ela estaria treinando na floresta com Naruto! Ele sabia que Naruto nunca o magoaria dessa forma, mas... era o Naruto! As mulheres praticamente voavam nele, por qualquer que fosse o motivo, ele não queria deixar Hinata enfrentar a tentação sozinha, Deus, até Iruka tinha uma queda por ele, embora fosse mais algo como um irmão... vá saber...

E eles tinham parado tão perto, tinham chegado tão próximos... em cinco meses ele sabia que podia fazer Hinata sua companheira, e marca-la como tal!

Assim que, reforçado em determinação, ele se inclinou pra frente e correu. Pulando entre as árvores e desviando de kunais enquanto uma louca corria atrás dele, verbalizando em gritos aos quatro ventos sua intenção de retalhar sua masculinidade com uma kunai sem corte, se perguntando como chegara àquela situação.

Anko, por outro lado, não queria nem saber, ela apenas queria pegar o pivete maldito que espiara seu corpo na Névoa escondida, e depois lhe molestara enquanto ela estava dormindo, indefesa – ela decidiu ignorar o fato que ela é que tinha o agarrado e lhe beijado – e mostrar-lhe exatamente por que todos os chunnins daquela vila se borravam quando ouviam o nome dela.

Ela acabou o pegando bem a tempo, rolando por alguns metros pela grama, e estava pronta pra começar a tortura-lo quando duas coisas lhe chamaram a atenção, e de Kiba também.

Primeiro, havia música. Uma melodia alegre que ressoava pelas copas das árvores.

Segundo, no meio da clareira, Naruto e Hinata estavam agarrados uns aos outros – Na verdade estavam apenas segurando as mãos um do outro – Enquanto Naruto a fazia dar voltas para admirar seu corpo – na verdade ele estava girando Hinata – e uma expressão de prazer maliciosa enfeitava o rosto dos dois – bem... eles estavam apenas sorrindo.

–Naru-chan! – ela gritou, correndo e pulando encima dele, quase levando a garota pro chão também – Você estava me traindo mesmo, seu safado insaciável! Eu já não disse que você simplesmente poderia convidar meninas pra nossa cama, não precisava fazer as escondidas!

–Hinata! – Kiba voou nela também, caindo de joelhos e a abraçando, esfregando sua bochecha compulsivamente num lugar sensível do seu estomago – Eu não acredito, você esta me traindo com meu irmãozinho de todas as pessoas! Eu nunca pensei que você tivesse desejos tão imorais, crescendo numa família tradicional como a sua, se era variedade que você queria, por que não me pediu? Eu poderia usar o clone da besta e fazer amor com você com uma forma mais animalesca pra saciar seus desejos depravados!

Naruto e Hinata apenas se olharam, se perguntando se aquilo era algo combinado... Era ridículo demais pra ser espontâneo, e ambos se pegaram pensando se Kiba e Anko tinham algum nível de parentesco... Olhando de lado, eles eram bem parecidos, e suas personalidades, bem...

–Calma Kiba-kun – Hinata conseguiu puxa-lo pra cima e abraça-lo, ela estava com saudades – Nós só estávamos dançando, eu nunca iria trair você.

–E você Naruto? – Anko perguntou, o fuzilando com o olhar.

–Bem... não tem como eu trai-lo, Kiba é meu irmão, e...

–Não isso – Anko disse – Será que você... estava fazendo safadezas com Hinata?

–Só estava a treinando Anko-chan, não precisa ficar com ciúmes.

–Humm... Ok – ela pulou de pé – Eu vou acreditar em você... Ne, Naruto, adivinhe!

–O que?

–Eu vou ficar com você por esses cinco meses!

–Ahh... espera, eu não devia adivinhar?

Ela o ignorou deliberadamente, dando uma volta pra examinar a clareira e a cabana de madeira, e parando nas flores.

Kiba a deixou pra lá, agora que sabia que ela não iria mata-lo, e sorriu pra namorada.

–Ne, Hinata... adivinhe!

–Você vai ficar cinco meses comigo?

–Nossa, você é boa nisso – ele disse, surpreso, e Hinata não soube exatamente se devia rir ou revirar os olhos.

–Não tem problema Naruto?

–Não vejo por que não, nós podemos dividir as camas...

–Dividir? – Hinata franziu as sobrancelhas, se perguntando se Naruto dormiria mesmo com Kiba.

–É claro, você pode dormir com Kiba e eu com Anko, nós somos casais mesmo, então não vejo problemas nisso...

Anko pulou de felicidade com a notícia, de uma forma tão idêntica a Kiba que se podia pensar que ambos eram irmãos, enquanto Hinata sentiu o rosto arder em vermelho vivo.

–E-Eu tenho que d-dormir com Kiba-kun?

–Bem... isso é com você.

A Hyuuga olhou de Kiba, que a encarava com esperança e um pedido silencioso nos olhos, e de volta pra Anko, que estava agora cochichando nos ouvidos de Naruto algo muito indecente, dada a forma como ela moveu o corpo contra o dele e sorriu. Ela tentou pensar em algo pra dizer, mas só veio uma coisa na cabeça:

–Não!

Se fosse ser sincera consigo mesma, ela já tinha dormido junto com Kiba, três vezes, mas as três foram por ambos estarem inconscientes e serem postos pra descansar no mesmo lugar, e sempre havia adultos responsáveis, ou quase, por perto – Anko não contava como adulta. A ideia de se deitar com ele, debaixo das cobertas era... Ela não soube realmente o que pensar, já que seu rosto e pescoço arderam tanto que seu cérebro começou a suar.

–Ora, vamos Hi...

–Não insista Kiba – Naruto sorriu – Você pode usar a minha cama, eu tenho fuutons...

Ele suspirou e acabou dando de ombros, pegando sua grande mochila e levando pra dentro da cabana, enquanto a Hyuuga continuou ruborizada, arquejando no mesmo lugar.

“Parece que as coisas vão ficar mais divertidas a partir de agora” – Kyuubi pensou, interiormente, alisando seus bigodes. Era uma pena aquele corpo humano não ter bigodes pra alisar.