Notas iniciais
Mais uma vez, capítulo bem grande, mas não tanto quanto o último. Sei lá que macumba jogaram em mim, mas as coisas tão crescendo, tão crescendo, os cabelos, os capítulos, meu p...
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
ta, zoeira, leiam e divirtam-se, e COMENTEM!

Capítulo 19

Kaen no Rei

Naruto pousou com suavidade frente ao distrito Inuzuka, acenando um cumprimento para um guarda chunnin que já havia se acostumado a vê-lo ali. Nas mãos, o cachorro morto parecia queimar, embora ele tivesse ciência que era o próprio sangue, manchando seu quimono e escorrendo pelos antebraços, rançoso e ainda vivo. Se as pessoas em volta ficaram surpresas, elas não demonstraram, e o Nove-caudas prestou pouca atenção ao seu redor, bastou atravessar alguns quarteirões, pulando por sobre os telhados, e ele já estava na parte traseira da clínica. Não precisou sequer bater ou anunciar sua presença, ele apenas ficou parado em frente a porta, e poucos segundos depois, uma Hanna preocupada apareceu, atraída pelo cheiro de sangue.

–Naru... – ela o olhou de cima abaixo, da sua expressão um tanto vazia até o pacote sangrento nos seus braços, e sem outras palavras, saiu da frente pra que ele entrasse, o guiando em silêncio até uma sala de cirurgia vazia.

Naruto abaixou o embrulho na mesa metálica, e desfez as camadas de pano que envolviam a bola de carne avermelhada e pouco reconhecível depois de ter sido espancado até a morte.

–Ainda esta quente, parece que ele acabou de morrer – Hanna franziu o cenho, pescando detalhes aqui e ali com os olhos afiados, a brutalidade crua foi um deles, estava em cada ferida aberta, em cada mancha de sangue, e outro mais claro ainda, ele não tinha reagido, não tinha se esquivado, era como um aleijado apanhando, isso estava praticamente impresso na ponta de cada um de seus pelos – Você o encontrou Naru?

–De certa forma...

Se fosse qualquer outra pessoa, a veterinária poderia ter pensado que ele mesmo tinha feito aquilo, mas era do Naruto que eles estavam falando, aquele garoto era incapaz de machucar uma mosca, ou pelo menos era isso que ela pensava. A visão da boca escancarada, dos dentes quebrados, manchados de sangue e dos tufos de pelo arrancados só pela força dos golpes lhe trouxe flashes de memória... Quantas vezes ele mesmo já não havia feito aquilo? Principalmente com filhotes... Discórdia adorava brincar com cachorrinhos.

Hanna notou o clima pesado em torno dele, e se sentou ao seu lado.

–O que houve?

–Eu tinha acabado de levar o formulário de autorização para Sasuke no distrito Uchiha. – Ele respondeu, depois de algum tempo – E estava indo entregar o de Sakura, quando ouvi gritos e senti o cheiro de sangue...

–...De onde vinham?

– Da casa da Sakura mesmo, — Naruto suspirou se levantando e seguindo até o cachorro. Seu corpo estava inchado e sangue ainda escorria pelas suas feridas e orifícios, então a coleira, geralmente folgada no seu pescoço, estava bem apertada. O espadachim soltou a fivela, e livre da pressão, o cão vomitou uma bola de sangue e bílis na mesa de operações.

Bastou um olhar, e ele caiu sentado novamente.

“O que você fez Sakura...?”

Hanna observou curiosamente o que ele tinha nas mãos, e como Naruto parecia indisposto a falar muito no momento, ela tomou a cinta de couro curta suavemente de suas mãos, limpando o sangue da medalha metálica presa nela.

–Brow... – ela leu – Que nome estranho... O que quer dizer?

–É uma forma de se escrever “marrom” – Naruto respondeu, sem paciência pra explicar sobre línguas do período pré-feudal ou mesmo percebendo que era uma pergunta retórica – Sakura o matou.

–Hein? – Hanna piscou surpresa, pensando na garota maluca de cabelos de chiclete – Você a viu fazendo isso?

– Quando eu abri a porta, ela estava batendo nele com um pedaço de ferro e gritando que o queria morto...

A Inuzuka tentou controlar a fúria, só de imaginar a cena o seu sangue parecia ferver. Não era difícil ligar os pontos e descobrir o que tinha acontecido, e isso era um eufemismo dos maiores, mas eles eram ninjas... A hipótese de um genjutsu ou um shintenshin girou um pouco na sua cabeça, era difícil pensar no porque alguém tentaria enganar ou controlar a garota para cometer uma barbaridade daquelas com um cachorro, seu cachorro de todas as coisas, mas também era muito difícil imaginar por que ela o faria por si mesma. Hanna não sabia muito de Sakura, a não ser que sua mãe era o sonho molhado de muitos adolescentes da vila e que, dado o que aconteceu naquela tarde, ela gostava mais de cachorros do que de três refeições ao dia.

–Naruto... – A Inuzuka disse, repentinamente assustada com o que poderia ter acontecido. O ruivo parecia fora da realidade, com os pensamentos longe dali. Ele não era nenhum idiota, e mesmo que parecesse, não era inocente a ponto de não entender de cara o que tinha acontecido, diabos, ele viu acontecer... – O... O que você fez com Sakura?

Inesperadamente, ele riu, baixinho e sem qualquer humor. A resposta ao menos, aliviou a principal preocupação da Ex-Anbu.

– Não se preocupe, eu não a ataquei nem nada... Eu pedi que Ichinami e outro cara os levassem pro hospital...

– Os?!

– Sim... Sakura parece ter batido na sua mãe também, ela estava alterada e completamente fora da realidade... Eu pedi que avisassem Kakashi.

Ele interrompeu o discurso e pulou de pé.

– Hanna... Eu vou pro hospital ver o que aconteceu também, será que você...

A garota sorriu e olhou de soslaio para o cadáver.

– Vamos enterra-lo junto dos nossos... Nenhum cachorro merece apodrecer em um beco qualquer.

– Obrigado – ele estava pra pular pra fora da clínica quando Hanna o segurou pelo ombro.

– Espere, troque de roupa pelo menos – ela apontou o quimono branco coberto de sangue – Se aparecer assim é capaz de te prenderem, eu vou pegar algo do Kiba pra você, e enquanto isso a mamãe pode lavar suas roupas.

– Eu não quero incomodar...

– Não seja bobo Naruto, mamãe sempre diz que, desde que ela “tomou sua virgindade” na banheirinha, ela pode cuidar um pouco de você. Não se atreva a se mexer até eu ter voltado – ela disse, piscando com um sorriso malicioso e explodindo numa gargalhada quando o rosto de Naruto avermelhou de cima abaixo ao ponto da incandescência.

Envergonhado, e agora sozinho numa sala de cirurgia, Naruto acabou dando de ombros. Ele tinha feito às pazes consigo mesmo sobre aquele incidente, mas francamente... aquilo era constrangedor, ainda mais quando Tsume o puxava pra um canto e dizia que era hora de retribuir o favor, só para gargalhar enquanto ele tentava fugir desesperadamente. Tirando o quimono branco, ele usou a parte das costas, razoavelmente limpa, para tirar o sangue do estomago e dos braços. Ficar sozinho com Brow acabava trazendo muitas recordações, e nenhuma delas era exatamente boa, então ele saiu da sala de cirurgias, percorrendo um pequeno corredor até acabar na área de atendimento completamente vazia... exceto...

– Naru-chan!

Rin pulou em seus braços mal ele tendo passado pela porta, sem notar exatamente que o mesmo estava seminu até se ver cara a cara com ele.

– Nossa... – ela disse, aparentemente sem um pingo de vergonha – Você ficou gostoso.

– Rin... – ele riu – Hanna vai ficar fora por alguns minutos, você se importa de continuar aqui por mais algum tempo?

– Eu já ia passar a tarde toda aqui mesmo. – ela deu de ombros, caindo sentada no balcão novamente – Ei, você esta bem? Esta cheirando a...sangue...

– Sim, eu encontrei um cachorro morto e trouxe pra cá, depois Hanna te explica melhor.

Rin assentiu tranquilamente, brincando com uma caneta no balcão enquanto ambos observavam o movimento de civis e ninjas do lado de fora. A médica estava no processo de chupar sensualmente a caneta quando algo lhe ocorreu.

– Naruto... É verdade que você e Anko estão juntos?

– Sim... Como ficou sabendo?

– Hanna-chan e eu estávamos conversando sobre a missão – ela abriu um largo sorriso – Naru-chan... Eu sabia que você ia ser um perigo quando te vi pela primeira vez, mas não sabia que seria tanto, eu estou tão orgulhosa de você!

Naruto riu consigo mesmo. Era difícil ficar em silêncio por muito tempo, estando no mesmo cômodo que Rin, então até que Hanna voltasse com uma troca de roupas, idênticas as de Kiba, ambos já tinham conversado praticamente sobre metade da missão até a névoa, sem nunca parar num ponto por muito tempo pelo aparente interminável entusiasmo da garota.

– Aqui – A Inuzuka largou as roupas nos seus braços – Você e Kiba são praticamente do mesmo tamanho, então eu acho que vai lhe cair como uma luva.

– Obrigado.

Naruto se vestiu na sala de cirurgia, um pouco incomodado com roupas modernas depois de usar quimonos por tanto tempo, apesar disso, o agasalho era quente e razoavelmente confortável, e as calças eram largas o bastante pra não impedir seus movimentos. Por fim, ele prendeu a katana no cinto, e saiu pela porta dos fundos, gritando uma despedida para as garotas.

Naruto tinha a intenção de correr diretamente para o hospital, esperando que Kakashi já estivesse lá, mas uma ideia de última hora o fez mudar de direção. Sinceramente falando, ele não se importava com Sakura, e até onde estivesse em seu poder, preferia vê-la arder no inferno pela eternidade do que ver Anko, Yugao, ou qualquer outra pessoa importante para ele se machucar, mesmo que por um ínfimo corte de papel, mas ele queria entender o que estava acontecendo, e se ele quisesse entender aquela goma de mascar inútil, não havia ninguém melhor por onde começar do que...

...

– Obrigado, voltem sempre – a herdeira Yamanaka acenou com um sorriso que só durou até o casal de idosos sair pela porta da frente, após comprar duas guirlandas de cravos e contar toda a história da vida deles, como se alguém estivesse sinceramente interessado nisso. Ela acabou bocejando e esticando os braços, fins de tarde eram tão preguiçosos.

Sem mais qualquer cliente, e louca pra sair detrás daquele balcão, ela pegou uma vassoura e seguiu cantarolando consigo mesma até a frente da floricultura, varrendo a poeira do tapete e as pétalas caídas debaixo dos estandes. Ino estava tão distraída que, quando ouviu alguém a chamar, por trás, acabou reagindo por impulso e virando a vassoura com tudo num golpe que, se acertasse, teria sido direto no maxilar de Naruto. Ele reagiu a tempo, apenas sacando a katana da bainha o suficiente pra que o cabo acertasse a empunhadura da sua própria espada, logo acima de onde ele a segurava, e apenas a alguns centímetros do rosto.

Ino piscou surpresa por um segundo, confusa sobre quem era aquele cara e como tinha bloqueado seu ataque (tudo bem que foi pelo susto, mas ela tinha posto toda a força nele) como se não fosse nada demais, sem sequer piscar. Levou apenas alguns segundos para juntar os fios de cabelo ruivos e as feições gentis, apesar de agora estarem meio pesadas, com o cara que tinha a fama de ser o pior entre todos os onze Gennins do seu ano.

Essa alcunha nunca pareceu mais falsa, do que naquele momento.

– Naruto-kun? – ela franziu levemente as sobrancelhas – Essas não são as roupas do Kiba?

–Sim, peguei emprestada enquanto as minhas estão pra lavar – ele disse, abaixando por fim a sakabatou, que descansou na bainha com um “click” metálico – Escute Ino, podemos conversar por um momento?

– Conversar...? – ela franziu as sobrancelhas por um minuto, até notar o que estava fazendo e se corrigir – C-Claro, entre.

–Tem algumas coisas que eu gostaria de saber sobre a Sakura – ele disse num tom de voz perfeitamente neutro, mas aquele ponto, Ino já tinha estrelas nos olhos com a possibilidade de um romance.

Ela puxou o ruivo pra dentro e bateu a porta fechando, trancando a loja e rapidamente correndo pela casa, acima das escadas e até seu quarto, arrastando Naruto como uma boneca de pano o tempo todo. Por fim ambos acabaram na sua cama, sentados um de frente pro outro, um deles extremamente constrangido, e a outra extremamente excitada.

– Então... Me conte tudo!

“Não era eu que devia estar fazendo perguntas?” – ele se queixou consigo mesmo, Natsu, muito útil como sempre, apenas rosnou baixinho em resposta, voltando a se aconchegar e dormir dentro do selo.

–O que você quer saber?

– Ué... é verdade que você gosta da Sakura então? – Ino praticamente quicou de empolgação no lugar – Você quer saber mais sobre ela pra impressiona-la, né?

– Não é bem por aí... – ele retorquiu azedo, mas Ino nem pareceu notar.

– O que você quer saber... O tipo de filme ou comida que ela gosta, ou algo assim?

– Sakura gosta de cachorros? – ele perguntou, gravemente.

– Cachorros? – a loura pareceu perdida por um segundo, até seus olhos se iluminarem em compreensão – É claro, você vai comprar uma pelúcia pra ela, muito bom, garotas adoram bichinhos de pelúcia, e quando ganham dos seus namorados se torna algo especial – Ino aplaudiu sem prestar muita atenção às expressões de Naruto – Mas respondendo sua pergunta, sim, Sakura é completa e perdidamente apaixonada por cachorros, principalmente filhotes.

– Entendo... por acaso ela tem algum?

–Ah sim, ela tem um labrador enorme e babão chamado “Brow”. – ela pronunciou a palavra arcaica com um pouco de dificuldade – Por quê?

– Nada em particular... Ele da muito trabalho? – Naruto tentou fazer parecer que estava jogando conversa fora. Coisas daquele tipo geralmente não funcionavam com ninjas, mas Ino estava tão perdida em seus próprios devaneios que nem notou – Ela o trata bem, ou ela o castiga quando faz bagunça?

– Ah não, Sakura trata aquele cachorro melhor que a maioria dos pais tratam seus filhos, como eu disse, ela ama animais – Ino levantou uma sobrancelha, até mais uma vez, compreensão a atingir como uma parede de tijolos – Você vai dar um cachorro pra ela, é isso?

– É... você descobriu – Naruto deu de ombros, era muito mais fácil só concordar de uma vez por todas, e Ino aquele ponto estava praticamente de pé, pulando de felicidade por qualquer razão que fizesse sentido na sua cabeça.

– Que legal! Se der um filhotinho é bem capaz dela se apaixonar por você no ato!

– Que bom... – Naruto suspirou, considerando a hipótese de genjutsu naquela situação, o resto não fazia muito sentido... Na verdade nada realmente fazia muito sentido – Bem, era isso mesmo que eu queria saber, obrigado Ino...

– Ah, nem pensar! – ela pulou, se colocando entre ele e a porta – Você não vai embora ainda!

Naruto resistiu à tentação de sacar a katana, e acabou apenas suspirando, caindo de volta na cama.

– O que você quer?

– Eu te disse tudo sobre a Sakura, agora... tem uma pessoa que eu quero saber, e você a conhece.

– Ino... Eu não sei nada sobre o Sasuke – ele respondeu, cansado – E não sei nada que você...

– Sasuke? – ela pareceu confusa por um segundo, até cair a ficha – Não, não, não quero mais nada com ele, eu já superei isso.

– Então...?

– Bem... – ela pulou de volta na cama, um pouco mais perto dele que antes, e se inclinando levemente pra frente, com as bochechas rosadas – Você esteve na guerra da névoa, não é? É o que estão dizendo por aí...

– Sim, eu estive lá.

– Então, tem um cara que eu ouvi falar, dizem que ele é muito lindo, e um espadachim excepcional, que derrotou o próprio Mizukage na última batalha...

Naruto revirou os olhos.

–...Eu também ouvi dizer que ele e o Mizukage ficaram juntos no final da luta, e foi isso que o forçou a se render... é verdade né?

– Não.

– Não?! – ela piscou surpresa – M-Mas eu ouvi que eles se beijaram no final da batalha!

– É mentira, os dois só estavam conversando – Naruto explicou – Depois de derrotar Yagura, esse cara o convenceu a se render, tem vários detalhes que eu não posso te contar por serem classificados, mas foi basicamente assim que o genocídio de linhagens terminou.

– Mentira... – Ino caiu sentada no colo de Naruto, sem sequer notar, e arrancando um leve rosado das suas bochechas – Então não rolou um beijo?

– Não...

– Nem sequer um selinho?

– Não...

– Mas Yagura e esse espadachim tem um passado juntos né? – Ino agarrou a blusa de Naruto, praticamente o sacudindo enquanto tentava recolher caco por caco da sua fantasia Yaoi, mas o ruivo os quebrou friamente, um por um – Eles estavam apaixonados, certo?!

– Não, eles não se conheciam antes da guerra...

– Como é que você pode ter tanta certeza? – ela o empurrou pra baixo zangada, o rosto a centímetros do dele enquanto permanecia montada nele, ainda sem notar. A resposta dele, no entanto, lhe tirou o ar dos pulmões.

Segurando seus ombros, Naruto habilmente a virou, e acabou por cima dela, segurando suas mãos acima da cabeça. Ino pareceu finalmente notar a posição extremamente comprometedora, e lutou por um segundo pra se libertar.

– Eu derrotei Yagura na última batalha – ele disse com um sorriso repleto de caninos, e totalmente de surpresa, se abaixou e a beijou, apenas um selinho leve, que não durou mais que poucos segundos – Agora você pode dizer que rolou um beijo, né? Ino-chan...

A loura apenas ficou estatelada no colchão, com as faces rosadas e os lábios quentes pelo primeiro contato com outro par de lábios. Naruto pulou para o chão e acenou, com um sorriso no rosto, saindo pela janela e desaparecendo entre os prédios da vila.

“Ahhhh?!” – ela acabou murmurando, incoerente, por fim.

Naruto já estava longe, mas seus ouvidos pegaram as ofensas, quando elas vieram, apesar de Ino parecer muito mais envergonhada do que propriamente brava. Só havia mais uma parada antes do hospital, já que, apesar de tudo, o que Ino lhe disse tinha algum mérito. Ele esperava que Anko gostasse do gatinho de pelúcia que ele comprou para ela.

**********************

Tsokoka ergueu a cabeça, bocejando longamente de onde estava deitada, num dos galhos mais altos de uma das árvores do lugar que Naruto tinha chamado de Distrito Inuzuka. Quando haviam chegado à vila, depois das horas que passou no escritório do humano velho que todos pareciam respeitar, Naruto havia pedido a ela que seguisse Hanna para aquele lugar, e relutante, ela concordou.

O sentimento de ser abandonada, como um filhote fraco, a calou completamente, magoada e envergonhada com sigo mesma. Ela tinha deixado a floresta pra seguir Naruto, pra aprender com ele, não com qualquer outra pessoa – A loba havia dito, quando a mulher com presas vermelhas lhe perguntou qual era o problema.

A sua resposta, no entanto, ainda a perturbava.

“Não fique brava com o Naruto – Hanna lhe disse, com um tom estranho feliz-triste que ela não compreendeu – Ele esta fazendo isso pra proteger você”.

“Eu não preciso de proteção – Tsokoka arreganhou as presas, para mostrar seu ponto”.

“E seus filhotes? – Isso calou a loba das florestas por um segundo, o necessário pra Hanna continuar – Você sentiu bem o cheiro do Naruto, Tsokoka?”.

“Sim, ele cheira como uma raposa”.

“Isso é por que Naruto não é apenas humano, ele é como uma raposa também – Hanna tentou explicar de uma forma diferente – Como se ele fosse um meio sangue”.

“Isso é verdade?! Eu não sabia que raposas cruzavam com seres humanos...”.

“Não cruzam, Naruto se tornou meio raposa depois que nasceu, pra salvar a vila, nosso Hokage aprisionou o espírito de uma raposa mística dentro do corpo de Naruto.”

“Eu não entendo...”.

“Você vai entender, eventualmente, o importante é que várias pessoas na vila odeiam raposas, e odeiam Naruto também, e para machuca-lo, eles podem tentar machucar seus Garou, Nami e Nezumi”.

“Eu entendo...”.

Mas a verdade, era que Tsokoka não entendia. Por que seres humanos odiavam raposas? Faria sentido se elas fossem seus predadores naturais, como no caso dos coelhos e dos lobos, mas então... Será que era por ele ser forte? Não fazia sentido...

Naquele momento, apenas algumas horas atrás, na verdade, Tsokoka tinha feito uma promessa para si mesma. Uma promessa dentro de uma promessa, uma promessa para cumprir outra promessa.

“Para te entender, eu quero estar com você, e para estar com você, eu tenho que ser forte, muito forte, forte o bastante para não perder pra mais ninguém”.

“Você parece bem sozinha aí, minha querida – veio uma voz lá de baixo – Por que não desce, e eu te faço companhia?”

Tsokoka gemeu. Semimaru.

Semimaru era um cachorro grande para raça, com olhos de cobalto e um pelo marrom metálico, manchado de branco em alguns lugares. Verdade seja dita, ele era muito atraente como um macho, mas era tão insuportavelmente convencido que qualquer chance de uma cruza entre os dois tinha sido arruinada no instante em que trocaram o primeiro olhar.

“Vá embora antes que eu arranque sua cabeça – ela resmungou sem muita vontade, querendo apenas paz e silêncio para voltar a dormir ou refletir”.

“Você não pode se esconder aí pra sempre, docinho, também não pode ignorar o meu charme o tempo todo”.

“Quer apostar?”

“O que eu vou ganhar no final?”

“Por que não fazemos um joguinho, Semimaru-chan?” – Tsokoka voltou um único olho afiado pra baixo – “Se estiver disposto a arriscar...”.

Como o cão grande e burro que era – pelo menos do ponto de vista da loba – Semimaru pareceu muito animado ao ouvir o “chan” adicionado ao seu nome, tomando por uma demonstração de afeto o que era pura zombaria. Na verdade ele estava bem consciente do tom de deboche da loba, mas acabou deixando por isso mesmo.

“O que estamos apostando querida?”

“Humm... que tal uma luta comigo?”

Ambos, cachorro e loba, sorriram um para o outro, cada qual vendo claramente a ingenuidade um do outro, mas não a sua própria. “Ele/Ela esta me subestimando” – ambos pensaram em sincronia tão absurda que seria engraçado ver suas expressões se soubessem disso – “Idiota, eu sou um ninken/loba, ele/ela não tem chance!”.

“Tudo bem querida, mas o que vou receber como prêmio quando eu ganhar?”

“Quando eu ganhar a luta – Tsokoka corrigiu – Você vai parar de ficar me incomodando o tempo todo, só tem quatro horas que nos conhecemos e eu já quero te matar, isso não pode ser saudável”.

“Fechado, mas e se eu ganhar?”

“Não se preocupe, você não vai...”.

“Não fique tão arrogante querida, um ninja nunca subestima seu adversário”.

“Tsc... Pense como quiser, se ganhar pode me pedir qualquer coisa”.

“Mesmo?”

“Mesmo...”

“Então eu quero que você seja minha companheira!”.

Tsokoka sentiu a área em torno do focinho esquentar levemente, e ficou sem respostas por um segundo.

“Idiota, como se você fosse ganhar!”

“Trato?”

Tsokoka desceu da árvore, o circulando muito levemente. Quando estava num ponto cego, ela avançou.

“Trato!”

As presas de Tsokoka foram direto ao pescoço do cachorro desavisado, as garras lhe agarrando a barriga pra que ele não fugisse. Apesar de não estar lutando pra matar – lhe pareceu de muito mal tom matar um morador do seu lar adotivo, por mais irritante que ele fosse, e ainda por cima no seu primeiro dia – ela ainda mordeu com força, pra machucar, sentindo os caninos afundar levemente na carne macia do seu pescoço, antes de ser substituído por uma coisa rija e dura que ela reconheceu imediatamente como madeira. A nuvem de fumaça pequena escureceu sai visão, e a loba só notou a proximidade do seu adversário quando se chocou pesadamente contra ela, a atirando ao chão e forçando a largar o toco de madeira que ela estava mastigando.

“O que você fez?”

“Arte ninja, kawarimi – ele disse, arrogantemente – Eu disse pra levar a sério, você pode morrer sem se dar conta, lutando contra um ninja...”.

“Isso é trapaça!”

“Isso é ninjutsu...”

Tsokoka rosnou e novamente avançou contra ele. Semimaru também não estava lutando pra matar (não faria muito sentido matar a loba que ele queria pra si) apenas há irritando um pouco. Era bom para quebrar a concentração e também fazê-la perder um pouco da pose.

Infelizmente, para ele, Tsokoka não era um ninja, ela não lutava pelos seus sentidos e não precisava se concentrar, mas sim pelos seus instintos, e furiosa, como estava agora, eles funcionavam bem melhor. Arreganhando as presas, ela avançou no Husk Siberiano com o triplo de vontade de antes, esquecendo qualquer compostura e mordendo e arranhando com intenção de dilacerar mesmo. Em poucos minutos ambos estavam dando tudo um do outro, as reservas de chakra de Semimaru perigosamente baixas, e os músculos de Tsokoka protestando contra o trabalho árduo. Lutar, como sempre, era muito mais cansativo que correr.

Alguns poucos cachorros tinham parado pra assistir a luta dos dois, apesar de nenhum deles perceber, entre todos, o próprio alfa. Ele seguiu com os olhos a perícia técnica de Semimaru e seus movimentos calculados postos a prova contra a fúria implacável de Tsokoka,e por um minuto, realmente, pareceu que a loba ia ganhar a luta.

Não aconteceu, mas Semimaru era muito gentil pra mostrar aquele movimento. Apenas no final, quando os dois já tinham dado tudo de si, e estavam feridos e exaustos, é que ele decidiu usa-lo.

“Impressionante querida, muito impressionante – ele disse, sorrindo lascivamente – Mas essa luta vai acabar agora, eu guardei o melhor pro final!”.

Tsokoka apenas bufou, a irritação de ter que lidar com truque após truque e feitiço após feitiço já tendo passado a algum tempo. Aquele, no entanto, a impressionou pelo puro poder destrutivo. Semimaru simplesmente se lançou ao ar, girando furiosamente até que uma broca marrom e branco se formou em torno do seu corpo, partindo diretamente em sua direção.

“Tsuuga!”

A loba congelou no lugar, notando como toda a grama e terra em volta da broca foi arrancada e partida em pedaços, e isso só por estarem próximas àquela monstruosidade. O que ela deveria fazer?! Não tinha como se defender, e não havia tempo pra sair do caminho. Repentinamente congelada nas suas próprias patas, Tsokoka fez a única coisa que lhe restava e fechou os olhos, esperando a dor.

Ela não veio, no lugar disso, apenas uma lambida pelo lado do seu rosto, arrepiando os pelos daquele lugar a aquecendo sua pele.

“Parece que eu ganhei...”.

Ela tinha perdido? Pra um cachorro com truques de circo?! Ah não...

Rosnando, Tsokoka avançou, e Semimaru, pego de surpresa, pode apenas cair pra baixo dela, enquanto a loba envolvia as presas no seu pescoço com leveza, apenas pra marcar o lugar.

“Eu ganhei cachorro”.

“O quê?! – ele latiu, tropeçando nas palavras por ainda estar confuso com o rumo dos acontecimentos – É claro que eu ganhei, eu podia ter te matado com aquele ataque, e...”

O Husk se calou quando a sombra do Alfa cobriu seus olhos. Tsokoka se afastou e se sentou por respeito, mas não abaixou a cabeça em obediência como os outros cães, incluindo Semi, fizeram no mesmo instante.

“Saiba aceitar a derrota Semimaru, ou você vai perder coisas mais importantes que seu orgulho...”.

“Mas eu... – ele tentou retorquir, mas um olhar do Alfa o silenciou completamente – Sim pai...”

Pai?! – Essa pegou até mesmo a loba de surpresa.

“Como você mesmo disse filhote, nós somos ninjas, e o engano é a nossa arte. Nunca espere misericórdia de um inimigo, e nunca fique a vontade antes da luta terminar. Tsokoka venceu você por, em primeiro lugar, você ter sido vencido pela sua própria arrogância”.

“Eu entendo...” – ele respondeu submisso.

“Muito bem...”.

Kuromaru deu as costas e saiu do campo de treinamento do composto, seguido pela quase totalidade dos cachorros que acompanhavam a luta, enquanto Semi e Tsokoka ficaram no mesmo lugar, por um bom tempo.

“Seu pai é sábio – ela disse, pra quebrar o silêncio, e então completou, por brincadeira – Pra um cachorro velho...”.

Semimaru riu com gosto.

“Você não viu nada ainda querida – ele se aproximou da loba, e sentou-se a sua frente – Ele pode dizer o que quiser, mas nós dois sabemos o final dessa luta... Eu ganhei”.

Pra falar a verdade, Tsokoka concordava e muito com ele, mas apenas se fez de desentendida.

“Oh... Eu tive a impressão de que, no final, eram minhas presas no seu pescoço, em vez do contrário”.

“Eu poderia ter usado o Tsuga desde o começo, e você sabe que não teria chance”.

Tsokoka sabia, e isso deixava um gosto ruim na sua língua. Por enquanto, ela ainda não tinha chances contra aquilo... por enquanto...

“Então, que tal um empate?”

“Soa bem pra mim – Semimaru disse, e então soltou um sorriso atrevido – Você vai ser minha companheira então?”

Ele estava esperando um rosnado, uma ofensa, ou até mesmo um tapa no focinho, e seria fácil lidar com aquele tipo de coisa. A resposta da loba, no entanto, o pegou tão de surpresa que ele só piscou, olhando pro nada.

“Claro!” – ela respondeu, com um tom alegre, não menos.

“Hein?!”

Tsokoka riu, caminhando em torno do cachorro e falando baixinho, a voz manhosa como só uma loba sabia deixar.

“Eu disse que vou ser sua companheira, sua fêmea... – ela passou a calda sobre o focinho de ninken, pra provoca-lo – Se...”

“Se o que?” – ele perguntou, ansioso pra impressiona-la e conquista-la.

“Eu vou ser sua fêmea, se... – ela repetiu, ainda mais eroticamente – Você se tornar o Alfa”.

Aquilo foi tão incompreensível que, por um minuto, Semi realmente achou que ela estivesse pedindo pra desafiar seu pai... Ela... Estava?!

“O que?! – ele quase gritou – Você é louca mulher?!”

Tsokoka quase gargalhou do tom apavorado dele, ela sabia que daria certo.

“Como eu disse, se me quiser... Vai ter que desafiar Kuromaru pelo título, e vai ter que vencer”.

A loba assistiu com prazer a expressão completamente chocada e apavorada dele, mas depois de alguns minutos os sentimentos ruins foram sendo substituídos por determinação. Determinação feroz que a preocupou. Será que ele pensava em... Nãããããão... ele não era tão idiota, era?! Ela deve ter sido um pouco sensual demais, pra ele concordar com aquela loucura...

“Trato!” – ele latiu, e lambeu seu focinho de supetão, antes de sair correndo, deixando apenas o rosto de Tsokoka quente por causa do beijo roubado.

Forçada pelo próprio orgulho, ela suspirou: “Trato”, mas ele já não estava mais ali pra ouvir.

******************************

Kakashi estava na parte do atendimento do hospital, com uma careta no rosto coberto. Ele estava tendo um dia ótimo, maravilhoso na verdade. Primeiro ele teve o trabalho de acordar um pouco mais cedo que o normal, pra fazer um bom café da manhã na cama para sua namorada, e tinha ganho um boquete delicioso em troca dos seus esforços. Depois ele passou algum tempo com seu time, o que normalmente era bem ruim, mas ele estava lendo o tempo todo, então acabou sendo estupendo também. Agora ele tinha total liberdade pra tratar Naruto como o irmão mais novo que ele sempre o tinha considerado, e o melhor de tudo, seu irmão mais novo não era mais virgem! E como se isso não bastasse, estava comendo uma mulher que mesmo a maioria dos Jounnins regulares tinha calafrios só de se aproximar, e tudo isso sendo apenas um Gennin. Tudo estava indo tão bem que ele achou que Rin finalmente concordaria em encenar Hiroko-chan numa fantasia sexual, à noite... Perfeito...

Isso, é claro, até saber que sua aluna tinha espancado até a morte seu próprio cachorro de estimação, só por que Sasuke disse que não gostava de cachorros. Pelo bem do mundo, ele torcia pra que Sasuke nunca fizesse uma lista detalhada das coisas que não gostava, por que senão o planeta inteiro e todos nele seriam mortos a pauladas. Era comum garotas terem paixonites naquela idade, mas aquilo, francamente, era cruzar a linha. Não tinha nem como atribuir isso ao stress de ser um ninja, caralho, aquela garota não tinha nem participado de uma missão rank C ainda!

– Em que eu posso ajuda-lo? – perguntou uma enfermeira grosseira, ela era famosa por não gostar de ninjas, nem de delinquentes, nem de maquiagem, doces, coelhinhos ou qualquer outra coisa.

– Oh, como vai a senhora, Nanako-san?

– Muito bem, obrigada – ela retorquiu azeda. A maneira mais fácil de irrita-la era agindo como um perfeito cavalheiro, ela os odiava, e irritar Nanako era um dos esportes favoritos de Kakashi.

–Graciosa – ele sorriu, e puxou uma flor de... algum lugar – Sua beleza, como sempre, ofusca o ambiente, é notável que vive nesse mundo tão abaixo do céu por que todos os anjos foram invejosos com você, mia senhor...

Nanako arreganhou os dentes e esmagou a flor entre as mãos, a ponto do suco das pétalas esmagadas escorrerem por seus dedos.

–Muito gentil... – ela forçou, os dentes cerrados e o rosto subindo alguns tons de vermelho – Como posso ajudar vocês... Ah, é você pivete.

Kakashi piscou surpreso, e olhou pra trás, encontrando Naruto as suas costas. Sem o quimono costumeiro, era quase impossível reconhecê-lo de cara, se não fosse pelos cabelos compridos tão característicos.

–Nanako-dono, konbawa – ele se curvou respeitosamente, e a enfermeira chegou a soltar um sorriso muito, muito pequeno mesmo.

Outra coisa sobre Nanako: Ela detestava aparentemente tudo, exceto Naruto, ele era apenas um incomodo. Até hoje, no entanto, ninguém conseguiu encontrar algo do qual ela gostava.

–O que vocês querem aqui? Eu estou muito ocupada, portanto sejam rápidos...

Kakashi a ignorou, ela odiava ser ignorada, mas também odiava que as pessoas prestassem atenção nela, então dava no mesmo.

– Você veio vê-la também?

– Sim... Eu quero entender o que aconteceu, e pensei que você pudesse me dizer.

– Eu posso... – o Jounnin suspirou, se voltando para enfermeira – Em que quarto a minha aluna problemática esta, Nanako-san?

– 402...

– Meus eternos agradecimentos – ele materializou um chapéu do nada, e se curvou elegantemente, pontos brilhantes piscando misteriosamente em torno dele (n/a: Pensem no Armstrong, FMA).

Naruto seguiu Kakashi pelos corredores, remexendo hora ou outra na gola peluda do casaco. Como Kiba conseguia usar aquilo?! Pinicava...

– Você não devia provoca-la desse jeito, nii-san...

– Ela merece...

– Entendo...

Ambos pararam de conversar quando chegaram à frente do quarto 402. O Jounnin de cabelos prateados respirou fundo, antes de levar a mão a maçaneta, mas não chegou a abri-la imediatamente.

– Otouto...

– Sim?

– Como vai seu juramento?

O espadachim suspirou pesadamente.

– Eu não vou mata-la Kakashi – “por mais que eu queira” – Eu só quero saber por que ela fez o que fez. Brow era seu animal de estimação, e segundo Ino, ela o adorava e o tratava muito bem...

– Entendo... bem, eu vou te contar...

Ambos foram interrompidos quando a porta se abriu, e fulminando Naruto com os olhos, estava parada a última pessoa que Kakashi esperaria visitar alguém num hospital.

– Sasuke...

– Então, você voltou – O Uchiha disse, com um sorriso debochado, ignorando o próprio sensei – Eu ouvi dizer que você precisou chamar reforços duas vezes para a missão, é verdade?

– Foram três vezes – o ruivo sorriu amigavelmente, pronto para nocauteá-lo a qualquer movimento brusco.

– Patético... – o sorriso de Sasuke aumentou inconsciente de como Kakashi rolou os olhos – Se eu estivesse lá, não precisaríamos de mais ninguém.

– Que pena que você não estava lá então – Naruto respondeu sem parecer nem mesmo minimamente irritado – Então... você veio ver a Sakura, é isso?

– Como se eu fosse perder meu tempo com essa inútil – ele apontou pra cama, onde a garota estava aparentemente acordada, os olhos abertos, mas parecendo alheia a tudo a sua volta — Eu vim aqui por que sabia que você viria, eu estava esperando por você!

– Ora... Então seus sentimentos pelo Naruto floresceram Sasuke-kun? – Kakashi brincou contente em saber que ainda era possível arrancar alguma expressão daquele garoto, dada à forma como ele corou. O sorriso gentil de Naruto não ajudava em muito também, mesmo que ele não fosse mais tão pequeno e delicado quanto era durante a academia, suas feições ainda eram femininas o suficiente pra enganar muita gente.

–Ba-Baka! – Sasuke grunhiu, e então se voltou pro ruivo, tentando montar uma feição fria e ameaçadora, e falhando terrivelmente no processo. Apesar de negar até a morte, ele ainda tinha uma quedinha por ele, dos tempos de academia – Eu quero lutar contra você!

Naruto suspirou.

– Estamos num hospital Sasuke... vamos ser presos se lutarmos aqui.

– Eu quero dizer lá fora! Lute comigo lá fora!

– Por que?

– Eu ouvi dizer o que você fez durante a missão, derrotar um Jounnin, é verdade?

– Sim...

– Então você pode ser um bom termômetro pra medir minhas habilidades – ele apontou Kakashi – Eu lutaria com o sensei, mas ele é um idiota.

– Ei... Isso magoa – Kakashi murmurou, inutilmente.

– Eu não vou lutar com você agora Sasuke, gomen...

– Por que não? – O Uchiha tornou a se colocar a sua frente, e estava pra agarra-lo pela gola quando notou o movimento milimétrico da espada sendo desembainhada, e acabou desistindo – Você acha que eu não valho seu tempo, é isso?

– Não é nada disso... – Naruto assegurou, com um sorriso – Mas eu estou com raiva, se lutarmos agora, eu posso te machucar sem querer...

– NÃO ME SUBESTIME!

– Não grite num hospital – Kakashi disse, acertando um cascudo na sua cabeça.

– Se quer tanto lutar comigo, Sasuke... – Naruto disse, e o Uchiha acenou freneticamente, ansioso para se provar – Fique mais forte, e chegue as finais do exame chunnin, eu vou estar lá.

– É um desafio?

– Por que não?

– Então espere Naruto! – O Uchiha saiu do quarto, seguindo pelo corredor – Espere e vai ver...

**********************************

Kiba abriu a porta de sua casa com um gemido de dor. Depois de acordar num escritório vazio, sozinho, e sem saber o que estava acontecendo, já que Sarutobi já tinha saído pra comparecer a reunião do conselho, ele tinha decidido treinar. Sua irmã sempre estava ocupada naquelas horas, portanto, ele seguiu em frente sozinho, Akamaru longe de ser visto também. Foram várias horas de treinamento, e agora seus músculos estavam reclamando de dor.

– Cara... eu estou quebrado – ele baixou o zíper da jaqueta e a deixou escorregar para o chão – Mãe?

Ele teve tempo apenas de dar alguns passos, e quando ia chamar novamente, Tsume irrompeu pela cozinha, e o pegou num abraço esmagador, apertando os lábios na sua bochecha, praticamente girando no lugar de empolgação.

– Ow, o que houve? – ele riu, apesar de estar meio constrangido – Você parece de bom humor...

– Eu estou! – ela pegou sua jaqueta do chão e começou a despi-lo a força, ignorando seus protestos – Aconteceu algo maravilhoso na reunião do conselho, e eu quase morri de rir, além do mais...

Ela puxou Kiba, agora vestindo apenas uma cueca, pra outro abraço de quebrar ossos.

– Eu estou tão orgulhosa de você Kiba! O Hokage-sama disse como você agiu durante a guerra, eu achei que ia explodir de orgulho!

As feições dele amuaram um pouco ao ser lembrado daquilo.

– Mãe, eu só cuidei dos feridos, e...

– Nem comece, sua irmã era igualzinha a você com essas coisas – ela latiu – Me diga Kiba, o que você acha que teria acontecido se você não tivesse dado aqueles pontos e enrolado aquelas bandagens?

– Eu...

– Exatamente, os médicos teriam mais trabalho pra fazer, e o atendimento demoraria muito mais. Você tem mesmo ideia de quantas pessoas ainda estão vivas agora, só por que você ajudou com algo simples assim?

Kiba assentiu obedientemente, mas no fundo, ele ainda não estava satisfeito.

– Eu queria ter feito mais...

– Claro que queria, você não seria meu filhote se estivesse satisfeito apenas com isso, mas por hora, você fez o bastante, seu pai estaria tão orgulhoso filhote...

O garoto assentiu, alegremente.

– Muito bem, chega de conversa – Tsume tossiu e se levantou, tentando esconder o brilho molhado dos olhos – Akamaru chegou a algum tempo e esta brincando com os filhotes de Tsokoka no jardim, e você vai tomar um banho, anda, eu estou me sentindo suja só de ficar perto de você...

Ele riu e correu subir as escadas, tomando um banho rápido de chuveiro. Quando saiu, no entanto, se lembrou de que não havia pegado uma muda de roupas.

– OKAA-SAAN! – ele gritou, enrolado numa toalha e abrindo a porta em uma fresta – Eu esqueci minhas roupas!

– Eu estou lavando elas! – veio o grito, lá do andar de baixo.

– Todas elas?

– Todas!

– Então... o que é que eu vou vestir?

Foi um tanto envergonhado que Kiba saiu de casa, meia hora mais tarde, usando as roupas de Naruto. Akamaru parecia muito divertido, deitado no seu ombro e apreciando o vento no rosto enquanto seu parceiro corria por cima dos telhados.

“Onde é que ele deve estar agora...?!”

O primeiro lugar que ele procurou foi no seu apartamento, sem se preocupar em bater e entrando direto pela janela do quarto mesmo, como eles eram acostumados a fazer desde criança. Hinata não estava brincando quando disse que eles eram quase como irmãos, na vila da onda. Começou com uma briga, na verdade, e não foi entre Naruto e ele. Kiba quase riu enquanto lembrava como tinha se posto a frente da “ruivinha”, pra protegê-la dos garotos mais velhos que, por algum motivo, a odiavam. Acabou que, depois de levar uma surra, o próprio Naruto derrotou todos os seis estudantes do último ano, usando apenas um galho. Aquilo foi antes de ter entrado para o clube de esgrima, e se tornar uma lenda entre os espadachins da academia. O Rubro Invencível.

Dando de ombros consigo mesmo, ele tornou a ajeitar o quimono nos ombros. Como diabos Naruto usava aquilo?! Ficava caindo e deixava praticamente metade do seu torso a vista, ele tinha que concordar que era muito legal, mas também muito desconfortável.

–Naruto? – ele chamou, entrando na cozinha e depois pela sala. O apartamento dele era bem pequeno, mas estava sempre muito limpo e organizado, e parecia desprovido de qualquer coisa que não o essencial – Você esta aí?

Abrindo a porta o quarto, sem bater, ele encontrou um montinho arrumado na cama, abaixo das cobertas, e alargou o sorriso.

–Dormir essa hora não é típico de você, anda, levanta!

Ele sacudiu o embrulho pelo ombro, recebendo apenas um muxoxo desagradável em troca. Se estivesse mais consciente dos seus arredores, ou se não estivesse no apartamento de Naruto, que era saturado pelo cheiro dele, ele teria notado que aquele montinho na cama estava longe de ser seu irmão adotivo.

– Anda preguiçoso, eu quero minhas roupas de volta!

Uma mão escapou por entre as cobertas, e tateou nele por um segundo, até achar a dobra do quimono. Kiba estava prestes a perguntar o que ele estava fazendo quando se viu sendo jogado na cama, e sentiu um par de lábios pressionados contra os dele.

Anko o estava beijando, de olhos fechados, e parecia mais dormindo do que acordada. Avermelhando até a morte, ele só teve tempo de conter um arrepio, que se tornou um calafrio de medo quando ela abriu os olhos, e notou que ele não era o Naruto.

Agora... naquela situação tinha duas coisas que uma pessoa podia fazer. Uma delas era ficar extremamente envergonhada com a situação, pedir uma explicação e concordar que era tudo um tremendo mal entendido, a outra era ser a Anko.

–HENTAI! – ela atirou Kiba pela janela, correndo atrás dele com uma pilha de pratos – COMO VOCÊ OUSA SE FANTASIAR COMO O NARU-CHAN PRA ME MOLESTAR, SEU ABUSADO! TARADO! VERME! EU VOU TE MATAR!!!!

Os civis em volta acompanharam com um arquear de sobrancelha um garoto de quimono correndo desesperado por toda a vila, sendo perseguido por uma mulher semi-nua com uma pilha de pratos entre os braços, os arremessando como se fossem shurikens. A maioria deu de ombros e voltou as suas atividades diárias, mas alguns chegaram até a apostar quanto tempo o garoto-raposa – era fácil de confundir, pelas roupas – sobreviveria a ser perseguido pela vadia das cobras. É... eles não eram nada gentis.

*************************

Hinata engoliu em seco enquanto montava uma expressão cuidadosamente neutra pra entrar no escritório de seu pai. Ela tinha melhorado muito em lidar com as pessoas durante a guerra, mas seu pai sempre seria seu bicho papão.

– O senhor mandou me chamar, otou-sama?

Hiashi levantou a cabeça por cima de alguns papéis, e assentiu algumas vezes, indicando que ela fechasse a porta.

– Sente-se Hinata.

– Hai...

Os dois Hyuugas se olharam por alguns minutos, Hiashi examinando as expressões da filha, e ela esperando que o pai começasse qualquer assunto que fosse. Normalmente ela já estaria tremendo àquela altura, mas agora estava apenas desconfortável, e o líder dos Hyuuga secretamente assentiu em aprovação a nova atitude da filha.

– Eu ouvi sobre sua participação durante a guerra na vila da névoa, Hinata, e em primeiro lugar eu gostaria de expressão minhas insatisfações.

– Sim pai...

– Para começar, você seguiu um contingente de shinobis para um país estrangeiro sem a aprovação do nosso Hokage, e por isso, poderia ter sido declarada uma nukennin, capturada e presa por traição, você me entende?

– Mas pai, o Hokage...

– O Hokage – Hiashi a interrompeu, e ela se calou imediatamente, como tinha sido ensinada a fazer – Nunca concordou com isso em primeiro lugar, e apenas quando a “Nidaime Red Death” foi enviada, é que as ações de Naruto se tornaram legais. Se a situação se repetir em que você for convidada a fazer parte de algo desse tipo, eu quero que você negue imediatamente e informe seus superiores com a máxima urgência, estou sendo claro?

– Sim pai... – a garota concordou, de má vontade. Embora, talvez, aquela tenha sido a primeira vez que ela mentiu pra ele.

–Em segundo lugar, eu ouvi dizer que, no decorrer da missão, você foi sequestrada uma vez, juntamente com seu time, e foi resgatada por Naruto, estou certo?

– Sim pai...

– E que, no decorrer do mês passado, você e seu time participaram apenas de missões rank C menores, sob a liderança de Shino, é verdade?

– Sim pai...

–E na última batalha, você e seu time apenas cuidaram dos feridos, tratando machucados superficiais para aliviar a carga dos outros médicos, esta correto?

– Sim pai... – Hinata se sentia menor a cada vez que dizia isso, a ponto de quase desaparecer entre as plumas da almofada.

Hiashi, por outro lado, conteve o enorme desejo de suspirar com a mão sob o coração. Graças a Kami-sama seu bebe não estava fazendo nada perigoso. No lugar disso, ele apenas reforçou as feições geladas.

– Você percebe como tendo o herdeiro do clã mais prestigiado de Konoha, num grupo de shinobis de elite, em uma guerra, realizando apenas missões insignificantes, enquanto seus companheiros lutam na linha de frente nos faz parecer patéticos, não?!

– Sim otou-sama... Desculpe...

– Não há necessidade de se desculpar, você foi arrastada pra tudo isso, e mesmo sendo fraca – Hiashi ignorou meticulosamente a expressão magoada da filha pra não falhar no discurso, pular e abraça-la e agradecer a todos os Deuses por ela estar viva, como ele estava praticamente se coçando pra fazer – concordou com a empreitada para não decepcionar seus companheiros. Eu quero que entenda, no entanto, que as ações de Naruto, enquanto altruístas e honradas, tiveram repercussões graves por todo o continente, como você pode ver...

Hiashi estendeu a mão dentro da manga do quimono, e tirou alguns papéis, – ele adorava fazer isso – os espalhando sobre a mesa. Hinata ofegou quanto percebeu o que eram.

Registros do Bingo-book, ela nunca tinha visto um antes, mas a forma dos documentos era inconfundível, e havia um para cada um do seu grupo. O de Naruto, Hanna, Ártemis e Yugao eram os mais elevados, cada um classificado com um grande S, e uma recompensa absurda por cabeça. Kurenai e Anko vinham lobo abaixo, com um A vermelho e uma recompensa razoavelmente mais baixa que as anteriores, e do seu time Gennin, Hinata era a com a maior recompensa, quase com o valor somado da de Shino e Kiba, apesar do rank ser o mesmo C cinzento que nos dois outros papéis.

Com um pouco de curiosidade, ela pegou o seu próprio registro, o lendo de cima abaixo. A recompensa era oferecida por Kumo, contanto que ela estivesse viva. Hinata só poderia tremer imaginando o que eles fariam com ela, se tivessem a chance.

– Vejo que você entende a gravidade da situação – Hinata apenas assentiu, engolindo em seco – Um shinobi nunca esta tão seguro quanto no anonimato. Depois que seu nome entra no livro Hinata, você vai ser caçada, assassinos e stalkers podem aparecer a qualquer hora, em qualquer lugar, mesmo em missões simples rank C, você pode acabar enfrentando lutas até a morte, vai ser obrigada a matar para sobreviver, você entende isso?

–É algo inevitável, não é, otou-sama?

–Sim filha – Hiashi esfregou o cansaço dos olhos, permitindo que suas feições aquecessem um pouco, aquele era um momento importante – A situação de Shino e Kiba é melhor, as recompensas deles condizem com seu rank, mas a sua é muito perigosa. Um shinobi rank C, com uma recompensa equivalente a de um rank A é uma chance de dinheiro fácil para qualquer stalker-nin. O lado bom disso é que eles vão te subestimar, por isso, nesses cinco meses, eu vou colocar alguém para te treinar em tempo integral. Você deve se tornar forte para sua própria segurança, ao menos no nível de um Chunnin até o começo dos exames começarem, você entendeu?

– Posso perguntar quem vai me treinar otou-sama?

– Você já vai conhece-lo, na verdade, ele deve estar chegando aqui a qualquer momento...

– Entendo...

– Agora Hinata, chegou ao meu conhecimento que, durante a missão... – Hiashi tentou o máximo possível não corar com o pensamento do seu bebe estar crescendo e montar uma expressão rigorosa, e só foi parcialmente bem sucedido nisso. Apesar do seu rosto todo se arrumar numa carranca grave, a área entre o nariz e os olhos avermelhou até estar queimando – Você ficou muito íntima com um dos seus companheiros de time, não é?

Hinata compartilhou rapidamente o rubor do pai. Deus... Eles eram péssimos com essas coisas. O que aconteceu em seguida, no entanto, a pegou tão de surpresa que ela não soube como reagir.

Primeiro Hiashi tremeu, da cabeça aos pés, e até mesmo seus cabelos arquearam junto com o arrepio que varreu sua coluna. Ele trincou os dentes e engoliu em seco, praticamente se contorcendo, como uma represa prestes a estourar.

Ele não gritou, ou quebrou as coisas, nem nada do tipo. Foi muito mais estranho do que isso.

Chorando lágrimas de anime (N/A: Desculpe, eu não conheço nenhuma forma melhor de descrever isso), ele pulou por sobre a mesa e apertou Hinata num abraço. Se ela não estivesse praticamente sendo espremida, enquanto seu pai esfregava a bochecha contra a dela, Hinata teria tentado liberar um muito provável Genjutsu.

– Ahhhhhhh! Hinata-chan arrumou um namorado, e agora não precisa mais do papa! – ele fungou algumas vezes, e então voltou a chorar e esfregar a bochecha contra a dela – O papa vai ficar tão sozinho sem a Hinata-chan, tão sozinho, e ela não vai mais vir me ver e nem tomar chá comigo, ela vai esquecer o papa! Pobre papa!

Hinata normalmente teria acertado um soco em alguém que a abraçasse daquele jeito, mas uma demonstração de afeto gritante daquelas era tão rara quanto estranha. Na verdade, a última vez que Hiashi tratara a si mesmo por “Papa” tinha sido quando ela entrara na academia, aí ele começou a ficar mais frio, muito mais sério e quase nunca nem tocava nela, exceto um tapinha afetuoso na cabeça quando ela ia bem no treinamento. Por algum tempo ela achou que ele não gostava mais dela, e tentou de todo jeito remediar qualquer coisa que tivesse feito errado, mas tudo continuava o mesmo e ela acabou deixando pra lá, não foi a muito tempo que ela entendeu que tudo era pelo clã.

No entanto, aqui estava ele, a esmagando e praticamente pondo os pulmões pra fora. Feliz que ele não tinha superado seu complexo de pai coruja, ela acabou por aproveitar a situação, e os dois começaram a chorar e demonstrar seu afeto um pelo outro da forma mais embaraçosa possível.

–Papa! Papa!

–Não chore Hi-chan. O papa vai te proteger!

– Mesmo?

– MESMO!

Eles olharam um pro outro por alguns segundos, fungando, até voltarem a explodir em lágrimas e se abraçar de novo.

Hannabi parou do outro lado da porta, levou o ouvido pra escutar um pouco, e então rolou os olhos e saiu resmungando.

– Baka papa – ela riu consigo mesma, antes de virar por um corredor e trombar com alguém, indo de bunda pro chão.

– Ei sei idiota, olha por onde andaaaa...

Hannabi arregalou os olhos e deixou os ombros caírem, qualquer resto dos insultos que ela tinha na ponta da língua se transformando num grunhido incompreensível quando se viu cara a cara com... Ela não soube descrever exatamente, mas tinha que ser alguma espécie de ser superior. Os longos cabelos ruivos roçaram no seu rosto quando ele se abaixou, como um afago, mandando um arrepio pela sua coluna e qualquer coerência que ainda restasse pros ares, os olhos azuis safira explodindo em cor, como duas estrelas num céu avermelhado. O sorriso gentil dele a fez corar profundamente, algo que ela se achava boa demais para fazer, só garotinhas bobas coravam... não é?!

– Ouji-sama? – ela murmurou, e só então se deu conta que disse aquilo em voz alta, tapando a boca com as duas mãos e ruborizando ainda mais, se é que era possível.

Naruto apenas riu gentilmente, os olhos cálidos e pacíficos, enquanto ele estendia a mão.

– Desculpe, eu não sou um príncipe – ele a puxou pra cima com cuidado, e por um segundo a mais jovem dos Hyuuga pensou em se corrigir pelo erro grotesco. Ela tinha chamado um anjo de príncipe?! Inaceitável – Seu nome é Hannabi, não é?

– H-H-H-H-H-Hai! – ela engoliu em seco, sem nem notar que tinha gaguejado igual a irmã mais velha.

– Ah, Hinata me contou muito sobre você durante a guerra, mas ela não disse que você era tão bonitinha.

A Hyuuga mais jovem sentiu o coração disparar e passarinhos voando dentro do seu estomago, só de ouvir aquilo, e sem querer, acabou soltando uma risadinha boba.

– Eu queria ficar mais e conversa, mas tenho que encontrar seu Otou-sama, uma ANBU me disse que ele queria me ver – Naruto explicou – Será que você sabe onde ele esta, Hannabi-chan?

Sem confiar na própria voz, Hannabi apontou pra sala do outro corredor, e Naruto sorriu em agradecimento, deixando apenas os caninos marfins a vista.

– Obrigado – ele pegou a sua mão, e deixou um beijinho nela de brincadeira – A gente se vê, Ojou-chan.

Hannabi o observou seguir pelo corredor até desaparecer, as faces queimando em vermelho vivo. Ela olhou pra sua própria mão, olhou pra frente, e por acaso, desmaiou, ficando estatelada no chão com um sorriso bobo no rosto.

Hiashi e Hinata se separaram no instante em que alguém bateu na porta, e em um segundo estavam com expressões perfeitamente compostas e profissionais no rosto, sem qualquer indício de que até então estavam chorando, abraçados um no outro e falando com voz de bebê.

– Pode entrar – o líder Hyuuga limpou a garganta, esperando pelo garoto ruivo de quimono tão famoso na vila.

Na verdade, ainda era o mesmo garoto ruivo, mas as roupas estavam diferentes. Hinata o reconheceu, ou o confundiu, depende do ponto de vista, no mesmo instante, e reagiu da forma que qualquer garota no seu lugar, após ter recebido permissão do pai pra namorar, teria feito.

– Kiba-kun! – ela pulou de pé, e sem nem se dar ao trabalho de conferir se era ele mesmo, correu e lascou-lhe um beijo.

Naruto sentiu o rosto arder enquanto era beijado, e só piorou quando ela agarrou seus cabelos e enfiou a língua na sua boca, sem nem se importar que o pai estava a apenas alguns passos dela. Hiashi, por outro lado, nem estava olhando. Ele tirou um retrato de sua falecida esposa da gaveta, e o apertou no peito.

“Misako-chan, nossa filha esta crescendo tanto, ela esta até participando de um triangulo amoroso!”.

Enquanto isso, no meio do processo de sugar o namorado, Hinata percebeu algo estranho.

“Cabelos compridos...? – ela continuou o beijando, curiosa – Mas o Kiba não tem cabelos compridos...”.

Ela o beijou por mais um bom tempo, girando a língua na sua e esfregando seu corpo contra o dele, debatendo mentalmente aquela questão. Seria o Akamaru? Não... Ele teria latido... Peruca? Não... Kiba arrancaria os braços antes de, voluntariamente, usar uma peruca... Então o que?

Sem nenhuma resposta, ela acabou abrindo os olhos.

“Azuis... – mais um beijo – E cabelo vermelho... Espere...”.

– NARUTO!

Hinata pulou pra trás, tropeçando na almofada em que estava sentada até cinco minutos atrás, e deu de cabeça com a quina da mesa do pai, soltando um “EEEEEEKK” alto e caindo inconsciente logo depois. Naruto olhou dela para Hiashi, ainda corado e ofegante, e piscou algumas vezes, tentando entender a situação, e falhando terrivelmente. Ele acabou limpando a garganta, por constrangimento.

– Nós nunca mais vamos tocar nesse assunto...

– De acordo – O líder dos Hyuuga disse, secretamente muito contente pela filha ter uma disposição tão alta assim, ele já podia até ouvir o barulho dos netos correndo pela casa – Naruto-kun, eu ouvi sobre sua capacidade e habilidades no conselho, e tenho um favor a lhe pedir.

– De que tipo, se me permite perguntar Hiashi-sama?

–“san” vai servir, você ganhou meu respeito por ter ficado tão hábil, e ainda tão jovem, shinobis rank S são difíceis de encontrar, um com treze anos, no entanto, é quase inédito, salvo Yagura na névoa e Uchiha Itachi – Hiashi se permitiu um pequeno sorriso – Enfim, eu gostaria que treinasse Hinata para os exames chunnin.

– Eu?- Naruto arqueou uma sobrancelha – Não seria mais adequado que um Hyuuga fizesse isso?

– Não, Hinata já conhece todos os katas do punho-gentil, exceto os que eu ainda acho que são perigosos demais pra ela é claro, mas seu corpo não é muito adequado a ele, eu tenho certeza que você entendo o porquê...

–Pelo que eu notei do estilo do seu clã, ele prioriza muito a precisão e velocidade, mas com isso vem uma certa rigidez, o corpo de Hinata é ágil, então daria muito trabalho p a transformar sua flexibilidade natural em firmeza, além de ser um desperdício muito grande... Se fosse comparar, o estilo Hyuuga é como rocha e vento, mas a sua filha seria água e vento.

–Como eu pensei, você compreende as coisas rapidamente – Hiashi pensou, e mentalmente acrescentou: “Como o seu pai” – Hinata deve encontrar uma forma de adaptar o estilo, senão nunca vai conseguir ficar realmente forte, e vai acabar sendo ultrapassada pela sua irmã que, de acordo com suas palavras, seria rocha e vento como eu.

– Eu entendo, mais um especialista em Taijutsu, como Maito Gai, não seria mais adequado pra isso? Eu sou um praticante de Kendo e Battou...

Hiashi tremeu com o pensamento de Gai, o demoníaco Gai, torturando seu bebê.

– N-Não... – ele engoliu em seco e recuperou a compostura – Eu tenho certeza que você saberá o que fazer, e vai ajudar minha filha a ficar bem mais forte.

– Estou honrado – Naruto abriu o seu sorriso característico, os olhos fechados e a cabeça inclinada levemente pro lado – Eu concordo, mas tenho uma condição.

– Nomeie seu preço...

– Eu quero ter total liberdade para ensinar o que julgar necessário para Hinata durante esses cinco meses, sem qualquer interferência do seu conselho.

– Muito bem, contanto que ela queira aprender, eu não me oponho – Hiashi se levantou e estendeu a mão – Acordo?

– Acordo. – Naruto apertou a mão oferecida com um sorriso – Eu vou busca-la amanhã de manhã, e trazê-la de volta um dia antes das finais.

– Claro, precisa de um campo?

– Não, eu já tinha reservado um.

– Sobre seu pagamento...

– Não se preocupe com isso Hiashi-san – Naruto sorriu, abrindo a porta – Hinata é uma amiga e uma pessoa preciosa pra mim, eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ajudar minhas pessoas preciosas.

– Entendo, obrigado.

Naruto se curvou uma última vez, e saiu.

****************************************

Enquanto isso, no hospital, uma enfermeira estava tentando acalmar Mana, nervosa a ponto de pegar a moça na porrada pra poder sair do quarto.

– Haruno-san, a senhora...

– Eu estou ótima, seu monstro de branco! – ela tentou fugir pela direita, mas a enfermeira se jogou na frente, forçando a mulher de cabelos cor de rosa a recuar novamente – Me deixe ir ver a minha filha!

– Mas a senhora esta mal!

Haruno mana suspirou, aquilo estava ficando ridículo.

A chance de fugir apareceu quando um médico civil sorridente e muito bem intencionado abriu a porta, conferindo distraidamente uma prancheta enquanto se preparava pra jogar conversa fora, algo em que todos os médicos devem ser hábeis. A jovem enfermeira se apressou a curvar-se pro seu superior, muito respeitosa também, e a paciente aproveitou a distração pra escapar pela direita, chutando o médico sorridente e bem intencionado pra cima da enfermeira sem o menor arrependimento, e batendo a porta trancada logo depois.

–Tola! – Mana gritou, com um sorriso rasgado – Ainda falta mil anos pra alguém como você prender a grande Mana-sama em qualquer lugar, sua tábua sem peito!

Gargalhando consigo mesma, ela seguiu pelo corredor, se esquivando de qualquer médico que pudesse encontrar pelo caminho. Quando estava prestes a virar por uma bifurcação, uma enfermeira a viu, gaguejou qualquer coisa e piscou surpresa, imediatamente partindo atrás dela.

– Ei! Você tem que voltar pro seu quarto!

–Maldição! – Mana saiu correndo novamente, fazendo o melhor pra camisola simples de hospital não levantar com o vento e exibir seus atributos pra toda uma ala de cirurgia. Ela aproveitou um outro corredor vazio e rapidamente se jogou por ele, mas em vez de segui-lo, Mana pulou, usando a parede como apoio pra dar um segundo salto até o teto, onde ela se agarrou com chakra, nas mãos e nos pés, tentando se colar o máximo possível a superfície horizontal.

A enfermeira entrou pelo corredor, apenas um segundo depois, respirando profundamente e olhando em volta.

– Haruno-san! – ela gritou, com as mãos em concha a frente dos lábios, a prancheta debaixo do braço – Onde você esta?

“Como se eu fosse responder, eu estou fugindo sua idiota...”.

Assim que a enfermeira passou um pouco a frente de onde ela estava, Mana se soltou do teto, caindo como um gato bem atrás dela, sem nenhum barulho. Ela estava pra se virar e correr, mas a sensação na boca do estômago a segurou no lugar, era tão excitante. Silenciosamente, ela acompanhou a enfermeira, se mantendo as suas costas sem fazer nenhum barulho, com um sorriso cada vez maior no seu rosto. Ela se manteve atenta a sua sombra, e a ambos os lados dos corredores, e a cada mínimo movimento da sua presa, cada vez com um sorriso maior no rosto.

Por fim, a enfermeira deu de ombros, e se virou, pronta pra voltar as suas responsabilidades, quando sentiu algo na garganta, e de repente, negro. Mana a abaixou delicadamente, até estar recostada na parede. O ponto de pressão não duraria mais do que alguns minutos, mas era o suficiente.

– E você esta morta... – ela disse, com um toque de saudosismo na voz – Melhor sorte da próxima vez querida.

Seguindo de volta pelo mesmo caminho, Mana pensou em como faria pra encontrar a filha. A primeira coisa que lhe veio a mente foi a área pediátrica, e ela estava quase correndo pra lá quando parou, e um sorriso lentamente brotou no seu rosto.

– Baka... “Ela já é uma ninja que se formou na academia, só tem uma área onde ela poderia estar”.

O andar shinobi do hospital, ou melhor, o grande andar shinobi do hospital, maior que todos os outros, era dividido em três alas distintas, formalmente chamadas de áreas I, II e III, além é claro, das UTI’s, mas também eram conhecidos e se referidos com outros nomes, como o andar de aço, onde ficavam as alas azul, verde e vermelha. A área azul era comandada por um medi-nin, mas a equipe era composta por médicos e enfermeiros civis, era onde Gennins e Vips eram tratados. Já a área verde era composta por uma equipe de Medi-nins, com enfermeiros civis, tratando dos Chunnins. Era a maior das três alas com a equipe mais numerosa. A área vermelha, no entanto...

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A área vermelha era um grande bloco de concreto, todo revestido com aço inoxidável, bem distinto do restante do hospital, que era puramente branco. Havia uma equipe toda de medi-nins, cuidando das feridas comuns, e uma equipe excedente, composta unicamente por Iryos, os curadores de elite. Guardas Jounnins vigiavam cada corredor, e um ANBU estava estacionado em cada saída, todos em estreita comunicação um com o outro. Segundo boatos, era bem mais guardado que o escritório do Hokage, e só perdia em proteção para a biblioteca escarlate, na cidade de Vermillion. Era na ala vermelha onde Jounnins e superiores eram tratados, e onde estavam guardados boa parte dos segredos médicos de Konoha. O único civil a ser tratado ali, desde a fundação da vila, era o próprio Daimyo, anterior ao atual.

Segundo boatos, também, noventa e cinco por cento dos pacientes que entravam ali não saíam vivos.

Haruno Mana passou frente às paredes metálicas com um olhar cerrado. Ela trincou os dentes e apertou o passo, ficando o mais longe possível daquele lugar amaldiçoado. A maior tecnologia médica do pais do fogo estava presente ali, mas era cara demais pra um simples Chunnin. Apenas a elite poderia ser tratada no andar vermelho de sangue.

“Tenma...”.

Mana engoliu em seco e saiu dali, o tempo todo sob o olhar afiado de um ANBU. Ela tentou sufocar as lembranças, de sangue, dos gritos e do fogo, mas foi simplesmente inútil. Aquela cena continuava voltando a sua mente, sempre que pensava em aço, as paredes metálicas lhe vinham à mente, e aquelas malditas palavras...

“Onegai! Tenma... Meu marido esta ferido!”

“Senhora, acalme-se...”.

Ele estava vomitando sangue, com metade do torço esmagado por concreto, as coxas perfuradas por vigas de aço, e sangue lhe inundando as roupas e o cabelo. Como diabos ela ia se acalmar?

“Por favor! Ele protegeu a vila, ele precisa de tratamento logo ou...”

“Esta ala é somente para Jounnins senhora, ele precisa ser encaminhado pra ala II”.

“Ele esta morrendo!”

“Desculpe... A ala II fica a esquerda, agora eu tenho que trabalhar”.

“Eu... Eu...”

Mana olhou do Iryo que se afastava até seu marido, que estava sorrindo calmamente, com a cabeça descansando no seu colo.

Ela gritou, chorando e abraçando o seu marido no mesmo dia do seu casamento, o homem que ela tinha decidido acompanhar pelo resto da vida, que nem sabia que seria pai do seu filho.

“Gomen, Tenma-kun – Mana disse pra si mesma, enquanto seguia pela área verde até a área azul, uma única lágrima solitária brilhou no seu rosto, mas não escorreu – Eu vou ter certeza que a Sakura esta bem”.

O Hokage conteve a vontade de acender o cachimbo e dar uma boa tragada enquanto seguia pelos corredores da área azul do hospital. Tinha lugares que mesmo ele não poderia fumar, ou seria, no melhor dos casos, convidado a se retirar. A lembrança do dia em que Tsunade o pegou fumando ali dentro, e o jogou pra fora do terceiro andar, por uma janela, o fez sorrir brevemente, antes de a seriedade voltar a tomar conta das suas expressões.

Com um suspiro, ele parou em frente ao quarto 402, e não se importou em bater antes de abri-la, encontrando Sakura deitada, vestindo uma camisola comprida e olhando para o teto. Alguns exames foram feitos, mas fora um hematoma, de onde Naruto tinha lhe segurado o braço, ela estava perfeitamente saudável.

Fisicamente falando, pelo menos.

– Sakura-kun?

A garota não reconheceu sua presença, ela apenas continuou a olhar pra cima, murmurando qualquer coisa que ele não conseguiu entender. O Hokage se aproximou, até ficar ao lado da cama, e tentou ler seus lábios. Eles não estavam tremendo, mas mal se mexiam ou soltavam som, as únicas coisas que ele conseguiu pegar, entre um mar de outros pensamentos vocalizados foi: “Cachorro mau... Cachorro mau”.

Ele acendeu o cachimbo com um suspiro, os ombros caídos e a expressão mais cansada do que já estivera desde aquela noite, a treze anos atrás, quando ele decidiu sobre o destino de Naruto, e o levou pessoalmente ao orfanato. Quando estava pra se virar e sair, no entanto, a porta bateu aberta, e uma mulher – extraordinariamente gostosa, seu olho interior notou – na faixa dos trinta, com cabelos cor de rosa tão singulares, um rosto bonito e um par de seios que não deixava nada a desejar entrou ofegante.

–Malditas enfermeiras, eu tive que correr de mais duas no caminho até aqui – ela murmurou consigo mesma, respirando fundo e só então notando o velhote na sala – Ho-Hokage-sama!

– Mana... – Sarutobi sorriu levemente, reconhecendo a top 1 da sua lista de MILF’s, agora que Kushina e Mikoto estavam fora do circuito – Você não devia estar no seu quarto?

– Eu... Vim ver minha filha...

– Compreendo...

– O que o senhor esta fazendo aqui?

– Eu vim ver como a sua filha estava, Mana... – o velho disse, caminhando até a janela e exalando a fumaça dos pulmões – Como você tem passado?

– Eu estou bem, o senhor? – ela devolveu a cortesia a contragosto, sinceramente, aquele não era o momento pra fazer conversa fiada – Como a Sakura esta?

Ele pareceu nem tê-la ouvido.

– Ela é bem parecida com você, os mesmos cabelos, os mesmos olhos, mas a personalidade exigente é a mesma que a do Tenma... Ele também era bem teimoso nessa idade.

Mana caminhou até a filha e lhe afagou a testa, tirando uma mexa de cabelos rosados e a passando pra trás da orelha.

– Ela esta bem?

– Mas tem uma coisa em que ela é bem parecida com você, Mana...

– COMO ELA ESTA? – Mana gritou, fuzilando o velho com os olhos. Ele apenas sorriu fracamente.

– Ela, assim como você, é incapaz de aceitar os fatos...

Mana arregalou os olhos, a boca se enchendo de sangue enquanto ela mordia a língua sem nem perceber.

“Desculpe, o estado dele era muito grave, não havia nada que pudéssemos fazer...”

“Você é minha amiga Mana, mas... eu amo a Kushina, espero que você entenda. Por que não sai com o Tenma? Ele é apaixonado por você desde a academia...”

“Sinto muito Mana-chan, mas seus níveis de chakra são baixos demais, você não pode ser uma kunoiche... Desculpe”.

“Eu não posso ficar com você, Mana, eu sou um Chunnin, é meu dever proteger a vila. Eu... Eu sei que nunca fui tão forte quanto o Minato, mas... Eu também quero proteger aquilo que eu amo, assim como ele esta fazendo”.

“Desculpe...”

“Sinto muito...

“Nada a fazer”

“Você não pode...

“Desculpe...”

“Desculpe...”

“Desculpe...”

Mana abaixou a cabeça, percorrendo as mãos pelo cabelo e olhando o chão embaçado pelas suas lágrimas. Elas só caíram, no entanto, quando o Hokage tornou a falar.

– Sinto muito Mana – ele caminhou até a porta e a abriu, parando apenas pra lhe dizer uma última coisa, antes de sair – Mas sua filha foi diagnosticada com esquizofrenia.

Abaixando o chapéu, Sarutobi saiu do quarto, mordendo o cachimbo entre os caninos enquanto seguia pelos corredores, sua audição, por desgraça, ainda era boa o bastante para pegar os soluços de Mana, até que ele saiu da área azul.

Do lado de fora do hospital, um ANBU de cabelos cor de pastel e máscara de águia parou ajoelhado, a direita do Hokage.

–Coloque um Chunnin de prontidão no quarto de Haruno Sakura, e depois vá até os arquivos. Eu quero que ela seja retirada das fileiras shinobis e categorizada como uma civil imediatamente, liberdade para sair da vila será concedida após cinco anos de condicional – ele deu um trago, organizando os pensamentos – Por hora ela ainda é incapaz de frequentar o colégio, mas deixe uma vaga reservada pra ela ano que vem.

– Hai...

– Mais uma coisa, mande Hatake Kakashi ao meu escritório imediatamente, eu posso ter um substituto adequado para o seu time.

– Sim senhor.

Sarutobi suspirou, tragando com vontade, ele estava velho demais praquela merda. Ao menos, uma edição reavaliada do “Icha-Icha Furry”, volume 1, tinha sido relançada, com comentários do próprio Jiraya em cada cena, acompanhado de um kit: “Faça sua própria Furry-girl – Como convencer sua namorada a usar orelhas de gato e uma cauda”. Ele ainda não teve a oportunidade pra dar uma olhada, mas agora havia pelo menos três horas antes da reunião com Kakashi, ele poderia comprar alguns volumes não?

Se ele chegasse cedo, também, que esperasse.

Notas finais
Capítulo agora revisado pelo Gustrubio. Não contem pra ninguém, mas eu tranco ele no meu porão pra revisar meus capítulos, de qualquer outra forma ele fugiria. Como eu sou mal demais pra paga-lo com nada mais que algumas roupas velhas e comida... algumas vezes por mês, vocês todos deem seus agradecimentos, o cara realmente merece.