Kepler-452
11 Kepler 452b! Norzoon para os mais íntimos... - parte 1
Após pagar a quantia pesada que Benclir cobrou, Ksrvatorofopianassamos e Mary voltaram para a sua nave. Vincent carregava o cubo virgem com todo o cuidado.
Quando sentou-se em sua cadeira, na sala de comando, Vincent conectou o cubo com o sistema operacional da nave. Um holograma surgiu, mostrando algo parecido com uma área de trabalho. Vincent abriu um programa e Mary se confundiu com a série de números que apareceram.
—Brilhante! — sussurrou ele, para si mesmo.
—O que?
—Venclir apenas baixou as informações sobre máquinas do tempo, mas o cubo deduziu as coordenadas dos locais aonde podem haver elas. — explicou para Mary. Em seguida, ele olhou para a garota. -Ok. Salvar-iamos-emos a Terra!
—O que?
—Uma conjugação de verbo que pensei para a situação. Salvaremos um planeta no passado, isso significa que, ou já salvamos ou não.- disse ele.
—Como assim?
—Depois explixo. — finalizou. -Preparada? — Mary olhou para Vincent e se lembrou do sonho.
—Talvez... — começou ela, e o garoto a olhou com um olhar confuso. — Talvez possamos visitar o seu planeta primeiro. Quer dizer... É uma máquina do tempo. Não tem motivo para pressa, né?
—É... Mas por que quer ver Norzoon?
—Bom... Você conhece meu planeta. Quero conhecer o seu. — disse ela.
—Se é o que você quer. — Vincent escreveu umas coordenadas e a nave deu um salto.
***
Mary já estava ficando acostumada com o saltos. Isso a ajudou a não sentir muito enjôo após o mesmo. Ela olhou para o planeta na tela de filmagem exterior da nave. O planeta de Vincent não parecia algo mágico. Parecia cheio de nuvens espessas e... Não era mais bonito que a Terra.
A nave se aproximou de Norzoon, e então ela sentiu um frio na barriga.
—E a sua família? — perguntou.
—Minha família? Ah... Eu não moro mais com eles. Mas se você desejar conhecê-los.
—Claro que quero! — exclamou Mary. Vincent engoliu o seco e apenas acelerou a nave. Quando entraram na atmosfera, Mary viu um ambiente cheio de montanhas, com nuvens realmente espessas. As árvores eram menores e mais largas do que as da Terra. E possuíam uma coloração mais azulada. O céu era mais amarelado.
A nave se aproximou de uma cidade realmente bela. Possuía prédios altos, vários aeromoveis e era bastante tecnológico.
Vincent pousou em um local próximo de uma estrutura larga e com várias estruturas que pareciam arcos ogivais. Havia uma cúpula de vidro bem grande que se destacava no teto do local.
-Que local é esse? — perguntou Mary.
—É um laboratório... Vem! — eles entraram no local. Era uma área espaçosa e grande, com várias pessoas, alguns pareciam cientistas, outros pareciam estudantes. Mary achou fascinante como todas as pessoas no local tinham olhos extremamente verdes ou amarelos. E eram altos, atingindo em média de um metro e noventa até dois e dez. Ela se sentiu muito pequena. Vincent a levou até algo que parecia um elevador e os dois foram para um andar subterrâneo. Mary se impressionou com a bagunça daquele local. Haviam objetos realmente estranhos que ela, como estudante de engenharia, jamais sonharia em entender. Comparado com o andar do térreo, que era muito arrumado, ela imaginou que aquele andar subterrâneo era a área de trabalho de cientistas.
E realmente haviam alguns cientistas lá, que cumprimentaram Karvatorofopianassamos e que acharam Mary um tanto estranha. Os dois entraram em uma sala.
Lá haviam um homem e mulher, jovens. Eles usavam óculos de proteção tecnológicos no rosto e eram altos. Quando viram Vincent, tiraram os óculos.
—Karvy? — disse a mulher, que era bastante bonita, com olhos amarelo, pele cor de pérola e cabelos curtos. — Você voltou! — a mulher correu e abraçou o garoto.
—Oi, mãe. — disse elê. Mary se impressionou. Mãe? Aquela mulher parecia irmã. Mas logo ela se lembrou da idade de Vin e se acalmou.
—Larcius! Sai daí e vem ver seu filho! — gritou a mãe de Vin.
—O que foi, Heyna? — O homem olhou para ela e se assustou, pois notou agora as duas presenças no local. Ele tirou os óculos e Mary viu que ele tinha grande semelhança com Vincent, mas o cabelo conseguia der mais bagunçado. Ele caminhou até o filho e deu um abraço no garoto.
—Oi, pai! — disse Vin.
—Sentimos tanto a sua falta, Karvy! Como foi na viagem?
—Bom... — Vincent ficou calado, e então os senhores Demezar notaram a presença de Mary.
—Quem é essa garota baixinha? — perguntou Larcius.
—O-Oi! — gaguejou Mary.
—Mãe! Pai! Essa é a Mary. Ela é terráquea. E por mais que o planeta deles tena um pouco mais da metade da gravidade do nosso, eles são mais baixos mesmo, em média. — disse ele. Larcius e Heyna ficaram calados, ainda surpresos.
—Você se casou no Sol-3? — disse a mãe de Vin, quebrando o silêncio.
—Não.! Não somos casados. — respondeu Mary.
—O que ela está falando? — perguntou Heyna, sem entender o que Mary dizia.
—Mary, eles não estão com um tradutor e eles não falam inglês... — sussurrou Vin. Pela primeira vez, Mary se tocou de que, esse tempo todo, conversou com seres que não falavam inglês.
—O que eu faço agora? — perguntou ela para Vincent.
—Só um momento! — disse Vincent, tirando seu próprio tradutor e entregando para sua mãe. -Tente agora.
—Oi... — disse Mary.
—Que fascinante! — exclamou Heyna. — Você colocou o idioma deles no banco de dados do tradutor galático.
—Sim... Coloquei dez idiomas do planeta deles! — respondeu Vincent. Heyna olhou para Mary, enquanto Vin caminhou até seu pai.
—Você é do planeta Sol-3, não é?
—Sol... três? — perguntou ela, confusa.
—Sim. Terceiro planeta da estrela Sol. — respondeu.
—Sim... A Terra. — respondeu Mary. As duas passaram a tarde conversando, enquanto Vincent ensinava o próprio pai a falar inglês, pois o mesmo detestava usar tradutores.
***
Quando determinado horário chegou, os pais de Vincent começaram a guardar todas as parafernalhas que estavam usando.
—Então, Mary. Que tal jantar com a gente na nossa casa? — perguntou Heyna.
—Eu? Não precisa, senhora.
—Ora, vamos. Nós insistimos! — disse Larcius, que aparentemente havia se tornado fluente no inglês.
Após muita insistência, Mary concordou em jantar na casa dos Demezar. Quando chegaram lá, Mary viu que eles realmente tinham uma ótima condição financeira, pois sua casa era imensa. No jantar comeram algo que Mary não sabia o que era, mas que estava delicioso, e então, Mary e Vincent foram pro jardim e começaram a caminhar pelo local.
—Então, Karvy! — disse ela, em um tom debochado.
—Só minha mãe pode me chamar assim! — respondeu Karvy.
—Só brincadeira, Karvy. — disse ela, rindo. Vin olhou para ela com uma expressão zangada. -Tá! Parei. — disse a garota.
—Ótimo. O que ia dizer?
—Bom... Seus pais parecem pais normais. Não parecem alienígenas. — disse ela.
—Parece que todos os pais sempre terão a mesma personalidade, independente do planeta. — filosofou Vin. Mary riu e olhou para o céu.
—Será que dá pra ver o Sol daqui? — perguntou ela.
—Claro! É aquela estrela minúscula w sem graça ali! — Vincent apontou para uma estrela que quase não era visível. O garoto teve que pegar um telescópio portátil para ajudar Mary ajudar enxergar melhor. Quando a garota olhou para o Sol, teve a sensação de que era uma poeira no universo. De que a Terra não significava nada na imensidão da galáxia. E a mesma galáxia não era nada comparada com o número absurdo de outras galáxias que existiam. Ela se sentiu pequena, muito pequena. Elá tirou o olho do telescópio portátil e olhou para Vincent.
—É incrível. — disse ela, se sentando na grama.
—Sim... Há alguns milênios atrás, minha espécie achava que estava sozinha no universo. — disse Vincent. -Quando conseguimos viajar para a estrela mais próxima, foi um grande avanço na ciência.
—Minha espécie ainda acha... Ou achava... — Mary abaixou a cabeça. -Não sei o que aconteceu com eles.
—Não se preocupe! Salvar-lo-iamos-emos o seu planeta. — disse Vincent, dando um tapinha de consolo nas costas da garota. Ela olhou para Vin e, naquele momento, sorriu. Sorriu de felicidade. Um sorriso tão repentino que Vincent achou estranho.
Ele se preparou para perguntar o motivo do sorriso, mas não pode. Mary roubou um beijo do garoto. Karvy ficou surpreso, muito surpreso, mas depois, também retribuiu o beijo da garota.
Após esse momento, os dois ficaram com vergonha demais para conversar, então apenas deitaram na grama e começaram a olhar para as estrelas.
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